Análise de relatos dos militantes da vpr



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Análise de relatos dos militantes da VPR
Débora Canguçu Rey (PIBIC/CNPq/Unioeste), Carla Luciana S Silva (Orientador), e-mail: carlalusi@gmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras/Marechal Cândido Rondon, PR
Grande área e área: Ciências Humanas - História
Palavras-chave: VPR, Militância, Organização Clandestina.
Resumo
Essa pesquisa teve como objetivo dar continuidade ao trabalho iniciado pela aluna e pesquisadora Fabiana Stahl Chaparini, que consistia em analisar relatos de militantes da VPR (Vanguarda Revolucionária Popular), a partir das obras sobre o tema e depoimentos de militantes, coletados pela mesma ou por outros integrantes do Grupo de Pesquisa “História e Memória: ditadura e ralações sociais”, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Mais que isso, essa pesquisa pretendeu, através da história oral, compreender as histórias e as memórias desses militantes, como se viam diante do desafio de, muitas vezes, sacrificar a própria vida para lutar contra uma Ditadura Civil/Militar, ainda, o que isso significou para eles e como eles se veem hoje em relação a essa luta. Essa pesquisa está inserida no contexto de escrevermos uma “nova história” e uma “nova memória” acerca da Ditadura Civil/Militar, ou seja, em darmos vozes para os militantes torturados e os sobreviventes dessa triste passagem da história brasileira.
Introdução
O desenvolvimento dessa pesquisa foi divido em dois momentos, o primeiro foi à leitura da bibliografia sobre o tema, tendo em vista que, a leitura dessa bibliografia serviu para entender o processo de construção dessa organização e seu contexto histórico. Entre estas obras destacamos as teses de "Jamil" e a luta armada dos anos 1960-70 no Brasil, de Fábio André G. das Chagas; a tese de mestrado de Wilma Antunes Maciel, cujo tema foi a Repressão Judicial no Brasil: O Capitão Carlos Lamarca e a VPR na Justiça Militar (1969-71).

No segundo momento da pesquisa analisei as fontes. As fontes selecionadas foram as entrevistas realizadas pelo grupo de pesquisa "História e Memória: ditadura e relações sociais" da Unioeste, cedidas pelos ex-militantes de esquerda Aluísio Palmar, autor do livro "Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?", que atuou em organizações de resistência à Ditadura Civil Militar Brasileira, como MR-8 e VPR; e Abrão Dornelles que participou da Operação Três Passos e foi integrante do Grupo dos Onze; e o Dossiê Guerrilha PT 1091. 132 (BR PRAPPR.PB004.PT 1091. 132), organizado pelo DOPS. Dessa forma, entendemos que essas entrevistas nos auxiliaram para escrevermos uma “nova história” e uma “nova memória” acerca da Ditadura Civil/Militar, ou seja, em darmos vozes para os militantes torturados e os sobreviventes dessa triste passagem da história brasileira.


Revisão de Literatura
Um das primeiras leituras realizadas foi o artigo: As Teses de "Jamil" e a luta armada dos anos 1960-70 no Brasil, de Fábio André G. das Chagas. Esse texto trata de uma das primeiras tentativas de teorização da esquerda armada, no calor dos acontecimentos dos primeiros anos do regime militar, além de apontar justificativas para a permanência da luta armada contra a ditadura.

O autor, ao analisar as teses e propostas feitas por Ladislau Dowbor, de codinome "Jamil", também contextualiza a formação da VPR. Explicando brevemente os motivos que levaram à criação dessa organização em 1968, como o processo de dissensão da POLOP (Política Operária), estreitamento de relações com os remanescentes do MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário) e participação de ex-militares nacionalistas de esquerda, na luta armada contra a ditadura.

No decorrer do texto, Chagas não detém sua análise nas ações efetivas da VPR, seu ponto central de análise, está nas discussões feitas pelos seus integrantes, na tentativa de encontrarem a melhor forma de luta contra o regime. Nessas discussões, resumidas por Jamil em suas teses, há questões como a valorização das massas pala além da classe operária, já que neste período a classe operária era significativamente menor do que a parcela de sujeitos que estavam excluídos do processo produtivo.

Isso não significava que Jamil desprezasse a classe operária e não enxergasse sua importância na luta, ao contrário, Jamil compreendia que seria ela quem traria o embasamento teórico para o restante das classes marginalizadas. E também resaltava, que os operários poderiam atingir a burguesia no seu ponto mais vulnerável, a produção (CHAGAS, 2009: 6). Outra leitura realizada, tendo como objetivo compreender melhor a VPR, para desenvolver as atividades da pesquisa, foi a tese de mestrado de Wilma Antunes Maciel, cujo o tema foi a Repressão Judicial no Brasil: O Capitão Carlos Lamarca e a VPR na Justiça Militar (1969-71). Esta obra problematiza os casos de julgamento de integrantes da VPR, acentuando as contradições desses processos, utilizando-se de vasta documentação, sobretudo do projeto "BRASIL: NUNCA MAIS", que reúne mais de 700 processos do Superior Tribunal Militar.

A autora contextualiza os acontecimentos com os quais trabalha, explica as duas fases da repressão contra os opositores ao regime ditatorial. A primeira, em que durante o período do inquérito policial, os militantes simplesmente desapareciam, eram sequestrados e executados, ou sequestrados e mantidos incomunicáveis, sendo submetidos à torturas durante os interrogatórios.

E a segunda fase, em que havia a formalização do inquérito e a Justiça Militar era comunicada. Nesta fase, os militantes eram processados sob a legislação do regime, e recebiam o direito de defesa.

Combate Nas Trevas de Jacob Gorender, também foi uma leitura indicada pela orientadora, mas esta não tinha como objetivo levar-me a compreensão apenas do que foi a Vanguarda Popular Revolucionária, pois neste livro de Gorender não trata exclusivamente desta organização.

Para a criação desta obra o autor iniciou suas pesquisas em 1979, tratando de assuntos ligados aos movimentos de esquerda no Brasil desde o início dos anos 1960. As relações do governo da época com esses movimentos, os embates que ocorriam dentro dessas próprias organizações, acerca de divergências de pensamentos dos seus integrantes.

Também trata de como esses movimentos se organizaram após o golpe de 1964, como cada uma deles agia, a articulação que construíram entre eles e o fator comum, que era a ideia de que o poder seria tomado pela esquerda por meio da revolução. E ai ele volta a apontar as divergências, já que cada grupo revolucionário eram influenciados e defendiam uma corrente teórica.

No meio disso, Gorender discorre sobre a VPR de forma breve, mas fica claro como surgiu e o que defendiam. Esta leitura serviu-me para aprofundar a compreensão de como se encontrava a esquerda brasileira neste período, e também entender algumas das falhas desses movimentos, que apesar da luta não obtiveram sucesso na tentativa de derrubar o regime ditatorial.


Resultados e Discussão
Utilizar fontes diferentes sobre um mesmo tema, nos permite uma análise comparativa significativa acerca dos acontecimentos de um determinado evento. No caso da nossa pesquisa, período da Ditadura Civil/Militar, se produziu inúmeras versões de um mesmo fato, seja os documentos "oficiais" acerca do golpe, da tortura, de assassinatos de militantes das organizações sociais, assassinatos de militares, ou também, os documentos "não oficiais" produzido por militantes das organizações e partidos clandestinos, documentos produzidos pelas organizações sociais, teses, atas de reuniões, atas de assembleias e principalmente, a memória das centenas de atores desse processo.
Conclusões
A partir de tudo o que foi lido e das entrevistas analisadas, tanto a de Abrão Dornelles, quanto a de Aluísio Palmar, podemos concluir que a Ditadura Civil/Militar Brasileira, logo nos seus primeiros anos, antes mesmo do AI.5, buscou reprimir e exterminar todos os tipos de resistência.

Também concluímos, que a VPR foi uma organização extremamente importante, que atuou na luta contra a repressão. Buscando incorporar as massas, para além da classe operária. Sabemos que a VPR assim como as demais organizações armadas de esquerda, não conseguirem atingir o seu objetivo, que era a derrubada do governo ditatorial. Mas também sabemos, que os militantes envolvidos nessas organizações lutaram obstinadamente, alguns até a morte, pelo propósito da democracia e direitos humanos.



Agradecimentos
Agradeço à minha orientadora Carla Luciana Silva, pela oportunidade que me foi dada para a realização e desenvolvimento dessa pesquisa, também agradeço aos ex-militantes Abrão Dornelles e Aluízio Palmar, que contribuíram diretamente com essa pesquisa, através das entrevistas que por eles foram cedidas.
Referências
Chagas, F. A. G. das. (2009) As teses de "Jamil" e a luta armada dos anos 1960-70 no Brasil. http://www.rbhcs.com/rbhcs/article/view/21/21. Acesso em 10 de Agosto de 2015.
Maciel, W. A. (2003) Repressão judicial no Brasil: o Capitão Carlos Lamarca e a VPR na justiça militar (1969-1971). Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em História Social, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
Gorender, J. (1998). Combate Nas Trevas
Mendonça, S. R. & Fontes, V. M. (1996). História do Brasil recente (1964 - 1992).
Ridenti, M. (2010) O fantasma da revolução brasileira.
Palmar, A. (2005). Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?




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