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E-books Evangélicos



Claudionor de Andrade

Geografia

Bíblica


Todos os Direitos Reservados. Copyright © 1987 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus.



220.91 Andrade, Claudionor Corrêa de, 1955 -

Alg Geografia Bíblica. Rio de Janeiro . / CPAD, 1987.

1. Bíblia - Geografia, Civilização e Descrição. I. Título.

CDD - 220.91



Casa Publicadora das Assembléias de Deus

Caixa Postal 331

20001, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
10.000/1987
2ª Edição/1993

3ª Èdição/1994


Índice
Prefácio

Apresentação

Dedicatória

Introdução


Primeira parte

A cosmogonia hebraica


Segunda Parte

Os Impérios humanos e a supremacia divina

Império Egípcio

Assíria


Babilônia

O Império Persa

O Império Grego

O Império Romano


Terceira Parte

Israel, palmilhando a Terra Santa

O solo sagrado por excelência

Planícies da Terra Santa

Vales da Terra Santa

Planaltos da Terra Santa

Montes da Terra Santa

Desertos da Terra Santa

Hidrografia da Terra Santa

Clima da Terra Santa


Quarta parte

Geografia Econômica da Terra Santa


Quinta parte

Geografia Humana da Terra Santa


Sexta parte

Geografia Política da Terra Santa


Sétima Parte

Jerusalém - A Capital Indivisível e Eterna de Israel 197

Cidades e Estradas da Terra Santa


Prefácio
Sinto-me duplamente honrado em prefaciar Geografia Bíblica, de Claudionor Corrêa de Andrade. Primeiro, pela modalidade de escritor que ele é. Dedicado, seleciona com esmero o material utilizado em suas pesquisas para a ela­boração de uma obra literária. Honesto, não se deixa do­minar pelo impulso de apenas escrever, mas, de apresentar o melhor para o conhecimento de seus leitores. Em segun­do lugar, pelo privilégio de estar diante de um compêndio que enfoca a Terra Santa, a Pátria terrena de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Dividida em sete partes, esta geografia bíblica apre­senta a cosmogonia, ou seja, o sistema hipotético da for­mação do Universo, através dos registros bíblicos. Relacio­na os fatos interessantes decorridos nos impérios egípcio, assírio, babilônico, persa, grego e romano. Palmilha Israel, e mostra o solo sagrado por excelência, as planícies, os va­les, os planaltos, os montes, os desertos, a hidrografia, o clima, a flora, a fauna e os minérios. Retrata a família hebraica, seus costumes e suas leis. Por último, penetra em Jerusalém, a capital indivisível e eterna do Estado Judeu, e nas cidades da antiga Palestina, como Jerico, Be­lém, Hebrom, Jope, Nazaré, Cafarnaum, Samaria e Decápolis (as dez cidades), além de percorrer as principais es­tradas como as da costa, do centro e leste do País.

Tenho a absoluta certeza de que todos quantos usu­fruírem das informações contidas neste livro, dar-se-ão por satisfeitos.
Mardônio Nogueira, pr.

Chefe da Divisão de Livros da CPAD



Apresentação
Eu amo a Terra de Israel. Gostaria de conhecê-la. Tal­vez, algum dia, possa visitar a terra que mana leite e mel, e palmilhar os caminhos dos profetas, juízes, reis, sábios e apóstolos hebreus. Israel exerce um poder muito grande sobre a minha alma; interiormente, sinto-me um israelita. Por esse motivo, choro as dores do povo judaico e não con­sigo compreender o diabólico sentimento de anti-semitismo responsável pelo Holocausto.

Hoje, infelizmente, não poucos pseudo-intelectuais e políticos inescrupulosos tentam amainar os horrores do ho­locausto, que se constituiu na maior tragédia do povo elei­to. Essa bárbara matança de seis milhões de homens, mu­lheres e crianças pela Alemanha de Hitler, durante a Se­gunda Guerra Mundial, é considerada um mal necessário e uma conseqüência inevitável da luta pela sobrevivência, por alguns pseudo-intelectuais e políticos inescrupulosos.

Sobre essa perigosíssima retórica, discorre o pastor Martin Hiemoeller, pouco antes de ser sacrificado nos idos de 1940, na Alemanha: "Primeiro, eles vieram buscar os comunistas. Não falei nada, pois não era comunista. De­pois, vieram buscar os judeus. Nada falei, pois não era ju­deu. Em seguida, foi a vez dos operários, membros dos sin­dicatos. Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado. Mais tarde, levaram os católicos e nem uma palavra pro­nunciei, pois sou protestante. Agora, eles vieram me bus­car, quando isso aconteceu não havia ninguém para falar." Três anos após ser escrita a mais trágica da história judaica, ou melhor, da história da própria humanidade, Is­rael renasce. No dia 14 de maio de 1948, é lida a declaração de independência da nova e milenar nação. É justamente sobre a geografia dessa maravilhosa terra que falamos nes­te livro. Caminhemos, pois, nesse solo sagrado.
Em Cristo,

Claudionor Corrêa de Andrade



Dedicatória
Dedico este livro, com muito amor e carinho, aos meus pais: Vitória Corrêa Quintella e Claudionor Pinheiro de Andrade. Eles ensinaram-me a trilhar o caminho da ver­dade e a me encontrar com o Senhor Jesus Cristo. Aos meus queridos pais dedico todas as vitórias que tenho al­cançado em nome de Jesus. Sei muito bem que eles conti­nuam a orar por mim, para que eu vença novos desafios e transponha outras montanhas.


Introdução
Sumário: I - O que é a Geografia? II - A Geografia através da História. III - A estruturação científica da Geografia. IV - A Geografia Bíblica e a sua importân­cia.
A História situa o drama humano no tempo. Pelas asas da cronologia, leva-nos a acompanhar os passos de nossos ancestrais até os nossos dias. Possuímos, porém, uma exigente concepção espacial. Curiosos, de quando em quando, indagamos: "Onde, exatamente, deu-se tal fato?" A Historiografia, por ser documental e limitar-se às crôni­cas, não pode responder-nos tais questões com precisão.

Recorremos, então, à Geografia.

Situando-nos nos palcos da tragédia humana, dá-nos uma idéia mais ampla e mais clara do nosso passado. Atra­vés dessa ciência, trilhamos os caminhos de nossos pais e demarcamos os raios de ação de nossos filhos.

Mas, qual a afinidade entre a História e a Geografia?

Afrânio Peixoto responde: "A Geografia será assim a ciência do presente, explicada pelo passado; a História, a ciência do passado, que explica o presente. "

Conscientes dos reclamos temporais e espaciais do es­tudioso das Sagradas Escrituras, escrevemos esta obra. Unindo a História à Geografia, possibilitamos ao leitor lo­calizar os fatos no tempo e no espaço, desde os primeiros representantes da raça humana até os apóstolos de Cristo.

Faremos uma fascinante viagem da Mesopotâmia à Europa. Percorreremos os caminhos antigos, para com­preendermos por que a nossa fé é tão atual. A Bíblia fornecer-nos-á o roteiro. Ás informações geográficas contidas nas Sagradas Escrituras são exatas e reconstituem, com fi­delidade e riqueza de detalhes, a topografia e as divisões políticas da antigüidade. O Estado de Israel, a propósito, com base em informações bíblicas, redescobriu várias mi­nas exploradas pelo rei Salomão que, hoje, continuam a produzir divisas à essa jovem nação.

Entretanto, vejamos como se desenvolveu essa ciência chamada Geografia. Comecemos por defini-la.


I - O QUE É A GEOGRAFIA?

Segundo a etimologia da palavra, "geo" terra; "graphein" descrever, a Geografia limitou-se, de fato, du­rante séculos, a descrever a Terra. Entretanto, a partir do Século XIX, assumiu um caráter científico. Não mais li­mitou-se à descrição; passou, também, a explicar os fatos.

No entanto, as definições variam de autor para autor.

Para o alemão Alfred Hettner, Geografia é o ramo de estudos da diferenciação regional da superfície da Terra e das causas dessa diferenciação.

Richard Hartshorne declara ser o objetivo da Geogra­fia "proporcionar a descrição e a interpretação, de maneira precisa, ordenada e racional, do caráter variável da su­perfície da Terra".

Ambas as definições, porém, "carecem de consenso sobre o que se entende por superfície da Terra". A Enciclo­pédia Mirador Internacional pondera: "Tomar como tal apenas a face exterior da camada sólida e líquida, ilumina­da pela luz do Sol, eqüivale a suprimir do campo de interesse geográfico as minas e a atmosfera. Nesta ocorrem os fenômenos meteorológicos e se configuram os tipos climá­ticos de profunda influência na vida de todos os seres e, particularmente, na atividade humana.


II - A GEOGRAFIA ATRAVÉS DA HISTÓRIA

1.1 Na Antigüidade

Os conhecimentos geográficos dos egípcios limitavam-se ao Nordeste da África, à Ásia Ocidental e à Assíria. Os fenícios e gregos foram mais longe. Estimulados por inten­sas transações comerciais, vasculharam o mar Mediterrâ­neo. Afoitos e aventureiros por natureza, fundaram Cartago, em 800 a.C, transpuseram o estreito de Gibraltar e chegaram às ilhas britânicas. Eles, afirmam alguns estu­diosos, aportaram, inclusive, nas costas brasileiras, onde deixaram inscrições em vários monolitos.

Mais comedidos, os gregos limitaram-se à região do Mediterrâneo. Fundaram diversas cidades, entre as quais Massília (atual Marselha). Alexandre Magno foi quem alargou os conhecimentos geográficos dos helenos, em vir­tude de suas rápidas, fulminantes e dilatadas conquistas. Saindo da Macedônia, na Europa Oriental, ele alcançou a índia, no Extremo Oriente.

Renomados pensadores gregos dedicaram-se ao estudo da Geografia: Píteas, Heródoto, Hipócrates, Anaximandro, Tales, Eratóstenes e Aristóteles. Concebiam os ocea­nos unidos em uma só massa líquida e os continentes em uma só massa de terra. O primeiro conceito seria corrobo­rado por navegadores europeus dos séculos XV e XVI.

1.2 - Em Roma

Pragmáticos, os romanos não se limitaram ao mundo conhecido pelos gregos. Foram além. Em virtude de suas vastíssimas conquistas, alargaram, sobremaneira, os co­nhecimentos geográficos de então. Seus generais, durante as guerras expansionistas, elaboraram minuciosos relató­rios acerca das novas possessões romanas. Júlio César, por exemplo, escreveu "Comentários sobre a guerra contra os gauleses", obra riquíssima em informações geográficas.

Políbio e Estrabão deixaram importantes tratados geográficos. Os trabalhos de Estrabão, aliás, são tão abali­zados que foi chamado o pai da Geografia. Sem os seus apontamentos, os geógrafos posteriores encontrariam enor­mes dificuldades para elaborar descrições mais acuradas da Terra.

1.3 - Na Idade Média

A Geografia não progrediu na Europa durante a Idade Média. Detentor do monopólio cultural, o clero só transmi­tia ao povo as informações que, segundo seu critério, esti­vessem de conformidade com os textos sagrados e com as tradições católicas. Apesar das Cruzadas à Terra Santa, não houve progresso sensível nas informações geográficas.

Muitos conceitos bíblicos foram deturpados nessa é-poca pela "Santa" Sé. Os padres ensinavam ser a Terra plana, em uma despropositada alusão à mesa do Taberná-culo. Afirmavam, também, ser o Sol o centro do Universo, ao interpretar, erroneamente, uma passagem do livro de Josué.

Censurados, os escritos de Marco Polo em nada con­tribuíram para o desenvolvimento da Geografia. Os povos pagãos, entretanto, livres dos tentáculos de Roma, apre­sentaram notáveis progressos nessa ciência, notadamente os víquingues.

Com o islamismo, os conhecimentos geográficos foram dilatados. Os árabes chegaram à China, embrenharam-se na Rússia e dominaram a África. Ibn Haw'qal deixou im­portante obra, contendo preciosas descrições das terras conquistadas pelos maometanos. A Geografia, para o Islã, é uma ciência agradável a Deus, por facilitar a peregrina­ção dos fiéis a Meca.

1.4 - Tempos Modernos

Com as descobertas de novos continentes, Portugal e Espanha deram inestimável contribuição à Geografia. 0 capitalismo mercantilista do Século XV, XVI e XVII, le­vou ambos esses povos ibéricos às mais remotas regiões do Globo. O descobrimento do Novo Mundo marcou, de for­ma definitiva, o fim de uma era de obscurantismo. Finalmente, o homem redescobria uma verdade elementar dita no Século VIII a.C. pelo profeta Isaías: a Terra é esférica. Galileu. enfim, tinha razão.

A partir dos feitos de Colombo. Vasco da (lama e Cabral, começaram a ser produzidas, com mais regulari­dade, obras geográficas especializadas. 0 jovem alemão Varenius. notável pela sua genialidade, escreveu dois tra­tados: Geografia generalis e Geografia specialis. O segundo trabalho, aliás, não pôde ser completado, por causa da morte prematura do autor.

Kant empreendeu vários estudos geográficos, objeti­vando conhecer empiricamente o mundo.
III - A ESTRUTURAÇÃO CIENTÍFICA DA GEO­GRAFIA

Deve-se a dois sábios alemães, a estruturação da Geo­grafia como ciência. Ambos viveram na mesma época é. durante algumas décadas, em Berlim. Alexander von Humboldt (1769-1859) e Carl Kitter (1779-1859). Influen­ciados por Varenius e Kant, traçaram novos métodos e ru­mos para a Geografia.

Eles não objetivavam contrariar os postulados de seus antecessores. Apôs seus estudos, porém, tornou-se possí­vel, por exemplo, fazer a correlação dos fenômenos carac­terísticos de uma região. A Geografia deixou de ser um mero acervo de dissertações e descrições á disposição de militares e administradores, para tornar-se uma ciência madura e dinâmica. Hoje. aliás, lançamos mão de seus métodos, inclusive, para confirmarmos a veracidade e a exatidão das informações bíblicas.
IV - A GEOGRAFIA BÍBLICA E A SUA IMPORTÂN­CIA

Farte da Geografia Geral, a Geografia Bíblica tem por objetivo o conhecimento das diferentes áreas da Terra re­lacionadas com as Sagradas Escrituras. Descrevendo e de­limitando os relatos sagrados, dá-lhes mais consistência e autenticidade e auxilia-nos na interpretação e compreen­são dos fatos bíblicos.

A Geografia Bíblica, definida por Mackee Adams como o "painel bíblico em que o Reino de Deus teve o seu início e onde experimentou seus triunfos". é indispensável a todos os estudiosos da Bíblia.


Primeira Parte
A cosmogonia hebraica
Sumário: Introdução. I - A matéria original. II - A esfericidade da Terra. III - Heliocentrismo ou geocentrismo? IV - O Supremo Comandante do Universo.
INTRODUÇÃO

Apesar de não ser um livro científico, a Bíblia não emite nenhum conceito errôneo acerca da formação do Universo. Sua doutrina cosmogônica tem sido corroborada por cientistas das mais diferentes especialidades.

Podemos confiar sem reservas nas Sagradas Escritu­ras.

Por causa das absurdas interpretações do catolicismo romano, a Bíblia sofreu impiedosas investidas de muitos "sábios segundo o mundo". Tacharam-na de retrógrada e alienígena. Iluministas e renascentistas, dando excessiva ênfase à razão, consideraram-na um livro anacrônico.

O Livro dos livros, entretanto, continua atual, mos­trando, em todas as épocas, sua contemporaneidade, seus conceitos, imbatíveis, sua cosmogonia lógica e plausível.
I - A MATÉRIA ORIGINAL

Existiu, realmente, o que os gregos denominaram de matéria original? Caso tenha existido, como podemos identificá-la? Como a Bíblia se posiciona a respeito?

Vejamos, em primeiro lugar, como os helenos encara­vam a questão da matéria original.

Anaximandro, pertencente à Escola Jônica, defende que o mundo teve origem a partir de uma substância inde­finida: o "apeiron" em grego, sem fim.

Para Tales de Mileto, era a água o elemento do qual todos os demais são originários. Ele foi levado a posicionar-se, dessa forma, explica Aristóteles, depois de observar a presença da água em todas as coisas.

Anaxímenes de Mileto afirma ser o ar o princípio de tudo. Até o fogo, argumenta, depende do ar. O que dizer da água em estado gasoso? Tivéssemos, entretanto, oportuni­dade de questioná-lo, perguntar-lhe-íamos: "Qual a ori­gem do ar?" Será que ele poderia responder-nos? Não bas­ta asseverar ser este ou aquele elemento a matriz da ordem cósmica. Interessa-nos saber, acima de tudo, como surgiu o Universo.

Acreditava Heráclito estarem todas as coisas em cons­tante devenir. Tudo corre, tudo flui, ensinava. Se o Cosmo transmuta-se sem parar, para onde caminhamos? Se a or­dem física altera-se indefinidamente, em um futuro próxi­mo seremos precipitados em um imensurável abismo. A teoria heraclitiana em vão tenta explicar-nos o surgimento do mundo.

Cria Empédocles serem quatro os elementos originais: ar, água, terra e fogo. Mais tarde, essa tese seria esposada por Aristóteles e, por mais de vinte séculos, foi tida como dogmática. Platão não a aceitava: Diz ele: "Os quatro ele­mentos parecem contar um mito, cada um o seu, como faríamos às crianças".

Anaxágoras declara o seu credo. O Universo é formado por diminutas partículas. Para o pensador de Clazomena. elas podem estar em estado inanimado ou não. Aristóteles denominou-as de hemeomerias. A semelhança dos outros sábios gregos, deixou-nos na ignorância. 20

Leucipo, principal representante da Escola Atomística, aperfeiçoada por Demócrito, apregoa serem todas as coisas, inclusive a alma, compostas por corpúsculos, in­visíveis a olho nu. Esses corpúsculos são conhecidos como átomos.

Alguns pensadores gregos, todavia, aproximaram-se timidamente do criacionismo bíblico.

Pitágoras de Samos, em seu cego devotamento pela matemática, aponta Deus como a Cirande Unidade e o Nú­mero Perfeito. Dele, aduz, nasceram os mundos e o ho­mem.

Fundador da Escola Eleática, Xenófanes mostra-se monoteísta. Não hesita em desprezar a mitologia helena, por crer que o Universo é obra de Deus, do único Deus.

O que diz a Bíblia acerca da matéria original?

O autor da Epístola aos Hebreus escreve: "Pela fé en­tendemos que foi o Universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem" (Hb 11.23).

Pela fé, apenas pela fé. Ousaria alguém fazer seme­lhante afirmação? É-nos impossível, por causa de nossas limitações, entender como Deus criou o Cosmo do nada. Os escritores sagrados descartam, radicalmente, a existên­cia de uma matéria original. Para eles, todas as coisas fo­ram criadas, simplesmente, pela palavra de Deus.

Não há explicação mais plausível e convincente!

No Areópago, Paulo mostra-se convicto ante os filóso­fos epicureus e estóicos: "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe..." (At 17.24). Homem de fé, assevera aos exigentes helenos que, do nada, do não-ser, o Todo-poderoso fez os céus e a Terra.

Os gregos, durante séculos, receberam de seus sábios as mais desencontradas e absurdas idéias acerca do apare­cimento do Universo. O apóstolo, contudo, rejeita-as e ex­põe-lhes as mais cristalinas verdades concernentes à gêne­se do Universo.

É muito importante ao homem saber sua origem e a de seu habitai. Mostremos, pois, aos que jazem em trevas ser Deus o Criador do Universo. Mostremos, acima de tudo, ser Deus rico em misericórdia e que, não obstante seu imenso poder, está pronto a receber-nos por intermédio de -Jesus!
II - A ESFERICIDADE DA TERRA

Alguns sábios egípcios acreditavam estar a Terra sus­pensa sobre cinco colunas. Outros admitiam haver sido o nosso mundo chocado de um descomunal ovo cósmico. Os mais desvairados diziam estar a linda esfera azul librando-se no infinito com um magnífico par de asas.

Moisés, embora fosse educado em toda a ciência do Egito, jamais transportou para seus escritos quaisquer res­quícios da mitologia e da cosmogonia egípcias. Inspirado pelo Espírito Santo, revela-nos a verdadeira gênese dos céus e da Terra.

Os gregos, não obstante seu espírito inquiridor e apego ao saber, só descobririam as verdades reveladas aos santos do Antigo Testamento concernentes à esfericidade e ao movimento da Terra, séculos mais tarde.

Cognominado de o "pai da ciência", Tales de Mileto, que viveu um século após Isaías, desconhecia a forma da Terra. Ele a imaginava com o formato de um pires.

Anaxágoras, contemporâneo de Tales, ensinava ter o nosso habitat forma cilíndrica e que se mantinha centrado no espaço, em virtude da pressão atmosférica.

Insuperável em seus conhecimentos, Pitágoras, depois da Bíblia, foi o primeiro a declarar ser a Terra uma esfera em constante movimento. Seus postulados só seriam ultra­passados por Copérnico, que nasceria quase dois milênios após sua morte.

Aproximando-se da moderna astronomia, Aristarco conclui, no Século III a.C, ser a Terra muito menor do que o Sol. Descobriu, também, estar o nosso planeta movendo-se em redor do astro-rei.

A forma da Terra é, realmente, esférica?

Responde-nos a Bíblia, por intermédio do profeta Isaías: "Ele |Deus| é o que está assentado sobre o globo da Terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos: ele é o que estende os céus como tenda para neles habitar..." (Is 40.22.) Essa verdade foi dita no Século VIII a.C e conti­nua atual. Não pode ser contestada!


III - HELIOCENTRISMO OU GEOCENTRISMO?

Ensinadas, principalmente por Ptolomeu, as teorias geocêntricas eram a base do ensino astronômico medieval. Todos (com raras exceções) criam ser a Terra o centro do Universo. Em torno dela, giravam os demais planetas e o próprio Sol. A Igreja Romana tinha o geocentrismo como dogma. Ai de quem ousasse pensar de outra maneira! So­freria todos os rigores do "Santo" Ofício e da insana e bes­tial "Santa" Inquisição.

Nicolau Copérnico (1473-1583), entretanto, instigado pelos ares renascentistas da cultura greco-romana, volta-se às idéias de Pitágoras, Heráclites do Ponto e Aristarco de Samos. Inconformado com as complicações do geocen­trismo, admite a hipótese heliocêntrica, segundo a qual é o Sol, e não a Terra, o centro do Universo.

Formado em Medicina, Matemática, Leis e Astrono­mia, afirma Copérnico, esse padre ilustre, em seu famoso tratado De Revolutiones Orbium: "Não me envergonho de sustentar que tudo que está debaixo da Lua, inclusive a própria Terra, descreve, com outros planetas, uma grande órbita em redor do Sol, que é o centro do mundo ... E sus­tento que é mais fácil admitir o que acabo de afirmar, do que deixar o espírito perturbado por uma quantidade qua­se infinita de círculos, coisa a que são forçados aqueles que retém a Terra fixa no centro do mundo."

A teoria do renomado polonês, confirmada pela ciên­cia, foi uma das principais causas da crise científico-religiosa iniciada no Século XVI. A Igreja Romana opôs-se ferozmente ao posicionamento coperniano. A obra do in-signe cônego foi condenada pela Santa Sé e incluída no In­dex. Até mesmo o progressista Lutero, referindo-se ao grande astrônomo, teria afirmado: "O imbecil queria con­turbar toda a ciência astronômica".

Caberia a Galileu (1564-1633), todavia, o desferimen-to de um contundente golpe nesssa crença da teologia tradicional. Em sua obra intitulada Dialoghi sopra idue Massa-ni Sistemi dei Mondo Tolomaico e Coperniano, que se tor­nou célebre rapidamente, execra, com energia, os ultrapas­sados conceitos astronômicos existentes até Copérnico.

Acusado de heresia pela fanática e reticente Igreja Ro­mana, o grande físico, já com 70 anos, foi obrigado a com­parecer ante o Tribunal da Inquisição, em Roma. Para sal­var sua vida, teve de ajoelhar-se ante seus inimigos, admi­tir seus "erros" e renegar suas descobertas.

Galileu, no entanto, não cria em um conflito entre a ciência e a Bíblia. Diz ele: "A Santa Escritura não pode ja­mais mentir, desde que, todavia, penetre-se seu verdadeiro sentido, o qual - não creio possível negá-lo - está muitas vezes escondido e muito diferente do que parece indicar a simples significação das palavras".

Em conseqüência das absurdas posições da "Santa" Sé quanto à evolução científica, conforme já dissemos, iluministas e renascentistas voltam-se contra a Bíblia, consi­derando-a incompatível com a razão e o bom-senso. A Pa­lavra de Deus, contudo, é inerrante, absolutamente inerrante. Nunca cometeu um disparate sequer.

A Bíblia, a propósito, jamais afirmou ser a Terra o centro do Universo. Os incréus, não obstante, apresentam o relato de -Josué como prova da falibilidade bíblica. Es­quecem-se, porém, de que o autor sagrado, ao registrar o fato, fê-lo em linguagem comum, por desconhecer a no­menclatura cientifica. Era ele, afinal de contas, militar e não cientista.

Levemos em conta, também, as circunstâncias. O grande general hebreu encontrava-se em renhida batalha. Acossado pelos inimigos e tendo de agir depressa, não po­deria perder tempo a escolher palavras, apenas para satis­fazer os tolos que. sob quaisquer pretextos, tentam des­prestigiar a Bíblia.

Consideremos que, ainda hoje, após três milênios da memorável batalha de -Josué, mesmo os cientistas não con­seguem desvencilharem-se da linguagem comum e, natu­ralmente, dizem: "O Sol está nascendo" ou "O Sol está se pondo". Apesar de não ser exato, esse corriqueiro modo de falar não é errado por causa da aparência.

O grande astrônomo Kepler, ao fazer a apologia das palavras usadas para descrever o prodígio do sucessor de Moisés, afirmou: "Nós dizemos com o povo: os planetas param, voltam ... o Sol nasce e põe-se, sobe para o meio do céu, etc. Falamos com o povo e exprimimos o que parece passar-se diante dos nossos olhos, posto que nada de tudo. isso seja verdadeiro. Entretanto, todos os astrônomos estão nisso de acordo. Devemos tanto menos exigir da Escritura sobre este ponto, quanto é certo que ela, se abandonasse a linguagem ordinária para tomar a da ciência e falar em termos obscuros, que não seriam compreendidos por aque­les a quem ela quer instruir, confundiria os fiéis simples e não conseguiria o fim sublime a que se propõe".

Abraão de Almeida, em seu livro Deus, a Bíblia e o Universo, reafirma a inerrância das Sagradas Escrituras: "...a oração de Josué, segundo o sentido original, pode tra­duzir-se por 'Sol, cala-te', ou 'aquieta-te'. E os cientistas informam-nos que a luz é vocal, ou seja, o Sol, ao enviar suas irradiações sobre este mundo, provoca um som musi­cal pelas rápidas vibrações das ondas do éter. Esta música, contudo, não pode ser ouvida pelos nossos ouvidos. Admi­te-se, também, que a ação do Sol sobre a Terra é a causa de sua evolução em torno do seu próprio eixo. Assim, as palavras de Josué demonstrariam uma tremenda exatidão científica, e a Terra teria diminuído a velocidade de seu movimento de rotação, em virtude de um temporário en­fraquecimento da ação do Sol sobre ela. O grande Newton demonstrou quão rapidamente a velocidade da Terra po­deria ser diminuída sem choque apreciável para seus habi­tantes".




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