André luiz e manoel philomeno de miranda



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CENTRO ESPÍRITA NOSSO LAR
GRUPO DE ESTUDO DAS OBRAS DE

ANDRÉ LUIZ E MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA



11º LIVRO - NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE
ANDRÉ LUIZ - 1954 - 8 reuniões.
1a. REUNIÃO
(Fonte: Prefácio e capítulos 1 a 4.)
1. O futuro pertence ao Espírito - Emmanuel, em seu prefácio, alude ao vertiginoso avanço que a Ciência alcançou a partir do século XIX, aba­lando velhas afirmações científicas e convertendo a Terra, desde o úl­timo quartel do referido século, "num reino de ondas e raios, corren­tes e vibrações". A eletricidade e o magnetismo, o movimento e a atra­ção palpitam em tudo. O veículo carnal agora não é mais que um turbi­lhão eletrônico, regido pela consciência. Cada corpo tangível é um feixe de energia concentrada. A matéria transforma-se em energia, e esta desa­parece para dar lugar à matéria. Químicos e físicos, geôme­tras e mate­máticos, erguidos à condição de investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, "sacerdotes do Espírito", porque, como con­seqüência de seus estudos, o materialismo e o ateísmo são compelidos a desapa­recer, por falta de matéria. "O futuro pertence ao Espírito!", asse­vera Emmanuel, enfático, lembrando que quanto mais avança na as­censão evolutiva "mais seguramente percebe o homem a inexistência da morte como cessação da vida" e compreende "que o túmulo é porta à re­novação, como o berço é acesso à experiência" e "o seu estágio no Planeta é uma viagem com destino às estações do Progresso Maior". Nessa grande romagem, lembra o mentor de Chico Xavier, "somos instru­mentos das for­ças com as quais estamos em sintonia". "Todos somos mé­diuns dentro do campo mental que nos é próprio, associando-nos às energias edifican­tes, se o nosso pensamento flui na direção da vida superior, ou às forças perturbadoras e deprimentes, se ainda nos es­cravizamos às som­bras da vida primitivista ou torturada." Com os sen­timentos que nos caracterizam a vida íntima, emitimos raios específi­cos e vivemos na onda espiritual com que nos identificamos. Neste livro, cujo estudo ora se inicia, Emmanuel destaca "a necessidade do Cristo no coração e na consciência, para que não estejamos desorienta­dos ao toque dos fenôme­nos". E adverte: "Sem noção de responsabili­dade, sem devoção à prática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a pe­regrinação libertadora para os Cimos da Vida". (Prefácio, págs. 9 a 12)
2. O Assistente Aulus - André relata neste livro suas experiências ob­tidas num curso rápido de ciências mediúnicas, orientado pelo Assis­tente Aulus, que, a pedido de Clarêncio, o acolhera em seus estudos, com afabilidade e doçura. De feição nobre e simpática, o instrutor era, dentre as relações do Ministro, um dos companheiros mais compe­tentes no assunto. Era um privilégio para André e Hilário ouvi-lo dis­correr sobre o tema que os levara ali. Aliavam-se nele substanciosa riqueza cultural e o mais entranhado patrimônio de amor, causando sa­tisfação vê-lo reportar-se às necessidades humanas, com o carinho do médico benevolente e sábio que desce à condição de enfer­meiro para a alegria de ajudar e salvar. Ele interessava-se pelas ex­perimentações mediúnicas desde 1779, quando conhecera Mesmer, em Pa­ris. Havendo re­encarnado no início do século passado, apreciara de perto as reali­zações de Allan Kardec, na codificação do Espiritismo, e privara com Cahagnet e Balzac, Théophile Gautier e Victor Hugo, aca­bando seus dias na França, depois de vários decênios consagrados à me­diunidade e ao magnetismo, nos moldes científicos da Europa. No mundo espiritual prosseguiu no mesmo rumo, observando e trabalhando em seu apostolado educativo. Dedicando-se agora à obra de espiritualização no Brasil, e isto há mais de trinta anos, comentava, com otimismo, as es­peranças do seu novo campo de ação. (Cap. 1, págs. 13 )

3. A base dos fenômenos mediúnicos - Em vasto recinto do Ministério das Comunicações, André e Hilário foram apresentados ao Instrutor Al­bério, que falaria sobre mediunidade a um grupo de aprendizes encarna­dos e desencarnados. Albério assomou à tribuna, sem cerimônia, qual se fosse simples irmão, conversando em tom fraternal. "Meus amigos -- fa­lou com segurança --, dando continuidade aos nossos estudos anterio­res, precisamos considerar que a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos." O Instrutor informou então que não ignoramos que o Universo é a exteriorização do Pensamento Divino, de cuja essên­cia todos partilhamos, dentro do limite de nossa evolução espiritual. "Da superestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica -- prosse­guiu o mentor -- tudo está mergulhado na substância viva da Mente de Deus, como os peixes e as plantas da água estão contidos no oceano imenso." Aludiu, na seqüência, à nossa condição de filhos do Altís­simo, que dele herdamos a faculdade de criar e desenvolver, nutrir e transformar. Apesar da insignificância de nossa posição, comparada à glória dos Espíritos alçados à angelitude, "podemos arrojar de nós a energia atuante do próprio pensamento -- asseverou Albério --, estabe­lecendo, em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que nos é particular". O palestrante informou, ainda, que cada mundo pos­sui o campo de tensão eletromagnética que lhe é próprio, no teor de força gravítica em que se equilibra, e cada alma se envolve no círculo de forças vivas que lhe transpiram do hálito mental, na esfera de criaturas a que se imana. Da mesma forma que cada planeta revoluciona na órbita que lhe é assinalada pelas leis do equilíbrio, cada cons­ciência evolve no grupo espiritual a cuja movimentação se subordina. "Somos, pois -- ajuntou Albério --, vastíssimo conjunto de Inteligên­cias, sintonizadas no mesmo padrão vibratório de percepção, integrando um Todo, constituído de alguns bilhões de seres, que formam por assim dizer a Humanidade Terrestre." (Cap. 1, págs. 15 e 16)


4. Vibrações compensadas - Em sua palestra, o Instrutor Albério afir­mou que, dependendo dos nossos semelhantes, em nossa trajetória para a vanguarda evolutiva, à maneira dos mundos que se deslocam no Espaço, "agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos". "Nossa mente é, dessarte, um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma sutil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios", complementou o instrutor. Todos os seres vivos respiram na onda de psiquismo dinâmico que lhes é pecu­liar, dentro das dimensões que lhes são características ou na freqüên­cia que lhes é própria. "Esse psiquismo independe dos centros nervo­sos, de vez que, fluindo da mente, é ele que condiciona todos os fenô­menos da vida orgânica em si mesma." Examinando, assim, os valores anímicos como faculdades de comunicação entre os Espíritos, não pode­mos perder de vista o mundo mental do agente e do recipiente, porque, em qualquer posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita às possibilidades e à coloração dos pensamentos em que vive, e a inte­ligência emissora jaz submetida aos limites e às interpretações dos pensamentos que é capaz de produzir. Albério exemplificou essa asser­tiva com um suposto diálogo entre um hotentote desencarnado e um sábio terrestre. Neste caso, o desencarnado nada poderá oferecer ao sábio além dos assuntos triviais em que se lhe desdobraram no mundo as expe­riências primitivistas. Se o desencarnado for o sábio a comunicar-se com o hotentote encarnado, não conseguirá ele facultar-lhe cooperação imediata, salvo no trabalho embrionário em que se lhe situam os inte­resses mentais, como por exemplo o auxílio a um rebanho ou a cura dos males do corpo denso. Claro que, por isso, o hotentote não se sentiria feliz na companhia do sábio e o sábio não se demoraria com o hoten­tote, por falta desse alimento quase imponderável a que podemos chamar "vibrações compensadas". E' da Lei, elucidou Albério, que nossas maio­res alegrias sejam recolhidas ao contato daqueles que, em nos compre­endendo, permutam conosco valores mentais de qualidades idênticas aos nossos, assim como as árvores oferecem maior produtividade se coloca­das entre árvores da mesma espécie, com as quais trocam seus princí­pios germinativos. (Cap. 1, págs. 16 a 18)
5. O problema da sintonia - O Instrutor asseverou, então, que não po­demos em mediunidade olvidar o problema da sintonia, ajuntando: "Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar con­forme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá". Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam seus característicos, é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe os tesouros morais e cultu­rais, os únicos que nos possibilitam fixar a luz que jorra para nós, das Esferas mais altas, através dos gênios da sabedoria e do amor que supervisionam nossas experiências. Estão, pois, certos aqueles que compararam nosso mundo mental a um espelho. Refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos outros as imagens que cria­mos. Como não podemos fugir ao imperativo da atração, somente retrata­remos a claridade e a beleza, se instalarmos a beleza e a claridade no espelho de nossa vida íntima. Os reflexos mentais, conforme a sua na­tureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para a frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edi­ficou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, in­dependentemente do corpo físico. Vemos a mediunidade em todos os tem­pos e em todos os lugares. Missões santificantes e guerras destruido­ras, tarefas nobres e obsessões pérfidas guardam ori­gem nos reflexos da mente individual ou coletiva, combinados com as forças sublimadas ou degradantes dos pensamentos de que se nutrem. Cabe-nos, pois, saber cultivar a educação, aprimorando-nos cada dia. Médiuns somos todos nós, nas linhas de atividade em que nos situamos; a força psíquica é peculiar a todos os seres, mas não existe aperfei­çoamento mediúnico sem acrisolamento da individualidade. E' perigoso possuir sem saber usar; o espelho sepultado na lama não reflete o es­plendor do Sol; o lago agitado não retrata a imagem da estrela. E' im­prescindível saber que tipo de onda mental assimilamos, para conhecer da qualidade de nosso trabalho. Após desfilar tantos conceitos de pro­fundidade, Albé­rio propôs: "Elevemos nosso padrão de conhecimento pelo estudo bem conduzido e apuremos a qualidade de nossa emoção pelo exer­cício cons­tante das virtudes superiores, se nos propomos recolher a mensagem das Grandes Almas". "Mediunidade não basta só por si." (Cap. 1, págs. 18 a 20)
6. O psicoscópio - Na noite seguinte, Aulus informou a André o pro­grama por ele traçado. Suas observações seriam centralizadas em um pe­queno grupo formado por dez companheiros encarnados, com quatro mé­diuns detentores de faculdades já desenvolvidas e lastro moral res­peitável. Feitos os entendimentos iniciais, o Assistente muniu-se de pequena pasta e informou, paciente: "Temos aqui o nosso psicoscópio, de modo a facilitar-nos exames e estudos, sem o impositivo de acurada concentração mental". André tomou em suas mãos o enigmático volume, notando que na Terra o minúsculo objeto não pesaria senão alguns gra­mas. Hilário, curioso como André, indagou que engenho era aquele. O Assistente explicou: "E' um aparelho a que intuitivamente se referiu ilustre estudioso da fenomenologia espirítica, em fins do século pas­sado. Destina-se à auscultação da alma, com o poder de definir-lhe as vibrações e com capacidade para efetuar diversas observações em torno da matéria". E acrescentou: "Funciona à base de eletricidade e magne­tismo, utilizando-se de elementos radiantes, análogos na essência aos raios gama. E' constituído por óculos de estudo, com recursos disponí­veis para a microfotografia". (N.R.: Raios gama, em Física, diz-se da radiação eletromagnética, de pequeno comprimento de onda, emitida num processo de transição nuclear ou de aniquilação de partículas.) (Cap. 2, págs. 21 a 23)
7. A moralidade e o caráter são perceptíveis - Aulus explicou então, enquanto se dirigiam à Crosta, ser possível classificar sem dificul­dade as perspectivas desse ou daquele agrupamento de serviços psíqui­cos que aparecem no mundo. "Analisando a psicoscopia de uma personali­dade ou de uma equipe de trabalhadores, é possível -- informou o As­sistente -- anotar-lhes as possibilidades e categorizar-lhes a situa­ção." "Segundo as radiações que projetam, planejamos a obra que podem realizar no tempo." Esse exame pode ser aplicado a encarnados e desen­carnados. "Se o espectroscópio permite ao homem perquirir a natureza dos elementos químicos, localizados a enormes distâncias, através da onda luminosa que arrojam de si, com muito mais facilidade identifica­remos os valores da individualidade humana pelos raios que emite", in­formou Aulus, acrescentando: "A moralidade, o sentimento, a educação e o caráter são claramente perceptíveis, através de ligeira inspeção". Hilário perguntou então se, detectando a presença de elementos arrai­gados ao mal, numa equipe de cooperadores do bem, os instrutores espi­rituais providenciariam a sua expulsão. "Não será preciso", respondeu o Assistente. "Se a maioria permanece empenhada na extensão do bem, a minoria encarcerada no mal distancia-se do conjunto, pouco a pouco, por ausência de afinidade." E se o programa da instituição é que se degenera em desequilíbrio, que fazer? A essa pergunta de Hilário, Aulus respondeu que nesse caso "dispensamos qualquer regime de persegui­ção ou denúncia". "Encarrega-se a vida de colocar-nos no lugar que nos compete. Os Anjos ou Ministros da Eterna Sabedoria entregam-nos, com segurança, às forjas renovadoras do tempo e da provação." Da mesma forma que um grama de rádio perde a metade do seu peso em dezesseis séculos e que um ciclotron, trabalhando com projetis atômicos acelera­dos a milhões de elétrons-volts, realiza a transmutação dos elementos químicos, de imediato, a "evolução vagarosa nos milênios ou o choque brusco do sofrimento alteram-nos o panorama mental, aprimorando-lhe os valores". (N.R.: Ciclotron, inventado por volta de 1931 por E. O. Law­rence, é um acelerador de partículas elementares eletrizadas, que utiliza um campo magnético, no qual as partículas descrevem órbitas quase circulares.) Como André ensaiasse novas perguntas, o Assistente ponderou: "Toda conversação nobre é instrutiva, no entanto, por agora, guardemos o espírito no trabalho a fazer. O êxito não exonera a inten­ção. Se cairmos numa digressão acerca da química, o horário não nos desculpará". (Cap. 2, págs. 23 e 24)
8. Uma visão surpreendente - Na casa espírita-cristã, o grupo penetrou acanhado aposento, onde se congregava reduzida assembléia, em silen­ciosa concentração mental. "Nossos companheiros -- elucidou o Assis­tente -- fazem o serviço de harmonização preparatória. Quinze minutos de prece, quando não sejam de palestra ou leitura com elevadas bases morais. Sabem que não devem abordar o mundo espiritual sem a atitude nobre e digna que lhes outorgará a possibilidade de atrair companhias edificantes e, por esse motivo, não comparecem aqui sem trazer ao campo que lhes é invisível as sementes do melhor que possuem." Entida­des espirituais ali se demoravam em oração, compelindo-os a entranhado recolhimento. Aulus armou o psicoscópio e, depois de ligeira análise, recomendou-lhes a observação. As peculiaridades do aparelho surpreen­deram André Luiz. Sem necessidade de esforço mental, ele notou que to­das as expressões da matéria física assumiam diferente aspecto, desta­cando-se a matéria do plano espiritual. Teto, paredes e objetos de uso corriqueiro revelavam-se formados de correntes de força, a emitirem baça claridade. Os companheiros encarnados apareciam mais estreita­mente associados entre si, pelos vastos círculos radiantes que lhes nimbavam as cabeças de opalino esplendor. (N.R.: Opalino é o que tem cor leitosa e azulada, como a da opala.) Em torno do apagado bloco de massa semi-obscura, a que se reduzira a mesa, André teve a impressão de fixar uma coroa de luz solar, formada por dez pontos característi­cos, salientando-se no centro de cada um deles o semblante espiritual dos amigos em oração. Desse colar de focos dourados alongava-se ex­tensa faixa de luz violeta, que parecia contida numa outra faixa de luz alaranjada, a espraiar-se em tonalidades diversas que, de momento, ele não pôde identificar, de vez que sua atenção estava presa ao cír­culo dos rostos fulgurantes, visivelmente unidos entre si, à maneira de dez pequeninos sóis, imanados uns aos outros. André reparou que so­bre cada um deles se ostentava uma auréola de raios quase verticais, fulgentes e móveis, quais diminutas antenas de ouro fumegantes. (Cap. 2, págs. 25 e 26)
9. Raios vitais - Sobre aquelas coroas que se particularizavam, de companheiro a companheiro, caíam do Alto abundantes jorros de lumino­sidade estelar que, tocando as cabeças ali irmanadas, pareciam suaves correntes de força a se transformarem em pétalas microscópicas, que se acendiam e apagavam, em miríades de formas delicadas e caprichosas, gravitando, por momentos, ao redor dos cérebros em que se produziam, como satélites de vida breve, em torno das fontes vitais que lhes da­vam origem. Os mentores espirituais presentes ali permaneciam, irra­diando cada qual a luz que lhe era própria. Admirado com a afinidade daquela equipe, André perguntou se tais companheiros eram grandes ini­ciados na revelação divina. Aulus disse que não, porque nos achamos ainda muito longe de semelhantes apóstolos. "Vemo-nos aqui -- informou o Assistente -- na companhia de quatro irmãs e seis irmãos de boa-von­tade. Naturalmente, são pessoas comuns. Comem, bebem, vestem-se e apresentam-se na Terra sob o aspecto vulgar de outras criaturas do ra­merrão carnal; no entanto, trazem a mente voltada para os ideais supe­riores da fé ativa, a expressar-se em amor pelos semelhantes." "Procuram disciplinar-se, exercitam a renúncia, cultivam a bondade constante e, por intermédio do esforço próprio no bem e no estudo no­bremente conduzido, adquiriram elevado teor de radiação mental." Hilá­rio, deslumbrado com as observações feitas, observou: "Mas, e a luz? a matéria que conhecemos no mundo transfigurou-se. Tudo aqui se conver­teu em claridade nova! o espetáculo é magnífico!..." O Assis­tente re­plicou, bondoso: "Nada de estranheza, não sabe você que um ho­mem en­carnado é um gerador de força eletromagnética, com uma oscilação por segundo, registrada pelo coração? Ignora, porventura, que todas as substâncias vivas da Terra emitem energias, enquadradas nos domínios das radiações ultravioletas?" E elucidou: "Em nos reportando aos nos­sos companheiros, possuímos neles almas regularmente evolutivas, em apreciáveis condições vibratórias pela sincera devoção ao bem, com es­quecimento dos seus próprios desejos. Podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superiores e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns". "Raios vi­tais?", indagou Hilário, surpreso. "Sim -- respondeu-lhe o Assistente --, para maior limpidez da definição, chamemo-lhes raios ectoplásmi­cos, unindo nossos apontamentos à nomenclatura dos espiritistas moder­nos. Esses raios são peculiares a todos os seres vivos. E' com eles que a lagarta realiza suas complicadas demonstrações de metamorfose e é ainda na base deles que se efetuam todos os processos de materiali­zação mediúnica, porquanto os sensitivos encarnados que os favorecem libertam essas energias com mais facilidade." "Todas as criaturas, po­rém, guardam-nas consigo, emitindo-as em freqüência que varia em cada uma, de conformidade com as tarefas que o Plano da Vida lhes assi­nala." (Cap. 2, págs. 26 a 28)
10. A equipe mediúnica - Na seqüência, Aulus apresentou a André e Hi­lário a equipe de trabalhadores encarnados. O dirigente Raul Silva, correto no desempenho dos seus deveres e ardoroso na fé, conseguia equilibrar o grupo na onda de compreensão e boa-vontade que lhe era característica. Pelo amor com que se desincumbia da tarefa, tornou-se instrumento fiel dos benfeitores desencarnados. Eugênia, médium de grande docilidade, prometia brilhante futuro na expansão do bem. In­tuição clara, aliada à distinção moral, tinha a vantagem de conservar-se consciente nos serviços de intercâmbio, o que beneficiava a ação dos protetores. Antônio Castro, moço bem-intencionado, sonâmbulo, era dotado de uma passividade que requeria dos Espíritos grande vigilân­cia, de vez que, por vezes, comportava-se, em desdobramento, à maneira de uma criança, deixando o corpo à mercê dos comunicantes, quando lhe competia o dever de ajudar os protetores na contenção deles, para que a atividade não lhe trouxesse prejuízos à organização física. Celina, viúva há quase vinte anos, era devotada companheira do ministério es­piritual e já conquistara significativas vitórias em suas batalhas mo­rais. (Cap. 3, págs. 29 e 30)
11. Uma médium exemplar - Celina suportara heroicamente o assédio de compactas legiões de ignorância e miséria que lhe rodeavam o esposo, com quem se consorciara em tarefa de sacrifício. Ela não era simples instrumento de fenômenos psíquicos, mas abnegada servidora na constru­ção de valores do espírito. Clarividência, clariaudiência, incorpora­ção sonambúlica e desdobramento da personalidade são estados em que ela ingressava na mesma espontaneidade com que respirava, guardando noção de suas responsabilidades e representando, por isso, valiosa co­laboradora. Diligente e humilde, encontrou na plantação do amor fra­terno a sua maior alegria e, repartindo o tempo entre as obrigações e os estudos edificantes, transformou-se num acumulador espiritual de energias benéficas, assimilando elevadas correntes mentais, com o que se fez menos acessível às forças da sombra. Realmente, ao lado de Ce­lina, André fruía deliciosa sensação de paz e reconforto. Se ela fosse examinada com o psicoscópio, ele assinalaria as suas emanações fluídi­cas de bondade e compreensão, fé e bom ânimo. "Os princípios mentais -- acentuou Aulus -- são mensuráveis e merecerão no porvir excepcionais atenções, entre os homens, qual acontece na atualidade com os fotô­nios, estudados pelos cientistas que se empenham em decifrar a consti­tuição específica da luz." (N.R.: Fóton é a porção ou quantum de ener­gia de uma radiação eletromagnética -- luz visível, ultravioleta, ra­diação X etc. -- que se propaga no vácuo a 300.000 km/seg.) Depois de ligeiro intervalo, o Assistente aduziu: "Uma ficha psicoscópica, so­bretudo, determina a natureza de nossos pensamentos e, através de se­melhante auscultação, é fácil ajui­zar dos nossos méritos ou das nossas necessidades". Ato contínuo, ele convocou André e Hilário a detido exame junto ao campo encefálico de Celina. Centralizando a atenção, através de pequenina lente que Aulus lhes estendeu, o cérebro da mé­dium pareceu-lhes poderosa estação ra­diofônica, reunindo milhares de antenas e condutos, resistências e li­gações de tamanho microscópico, à disposição das células especializa­das em serviços diversos, a funcio­narem como detetores e estimulan­tes, transformadores e ampliadores da sensação e da idéia, cujas vi­brações fulguravam aí dentro como raios incessantes, iluminando um firmamento minúsculo. (Cap. 3, págs. 31 a 33)
12. O cérebro humano - Naquele precioso labirinto, a epífise brilhava como pequenino sol azul, e André reparou, admirado, os feixes de asso­ciação entre as células corticais, vibrando com a passagem do fluxo magnético do pensamento. "Recordemos -- lembrou Aulus -- que o deli­cado aparelho encefálico reúne milhões de células, que desempenham funções particulares, quais sejam as dos trabalhadores em fila hierár­quica, na harmoniosa estrutura de um Estado". O Assistente explicou então que a alma encarnada possui no cérebro físico os centros espe­ciais que governam a cabeça, o rosto, os olhos, os ouvidos e os mem­bros, em conjunto com os centros da fala, da linguagem, da visão, da audição, da memória, da escrita, do paladar, da deglutição, do tato, do olfato, do registro de calor e frio, da dor, do equilíbrio muscu­lar, da comunhão com os valores internos da mente, da ligação com o mundo exterior, da imaginação, do gosto estético, dos variados estímu­los artísticos e tantos outros quantas sejam as aquisições de expe­riência entesouradas pelo ser, que conquista a própria individuali­dade, passo a passo e esforço a esforço, enaltecendo-a pelo trabalho constante para a sublimação integral. "Considero, assim, de extrema importância a apreciação dos centros cerebrais, que representam bases de operação do pensamento e da vontade, que influem de modo compreen­sível em todos os fenômenos mediúnicos, desde a intuição pura à mate­rialização objetiva", asseverou Aulus. "Esses recursos, que merecem a defesa e o auxílio das entidades sábias e benevolentes, em suas tare­fas de amor e sacrifício junto dos homens, quando os medianeiros se sustentam no ideal superior da bondade e do serviço ao próximo, em muitas ocasiões podem ser ocupados por entidades inferiores ou anima­lizadas, em lastimáveis processos de obsessão", arrematou o instrutor. (Cap. 3, págs. 33 e 34)
13. Somos vasta legião de combatentes - Ante essa observação, Hilário indagou se seria possível a invasão de um campo cerebral tão iluminado quanto o de Celina, por parte de inteligências menos evolvidas. O As­sistente lembrou que Celina se encontrava encarnada numa prova de longo curso e que, como aprendiz, estava longe de concluir a lição. "Numa viagem de cem léguas -- observou Aulus -- podem ocorrer muitas surpresas no derradeiro quilômetro do caminho." Em seguida, colocando a destra sobre a fronte da médium, prosseguiu: "Nossa irmã vem atra­vessando os seus testemunhos de boa-vontade, fé viva, caridade e pa­ciência. Tanto quanto nós, ainda não possui plena quitação com o pas­sado. Somos vasta legião de combatentes em vias de vencer os inimigos que nos povoam a fortaleza íntima ou o mundo de nós mesmos, inimigos simbolizados em nossos velhos hábitos de convívio com a natureza infe­rior, a nos colocarem em sintonia com os habitantes das sombras, evi­dentemente perigosos ao nosso equilíbrio". "Se nossa amiga Celina, quanto qualquer de nós -- elucidou Aulus --, abandonar a disciplina a que somos constrangidos para manter a boa forma na recepção da luz, rendendo-se às sugestões da vaidade ou do desânimo, que costumamos fantasiar como sendo direitos adquiridos ou injustificável desencanto, decerto sofrerá o assédio de elementos destrutivos que lhe perturbarão a nobre experiência atual de subida." E advertiu: "Muitos médiuns se arrojam a prejuízos dessa ordem. Depois de ensaios promissores e co­meço brilhante, acreditam-se donos de recursos espirituais que lhes não pertencem ou temem as aflições prolongadas da marcha e recolhem-se à inutilidade, descendo de nível moral ou conchegando-se a improdutivo repouso, porquanto retomam inevitavelmente a cultura dos impulsos pri­mitivos que o trabalho incessante no bem os induziria a olvidar". A razão disso é simples: não chegamos ainda à vitória suprema sobre nós mesmos. Como um solo, que precisa ser arado e cultivado, estamos per­manentemente ameaçados pela erva daninha, que mais se alastra e se afirma quanto melhor é a terra em abandono. Nossas realizações de agora são pequenas réstias de luz sobre as sombras do nosso passado. E' preciso, pois, muita cautela com as sementeiras do bem para que a ventania do mal não as arrase. (Cap. 3, págs. 34 a 36)
14. O valor da palavra - No recinto da sessão, um colaborador desen­carnado franqueou acesso a numerosas entidades sofredoras, que se pos­taram, diante da assembléia, formando legião. Nenhuma delas aparecia ali, constrangidamente. Vinham bulhentas, proferindo frases desconexas ou exclamações menos edificantes, mas, logo que atingidas pelas ema­nações espirituais do grupo, emudeciam, qual se fossem contidas por forças que elas próprias não conseguiam perceber. O Assistente expli­cou tratar-se de almas em turvação mental, que acompanhavam parentes, amigos ou desafetos às reuniões públicas da Casa, e que deles se des­ligavam quando os encarnados se deixavam renovar pelas idéias salvado­ras, expressas na palavra dos que veiculam o ensinamento doutrinário. Modificado o centro mental daqueles que habitualmente vampirizam, tais entidades vêem-se como que despejadas de casa. Algumas, rebeladas, fo­gem dos templos de oração, detestando-lhes temporariamente os serviços e armando novas perseguições às suas vítimas; contudo, outras, tocadas de algum modo pelas lições ouvidas, demoram-se no local das predi­cações, em ansiosa expectativa, famintas de maior esclarecimento. Sur­preso, Hilário perguntou o que ocorre quando os encarnados não prestam atenção aos ensinamentos ouvidos. Aulus esclareceu que tais criaturas, impermeáveis ao bom aviso, continuam inacessíveis à mudança necessá­ria. Assemelham-se a urnas cerradas. Ele explicou ainda que o mesmo fenômeno se repete em outros templos de diferentes denominações reli­giosas: "A palavra desempenha significativo papel nas construções do espírito. Sermões e conferências de sacerdotes e doutrinadores, em va­riados setores da fé, sempre que inspirados no Infinito Bem, guardam o objetivo da elevação moral". (Cap. 4, págs. 37 a 39)
15. Perispíritos enfermos - O Assistente observou, em seguida, que, se não é fácil o homem cultivar a vida digna, é muito difícil habilitar-se à morte libertadora, pois, comumente, a alma desencarna sem que se lhe desgarrem os pensamentos enovelados em situações, pessoas e pro­blemas. Daí o valor do culto religioso respeitável, formando ambiente propício à ascensão espiritual, com indiscutíveis vantagens, não só para os encarnados, mas também para os desencarnados que buscam a pró­pria transformação. "Todos os santuários -- asseverou Aulus --, em seus atos públicos, estão repletos de almas necessitadas que a eles comparecem, sem o veículo denso, sequiosas de reconforto. Os exposito­res da boa palavra podem ser comparados a técnicos eletricistas, des­ligando tomadas mentais, através dos princípios libertadores que dis­tribuem na esfera do pensamento." E' por isso que as entidades vampi­rizantes envolvem-lhes os ouvintes em fluidos entorpecentes, condu­zindo-os ao sono provocado, para que se lhes adie a renovação. Obser­vando os irmãos retardados que se abeiravam da mesa num quase semicír­culo, André notou que eles pareciam envolvidos em grande nuvem ova­lada, qual nevoeiro cinza-escuro, espesso e móvel, agitado por estra­nhas formações. Alguns enfermos pareciam estar na carne, tais os mem­bros lesados, as mutilações, paralisias e úlceras diversas, perceptí­veis a rápido olhar. Eles traziam consigo o estigma dos erros delibe­rados a que se entregaram. A doença, como resultante do desequilíbrio moral, sobrevivia no perispírito, alimentada pelos pensamentos que a geraram, quando tais pensamentos ainda persistem depois da morte fí­sica. Nas reuniões de intercâmbio mediúnico, assimilando idéias novas, melhoram a visão interior e estruturam, assim, novos destinos, porque a renovação mental é a renovação da vida. Uma dessas entidades, inter­pelada por Hilário, dizia haver esquecido o próprio nome. Era um caso de amnésia a estudar -- informou um cooperador do grupo --, fruto de algum desequilíbrio trazido da Terra ou de sugestão pós-hipnótica, partida de al­gum perseguidor de grande poder sobre seus recursos mne­mônicos. (Cap. 4, págs. 39 a 41)
16. Possuímos o que buscamos - Hilário surpreendeu-se com a informa­ção, es­quecido de que a morte é continuação da vida, e na vida, que é eterna, possuímos o que buscamos. Se aquele amigo desmemoriado se co­municasse através de um médium, continuaria ignorando a própria iden­tidade e precisaria, por isso, de tratamento carinhoso, como qualquer alienado mental comum. André observou depois um homem esguio e triste, exibindo o braço direito paralítico e ressecado. Tocando-lhe a fronte, de leve, registrou-lhe a angústia. Fora ele musculoso estivador no cais, alcoólatra inveterado que, certa feita, de volta a casa, esbofe­teou o próprio pai, porque este lhe censurara o procedimento. Incapaz de re­vidar, o ancião, cuspinhando sangue, praguejou, sem piedade: "Infame! o teu braço cruel será transformado em galho seco... Maldito sejas!" Ouvindo essas palavras que se fizeram seguidas por terrível jacto de força hipnotizante, o mísero tornou à via pública, sugestio­nado pela maldição recebida, e voltou a beber para esquecer. Mais tarde, foi vi­timado num desastre de bonde, no qual veio a perder o braço. Sobrevi­veu ainda por alguns anos, coagulando no próprio pensa­mento a idéia de que a expressão paternal tivera a força de uma ordem vingativa a se lhe implantar no fundo d'alma, e, por isso, ao desen­carnar, recuperara o membro antes mutilado a pender-lhe, porém, resse­cado e inerte, no corpo pe­rispiritual. O Assistente Aulus, aproxi­mando-se, comentou: "E' um caso de reajuste difícil, reclamando tempo e tolerância. Nosso amigo traz a mente subjugada pelo remorso com que ambientou nele mesmo a maldição recebida. Exige muito carinho para re­fazer-se". E explicou que, se aquele enfermo se utilizasse de um mé­dium, para o intercâmbio espiritual, refletiria no instrumento passivo as impressões que o pos­suíam, "nos processos de imanização em que se baseiam os serviços de intercâmbio". (Cap. 4, págs. 42 a 43)
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