Ano lectivo 2007/2008 Notas a respeito do tempo



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ANO LECTIVO 2007/2008


Notas a respeito do tempo
O Homem sempre se preocupou em definir e compreender um dos conceitos mais ricos e complexos do seu dia-a-dia – o tempo. Trata-se também de uma grandeza indispensável nos mais variados contextos.

Mas o que é o tempo?

“Para Galileu o tempo era, como ainda hoje, uma grandeza que se podia medir com um relógio, tal como o espaço é uma grandeza que se pode medir com uma régua. Medir é, sempre foi, conhecer”. (Fiolhais, 2006)

Segundo os Princípios Matemáticos de Filosofia Natural de Newton existe um tempo absoluto, igual para todos, isto é, todos os relógios marcam o tempo da mesma maneira.

Como medir o tempo? Com que instrumentos?

Há mais de 5000 anos, o tempo media-se recorrendo à posição do Sol. Por exemplo, se este estava alto então era mais ou menos meio-dia. Mas, como é óbvio, as limitações deste processo eram naturais uma vez que não era possível medir o tempo à noite ou nos dias em que não existia Sol. Daí os egípcios terem construído, por volta de 3500 a.C., relógios de Sol primitivos que permitiam medir o tempo através da observação da deslocação da sombra produzida pelo Sol quando este incide numa haste. Contudo, estes relógios continuavam a não resolver o problema da medição do tempo durante a noite. Assim, e para tentar ultrapassar esta dificuldade, surgiram os relógios de água, em que a medição do tempo resultava da passagem de água através de um furo existente numa taça. Se por um lado estes vieram resolver os problemas levantados pelos relógios de Sol, no que diz respeito às limitações referidas anteriormente, por outro não funcionavam nos dias de muito frio, e, portanto, apresentavam também uma limitação.

Na esperança de ultrapassar as dificuldades existentes até à altura, surgiram no século VIII, as ampulhetas, que funcionam de forma semelhante aos relógios de água mas com areia. Todavia estas também apresentavam algumas limitações: na verdade, devido ao peso da areia, só se recorria às ampulhetas quando se pretendia medir pequenos intervalos de tempo.

Dando continuidade à crescente preocupação em aperfeiçoar os instrumentos de medida de tempo, surgiram os calendários.

“A adopção de uma definição geral de calendário como um sistema de registo do tempo que estabelece o início, a duração e as divisões de um ano, sendo estas últimas normalmente o mês e a unidade básica que é o dia, permite a existência de uma variedade de calendários diferentes”. (Nunes, 2006)

Diz a lenda que o Calendário Romano, originalmente criado pelo primeiro rei de Roma – Rómulo, data do século VIII a.C. e era constituído por 10 meses (seis meses de 30 dias e quatro de 31), totalizando 304 dias. Este iniciava-se em Março, onde o primeiro dia coincidia com o equinócio da Primavera, e terminava em Dezembro. Os 304 dias deste calendário eram seguidos de um período de Inverno ao qual não se atribuía nome e cujo número de dias também não era contabilizado. Considerava-se que as pessoas que nasciam neste período eram azaradas.

Só por volta do ano 700 a.C., o sucessor de Rómulo – Pompílio, incluiu no calendário os meses de Janeiro e de Fevereiro, sendo Janeiro o primeiro mês e Fevereiro o último. Apenas no século V a.C. o calendário romano assumiu uma configuração semelhante ao nosso. Mas este calendário estava ainda longe dos 365 dias e 6 horas do ano solar e portanto resolveu-se incluir no calendário um mês intercalar – Mercedonius, inicialmente de dois em dois anos e mais tarde de oito em oito anos. Este calendário era susceptível a pequenos ajustes, consoante os interesses de algumas personalidades em cargos de administração de nomeação anual.

Como não era desejável esta falta de uniformidade, foi Júlio César quem, por volta do ano 46 a.C., procurou colocar alguma ordem na divisão do tempo. Para tal chamou Sosígenes, um astrónomo e matemático alexandrino, que viajou até Roma e propôs um ano médio com 365 dias e 6 horas, valor obtido por ciclos de 4 anos (três de 365 dias e um de 366). Assim, este calendário foi designado de Calendário Juliano. Este instrumento de medida de tempo já constitui uma boa aproximação do ano do calendário ao ano trópico (ano que decorre entre duas passagens sucessivas do centro do Sol pelo equinócio da Primavera). Contudo, houve ainda a preocupação de melhorar a aproximação conseguida, uma vez que se considerava haver um avanço muito grande em relação ao equinócio da Primavera, que, na época, se estabelecia a 25 de Março.

Apesar de ainda não ser um calendário perfeito, uma vez que ainda apresentava, relativamente ao ano trópico médio (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos), uma diferença, para a nossa época, de 11 minutos e 14 segundos, o Calendário Juliano foi usado durante centenas de anos. O atraso provocado por esta continuidade impôs a necessidade de se modificar o calendário existente. Dessa mudança, também defendida pelo Papa Gregório XIII, resultou o Calendário Gregoriano. Depois de alguns estudos, foi apresentada ao Papa a seguinte proposta, a qual, nos finais do século XVI, aprovou e publicou: um ano será bissexto se for múltiplo de 4, mas se for múltiplo de 100 e não de 400, não será bissexto. Esta proposta constituía uma boa aproximação do ano do calendário ao ano trópico - 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 20 segundos. No entanto, havia ainda a recuperar um atraso acumulado ao longo dos anos, e portanto a solução que apresentaram e que a bula papal determinou foi a seguinte: “o dia a seguir a 4 de Outubro, uma quinta-feira, devia ser 15 de Outubro, sexta-feira”. (Nunes, 2006)

Se rapidamente alguns países aceitaram as directivas papais, nomeadamente Espanha, Itália, Portugal e até a Turquia, outros demoraram mais, existindo ainda países que se regem por outros calendários, principalmente para fins religiosos.

Actualmente, os calendários que usamos também não são perfeitos, isto é, não estão de acordo com o Sol, pois apresentam um adiantamento de 26 segundos por ano. Isto significa que ao fim de 3300 anos deveria ser eliminado um dia.
Fica lançado o desafio: Que solução presentar?...
Referências

Fiolhais, C. (2006). Uma brevíssima história do tempo. Educação e Matemática, 89. APM.

Nunes, F. (2006). Como vamos de tempo? Educação e Matemática, 89. APM.

Palhares, P. (2004). Elementos de Matemática para Professores do Ensino Básico. Lisboa: Lidel.



Passagem do milénio
Nem toda a gente concordou que o terceiro milénio tenha começado de facto no dia 1 de Janeiro de 2001 d.C., apesar de muitas celebrações terem ocorrido por todo o Mundo. Muitos defendem que apenas teremos entrado no terceiro milénio no primeiro de Janeiro de 2001.

Entende-se por um milénio um intervalo de 1000 anos e por um século um intervalo de 100 anos. Contudo, porque não existiu o “ano zero” no início desta era, apenas decorreu o período de um ano no final do designado ano 1 d.C.. Note-se que o número 0 apenas é considerado como “entidade numérica” no século XIII. Assim, cem anos apenas terão decorrido no final do ano 100 d.C. e, portanto, o século II d.C. apenas se terá iniciado no dia 1 de Janeiro do ano 101 d.C.. Do mesmo modo, dois mil anos apenas se terão passado no final do dia 31 de Dezembro de 2000, pelo que o terceiro milénio, e o XXI século, apenas se iniciaram, de facto, no dia 1 de Janeiro de 2001.









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