ANÁlise e crítica zoneamento do pest relatório Antropológico Indígena para o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (pest)



Baixar 125.05 Kb.
Página1/2
Encontro29.07.2016
Tamanho125.05 Kb.
  1   2




ANÁLISE E CRÍTICA - ZONEAMENTO DO PEST

*Relatório Antropológico Indígena para o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PEST).


*Os Índios Guarani Mbyá e o parque Estadual da Serra do Tabuleiro

Análise do Relatório antropológico indígena referente ao Projeto de Zoneamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.

Os estudos antropológicos acadêmicos ou produzidos por Maria Inês Ladeira proprietária da Ong– CTI (Centro de Trabalhos Indigenistas), referentes às populações indígenas Guaranis Mbyá e Nhandeva provenientes do Paraguai e Argentina, na década de 1990, têm sido determinantes para o impedimento da conclusão do projeto de duplicação da rodovia Br101 – trecho - Santa Catarina/Rio Grande do Sul. Os indígenas são citados por antropólogos da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina como tradicionais habitantes das regiões as margens da Br101 no litoral Catarinense. Estes estudos antropológicos estão demonstrados principalmente através dos seguintes relatórios:


Os Índios Guarani Mbya e o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro”. Relatório incluso no Projeto de Zoneamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro Proposto pela Empresa Sócioambiental Consultores Associados Ltda. com sede em Florianópolis.

Autores: Maria Dorothea Post Darella e Aldo Litaiff. (UFSC)



OBS. Condenado pelo Ministério Público Federal e negada sua integridade pelo Estado de Santa Catarina, continua a serviço das fraudes no Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos/FUNAI.
RIMA (Relatório de Impacto Ambiental)–Duplicação da Br-101 Trecho Florianópolis (SC) – Osório (RS). Estudo de Impacto: As Populações Indígenas e a Duplicação da BR101, Trecho Palhoça/SC –Osório/RS”.

Autores: Maria Dorothea Post Darella/UFSC, Ivori José Garlet (falecido), Valéria Soares de Assis (sem participação expressiva).

OBS. Anulado pelo TCU – Tribunal de Contas da União em virtude de desvios, foi denunciado por fraudes antropológica.
Processo Demarcatório do Morro dos Cavalos “Decreto nº 201, Publicado no Diário Oficial da União em 18/12/2002”.

Autores: FUNAI sob a coordenadoria de Maria Inês Ladeira/Ong-CTI, participam Maria Dorothea Post Darella e Aldo Litaiff. (UFSC).



OBS. Em tramitação há mais de 19 anos.

Os três peças acima eivadas de fraudes contra a memória histórica, seguem uma mesma linha casuística objetivando adequarem-se ao artigo nº 231, § 1º da Constituição Brasileira.

As conclusões pré-concebidas procuram sempre comprovar a tradicional e permanente ocupação das terras do PEST - Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Morro dos Cavalos, por indígenas Mbyá e Nhandevá falantes da língua Guarani. Este preceito constitucional - tradicional e permanente - é indispensável para que a FUNAI regulamente uma Reserva Mbyá paraguaia sobre uma área de preservação permanente em processo de duplicação rodoviária/DNIT.

As irregularidades e imprecisões apontadas são as mesmas para os três relatórios, mesmo por que, direta ou indiretamente os autores são os mesmos e pertencem a um grupo com interesses pessoais em comum.


Veja o que diz a constituição Brasileira:
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários ao seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. CONSTITUIÇÃO DO BRASIL.

A seguir as discussões se deterão no relatório atinente ao zoneamento de um parque estadual que abriga o remanescente da mata atlântica:



Os Índios Guarani Mbya e o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro - Maria Dorothea Post Darella e Aldo Litaiff. –UFSC.
Pág. 02 (transcrição) “Há vários séculos, grupos humanos primeiramente denominados como Carijós e posteriormente como Guaranis, ocuparam um número ainda desconhecido de locais no litoral de Estado de Santa Catarina,”
Na página 02 (Introdução) os autores citam os Carijós supostamente Guaranis, como sendo os ocupantes do litoral catarinense na época dos descobrimentos. Os autores omitem o fato de que o termo “Guarani”, refere-se a uma classificação lingüística proposta por estudiosos das línguas indígenas, e não a uma tribo de cultura e hábitos homogêneos. Portanto tribos com diferenciações marcantes nos hábitos culturais e na distribuição geográfica, com relevantes diferenciações entre os dialetos falados, pertenciam ao mesmo grupo lingüístico denominado Guarani.

Veja o que diz a bibliografia:


“Apesar de tudo, porém a tentativa de estudar a cultura Guaraní como unidade talvez pareça ousada. Com igual direito poder-se-ia falar em três , quatro, ou mais culturas Guaraní. As populações que falam algum dialeto Guaraní distinguem-se uma das outras, como já foi assinalado, em muitos aspectos da vida econômica, da organização social, do sistema religioso e dos demais setores da cultura. Mas acima dessa diferenças indiscutíveis, há um fundo comum de elementos idênticos ou semelhantes, em virtude do qual todos os bandos se apresentam como unidade em oposição a outras tribos, inclusive da família Tupí-Guaraní. (...), as classificações das tribos tendem a variar de autor para autor, segundo a posição teórica e os conhecimentos de cada um.” ( Schaden, 1962:21)
Veja o que diz a bibliografia sobre Tupi-guarani e Guarani:
“Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias linguísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhança entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo”.
“Veja o exemplo do português.”

(Instituto Socioambiental.) www.socioambiental.org/website/pib/portugues/indenos/divers.htm (pag.01).

Veja, na próxima página, a classificação lingüística para os indígenas do tronco Tupi:



(Instituto Socioambiental.)


Conforme a bibliografia o termo Tupi-guarani relaciona-se a língua falada, por diferentes povos indígenas vivendo em diferentes locais e de diferentes culturas. O termo Guarani também se refere a língua falada por diferentes povos, com dialetos diferentes e é uma sub-divisão da Família lingüística Tupi-guarani.

Esclarecido que o termo “guarani” refere-se a uma classificação linguística e não a uma específica tribo, vejamos o que diz a bibliografia sobre quem habitava a costa Catarinense portanto, eram os tradicionais ocupantes destas terras.


SILVIO COELHO DOS SANTOS. O Homem Índio Sobrevivente do Sul (antropologia Visual). 1978.

“Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba. Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.” (SANTOS, 1978:60)


SILVIO COELHO DOS SANTOS “No litoral, predominavam Tupi-Guarani, logo denominados de Carijó. No interior, nas florestas dos vales e da encosta e no planalto, viviam os Xokleng e os Kaingang, ambos integrantes do grupo lingüístico Jê. É provável, entretanto, que outros grupos tribais realizassem incursões nesse território. Conforme dissemos em outro lugar, (SANTOS, 1970:159): “Os Carijó se espalhavam no litoral (...) ocupando a Lagoa dos Patos e a baía de Paranaguá. Os Xokleng tinham campos de caça que se estendiam ao Rio Grande, e às proximidades dos campos de Curitiba e Guarapuava. Os Kaingang disseminavam-se pelo norte do Rio Grande, pelos campos de Palmas, sertões do Tibagi e Ivaí e penetravam em São Paulo. Não se pode pensar, assim, que as tribos tinham um território definido, nem muito menos que elas formassem um único grupo local”. ( Santos, 1973:28)
“Segundo SANTOS (1970:159) os Carijó, considerando a classificação lingüística dos índios brasileiros, estão incluídos no grupo Tupi-Guarani (...). Os Carijó se espalhavam no litoral para o sul e para oeste, ocupando a Lagoa dos Patos e a baía de Paranaguá. Os Xokleng (sub-grupo Kaingang) tinham campos de caça e coleta que se estendiam ao Rio Grande do Sul e às proximidades dos campos de Curitiba e Guarapuava.”

(Santos et alli.1978: 10)


“Estende-se o Distrito dêste gentio, por espaço de cento e sessenta léguas por costa, que corre de Nordeste a Sudoeste, que tantas se contam desta ilha de S. Catarina até o Rio da Prata e vai entestar com os charruas;e, de Oriente a Poente ficam metido os Carijós entre dois paralelos, que os cingem pelo Oriente o mar oceano, e pelo Poente uma nação mui fera de Tapuias, que chamam GUAIANÁS”.

(História da Companhia de Jesus no Brasil, Serafim Leite, S.I. Vol. VI , Imprensa Nacional 1945).


OBS. Por ser uma obra rara, a publicação acima não pode ser fotocopiada. Entre as páginas 495 a 523 o escritor relata a descrição minuciosa feita pelo Padre jesuíta Inácio Sequeira sobre os índios Carijós no século XVI.

“Confesso que sei não poder oferecer bibliografia completa sobre os Carijós, porém ambiciono ficar relacionado com os que folhearam volumes e volumes, consumindo horas e horas com a finalidade de provar, que sobre eles, o pesado silêncio da ignorância, é um problema pessoal de quem não os tem, exatamente aonde estão nas raízes catarinense, Estas fontes consultáveis que seguem, fazem a vez de contribuição (...) provocadora de atenção para a Criatura Carijoara, que por serem criaturas natas de boa fé e mais sociáveis que os outros aborígenes brasileiros, forma dura e barbaramente escravizadas. Lamentavelmente, é uma das verdades da História Catarinense. (Jamundá, 1987)


“-Ingênuos, cooperadores, interessados; selvagens criaturas sem malícia e sem agressividades, os Carijós, estão na História como gente encontrada de Cananéia até a Lagoa dos Patos. E assim é claro povoavam então Santa Catarina. (...) “O natural desta nação Carijó é o melhor e o mais dócil de todas as demais nações do Brasil, assim nas feições e proporção dos corpos como naqueles dotes que ficam na fundição da alma.” (...) E saberá que no porto da Laguna em 1635, o Pe. Inácio de Sequeira viu sessenta e duas embarcações ancoradas, esperando carga estimada em doze mil Carijós que seriam comercializados como escravos.” (Jamundá, 1987:25)
“E sobre estes bateu na tecla conhecida: A zona litorânea do Estado de Santa Catarina, no tempo da conquista, era habitada pelo Carijós. Habitavam a zona litorânea, bem como a Ilha de Santa Catarina, são descritos como homens simples de caráter pacífico. Procuravam passar a vida com muita alegria e pouco trabalho. Alimentavam-se da caça, da pesca e dos produtos naturais da terra. Possuíam também pequenas plantações de verdura e raízes. Vestiam apenas uma espécie de avental (tanga), feito de fibra vegetal, de pele ou de pluma, que descia dos quadris até as pernas. As mulheres andavam de cabeça descoberta e usavam no cabelo fibras tintas de várias cores. Pe. Rohr afirma peremptoriamente: Por causa do seu caráter pacífico, os Carijós caíram vítimas dos Mamelucos Bandeirantes e foram rapidamente extintos por completo.” (Jamundá, 1987:26)
Carlos da Costa Pereira, acreditando pelas suficiências do saber sobre o passado catarinense, e sendo pesquisador de sensibilidade invejável, contribui na bibliografia sobre os Carijós, exatamente quando trata da fundação de São Francisco do Sul. A coleta aqui desenvolvida, foi extraída na tecitura de interpretação com base na Déclaration du Voyage de Gonneville onde se lê, de modo conclusivo, que os Carijós como povoadores da faixa litorânea entre Cananéia e a Ilha dos Patos. (...) E ainda mais afirma que Essomeric, filho do Chefe Arosca, foi um Carijó. (Jamundá, 1987:27)
LUCAS A. BOITEUX, Santa Catarina no século VXI, dá informação significante à página 60: “Os míseros indígenas no ribamar catarinense, chamados os Carijós dos Patos, como se mostrassem brandos e humanos”. Veja bem:“Os mais brandos e humanos do Brasil e, além disso, por habitarem a orla marítima mais facilmente abordável das terras sulinas, quase de todo abandonadas pelo seu donatário, foram os que, desde o início do povoamento europeu, pagaram a maior e mais cruel tributo à fúria escravagista, principalmente dos moradores do litoral paulista. Milhares dessas infelizes criaturas escravizadas foram arrotear as fazendas da região citada e também às do Paraguai, para onde passaram a ser criminosamente encaminhadas e vendidas.” (Jamundá, 1987:19)
LUCAS A. BOITEUX, (...) “não só mostrou interesse como também deixou informações substanciais nos volumes seguintes: 1. Notas para a História de Santa Catarina. (...) 2. Os Patriarcas dos Carijós (...) 3. Pequena História Catarinense (Ilustrada) adotada oficialmente (...) 4. A História de Santa Catarina (...) 5. Santa Catarina no século XVI (...).”(Jamundá, 1987:20)
“No primeiro século da conquista, entretanto, os “Carijó” foram dizimados ou elevados para os mercados escravos de São Vicente. Na região de florestas e campos, da encosta ao planalto, permaneceram dois grupos tribais: os Xokleng e os Kaingang.”

(Santos, 1973:30)
“E é importante anotar, o mesmo autor, no livro História de Santa Catarina. (...) SILVIO COELHO DOS SANTOS, História de Santa Catarina. 2a..edição. (Edição do autor) São Paulo, SP, 1977. Vem com a autoridade de cientista social,participante ativo no pequeno grupo defensor e guardião do Índio Brasileiro, ensinar como professor universitário: “Os motivos que permitiam aos portugueses organizar expedições de guerra justa contra os indígenas, logo se ajuntou outra forte razão.””A necessidade de escravos para os trabalhos agrícolas que se iniciavam na colônia. E a partir daí, as bandeiras de caça ao índio tornaram-se comuns. Aqui no sul, os Carijós do litoral e os Guaranis que haviam sido aldeados pelos jesuítas sofreram vários ataques, fornecendo milhares de vítimas para o mercado de escravos que se instalou em São Paulo.”(veja página 64)
Outra afirmação de autoridade em História catarinense informa: “O litoral de Santa Catarina, então denominado Sertão dos Patos ou Terra dos Carijós, pela sua elevada população indígena, passou a ser o palco da investida de inúmeras expedições de caça ao índio.”(Veja WALTER F. PIAZZA, Santa Catarina: sua História. (...)”(Jamundá, 1987:22)
Em “Laguna antes de 1880 - Livro tirado por João Leonir Dall’Alba do esquecimento para edição em 1979. (...) Na página 20 sob o título Notas, quem quiser ler lerá: “4. Os índios Carijós tinham sido pacíficos. Mas, quase exterminados pelas contínuas razias de paulistas que escravizaram várias dezenas de milhares deles, tornaram-se arredios e ferozes adversários do branco.” “Não é de estranhar, pois, que haja gentio brado e vagabundo.” “Talvez já nem sejam Carijós ou Patos, mas Xoklens ou Botocudos, caçadores Nômades das florestas da orla atlântica.” “Terríveis terão sido os combates.” “Cindo escravos e, mais tarde um filho do fundador, foram mortos pelos bugres.” “Mas quantos deles tombaram diante das armas de fogo dos colonizadores? “ “Os que sobraram internaram-se na floresta, onde sobreviveram mais dois séculos, quando colonos serranos e bugreiros completaram o genocídio iniciado pelos vicentistas.” (Jamundá, 1987:22)
HANS STADEN, nasceu em Homberg, Efze, entre 1525 e 1528. (...) HANS STADEN, vem aqui destacadamente, porque viveu e conviveu a época e momentos com Carijós. E bem exatamente, passou na Ilha de Santa Catarina a 25 de novembro de 1550 - E alguém lhe disse: Estais no Porto de Jurumirim.“ (Jamundá, 1987:22).

Os aborígenes que viviam na costa o sul da Capitania de S. Vicente, desde Cananéia até o Rio Grande, constituíam a nação Carijó, à época da descoberta, e todos os que tiveram contacto com êles afirmaram que eram “ o melhor gentio da costa”. (...) pag.32. CABRAL, Oswaldo R. 1970.


“O Padre Leonardo Nunes foi para os Carijós o abaré-bebê- o padre que voa tantas foram as suas viagens às tabas do Gentio. Em 1553, coube-lhe ir buscar em Santa Catarina, a mando do Governador, as senhoras que faziam parte da malograda expedição de Juan de Salazar, levando-as para São Vicente. Achou o Jesuíta entre os Carijós alguns que já eram cristãos, catequisados anteriormente pelos frades Bernardo Armenta e Alonso de Lebron. (...) pag.33. CABRAL, Oswaldo R. 1970.
OBS. Oswaldo R. Cabral – 1970- no livro HISTÓRIA DE SANTA CATARINA descreve a vinda de inúmeros padres jesuítas a ilha de Santa Catarina e todos mencionam a presença dos Carijós. Especialmente o padre jesuíta Inácio Sequeira em 1635. “ Deixou o Pe. Sequeira longa e curiosa descrição das terras catarinenses, principalmente da ilha, bem como dos Carijós, seus costumes e crenças”. (...) pag.37 CABRAL, Oswaldo R. 1970.

“Essa gente é de bom corpo, cuja linguagem é diferente da de seus vizinhos, fazem suas brigas com os guaianases, com quem têm suas entradas de guerra;” ( Perrone-Moisés, ? :53)


“A docilidade dos carijós fez com que, mais tarde, os missionários os considerassem “a melhor nação do Brasil”.

(Perrone-Moisés, ? :53)
(...). Em 1550, escreve o Padre João de Azpicueta: “todos dizem que são os melhores gentios que há em toda costa do Brasil”; em 1551, diz o Padre Manuel da Nóbrega: “Tenho sabido de um gentio que está nessa terra, que vive na obediência de quem os rege e não comem carne humana andam vestidos de peles”; em 1552, diz o Padre LeonardoNunes: “disseram-me mil bens daqueles gentios onde estão,que são os Carijós, e a disposição que têm para ser bons cristãos”. Opinião confirmada pelo jesuíta Pierre du Jarric em 1608: “a nação mais dócil e mais policiada que se encontrou , até o momento, no Brasil , de modo que eles andam todos honestamente vestidos de pele de animais, contra o costume dos outros.(...) Os dois principais obstáculos à aceitação dos costumes indígenas, a antropofagia e a nudez total, inexistem aí.” ( Perrone-Moisés, ? :53)

“A história de Imbituba e conseqüentemente de Ibiraquera, contada seja pela tradição oral, seja por registros escritos, começa freqüentemente pela colonização açoriana, a história do branco europeu, omitindo que aqui, e no litoral catarinense como um todo, já viviam os índios carijós . Compreende-se tal fato, pois para a historiografia escolar, os índios catarinenses não fizeram história – pertencem à pré-história-, porque não nos deixaram registros escritos. Mesmo com o holocausto dos Carijós, muito da sua cultura (na verdade adaptada através dos tempos) está presente ainda hoje no dia–a-dia da população de Ibiraquera” . (...) (AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 26.


“Atribui-se aos Tupi-Guarani (entende-se aqui Carijó), uma economia de subsistência baseada no plantio de mandioca, algodão, amendoim, bem como na caça e na pesca. As ocupações pertencentes a esta tradição podem ser identificadas pela presença de cerâmica com decoração policrômica (vermelho ou preto sobre branco ou preto ou plástica (corrugada e escovada) apresentando-se de formas variadas, tais como: Urnas funerárias, panelas, pratos, tigelas etc., associadas a machados líticos polidos e tembetás. Nos costões à beira mar de Ibiraquera podemos encontrar hoje em dia marcas nas pedras como “fundo de panelas” ou “ranhuras” deixadas pelos índios que, ao polirem seus machados e pontas de flechas, gastavam as rochas dos costões.” (...) (AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 27.
“Diversas expedições de diferentes nacionalidades transitavam por Santa Catarina durante o século XVI ( Piazza, 1987: p.22). Quando ancoravam neste litoral, os navios abasteciam-se com a ajuda dos carijós e seguiam viagem com a intenção de chegar ao Rio da Prata. Dessas várias expedições, alguns náufragos, desertores e desterrados permaneceram entre os Carijós, facilitando assim o abastecimento das próximas embarcações, identificando-se dessa maneira os primeiros povoadores europeus de Santa Catarina.” (...) (AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 30.
“Segundo Santos, os índios Carijós prestaram uma grande contribuição para a sobrevivência do europeu durante o século XVI, abastecendo com água e caça os navios estrangeiros, mas na medida em que os europeus de firmaram na conquista, aos índios restaram apenas o papel de escravos do branco nos engenhos que começaram a ser instalados (Santos, op. Cit., p. 32)”. (AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 31
“Antigamente... em tribos maiores ou menores, nômades ou semi-nômades, próximas ou distantes umas das outras, pacíficas ou conflitantes, os índios catarinenses ocupavam todos os atuais território do Estado, se bem que de modo muito espaçado e com delimitações vagas. São dois os seus principais grupos:


  1. A Nação Tupi-Guarani (=os carijós), espalhados em toda a

região litorânea. Viviam da caça, coleta e pesca. Falavam o Tupi, conhecido como língua brasílica.(...)

b)Os índios do Grupo Jê ocupavam toda as regiões, menos a litorânea. Os xokleng usufruíam principalmente da região Silvana. KOCH, Dorvalino Eloy Tragédias Euro-Xokgleng e Contexto –2002.

Continuando com a análise do relatório:


Pag. 03 (Transcrição) – “Já durante o transcorrer do século XVI, se somaram aos sítios arqueológicos da tradição Tupiguarani ou Guarani - testemunhos da ocupação Guarani mais antigos dos quais se tem conhecimento”.

Os autores generalizam quando dizem “Tupiguarani ou Guarani”. Segundo a bibliografia são termos com significados e abrangências diferentes.


Veja o que diz a bibliografia:


“Resumindo pode-se dizer que a tribo Guaraní, que em séculos passados dominou em grande extensões dos estados meridionais do Brasil e em territórios limítrofes do Uruguai, da República Argentina e do Paraguai, está hoje reduzida a poucos milhares de indivíduos, (...) . Mas também aqueles remanescentes da antiga “nação Guaraní”, que na composição étnica e na forma de vida se conservaram índios, estão longe de apresentar homogeneidade cultural em todos os aspectos. Já em virtude de diferenciações anteriores à chegada do europeu, a cultura Guaraní, pelo isolamento dos diferentes subgrupos da tribo, possuía apenas relativa uniformidade no tocante à língua, à religião, à tradição mítica e a outros setores da cultura. (...) E finalmente no últimos 130 anos, os movimentos migratórios de uma série de hordas em direção ao litoral brasileiro vieram aumentar ainda o número de modalidades de experiência cultural, levando mesmo alguns grupos das tribos a contatos mais ou menos freqüentes com a moderna civilização urbana.” (SCHADEN,Egon 1962:18)
“A maioria das populações indígenas encontradas pelos desbravadores quinhentistas em terras da bacia platina falava dialetos do idioma Guaraní1 , estreitamente afim ao linguajar das chamadas tribos Tupí, que dominavam quase todo o litoral brasileiro e grandes extensões do interior. À unidade lingüística daquelas tribos meridionais corresponde relativa unidade cultural. Todavia, a existência de diferentes denominações para subgrupos regionais e, talvez a grande mobilidade espacial, produzindo notável dispersão, são os principais fatôres responsáveis pela opinião, bastante comum, de que se trata de outras tantas tribos distintas.” 1 A grafia das denominações tribais obedece às normas da convenção assinada no Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1953 (...)(SCHADEN,Egon 1962:9).

Continuando com a análise do relatório:


Pag. 04 (Transcrição) – “Não obstante, do século XVII ao século XIX pouco se sabe sobre a presença dos indios Guarani no litoral de Santa Catarina. O Cônego Gay cita obra escrita em 1612, relatando que a ilha de Santa Catarina, anteriormente povoada por esses índios, estava desabitada naquela época, uma vez que os grupos haviam se deslocado para o continente (apud Boiteux, 1912:46).(...)”
Os autores do relatório através da manipulação do texto original transgridem a ética científica, para omitir casuisticamente parte do texto no intuito de confundir o leitor induzindo-o a conclusão de que os atuais guarani Mbyá, assentados no Morro dos Cavalos a parir de 1994, pertencem ao mesmo povo nativo da costa que habitavam a região no século XVI.

A comprovação da ocorrência dos povos extintos Carijó, outrora tradicionais habitantes das terras do litoral de Santa Catarina, descaracteriza e desautoriza a implantação de uma reserva indígena Mbyá paraguaia baseada nos preceitos constitucionais brasileiro. Assim, os autores adequaram o texto original às suas teses particulares fato que caracteriza uma fraude.

Veja a transcrição completa do parágrafo da mesma referência bibliográfica, utilizada pelos autores do relatório em análise:

“Esta nação parece que foi bem numerosa, pois uma carta da Camara de S. Paulo de 13 de Janeiro de 1606 affirma que os Carijós “podem ser duzentos mil homens de arco” e o conego Gay cita uma obra escripta em 1612 que diz-“ Aos 28° 30’ segue-se o porto da laguna dos Patos, com a entrada difficil a 40 leguas de distancia do Rio Grande. “Moram alli mais de 10.000 guaranis mansos, que são amigos dos hespanhóes. “Dez leguas adiante segue-se a ilha de Santa Catharina que tem sete léguas de comprimento e quatro de largura e offerece excellente porto. “Tem montes e grandes matas. “Era povoada por guaranis, mas agora está abandonada, porque os naturaes passaram-se para o continente”. Por estas notícias bem podemos avaliar quão numerosa era esta tribu”. BOITEUX, Lucas Alexandre:NOTAS PARA A HISTORIA CATHARINENSE. Pag.46


Veja o que diz a mesma obra 5 parágrafos anteriores, na página 45:


“IV – No tempo da descoberta do Brazil mais de 400 tribus das raças Tupi-Guarani ocupavam ou disputavam a posse da vasta extensão comprehendida entre o Amazonas e o prata. A costa catharinense era povoada, segunda antigos chronistas, por uma grande tribu chamada Carijó, Carihó, ou melhor Cariyoé e que significa-descendentes dos brancos ou dos anciãos. Era ela conforme a maioria dos autores , da raça Tupi-Guarani e outros mais modernos querem-na do ramo Tapuia . Sou propenso aos primeiros”. (...) BOITEUX, Lucas Alexandre. NOTAS PARA A HISTORIA CATHARINENSE. Pág.45.
O autor da bibliografia citada deixa claro que os Carijós eram Tupi-Guarani. Os Mbyá do Morro dos Cavalos são da família Tupi-Guarani e da lingua Guarani.

Quanto ao relato do cônego Gay “Era povoada por guaranis,”(...) utilizado pelo autor BOITEUX na sua obra, denominando os Carijós de Guarani o mesmo texto de BOITEUX na página 43 diz:


“Uma nebulosa tradição tupi-guarani nos conta que em arredados tempos, quando ainda as florestas brasileiras eram taladas por animais bravios somente, aportou á costa uma embarcação trazendo em seu bojo os dous irmãos Tupi e Guarani com as respectivas famílias. (...). Estomagaram-se os irmãos e resolveram separar-se. Os da tribu guarani caminharam para o sul do Brazil, a começar por Cananéia, ficando os Tupis ao norte.”

Entende-se que o cônego Gay utilizou o termo Guarani, generalizando todos os indígenas habitantes do sul do Brasil, incluído aí os Carijó. Esta nomenclatura generalizada era uma praxe nos primeiros séculos da colonização.


OBS. SANTA CATARINA NO SÉCULO XVI (Separata do volume II dos Anais do Primeiro Congresso de História Catarinense) Lucas Alexandre Boiteux-1950, pag. 17, assim define os Carijós “(carijó significa mestiço)”


Pag. 04 (Transcrição) – “A partir de então os Guarani deixam o cenário, desaparecem da bibliografia etnográfica e histórica relativa ao litoral de santa Catarina, tornam-se invisíveis”.
Veja o que diz a bibliografia a respeito de quem desapareceu do litoral de Santa Catarina:
“Consabido é que genocídio significa a destruição física total ou parcial, direta e indireta de um grupo étnico. Acabou-se de registrar algumas dezenas dos milhares de genocídios de extermínio total praticados nas Américas, notadamente, no Brasil. O extermínio dos Tupi-Guarani (carijós) nas regiões litorâneas de Santa Catarina, executado pelo bandeirismo paulista, foi, por sem dúvida, um genocídio de destruição total. (...)KOCH, Dorvalino Eloy –2002. Pág. 71
“ E o que aconteceu com os índios Carijós?

A hipótese que se levanta é que, por serem afáveis ao contato com o branco nesta região, durante o século XVII, os índios Carijós acabaram sendo aprisionados pelas bandeiras, que os vendiam como escravos nos mercados de São Vicente e Bahia de Todos os Santos. Aldeias inteiras foram aprisionadas e escravizadas.

Em 1553 iniciou-se a “Missão aos Carijós” com atividade de catequese e proteção, pois os padres jesuítas defendiam a existência de “alma” nos índios.” (...) O extermínio dos índios ocorreu não apenas com as doenças trazidas pelo homem branco (varíola, gripes,sarampo, tuberculose) (...)(AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 31

“Os antigos habitantes do litoral, já estavam há muito extintos2;” 2 Já em 1585 os moradores de São Vicente pediram permissão à Câmara de São Paulo para guerrear contra os Karijó; mas somente no princípio do século XVII a tribo foi subjugada e aniquilada pelos paulistas (Azevedo Marques: Apontamentos Históricos etc. da Província de São Paulo. A lembrança dos Karijó antropófagos e da atuação do Pe. José de Anchieta entre eles persiste ainda hoje nos habitantes do litoral paulista.” (Nimuendajú, 1987:9)


“Segundo Santos, os índios Carijós prestaram uma grande contribuição para a sobrevivência do europeu durante o século XVI, abastecendo com água e caça os navios estrangeiros, mas na medida em que os europeus de firmaram na conquista, aos índios restaram apenas o papel de escravos do branco nos engenhos que começaram a ser instalados (Santos, op. Cit., p. 32)”. (AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 31
“No primeiro século da conquista, entretanto, os “Carijó” foram dizimados ou levados para os mercados escravos de São Vicente. Na região de florestas e campos, da encosta ao planalto, permaneceram dois grupos tribais: os Xokleng e os Kaingang.” ( Santos, ?:30)
“E é importante anotar, o mesmo autor, no livro História de Santa Catarina. (...) SILVIO COELHO DOS SANTOS, História de Santa Catarina. 2a edição. (Edição do autor) São Paulo, SP, 1977. Vem com a autoridade de cientista Social, participante ativo no pequeno grupo defensor e guardião do Índio Brasileiro, ensinar como professor universitário”: “Os motivos que permitiam aos portugueses organizar expedições de guerra justa contra os indígenas, logo se ajuntou outra forte razão. A necessidade de escravos para os trabalhos agrícolas que se iniciavam na colônia. E a parti daí, as bandeiras de caça ao índio tornaram-se comuns. Aqui no sul, os Carijós do litoral e os Guaranis que haviam sido aldeados pelos jesuítas sofreram vários ataques, fornecendo milhares de vítimas par ao mercado de escravos que se instalou em São Paulo.”(veja página 64) Outra afirmação de autoridade em História catarinense informa: “O litoral de Santa Catarina, então denominado Sertão dos Patos ou Terra dos Carijós, pela sua elevada população indígena, passou a ser o palco da investida de inúmeras expedições de caça ao índio.”(Veja WALTER F. PIAZZA, Santa Catarina: sua História. (...)”(Jamundá, 1987:22
“Os mais brandos e humanos do Brasil e, além disso, por habitarem a orla marítima mais facilmente ordável das terras sulinas, quase de todo abandonadas pelo seu donatário, foram os que, desde o início do povoamento europeu, pagaram a maior e mais cruel tributo à fúria escravagista, principalmente dos moradores do litoral paulista”.” Milhares dessas infelizes criaturas escravizadas foram arrotear as fazendas da região citada e também às do Paraguai, para onde passaram a ser criminosamente encaminhadas e vendidas.” (Jamundá, 1987:19)
(1) “As população indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, forma aniquiladas durante o correr do séc. XVI pelas doenças trazidas pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas”; (Santos et alli.1978: 15).

Continuando com a análise do relatório:


Pág. 04 (Transcrição)“A pesquisa arqueológica de equipe de arqueologia do Museu Universitário/UFSC efetivada nos anos de 1989 e 1990 no forte São José de Ponta Grossa, na Ilha de Santa Catarina, aponta, por exemplo, a existência de material cerâmico corrugado, característico da tradição Guarani “ de uma fase pós contato” no local, o que pode comprovar que índios Guarani estavam presentes no século XVIII (Fossari, 1992).

Veja o que diz a bibliografia sobre cerâmica corrugada:


“Ao contrário do que foi usualmente reproduzido pelos arqueólogos, a autora revela que a cerâmica não é o elemento arqueológico que contém os marcadores necessários para distinguir os contextos arqueológicos Kaingang dos contextos Xokleng. (...) Lúcio Tadeu Mota; Francisco Silva Noelli; Kimiye Tommasino (Org.) Urí Wãxí Estudos Interdisciplinares dos Kaingang. Pág.04
A mesma afirmação (“que a cerâmica não é o elemento arqueológico que contém os marcadores necessários para distinguir os contextos arqueológicos Kaingang dos contextos Xokleng.”), não se aplica a tantas outras tribos distintas como os extintos Carijós e os recentes indígenas Guarani Mbya e Nhandeva assentados no Morro dos Cavalos?.
“Atribui-se aos Tupi-Guarani, uma economia de subsistência baseada no plantio de mandioca, algodão, amendoim, bem como na caça e na pesca. As ocupações pertencentes a esta tradição podem ser identificadas pela presença de cerâmica com decoração policrômica (vermelho ou preto sobre branco ou preto ou plástica ( corrugada e escovada) apresentando-se de formas variadas, tais como: Urnas funerárias, panelas, pratos, tigelas etc., associadas a machados líticos polidos e tembetás. Nos costões à beira mar de Ibiraquera podemos encontrar hoje em dia marcas nas pedras como “fundo de panelas” ou “ranhuras” deixadas pelos índios que, ao polirem seus machados e pontas de flechas, gastavam as rochas dos costões.” (...) (AVELLAR, Maria de Lourdes). Pág. 27.
Os Tupi-Guarani a que a autora AVELLAR se refere são os Carijós, e não Guarani Mbya ou Nhandevá como querem os autores do relatório em análise.

Ainda na pag. 04 no mesmo parágrafo do relatório em análise:


Pág. 04 (transcrição) “o que pode comprovar que índios Guarani estavam presentes no século XVIII (Fossari, 1992).”
“o que pode comprovar” não significa está comprovado. Desta vez os autores do relatório em análise foram mais cautelosos e nada afirmaram relativo a cacos de cerâmica ser prova da existência de Guarani Mbya ou Nhandevá na ilha de Santa Catarina ou em suas cercanias no século XVIII.

Continuando com a análise do relatório


Pág. 04 (Transcrição)“Especificamente no que se refere ao litoral do estado no século XX, é possível delinear a história da ocupação ininterrupta de índios Guaranis da região de Morro dos Cavalos 4, considerada referência para os índios das aldeias do interior e do litoral, sobre a qual há dados disponíveis e sendo que interessa especificamente no contexto relativo ao Parque Estadual da Serra do tabuleiro, que conta com expressiva extensão da Mata Atlântica bem preservada. Essas informações advêm:”

Os autores do relatório novamente generalizam o termo “Guarani” sem provar nada sobre a ocupação ininterrupta do Morro dos Cavalos por Mbyás-guarani.

De qualquer forma veja o que diz a bibliografia sobre a “ocupação ininterrupta de índios Guarani na região do Morro dos Cavalos”.
“Em Santa Catarina, nas vizinhanças do litoral próximo a sua capital, nas florestas que cobrem a chamada serra do Tabuleiro, existem indícios reveladores da presença de um pequeno grupo de Xokleng. E há poucos meses obtivemos uma notícia referente à existência de outro grupo arredio, do qual não se conhece detalhes sobre sua filiação tribal, nas florestas vizinhas às cataratas do Iguaçu, no Paraná.”

(SANTOS, Silvio Coelho.) Índios e Brancos no sul do Brasil– A dramática experiência dos Xokleng, 1973:16)
** O autor Professor Silvio Coelho dos Santos não teria percebido a ocupação por Guaranis Mbyá ou Nhandeva do Morro dos Cavalos no ano de 1973, estando este a 30Km do centro de Florianópolis?

“Há mais indícios de que na área da serra do Tabuleiro, ao sul de Santa Catarina, um pequeno grupo de Xokleng arredios sobrevive nas pontas de floresta ainda existentes.” (SANTOS, Silvio Coelho.) Índios e Brancos no sul do Brasil– A dramática experiência dos Xokleng, 1973:33)


** O autor Professor Silvio Coelho dos Santos novamente não teria percebido a ocupação do Morro dos Cavalos por Guaranis Mbyá ou Nhandeva no ano de 1973, estando este a 30 Km do centro de Florianópolis?
“Em santa Catarina, na atualidade, sobrevivem contingentes representativos de duas sociedades tribais, quais sejam: Xokleng e Kaingang. Os Xoklengs, também conhecidos como Botocudo, Aeikom, Kaingang e Bugre, encontram-se aldeados na reserva Duque de Caxias, localizada no Município de Ibirama, no alto vale do rio Itajaí do norte. Alguns poucos remanescentes de um outro grupo Xokleng sobrevivem ainda no lugar denominado São João, próximo ao Município de Calmon. Os Kaingang ocupam uma reserva, denominada Dr. Selistre de Campos, no Município de Xanxerê, na região Oeste do Estado.

(1) Nessas duas reservas estão localizadas ainda algumas famílias Guarani. Essas entretanto, vivem num constante vai-e-vem entre postos do Sul do País. Por isso, não são consideradas aqui”. (SANTOS, Sílvio Coelho, A Integração do Índio na Sociedade Regional -A Função dos Postos Indígenas em santa Catarina) 1970.

** O autor Professor Silvio Coelho dos Santos não teria percebido a ocupação do Morro dos Cavalos no ano de 1970 por indígenas Guarani Mbyá, estando este a 30Km do centro de Florianópolis?

“Os Mbyá, que outrora habitavam o interior das florestas da América do Sul, atualmente dividem o espaço das áreas de outros grupos (como Kaingang e Xokleng), situação que tem gerado graves conflitos. Estes guarani estão em constantes movimentações, podendo ser vistos perambulando pelas rodovias do sul do Brasil, São Paulo, Rio de janeiro e espírito Santo; vendendo artesanato, procurando parentes em outras aldeias, ou em busca de boas terras onde possam viver conforme as leis de sua cultura.” Dissertação “As Divinas Palavras”: Representações Étnicas dos Guaranis- Mbyá. (resumo). (LITAIFF, Aldo, 1991:)


** O autor Aldo Litaiff não teria percebido a ocupação do Morro dos Cavalos no ano de 1991 por indígenas Guaranis Mbyá, estando este a 30 Km do centro de Florianópolis? Considerando esta área, segundo o próprio Aldo Litaiff no relatório que está em análise, ser “referência para os índios” conforme citado na página 04?

O autor do relatório em análise e do trabalho de dissertação de tese não cita a presença de indígenas Mbyá no Morro dos Cavalos em 1991 por que não havia.

Continuando com a análise do relatório

Pág. 04 – a, b, c

Os indígenas citados pela autora são utilizados como massa de manobra, seus depoimentos são contraditórios e nos casos relativos ao início da ocupação do Morro dos Cavalos bem como o local de nascimento de alguns indígenas, não correspondem à verdade dos fatos.



Pág. 04 – d
Os registros acadêmicos oriundos do Departamento de Ciências Sociais da UFSC, referentes aos indígenas do Morro dos Cavalos, devem ser lidos com cautela. Muitas vezes são casuísticos visam interesses acadêmicos onde a ética científica não se faz presente portanto não correspondem a realidade dos fatos.

Pág. 04 – e (Transcrição) “Em razão de seu significado geográfico e simbólico, tratando-se de uma importante e conhecida área de referência para os grupos familiares Guarani de passagem pelo litoral do estado, que a utilizavam como local de paradeiro e devido à sua inserção no território tradicional dos índios Guarani;”
Não foi encontrada nenhuma bibliografia referente ao “significado geográfico e simbólico”, do Morro dos Cavalos ou da presença de Índios Guarani Mbyá ou Guarani Nandheva, o qual se referem os autores do relatório em análise. Vale lembrar que referências atuais neste teor vindo da UFSC, devem pelo menos serem analisadas com muita cautela, pois carecem de ética científica.

Pág. 04 – e. (Transcrição) “Devido a sua inserção no território tradicional dos índios Guarani;”
Esta pequena parte do texto demonstra o verdadeiro interesse dos autores do relatório que é o de conceituar o litoral de Santa Catarina, especificamente o Morro dos Cavalos, território tradicional dos índios Guaranis. Porém novamente não especifica qual grupo de indígenas guarani os autores se referem.

Esta falácia está proporcionando a FUNAI definir a área invadida como sendo “Área Tradicionalmente Ocupada por Indígenas guarani Mbyá”.


Veja o que diz a Constituição Brasileira:
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.



Compartilhe com seus amigos:
  1   2


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal