Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Referências bibliográficas

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PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E AS

NOVAS COMPETÊNCIAS PARA O TRABALHADOR

Graziany Penna Dias



Resumo: Parâmetros Curriculares Nacionais tem como base a referência das novas competências para se produzir, abarcando as novas exigências do mercado de trabalho, satisfazendo as necessidades do capital. Neste sentido acreditamos que isto vai se refletir nos documentos específicos por área, organizados segundo os contornos do que se idealizou no documento introdutório. Reportando estritamente ao documento da educação física, estes deverão acompanhar a referência do documento introdutório, contribuindo para a demanda das novas competências.No entanto, para a educação física esta questão é mais complexa, na medida em que ela sempre foi entendida hegemonicamente a partir de uma dimensão mais física do que intelectual nas suas ações pedagógicas. E as novas competências, a princípio, perfazem uma dimensão mais intelectual do que física. No entanto percebemos que tanto não se invalida o fato a possibilidade da educação física poder ser utilizada no projeto hegemônico de formação do trabalhador de novo tipo, como também não se invalida a possibilidade de que da forma como era/é entendida, hegemonicamente, ela se afasta deste projeto, ainda mais sabendo que ainda apresenta-se muito evidente as suas tendências históricas. Inclusive presentes, como se pode ver, no próprio PCN – Educação Física.

Considerações iniciais

O presente texto tem por intenção abordar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) da Educação Física de forma a observar em seu discurso o que se pretende para a educação física a partir da demanda de novas competências.

Com isto acreditamos dar maiores contribuições ao debate travado na área atentando para um novo elemento a qual teremos de nos posicionar no interior da escola: a demanda de novas competências.

Quando se faz a leitura do PCN – Educação Física, vê-se a intenção de atentar esta disciplina sob novos enfoques, inclusive de cunho progressista. Assim observa-se o uso de discursos que entendem a educação física mais voltada para as questões pedagógicas, indo de encontro com o que, hegemonicamente estava se propondo.

No passado o poder hegemônico, via ações governamentais, procurou por meio da educação física propagar o seu ideário instrumental do desempenho físico e técnico dos alunos, na tentativa de preparar a classe de trabalhadores para compor as forças produtivas da época. Dessa forma a educação física era concebida como uma atividade prática no interior da escola, pois o trabalho assim o era, exigindo o uso de habilidades motoras.

Não obstante, percebemos agora um movimento contraditório do próprio poder hegemônico em relação à educação física. Devido às novas exigências do mercado, que perfazem uma dimensão mais intelectual do trabalho, a educação física sob o olhar hegemônico, é entendida não mais apenas pelo seu caráter físico, mas também pela possibilidade de gerar habilidades intelectuais, visto que este é o componente que se persegue agora.

E esta visão hegemônica, da qual nos reportamos pode ser constatada a princípio no PCN – Educação Física.

O documento de Educação Física traz uma proposta que procura democratizar, humanizar e diversificar a prática pedagógica da área, buscando ampliar, de uma visão apenas biológica, para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas, sócio/culturais dos alunos”. (PCN – Educação Física – 1º e 2º Ciclos, 1997, p. 15).

Assim, como se pode observar, o poder hegemônico (via governo federal) entende que a educação física que no passado restringia-se (ou melhor, era restringida) a uma visão biológica não dá conta de contribuir para o projeto de formação humana em que pese o modelo de competências.

Porém este entende também, que é possível à educação física alinhar-se com tal projeto na medida em que puder “ampliar” a sua visão para outras dimensões humanas.

Para tal, e no PCN – Educação Física veremos isto, o discurso contido neste documento procurará se aproximar das novas concepções de educação física, como a cultura corporal, sob a idéia de que estas guardam coerência com o modelo de trabalhador de novo tipo que se está procurando. Assim

Atualmente se concebe a existência de algumas abordagens para a Educação Física escolar no Brasil que resultam da articulação de diferentes teorias psicológicas, sociológicas e concepções filosóficas. Todas estas correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para a área e a aproximado das ciências humanas, e, embora contenham enfoques científicos diferenciados entre si, com pontos muitas vezes divergentes, têm em comum a busca de uma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do ser humano”. (PCN – Educação Física – 1º e 2º Ciclos, 1997, p. 24).

É justamente pensando nestas múltiplas dimensões que fazem referência a subjetividade humana, que o PCN – Educação Física procura articular o seu discurso em favor das competências. E aqui, os autores deste documento, ideologicamente, procuram criar um consenso entre estas abordagens (construtivista, psicomotora, cultura corporal, etc) como se cada uma pudesse dar sua contribuição perfazendo estas múltiplas dimensões do ser humano (Soares, 1997).

No discurso do PCN – Educação Física é possível constatar que em diversos momentos procura-se inserir algumas das competências, que apresentam amplamente divulgadas pelo mercado, e que se referem a dimensão do “saber-ser” e “saber-fazer”. O “saber-fazer” refere-se às qualidades pessoais adquiridas e mobilizadas pela pessoa; o “saber-fazer” aos conhecimentos e noções adquiridos na prática.

Tendo como pano de fundo a aprendizagem de movimentos, o PCN – Educação Física procura atentar para a possibilidade de se gerir os comportamentos e atitudes ligados às dimensões supra citadas. Desta forma,

Aprender a movimentar-se implica planejar, experimentar, avaliar, optar entre alternativas, coordenar ações do corpo com objetos no tempo e no espaço, interagir com outras pessoas, enfim, uma série de procedimentos cognitivos que devem ser favorecidos e considerados no processo de ensino e aprendizagem na área de Educação Física. (...) É fundamental que as situações de ensino e aprendizagem incluam instrumentos de registro, reflexão e discussão sobre as experiências corporais, estratégicas e grupais que as práticas da cultura corporal oferecem ao aluno”. (PCN – Educação Física. 1º e 2º Ciclos, 1997, p. 34).

É importante observar para este trecho no que tange as referências que se faz para a demanda de competências. Estas referências perfazem as dimensões do “saber-ser” e “saber-fazer” que convergem para a noção de competência. Assim, para o “saber-fazer” destaca-se o planejar, avaliar, optar; e para o “saber-ser” destaca-se o interagir com outras pessoas, que em outras palavras significa trabalhar em grupo, que inclusive é um dos comportamentos e atitudes de fundamental importância para os novos padrões produtivos.

Portanto é necessário que esta dimensão seja “incluída” nas aulas, para que então a educação física se aproxime do modelo de competências. Para um trabalhador de novo tipo é necessário que a educação física também o seja.

Isto eleva a tese de que a educação física da forma como era/é concebida hegemonicamente não contempla a demanda das novas competências. Como coloca Martins (et alli)

Podemos afirmar que as tendências históricas da Educação Física, não respondem às necessidades contemporâneas de formação humana, pois atenderam demandas sociais, políticas e econômicas bem específicas datadas historicamente. O homem de novo tipo exigido pelo novo estágio não aceita mais a velha definição de saúde do higienismo, do padrão de civismo e cidadania do militarismo e dos comportamentos e habilidades da disciplina taylorista-fordista veiculada pela esportivização do ensino escolar”. (2000 p. 49).

No entanto é possível identificar no PCN – Educação Física um certo retorno destas tendências históricas sob novas roupagens. No item sobre a “relevância social dos conteúdos” no contexto brasileiro, destaca-se a necessidade de conhecimentos que possam contribuir para a manutenção e promoção da saúde. Assim,

Foram selecionadas práticas da cultura corporal de movimento que têm presença marcante na sociedade brasileira, cuja aprendizagem favorece a ampliação das capacidades de interação sócio cultural, o usufruto das possibilidades de lazer, promoção da saúde pessoal e coletiva”. (PCN – Educação Física, 3º e 4º Ciclos, 1998, p. 67).

Pela idéia que procuramos traçar ao longo deste estudo, entendemos que na medida em que nos PCN´s da Educação Física fazem alusão às tendências hegemônicas que atendiam as demandas históricas do passado, produz-se um enfraquecimento do discurso que ao mesmo tempo procura alinhar-se com o modelo de competências, pois como o próprio PCN procurou afirmar, na sua construção teórica, é necessária uma educação física ampliada às múltiplas dimensões humanas.

No decorrer do documento foram destacados comportamentos e atitudes que fazem alusão ao esquema que foi destacado por Ramos (2001), a partir do trio: saber, saber-fazer, saber-ser. Sendo o saber ligado aos conhecimentos explicitamente transmissíveis; o saber-fazer ligado aos conhecimentos e noções adquiridos na prática e o saber-ser referindo-se as qualidades pessoais.

Além dos comportamentos e atitudes que foram destacados para a educação física desenvolver em suas ações pedagógicas, encontramos um outro elemento que reforça a idéia de que o entendimento que os PCN – Educação Física tem do modelo de competências aproxima-se do trio destacado acima.

Quando se observa no PCN – Educação Física o item “síntese dos princípios que norteiam a educação física no ensino fundamental”, chama-nos atenção o aspecto denominado de Categorias de Conteúdos. Este aspecto ressalta que os conhecimentos acerca da área da educação física devem ser tratados segundo três categorias, a saber: categoria conceitual (fatos, conceitos e princípios), categoria procedimental (ligados ao fazer) e categoria atitudinal (normas, valores e atitudes). (PCN – Educação Física, 3º e 4º Ciclos, 1998).

Fazendo-se uma comparação destas categorias (conceitual, procedimental e atitudinal) com o trio (saber, saber-fazer e saber-ser) é possível perceber uma profunda similaridade entre estes, o que leva a crer que o PCN´s – Educação Física entende o modelo de competências a partir da idéia do trio, reproduzindo a sua essência.

A partir dos elementos, que nos foram possível destacar, percebemos que tanto não se invalida o fato a possibilidade da educação física poder ser utilizada no projeto hegemônico de formação do trabalhador de novo tipo, como também não se invalida a possibilidade de que da forma como era/é entendida, hegemonicamente, ela se afasta deste projeto, ainda mais sabendo que ainda apresenta-se muito evidente as suas tendências históricas. Inclusive presentes, como se pode ver, no próprio PCN – Educação Física.

Portanto, nos limites do nosso estudo, nos foi possível fazer as seguintes constatações, que longe de trazer elementos com a intenção de dar uma conclusão finalizada deste tema, ao contrário pretendeu contribuir com o debate que se tem travado acerca da educação física escolar na busca de entender as transformações por que vem sofrendo bem como as possibilidades de resistência ativa a partir de um projeto se sociedade transformador.

O autor, Graziany Penna Dias, leciona no CIEP 456 – G P Marco Polo



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PENSANDO A CAPOEIRA COMO ÁREA DE CONHECIMENTO DA

EDUCAÇÃO FÍSICA A PARTIR DE RESGATES HISTÓRICOS

Vinícius Penha



Resumo: Trata dos caminhos percorridos pela Educação Física, seu surgimento, seus elementos legitimadores, áreas que serviram como suporte, assim como do processo histórico das escolas objetivando implantar a Capoeira como área de conhecimento da Educação Física no ambiente escolar de acordo com o processo histórico da Educação Física e da escola.

Resgate histórico da educação física

Iniciaremos o texto com um sucinto resgate histórico (tendo como referência Bracht, 2001 e 1999) da Educação Física: os elementos que a legitimaram, seu objeto de estudo, assim como sua inserção nos meios educacionais como componente curricular.

A Educação Física teve sua inserção no currículo escolar após um remodelamento, uma nova visão da área médica diante do corpo (século XVIII) que passava a discursar sobre a importância do movimento como promoção da saúde. Dessa maneira, a Educação Física se vê alicerçada pela área médica, tendo como prática pedagogizante a promoção da saúde. Portanto, essa disciplina é justificada no âmbito escolar pelo prisma biológico, que de certa forma se manteve por muitos anos, mesmo estando sob o discurso de outras instituições, como veremos a seguir. Além da área médica, a Educação Física também passou pelas “mãos” do militarismo que viu nela a possibilidade de educar e disciplinar o corpo, enfatizando o corpo belo e o amor à pátria. A idéia era preparar o corpo para a guerra e isso se deu principalmente por meio da ginástica que foi implantada nos meios escolares (o Brasil se utilizou de alguns métodos de ginástica, dentre eles, o sueco, o alemão, o francês) como área de conhecimento da Educação Física.

Um outro fator que tem sido usado para justificar a Educação Física é o trabalho, ou seja, para que as pessoas possam ser mais produtivas em seus afazeres (lógica do capitalismo), faz-se necessária a prática da Educação Física. Esse argumento, nos dias atuais, “cai um pouco por terra”, pois muitas atividades que se requeriam força física já não a exigem mais, devido ao aumento do número de máquinas, e, por essa razão, os exercícios físicos intensos não se justificariam, sendo substituídos por atividades leves. Em meio ao militarismo, surge um novo fator que justifica a Educação Física, o esporte, que posteriormente se enraíza na Educação Física, muitas vezes com ela se confundindo (CAPARROZ, 2001).

...] a pedagogia da Educação Física incorporou, sem necessidade de mudar seus princípios mais fundamentais, essa ‘nova’ técnica corporal , o esporte, agregando agora, em virtude das intersecções sociais (principalmente políticas) desse fenômeno, novos sentidos/significados, como, por exemplo, preparar as novas gerações para representar o país no campo esportivo (internacional)” (BRACHT, 1999, p.6).

Assim, a Educação Física, sempre se justificou a partir de uma visão biológica do corpo, ora sob o discurso da medicina, ora do militarismo, ora do esporte. De acordo com Bracht (1999), um dos maiores desafios da Educação Física é a legitimidade no campo pedagógico, sendo subsidiada por outras ciências (humanas e sociais). Para tal, será necessário colocar como ponto de discussão a Educação Física nos meios escolares, isto é, como ela vem sendo tratada nos dias atuais, bem como sua importânica.

Atualmente, o discurso que se faz acerca da Educação Física é a busca da legitimidade no campo pedagógico (citado no parágrafo acima) que preconiza uma educação crítica, enxergando o ser humano como um ser integral que está diretamente ligado ao processo histórico, preocupado com a sua formação/reflexão. Para isso, o objeto de estudo da Educação Física passa a ser a cultura corporal do movimento, realizada para alcançar os objetivos citados.

Processo histórico da escola

Falamos um pouco sobre a Educação Física e o que a circunda, sem, contudo, focalizar onde ela está inserida, a escola. Procuraremos fazer com a escola o mesmo que fizemos com a Educação Física, um sucinto resgate histórico (tendo como base estudos realizados por Vago, 2001).

As escolas, no início do século XX, tinham como característica o isolamento, situavam-se afastadas dos grandes centros e ofereciam um ensino precário, daí o surgimento de um novo modelo escolar, organizado pela lógica do sistema capitalista. Esse novo modelo escolar tinha como objetivo a formação de cidadãos capacitados e disciplinados para o trabalho (a Educação Física era de fundamental importância). Mas não era somente o corpo dos alunos que deveria ser “perfeito”, para que essa cultura ficasse marcante. A beleza e a educação/disciplina começavam pelas estruturas dos próprios prédios, que possuíam uma arquitetura apropriada para tal. É notável como os alunos (e por que não os professores?) eram influenciados pelo sistema. Não havia a preocupação em se educar criticamente. Os conteúdos eram impostos e muitas vezes sem questionamentos por parte daqueles que eram responsáveis pela educação. Mas, como fazemos parte do processo histórico, quanto aos ideais das escolas (assim como sua arquitetura) e à forma como os professores foram se colocando perante o processo educativo, hoje podemos perceber, “[...] a escola como lugar de organização e produção de uma cultura específica e de professores, de alunos e da comunidade envolvida como sujeitos praticantes e produtores dessa cultura” (VAGO, 2001, p. 17).

Os resgates históricos da Educação Física e da escola se fizeram necessários para que pudéssemos compreender essas duas esferas na atualidade, e partir daí se pensar em perspectivas e possibilidades para alcançar as metas atuais de ambas (educação crítica em que professor e aluno são agentes sujeitos do processo).

Acreditamo te inter-relacionada a aspectos históricos, sócio-econômicos e culturais que se refletem e se reatualizam na sua própria prática (FALCÃO, 1996, p. 27).

Pensando na perspectiva de uma educação crítica, é preciso ter em mente que “[...] a escola e seus agentes não são objetos manipuláveis de conhecimento dito científico racionalizado, pronto, mas lugar e sujeitos praticantes e produtores de conhecimento” (VAGO, 2001, p. 17).



Considerações finais

Pode ser pretensão pensar a Capoeira como uma possibilidade para uma educação crítica/reflexiva na disciplina Educação Física, pois certamente não será tarefa fácil, uma vez que questionamentos podem surgir, por exemplo: estaria o professor de Educação Física apto para inserir a Capoeira como área de conhecimento em sua disciplina?. Se estiver, como isso aconteceria? É certo que outras questões podem surgir, mas se ficarmos colocando empecilhos, dificilmente conseguiremos a tão almejada educação crítica/reflexiva.

A relação entre Educação Física, escola e Capoeira pode acontecer de forma bastante proveitosa, uma vez que a Educação Física trata da cultura corporal do movimento, a escola trata da organização e produção da cultura e a Capoeira é uma pratica corporal que trata da cultura popular brasileira. Um outro ponto que merece atenção quanto à utilização da Capoeira na Educação Física é o fato de que

...] a Educação Física no Brasil manteve-se acentuadamente atrelada a algumas modalidades desportivas surgidas e institucionalizadas no seio das camadas dominantes da sociedade, ao passo que a Capoeira surgiu no bojo das camadas menos favorecidas da população, apresentando, portanto, uma linguagem bastante diferenciada das demais modalidades desportivas conhecidas e praticadas nas escolas” (FALCÃO, 1996, p. 27).

Assim como a Capoeira pode servir como um instrumento para a educação crítica/reflexiva, outras práticas corporais também podem contribuir para essa educação.

O autor, Vinícius Penha é acadêmico em Educação Física, voluntário de LESEF/UFES e aluno graduado em Capoeira – Grupo Beribazu


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