ANÁlise e diagnóstico da realidade capítulo primeiro



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MÓDULO I

ANÁLISE E DIAGNÓSTICO DA REALIDADE
CAPÍTULO PRIMEIRO

NECESSIDADE E IMPORTÂNCIA DA ANÁILISE E DIAGNÓSTICO DA REALIDADE PARA AS ORGANIZAÇÕES DA CLAT



  1. A TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE COMO UM DOS OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES


Qual é o objetivo das organizações do Movimento dos Trabalhadores? Esta é uma das perguntas chaves que sempre tem que fazer os trabalhadores pertencentes às Organizações do Movimento dos Trabalhadores. Esta pergunta pode ser respondida de diferentes maneiras e com diferentes perspectivas.
Uma delas consiste em afirmar que a natureza e alcance dos objetivos do Movimento dos Trabalhadores dependem da doutrina e a ideologia que tenha e assuma tal movimento. Se a doutrina e a ideologia é de mantimento do estatus, então seus objetivos serão defender e melhorar as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores, dentro da sociedade em que atua. Ao contrário, se as organizações têm uma doutrina e uma ideologia reformista ou revolucionária, então seus objetivos serão defender e melhorar as condições de vida e de trabalho mediante a mudança rápida e parcial (reforma) ou rápida e total da realidade, (revolução).
Outra forma de responder à pergunta é dizendo que o objetivo das organizações do Movimento dos Trabalhadores depende do nível em que se localiza e atua, por exemplo: se é um sindicato ou uma organização de base, seu objetivo será defender e melhorar as condições de trabalho, (salários, jornada de trabalho, higiene e seguridade, prestações, etc) dentro da empresa; vida, dentro e fora das empresas que pertencem ao mesmo ramo ou setor de atividade; e se a organização é uma Confederação ou Central Nacional, então seu objetivo será defender e melhorar as condições de trabalho e de vida de todos os trabalhadores, independentemente da empresa, ramo ou setor em que estejam localizados.
Finalmente, esta pergunta se pode responder de uma forma concreta,(por exemplo: o objetivo do movimento dos trabalhadores é lutar para obter mais salários e menos horas de trabalho), ou de uma forma genérica, (por exemplo: o objetivo fundamental das Organizações do Movimento dos Trabalhadores: Sindicatos, Cooperativas, Populações, Campesinas, etc.), é transformar a realidade que vive a classe trabalhadora. Por sua vez, a realidade da classe trabalhadora por sua parte está constituída por planos estreitamente relacionados e interacionados:

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Por sua vez, as condições de trabalho e as condições de vida estão constituídas pelos seguintes elementos:



Condições de Trabalho

(Dentro do Centro de Trabalho)

Condições de Vida

(Fora do Centro de Trabalho)

1. Salários:

Montante, estrutura, rendimento, classificação e avaliação, gratificações, produtividade, etc.



1. Seguridade Social

Solidária, universal, integral e Participativa, Subsistemas de Saúde, Pensões,etc.



2. Duração do Trabalho: jornadas: diária, semanal, anual, diurna, noturna, dias, feriados, férias, descansos, autorizações segundo ritmos de trabalho, etc. Trabalhos por turnos, em cadeia, repetitivos.

2. Educação:

Educação para o trabalho: Geral, Técnica e Profissional, Atualização, etc.



  1. Higiene e Seguridade:

Ambiente físico interno e externo, riscos psico -sociais, enfermidades e riscos profissionais, seguridade, etc.

3. Programas de Moradia

Moradia Popular, Serviço Públicos: Drenagens, Água potável, seguridade.




4. Direitos Sindicais:

Reconhecimento da liberdade de associação, liberdade de expressão/mobilização dos dirigentes e delegados, informações, formação, etc.



4. Serviços Públicos:

Hospitais, Eletricidade, Água potável, Seguridade, Telefones, Drenagem e calçamento, transporte, pavimentação, etc.




5. Contratação Coletiva


5. Direitos Humanos Individuais e Sociais.

Entretanto e como já dissemos, o alcance e contudo das transformações das tais condições de trabalho e de vida por parte do Movimento dos Trabalhadores depende, fundamentalmente, da doutrina, da ideologia e as posições políticas que este assuma. Se uma organização ou movimento assume a posição pró-capitalista, (a do sindicalismo norte-americano, por exemplo) , então se limitará a lutar pela mudança das condições de trabalho ao interior das empresas, sem lutar pela mudança global da sociedade. Mas se é, por exemplo:uma organização da linha CLAT, então deverá lutar não só para mudar as condições de trabalho ao interior das empresas, mas também lutará pela transformação total da sociedade buscando criar uma sociedade nova onde a classe da classe trabalhadora seja o chefe o centro da mesma.



2. OS SERES HUMANOS E A TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE
É uma verdade universalmente reconhecida dos seres humanos, são os únicos seres capazes de transformar a realidade e de orientá-la segundo suas necessidades e finalidades. O trabalho, como energia humana, convertido em ato inteligente e livre e por tanto, criador, é a forma inicial e mais radical e criativa com que os seres humanos se inserem na realidade e se confrontam com ela para transformá-la. O trabalho humano, deste modo, articula e comunica ao ser humano com a natureza inorgânica e orgânica, com os demais seres humanos e com as estruturas sociais em geral.
Desde o ponto de vista social não é possível separar trabalho e cultura já que se interacionam permanentemente. O trabalho humano é a fonte da cultura e a cultura é a expressão coletiva do trabalho dos seres humanos, quer dizer, da ação dos homens e das mulheres sobre a natureza.
Dito em outros termos,os seres humanos não só atuam (se inserem e coincidem) sobre a natureza, mas também atuam sobre os demais seres humanos e sobre as estruturas sociais. Esta atuação e inserção sobre os demais seres humanos e sobre as estruturas sociais é o que se denomina, em sentido mais amplo possível, “ação social e política”.
3. OS SERES HUMANOS, PARA TRANSFORMAR A REALIDADE, NECESSITAM CONHECÊ-LA
Se os seres humanos são seres que se inserem e se coincidem com a realidade para transformá-la, é evidente que previamente necessitam conhecer essa realidade na forma mais objetiva e científica possível. Quiçá a razão fundamental que devem ter os quadros das organizações afiliadas à CLAT para aprender (ou aperfeiçoar) sua capacidade de análise e diagnóstico da realidade, é que mediante aprendizagem poderão conhecer o mais objetiva e cientificamente a realidade social e política e esta classe de conhecimento, como veremos mais adiante, é fundamentalmente para estar em condições de formular as políticas, as estratégias e os planos operativos mais adequados para transformar eficazmente essa realidade.
4. O CONHECIMENTO DA REALIDADE É SOMENTE O PRIMEIRO PASSO NO PROCESSO DE SUA TRANSFORMAÇÃO

Marx afirmava: “Os filósofos se limitavam a interpretar o mundo de distintos modos, mas que se trata de transformá-lo”. Parafraseando este pensamento, nós poderíamos dizer: “os Quadros-CLAT devem conhecer a realidade não só para interpretá-la, mas fudamentalmente para transformá-la”. “Conhecer transformando e transformar conhecendo” deveria ser um dos postulados dos Quadros-CLAT e parafraseando um pensamento do romancista japonês Yukio Mushima, “conhecer sem transformar é não conhecer”.


Em conseqüência com o anterior, todo o esforço dos Quadros_CLAT e de outras organizações do Movimento dos Trabalhadores para conhecer e compreender a realidade e seu funcionamento deve ser feito em função de poder instrumentar melhores e mais eficazes ações da classe trabalhadora e da suas Organizações de luta. Quer dizer: a preocupação por conhecer adequada e objetivamente a realidade tem todos os setores e classes sociais para com isso poder defender melhor seus interesses seja mediante a conservação ou a mudança dessa realidade. No caso do Movimento dos Trabalhadores em geral e da CLAT em particular, devemos ter sempre a preocupação de planejar nossa ação tendo sempre como norma e guia não só o conhecimento objetivo da realidade, mas também nosso marco de valores e de princípios e nossa ideologia, que dizer: nosso Projeto Político-Histórico de Nova Sociedade.
Finalmente, o conhecimento da realidade ademais de ser uma condição “sine-qua non” de uma transformação eficaz da realidade, deve servir simultaneamente para desenvolver e aperfeiçoar a consciência dos trabalhadores e dos respectivos quadros do funcionamento da sociedade convertendo-se este conhecimento em um fator altamente consciente do sujeito histórico dessa transformação: a classe trabalhadora.
5. O CONHECIMENTO DA REALIDADE TEM QUE SER CIENTÍFICO E TÉCNICO
Como já dissemos acima, o conhecimento da realidade se constitui em um ponto de partida de toda formulação política, estratégica e operativa.
Há posições simplistas que consideram que este conhecimento da realidade se dá gratuitamente, automaticamente, e sem representar nenhum problema. Estas seriam posições baseadas, no melhor dos casos, no conhecimento vulgar ou de sentido comum, da realidade.
Mas há também o conhecimento científico da realidade que opera através da aplicação estrita de certas regras e métodos que permitem uma capacitação- aprender e um manejo mais objetivo da realidade, que é um tanto como dizer um conhecimento da realidade com menos probabilidade de erros, ou se se quer , com maiores probabilidade de certeza.
Em outros termos: a realidade social somente se pode analisar e diagnosticar corretamente se se utilizam instrumentos de caráter teórico e técnico-operativo que provenham das denominadas “Ciências Sociais”, quer dizer: da Sociologia, da Economia, da Política, da Etmologia, da História, da Psicologia Social, etc. e etc. Um conhecimento e manejo mínimo dos fundamentos destas disciplinas é indispensável por tanto para estar em condições de elaborar análises e diagnósticos da realidade.
Mas o manejo das disciplinas mencionadas no parágrafo anterior não basta. É necessário localizar sempre a análise dentro das perspectivas doutrina-ideológicas da CLAT. Quer dizer: a realidade que se tenta conhecer deve ser interpretada sempre a partir de nossa localização como classe trabalhadora e desde a perspectiva de nossos valores e princípios e de nossa concepção da história social e política. Um conhecimento e manejo da Filosofia, da Axiologia (teoria dos valores), da Ética, da Filosofia da História, etc., é necessário para interpretar corretamente os resultados das análises.
Uma visualização desta idéia, poderia ser a seguinte:
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Em síntese
Um movimento político como a CLAT, (político no sentido de que tem uma visão e uma concepção de como deve organizar e funcionar uma sociedade determinada), possui e necessita uma filosofia, que dizer: tem um conjunto de princípios fundamentais que tentam dar respostas a problemas do homem, da classe trabalhadora e de seu entorno e está concretizada em sua “Declaração de Princípios”; ademais confrontando estas concepções básicas contidas na Declaração de Princípios com uma realidade histórica-concreta (o aqui e o agora), tem elaborado uma ideologia, quer dizer: um sistema coerente das idéias, valores, signos e imagens que orientam o comportamento e a ação tende à construção de uma determinada ordem social e política; e tem uma ciência, quer dizer: tem acumulado um conjunto de conhecimentos sobre a ordem social mediante métodos apropriados e específicos que tem a permitir que sua ação-política e seus postulados ideológicos sejam mais eficazes e viáveis.
6. A ANÁLISE E DIAGNÓSTICO DA REALIDADE TEM QUE FAZÊ-LOS OS PRÓPRIOS QUADROS DA CLAT
Se a formulação das políticas, as estratégias e os planos operativos das organizações afiliadas à CLAT dependem de uma análise e diagnóstico correto, coerente e objetivo da realidade e de uma interpretação conforme os interesses e valores da classe trabalhadora, é protagônicamente por pessoas e/ou Instituições ou organizações distantes à CLAT e a suas organizações afiliada, já que isto seria tanto como entregar, “em bandeja de prata”, a formulação da Política e a Estratégia da CLAT e de suas organizações a tais pessoas, organizações e instituições, perdendo com isso não só sua autonomia de pensamento, mas também e fundamentalmente, sua autonomia de ação.
Se o anterior é assim, é necessário que os quadros da CLAT aperfeiçoem seus conhecimentos e desenvolvam suas capacidades e habilidades de análise e diagnóstico mediante a aprendizagem das teorias, dos métodos e das técnicas correspondentes, já que o não ser assim, se põe em grave risco a autonomia de pensamento e ação da CLAT.
Dito em outros termos: é necessário que os Quadros-CLAT conheçam e manejem teórica e tecnicamente, as concepções e orientações próprias das disciplinas científicas envolvidas na Análise e Diagnóstico da Realidade para conhecê-la não só em seus diversos níveis (a empresa, o setor, o país, o continente, etc.), mas também em seus diversos “planos” ou “aspectos” (político, econômico, social e cultural), assim como seus diversos processos, da tal maneira que estejam em condições de:


  • Conhecer e detectar os problemas estruturais e conjunturais mais importantes de tipo político, econômico, social e cultural nos diversos níveis, assim como poder preceder suas possíveis tendências e projeções.

  • Detectar e medir os principais obstáculos que apresenta a realidade sóciopolítica e econômica; obstáculos que impedem e retardam o melhoramento das condições de trabalho e de vida da classe trabalhadora.

  • Com todo o anterior, contribuir para a formulação de respostas de ação transformação dessa realidade, quer dizer: contribuir para a elaboração de políticas, estratégias e planos operativos tendentes a mudar a realidade da classe trabalhadora, se é aceitável, para melhorá-la e se é negativa, para melhorá-la.


EM RESUMO:


  • Os Quadros-CLAT devem, em primeiro lugar, conhecer e manejar a Análise e Diagnóstico que a realidade realiza e tem sua Organização através dos organismos políticos competentes: Congressos, Comitês Executivos, etc.

  • Em segundo lugar, os Quadros-CLAT devem colocar-se em condições de contribuir para o desenho e elaboração da Análise e Diagnóstico, assim como sua revisão e reformulação sistemática e permanente, através da aprendizagem teórico e técnico correspondente. Como diz o provérbio chinês: “Se dás a um homem um peixe, comerá uma só vez, se aprende a pescar, comerá por toda a vida”. Os quadros não só devem conhecer e compartilhar o diagnóstico que a realidade tem, como também e fundamentalmente, desenvolver, melhorar e aperfeiçoar sua capacidade de elaborar seus próprios diagnósticos.

  • Em terceiro lugar, é necessário viver a realidade. Como dissera Juan Domingo Perón: “Não falamos de conhecer uma situação mas de vivê-la. Não é suficiente conhecer os feitos mas deve assimilá-los para poder dizer que não só se conhece a situação mas que se há vivido”.

Se o objetivo da CLAT e de qualquer organização da classe trabalhadora é transformar a realidade, para fazê-la cada dia mais justa, mais democrática e mais humana, é necessário esclarecer e responder as seguintes perguntas: O que é a realidade? Quantas classes de realidade há ou existem? Qual é a realidade específica que a compete conhecer e transformar à CLAT e ao Movimento dos Trabalhadores?


Mas, se para transformar a realidade com eficácia é necessário conhecê-la o mais objetiva e corretamente possível, daqui podemos e devemos deduzir outra série de interrogações: O que é conhecimento? Quantas classes há ou existem? Qual é o tipo de conhecimento que devem utilizar os Quadros-CLAT?
Para responder estas e outra perguntas segue as seguintes linhas.




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