Anais VII encontro fluminense de educaçÃo física escolar VII enfefe dificuldades e Possibilidades da Educação Física Escolar no Atual Momento Histórico



Baixar 2.22 Mb.
Página9/41
Encontro18.07.2016
Tamanho2.22 Mb.
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   41

Referências bibliográficas

BRACHT, Valter et al. Itinerários da educação física na escola: um estudo de caso do colégio Estadual (1970-2000). In: JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTIFICA, 7. , 2001, Vitória. Caderno de Resumos, Vitória: EDUFES, p.17,2001.

CERTEAU, Miguel de. Invenções do cotidiano: artes de fazer. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.

CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria e Educação, Porto Alegre, n. 2, p. 177-229, 1990.

FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1993.

SANTOS, Lucíola. História das disciplinas escolares: perspectivas de análise. Teoria & Educação, Porto Alegre, n. 2, p. 21-29, 1990.

VAGO, Tarcísio Mauro. Cultura escolar e/de educação física: tateando caminhos. In: Seminário Brasil e Argentina, 2002, Vitória. Perspectivas para a Educação Física na América do Sul. Vitória, 2002.

NÓVOA, Antonio. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, Antonio (Org). Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1997. p.15-33.



A ESCOLA DO PRAZER:

O LAZER NUMA INSTITUIÇÃO VOLTADA PARA OBRIGAÇÕES

Vagner Maia Brandão



Resumo: O lazer é um fenômeno decorrente, sobretudo, dos efeitos da revolução industrial e, agravado pelo crescente processo de urbanização das cidades. Historicamente, sempre foi visto como algo sem muita importância ou algo secundário, sendo menos importante que o trabalho.

Os estudos relacionados à valorização do lazer são recentes. No entanto, diversas áreas começaram a se dedicar ao estudo deste tema, entre elas a Psicologia que, trouxe para a atividade o caráter de atitude do indivíduo que o vive, tornando-o, antes de tudo, um fenômeno pessoal e com alguns atributos básicos, destacando-se: a criatividade e o prazer.

Vários autores da área (CAMARGO 1986, MELO 1996, NETO 1993) concordam com um aspecto na experiência de lazer: o seu potencial educativo. Sendo este, veículo de educação (educação pelo lazer) e objeto de educação (educação para o lazer).

Neste sentido podemos ressaltar que o lazer não pode ser entendido apenas como algo para amenizar tensões do dia-a-dia ou algo que ajude a convier com os problemas sociais. Ele pode, por outro lado, promover o desenvolvimento pessoal e social, assim como, oferecer possibilidades pedagógicas e conteúdos educativos.

Com uma escola preocupada com o “como fazer”, sem se preocupar com a questão “para quê ensinar?”, voltada intensamente para o mercado de trabalho, com uma visão mecanicista, o lazer dentro desta instituição, pode se tornar uma prática alternativa pedagógica que ofereça motivação para as aprendizagens, dentro de uma perspectiva de qualidade intelectual, motora, cultural, social, ética e política.

E por ser dentro do ambiente escolar, além de possibilitar prazer no processo ensino-aprendizagem, através da “participação social lúdica” (CAMARGO, 1986), é mais fácil a presença e a assiduidade dos participantes, justamente, por estar num ambiente conhecido, de fácil acesso e respeitado pela comunidade.

Introdução

O lazer é um fenômeno decorrente, sobretudo, dos efeitos da revolução industrial e do crescente processo de urbanização das cidades. Historicamente, enquanto concepção, foi desvalorizado pela mitificação do trabalho e, apresentado como algo negativo, contrário ao trabalho. Este sim, considerado como a única forma digna de realização humana.

Estudos relacionados à valorização do lazer são recentes (CAMARGO 1986, NETO 1993). Entretanto, ainda existem diferentes significados, funções e finalidades em torno do assunto.

Discutir o lazer numa sociedade em que o neoliberalismo é hegemônico, onde cultua-se o mercado, o individualismo e a competitividade, a desregulação e a flexibilidade do mercado de trabalho, a globalização produtiva e financeira e a primazia do econômico sobre o político, é bastante interessante. Principalmente, se relacionado com a escola ou educação que, nessa sociedade, está extremamente voltada para conteúdos, mecanização, memorização e para o mercado de trabalho.

A “educação”, conseqüentemente a escola, acabam se enquadrando em tais ideais da sociedade do trabalho, em virtude de tamanhas exigências não só no contexto brasileiro, mas, sobretudo, no contexto mundial. Como exemplo disso, pode-se destacar nos dias de hoje a excessiva e sufocante valorização do vestibular, tido muitas vezes como a maior meta do processo de ensino. É claro, que não é um fenômeno existente dentro apenas da escola, está também na família, na mídia, ou seja, na sociedade em geral. A seleção, competição, individualização mais do que nunca são aí reforçados.

Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é discutir a relação prazer e escola, e como o lazer pode ajudar nessa busca de um ensino, uma educação, uma escola, dentro de uma perspectiva mais prazerosa, com mais alegria, mais autonomia, mais criatividade.



Lazer e escola

O lazer vem sendo, ao longo do tempo, conceitualmente confundido com outros termos, tais como: recreação, jogo, esporte, brincadeiras, etc. Numa abordagem ampla, tenta-se defini-lo à partir do contraste com o trabalho, ou outra situação que não é lazer, ou com uma atividade, normalmente, embutida dentro de um dos termos citados acima.

Porém, com a crescente aplicação da Psicologia nos estudos do lazer, durante os anos setenta, incorporou-se ao binômio tempo/atividade – atributos principais na conceituação do lazer – o caráter de atitude do indivíduo que o vive, tornando-o, antes de tudo, um fenômeno pessoal e com alguns atributos básicos, destacando-se: a criatividade e o prazer (BRAMANTE, 1998).

Comumente, principalmente na mídia, tem se usado o descanso e o divertimento para definir lazer. Entretanto, o lazer tem outras possibilidades que não são tão conhecidas. Como por exemplo: o desenvolvimento pessoal e social, e o conteúdo educativo e as possibilidades pedagógicas.

Nessa perspectiva, o lazer não pode ser entendido apenas como algo para amenizar tensões do dia-a-dia ou algo que ajude a convier com os problemas sociais.

A escola, em geral, tem privilegiado os meios de ensino, ou seja, o “como fazer”, deixando de lado a discussão mais relevante que responde a pergunta “para que ensinar?”. As disciplinas se apresentam umas isoladas das outras e até mesmo do mundo real, das coisas que acontecem na sociedade; há pouco, ou até mesmo, nenhum espaço para discussão sobre questões relativas às finalidades político-sociais da educação e do ensino; dá-se uma importância excessiva a conteúdos pré-estabelecidos, desvinculando-se do contexto social em que está inserido, entre outros aspectos.

Marcelino (1997) refere-se a ansiedade das crianças, como um fator que contribui para uma espécie de “fobia à escola”. “Corpos obrigados a rotinas estafantes, mesmo que as tarefas ou a carga de obrigações sejam leves, falta de sentido, desvinculação com a cultura vivida potencializam o grau de desgaste...” (p. 93).

O gostar de estudar a partir da imposição de modelos sem sentido, pela coerção, pelo medo, fica em segundo plano, caindo no esquecimento em virtudes de práticas coercitivas que garantem os corpos dóceis através do medo (FOUCAULT, 2000). Segundo Rubem Alves, “...com medo ninguém aprende a gostar de estudar. É o prazer de estudar, de investigar, de perguntar, que faz a educação uma coisa bonita, gostosa, brincadeira, feito empinar pipa” (apud MARCELINO, p. 126).

João Francisco Regis de Morais defende a idéia de que a tarefa fundamental da educação é “romper o divórcio entre a vida escolar e o prazer” (apud GADOTTI, 1995).

Portanto, tendo o lazer como seus principais fundamentos o prazer e a criatividade, dentro de uma instituição que tem pregado uma educação mecanicista, impregnada de valores individualistas, excludentes, pode ser uma arma contra essa educação pautada na visão neoliberal.

Contrário a essa visão, deve-se acreditar na construção democrática da sociedade, da escola. Defendendo não somente a escola mas, uma sociedade mais justa, humana e inclusiva, voltada para a superação das desigualdades sociais e para promoção do desenvolvimento de seus membros. Objetivando a formação de sujeitos históricos, críticos, criativos, capazes não apenas de se adaptar a sociedade, mas de transformá-la e de reivindicá-la. Sendo assim, é interessante considerar o lazer como meio de educar, sendo uma possibilidade de atuar com pretensão de mudanças no plano social.

Segundo Melo (1996), a busca de novas formas de encarar a realidade social, indireta ou diretamente obtidas através da aquisição de novos bens culturais; a percepção da necessidade de equilíbrio entre consumo e participação direta nos momentos de lazer, a recuperação de bens culturais destruídos ou em processo de destruição devido a cultura de massas; e a humanização do indivíduo, que passa a se entender como agente e não somente paciente do processo social; são fatores que contribuem para esse processo de mudança.

Na bibliografia sobre o tema (MARCELINO 1987, NETO 1993), podemos perceber que os autores concordam com o duplo aspecto educativo do lazer. Sendo este, veículo de educação ( educação pelo lazer ) e objeto de educação ( educação para o lazer ).

A educação pelo lazer, pode acontecer com atividades extracurriculares podendo abranger interesses como corpo, imaginação, raciocínio, habilidade manual, o contato com outros costumes, o relacionamento social. Já que, usualmente, as pessoas restringem suas atividades de lazer a um campo específico de interesse. E muitas vezes o fazem pelo fato de não terem acesso ou contato com tais possibilidades.

O componente lúdico, citado por muitos estudiosos da área (MARCELINO, 1997), é também, um outro fator que ajuda no processo criativo para modificar, imaginariamente a realidade. Existe relações de interdependência que o jogo tem com os grandes problemas sócio-políticos (ecologia, papéis sexuais, preconceito, velhice, deficiência, entre outros), que podem levar a reflexão, a problematização, ao diálogo e ao posicionamento crítico do aluno.

Não se pode mais aceitar que crianças e adolescentes continuem na escola fazendo o papel de “recipientes”, como descreve Paulo Freire (1974) no que chama de educação bancária, prontos para aceitar os conteúdos depositados pelos professores. A contribuição do alunado no processo ensino-aprendizagem não pode se resumir a isso. O prazer está intimamente ligado à motivação, que pode até determinar aumento, diminuição ou bloqueio de determinada aprendizagem. A motivação está relacionada à participação, e essa, pode levar a criação.

Gadotti (1987) defende a idéia de que o sucesso na aprendizagem, deve-se, a uma pré-disposição, a uma motivação, a um interesse que não é dado pelo conteúdo, mas pela forma de aprender. É óbvio que deve-se saber o por que do conteúdo proposto mas, a maneira como é abordado é também muito importante para o processo de aprendizagem.

No caso da educação para o lazer, pode-se destacar a argumentação de Requixa citada por Marcelino: “... o próprio exercício do lazer será o melhor estímulo educativo para o próprio lazer” (p.61).

Sendo a vivência do lazer, segundo Bramante (1998), relacionada diretamente às oportunidades de acesso aos bens culturais, torna-se um desafio para os profissionais da área, principalmente para os que trabalham no setor público, oferecer diferentes estímulos e oportunidades de atividades, desvinculadas de uma ideologia consumista, e cercadas de motivação. Este autor acredita que o profissional deve tentar “ampliar a base do repertório de experiências diversificadas dentro dos mais variados conteúdos culturais do lazer, uma vez que a escola se preocupa quase exclusivamente com a formação para o trabalho” (p.14).

O incentivo a leitura e ao ato de escrever, o acesso a cultura cinematográfica e teatral, atividades recreativas que busquem o desenvolvimento de sentimentos como solidariedade, coletivismo, respeito, são algumas das vertentes que podem ser exploradas pela vivência do lazer.

Nesse aspecto o lazer na escola estaria preocupado com uma educação dentro de uma perspectiva de qualidade intelectual, motora, cultural, social, ética e política.

Conclusão

Num país desigual, onde grande parte da população sobrevive em condições muito precárias, é difícil pensar que uma experiência de lazer possa promover o desenvolvimento pessoal e social na população de baixa renda. O lazer, a cultura física ou a Educação Física por si só não causam e nem realizam transformações sociais, revoluções políticas, mas ajudam não só na divulgação, mas também, na reflexão dos valores humanos e, no desenvolvimento de qualidades físicas e morais, propiciando um bom suporte ideológico.

Se como veículo de cultura, as atividades físicas, desportivas, recreativas, que estão dentro do lazer, são utilizadas por organizações e até governos reacionários, naturalmente que também podem, e devem, servir de instrumentos para ação política de correntes progressistas, que buscam meios de iniciar a libertação política e cultural do homem.

É interessante que se desenvolva um projeto político-pedagógico dentro da proposta da escola que inclua atividades de lazer e que possibilite aos indivíduos pertencentes a classe dominada o acesso a uma cultura desmistificada, permitindo e possibilitando que estes indivíduos possam analisar criticamente a realidade sócio-econômico-polítco e cultural do país. Na expectativa de colaborar com a concretização de uma nova ordem social mais justa e fraterna.

E com relação a acessibilidade aos bens culturais, ao proporcionar tal oportunidade dentro do ambiente escolar, além de trazer o prazer para o processo ensino-aprendizagem e para a escola, torna-se mais fácil a presença e a assiduidade dos participantes, justamente, por estar num ambiente conhecido, de fácil acesso e respeitado pela comunidade. O inventivo, a colaboração e a participação da população local pode e deve ser interessante para tal projeto.

Acreditamos, finalmente, que é através das alternativas pedagógicas que se pode minimizar a falta de motivação para as aprendizagens escolares.

O autor, Vagner Maia Brandão é da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Referências bibliográficas

ALVES, Rubem. Da esperança. Campinas, Papirus, 1987.

CAMARGO, Luis O. de Lima. O que é lazer. São Paulo, Brasiliense, 1986.

FOUCALT, M. T. Vigiar e punir: do nascimento a prisão. Petrópolis, Vozes, 1977.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1974.

GADOTTI, Moacir. Pensamento Pedagógico Brasileiro. São Paulo, Atila, 1995.

GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo. Educação Física progressista: a pedagogia crítico-social dos conteúdos e a Educação Física brasileira. São Paulo: Loyola, 1988.

MARCELINO, Nélson Carvalho. Lazer: Concepções e significados. Licere, Belo Horizonte, ano 1, 1998.

MARCELINO, Nélson Carvalho. Lazer e Educação. Campinas: Papirus, 1987.

MARCELINO, Nélson Carvalho. Pedagogia da animação. Papirus, Belo Horizonte, 1997.

MELO, Victor Andrade de. Esporte no contexto cultural do Rio de Janeiro do final do século XIX: um projeto de pesquisa. In: Encontro Nacional de história do esporte, lazer e educação física, 4, Belo Horizonte, 1996.

NETO, Márcia De Franceschi. Lazer: Opção pessoal. Brasília: Departamento de Educação Física, Esportes e Recreação, 1993.



A ESCOLA E A EDUCAÇÃO GERONTOLÓGICA

Silvio Telles

Kristine Wagner de Souza

Resumo: O objetivo deste estudo é investigar como se constróem e se manifestam, no cotidiano de uma escola de Ensino Fundamental, as diferentes visões sobre envelhecimento. A partir de entrevistas feitas com alunos de uma escola da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, foram observadas atitudes preconceituosas em relação aos idosos, ao processo de envelhecimento e às conseqüências que este proporciona. Levando-se em consideração a educação gerontológica, pretende-se analisar as práticas da Educação Física nesse contexto e sugerir temas que possam ser trabalhados e que contribuam para a diminuição da visão preconceituosa das crianças com relação aos idosos.

É notório em todo o mundo o crescimento demográfico da população de idosos. Estimativas comprovam que os gráficos populacionais, que antes eram piramidais, caminham para um formato retangular (Hamilton, 2002). Cada vez mais pessoas atingem o topo do gráfico populacional devido principalmente aos avanços tecnológicos e à queda da mortalidade infantil, que reduzia em muito a expectativa de vida, principalmente nos países em processo de industrialização. Segundo Ian Hamilton (ibid) em 2040 o percentual de pessoas ativas (ou seja, em idade de trabalho) em relação ao de inativas (aposentados) será de 3 para um , o que atualmente nos países industrializados é de 5 para 1.

Tal evolução demográfica de idosos vem mudando o perfil da população mundial. Países que antes se caracterizavam como jovens, irão presenciar a transição de sua população para a idade idosa.

No Brasil, a situação não é diferente: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 1992 a 2000 a população de 60 anos ou mais de idade aumentou em 3 milhões de pessoas, chegando a 14,5 milhões de idosos (BRASIL. IBGE. 2002), o que constata o envelhecimento do povo brasileiro, fruto de vários fatores, como a participação da medicina na prevenção, tratamento e controle das doenças, a melhoria das condições sociais, políticas e econômicas, e a preocupação com a adoção de um estilo de vida saudável. Dessa forma, a demanda por serviços crescerá tanto no campo da atenção à pessoa idosa, quanto nos aspectos sociais envolvidos (Faria Junior, 1999).

A forma como encaramos a idade idosa, vem se modificando com o passar dos anos. Possivelmente, tais modificações sobre os idosos, são resultantes de transformações sociais que ainda estariam em pleno processo, e acreditamos ainda, estar longe de atingirem um estado de desaceleração.

Apesar dos números estatísticos, muitos campos profissionais, como o da educação, não têm considerado prioritários programas e serviços voltados para as pessoas idosas. Por isso, acreditamos que os programas de atenção ao idoso, na perspectiva de uma educação gerontológica, ainda não têm apresentado desenvolvimento satisfatório. Entretanto, a educação teria uma contribuição mais abrangente na perspectiva da prevenção de muitos problemas comuns aos idosos.

Como percebemos, no parágrafo supra citado, mudanças conceituais se fazem imperiosas para que não venhamos a nos deparar com um caos social deflagrado pelo despreparo da sociedade em compreender as novas tendências populacionais.

Isto posto, o objetivo do trabalho consiste em propor uma ação da escola, que seria importante para atingir uma consciência em prol dos idosos que, como já vimos, serão em número significativo nas décadas que estão por vir.

Dessa forma, uma escola voltada para questões sobre e para o envelhecimento desenvolveria um modelo participativo, sustentado não somente por informações, mas também por ações visando a segurança da criança, do jovem, do adulto e do idoso.

Leis como a 8842/94, que dispõe sobre a política nacional do idoso e que se refere a ações governamentais na área da saúde, tais como: “prevenir, promover, proteger e recuperar a saúde do idoso, mediante programas e medidas profiláticas, ratificam uma ação educacional oriunda da instituição escolar, local propício para disseminação de ações profiláticas. Ações nesse sentido poderiam minimizar situações presentes em nosso cotidiano , quando nos deparamos com os idosos sem noções básicas de higiene pessoal, salubridade ambiental e segurança do trabalho (para os que ainda estão inseridos no mercado de trabalho), porque nunca haviam sido antes alertados para tais problemas. O ideal seria que as escolas também fornecessem este tipo de informação e desencadeassem uma série de mudanças de comportamento no sentido de promover a autoproteção nas diversas situações de risco que a vida lhes pudesse oferecer em todas as faixas etárias

Assim, o processo educacional deve ser apoiado em bases sólidas, abrangentes e voltadas para a construção da cidadania, para um aumento da qualidade de vida e conseqüente, para a promoção da saúde. Cabe neste contexto, esclarecer que entendemos como promoção da saúde qualquer intervenção deliberada que buscasse promover a saúde e prevenir doenças incapacitantes (Faria Junior, 2000).

Como já vimos anteriormente, o crescimento da população idosa é um fato, e implicará em mudanças significativas na sociedade. Mudanças no sistema previdenciário são, a todo momento, levadas à discussão e já transitam no âmbito político desencadeando transformações na formas de contribuição, possivelmente criando , modificando ou aumentando impostos, causando descontentamento de muitos, o que pode ocasionar um ostracismo social em relação ao idosos.

Tal situação já foi discutida no artigo apresentado no V Seminário internacional sobe Atividades Físicas para a Terceira Idade (2002), no artigo “Conhecimentos sobre envelhecimento e escolhas de um grupo de crianças em aula de educação física”. Neste artigo os autores comentam a questão do “ageism” que seria: “Um termo ainda sem correspondente na língua portuguesa, mas que pode ser entendido como um processo sistemático de elaboração de esteriótipos, preconceitos e discriminações com base na idade das pessoas, da mesma forma que os termos racismo e sexismo” ( op.cit ,2002 )

Assim, Faria Junior (ibid) afirma que as diferenças entre jovens e idosos são socialmente construídas, e não são necessariamente redutíveis a causas biológicas.

No trabalho já citado foi realizado um estudo com crianças de 10 e 12 anos (23 crianças) da 4ª série do ensino fundamental da rede municipal de ensino com o objetivo de identificar algumas impressões sobre os idosos tais como, identificação do idoso, envelhecimento, ageism, dentre outras.

Nas conclusões, as crianças entrevistadas souberam distinguir adolescente de adultos e idosos, foi identificada a construção da idéia do que é ser idoso em alguns entrevistados e outros perceberam envelhecimento como algo ruim, acarretando transformações negativas. O ageism foi identificado no campo da prática desportiva, pois nenhuma criança escolheu, dentre as fotos apresentadas, o idoso como companheiro para a prática.

Na tentativa de identificar se tais afirmações atingem outras séries do ensino fundamental, o que ajudaria a corroborar com uma maior necessidade de uma intervenção da escola na conscientização de uma educação gerontológica, já que tal construção não estaria se diluindo com o passar dos anos, o que seria possível com a influencia escolar em séries superiores do ensino. Portanto, realizamos uma pesquisa com pré-adolescentes e adolescentes da rede estadual do Rio de Janeiro num bairro da Baixada Fluminense, com alunos de 12 a 16 anos matriculados na 6ª e 8ª séries.

Foram entrevistados 28 alunos: na 6 ª série as entrevistas foram feitas com 08 pessoas do sexo feminino e 07 do sexo masculino, e na 8ª série com 07 pessoas do sexo feminino e 06 do sexo masculino.

Foi feito um questionário com seis perguntas em entrevistas semi- estruturadas durante as aulas de educação física. As respostas foram gravadas tendo-se o cuidado de registrar o nome, idade e série.

Não percebemos diferenças significativas nas respostas com relação à série, onde esperávamos um maior discernimento na turma mais adiantada. Possivelmente tal fato se deu devido à faixa etária específica dessa turma de 6ª série ser próxima da 8ª série.

Quando perguntados sobre em que idade para eles uma pessoa era considerada idosa, apenas 5% disseram idades inferiores a 60 anos. É importante ressaltar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, é considerada idosa a pessoa com 60 anos ou mais de idade. Essa pergunta visou perceber a partir de que momento cronológico eles começam a identificar um idoso. Sabemos que a idade isoladamente causa inúmeras distorções, porém é um dado a se considerar. Se levarmos em consideração outras épocas, como, por exemplo, o início do século 20, uma pessoa de 30 anos, no caso das mulheres, já era considerada idosa. Tal afirmação ajuda a apontar a transformação demográfica que vivemos.

Quando perguntados sobre qual seria a própria imagem ao chegarem à idade idosa, dentre outras respostas, muitos afirmavam que não conseguiam se imaginar idosos (22%). Já 36% tinham uma visão negativa de sua velhice (pessoas que sentem dores, que ficam sem fazer nada, que são inúteis, etc) e apenas 14% tinham uma visão positiva da própria velhice.

Ao serem perguntados sobre as vantagens e desvantagens do envelhecimento, com relação ao primeiro item 20% não viam nenhuma vantagem, 32% atrelavam as vantagens a fatores econômicos (não pagar passagem, aposentadoria, receber sem trabalhar), e 14 % viam na experiência de vida outro fator positivo. A desvantagem mais citada, com 46% foi a questão do preconceito. Segundo os entrevistados os idosos são mal tratados, desrespeitados e desvalorizados. Outros 20% alegaram os sintomas da velhice (dores, doenças), e 20% disseram que não gostariam de envelhecer, pois os idosos não servem para nada.

Duas perguntas foram feitas para tentar identificar o que eles achavam que uma pessoa deveria fazer para viver mais. Várias “dicas” foram dadas sendo que dentre elas 61% versavam sobre fazer alguma atividade física (caminhar, praticar esportes, etc), 36 % falaram sobre a questão da alimentação (balanceada, sem gordura, frutas, legumes, etc). Quando perguntados sobre o que os idosos deveriam fazer para viver ainda mais, o percentual sobre a prática de atividades físicas caiu e chegou a 31%. Surgiram diversas respostas, como evitar o tabagismo (3%), stress (3%), ser feliz (11%), não fazer nada (7%), ir ao médico (21%) e não sabiam responder (7%), dentre outras.

Com isso, percebemos que a maioria das preocupações que deveriam surgir já na idade adulta, só suscitam preocupação na terceira idade, onde muitas vezes o organismo já se encontra comprometido, enquanto as ações profiláticas já poderiam ter atuado.

Os dados acima ajudam a evidenciar que possivelmente o ensino fundamental não esteja atenuando as construções criadas pela sociedade, que discriminam e introduzem o preconceito contra o idoso (ageism). Essa situação poderia começar a ser redirecionada com a introdução de disciplinas e/ou temas transversais (sugeridos nos Parâmetros Curriculares Nacionais) eficazes, que discutiriam o tema idoso e sociedade no âmbito escolar.

Propusemos alguns pontos que poderiam ser abordados em sala de aula com o intuito da disseminação de uma educação gerontológica voltada para a conscientização da questão do idoso.

1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   41


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal