ANÁlise do comportamento dos preços de medicamentos na cidade de são paulo



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ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DE MEDICAMENTOS NA CIDADE DE SÃO PAULO

Autores:
Mestrando Amaury José Rezende



Prof. Dr. Carlos Aberto Pereira

Mestrando Geraldo Alemandro Leite

Prof. Me.Tarcisio Rocha Athayde
País: Brasil

Universidade de São Paulo – USP


E-mail: Amauryj@usp.br
Palavras-chave:
Variabilidade de Preço, viabilidade financeira, farmácia magistral, valor de mercado, mercado farmacêutico.
Tema do Trabalho:
Análisis de precios – costos: repercusión en el comportamiento del mercado
Recursos Audiovisuais:


  • Datashow com PowerPoint da Microsoft

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DE MEDICAMENTOS NA CIDADE DE SÃO PAULO


Palavras-chave:


Variabilidade de Preço, viabilidade financeira, farmácia magistral, valor de mercado, mercado farmacêutico.

Tema do Trabalho:


Análisis de precios – costos: repercusión en el comportamiento del mercado

Resumo
Este artigo tem como objeto de estudo uma analise da dispersão nos preços de medicamentos praticados pelas farmácias do município de São Paulo. Assim, buscou-se fundamentar de forma teórica e empírica a hipótese que o segmento da Farmácia Magistral apresenta uma viabilidade financeira superior para usuário e para setor, quando comparado com os demais ramos farmacêuticos. A revisão de literatura teve seu foco para a contabilidade de custos, no qual constatou que não existe formula lógica que explique essa variabilidade encontrada nos preços praticados pelo mercado farmacêutico. O estudo exploratório desenvolvido contou com uma amostra de empresas farmacêuticas da cidade São Paulo onde buscou informações sobre os o valor de mercado de um determinado medicamento, com o intuito de obter um conhecimento pragmático sobre a variabilidade nos preços praticados por estas empresas. Contudo, contatou que os preços praticados pela industria farmacêutica demonstra uma variação de 530% superior ao preço do medicamento manipulado. Ao analisar o segmento magistral, nota-se que o setor expressa um desconhecimento gerencial sobre a precificação e rentabilidade dos produtos produzidos e vendidos. As pesquisas bibliográficas e empíricas corroboraram a validade da hipótese estabelecida quanto à viabilidade financeira do segmento explorado.


1. Introdução

Na era da tecnologia, da produção em série e massificação da indústria farmacêutica, a farmácia magistral, mantém algumas técnicas artesanais na produção de medicamentos, o que possibilita um atendimento personalizado, através do fornecimento de medicamentos sob medida, individualizado de acordo com as necessidades do paciente.

A contabilidade aplicada à área de custos é o ramo da ciência contábil que tem como objetivo estudar as relações econômicas e financeiras, entre empresa e sociedade, proporcionando ao gestor o controle, além de gerar informações para a decisão, neste contexto, propicia a interpretação e analisa os valores praticados na venda de produtos do segmento farmacêutico, com base nos elementos que compõem o custo de produção.

O estudo tem como objetivo a análise da variabilidade dos preços de medicamentos praticados pelas farmácias do município de São Paulo. De forma específica, a pesquisa investiga qual é o preço praticado; observa as eventuais limitações das diversas alternativas encontradas no processo de avaliação na formação do preço de venda; compara os preços praticados pelo setor; mensura o custo praticado pela farmácia magistral.

A determinação do preço e rentabilidade baseado no mercado leva-se em consideração somente a demanda do produto ou a ação da concorrência, ignorando-se os custos no estabelecimento de preços, onde estes, são definidos fundamentalmente em função de variáveis de mercado, ao considerar os aspectos como valor do produto, ciclo de vida, comportamento do consumidor, analise da concorrência, mensuração e previsão da demanda, segmentação de mercado e estratégias de preço.

Assim, buscou-se fundamentar de forma teórica e empírica a hipótese que o segmento da Farmácia Magistral apresenta uma viabilidade financeira superior para o usuário e para setor, quando comparado com os demais ramos farmacêuticos. O estudo exploratório desenvolvido contou com uma amostragem sobre o valor de mercado de um determinado medicamento em farmácias da cidade São Paulo, com o intuito de obter um conhecimento pragmático sobre a variabilidade nos preços praticados por estas empresas.

O sistema de informação contábil deixa uma lacuna na literatura, no tocante a variabilidade dos preços praticados pelo ramo farmacêutico, apresentando apenas técnicas e métodos de formação do preço de modo genérico. O que foi constatado na revisão literária, considerando-se um grupo de autores clássicos da contabilidade de custos, constatou que não existe método ideal para indicação objetiva da formação do preço de venda, e sim praticas que consideram diversos aspectos na formação do preço dos produtos.
2. Uma Abordagem Histórica e Conceitual da Contabilidade de Custos

A contabilidade de custos surgiu em meados do Século XVIII, com a revolução industrial. Conforme Viceconti e Neves (1995. P, 237), “Com advento da revolução industrial e conseqüentemente proliferação das empresas industriais (...) todos os gastos que foram efetuados na atividade industrial e que foram denominados de custos de produção. O ramo da contabilidade que controlava estes gastos passou a chamar-se contabilidade de custos”.

A contabilidade de custos é considerada como parte integrante de um sistema maior denominado empresa e está interligada aos diversos setores econômicos, no qual encontra-se a área farmacêutica, que se utiliza deste instrumento para o planejamento, o controle e a tomada de decisão. Deste modo, a contabilidade pode ser considerada como um eficiente direcionador de performance da gestão, no entanto, sua utilização se deu somente a partir de algumas décadas. Para Martins (2001, p.21) um dos motivos se deu com a preocupação dos contadores, auditor e fiscal em fazer da contabilidade custos uma forma de resolver problemas de mensuração dos estoques e não um instrumento de administração. Entretanto, a não-utilização do potencial gerencial, trouxe conseqüências na evolução da contabilidade de custos ao longo do tempo.

No momento em que a contabilidade de custo torna-se indispensável à tomada de decisão pela entidade. Pesquisadores buscam diagnosticar o papel e a sua relevância nas atividades da empresa. Martins (2001, p.22) aponta duas vertentes: o controle é responsável pelo fornecimento de dados para construção de padrões, orçamentos e diversas formas de previsões, o que possibilita acompanhar e comparar o que efetivamente aconteceu com o que foi definido como padrão; o papel da tomada de decisão consiste na alimentação de informações sobre valores relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo prazo sobre medidas de corte de produtos, fixação de preços de venda, opção de compra ou fabricação etc.

Ainda, neste contexto, Leone (1987, p. 20) aponta mais uma vertente, onde afirma que a contabilidade de custos – quando acumula os custos e os organiza em informações relevantes – pretende alcançar três objetivos principais:


  • A determinação do lucro;

  • O controle das operações e;

  • A tomada de decisões.

Na determinação do lucro, a contabilidade de custos utiliza os dados dos registros convencionais de contabilidade ou copila-os de modo diferente para que se tornem úteis à administração.

Com a crescente onda de globalização e o aumento da competitividade nos diversos setores da economia, a área de industria e serviços farmacêuticos encontram-se presente neste cenário, no qual os custos tornam-se relevantes quanto à tomada decisão. A forma pela qual a entidade trata a formação dos preços é algo que determinará a maximização do lucro da empresa, onde a contabilidade de custos torna-se produtora de informações para gestão.


2.1 As Variáveis Endógenas e Exógenas da Formação do Preço de Venda

Devido à lacuna existente no sistema de informação contábil, no tocante a variabilidade dos preços praticados pelo ramo farmacêutico, encontra-se a presença de outras variáveis que influenciam na política de preços, variáveis estas, endógenas e exógenas ao sistema empresa, assim, ao visualizar o ambiente de forma holística, percebe-se a presença de três correntes teóricas que interferem de forma significativa tais como teoria de custos, teoria econômica e teoria de mercado.

Deste modo, Vatan (1995, p. 01) argumenta que as empresas são organizações sujeitas à dinâmica do ambiente, situadas em um ambiente de alta competitividade e em constantes mudanças, no qual as interações com o meio procuram ser coordenadas e integradas, visando atingir sua missão e conseqüentemente sua continuidade.

A literária contábil trata a formação do preço venda de modo genérico, já administração considera aspectos ligados à qualidade do produto, marketing, potencial mercado, características regionais, etc., neste sentido, o preço de venda dos bens e serviços visam objetivos diferentes, tais como: maximizar os lucros, elevar a quantidade vendida, conquistar novos mercados, etc. Portanto, o processo de decisão está relacionado com a busca de um equilíbrio interno e externo onde procura atender às condições de concorrência de mercado, políticas da empresa, etc.

Os elementos que influenciam os preços são os custos, o mercado e a economia representados da seguinte forma, elaboração do preço de venda de um produto ou serviço por meio de um processo decisório, caracterizado por um conjunto de etapas ou fases, a serem seguidas pelo gestor, na busca da melhor alternativa de preço, que satisfaçam as políticas da empresa.

Os custos são considerados como a espinha dorsal da teoria custos, que tem como fundamento básico à formação do preço de venda e considera os seguintes itens, a natureza, o comportamento, a classificação, o sistema de acumulação, o método de custeio, o sistema de custeio, a relação custo, volume e lucro e avaliação de investimento. Neste contexto, a política de formação de preços da empresa deve estar em sintonia com a missão da empresas.

No momento em que os efeitos econômicos são considerados na formação do preço, busca resposta na teoria econômica e em seus elementos para planejar, controlar, executar uma política de precificação que atenda os objetivos do empreendimento. Deste modo, a teoria econômica tem como base os seguintes conceitos, lei da procura; elasticidade - preço da demanda; lei da oferta; equilíbrio a e interação da oferta e procura; estruturas de mercado; teoria da produção e custos de produção.

Ao Considerar estes fatores econômicos, a entidade tende adequar-se a um mercado altamente competitivo. Porém, deve considerar os custos que dão suporte necessário a construção de padrões, orçamentos e diversas formas de previsões. O que possibilita acompanhar e comparar o que efetivamente aconteceu com o que foi definido como padrão, 0orçado e etc. Portanto, pode-se considerar que o preço do produto deva ser constituído a partir de uma análise do cenário e das partículas que interagem com à entidade dentro um enfoque sistêmico, ou seja, o ambiente interno e externo.

Fruto de uma alta competição, levando as empresas a não definir sua política de preços unicamente com dados fornecidos referentes aos custos incorridos e desta forma, escolher outra bases que possa auxiliar como exemplo os preços praticados no mercados. Vatan (1995 pp. 67) afirma que os gestores deparam constantemente com indagações como: “atingirei o segmento de mercado alvo com este preço? Existirá outro melhor nível de preço? Conseguirei executar esta política de preços junto à rede de distribuição? Etc.” A partir das da observação dos seguintes elementos: concepção de valor do produto; ciclo vida do produto; comportamento do consumidor; analise da concorrência; mensuração e previsão de demanda; segmentação de mercado; estratégia de preço.

Ao analisar os elementos da contabilidade de custos, da teoria econômica e da teoria de mercado, nota-se que eventos e transações estão relacionados com o sistema empresa. Bio (l985. p, 18) define a empresa como sistema, onde, “...excede a “soma” de atividades isoladas, tais como: vender, comprar, controlar pessoal, produzir, pagar e receber (…). Ela deve ser considerada como algo mais do que meros componentes reunidos, de forma estática, através de uma estrutura de organização. É necessário conceituá-la como um sistema de partes estreitamente relacionadas, com fluidez dinâmica”.

A formação dos preços de venda deve levar em consideração todos as circunstancias dentro de um enfoque sistêmico (o conjunto) como: custos de produção, a oferta e demanda e os preços praticados pelo mercado. A figura 01 apresenta a interação das três teorias com o preço de venda.

Figura – 01 interação das Teorias com Preço de Venda




Fonte: Elaboração própria
2.3 A determinação do Preço e Rentabilidade de Produtos

A determinação de preço dos produtos e estabelecimento de um grau desejado de rentabilidade deve ser um objetivo estratégico da empresa, pois considera todas as variáveis econômicas, de mercado e de custos envolvidas com os produtos ou serviços. Assim, estas teorias mercado, econômica e custo, formam um conjunto teórico para o administrador realizar o planejamento, com o objetivo de garantir uma margem de rentabilidade satisfatória a missão da empresa.

Neste contexto, entende-se como preço, o valor de troca de um bem físico ou serviço, o que se poderia dar em troca no mercado, sendo algo dinâmico, difícil de se estabelecer, que se altera em função de uma série de variáveis. Boone e Kurtz (1998, p.464) asseveram que a precificação dos produtos é um elemento dos objetivos gerais da empresa, onde o preço, desempenha um papel chave na estratégia empresarial, na participação do mercado e na obtenção da lucratividade desejada. A determinação de preços pode ser encarada de duas formas: por meio dos conceitos teóricos de oferta e demanda ou pela abordagem orientada pelos custos dos produtos.

Durante a primeira metade do século XX, a maioria das discussões acerca dos preços enfatizava os conceitos clássicos de oferta e demanda da Teoria Econômica. Após a segunda guerra mundial, a ênfase foi direcionada para uma abordagem orientada para custos.

Baseado na Teoria Econômica, Santos (1995, p.20) fornece alguns princípios fundamentais para as decisões de preços, que são a otimização e o equilíbrio da oferta e demanda, lei da oferta e procura, elasticidade dos produtos, e teoria dos custos e da produção. Para Rosseti (2000, p.397) os preços na Teoria Econômica são expressões monetárias do valor dos produtos e resulta da utilidade avaliada pelos que tem a necessidade e procuram satisfazê-la. Nesse contexto o mercado é quem valida o preço, sendo que as políticas e estratégias de formação de preços devem ser orientadas para a oferta e procura. Entretanto, há no mercado um fenômeno que é a flutuação dos preços dos produtos. Boone e Kurtz (1998, p.472) explicam que para compreender o motivo da flutuação dos preços no mercado, é necessário entender o conceito de elasticidade do produto. A elasticidade do produto é a medida de receptividade de compradores e fornecedores às mudanças de preços.

A elasticidade de demanda é a mudança percentual na quantidade procurada de um produto ou serviço, dividida pela mudança em seu preço. A elasticidade de oferta de um produto é a mudança percentual na quantidade de mercadorias ou serviços dividida pela mudança percentual em seu preço. Desta forma, existe uma relação importante entre a elasticidade de demanda e o modo pelo qual a receita total varia, à medida que o preço de um produto ou serviço se altera.

Na determinação do preço e rentabilidade baseado no mercado leva-se em consideração somente a demanda do produto ou a ação da concorrência, ignorando-se os custos no estabelecimento de preços. Os preços são definidos fundamentalmente em função de variáveis de mercado, levando-se em conta os aspectos de valor do produto, ciclo de vida do produto, comportamento do consumidor, analise da concorrência, mensuração e previsão da demanda, segmentação de mercado e estratégias de preço.

A fixação do preço e a rentabilidade baseada na Teoria do Mercado consideram primeiramente o mercado consumidor, atendendo as suas necessidades, as características e as qualidades exigidas pelos consumidores. A empresa deve estabelecer um preço justo o qual é validado pelo mercado. De acordo com Kotler e Armstrong (1998, p.246), na fixação de preços baseado no mercado, usa-se a percepção dos consumidores com relação ao valor do produto, preocupando-se com o preço que o consumidor estaria disposto a pagar.

A teoria do mercado ainda oferece uma metodologia de precificação baseado na concorrência, cuja preocupação principal é estabelecer o preço dos produtos baseando-se em produtos similares ofertados pela concorrência. Ainda conforme Kotler e Armstrong (1998, p.247), este método leva em conta a fixação de preços a valores correntes, no qual a empresa se orienta através do preço praticado pelos concorrentes em produtos semelhantes no mercado, determinando seu preço acima, abaixo ou idêntico aos praticados, entretanto não considera a demanda dos produtos nem a formação dos custos do produto.

Já a teoria dos custos, leva-se em consideração todo o sistema de informações de custo do produto. Dentre os diversos métodos, sistemas e critérios para custear os produtos, destaca-se o mark-up como um dos principais métodos de precificação. Este método determina o preço do produto aplicando-se um índice multiplicador ou divisor para se atingir o preço desejado.

A interação de tais teorias fornece ferramental para que o administrador desenvolva seu processo decisório de forma dinâmica, vinculando todos os elementos ao processo de planejamento estratégico e operacional da empresa.
F
igura 02: Planejamento de Preços e Rentabilidade.


Fonte: Elaboração própria

A rentabilidade do empreendimento está relacionada aos elementos fixos e varáveis, onde o sistema de informações da empresa é visto por Guerreiro e Angelo (1999) como um meio de reflexão em termos econômicos de forma confiável a realidade física e operacional da empresa. Para tanto, o custo do produto deve ser formado por elementos que são objetivamente identificados com a unidade do produto, ou seja, utilizar a margem de contribuição e custeio variável.

Conforme a realidade física e operacional da empresa os custos fixos são custos para manter a estrutura da empresa, não se materializando na unidade, identificados com diferentes objetos como lotes de produção, família de produtos, departamentos e a empresa como um todo, estando sempre sob a responsabilidade de um gestor departamental.

Os recursos variáveis são aqueles diretamente relacionados com a unidade do produto fabricado, oriundos de decisões atuais, variando de acordo com o volume de vendas e produção. Os recursos fixos estão diretamente relacionados com a capacidade instalada da empresa e não relacionados com a unidade do produto, aumentando ou diminuindo em função de períodos de tempo.

Ao se utilizar o método de custeio variável na determinação do lucro, parte-se da premissa que não existe lucro por produto para uma empresa com um mix de produto, por não existir o custo fixo unitário. No planejamento de resultados, o lucro ótimo está diretamente associado a capacidade instalada da empresa, pois quanto maior o volume de ativos operacionais, maior deve ser o lucro planejado. Desta forma, a obtenção do resultado ótimo planejado pela empresa, deve realizar-se com a otimização da margem de contribuição total dos produtos em conjunto, e o estabelecimento da estrutura ótima de custos fixos num determinado período. Neste cenário, o administrador deve levar em conta no planejamento de resultados o mix dos produtos, sensibilidade e parcela de mercado, volume de produção e as características dos clientes.

O ponto fundamental da decisão de preços e rentabilidade é identificar as principais alternativas de ação a luz das diretrizes estratégicas da empresa, fazendo simulações dos resultados e escolhendo as melhores alternativas para otimização do resultado global da empresa. Desta forma, considerar-se-á os aspectos de mercado, econômicos e de custos na sua decisão.


2.4 – Definição de Modelo de Decisão

Segundo Matos (2000, p.20) a palavra modelo pode ser encarada como uma “representação simplificada da realidade, estruturada de forma que permita compreender o funcionamento total ou parcial desta realidade ou fenômeno.”

De acordo com Almeida (1996, p.53) um modelo de decisão tem por objetivo facilitar o entendimento da realidade para um tomador de decisões, dando-lhe condições de antecipar e mensurar os efeitos das possíveis alternativas a serem escolhidas. A decisão é um ato de selecionar uma ação dentre inúmeras alternativas.

O modelo de decisão está contido em um modelo de gestão, no qual as decisões envolvem um conjunto de expectativas quanto ao ambiente futuro. Para se atingir o grau de rentabilidade adequado aos objetivos são tomadas decisões estratégicas que envolvem o relacionamento da empresa com o meio ambiente e que objetivam a maximização dos recursos colocados à sua disposição.


3. Farmácia Magistral, sua Importância e Participação no Mercado

Este segmento tem a constante preocupação de fornecer medicamentos de alta qualidade a um preço acessível, com intuito de valorizar o atendimento médico/paciente. A manipulação de produtos magistrais necessita de seleção criteriosa de princípios ativos e da dose, para obter a eficácia terapêutica desejada. Além disso, a farmácia magistral busca trabalhar em parceria com os médicos, ao oferecer informações pertinentes a cada fármaco e sugerindo formulações não prestadas pelos laboratórios convencionais.

Tais farmácias, representam uma parcela significativa no setor farmacêutica, Atualmente no Brasil são mais de 5.500 estabelecimentos, sendo 70% associados a ANFARMAG (Associação Nacional das Farmácias Magistrais). O segmento contribui para o desenvolvimento econômico com a geração de 60 mil empregos diretos e 240 mil indiretos e uma movimentação financeira de aproximadamente um bilhão de dólares por ano no Brasil1; sendo em média 182 mil dólares para cada estabelecimento.

O setor apresenta uma legitimidade e o dinamismo que são expressos através de números que atestam a sua indiscutível importância dentro da economia brasileira. Numericamente, a farmácia magistral representa cerca de 10% de todo o mercado de medicamentos no Brasil.


Figura 03 - Organograma: Setor Farmacêutico



Fonte: Elaboração própria
3.1 A Diversidade na Produção de Medicamentos

Os setores se produção na industria farmacêutica dividem-se basicamente em quatro segmentos específicos, medicamentos produzidos pelas farmácias magistrais, pelas grandes de industrias de medicamentos de marca, genéricos e similares.

O remédio de marca deve conter na embalagem o nome do princípio ativo e o nome fantasia. O medicamento manipulado é produzido sob prescrição médica (receita médica) e não apresenta nome fantasia, onde sua dose é confeccionada de forma especifica ao tratamento. Já o Genérico corresponde às especificações contidas em legislação especifica, cuja embalagem comercial não pode apresentar nome fantasia, no qual, deve descrever somente a denominação química, entretanto, este medicamento possui o mesmo princípio ativo, ou seja, as mesmas características e ação terapêutica que o medicamento convencional. Similar é o medicamento conhecido por todos nós há anos como cópias. São os medicamentos que possuem o mesmo princípio ativo dos medicamentos originais, porém possuem nome fantasia diferente. Normalmente, os similares ocasionam o mesmo efeito terapêutico que os remédios de marca e são geralmente mais baratos.

A lei determina que os demais medicamentos com a mesma finalidade deve apresentar resultados de testes de (bioequivalência e biodisponibilidade)2 que sejam comparáveis aos medicamentos de marca considerados referência, também chamados originais ou inovadores.


4. Materiais e Métodos

Este artigo é produto de uma pesquisa de campo, que se valeu do método de pesquisa empírico-analítico, o qual de acordo com Martins (1992, p.26), “são abordagens que representam em comum a utilização de técnica de coleta, tratamento e análise de dados marcadamente quantitativos”.

A pesquisa foi realizada na cidade de São Paulo, a escolha do município para realização do estudo procedeu de forma intencional. Onde as informações foram obtidas por uma equipe composta de 03 (três) entrevistadores e um pesquisador responsável, a qual recebeu treinamento prévio e necessário. A coleta de dados se deu no período de 20 a 25 de novembro de 2002, e o medicamento escolhido foi o pioneiro no tratamento da ulcera gástrica3, cujo princípio ativo é o (omeprazol - 20 mg) o qual apresenta a seguinte característica, quantidade 14 cápsulas; sendo revendido em farmácias/drogarias, à análise concentrou-se nos produtos gerados pela industrial farmacêutica denominado - Losec- marca comercial, o genérico Omeprazol, e similares.

O universo pesquisado considerou as redes de farmácias, tanto para as drogarias com para as farmácias magistrais, das quais foram selecionadas 13 redes tanto do setor de drogarias quanto magistral. Para a obtenção das informações de cunho, financeiro e econômico, o grupo de pesquisa valeu-se da técnica de cotação de preços nos estabelecimentos.

Vale salientar que o estudo divide-se em duas etapas, que num primeiro instante verificou a variabilidade de preços entre o medicamento produzido pelas grandes industrias farmacêuticas e os elaborados pela farmácia magistral. Em paralelo foi aplicado um questionário nas 13 farmácias magistrais, com o intuito de conhecer e evidenciar a metodologia utilizada na formação do preço de venda do segmento, após pesquisa de campo foi realizada uma análise dos dados.
5. Resultados da Pesquisa

Com base nos dados levantados pelos pesquisadores foi realizado a análise elaborado, a qual foi dividido em dois blocos, Num primeiro momento foi agrupado os dados coletados, a posteriori foi realizado analise dos preços, o que permitiu interpretação da variabilidade dos preços do setor farmacêutico, e a política de formação de preço em farmácias magistrais. A tabela 01 demonstra o agrupamento dos preços cotados na cidade São Paulo no período de 20 a 25 de novembro de 2002.


Tabela 01 - Cotação em farmácias da cidade São Paulo




Preços Praticados




Farmácia Magistral

Drogarias (Redes)

Estabelecimentos

Manipulado

Remédio de Marca

Genérico

Similar

1

R$ 10,00

R$ 53,00

R$ 18,90

R$ 17,25

2

R$ 10,00

R$ 61,07

R$ 22,36

R$ 18,50

3

R$ 10,20

R$ 61,16

R$ 23,00

R$ 23,28

4

R$ 10,90

R$ 62,50

R$ 24,00

R$ 23,89

5

R$ 11,10

R$ 63,46

R$ 24,60

R$ 23,91

6

R$ 11,20

R$ 63,55

R$ 25,00

R$ 25,20

7

R$ 12,50

R$ 64,60

R$ 25,00

R$ 26,32

8

R$ 14,00

R$ 64,90

R$ 25,00

R$ 25,93

9

R$ 14,00

R$ 65,00

R$ 25,21

R$ 26,90

10

R$ 15,00

R$ 65,30

R$ 25,50

R$ 30,00

11

R$ 17,00

R$ 65,80

R$ 27,70

R$ 30,00

12

R$ 18,70

R$ 65,96

R$ 29,31

R$ 30,00

13

R$ 18,70

R$ 65,96

R$ 30,00

R$ 33,00

Fonte: Elaboração própria
Na tabela 02 estão evidenciados os preços praticados pelas farmácias na cidade São Paulo.
Tabela 02 - Análise do Preço de Venda




Análise do Preço de Venda




Manipulado

Remédio de Marca

Genérico

Similar

Preço Médio

R$ 13,33

R$ 63,25

R$ 25,04

R$ 25,71

Preço Mínimo

R$ 10,00

R$ 53,00

R$ 18,90

R$ 17,25

Peço Máximo

R$ 18,70

R$ 65,96

R$ 30,00

R$ 33,00

Fonte: Elaboração própria
Análise dos preços manipulados em relação aos remédios de marcas, genéricos e Similar.
Tabela 03 - Análise do Preço de Venda x manipulado




Análise do Preço de Venda X Manipulado




Manipulado

Remédio de Marca

Genérico

Similar

Preço Médio

100%

474%

188%

193%

Preço Mínimo

100%

530%

189%

173%

Peço Máximo

100%

353%

160%

176%

Fonte: Elaboração própria

Os parâmetros utilizados para análise e comparação dos dados transcorreram da seguinte forma: os preços dos medicamentos industriais genéricos e similares foram comparados com os produtos manipulados, apresentando no quadro acima os seguintes percentuais.

O preço médio dos medicamentos produzido pela industria farmacêutica e revendido pela drogarias em relação ao manipulado apresenta uma variação de 474%, já o genérico comparado com o manipulado é de 188%, e outros similares 193% em relação ao manipulado.

Dentre os menores preços cotados entre o setor farmacêutico constatou uma variação de 530% acima do industrial para o manipulado, 189% do genérico para o manipulado e 173% de outros similares para manipulado.

Dentre os maiores preços cotados entre o setor farmacêutico constatou uma variação de 353% acima do industrial para o manipulado, 160% do genérico para o manipulado e 176% de outros similares para manipulado.

O segundo momento da pesquisa focou a questão da formação dos preços no setor magistral, o qual apresenta a margem de contribuição e a metodologia utilizada.


Tabela 04 - Margem de Contribuição do Setor Magistral

SETOR

MANIPULAÇÃO

Categorias de

Preços

Preço Mínimo

Preço Médio

Preço máximo

PREÇO DE VENDA

R$ 10,00

R$ 12,50

R$ 18,70

CUSTOS VARIÁVEIS4

R$ 0,61

R$ 0,61

R$ 0,61

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

R$ 9,39

R$ 11,89

R$ 18,09

MC %

94%

95%

97%

Fonte: Elaboração própria
Na tentativa entender a formação dos preços do setor magistral, foi aplicado um questionário composto de indagações tais como: Custos considerados na formação dos preços? Tipo de orientação recebida? Metodologia utilizada? Participação em curso especifico? Dificuldades na formação do preço de venda?, o qual buscou identificar a metodologia que é praticada atualmente, no segmento farmacêutico de manipulação.
Tabela 05 – Formação do Preço em Farmácia Magistral

PERGUNTAS

RESULTADOS




QUAIS OS CUSTOS QUE SÃO CONSIDERADOS NA FORMAÇÃO DOS PREÇOS

17% utilizam somente custos variáveis.

83% incluem custos e despesas fixas (absorção).




COMO OCORRE PRECIFICÃO OS PRODUTOS:

58% fórmulas prontas (Market-up).

42% outras metodologias para a precificação.




ORIENTAÇÃO RECEBIDA: QUANTO A FORMAÇÃO DE PREÇO.

100% dos entrevistados nunca receberam algum tipo de

orientação pela classe contábil.






PARTICIPARAM DE CURSOS SOBRE “FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA”

8% dos entrevistados já fizeram algum tipo de curso

92% nunca tiveram orientação sobre o assunto.

A PRINCIPAL DIFICULDADE NA FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA

25% dos entrevistados atribuíram a

concorrência (MERCADO)



50% diversidade de fórmulas

25% não souberam ou não opinaram.

Fonte: Elaboração própria
6. Considerações Finais

Dentro os parâmetros utilizados para análise e comparação, foi constatado através da pesquisa que existem diferenças significativas dos medicamentos industriais genéricos e similares quando comparados com os produtos manipulados. Um exemplo disto, foi a variabilidade entre os menores preços cotados entre o setor farmacêutico o que demonstrou uma variação de 530% acima do industrial para o manipulado, 189% do genérico para o manipulado e 173% de outros similares para manipulado. Entretanto, deve ressaltar que a variabilidade ocorreu tanto na média como nos maiores preços praticados e as diferenças foram significativas.

No entanto, os preços praticados pelo segmento das farmácias magistrais oferecem excelente viabilidade financeira para consumidor, em todas as comparações efetuadas o remédio manipulado apresentou preço inferior aos seus concorrentes.

Entre os fatores constatados tanto na teoria como na pesquisa empírica, pode-se destacar, a questão da cadeia produtiva dos medicamentos industrias, de serem muito maior, do que a da magistral. Contudo, a determinação do preço e rentabilidade, são explicados por aspectos como valor do produto, ciclo de vida, comportamento do consumidor, analise da concorrência, mensuração e previsão da demanda, segmentação de mercado e estratégias de preço.

Contudo, deve-se levar em consideração outros fatores na variabilidade dos preços como custos e despesas fixas, onde os recursos fixos estão diretamente relacionados com a capacidade instalada da empresa e não relacionados com a unidade do produto, aumentando ou diminuindo em função de períodos de tempo. Um outro fator, refere-se as Despesas de Marketing, os Royalty ou direito de patentes, são custos relevantes que influenciam e aumentam os preços produtos industriais, o que não ocorre no segmento magistral.

O produto analisado apresenta uma notável rentabilidade, onde a margem de contribuição do produto mostra-se extremamente elevada, ao apresentar uma rentabilidade superior a 90% nos três parâmetros utilizados.

Quanto a metodologia utilizada a pesquisa apresentou os seguintes resultados, 17% utilizam somente custos variáveis e 83% incluem custos e despesas fixas na formacão do preços dos produtos. 58% dos entrevistados declaram que utilizam formulas prontas como Mark-up e o restante utiliza outras metodologias para a precificação. Tais relatos demonstram que os modelos utilizados não estão adequados a um modelo de gestão, no qual as decisões não envolvem um conjunto de expectativas quanto ao ambiente futuro, de modo atingir o grau de rentabilidade desejado.

Um dado que deve ser destacado, diz respeito a falta de comunicação entre classe a contábil e o público entrevistado, quando 100% deles afirmam nunca terem recebido algum tipo de informação sobre o assunto.

A dificuldade ao atribuir preços é notória, devido ao fato do segmento não possui conhecimento suficiente sobre o assunto, o que pode ser verificado quando 25% dos entrevistados atribuírem a concorrência como sendo a maior dificuldade e 50% atribuíram a diversidade de fórmulas, ou seja, o medicamento manipulado é produzido sob prescrição, onde sua dose é confeccionada de forma especifica ao tratamento. Os 25% restantes não soubebram ou não opinaram. Portanto, o setor expressa um desconhecimento gerencial sobre a precificação e rentabilidade dos produtos produzidos e vendidos.

Dentre os objetivos propostos, mais uma vez a contabilidade demonstrou que proporciona ao gestor o controle, além de gerar informações para a decisão, neste contexto, propicia a interpretação e analisa os valores praticados na venda de produtos do segmento farmacêutico, com base nos elementos que compõem o custo de produção.

.Assim, buscou-se fundamentar de forma teórica e empírica a hipótese que o segmento da Farmácia Magistral apresenta uma viabilidade financeira superior para o usuário e para setor, quando comparado com os demais ramos farmacêuticos. O estudo exploratório desenvolvido contou com uma amostragem sobre o valor de mercado de um determinado medicamento em farmácias da cidade São Paulo, com o intuito de obter um conhecimento pragmático sobre a variabilidade nos preços praticados por estas empresas.

Este trabalho obteve um conhecimento pragmático sobre a formação dos preços de venda, onde as pesquisas bibliográficas e empíricas indicam a validade da hipótese e comprovam a existem de uma grande viabilidade financeira tanto para o segmento magistral como para o consumidor final, quando comparado com os demais ramos farmacêuticos. Notoriamente, o segmento magistral apresenta um campo ainda inexplorado em termos gerenciais.


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1 Dados fornecidos pela ANFARMAG (Associação Nacional das Farmácias Magistrais).

2 BIODISPONIBILIDADE e BIOEQUIVALÊNCIA? Estes testes são uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que visa garantir a qualidade a qualidade dos medicamentos GENÉRICOS. BIODISPONIBILIDADE é definida como a capacidade de um medicamento alcançar o sítio de ação em quantidade (concentração) suficiente para produzir o efeito farmacológico desejado. Precisa necessariamente alcançar em concentrações adequadas para que o tratamento seja eficaz. BIOEQUVALÊNCIA é o teste que comprova que um medicamento GENÉRICO tem a capacidade de produzir o mesmo efeito farmacológico que o medicamento original, mg por mg.

3 Considerado por médicos e farmacêuticos como pioneiro.

4 Os custos e despesas variáveis correspondem a $0,61 (matéria-prima, materiais secundários, e embalagens interna e externa).




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