Ancelmo Gois 'o brasil hoje está com saudades de Minas' Lindberg diz que apoiará Cabral



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Casa Civil/ Dilma Rousseff

O Globo


Ancelmo Gois

'O Brasil hoje está com saudades de Minas'

Lindberg diz que apoiará Cabral

Mais dez anos

O feliz ano novo do Brasil
Folha de S.Paulo

Eliane Cantanhêde

Contra oposição, PT adota o discurso do risco de retrocesso

Lula é o brasileiro mais confiável, aponta Datafolha

Painel

Carlos Heitor Cony
Estado S.Paulo

Garotinho reclama de Lula

Hélio Costa é ''plano B'' para compor a chapa de Dilma

Desempenho em SP traz alívio à oposição

PT e PSDB correm para desatar nó que ameaça ruir palanques estaduais

Sonia Racy

Celso Ming

Dionísio Dias Carneiro

Washington Novaes
Jornal do Brasil

Lula vai visitar 15 países antes da campanha eleitoral

Governo começa o ano com o PAC da Mobilidade

Informe JB
Correio Braziliense

Alon Feuerwerker

Luiz Carlos Azedo

PT briga pelos “erros”

Sobra bilionária em ano de campanha

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Valor Econômico

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Zero Hora

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O Globo



Ancelmo Gois - PONTO FINAL - A pergunta de 1 milhão de dólares: Conseguirá Lula, em 2010, transferir sua enorme popularidade para Dilma “Poste” Rousseff???
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'O Brasil hoje está com saudades de Minas' - Confiante na cura do câncer, José Alencar defende a mineirice de Dilma e planeja se candidatar neste ano.
Com a disposição e o ânimo renovados pelos últimos prognósticos médicos de que caminha celeremente para a cura do câncer que o acometeu há 12 anos, o vice-presidente da República, José Alencar, de 78 anos, fala de eleições - com planos de disputar um cargo, "se estiver curado", ressalva -, defende o presidente Lula e seu governo com uma convicção impressionante e aposta que Minas estará muito bem representada na eleição presidencial de 2010. Mas, como bom mineiro, deixa a dúvida se está falando da ministra Dilma Rousseff, mineira de nascimento e gaúcha de formação política, ou do governador Aécio Neves. Mas diz, porém, que seu candidato será o mesmo do presidente Lula. Para ele, não está claro ainda que o paulista José Serra será o candidato do PSDB:
- O governador Serra tem um pássaro na mão, que é a reeleição.
Ao enumerar qualidades do governo, Alencar reconhece que ainda há o que fazer e que nem tudo é perfeito, mas exime Lula de qualquer responsabilidade no maior escândalo do governo petista, o mensalão de 2005:
- Eu boto a mão no fogo por Lula.
Em entrevista ao GLOBO, em seu gabinete no prédio anexo do Planalto, o vice-presidente falou sobre seu cotidiano, economia e, emocionado, sobre as mensagens de solidariedade que recebe todos os dias.
- Estou muito bem hoje. Não sei amanhã, que a Deus pertence.
JOSÉ ALENCAR, vice-presidente: "Não fazer a reforma política é a grande frustração do Lula. Não pode continuar (caixa dois), os partidos não podem aceitar, a impunidade é o problema"
O presidente Lula termina o ano otimista. O senhor também?
JOSÉ ALENCAR: O Brasil nunca esteve tão bem. Nunca alcançou esse patamar no conceito internacional. A verdade é essa. É impressionante o trabalho nos negócios externos.
Tem também o fator sorte?
ALENCAR: É competência do presidente, é inteligência. Ele tem sorte também. É aquela história, você faz bem feito, se dedica, aí a sorte ajuda.
O senhor pretende disputar eleição em 2010?
ALENCAR: O pessoal quer que eu dispute. Eu ainda não... Só se eu estiver curado. Se estiver curado, posso aceitar o convite, mas prefiro alguma coisa no Legislativo. Não quero cargo no Executivo. Mas se estiver são, como tudo indica que estarei - e está caminhando celeremente para isso -, posso aceitar.
O seu partido, o PRB, gostaria que o senhor disputasse a Câmara para puxar votos.
ALENCAR: É preciso ver se puxa mesmo. Eles são generosos, mas toda a eleição é disputada e é cedo ainda.
Dizem em Minas que, em 2010, só tem uma vaga ao Senado, pois a outra é do senhor...
ALENCAR: (Risos) Veja bem. Cada eleitor tem direito a dois votos para o Senado. Isso duplica votos. Mas sempre tem muitos candidatos. Em 98, quando disputei, também tinha muitos.
Agora tem o governador Aécio Neves, o ex-presidente Itamar Franco ...
ALENCAR: É uma eleição rica. Vai ser animada.
E a eleição presidencial. O quadro está se definindo...
ALENCAR: Também é cedo. Vai continuar se definindo.
O que o senhor acha que vai acontecer em 2010?
ALENCAR: O Brasil inteiro deseja ter segurança de que o trabalho desenvolvido pelo governo seja prosseguido. É o que todos desejamos. Há vários bons candidatos, só que nenhum é candidato ainda. O governador Serra, por exemplo, tem um pássaro na mão, a reeleição. Temos de aguardar até que ele tome a decisão. Não posso falar do PSDB, não é meu partido.
Como mineiro, o que acha da decisão do Aécio?
ALENCAR: O Brasil está com saudades de Minas. Como ele, Minas tem muitos nomes.
Por exemplo?
ALENCAR: Não vou citar para não omitir. Minas está sendo chamada. O Brasil gostaria que Minas estivesse presente...
Considera a ministra Dilma mais mineira ou mais gaúcha?
ALENCAR: Ela é mineira. Onde ela nasceu? Quem nasce em Minas é mineiro. Se ela nasceu em Minas, é mineira. Mas não é candidata ainda.
Lula já disse mais de uma vez que ela é candidata.
ALENCAR: Para ser candidata tem de ter registro e não é tempo de registro.
Considerando Aécio fora da disputa, acha que esse fator...
ALENCAR: Não sei raciocinar assim. Seria um jogo, uma aposta, alguma coisa de loteria. Não sei fazer isso. O Aécio fez um gesto para dar espaço para que Serra defina. Se o Serra diz que vai ser candidato a governador, o Aécio pode ser candidato a presidente? Depende dos acontecimentos até lá, do que estiver posto. Está tudo longe.
Num cenário com Aécio e Dilma, como o senhor ficaria?
ALENCAR: O meu candidato é o candidato do presidente Lula. Qualquer que for, porque sou vice-presidente graças à eleição do Lula, ninguém vota em vice.
O senhor considera a pré-candidatura da ministra Dilma bem encaminhada, com futuro?
ALENCAR: Conheço a Dilma. Independentemente de candidatura, a Dilma é uma mulher brava, determinada, séria, competente, dedicada ao que faz, responsável. Ela possui todas as condições para exercer qualquer tipo de responsabilidade.
O Brasil está preparado para eleger uma mulher ou ainda tem preconceito?
ALENCAR: Acho que não tem. O Brasil é país de primeiro mundo graças ao trabalho do Lula. País respeitabilíssimo onde quer que a gente chegue. O Lula era líder sindical dos trabalhadores, mas nenhum presidente respeitou tanto os objetivos elevados das classes produtoras. Tem colaborado para que haja oportunidade de crescimento de todas as categorias, prestigiando o setor privado.
Quando entrou no governo esperava esse desempenho?
ALENCAR: Sabia que seria um bom governo. Votei no Lula em 89, no segundo turno. Acompanhava o trabalho dele como líder sindical. Ainda que fosse intransigente, ele respeitava. Não imaginava que fosse tão bom na política externa.
Nem esperava que ele fosse tanto ao exterior, não é?
ALENCAR: Não. Na campanha, em Natal, disse: "Gosto daqui, o Lula vai ganhar a eleição, mas não vou assumir, porque Lula não vai viajar para o exterior, vai viajar para o interior do Brasil. Falei com a Mariza, vamos nos mudar para cá". Tempos depois uma eleitora cobrou a promessa. Expliquei que iria morar lá porque o Lula não ia viajar para o exterior (risos)... Assumi mais de 420 dias, 90 só este ano.
O que os candidatos governistas têm a mostrar?
ALENCAR: O que o Brasil deseja? Continuidade do apreço aos humildes, inclusão social, trabalho sério no campo dos negócios externos. Possíveis candidatos têm de levar em consideração que o Brasil deseja a continuidade do trabalho. As pessoas estão a favor do que está sendo feito.
E o discurso da oposição?
ALENCAR: A oposição pode dizer que vai dar continuidade ao trabalho. Rende votos a eles.
E os pontos fracos do governo? Teve o mensalão...
ALENCAR: Não há nada que possa atingir o presidente. Nada, nada. É questão partidária. Boto minha mão no fogo por Lula. Ele nunca desviou recursos públicos para os chamados recursos não contabilizados.
E agora temos mensalões em outros partidos...
ALENCAR: Não fazer a reforma política é a grande frustração do Lula. Conversamos sobre isso. Não pode continuar (caixa dois), os partidos não podem aceitar, a impunidade é o problema.
Que balanço faz destes sete anos? Sua saúde, o trabalho...
ALENCAR: O fato de eu passar um período longo em tratamento nunca me afastou das minhas responsabilidades. Nunca deixei de assumir quando o presidente Lula viajou. Sempre cumpri agenda. Houve quem tivesse dito que a recompensa para o trabalho é o trabalho. Quem trabalha tem o que fazer, e o trabalho é um dádiva de Deus.
E como está a saúde hoje?
ALENCAR: Os tumores estão definhando, secando, desaparecendo. Um médico disse semana passada (penúltima semana de dezembro) que "havia um tumor no Zé Alencar". Estou muito bem hoje, não sei amanhã, que a Deus pertence.
Não falamos sobre juros...
ALENCAR: Não seja por isso, vamos lá! Continuo repetindo que a política econômica no Brasil é excelente, apesar da política monetária e não graças a ela.
O Banco Central admite que os juros devem voltar a subir em abril..
ALENCAR: Para quê? Lula manda consumir, manda investir e o Copom (Conselho de Política Monetária) adota política diametralmente oposta, com taxas de juros para inibir o consumo e inibir o investimento. O Copom é eminentemente técnico, não tem olhos políticos. É um regime de juros criminoso.
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Lindberg diz que apoiará Cabral - Prefeito de Nova Iguaçu afirma que, a pedido de Lula, fez acordo e desistiu do governo do Rio.
Após mais de duas semanas resistindo a pressões dentro do PT e do PMDB, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), recuou e fechou um acordo com o governador Sérgio Cabral (PMDB), desistindo de sua candidatura ao governo do Estado do Rio pelo PT em 2010. Segundo Lindberg, sua principal exigência para o acordo, que só será anunciado no fim de janeiro, foi a garantia de vaga para disputar o Senado, deixando Benedita da Silva fora da corrida. Já o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), que tem articulado com Cabral as conversas com o prefeito de Nova Iguaçu, confirma a combinação, mas nega que a vaga para a disputa do Senado no PT tenha sido negociada.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou Lindberg e lhe deu um ultimato: disse que não estaria em outro palanque no Rio, a não ser o do atual governador. Enfraquecido também com a derrota de seu candidato, Lourival Casula, para presidir o PT do Rio, Lindberg perdeu a possibilidade de insistir com Lula. Recorreu a Cabral para costurar um pacto e assegurar a vaga ao Senado.
- Fiz o acordo, porque o presidente Lula conversou comigo e pediu que eu desistisse nesse momento e também porque havíamos perdido as eleições internas no PT. Darei dois passos atrás para dar um passo adiante - disse o prefeito de Nova Iguaçu, citando Lênin e já pensando em sua candidatura a governador em 2014.
O cenário também é o ideal para a executiva nacional petista, que luta para manter a aliança com o PMDB nos estados a fim de eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para o Planalto. Mesmo assim, Lindberg continuava insistindo na candidatura própria, principalmente porque as correntes no PT permanecem divididas e há chances de que grupos petistas não façam campanha para Cabral.
"Ele vai disputar no PT", diz Pezão
Além da vaga para o Senado, Lindberg afirma que estaria garantida a vinda, para favelas do Rio atendidas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), de projetos sociais implantados por ele em Nova Iguaçu.
- Combinei com Cabral que lideraria projetos nas comunidades - afirmou Lindberg, prometendo que estará no palanque de Cabral em 2010.
Embora confirme o pacto, Pezão não ratifica os detalhes apresentados por Lindberg:
- Houve um acordo, e no dia 6 de janeiro vamos acertá-lo. Mas não houve garantia de que ele seria o candidato do PT ao Senado. Isso ele vai disputar no PT, com a Benedita, internamente. Não temos como interferir nisso, uma decisão do partido. O compromisso foi apoiá-lo, caso ele saia candidato ao Senado dentro do PT. Ele pediu ajuda para obras em Nova Iguaçu, para que ele consiga entregá-las dentro do mandato - disse Pezão, ressaltando que o acordo será anunciado no fim de janeiro.
Irritado com a articulação de Lindberg, o presidente eleito do diretório do PT no Rio, Luiz Sérgio, critica o acordo com o PMDB e afirma que, até o momento, a direção do partido não foi informada de nada:
- Se ele fez uma combinação, fez com a pessoa errada, porque primeiro devia ter discutido dentro do partido. Como presidente, desconheço qualquer acordo com esse teor. Embora tenha feito um recuo, ele está errando novamente ao conversar diretamente com o PMDB - disse Luiz Sérgio, acrescentando que não há possibilidade de a vaga ao Senado estar destinada a Lindberg. - É inevitável que haja uma disputa no PT, e um dos nomes é o da Benedita. O Lindberg tem todo o direito de reivindicar sua candidatura ao Senado, mas terá que disputar.
Benedita da Silva, que é secretária de Assistência Social de Cabral, disse que o governador prometeu não interferir na disputa no PT:
- Não sei de acordo algum, e o Sérgio Cabral me assegurou que não faria interferência. Espero que o partido faça a disputa normalmente. Tenho conversado com os líderes do PT, que sabem que vou concorrer para valer.
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Mais dez anos

Qualquer linha que se trace do Brasil de 1990 ao de 2010 será ascendente - na política, na economia, no social, mesmo que em um ou outro ponto haja ganhos mais pronunciados. Collor, no início da década de 90, se virou sinônimo de corrupção na política, teve o mérito de lançar a pedra fundamental da agenda de liberalização da economia. Quando ficou emparedado no Congresso, foi protagonista de um fato histórico: a retirada de um presidente do Palácio dentro da lei, sem um tiro, uma vidraça estilhaçada nas ruas. O dramático desfecho do mandato do primeiro presidente eleito pelo voto direto depois de 1960 ajudaria a sedimentar as instituições republicanas, o estado de direito democrático.


Em seguida, viria outro período histórico, o da subjugação de um processo grave, renitente, pernicioso de descontrole dos preços. Inaugurada pelo vice de Collor, Itamar Franco, esta fase teria no centro Fernando Henrique Cardoso e equipe, os quais, em vez de tentarem repetir a fórmula salvacionista da "bala de prata" contra a inflação, construíram uma engenhosa política de desmontagem dos mecanismos de realimentação da alta dos preços pela inércia, consubstanciada no Plano Real. Consolidou-se, neste ciclo, a bipolaridade na política brasileira: tucanos (PSDB) de um lado, no poder, e o PT, de outro, numa oposição intransigente. Por peculiaridade histórica, FH e Lula, as duas lideranças que seriam sinônimos de seus partidos, saíram da mesma frente de combate à ditadura militar, instaurada em 1964 e superada em 1985, por meio de uma bem negociada transição para a democracia.
Estiveram juntos na campanha das Diretas Já, mas se separariam por uma divergência estratégica: Lula optara por criar um partido classista, o PT, enquanto FH se mantivera numa linha social-democrata. Depois, sairia do PMDB para ser um dos fundadores do PSDB. Nos seus oito anos de governo (1994-2002) ocorreram avanços institucionais importantes - sempre criticados pelo PT oposicionista. Além do próprio Plano Real - o início de tudo, pois com inflação alta seria impossível avançar nas reformas -, as privatizações, as agências reguladoras, o início de uma reforma administrativa, para dar eficiência à máquina pública, e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com Lula, vitorioso enfim em 2002 - depois de três derrotas sucessivas, para Collor e FH -, houve recuo em algumas áreas. Condicionado pelas alianças com sindicatos, em especial os do funcionalismo público, Lula paralisou a reforma administrativa, engavetou privatizações, garroteou as agências reguladoras. Mas teve o bom senso de manter da Era FH princípios-chave de política econômica: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário nas contas públicas, este para evitar o descontrole da dívida interna. Colocou, ainda, no BC um experiente executivo do mercado financeiro global, Henrique Meirelles, e deu-lhe autonomia operacional. Outro acerto.
Lula repetiria a dobradinha de mandatos consecutivos obtidos por FH. À parte a rivalidade aguçada entre os dois desde a posse de Lula em 2003 - em que pese o elevado nível de espírito público e de civilidade demonstrado na fase de transição, no final de 2002 -, este relativo continuísmo de política econômica foi o lastro sobre o qual Lula pôde usufruir um dos mais longos e sincronizados ciclos de crescimento mundial - poderia ter surfado melhor a onda, caso executasse reformas, é bem verdade. Mas o continuísmo constituiu outro fato histórico: o Brasil ficou mais parecido com países sérios, maduros, onde, seja qual for o governo, certos princípios lógicos e irrefutáveis continuam a ser seguidos.
O segundo decênio do século XXI começa com uma especificidade: depois de cinco eleições presidenciais consecutivas, pela primeira vez o nome de Lula não constará da cédula. O fato aguça as expectativas da oposição e coloca na ordem do dia da eleição de 2010 a questão da maior ou menor capacidade que terá Lula de transferir para Dilma Rousseff sua elevada popularidade.
Pelo menos o enredo escrito até hoje, dia 1º de janeiro, garante a repetição do teste de forças entre um tucano (José Serra) e um petista (Dilma). Petistas pretendem converter a campanha num plebiscito: nós contra eles; quem mais cresceu na economia e no campo social, quem governou melhor. Qualquer marqueteiro do PT avalizaria a estratégia, por ela ser favorável à Era Lula. Afinal, campanha política não tem espaço para certas nuances: como a de que, na realidade, o governo Lula terá sido, em parte, uma sequência da gestão FH, com mais ênfase nos gastos públicos assistencialistas.
A melhor discussão para o país será sobre o futuro. Há uma bifurcação à frente: o próximo governo continuará a explorar o modelo do Estado provedor, recolhedor implacável de altos impostos em nome de um redistributivismo que desfavorece os investimentos em segmentos estratégicos carentes - infraestrutura, educação - ou retomará reformas necessárias (do Estado, tributária, previdenciária)? Por outro ângulo: com uma carga tributária de 36% do PIB, salários do funcionalismo absorvendo 5% do PIB, enquanto a claudicante e cada vez mais deficiente infraestrutura do país recebe do Estado apenas pouco mais de 1%, até quando este modelo continuará de pé? Como, desde FH, as despesas públicas com o custeio crescem em velocidade excessiva, chegou a hora do ajuste. De que forma ele deve ser feito? Vai depender das respostas a perguntas como estas se o Brasil continuará em linha ascendente nos próximos dez anos.
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O feliz ano novo do Brasil - Após estagnação de 2009, projeções de crescimento para 2010 variam entre 5% e 6,5%.
Crescimento forte, inflação baixa, emprego em alta, mais importações que exportações e mais dinheiro externo para financiar o consumo. Assim é o Brasil desenhado por economistas em 2010. Depois de enfrentar estagnação no ano passado, reflexo da crise financeira que abalou o mundo, o país cresce rápido. As projeções giram entre 5% e 6,5%, puxadas pelos investimentos - que recuaram com força em 2009.
A busca de máquinas, equipamentos e de bens para atender o consumo interno fará as importações aumentarem. E as exportações não conseguirão acompanhar, já que a economia mundial crescerá num ritmo bem menor que o Brasil - perto de 3%. Assim, o nosso saldo na balança comercial terá uma queda drástica, na opinião de analistas, saindo de mais de US$20 bilhões em 2009 para perto de US$10 bilhões, na mais otimista das previsões.

Sem o saldo na balança para compensar a sempre deficitária conta de serviços com o resto do mundo, o déficit em transações correntes (contas entre o Brasil e o mundo) deve dobrar em 2010, ficando perto de US$40 bi. O investimento direto estrangeiro ajudará a fechar as contas.


Contas públicas não preocupam
"Ano de Pibão", resume assim Francisco Pessoa Faria, economista da LCA Consultores, a situação do Brasil este ano. A LCA prevê alta de 6% em 2010, e a economia com sinal positivo em 2009 (o resultado só sai em março), ligeiramente superior a zero:
- Um ano de recuperação do investimento e consumo puxado pelo emprego, confiança e renda. Os juros devem subir pela alta forte da demanda, mas antes, teremos o aumento dos compulsórios (dinheiro retido no Banco Central) - diz.
As contas públicas não preocupam em 2010. A arrecadação em alta equilibrará as despesas que subiram em 2009, diz Faria. Elson Teles, economista-chefe da Corretora Concórdia, apesar de concordar que a arrecadação maior melhorará as contas públicas, lembra que no período eleitoral os gastos aumentam. Teles prevê algum entrave, criado pelo aumento dos gastos do governo no ano passado.
O investimento será a vedete de 2010. As taxas de crescimento devem superar 20% no ano, mas a parcela da economia brasileira destinada a aumentar a capacidade de expansão do país só volta aos patamares de antes da crise em 2011. Este ano, a taxa deve ficar próxima de 18%, enquanto que em 2008, superou 19%.
No mercado de trabalho, o céu é de brigadeiro. No início do ano, deve haver o aumento sazonal da taxa de desemprego, mas ela deve ficar, na média do ano, em 7,5% da força de trabalho, taxa inferior aos 8% esperados para o ano passado (o número oficial só sairá no fim do mês).
As eleições pesaram pouco nesse cenário projetado pelos analistas, na opinião do economista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski, que não consegue enxergar "medidas drásticas" anunciadas pelos candidatos já confirmados: o governador José Serra (PSDB) e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).
Faria, da LCA, prevê algum ruído quando a campanha tomar as ruas, com alguma crítica em relação ao câmbio, mas nada nem perto do que houve nas eleições de 2002. Na época, a instabilidade fez dobrar a cotação do dólar. Como consequência, a economia ficou estagnada em 2003.
- Não se vê hoje ameaça de mudança na gestão da política econômica - destaca Faria.
Inflação é outro grande indicador da economia que se manterá tranquilo em 2010, com as expectativas em torno da meta fixada pelo governo de 4,5%. Os índices gerais de preço (IGPs), medidos pela Fundação Getulio Vargas, fecharam o ano em queda. Assim, reajustes de aluguéis, escolas, telefonia, energia terão reajustes baixos, já que são baseados nesses índices de inflação.
O economista Luiz Carlos Prado, da UFRJ, destaca que a população brasileira cresce num ritmo muito menor. Pelo Brasil crescer acima da média mundial, em breve, diz, a renda do brasileiro se aproximará da dos países desenvolvidos:
- O crescimento de 5% hoje corresponde, em termos de renda per capita, à expansão de 7%, 8% da época do fim do milagre, nos anos 70.
O dólar deve se valorizar ao longo do ano, principalmente perto das eleições, mas fechará 2010 perto de R$1,80, impulsionando as importações.
Vale lembrar que as projeções vão se modificando ao longo do ano. No início de 2009, a expectativa era de que o país cresceria 2,5%. Em abril, com dois trimestres seguidos com o PIB recuando caracterizando a recessão, as estimativas pioraram para -0,3%. Depois melhoraram, voltando a cair no fim do ano passado. Agora, a expectativa é de que o país fique estagnado. Em suma, projeções são apenas projeções: nem sempre se confirmam.
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