Anteprojeto de Pesquisa Rafael Cardoso dos Santos Feira de Santana



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Anteprojeto de Pesquisa
Rafael Cardoso dos Santos

Feira de Santana

2010
Sumário
Introdução 03

Justificativa 04

Objetos 05

Referencial Teórico 05

Metodologia 06

Revisão Bibliográfica 07

Referência Bibliográfica 08

Introdução
Este trabalho visa analisar a participação política dos batistas, da cidade de Feira de Santana, durante o período de 1970 a 1995, e suas representações criadas sobre essa participação. Durante o período estudado, o Brasil se encontrava inserido em fins do Regime Militar, onde o poder, que perdurava nas mãos do Militares, se contrapunha com um crescente movimento em prol de uma abertura política. Seguindo-se do processo de redemocratização, conquistado pelo movimento de “Diretas Já”, onde se conquistou o voto direto, para a escolha do Presidente da República. (Rodrigues, 2003)

Como já foi estudado, sobre os batistas, temos essa organização como exemplo de democracia e autonomia (Silva, 1998, p. 103) autonomia e independência, essas, que vinham da linha pacifista, que consistia na separação total com o Estado, herdado dos anabatistas, ainda no século XVII(Silva, 1998, p. 94). No Brasil, essa representação, perdurou até fins da República velha, perpassando o Estado Novo, onde o grupo sempre se mantinha longe da participação, direta, nos processos políticos. A partir de fins dos anos 1970, os batistas passam a ter uma participação mais ativa nesses processos chegando até a uma busca pela conscientização política de seus membros, durante os anos 1980 e 1990.

Então, o trabalho visa estudar como os batistas encararam essa participação nos assuntos políticos do Brasil, e quais representações foram criadas a partir dessas nuances por onde percorria a política brasileira. Ou seja, como uma prática que constava em omissão, frente as questões políticas, salvo na interseção, pelos governantes (Silva, 1998, p. 106), passa para uma relação mais intima com a política, a ponto de buscarem um participação em conjunto com uma conscientização? O que faz com que o “tradicional” ou sacralizado (Alves, 1979, p. 11), passe a ser trocado por outro comportamento?

Então, me vi intrigado com a participação dos Batistas no cenário político com comportamentos ambíguos: No Regime Militar, se mostraram a favor do Governo e anticomunista, chegando a satanizar os movimentos que se baseavam em linhas Marxistas(Almeida, 2008, p.33) e logo com a Redemocratização, passaram a ter uma participação tanto na política, quanto na busca pela conscientização política, sobre os fiéis, o que não era permitido no Regime anterior. O argumento principal era de que a presença protestante na política era a melhor forma de “salvação” para o Estado Nacional. Temos a criação do MEP – Movimento Evangélico Progressista -, demonstrando a busca pela presença evangélica nos congressos. (Guimarães, 2002, p.36-38)


Justificativa
Dentro das relações políticas, temos análises quanto as representações sobre as mudanças de outros períodos significativos, porém, vejo dentro da passagem do Regime Militar, seguindo até o início da Redemocratização, um período que guarda mudanças significativas no comportamento da denominação batista, e que não tiveram uma análise mais profunda.

Nesse período, que ora estudamos, podemos ver a gradativa inserção dos batistas no campo da política, a ponto de se tornarem co-participantes da política nacional. Os Batistas passaram a buscar um envolvimento mais direto com as lideranças políticas, enquanto apoiavam, diretamente, o Regime Militar, chegando a fecharem os olhos para os ideais de democracia, antes pregados como marcas permanentes do grupo e passarem a agir sem o consentimento dos demais membros (Almeida, 2008, p. 42 – 43). Já, após o movimento das “diretas já” e a criação da nova constituição, onde revive a democracia – baseada no voto direto, sem a presença do colégio eleitoral – não só os batistas, como os protestantes em geral, passam a buscar uma participação não mais, somente, de barganhagem, mas uma participação dentro das instâncias políticas (Silva, 2008, p. 7)

Então, na área de estudo dos grupos reformados, temos uma variante no comportamento ante as questões políticas e que chegam ao ponto de uma renovação nas representações de um grupo. Ou seja, como os batistas encararam essa participação política? Quais os fatores que os levaram a tomarem essa posição ante a política e suas manobras? O que almejavam e que representações criaram nesse período de mudanças tão significativas para a formação da identidade desse grupo, assim como do país? É baseado nessas inquietações que me aprofundarei em busca das respostas.

Objetivos Gerais

Analisar as relações políticas dos batistas nos anos de 1970 – 1995, em Feira de Santana e suas representações sobre essas relações


Objetivos específicos

Analisar as vicissitudes no comportamento ante as relações com a política do período.

Analisar as representações criadas sobre a participação e a conscientização política dos membros das Igrejas Batistas.
Referencial Teórico

Quando entramos no ramos da história das religiões, não podemos esquecer, jamais, a íntima relação que esta tem com a história cultural. Por conta de a religião ser um produto, direto, das ações culturais e sociais do ser humano.

Roger Chartier (1990) vem por meio da idéia de representação, dar um suporte para que se possa entender como os grupos, em geral, criam em cima de seus interesses uma imagem da realidade onde está inserida. Podemos notar essa função no trecho que diz que:

“As representações do mundo social assim construídas, embora aspirem à universalidade de um diagnóstico fundado na razão, são sempre determinadas pelos interesses de grupo que as forjam. Daí, para cada caso, o necessário relacionamento dos discursos proferidos com a posição de quem os utiliza” (Chartier, 1990, p. 17)


Então, temos nesse autor, um norteamento onde nos baseamos para entender, em meio aos discursos e às simbologias, criadas pelos batistas sobre o período e suas nuances estudadas, quais eram suas reais intenções. Então, venho tentar analisar essa participação política e suas bases, ou representações, tendo em vista que “todas elas são historicamente produzidas pelas práticas articuladas (políticas, sociais, discursivas) que constroem suas figuras” (Chartier, 1990, p. 27)

Metodologia

Quando se falar de batistas e política, temos de ter em mente que lidamos com um grupo social, que se relaciona de maneiras diversas com todos os campos da sociedade. Ao investigar o comportamento desses grupos podemos nos utilizarmos de diversas fontes que nos levam a construir uma identidade de um determinado grupo.

Podemos nos utilizar de:


  1. Literaturas eclesiásticas; que correspondem a produções literárias da organização e que nos revela as apropriações e criação dos discursos utilizados por esse grupo em especial.

  2. Impressos; com os quais temos registros das comunicações estabelecidas entre a CBB, com os demais membros e líderes de todas as igrejas batistas, do Brasil e os Jornais da Cidade de Feira de Santana, por ai estarem inseridos. Nesses periódicos, podemos analisar os discursos utilizados pela organização em relação aos acontecimentos da sociedade. Dentre eles temos: O jornal batista e O Jornal Batista Baiano, que foram importantes veículos na comunicação da denominação, Os Jornais: Folha do Norte e Feira Hoje, Os Boletins dominicais em conjunto com as revistas da denominação: Administração Eclesiástica e Visão Missionária.

  3. Manuscritas; que são compostas pelos livros de Atas, onde se encontra registradas as decisões tomadas pela igreja relacionadas à administração da igreja. As pesquisas serão feitas nas Atas da Igreja Batista Alvorada, Primeira Igreja Batista de Feira de Santana e do Seminário Teológico Batista do Nordeste.

  4. Orais; que correspondem a entrevistas com membros das duas igrejas pesquisadas, assim como de líderes e de integrantes que foram seminaristas no período estudado, por assim tentar entender como os variados setores da organização batista encaravam essa participação com a política brasileira



Revisão Bibliográfica

Começo a analisar os batistas, a partir da tese de Elizete da Silva – Cidadãos de outra Pátria – Anglicanos e Batistas na Bahia (1880 – 1930) -, que trabalha a atuação, tanto dos batistas quanto dos anglicanos – já que não podemos deixar de lado as relações entre esses grupos protestantes dentro do campo religioso, nem esquecer da idéia de campo religioso -, como esses grupos se estabeleceram e quais as representações sobre o cenário baiano de 1880 – 1930. A autora trabalha a relação dos batistas, frente ao quadro econômico, político e cultural, da cidade de Salvador, ressaltando a relação do grupo protestante com as classes mais baixas e a pouca expressividade em relação ao poder, tanto político quanto econômico, da cidade no período trabalhado.

Junto dessa relação religiosa (Batistas, anglicanos e católicos) Silva trabalha as questões econômicas e políticas que permeiam a chegada dos dois grupos protestantes e qual a influência dessas questões na relação da população da província baiana com as duas denominações. Essa questão me chama a atenção, por trabalhar as representações dos grupos no início da formação da República no Brasil, com os conflitos com a igreja majoritária e a relação com as classes do período.

Como a pesquisa tem como local de atuação a cidade de Feira de Santana, é indispensável a dissertação de Zózimo Trabuco – O Instituto Bíblico Batista do Nordeste e a Construção da Identidade Batista em Feira de Santana (1960 – 1990) -, que trabalha a formação da identidade batista em Feira de Santana, na imagem do Seminário Teológico Batista do Nordeste, e na relação pública dos batistas com a sociedade. O autor vem contribuir com um estudo sobre a influência do IBBNE, na construção da identidade batista em Feira de Santana, e como o Instituto, agiu na construção e consolidação dessa identidade.

Relacionado a participação política dos batistas, no período do Regime Militar e na Redemocratização, temos as obras de Luciane Almeida – A igreja anticomunista: representações dos batistas e dos fundamentalistas sobre o regime militar em Feira de Santana (1964 – 1980) -, que analisa, profundamente, a presença direta de membros da organização batista, na política brasileira, podemos nos remeter a Tarcísio Guimarães – Os Batistas e as questões políticas em Feira de Santana – que faz uma breve análise ao comportamento dos batistas no período da Redemocratização e sem deixar de fazer um diálogo com Paul Freston – Evangélicos na Política brasileira: História Ambígua e desafio ético – onde faz um estudo sobre a participação política dos protestantes do período colonial até a abertura política.
Referência Bibliográfica

ALMEIDA, Luciane Silva de. “A igreja anticomunista: Representações dos batistas e dos fundamentalistas sobre o Regime Militar em Feira de Santana.” Relatório Final. PIBIC. UEFS, Feira de Santana, 2008



ALVES, Rubem. “Protestantismo e Repressão”. São Paulo: Ática; 1979

CARDOSO, Ciro Flamarion & VAINFAS, Ronaldo. “Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

CHARTIER, Roger. “A história Cultural: Entre práticas e representações”. Lisboa, Difel: 1990

GUIMARÃES, Tarcísio Farias. "Os Batistas e as questões políticas em Feira de Santana" in: Epistemê, Feira de Santana, ano 4, n.1, jan/jun 2002.

PEREIRA, José dos Reis. “Breve História dos Batistas” 2 ed. Rio de Janeiro, JUERP, 1979

____________________. “História dos Batistas no Brasil (1882 – 1982)”. Rio de Janeiro, JUERP, 1982

RODRIGUES, Alberto Tosi. “Diretas já – O grito preso na garganta” 1 ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003 – (Coleção história do povo brasileiro)



SILVA, Elizete da. “Cidadãos de outra pátria: anglicanos e batistas na Bahia” Tese de professores – UEFS, 1998.

_______________. “Os Batistas e o Governo Militar: Deus Salve a Pátria”, comunicação apresentada ao X Simpósio da ABHR, São Paulo, 2008

SILVA, Igor José Trabuco da. “A Atuação político-religiosa da Assembléia de Deus de Feira de Santana” Comunicação apresentada no IV Encontro Estadual de história – ANPUH – BA, Vitória da Conquista, 2008

SOUZA, Valéria Lopes de. “Servidoras da causa: mulheres batistas em Feira de Santana” Feira de Santana, UEFS, 2004

SYLVESTRE, Josué. “Irmão vota em Irmão: os evangélicos, a constituinte e a bíblia”. Brasília: Pergaminho, 1986.

TAVARES, L. H. Dias. “História da Bahia”, 11 ed. São Paulo: Ed. Da UNESP; Salvador: EDUFBA, 2008

TRABUCO, Zózimo Antonio Passos. “Entre a ruptura cultural e a contextualização: a construção da identidade batista em Feira de Santana”. Salvador, UFBA, 2006. Dissertação de mestrado.

TRIBBLE, H.W. “Nossas doutrinas” 5 ed. Rio de Janeiro, JUERP, 1979



WALKER, Willinston. “História da Igreja Cristã” 4 ed. Rio de Janeiro/São Paulo, JUERP/ASTE, 1983


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