Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



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Maneca da Cruz





Recreação e atividades psicomotoras na formação de pofessores

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Marcos Miranda Correia





Uma proposta pedagógica da educação física escolar na educação de jovens e adultos do Município de Belford Roxo

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Marta Gonçalves Franco de Saboya

















RELATÓRIO DO VI ENFEFE







Relatório da Comissão de Avaliação do VI EnFEFE

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Guilherme Ripoll de Carvalho, Gilbert Coutinho Costa e Marcelo Nunes Sayão








COMUNICAÇÕES LIVRES

A CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: TRAÇANDO NOVAS PROPOSTAS DE CONSTRUÇÃO DA CORPOREIDADE

DO EDUCANDO NO ATUAL MOMENTO HISTÓRICO.

Thiago Zanotti Pancieri



Resumo: Podemos observar que com as transformações de uma sociedade a Educação Física modifica sua forma de se relacionar com o corpo, estabelecendo novas filosofias de ação pedagógica baseadas nos princípios que regem a visão que se mantém sobre o corpo do indivíduo. A Educação Física, utilizando uma conscientização corporal, pode estar mudando, de forma acentuada, o processo de educação visando à formação da autocrítica dos indivíduos e auxiliando na identificação do seu papel social. O professor de Educação Física deve ter consciência de seu papel na formação de educandos críticos, inseridos numa sociedade e transformadores da realidade em que se encontram, minimizando a prática mecânica e burocrática que valoriza apenas a estética corporal e a formação de talentos esportivos.

1. Introdução

No momento em que a Educação Física assumiu os preceitos militares da ordem, obediência e patriotismo, a sua ação pedagógica baseava-se em princípios autoritários e fascistas, pois tinha como objetivo principal à formação de um corpo dócil, obediente, adestrado e subserviente. A filosofia proposta para a Educação Física pelos governos militares pós-64 pautava-se no incentivo a participação do aluno na área desportiva, neste momento percebemos uma relação entre a Educação Física e o corpo direcionada pelo binômio homem-máquina, preocupava-se com a performance desportiva do aluno desprezando o desenvolvimento de sua capacidade crítico-reflexiva.

As formas, historicamente conhecidas pela Educação Física, de disciplinar o corpo, fogem da proposta de contribuir na formação do homem crítico-participativo. Portanto, a conscientização corporal na Educação Física levaria a uma educação que visa a formação do indivíduo “consciente, crítico, sensível à realidade que o envolve” (BRACHT, p. 184, 1986), permitindo a conscientização de que o homem é o seu próprio corpo. Negando assim, a visão da Educação Física no sistema político-econômico das classes dominantes que toma o corpo do homem como objeto tecnizado e desumano, oprimido e dominado.

Nosso propósito é analisar o papel da Educação Física na formação dos educandos, enfocando a conscientização corporal, com o objetivo de reduzir, ou até anular, a dominação da concepção que esses alunos têm do seu corpo, e assim colaborar nesse processo para dar ao homem sua plena corporeidade. Sendo

... a corporeidade do nosso ser é a instância referencial de critérios para a educação, para a política, para a economia e inclusive para a religião. Ninguém pode servir aos valores espirituais sem encarná-los em valores corporais [...]. Enfim, nenhum ideal se concebe como ideal, nenhum ideal se encaminha e nenhum se cumpre a não ser enquanto ligado à mediação da Corporeidade dos seres deste mundo” (Assmann, 1993, p. 91).

2. Um breve apanhado histórico da relação educação física x corpo e a visão de corpo hegemônica na atualidade

Desde o período clássico a sociedade vem “modelando” o corpo com sua ideologia em ascensão, ou seja, um corpo impregnado de valores que geralmente refere-se aos domínios de uma classe social sobre a consciência de outras classes. O corpo é aqui situado como depositário de signos sociais, isto é, o corpo é modelado ou “construído” pela cultura do grupo ao qual está inserido, sofrendo ação do momento histórico e do espaço físico no qual se encontra (MEDINA, 1987).

Na sociedade clássica estava-se voltado para a construção de um corpo esteticamente perfeito e robusto. Com a ascensão da Igreja, a visão de corpo predominante é a de um corpo como local do pecado, que precisa ser flagelado para a salvação da alma. Com a ascensão da burguesia e o período das grandes revoluções o corpo é voltado para a força-de-trabalho e passando a ser mecanizado, com a função exclusiva de produzir. Hoje podemos ver uma visão de corpo mercadorizada (PORTER, 1992).

Na atualidade a expectativa de corpo que se tornou hegemônica está fundada a partir de seu culto. Assim, a mercadorização do corpo torna-se presente na sociedade hodierna, na qual esse corpo mercadoria é moldado e vendido pelo mercado, constituído por academias de ginásticas, clubes esportivos, medicamentos e produtos de beleza, manuais de dietas e as intervenções terapêuticas e cirúrgicas que têm se expandido continuamente (BOLTANSKI apud SILVA, 2001). A Educação Física, neste contexto, encontra-se presente nos profissionais que vêem nos indivíduos robôs humanos, explicados apenas pela medição da performance e da gordura corporal, tratando do corpo “em forma” vendido pelo mercado.

Como podemos notar a expectativa de corpo nos é colocada quando nos deparamos com noticiários em revistas de circulação nacional informando: “Ganhe músculos em 30 dias”, “Emagreça a jato com dieta líquida”, “Turbine suas formas” (Revista Boa Forma, Editora Abril) fazendo com que a insatisfação com o “próprio corpo” leve a “intervenções drásticas sobre o mesmo, como as cirurgias plásticas, as mais variadas dietas, as diferentes ginásticas cada vez mais especializadas em modelar milimetricamente o corpo humano, além da ingestão de medicamentos e produtos químicos com essa finalidade” (SILVA, 2001, p.3).

Assim “... o imperativo recentemente havia mudado da ‘mão’ produtiva e disciplinada tipo máquina, para o corpo como consumidor, cheio de deficiências e de necessidades, cujos desejos devem ser inflamados e encorajados”(PORTER, 1992, p.313).



3. A conscientização corporal e a construção da corporeidade dos educandos

O termo conscientização é aqui abordado como um processo de formação da consciência crítica (FREIRE apud GONÇALVES, 1994) e, conseqüentemente, a conscientização corporal como a formação de uma consciência crítica que o ser humano mantém do seu corpo em relação à realidade vigente, realidade esta que engloba aspectos sócio-históricos, biológicos, psicológicos enfim, todos os aspectos da natureza humana.

A conscientização corporal na Educação Física pretende construir ou reconstruir um corpo que não seja robotizado, repetidor de movimentos, normativo e controlado, mas sim um corpo consciente do movimento, do repouso, do lazer, com direito à cidadania. Tudo isso a ser vivenciados como uma aprendizagem permanente, criativa e prazerosa, conduzindo para a busca plena da autonomia e autogestão (MARCELINO, 1999).

Utilizando a conscientização corporal no trabalho pedagógico da Educação Física, pretende-se superar o fazer pelo fazer das atividades lúdicas e desportivas e incorporar a reflexão crítica do porquê de tais atividades e os valores impregnados em sua prática, auxiliando os educandos no “pensar o corpo”, pois, de acordo com Rodrigues (1983, p. 91) “... ao pensar o corpo, estão pensando a estrutura social e, ao defendê-lo, estão defendendo a ordem social”.

Essa conscientização corporal na Educação Física não pretende adquirir uma função socializadora, ou seja, de contribuir para a adaptação do homem à sociedade, mas contribuir para a formação do homem como um ser integral e agente de transformação social. Sendo assim, a proposta é que os indivíduos, além de serem capazes de participar de atividades corporais, desenvolvam, também o espírito crítico em relação à prática de tais atividades.

As relações entre a consciência e o corpo propostas pela conscientização corporal pretende atingir uma maior extensão da Educação Física, indo além da força muscular, dos esportes competitivos e dos aspectos higiênicos de saúde, alcançando assim a aprendizagem na administração do próprio corpo. Como nos mostra Cavalcanti apud Brito (1996, p.54) o trabalho com o corpo “exige do participante conhecimento não só das técnicas que ele vai utilizar ou aplicar, mas, e isto é muito importante, conhecimento do mecanismo que ele vai usar no desenvolvimento de si mesmo – seu próprio corpo”.



4. Considerações Finais

Os indivíduos têm uma noção de corpo totalmente mecânico, tratando-o como uma máquina dotada de alavancas. A partir de uma conscientização desse corpo as pessoas podem estar identificando que ele tem uma forma de expressão e sensibilização, ou seja, o corpo está presente e se relacionando dentro de uma realidade social e histórica. A prática de atividades corporais, nas aulas de Educação Física, realizada de forma mecânica, sem criatividade e participação do indivíduo está cooperando para a formação de um homem apático, que não se permite interpretar o mundo por si próprio, que se adapta a este mundo sem questionar seus absurdos e que não se sente engajado em uma ação transformadora (BRITO, 1996).

A Educação Física deve sempre utilizar a conscientização corporal através do movimento humano, este movimentar-se deve ser dotado de uma forma de valorizar a condição do indivíduo como um ser social, dotado de história e criticidade dentro da realidade vigente.

Professores de educação física são antes de tudo educadores e que, portanto devem incluir em suas metas a ultrapassagem do senso comum, promover mudanças e se possível, transformações na sociedade: “Somente as atividades que se dediquem a pensar e viver o corpo e que se proponham a modificar as regras que inibem a consciência corporal, dificultarão a manipulação desse corpo no qual o homem vive” (BRUHNS, 1989, p.107).

Portanto, buscamos que os professores de Educação Física, nesta nova visão de realidade, substituam sua visão vulgar de corpo, de ser humano e de sociedade, adquirindo uma nova consciência que se preocupe com o desenvolvimento integral da personalidade humana.

O autor, Thiago Zanotti Pancieri é graduando em Educação Física pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES e bolsista do Programa Especial de Treinamento – PET



Referências bibliográficas

ASSMANN, H. Paradigmas educacionais e corporeidade. São Paulo: Unimep, 1993.

BRACHT, V. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo... capitalista. (in) Fundamentos Pedagógicos 2, Ao Livro Técnico, Rio de Janeiro, 1986.

BRITO, C.L. Consciência corporal. Repensando a Educação Física. Rio de Janeiro: Sprint, 1996.

BRUHNS, H.T. (Org.). Conversando sobre o corpo. 3 ed. Campinas, SP: Papirus, 1989.

GONÇALVES, M.A.S. Sentir, pensar, agir: Corporeidade e educação. Campinas: Papirus, 1994.

MARCELINO, N.C. (Org.). Lúdico, educação e educação física. Ijuí: UNIJUÍ, 1999.

MEDINA, J.P. O brasileiro e seu corpo: educação e política do corpo. Campinas: SP, 1987.

PORTER, R. História do corpo. In: BURKE, P. A escrita da história. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992.

RODRIGUES, J.C. Tabu do corpo. Rio de Janeiro: Achiamé, 1983.

SILVA, A.M. Corpo, ciência e mercado: reflexões acerca da gestação de um novo arquétipo da felicidade. Campinas, SP: Autores Associados, 2001.

A CULTURA CORPORAL EM ESCOLAS DE PERÍODO INTEGRAL:

CAMINHOS PARA A INTERDISCIPLINARIDADE

João Francisco Magno Ribas

Andréa S. Elias Dollo

Valéria Maciel Battistuzzi

Débora A. Marchini Bortoletto

Maria Estela Deltrégia Gioia

Elaine Rosaura Juliani

Marydalva A. Nogueira Meneghel

Silvana Zanellato Michelani

Walfredo Soares Nascimento

Eliana P. Silva

Resumo: A escola de período integral denominada CIEP - Centro Integrado de Educação Pública surgiu no Brasil, mas especificamente na cidade do Rio de Janeiro-RJ em meados dos anos 80. Nessa escola a criança permanece durante oito horas diárias e uma das propostas é promover a integração entre os estudos curriculares, atividades artísticas e recreativas. Na cidade de Americana, São Paulo – SP o projeto de implantação do CIEP teve início em 1989 e atualmente a Rede Municipal de Ensino conta com 5 escolas de período integral. O presente artigo tem por finalidade relatar a forma com que a cultura corporal vem sendo desenvolvida nessas escolas.

Palavras-chave: educação física escolar, interdisciplinaridade e escolas de período integral.

Introdução

No Brasil, o Centro Integrado de Educação Pública – CIEP – surgiu em meados dos anos 80, no Rio de Janeiro -RJ - Brasil, através da concretização do sonho do educador Darcy Ribeiro em construir uma escola inovadora, crítica e prazerosa. Na implantação de uma escola de turno único e tempo integral, voltada principalmente (mas não unicamente) para as crianças oriundas das camadas mais pobres e carentes da população e, capaz de além de “ensinar” o conteúdo das disciplinas, cumprir também um papel assistencial de garantir aos seus alunos uma alimentação de qualidade e apoio odontológico.

uma escola nova, concebida com o compromisso de atender as condições objetivas em que se apresenta o aluno oriundo das classes menos favorecidas, educará o Brasil. Só uma escolarização de dia completa, com professores especialmente preparados e de rotina educativa competentemente planejada, acabará com o menor abandonado que existe no Brasil. Assim é porque só aqui se nega à infância pobre a escola que integrou na civilização letrada a infância de todas as nações civilizadas”. (Darcy Ribeiro – 1995).

Mas o CIEP não surgiu apenas dos ideais de Darcy Ribeiro. O projeto tinha raízes e antecedentes na história da Educação Brasileira, como, por exemplo, a experiência da “Escola Parque” implantada pelo grande educador baiano Anísio Teixeira nos anos 50, quando iniciou sua luta incansável pela construção de uma escola pública laica e de qualidade. Trazia ainda algumas idéias de Antonio Gramsci, pensador político italiano que no inicio do século 20 propunha a “escola única”, que pudesse superar a dicotomia do velho sistema educacional da Itália, constituído por escolas acadêmicas e teóricas reservadas às elites e escolas práticas, de ofícios manuais, para os filhos dos trabalhadores.

Além de Gramsci, o projeto pedagógico do CIEP apoiava-se na pedagogia de Dewey, o educador americano que propugnava a educação “ativa” centrado na investigação e experimentação prática e no trabalho em grupo e coletivo.

Mas, sobretudo o projeto do CIEP significou um avanço inovador no marasmo educacional brasileiro porque tinha como eixos centrais de sua proposta a transdisciplinaridade a exploração das várias formas de linguagens como formas de expressão do aluno, a gestão democrática das escolas através dos Conselhos Escola Comunidade e articulação da educação com a cultura (em especial a cultura popular), através do trabalho dos animadores culturais e das oficinas.

Em Americana o projeto de implantação dos CIEPs teve início a partir de 1989, com várias visitas à equipe técnica responsável pelos CIEPs do Rio de Janeiro- RJ (inclusive ao próprio Darcy Ribeiro) e a elaboração dos projetos arquitetônicos e pedagógico – administrativo.

Hoje, a Rede Municipal de Ensino de Americana – SP conta , entre outras, com cinco escolas de ensino fundamental que funcionam em período integral, onde os alunos permanecem oito horas diárias. As bases da proposta pedagógica estão calcadas no sócio-construtivismo, abordagem norteadora que vem sendo discutida em nosso sistema.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais³ (Brasil, 1998):

Na perspectiva construtivista, a intenção é a construção de conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo, e para cada criança a construção desse conhecimento exige elaboração, ou seja, uma ação sobre o mundo. Nesta concepção, a aquisição do conhecimento é um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida, não estando pronto ao nascer, nem sendo adquirido passivamente de acordo com as pressões do meio. Conhecer é sempre uma ação que implica esquemas de assimilação e acomodação num processo de constante reorganização”.

O objetivo deste trabalho é mostrar como a cultura corporal vem sendo desenvolvida no âmbito das escolas de período integral.

A estrutura das escolas

A escolas diferenciam-se apenas pelo tamanho, mas são dotadas de salas de aula para aproximadamente 35 alunos, anfiteatro, quadras de esportes, vestiários, brinquedoteca, biblioteca, secretaria, gabinete dentário, laboratório de informática e laboratório de ciências. O ensino fundamental corresponde a faixa etária dos seis aos quatorze anos, sendo subdividido em três ciclos de três anos cada. A rotina da escola começa as 7:00 horas quando os alunos chegam para o café da manhã entrando em sala de aula as 7:30hs com um intervalo no período da manhã e outro a tarde quando, neste momento é servido um lanche. O almoço obedece a um cardápio diversificado. Após o período de aula é proporcionada aos alunos interessados, oficina de teatro e/ou atividades esportivas.

A grade curricular da escola de período integral, está estruturada da seguinte forma:

Núcleo comum: português, matemática, história, geografia, ciências, educação física, arte - educação e língua estrangeira (inglês).

Parte diversificada: oficinas de jogos e brincadeiras, música, expressão corporal, teatro, laboratório, informática, xadrez, lazer e oficina de artes plásticas.

Cultura corporal

O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é uma história de cultura, na medida em que tudo o que faz está inserido num contexto cultural, produzindo e reproduzindo cultura. O conceito de cultura é entendido como produto da sociedade, da coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os.

A fragilidade de recursos biológicos fez com que os seres humanos buscassem suprir as insuficiências com criações que tornassem os movimentos mais eficazes, seja por razões "militares", relativas ao domínio e uso de espaço, seja por razões econômicas, que dizem respeito às tecnologias de caça, pesca e agricultura, seja por razões religiosas, que tangem aos rituais e festas ou por razões apenas lúdicas. Derivam daí inúmeros conhecimentos e representações que se transformaram ao longo do tempo, tendo ressignificadas as suas intencionalidades e formas de expressão, e constituem o que se pode chamar de cultura corporal.

Dentre as produções dessa cultura corporal, algumas formas foram incorporadas pela educação física em seus conteúdos: o jogo, o esporte, a dança e a ginástica.

Estes têm em comum a representação corporal, com características lúdicas, de diversas culturas humanas.

Assim, a área de Educação Física contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento.

Trata-se, então, de localizar em cada uma dessas manifestações seus benefícios fisiológicos e psicológicos e suas possibilidades de utilização como instrumentos de comunicação, expressão, lazer e cultura. (Parâmetros Curriculares Nacionais – 1997). Nas aulas de educação física os jogos e brincadeiras apresentam certas características como: maior flexibilidade nas regras, adaptações de acordo com o espaço, materiais disponíveis, número de participantes entre outros. Os jogos são classificados em competitivos, cooperativos e recreativos podendo também serem utilizados tanto em festividades e comemorações escolares ou ainda como simples passatempo e diversão.

O esporte dentro das escolas tem por finalidade proporcionar, além de um conhecimento específico das regras, técnicas e táticas, permitir ao aluno a partir da prática, compreender, usufruir, criticar e transformar as formas do jogo, não considerando a eficiência, nem o resultado esportivo, mas sim o processo, o jogo como meio de educação.

A ginástica assume um caráter mais individualizado com finalidades diversas como preparação para outras atividades esportivas, relaxamento, alongamento ou ainda de forma recreativa. Cabe ressaltar que este conteúdo apresenta uma relação privilegiada do conhecimento corporal, trabalhando conceitos de respiração, relaxamento e tensão dos músculos, batimentos cardíacos, articulações entre outros.

As danças, as atividades rítmicas e expressivas tem como características comuns a intenção e a comunicação, mediante gestos e estímulos sonoros como referência para o movimento corporal.

As atividades específicas de teatro e expressão corporal acontecem após o horário normal de aulas, por exigir algumas condições como: silêncio, privacidade e tempo mínimo de duas horas sem interrupções. Em alguns trabalhos interdisciplinares são desenvolvidos textos, pesquisas, esquetes e jogos dramáticos que facilitam o entendimento pelos alunos do tema proposto. As aulas de teatro são divididas em dois momentos: num primeiro momento são feitos aquecimentos físicos, vocais e emocionais. Num segundo momento fazemos uma sequência de improvisações com tema, objetos e/ou situações-problemas em que o aluno busca resolver. Com isso estimulamos a criatividade, a socialização, a espontaneidade e a valorização do individual em benefício do grupo. No final de cada aula é feita uma avaliação do desempenho pessoal e do grupo com relação ao exercício proposto. Cada integrante do grupo expõe e analisa seu próprio desempenho, suas descobertas, seus limites, inseguranças e também avalia o trabalho desenvolvido pelos outros. Este ritual tem contribuído muito para a formação do caráter e da personalidade dos alunos. Segundo J. Majault,

“Para a criança, a expressão pelo jogo é um “estado de consciência encantada”; a criança não se deixa iludir por ela, sem no entanto chegar a compreender que, ao assumir diferentes figuras ou situações lúdicas, está a ampliar o campo de seus conhecimentos: cada novo gesto é para ela um novo conhecimento. A criança é um autor e um ator invisível. Ela representa o que é, no mesmo momento, e é o que está representando.” ( J.MAJAULT,1958 pp.27-33).

Na proposta sócio-construtivista percebe-se que a cultura corporal enquanto conteúdo desenvolvido nas escolas de período integral é ministrada por especialistas na área de educação física e teatro e tem um papel fundamental, pois é considerada um instrumento pedagógico, um meio de ensino pois enquanto joga, dança, brinca e representa a criança aprende.

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