Antigo Egito o antigo Egito desenvolveu-se no canto



Baixar 22.77 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho22.77 Kb.
Antigo Egito
O Antigo Egito desenvolveu-se no canto nordeste da África. Sua história inicia-se em cerca de 3100 a.C., com a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egito, e termina em 30 a.C. quando o Egito se transformou numa província do Império Romano, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio.

O rio Nilo era a fonte de vida do povo egípcio, que vivia basicamente da agricultura. No período das cheias, as fortes chuvas (junho a setembro), faziam o Rio Nilo transbordar, encobrindo grandes extensões de terras que o margeavam, fertilizando o solo ao depositar humus (fertilizante de primeira qualidade que resulta da decomposição de restos vegetais e animais). Também trazia grande quantidade de peixes, chance a milhares de barcos que navegavam sobre as águas fluviais.

Para o povo egípcio era uma verdadeira bênção dos deuses. Aliás, o próprio rio era tido como sagrado. No tempo da estiagem os egípcios aproveitaram as águas do rio para levar a irrigação até terras mais distantes. No período das cheias, os camponeses eram encaminhados para as cidades, onde realizavam outros trabalhos que não a agricultura.

Com as cheias, desapareciam as divisas das propriedades agrícolas. Assim, todos os anos era necessário o trabalho do homem para medir, calcular, e isso ocasionou o desenvolvimento da geometria e da matemática.

O meio mais fácil e mais rápido de viajar e transportar cargas pesadas era através de embarcações. O Nilo corre de sul para norte, mas o vento sopra, geralmente, no Egipto, de norte para sul. Portanto, um viajante que navegasse para norte, teria a corrente a seu favor. Isto facilitava o emprego dos remos, quase não precisaria servir-se das velas. Na viagem de regresso, o vento ajudá-lo-ia, de modo que poderia utilizar as velas.

A história egípcia divide-se em 4 períodos principais:



  • Período Arcáico: (3200 a.C. - 2800 a.C.) Período marcado pela unificação dos dois reinos (alto e baixo) que submeteu a população a um governo único, ao poder de um soberado, um único rei, o Faraó.

  • Antigo Império: (2800 a.C. – 2100 a.C.) Período em que foram realizadas grandes obras de drenagem e irrigação. Também foi o período dos primeiros faraós e de grandes construções, como a das pirâmides. Quéops, a maior delas, é hoje a única das sete maravilhas do mundo antigo que ainda continua de pé e sua grandiosidade constitui um imenso mistério.

A capital era Mênfis, cidade que se transformou num grande centro económico e cultural. Mas por volta de 2300 começaram uma série de problemas como a diminuição das cheias, fome, pestes e revoltas sociais. Aos pocos o poder dos faraós ia desaparecendo.

  • Médio Império: (2100 a.C. – 1580 a.C.) Neste período, a capital do Egito transferiu-se para Tebas. Os canais de irrigação foram ampliados, propiciando o crescimento das áreas de agricultura e comércio. Os camponeses estavam insatisfeitos com o grande poder dos faraós e a pobresa e o trabalho dos pobres. Essa insatisfação propiciou a penetração dos hicsos. O Egito foi invadido pelos hicsos (povo nômade vindo da Ásia), povo militarmente superior aos egípcios. Após dois séculos os egípcios conseguiram se reestruturar e expulsaram o invasor. Assim a unidade política foi restabelecida, mas alguns hebreus foram mantidos escravos.

  • Novo Império: (1580 a.C. – 30 a.C.) Período de decadência do poder egípcio. Por volta de 1250 a.C. os hebreus, liderados por Moisés, conseguiram fugir do Egito, episódio conhecido como Êxodo. Mas o poder dos faraós voltava a se fortalecer. Devido a expansão das terras ocorriam intercâmbios culturais entre os povos, postulou-se a possibilidade da existência de um monoteísmo, coisas que deram início a uma seríe de problemas internos, propiciando novamente a invasão de vários povos: primeiro foram os assírios (670 a.C.), depois os persas (525 a.C.), os gregos (332 a.C.) e os romanos (30 a.C.), os quais marcaram o fim do grande império egípcio.


Governo
O topo da pirâmide política e social do Antigo Egito era o rei ou faraó. Este era tido como uma divindade, uma personificação do deus Hórus. Posteriormente os reis apresentam-se também como filhos de Ré, o deus solar. O rei era dono de tudo, inclusive dos seus súbditos. Era o comandante supremo do exército, e a máxima autoridade. Era igualmente o elo entre os homens e os deuses. Como não era possível estar presente em todos os ele delegava o seu poder religioso aos sacerdotes que conduziam as cerimônias em seu nome.

Além do seu nome de nascimento, os reis egípcios tinham outros nomes. Os reis do Antigo Egito são habitualmente denominados como faraós. A rainha era de origem real, sendo por vezes irmã do rei, mas filha de outra mãe. Habitualmente o filho mais velho da rainha principal sucedia ao pai.

O rei vestia roupas próprias da realeza, no queixo colocava uma barba postiça, fina e retangular, e na cabeça usava um pano, o "nemes", desenhado uma serpente que se acreditava repelir os seus inimigos. O soberano possuía várias coroas, detentoras de uma energia própria, os cetros, e as representações de si mesmo como a esfinge, a pantera, o leão, o boi, etc.

O Antigo Egito dividia-se em nomos ou províncias. À frente de cada nomo encontrava-se um governador (nomarca). Estes governadores cumprem as ordens do rei, conduzem os trabalhos públicos e aplicam a justiça.


Economia
A economia do Antigo Egito baseava-se na agricultura. Todas as terras pertenciam ao rei. Havia doações de terras por parte do rei aos funcionários. Mais tarde, o povo começou a adquirir terras.

Quando terminavam as inundações do Nilo havia a demarcação de terras pelos funcionários para então ser cultivadas pelos camponeses. A plantação decorria no mês de Outubro, sendo as sementes fornecidas aos agricultores pelo palácio real. As culturas mais importantes eram o trigo e cevada, que permitiam fazer o pão e a cerveja, alimentos que eram a base da alimentação egípcia.

A população que não trabalhava nos campos dedicava-se a várias tarefas como a produção de pão e mel, a fabricação de cerveja, a olaria e a tecelagem. A pesca era praticada ao anzol ou com rede.

O subsolo do Antigo Egito era rico em materiais de construção, bem como em pedras preciosas. Parte da população dedicava-se a extração desses materiais. O Egito também produzia: linho, papiro e legumes.



Da região sirio-palestinense importava-se a madeira, escassa e necessária para fabricar os móveis e caixões. Da Núbia vinha o ébano, as plumas de avestruz, as peles de leopardo, incenso, marfim e sobretudo o ouro. Todo o comércio estava baseado na permuta, troca de bens.
Sociedade
Assim estruturava-se a hierarquia egípcia:

  • O Faraó era um rei todo-poderoso, proprietário de tudo e de todos. Ele era ao mesmo tempo rei, juiz, sacerdote, tesoureiro, general. Era ele que decidia e dirigia tudo, mas, não podendo estar em todos os lugares, distribuía obrigações para centenas de funcionários que o auxiliavam na administração do Egito. O faraó era a unidade de todo o Egito, o povo via nele a sua própria sobrevivência e a esperança na felicidade.

  • Os Sacerdotes tinham enorme prestígio e poder, tanto espiritual como material, pois administravam as riquezas e os bens dos grandes e ricos templos. Eram também os sábios do Egito, guardadores dos segredos das ciências e dos mistérios religiosos com seus inúmeros deuses.

  • O Alto funcionário, controlava a arrecadação de impostos, chefiava a policia, fiscalizava as construções e as obras públicas, além de presidire o mais alto tribunal de justiça e ser o chefe das tropas.

  • Os Nomarcas eram administradores das províncias. Assumiam funções como as de juizes e chefe político e militar, mas estavam subordinados ao poder de faraó.

  • Os Soldados defendiam o reino e auxiliavam na manutenção de paz. Eram respeitados pelo faraó e pela sociedade. Tinham direito a vários benefícios, o que lhes garantia prestigio e riquezas.

  • Os Escribas, provenientes das famílias ricas e poderosas, aprendiam a ler e a escrever e se dedicavam a registrar, documentar e contabilizar documentos e atividades da vida no Egito.

  • Artesãos e comerciantes. Os artesãos trabalhavam especialmente para os reis, para a nobreza e para os templos. Faziam belas peças de adorno, utensílios, estatuetas, máscaras funerárias. Travalhavam muito bem com madeira, cobre, bronze, ferro, ouro e marfim. Já os comerciantes se dedicavam ao comércio em nome dos reis e nobres ou em nome próprio, comprando, vendendo ou trocando produtos com outros povos. O comércio forçou a construção de grandes barcos cargueiros.

  • Os Camponeses formavam a maior parte da população. Os trabalhos dos campos eram organizados e controlados pelos funcionários do faraó, pois todas terras eram do governo. As enchentes, os trabalhos de irrigação, semeadura, colheita, armazenamento dos grãos originavam trabalhos pesados e mal remunerados. O pagamento geralmente era feito com uma pequena parte dos produtos colhidos e apenas o suficiente para sobreviverem. Viviam em cabanas humildes e vestiam-se de maneira muito simples.

  • Os Escravos eram os vencidos nas guerras. Foram duramente forçados ao trabalho nas grandes construções, como as pirâmides, por exemplo.


Religião
A cultura egípcia era impregnada de religiosidade. Tradicionalmente eram politeístas, conhecendo-se mais de duas mil divindades. Alguns deuses eram adorados localmente, enquanto que outros assumiam um caráter nacional.

Os deuses eram ordenados em grupos. O agrupamento básico era constituído por três deuses, em geral um casal e o seu filho ou filha. Assim, por exemplo, na cidade de Tebas temos Amon, Mut e Khonsu. Os mais importantes foram a Enéade de Heliópolis e a Ogdóade de Hermópolis, que eram acompanhados por um relato sobre a criação do mundo.

As representações dos deuses poderiam ser antropomórficas (forma humana), zoomórficas (forma de animal) ou uma combinação de ambas. Os templos eram a morada da divindade na terra. Apenas poderiam entrar nos espaços mais sagradas, o faraó e os sacerdotes.
Morte e cerimônias fúnebres
Os Egípcios acreditaram na vida após a morte. Em princípio esta vida estava apenas acessível ao rei, mas depois passou a estar disponível à toda a população. Para acender a esta vida era essencial que o corpo do defunto fosse preservado, razão pela qual se praticou a mumificação.

Segundo crenças egípcias, para se conseguir a vida eterna, o morto deveria mostrar que não tinha pecados. Então, seu coração era colocado numa balança, tendo de se equilibrar com a "pena da verdade". Caso tivesse sucesso, o morto seria julgado puro. Caso não, seria levado à destruição eterna.

Para os egípcios, no momento da morte, a alma deixava o corpo, mas ela podia continuar a viver na eternidade. Isso seria possível somente se fosse conservado o corpo que devia sustentá-la. Daí vinha a importância de mumificar o corpo para impedir que o mesmo se descompusesse. Para assegurar a sobrevivência da alma, caso a múmia fosse destruída, colocava-se no túmulo estatuetas do morto.

O processo de mumificação acontecia da seguinte maneira: o sacerdote abria o corpo do morto ao meio tirando seus órgãos moles. Depois cortava o nariz de forma que pudesse retirar o cérebro com um gancho especializado. O sacerdote colocava dentro do corpo do morto alguns medicamentos. Após todo o ritual, o sacerdote enrolava uma espécie de pano que ajudava a conservar o corpo.

Dentro das pirâmides ficavam os bens do morto. Os egípcios colocavam nas pirâmides tudo que eles achavam que poderiam reutilizar na outra vida (móveis, jóias, etc). O túmulo era como uma habitação de um vivo, com móveis e provisões de alimentos.


Arte
A arte do Antigo Egito estava a serviço da religião e da realeza. Uma das regras mais importantes seguidas pelos artistas era a lei da frontalidade, segundo a qual na figura humana o tronco era representado de frente, enquanto que a cabeça, pernas, pés e olhos de perfil.

O baixo-relevo e a pintura da época possuíam um elevado grau de perfeição. Também nota-se o brilho da arte, fruto da riqueza do Egito. Posteriormente os artistas rompem com as antigas convenções e aproximam-se de uma arte que almeja o realismo, com representações dos sentimentos entre membros da família real.



Poucas obras egípcias foram criadas como "arte pela arte". Todas tinham uma função, ou como objetos de uso diário, ou, o que é mais comum, num contexto religioso ou funerário.

A escultura era feita de materiais resistentes, algumas com objetivo político, sendo colocadas diante dos templos para que o povo as visse, mas tinha um objetivo religioso.

Os temas mais freqüentes da pintura são os retratos de família, as batalhas, os deuses e as paisagens. A cor desempenhava nela uma função informativa: os corpos masculinos são pintados a vermelho e os femininos a amarelo. Quando homens comuns são retratados perto de divindades como o faraó, seus olhos são pintados para os lados, e não para a frente, uma vez que a figura sagrada do deus não poderia ser encarada de frente.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal