Anderson vasconcelos firmino hector jesus pegoretti leite de souza janiel cerqueira da silva



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA FLORESTAL

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS



ANDERSON VASCONCELOS FIRMINO

HECTOR JESUS PEGORETTI LEITE DE SOUZA

JANIEL CERQUEIRA DA SILVA

JOSÉ CLAILSON FRANCO COELHO

A LÓGICA DA PESQUISA CIENTÍFICA, KARL POPPER

JERÔNIMO MONTEIRO

JULHO – 2015

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA FLORESTAL

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS

ANDERSON VASCONCELOS FIRMINO

HECTOR JESUS PEGORETTI LEITE DE SOUZA

JANIEL CERQUEIRA DA SILVA

JOSÉ CLAILSON FRANCO COELHO

A LÓGICA DA PESQUISA CIENTÍFICA, KARL POPPER

Trabalho apresentado ao Programa de Pós - Graduação em Ciências Florestais da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para aprovação na disciplina de Metodologia de Pesquisa Científica.

Prof. D. Sc. Wendel Sandro de Paula Andrade.

JERÔNIMO MONTEIRO – ES

JULHO – 2015

RESUMO

Karl Popper ocupa um lugar muito importante dentro da filosofia contemporânea, é o máximo representante do Racionalismo Critico e um dos principais exponentes da filosofia da ciência. Também é considerado o pai da falseabilidade, é a partir deste ponto que Popper começa a definir uma nova teoria que é compreendida em usa obra “A lógica da pesquisa cientifica”, publicada em 1934, que contém a expansão e reestruturação de novas ideias e teorias deste autor em relação ao método científico, que quebra radicalmente com a concepção ingênua da verdade onde foram envolvidos os seguidores da indução. Deste modo, o objetivo do presente trabalho é o de apresentar o pensamento epistemológico de Karl Popper, tendo como base o seu livro “A lógica da Pesquisa Cientifica. Portanto, se trata de um campo na concepção da ciência, nesta obra, o autor revela que o conhecimento tem um carácter provisional, pois as hipóteses da ciência frequentemente podem não científicas, em qualquer momento podem ser eliminadas por meio do processo de constatação alicerçado na falseabilidade, que nasce para delimitar o campo da ciência a partir da confrontação dos enunciados com a experiência. A obra propõe como missão que todo cientista logre aprender a escrever de maneira mais clara e simples possível. Abandonar o culto do escuro e focalizar de maneira racional o “expressionismo filosófico”. Ao final, não se trata de girar em torno de palavras, trata - se de formular argumentos passiveis de crítica. Popper objetiva com esta obra dar uma resposta entre as velhas concepções da ciência e a formulada por ele, no qual aprender com os erros é a base fundamental, com esta forma, será possível chegar mais perto da verdade. Desta forma, Popper provocou uma revolução científica na época, pois colocava em discussão novos critérios de demarcação entre o que era ciência e não ciência, ele defendia a falseabilidade e criticava duramente critérios utilizado pelas outras linhas de pensamento.


Palavras - Chaves: Indução. Critério de demarcação. Falseabiliaddade.

SUMÁRIO





RESUMO ii

1. INTRODUÇÃO 4

2. DESENVOLVIMENTO 5

3. PROBLEMAS FUNDAMENTAIS DA LÓGICA CIENTIFICA 5

3.1 O PROBLEMA DA INDUÇÃO 5

3.2 O PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO 7

3.3 O PROBLEMA DA BASE EMPÍRICA 8

4. O CRITERIO DE DEMARCAÇAO POPPERIANO 9

4.1 FALSEABILIDADE 9

4.1.1 OS ENUNCIADOS BÁSICOS E SUA RELAÇÃO COM A FALSEABILIDADE 11

4.1.2 CRÍTICAS E ACORDOS COM A FALSEABILIDADE 12

4.1.3 ELEIÇÃO DE UMA TEORIA COM PREFERÊNCIA À OUTRA 14

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 17

6. REFERÊNCIAS 18




  1. INTRODUÇÃO

Karl Raimund Popper (1902 - 1994) é conhecido principalmente por ter sido um dos principais críticos do Positivismo Lógico, movimento surgido no início do século XX em Viena, tendo como principal filosofia de pensamento, o princípio de indução como o método de procedimento científico, portanto a ciência começa com observações e experimentos e não com apresentações criadas pela razão do ser humano, utilizam o critério da verificabilidade, em relação à comprovação do que é científico.

As principais obras traduzidas para o português são: A Lógica da Pesquisa Científica, A Sociedade Aberta e seus Inimigos, A Pobreza do Historicismo e as coletâneas de artigos Conjecturas e Refutações e Conhecimento Objetivo (ROMANINI, 2012).

A Lógica da Pesquisa Científica é um livro que propõe uma construção lógica da teoria do conhecimento, uma validade lógica para as proposições científicas, a falseabilidade com o critério de demarcação entre ciência e não ciência, ou seja, encontrar um critério de demarcação científica baseado na falseabilidade e não na indução (LIMA, 2014).

Para Karl Popper, ao invés de inferir teorias de observações particulares, recorria ao movimento inverso, ou seja, inferir as teorias universais de enunciados singulares. Tal critério resulta da forma lógica dos enunciados universais que, embora não podendo ser derivados de enunciados singulares, podem, inversamente, ser refutados por enunciados singulares, ocasionado o procedimento de falseabilidade das teorias.

O objetivo do trabalho é apresentar o pensamento epistemológico de Karl Popper, tendo como base o seu livro A lógica da Pesquisa Cientifica. Abordando seu posicionamento em relação à construção do conhecimento científico, os problemas fundamentais da lógica científica, a falseabilidade como critério de demarcação em relação ao que é científico, as críticas realizadas a sua definição de obtenção e inicio do conhecimento.



  1. DESENVOLVIMENTO

A seguir será apresentado o resumo do livro “A Lógica da Pesquisa Científica, escrito por Karl Raimund Popper, publicado em 1934, o qual é considerado como um dos livros mais influentes da época, pela caraterização que ele atribui ao método científico.

É uma obra de racionalismo crítico, pelo qual expõe ideias revolucionarias quebrando radicalmente com a concepção da verdade assumida pelos seguidores, da lógica indutiva. Portanto, através das páginas o autor faz uma crítica ao positivismo lógico do Circulo de Viena, ao critério utilizado na demarcação de ciência e não ciência e propõe uma nova possibilidade para a construção do conhecimento científico, por meio da dedução e um novo critério de análise na definição de ciência, o que ele denominou falseabilidade.

  1. PROBLEMAS FUNDAMENTAIS DA LÓGICA CIENTIFICA

Segundo Popper, um cientista sendo ele teórico ou experimental cria um enunciado ou sistemas de enunciados e verifica cada um individualmente. No campo das ciências empíricas, ele formula hipóteses que serão testadas, confrontando-as com a experiência, por meio de recursos de observação e experimentação.

A tarefa lógica da pesquisa cientifica é proporcionar uma análise do método das ciências, mas na busca dessa lógica científica alguns problemas são identificados como fundamentais: o problema de Indução, o problema de demarcação e o problema da base empírica.

    1. O PROBLEMA DA INDUÇÃO

Primeiramente, é importante sinalar que o método indutivo tem grande aceitação dentro do campo da ciência, ao qual Popper mostra o seu desacordo. Por um lado, a lógica indutiva descreve como “indutivo”, aquelas inferências que passam de ser um enunciado singular ou particular, tais como descrições dos resultados de observações ou experimentos, aos enunciados universais, os quais são as hipóteses ou teorias.

Os seguidores da logica indutiva acreditam que, é possível considerar como válido as inferências, de hipótese ou teorias, por meio da experiência. Resultando que a descrição de uma experiência, uma observação ou resultado de um experimento, são retirados enunciados universais. Para Popper, isso não determina que seja um enunciado universal, mas sim que eles são baseados em inferências indutivas, dadas pela “verdade” dos enunciados particulares, e para tentar justificar tais inferências é necessário recorrer ao estabelecimento do princípio da indução.

O problema da indução surge da questão de saber se as inferências indutivas se justificam e em que condições. O problema nasce na discussão de estabelecer a verdade ou validade dos enunciados universais baseados na experiência.

Na visão dos defensores da lógica da indução, esse é um princípio de extrema importância para o método científico, a exclusão deste método significaria não permitir a comprovação da verdade ou falsidade de uma teoria. Por esse método, os filósofos positivistas acreditam definitivamente, que a verdade das inferências, de hipótese ou teoria, é “conhecida por meio da experiência”. Alguns defensores da Lógica Indutiva, um deles Reichenbach, acredita que o princípio desta lógica, é o meio pelo qual à ciência define a verdade das teorias científicas.

Mas a opinião expressa por Popper é, que não existiria o problema da indução se esse fosse uma verdade puramente lógica, em tal caso, todas as inferências indutivas teriam de ser encaradas com transformações puramente tautológicas, ou seja, se o princípio da indução fosse considerado como puramente lógico, como tem sido aceitado pelos positivistas. Portanto, supondo que o princípio da indução fosse aceito pela ciência, Popper seguira afirmando que esse princípio é supérfluo e leva incoerências lógicas, e que as dificuldades que ele apresenta são insuperáveis.

A partir da obra de Hume, o qual pode se dizer que impulsou o chamado problema da indução, pois ele demostrou as contradições no momento de admitir a lógica indutiva como princípio aceitável. Hume assumia a indução como um processo psicológico, no qual o cérebro generaliza de vários eventos particulares, que em um futuro obrigaria a esperar acontecimentos similares desses eventos passados.

Dessa forma para Popper os fatos que envolvem esses sistemas psicológicos, que são responsáveis de inspirar uma pessoa a escolher uma ideia nova, são verdadeiramente importantes para a psicologia empírica, mas dentro do campo das análises lógicas do conhecimento cientifico. Assim, o processo de concessão de uma nova ideia não tem que ser só justificável e verificável, mas sim ser falseável.



    1. O PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO

Inicialmente, Popper rejeita então o método da indução, apesar das objeções, ele acredita que a lógica indutiva não fornece um recurso de caráter empírico, não proporciona um critério adequado de demarcação entre a ciência empírica e os sistemas metafísicos.

O problema de demarcação é considerado o mais fundamental dentro da teoria do conhecimento, o qual também foi denominado "o problema de Kant", pois ele foi um dos principais epistemólogos empiristas que apoiava suas teorias no método indutivo.

Segundo Popper, encontrar um critério de demarcação aceitável é uma tarefa de outra epistemologia oposta à lógica indutiva, já que os seguidores desta lógica interpretam o problema com uma visão naturalista, envolvendo aqueles elementos redutíveis aos elementos sensoriais, que ao final, envolvem todos os processos mentais. Em consequência, eles tentam separar o empirismo e a metafisica, sem considerar que a tarefa é alcançar um acordo entre os dois.

Deste modo, Popper propõe o critério da demarcação na busca de obter um acordo, entre o empirismo e a metafísica, basicamente, ele não afirma que a metafísica carece de valor para a ciência empírica, e por outra parte, desde o ângulo psicológico pensa que a pesquisa científica é impossível sem fé em algumas ideias de índole especulativas. Portanto, para Popper é essencial estabelecer um conceito de ciência empírica ao fim de traçar uma linha de demarcação clara entre ciência e as ideias metafisicas.

Em consequência, o critério de demarcação proposto por Popper é fundamentalmente a falseabilidade dos sistemas, pois para ele, uma forma de evitar incorrer no problema da lógica indutiva, era fundamental escolher um critério que permitisse admitir inclusos aqueles enunciados que não possam se verificar. Portanto, ele não exige que um sistema científico seja selecionado de uma vez de forma concluinte em um sentido positivo, mas sim que seja suscetível da seleção em sentido negativo por meio da falseabilidade e provas empíricas.

Deste modo, o método de submeter à prova uma teoria de forma crítica, e de selecioná-la conforme o resultado obtido, tem-se o uso da prova da dedução, a qual consiste em fazer análises críticas das teorias. Este método se reduz por meio da apresentação de um título provisional de uma nova ideia, a qual não tem sido justificada, com a finalidade de extrair conclusões que possam ser comparadas, inclusive com outros enunciados, com o objetivo de achar relações lógicas.

Entretanto, é possível distinguir três linhas diferentes ao longo dos quais pode submeter à prova uma teoria: a comparação lógica das conclusões umas às outras, com o que se põe à prova a coerência interna ao sistema; a investigação da forma lógica da teoria, com o objetivo de determinar se ela apresenta o caráter de uma teoria científica, ou se é tautológica; e a comparação com outras teorias, com o objetivo, sobretudo de determinar se a teoria representará um avanço de ordem científica, no caso de passar satisfatoriamente as várias provas; e a comprovação da teoria por meio de aplicações empíricas das conclusões que dela se possam deduzir.



    1. O PROBLEMA DA BASE EMPÍRICA

Inicialmente, o critério de demarcação exposto por Popper, ou seja, a falseabilidade acaba sendo um mecanismo que desloca o problema da lógica. Lembrando que os enunciados singulares são os que devem estar presentes como premissas falseadoras.

Portanto, o problema da base empírica, é definido como o problema que envolve o caráter empírico dos enunciados singulares e a forma de submete-los a prova, representando um papel diferente aos outros problemas concernentes ao campo da lógica, pois é estritamente relacionado à teoria do conhecimento.

Em consequência, Popper tenta elucidar a definição desse problema explicando que ele ocorre principalmente, com as relações entre experiências perceptivas e enunciados básicos, que ele denomina, como aqueles enunciados que servem de premissa em uma falseação empírica, aos quais frequentemente tentam proporcionar justificação através das experiências perceptivas.

Contudo, Popper expõe que é possível achar uma solução nesse problema, a qual seria dada por meio da separação clara das experiências subjetivas por uma parte, ou seja, aquilo que tem que ver como o campo psicológico, e por outra parte as relações logicas objetivas, em outras palavras, aqueles enunciados que possam ser falseados.

  1. O CRITERIO DE DEMARCAÇAO POPPERIANO

Em virtude de responder tanto ao problema da indução quanto ao problema da demarcação, os quais para Popper consistiam de um mesmo problema, ele formulou seu próprio critério, baseado na falseabilidade de enunciados singulares, isso como consequência da sua oposição ao critério verificacionista, anteriormente proposto pelos pensadores do Positivismo Lógico.

Segundo Popper, a atividade cientifica evolui pelas sucessivas rejeições de teorias que, ao serem falsificadas pelos testes empíricos, deveriam ser sucedidas por novas teorias capazes de explicar e predizer todas as coisas e eventos que a teoria anterior englobava.

Seguidamente, se explica de uma forma detalhada o critério assumido por Popper, o qual é assumido como uma mudança na concepção da ciência, tomando em consideração as críticas e os pontos mais relevantes deste método do conhecimento.



    1. FALSEABILIDADE

A falseabilidade é introduzida como um critério de caráter empírico de um sistema de enunciados, o requisito dela, pode se dividir em duas partes, a primeira, o postulado metodológico que dificilmente pode fazer-se inteiramente precisa; a segunda, o critério logico, o qual resulta completamente definido em quanto se esclarece o enunciado que tem que ser chamado de básico.

De acordo com o critério da falseabilidade para que um enunciado seja considerado cientifico, ele deve descrever um acontecimento que seja logicamente passível de ser observado, falseável e a hipótese falseadora passível de teste. Uma teoria será falseada somente quando dispomos de enunciados básicos aceitos que a contradiga. Essa condição é necessária, porém não suficiente, pois só a consideramos falseada, se descobrirmos um efeito susceptível de reprodução que refute a teoria. A essa espécie de hipótese determina-se como hipótese falseadora, a qual tem como requisito encontrar uma relação com a logica, com respeito aos possíveis enunciados básicos, e também de ser corroborada.

Temos de forma perceptível que toda prova de uma teoria resulte em sua corroboração ou falseamento. Se não chegarmos a nenhuma decisão ou não decidirmos por este ou aquele enunciado básico, a prova terá conduzido a nada, e mesmo que venhamos a decidir por um ou outro enunciado, ainda assim, podemos submetê-lo a prova por alguma outra teoria ou chegar à conclusão de que os enunciados em pauta não eram intersubjetivamente1 susceptíveis de prova, ou até mesmo que o evento manipulado não era observável.

Portanto é necessário distinguir o conceito do critério de falseabilidade com o da falseação. A falseabilidade se refere às regras que se precisam incorporar, para determinar em quais condições é possível considerar falseado um sistema. A falseação de uma teoria é quando unicamente aceitam enunciados básicos que as contradiga.

Cabe destacar aqui, que o critério de demarcação proposto pelo autor, surge pela não aceitação de alguns outros critérios, proposto por filósofos da época, como a indução, verificação como critérios de teorias científicas.

Popper admite que somente as observações possam proporcionar um conhecimento concernente aos fatos, e somente tomamos conhecimento dos fatos por meio das observações, porém, nossa consciência dos fatos não nos permite estabelecer a verdade de qualquer enunciado. Sendo necessário submete-los as provas.

Essa submissão dos enunciados a prova é antecedido pela formulação de uma teoria, e posteriormente no experimento propriamente dito; a concordância quanto à aceitação ou rejeição de enunciados básicos é alcançada geralmente na ocasião de aplicar uma teoria, a concordância em verdade é parte de uma aplicação que expõe uma teoria a prova. Chegar à concordância acerca de enunciados básicos é como outras formas de aplicação, realizar uma ação intencional, orientada por diversas considerações teóricas.

Neste caso são propostas teorias bem delimitadas ao pesquisador, e esse, através de experimento, tenta chegar à reposta decisiva para essas. Com a finalidade de responder apenas a questão proposta pela teoria, e não as que possivelmente surjam no decorrer do experimento, isso é realizado com a finalidade de afastar as possíveis fontes de erro. Assim, a teoria domina o trabalho experimental, desde o seu planejamento inicial até os toques finais no laboratório ou área experimental.

Podemos, a partir daí, dizer que uma teoria será sempre conjectural e provisória e que não se tem certeza final, nem mesmo que podemos inferir enunciados universais a partir de enunciados particulares. Linha de pensamento contrário ao dos convencionalistas que apoiam-se numa ideia de ciência, como sendo um sistema de conhecimento alicerçada em bases definitivas. Segundo Karl Popper para que um sistema seja aceito como cientifico, deve haver a possibilidade de falsificação de sua hipótese inicial, ou seja, que seja passível de refutação por experiências empíricas, na medida que não seja possível verificar sua falseabilidade, não será considerada como ciência, mas sim como metafisica.



      1. OS ENUNCIADOS BÁSICOS E SUA RELAÇÃO COM A FALSEABILIDADE

Consequentemente, é importante entender o papel que tem os enunciados básicos, também chamados enunciados singulares, dentro do critério do Popper; quando ele faz referência aos enunciados singulares, não se refere a um sistema de enunciados aceitos, mas inclui todos aqueles que sejam coerentes, dotados de certa forma lógica. Dessa forma, o que se procura de uma teoria, é que ela permita deduzir mais enunciados singulares empíricos mediante as condições inicias.

Basicamente eles são necessários para decidir se uma teoria é falseável, bem como, para corroborar as hipóteses falseadoras e, portanto, falsear as teorias. Uma teoria pode ser falseável, quando divide de forma precisa a classe de todos os possíveis enunciados básicos em duas subclasses não vazias, a primeira, são as classes dos possíveis falseadores, os quais se denominam incompatíveis com os enunciados básicos, e a segunda classe, são aqueles em que os enunciados básicos não estão em contradição.

Nessa forma, os enunciados básicos são aceitos como resultado de uma decisão. Mas, para chegar a essas decisões, devem-se seguir algumas regras, à que se refere a não aceitação de enunciados básicos esporádicos, ou seja, que não estejam em conexão lógica com outros enunciados; e se há de admitir enunciados básicos no curso da falseação de teorias; já que por regra geral, a aceitação ou rejeição de um enunciado básico, com ocasião de aplicar uma teoria, é dada pela falseação a que foi submetida.

Por conseguinte, esses enunciados devem satisfazer certas condições: não poderá deduzir enunciado básico a partir de um enunciado universal, um enunciado universal e um enunciado básico devem contradizer-se mutuamente.

Além disso, todo enunciado básico deve cumprir um requisito material, ou seja, o evento tem que ser falseável pela observação, a qual é percebida desde um sentido material e não como era defendido pelo psicologismo, ao qual Popper se opõe.

Na formulação das teorias Popper afirma que a sua proposta se afasta das regras metodológicas do “convencionalismo”, isso é possível por meio da criação de uma hipótese auxiliar, assentando como regra, que somente serão aceitáveis aquelas cuja introdução não reduza o grau de falseabilidade do sistema em causa, e deve ser analisada como uma tentativa de construir um sistema novo, correspondendo a um real avanço do conhecimento em relação ao mundo.

Dessa forma, os enunciados básicos desempenham papéis fundamentais dentro dos critérios de demarcação; a utilização do sistema de todos os enunciados básicos, logicamente possíveis, é para realizar a caracterização lógica da forma de enunciados empíricos; e estes enunciados básicos quando são aceitos, constituem o fundamento da corroboração das hipóteses.



      1. CRÍTICAS E ACORDOS COM A FALSEABILIDADE

Diante do posicionamento tão crítico de Popper aos critérios utilizados pelos indutivistas, positivistas e convencionalistas, e evidentemente sendo um defensor do seu critério de demarcação, definido como falseabilidade, o qual supõe um ponto divisório entre o que pode ser considerado ciência e não ciência. Era de se esperar que fossem levantadas algumas críticas, com relação à empregabilidade de seu método, por parte dessas outras teorias as quais ele refutava.

Para os seguidores da lógica indutiva, só se trata de recopilar e ordenar as experiências, e assim conseguir chegar até o que é ciência. Mas, por mais completa que seja essa coleção de enunciados, Popper alega que isso não constituiria uma ciência, já que esta requer problemas teóricos. Portanto o acordo de aceitação ou rejeição de enunciados básicos é fundamental para aplicar uma teoria. Tal acordo consiste em submeter á falseação essa teoria, e consequentemente dizer que uma teoria não deve essencialmente ter caráter “eterno”, ou seja, ela será sempre conjectural e provisória e que não se tem certeza final, nem mesmo que podemos inferir enunciados universais a partir de enunciados particulares.

Do mesmo modo, Popper discute a ideia epistemológica da simplicidade, já que está desempenha um papel essencial dentro das teorias da lógica indutiva, a qual ele se opõe, devido à que os seguidores desse movimento, assumem que a escolha deve ser baseada nas leis naturais de generalização com base em observações concretas; enfrentando-se problemas de decidir entre todas as opções possíveis.

De acordo com Wittgenstein, “o processo de indução consiste em levar a lei mais simples que pode concordar com a nossa experiência", no entanto, para Popper, essa teoria não fornece razões para a escolha da hierarquia particular de simplicidades de preferências a qualquer outro, ou de acreditar que essa lei de “simplicidade”, tenha uma vantagem sobre aqueles que são mais simples.

Por outra parte, os convencionalistas e os adeptos a essa linha de pensamento afirmam categoricamente que, o critério de falseabilidade não se aplicaria as chamadas “leis da natureza”. Segundo os mesmos, essas leis não são falseáveis por observações. Ainda assim, para os convencionalistas, são essas leis que auxiliam nas tomadas de decisões, então não seria possível dividir os sistemas e teorias em falseáveis e não falseáveis. Portanto, Popper afirma que esse sistema é autosuficiente e defensável, mas na sua linha de pensamento, é inaceitável as ideias do “convencionalismo” em relação à ciência.

Dentre os argumentos que podem ser utilizados pelos convencionalistas em caso de discursão teórica, e que tornam “inútil” a falseabilidade, destaca-se que, os sistemas teóricos das ciências naturais não são verificáveis, e consequentemente não são falseáveis; por essa razão Popper consegue refutar os argumentos convencionalistas propondo que é possível adotar uma atitude de dúvida no que se refere à confiabilidade do pesquisador; cujas observações podem se excluir da ciência, afirmando que as mesmas são insuficientemente alicerçadas, não cientificas, não objetivas, e, além disso, se pode até inferir, que os dados tenham sido adulterados pelo pesquisador.

Enquanto à abordagem naturalista da teoria do método científico, Popper vai contra ao pensamento por eles posto, já que eles têm a concepção de que a metodologia é uma ciência empírica, sem dúvida a metodologia tem seu valor, no entanto um estudioso pode se interessar por ela e aprender muito, mas, para Popper, tudo aquilo que denomina como “metodologia” não deve-se considerar como ciência empírica.

O fato de saber se dentro da ciência científica podem existir uma regra metodológica, depende da forma de atitude que se tomem diante da ciência, aqueles que possuem pensamentos semelhantes aos positivistas, no qual encaram a ciência empírica como um sistema de enunciado que possibilita satisfazer certo critério lógico, bem como significatividade ou verificabilidade, dariam um resposta; mas aqueles que consideram um enunciado empírico como a circunstância de estes serem sujeitos a revisão darão uma resposta muito diferente.

Em conclusão a essas diferenças, Popper salienta que jamais será posto uma refutação totalmente conclusiva de uma determinada teoria, visto que, sempre será possível afirmar que os resultados experimentais não são dignos de crédito ou que as diferenças existentes entre os resultados experimentais e a teoria são apenas aparentes e desaparecerão com o avanço das compreensões.



      1. ELEIÇÃO DE UMA TEORIA COM PREFERÊNCIA À OUTRA

A ciência pode ser definida por meio de regras metodológicas, essas regras devem proceder de forma sistemática, no qual, põe-se de início uma regra suprema, que serve de norma, para estabelecimento das demais regras. Dessa forma, essas regras se relacionam conjuntamente com outras regras metodológicas e ao critério de demarcação.

Para os convencionalistas, sempre que uma teoria ou sistema, com bases científicas, for ameaçado pelos resultados de novos experimentos, o sistema já estabelecido permanecerá inalterável. Para tal, ele usará critérios no intuito de inviabilizar, ou tornar incoerentes os resultados do novo experimento, sugerindo a adoção de certas hipóteses e correções no método de obtenção dos dados.

Destacar-se o posicionamento de Popper com relação ao uso de estratagemas, como denominado por ele os argumentos dos convencionalistas e positivistas, colocando-se contra o uso, e destacando que se forem usados essas estratagemas para validação ou defesa da falseabilidade como critério de demarcação, ele o submeteria a outras provas.

De acordo com Popper, ser o pioneiro no que diz respeito ao conceito de grau de falseabilidade, opõe-se as teorias convencionalistas no que refere à aceitação de enunciados universais reger-se pelo princípio da simplicidade, devido a que os convencionalistas promovem a eleição arbitraria da "teoria mais simples" e estes ao não ser tratada como falsificável, caso contrário como estipulações convencionais.

Para evitar o uso dessas estratagemas, Popper propõe algumas regras metodológicas como são: (a) quando verificarmos que um sistema foi salvo graças a uma estratagema convencionalista, devemos dispor-nos a submetê-lo a novas provas e rejeitá-lo, se assim as circunstâncias exigirem, e (b) o uso de hipóteses auxiliares, que somente serão aceitas aquelas cuja introdução não reduzirá grau de falseabilidade ou testabilidade do sistema em causa, mais que ao contrário o eleve.

Logicamente, a escolha de uma teoria não ocorre com a justificação experimental dos enunciados que compõem uma teoria, ou seja, não se deve à lógica da teoria da experiência. Segundo a lógica Popperiana, uma teoria se mantem melhor em competência a outra, quando tem resistido não só as falsealidades, mais exigentes, e seja falseada de forma mais rigorosa.

Do ponto de vista de Popper, as teorias de menor dimensão são mais facilmente falsificável do que aqueles de maior dimensão, uma vez que o grau de universalidade e precisão de uma teoria aumenta com seu grau de falseabilidade.

Assim, o planejado como graus de contrastabilidade pode ser deslocado ao problema de simplicidade, especificamente ao relacionado com o grau de universalidade de uma teoria. Onde um enunciado pode substituir a outros menos universais do que ele, e por essa razão, são classificados como “mais simples”.

Em quanto as teorias que envolvem o psicologismo, sabendo-se que eles tem como princípio fundamental a observação, Popper admite que somente mediante elas são possíveis proporcionar um conhecimento concernentes aos fatos, porém, a consciência dos fatos não permite estabelecer a verdade de qualquer enunciado, sendo necessário submete-los as provas.

Mas também, tem-se de forma perceptível que toda prova de uma teoria resulte em sua corroboração ou falseamento. No caso de não chegar a nenhuma decisão ou não decidir por este ou aquele enunciado básico, a prova terá conduzido a nada, e mesmo que no final se alcance decidir por um ou outro enunciado, ainda assim, será possível submetê-lo a prova por alguma outra teoria ou chegar à conclusão de que os enunciados em pauta não eram susceptíveis de prova, ou até mesmo que o evento manipulado não era observável.

Segundo Popper, as teorias não são verificáveis, mas podem ser “corroboradas”. Ao invés de discutir a “probabilidade” de uma hipótese, a principal tarefa é verificar que testes, e críticas conseguiram superar essa hipótese; portanto, resta tentar analisar até que ponto a hipótese mostrou-se capaz de manter intacta, resistindo aos testes a que foi submetida.

Em conclusão, Popper pretende ajudar partindo da sua própria teoria, como o problema na definição de simplicidade de uma teoria, que ao final é um ponto importante dentro da escolha da mesma, ele explica o porquê é tão desejável a simplicidade, e basicamente fundamenta-se em que “valorar mais os enunciados simples que os menos simples porque eles dizem mais, porque seu conteúdo empírico é maior e porque são mais testáveis”.

Portanto, a aceitação de uma teoria em detrimento de outra, vai ser dada sempre e quando a mesma seja mantida de forma mais confiável no confronto com as demais; em outras palavras, aquela que demostra-se ser mais capaz de sobreviver às provas.



  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Devido ao seu modo de pensar, Popper provocou uma importante revolução científica na construção do conhecimento. A Lógica da Pesquisa Científica, como intitulada sua obra, Karl Popper coloca em discussão epistemológica alguns aspectos, até então considerado intocáveis pelos cientistas de sua época, o critério de demarcação entre o que era considerado ciência e não ciência, destruindo aquele que talvez fosse de todos os princípios filosóficos, o mais utilizado pelos cientistas e boa parte dos filósofos de seu tempo: o princípio da indução como método de procedimento científico.

O principal critério defendido por Popper como critério de demarcação entre o que se caracteriza como cientifico e não cientifico foi o critério de falseabilidade. Contrariando o método da verificabilidade utilizado pelos positivistas na definição de ciência.

Para Popper os problemas de indução e de demarcação são os mais importantes em busca da lógica científica, e apresentam relação estritamente próximas um ao outro, sendo o problema de demarcação mais importante em sua visão, e a partir destes originam-se todos os outros, que são: o problema da base empírica e o problema da teoria do método científico.

A obra em discussão apresenta linguagem muito cientifica e filosófica, dificultando em muito sua compreensão por quem se aventura no tema, sendo estritamente direcionada a quem já tenha algum contato com a temática.

  1. REFERÊNCIAS

LIMA, A. P. S. história é ciência? Considerações sobre a lógica da pesquisa científica. C&D-Revista Eletrônica da Fainor, Vitória da Conquista, v.7, n.1, p.108-115, jan./jun. 2014. Disponível em: <http://srv02.fainor.com.br/revista/index.php/memorias/article/viewFile/276/174>. Acesso em: 10 maio 2015.


ROMANINI, M. Realismo e pluralismo: a filosofia da ciência de Karl R. Popper. Santa Maria, RS, Brasil. 2012. 119 p. Dissertação (Mestrado em Filosofia Continental e Analítica)–Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2012. Disponível em: <http://w3.ufsm.br/ppgf/wp-content/uploads/2011/10/Dissertacao-Mateus- Romanini2.pdf>. Aceso em: 10 maio 2015.
POPPER, K. R. A Lógica da pesquisa cientifica. Tradução de Leonidas Hegenberg e Ocatnny Silveira da Mota. São Paulo: Editora Cultrix, 1975. 567 p.


1 Intersubjetivamente está relacionado com o conceito que obriga a considerar a tarefa ao cientifico como um produto social, inseparável da cultura humana.



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