Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Referencias bibliográfica

CASTELLANI FILHO, Lino. Política educacional e Educação Física. Campinas/SP: Autores Associados, 1998.

CBCE (org.). Educação fisica escolar frente a LDB e aos PCNs: profissionais analisam renovações, modismos e interesses. Ijui, SC: Sedigraf, 1997.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1993.

GALEANO, Eduardo. De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso. Porto Alegre: L&PM, 1999.

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PAULA SILVA, Maria Cecília. Projeto apresentado ao Departamento de Educação Física da PJF/MG. 1999. Texto mimeo.

PAULA SILVA, Maria Cecília; ZACARIAS, Lídia Santos, et alli. Programa municipal de educação fisica: diretrizes curriculares. Juiz de Fora/MG: PJF/Helvetica, 2000.

REGO, Tereza C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. 7.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

SADER, Emir. Conferencia realizada na UERJ/RJ, 2002.

VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

__________ Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987.



POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA:

OUVINDO OS PROFESSORES

Telma Cristiane Gaspari

Aline Di Thommazo

Valéria Battistuzzi Maciel

Osmar Moreira de Souza Júnior

Suraya Cristina Darido

Laércio Iório

Luciana Venâncio

Fernanda Impolcetto

Luis Fernando Rocha

Maurício Valeta

José Ribamar Santiago Júnior

Larissa Benites

Resumo: O presente estudo procurou levantar algumas possibilidades para melhorar a qualidade das aulas de Educação Física escolar, conforme as dificuldades e sugestões apontadas por professores da área. Isso foi possível mediante pesquisa anterior realizada com professores das redes pública e privada de ensino, na qual buscou-se conhecer a opinião de 21 professores de Educação Física que apontaram dificuldades enfrentadas em seus trabalhos e sugestões para melhorias do mesmo. Realizou-se uma análise qualitativa sobre a opinião desses professores e considerou-se a experiência do grupo pesquisador para se atingir tal objetivo. Dentre as sugestões apresentadas destacam-se a melhoria das condições de trabalho, que inclui, entre outros aspectos, adequação da infra-estrutura e material, aumento dos salários, diminuição do número de alunos por turmas, aumento do número de aulas. O grupo apresenta também a possibilidade de desenvolvimento da pesquisa-ação ocupando o espaço do planejamento coletivo escolar, contribuindo para a formação continuada dos docentes e conseqüente melhoria na qualidade do ensino.

1- Introdução, justificativa e objetivo

Atualmente, a população brasileira vive um momento de muitas expectativas quanto à atuação do governo e aguarda melhorias em diferentes campos da sociedade. Dentre esses campos, o da Educação é uma vertente bastante atingida com altos índices de analfabetismo, evasão, repetência, baixa qualidade do ensino, dentre outros.

Ao observar a situação da Educação Física escolar em específico é possível perceber que esta passa por um momento bastante crítico de transição, isto é, nota-se que o professor, muitas vezes, possui o discurso de não mais elaborar aulas eminentemente seletivas, nem optar apenas por uma modalidade esportiva e negligenciar a dimensão lúdica (Darido, 1997). No entanto, é evidente a dificuldade do professor discernir sobre o que é mais apropriado “colocar no lugar”, em que momento, que projeto implementar e como.

Enfim, as dificuldades que o professor de Educação Física escolar enfrenta são muitas. Partindo-se deste pressuposto, em pesquisa realizada recentemente, o LETPEF (Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física) levantou junto aos professores das redes estadual, municipal e privada de ensino, quais são suas dificuldades e sugestões para melhorar a qualidade das aulas.

Considerou-se de fundamental importância partir da realidade do professor e de seu contexto de atuação profissional. Para tanto, foi necessário adquirir a postura de proximidade com o professor e conhecer as limitações e possibilidades que caracterizam o contexto de ensino-aprendizagem da disciplina de Educação Física na escola (Caparroz, 2001). Para frisar tal importância Daólio (1995) aponta o depoimento de um professor, dizendo que os pesquisadores vão para a escola, usam os professores e depois os criticam em suas análises.

Neste sentido o objetivo do presente estudo constitui-se em sugerir possibilidades de enfrentamento das dificuldades levantadas junto aos professores das redes pública e privada de ensino, com base nos depoimentos destes professores entrevistados e das experiências docentes do próprio grupo de pesquisadores (LETPEF).



2- Revisão de literatura

Segundo Betti (1992) é necessário a implementação de propostas inovadoras que possam substituir os modelos “esportivistas” ou “recreacionistas” e assim, possibilitar à Educação Física escolar introduzir e integrar o aluno na esfera da cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transforma-la, usufruindo, deste modo, dos jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida.

O diagnóstico dos fatores que auxiliam a compreender o quadro atual, indesejado e pouco transformador, deve figurar entre as prioridades das políticas de educação pública, envolvendo de maneira integrada a comunidade acadêmica e escolar, de modo que a reflexão e a discussão permita vislumbrar alternativas para sua superação ou redimensionamento. Para tanto, nada mais viável do que ouvir os próprios professores e descobrir o que almejam, que situações vivem, suas dificuldades e sugestões.

Como apresentamos anteriormente, o pilar de sustentação do presente trabalho refere-se a um estudo recente realizado pelo LETPEF, cujo objetivo foi diagnosticar a realidade dos professores de Educação Física na escola, quanto às dificuldades e sugestões dos mesmos. Sendo assim, faz-se necessário apresentar os principais resultados daquele estudo, intitulado “A realidade dos professores de Educação Física na escola: suas dificuldades e sugestões”, para que o leitor possa situar-se frente às discussões e reflexões aqui desenvolvidas.

Os pesquisadores utilizaram como metodologia do trabalho a pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas semi-estruturadas, com 21 professores de Educação Física da rede pública e privada de ensino, dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

A estrutura da entrevista foi dividida em cinco grupos de questões: a) informações gerais; b) contexto escolar; c) dificuldades; d) sugestões; e) concepções dos professores.

De acordo com o objetivo do presente trabalho serão apresentadas as análises dos resultados obtidos, especificamente no item c (dificuldades), ou seja, os obstáculos encontrados para desenvolver aulas de Educação Física, conforme a história docente dos professores que participaram do estudo.

Um dos obstáculos apontados pelos professores refere-se à falta de discussões que apontassem as dificuldades da prática docente durante a formação inicial (graduação). Assim, assume-se que os cursos de formação profissional não estão preparando os professores para a realidade concreta. Pois, a maioria dos entrevistados, afirma que na graduação, não foram tratados assuntos sobre o cotidiano escolar e as dificuldades existentes na prática. Esperavam por dificuldades, mas não imaginavam que seriam tantas, como mostram os depoimentos de alguns entrevistados como a professora 7:

Encontrei outra realidade à que esperava. Tive dificuldades para entender o funcionamento interno da escola: como preencher diários, coordenação ausente (trabalhava sozinha), falta de organização escolar (direção escolar ausente), problemas de ordem social, alunos faltosos (mais de 50% de alunos ausentes) com a orientação da Supervisão de Ensino para aprovação desses alunos, dificuldade na compreensão sobre o papel e a participação do Conselho de classe na Escola (pois nunca participei) e a questão da evolução da profissão.” (Professora 7)

Foram apontados também os problemas referentes à estrutura e organização escolar, como a falta de materiais e espaços adequados para as aulas de Educação Física, a exposição à qual o professor é submetido na quadra (todos têm acesso à quadra de Educação Física, dando margem à crítica) e a dificuldade de obter apoio dos demais professores da escola, relacionada ao baixo “status” credenciado à disciplina Educação Física na comunidade escolar de uma maneira geral.

Outros fatores que dificultam a realização de boas aulas de Educação Física citados pelos professores nas entrevistas são as classes super lotadas, o número reduzido de aulas de Educação Física e o fato dessas aulas serem oferecidas no mesmo período das demais disciplinas e as turmas serem mistas. Os professores entrevistados identificaram ainda como um dos maiores problemas, a indisciplina/falta de atenção dos alunos.

A falta de reuniões e apoio pedagógico da escola alia-se à falta de apoio do governo acusado pelos baixos salários, alta carga de trabalho semanal e não oferecimento de cursos de capacitação/atualização, corroborando para o delineamento de um quadro caótico e decadente da Educação e mais especificamente da Educação Física nos dias atuais, como sugerem os professores entrevistados.

Após este diagnóstico traçado por meio dos depoimentos dos 21 professores entrevistados, passamos a analisar as possibilidades de superação ou enfrentamento das principais dificuldades, refletindo sobre sugestões dos próprios professores e dos membros (também professores de Educação Física escolar) de nosso grupo de estudos, o LETPEF.

3- Discussão

Na pesquisa realizada pelo grupo (LETPEF), além de apresentarem as dificuldades encontradas no cotidiano escolar, os professores levantaram aproximadamente vinte possibilidades para a superação destes obstáculos. Dentre estas possibilidades destacam-se a melhoria das condições de trabalho, incluindo espaços e material adequados para a realização das aulas, melhores salários e apoio da direção.

Os professores reivindicam ainda a diminuição do número de alunos por turmas, bem como mais cursos e encontros que permitam a formação continuada, aumento do número de aulas de Educação Física, maior integração entre a escola e os pais de alunos, aulas no período inverso à grade disciplinar e apontaram como uma das alternativas para o enfrentamento das dificuldades a troca de experiências entre os professores da área.

Diante deste levantamento, o grupo acrescenta as seguintes propostas: buscar referências na literatura, procurar informações com professores experientes, conhecer melhor os alunos suas necessidades e sugestões, participação em reuniões, procura à coordenação, direção e supervisão da escola.

Dentre as diversas sugestões apontadas pelos professores, os autores acreditam ser de alta relevância para a melhoria da qualidade do ensino, fazendo apenas ressalvas quanto às sugestões de inverter o período das aulas de Educação Física com relação às demais disciplinas, pois, acreditamos que as aulas no mesmo período proporcionam um maior reconhecimento da disciplina enquanto componente curricular, aumentando as possibilidades de interação com as demais disciplinas e corpo docente. Contudo, não queremos negar as dificuldades inerentes a esta distribuição das aulas, há de se buscar alternativas para que sejam melhoradas as condições de realização tanto das aulas de Educação Física como das demais disciplinas.

A indisciplina dos alunos é citada por diversas vezes pelos professores como fator limitante no desenvolvimento das aulas. As normas e regras das escolas já não atendem às expectativas e necessidades dos alunos. Apesar de necessárias, os professores reconhecem que as mudanças na Educação não passam exclusivamente pelos órgãos públicos/direção escolar, mas envolvem também eles próprios e a sua formação. E como afirma Taille (1996) o aluno não tem mais vergonha de ser ignorante, isso tornou-se sinônimo de poder na sociedade atual, aliás, eles reinam na mídia fazendo sucesso e conquistando fãs.

Deste modo, é fundamental repensar os valores que regem na sociedade atual. O problema da indisciplina, não é um problema fácil que a escola pode resolver, nem são ainda na proposição de Taille (1996) falhas pedagógicas, pois está em jogo o lugar que a escola ocupa hoje na sociedade, o lugar que a criança e o jovem ocupam, o lugar que a moral ocupa. Por outro lado, podemos nos questionar até que ponto os alunos têm sido chamados para discutirem estas questões, proporem alternativas e terem acesso a escolas e professores de boa qualidade? E aí que se fecha mais um círculo vicioso.

4- Considerações finais

Além do estudo realizado com os professores de Educação Física, pesquisamos na literatura outras possibilidades que pudessem contribuir no exercício profissional. Esse levantamento nos levou à pesquisa-ação. Assim temos Bracht et al. (2002) que refletindo sobre alternativas de ação neste campo, entendem que a abordagem presente na perspectiva da pesquisa-ação poderia indicar um caminho mais efetivo. Isto porque, nesta perspectiva, procura-se: a) vincular o conhecimento da realidade da própria prática com a ação e b) os sujeitos, que na pesquisa “tradicional” participam meramente como informantes, aqui atuam também como sujeitos pesquisadores de sua prática. Com esse tipo de pesquisa podemos avançar no sentido de trazer resultados eficazes para a prática docente.

Deste modo, a pesquisa-ação poderia configurar-se em um espaço para o desenvolvimento da formação continuada dos professores, onde eles poderiam trocar experiências, pesquisar e implementar propostas de intervenção, conhecerem a produção literária da área e manterem-se informados quanto às atualidades. Uma alternativa bastante viável para o desenvolvimento destas propostas seria o horário de planejamento coletivo que os professores da rede pública possuem e nem sempre utilizam de maneira produtiva (chamado de HTPC – Horário de Trabalhos Pedagógicos Coletivos - na rede pública do Estado de São Paulo), que poderia proporcionar uma aproximação entre universidades e escolas, trazendo contribuições significativas para ambas as partes.

Os autores, Telma Cristiane Gaspari, Aline Di Thommazo, Valéria Battistuzzi Maciel, Osmar Moreira de Souza Júnior, Suraya Cristina Darido, Laércio Iório, Luciana Venâncio, Fernanda Impolcetto, Luis Fernando Rocha, Maurício Valeta, José Ribamar Santiago Júnior, Larissa Benites desenvolveram este trabalho no LETPEF do Departamento de Educação Física da UNESP - Campus de Rio Claro-SP



Referências bibliográficas

BETTI, M. Ensino de 1o e 2o graus: Educação Física para quê? Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.13, n.2, p.282-7, 1992.

BRACHT, V. et al. A prática pedagógica em Educação Física: a mudança a partir da pesquisa ação. Revista Brasileira de ciências do esporte, v.23, n.2, p.9-29, 2002.

CAPARROZ, F.E. Discurso e prática pedagógica: elementos para refletir sobre a complexa teia que envolve a educação física na dinâmica escolar. Org. CAPARROZ, F. E. Educação Física escolar: política, investigação e intervenção. Vitória: Proteoria, 2001.

DAÓLIO, J. Da cultura do corpo. Campinas: Papirus, 1995.

DARIDO, S.C. Professores de Educação Física: avanços, possibilidades e dificuldades. Revista do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, v.18, n.3, p.192-206, 1997.

TAILLE, Y. de La. A indisciplina e o sentido de vergonha. In: Aquino, J. G. (org.). Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.
QUALIDADE DE ENSINO E A EDUCAÇÃO FÍSICA

NA VISÃO DO CORPO DISCENTE

Márcia da Silva Damazio



Resumo: O objetivo deste trabalho está voltado para uma reflexão em torno da qualidade do ensino da educação física, que passa pelo processo mais amplo de universalização escolar na realidade brasileira. Pretende-se a partir da avaliação discente identificar como os alunos percebem e expressam as limitações no trabalho pedagógico da educação física no âmbito escolar e, ainda identificar as expectativas dos alunos em relação à escola.

A escola pública na realidade brasileira ainda está num processo de construção rumo a sua tarefa primordial de democratizar o saber historicamente elaborado. Pelo menos esta seria a função da escola pública voltada para atender as camadas populares, que diante dos condicionantes sociais estão à margem dos conteúdos culturais e científicos produzido ao longo do processo histórico.

De acordo com dados estatísticos apresentados pelo governo passado e, que foi largamente divulgado pela mídia, houve um aumento percentual significativo de matrículas nas escolas públicas brasileiras; as condições para a freqüência dos alunos nas escolas teriam sido ampliadas; como também os governos teriam aumentado o índice de investimentos na educação destinada as camadas populares.

A este respeito Gentille (2001) comenta que o aumento na taxa de escolarização, o aumento na média de anos de obrigatoriedade escolar, assim como a diminuição do índice de analfabetismo absoluto e das taxas de abandono escolar, observadas nos contextos de governos neoliberal e conservadores estabelecidos na América Latina, não representa um mérito e, muito menos motivo para comemorações apressadas sem uma reflexão.

Cabe ao professor repensar essa dinâmica democratizadora e avaliar criticamente os discursos e ação dos governos, seja a nível federal, estadual ou municipal. O professor no seu cotidiano vive a realidade do sistema educacional e, portanto, é sabedor das inúmeras limitações que enfrentam para realizar um trabalho de qualidade. Que todos tenham acesso a escola não significa que todos tenham acesso ao mesmo tipo de escolarização. E não só o professor é/ou deveria ser ciente desta realidade, mas também o próprio aluno tem condições de perceber e identificar as diferenças e as limitações existentes no sistema.

Quando o assunto é aula de educação física, não é necessário fazer muito esforço para ouvir as denuncias dos alunos acerca das precárias condições em que se encontram as escolas públicas. O professor de educação física, devido as características da disciplina, costuma ser aquele que mais reclama dentro das unidades escolares por condições de trabalho. É constante a falta de bolas, de espaço, de água e de banheiros para aos alunos, de horários adequados, etc. As demais disciplinas também não têm recebido a atenção devida de investimentos e esforços. Questiona-se, dessa forma, como realizar um ensino de qualidade, se os requisitos básicos para desenvolver o trabalho pedagógico estão ausentes. E a qualidade não deveria fazer parte deste processo de democratização do ensino?

Estes questionamentos resultam de uma insatisfação vivenciada no cotidiano da prática do ensino de educação física, nas séries do ensino fundamental, em uma escola da rede pública situada na zona rural do Município de Teresópolis. Nesta realidade escolar os professores se vêem diante da mudança do processo de seriação para o processo de ciclos. Ainda, a escola tem passado por uma contínua ampliação do quadro discente, e os professores vivenciam o maior nível de exigências em torno de tarefas burocráticas e pedagógicas. Mas em contrapartida não há uma necessária melhoria nas condições materiais e organizacionais da escola para realizar o trabalho pedagógico, que por sua vez, se torna cada vez difícil, tendo em vista o nível de aprendizagem dos alunos que chegam ao atual 3O. ciclo (5a. série).

Este artigo pretende realizar uma reflexão em torno das expectativas dos alunos em relação a escola e, refletir acerca do modo como os alunos percebem as condições para o ensino. Outro objetivo está direcionado para a identificação do nível de interesse por parte dos alunos em torno da educação física e, para a verificação do modo como os alunos percebem as limitações no ensino desta disciplina.

Para obtenção das informações foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com um grupo de 30 alunos entre a primeira e segunda etapa do 3o. ciclo ( 5a. e 6a. séries) e os alunos da “antiga” 7a. e 8a. séries. Os alunos que freqüentam a escola vivem nas comunidades rurais que circundam a localidade onde a escola está situada. Muitos trabalham na lavoura ou auxiliam a família nas tarefas domésticas, porém este fato não expressa uma realidade de baixas condições sócio-econômicas da maioria dos alunos.

Resultados

Questionados acerca da expectativa em torno da escola os alunos responderam que a escola é um espaço que dispõem para se relacionaram socialmente, um local de encontro e onde podem fazer amizades, brincar e aprender. A afetividade pelos professores também foi relatada pelos alunos como motivação para a freqüência à escola. Em trabalho realizado por Betti (1995), a possibilidade de relacionamentos afetivos, de coleguismo, é apontada como um dos atrativos em torno da escola. Os alunos encontram no meio escolar um espaço para aprendizagem social com a vivência junto a professores e colegas, como também um caminho para o seu crescimento pessoal. Acreditam no potencial da escola em lhes oferecer uma formação para sua vida futura: “Aqui a gente aprende muitas coisas boas para a nossa vida”

O grupo mostrou desagrado quanto à indisciplina e a desorganização da escola. Repudiam a violência, o desrespeito e as brigas entre os alunos. Demonstram ter consciência de importância de um ambiente de respeito e disciplina para que possam aprender e crescer no ambiente escolar. Talvez este fato reflita uma necessidade da organização de uma proposta pedagógica na escola, que trabalhe a questão da disciplina e do convívio junto a coletividade.

A respeito do que não gostam na escola, os relatos apontam para as condições materiais da escola, como a falta de água, de banheiros (dentro de limites da higiene), da quadra, de muros quebrados, da ausência de salas. Percebem que há necessidade de melhoria das condições concretas para a qualidade de ensino: “Deveria ter mais salas, quadros novos, sala de vídeo”. O reconhecimento de que precisam estar antenados com o mundo moderno, aparece quando apelam para a presença de computadores e da sala de vídeo para melhorar a escola.

Lovisolo (1997) em estudo realizado junto a alunos e responsáveis da população do município do Rio de Janeiro, observou que os mesmos rejeitam a desordem e a sujeira na ambiente escolar. No universo em que se deu esta investigação, também foi possível observar a preocupação com a estética do espaço escolar: “muros quebrados, paredes sujas, alambrado caindo”. A escola apresenta falta de cuidado com a estética, que é avaliado pelos alunos como algo negativo. Os estudantes esperam ter uma escola bonita, limpa e que seja agradável aos olhos. As pedagogias modernas, de acordo com Lovisolo (1997), insistem em fazer da escola um lugar gostoso, prazeroso, sedutor e, portanto, valorizado pelas crianças. É no ambiente escolar que os alunos passam boa parte de seu dia. Trata-se de um espaço de referência em suas vidas e para o seu aprendizado social. Com que referência a escola vai trabalhar o valor da estética numa realidade como a que foi descrita pelos alunos?

A reclamação mais frequente foi a respeito da s condições da quadra da escola. A quadra é um espaço em que podem ser realizadas as aulas de educação física e um espaço para os momentos “livres” no cotidiano escolar. No ano de 2002, a quadra, por motivos de segurança, foi interditada e os alunos sentiram a ausência de um espaço adequado para realizarem seus jogos e brincadeiras. Os próprios alunos reconhecem a necessidade de espaço adequado e estimulante para que as aulas de educação física sejam melhores.Trata-se de uma condição mínima para a concretização do trabalho pedagógico da educação física e de um direito dos alunos.

Betti (1995) também verificou esta categoria – infra-estrutura, incluindo espaço, materiais e horários - como aspectos importantes, na avaliação dos alunos, para a concretização das aulas de educação física.

Esta preocupação dos alunos expressa o nível de interesse dos alunos em relação à educação física e aos conteúdos esportivos e lúdicos. Outros trabalhos científicos identificaram este grau de interesse, relevando o potencial de motivação que a educação física tem para promover a tarefa de educar para a cidadania. (Lovisolo, 1997); (Carneiro, 2001).

Diante da pergunta sobre o que fariam para melhorar a escola e a educação física, os alunos responderam: “Uma quadra reformada, redes, bolas”; “Colocar tela em volta da quadra e pintar as linhas.” Outros itens como a biblioteca, e mais salas de aula, também foram apontadas pelos alunos, mas os comentários a respeito das condições para o ensino da educação física foram mais freqüentes. Tal fato pode ser explicado, tendo em vista o gosto que tem pela disciplina e, pelo desejo de espaços agradáveis para realizarem suas atividades lúdicas e corporais. Uma aluna citou que gostaria que tivesse na escola mesas de ping-pong, mesa de dama, e atividades recreativas nos horários de recreio e saída. Talvez as autoridades deveriam se mobilizar para oferecer meios para que crianças e jovens possam de desenvolver num ambiente mais estimulante. Ai sim, se poderia falar de uma escola pública democrática.

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