Antonio Gasparetto Júnior o fim da ordem dos templários juiz de Fora 2007 introduçÃO



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Antonio Gasparetto Júnior


O FIM DA ORDEM DOS TEMPLÁRIOS

Juiz de Fora


2007


INTRODUÇÃO
Os Templários foram monges guerreiros que tinham por finalidade proteger os peregrinos que se dirigiam ao Santo Sepulcro. Ganharam confiança dos fiéis e prestígio entre todos, tornaram-se muito influentes entre a cristandade. Durante sua história, chegariam no auge mas posteriormente seriam acusados dos piores comportamentos, na visão da época.

O presente artigo pretende encarar e analisar todo o processo de extinção que se iniciou com os ataques do rei francês Felipe, o Belo e culminou com o definitivo fim da Ordem dos Templários pelo papa Clemente V.


1. CONTEXTO HISTÒRICO
Após o fim do Império Romano inicia-se uma fase a qual os historiadores renascentistas chamam de Idade Média. Para alguns é considerada a Idade das Trevas, devido ao grande número de guerras sangrentas e aos mitos do período. Este se divide em Alta e Baixa Idade Média. A Alta Idade Média se estende do século V ao IX, onde o sistema feudal se consolida em quase toda a Europa ocidental, enquanto o Império Bizantino atingia seu apogeu como uma das mais poderosas sociedades da região mediterrânea. É denominada Baixa Idade Média o período entre os séculos IX e XV, onde surgem novos reinos na Europa, ocorrem a conquista e perda de Jerusalém, as cruzadas e o surgimento das ordens militares religiosas.
1.1 AS CRUZADAS

Inicialmente. As Cruzadas seriam uma única investida contra os muçulmanos para conquistar Jerusalém, mas tornaram-se oito expedições à Terra Santa, despertando o interesse pelo domínio de certas rotas comerciais de mercadorias orientais, que forneciam muitos lucros aos bizantinos e muçulmanos (ARRUDA; PILETTI, 2000).

A Primeira Cruzada foi convocada pelo papa em 1095 para combater o Islã e partiu no outono de 1096. Ela foi formada por cavaleiros nobres, que conseguiram dominar Jerusalém e regiões em torno. Foram criados então os condados de Edessa e Trípoli, o principado de Antioquia e o Reino de Jerusalém. A união destas regiões recebeu o nome de Ultramar.

Progressivamente. os muçulmanos reconquistaram regiões do Ultramar, que se tornou palco de muitas batalhas no decorrer dos tempos.


2. A ORIGEM DAS ORDENS MONÁSTICO-MILITARES
Com a conquista dos lugares sagrados, aumentaram significativamente as peregrinações dos fiéis, já que a rota até o Santo Sepulcro era praticamente toda de domínio cristão. Porém, ainda havia algumas regiões perigosas onde os peregrinos eram totalmente vulneráveis a ataques de sarracenos1. Segundo Read (2005, p. 47),
A partir do momento em que desembarcavam em Jafa ou em Ceseréia, os peregrinos eram vulneráveis a ataques de saqueadores sarracenos e de bandoleiros beduínos que viviam nas cavernas das colinas de Judéia. Os peregrinos armados podiam defender-se, mas não havia proteção nenhuma para os desarmados.

Por tal motivo era necessário defendê-los, e esta foi a principal necessidade para o surgimento das Ordens monástico-militares.

Logo após a conquista cristã da Terra Santa, em 1099, surge a primeira dessas ordens destinadas a defender os peregrinos. A Ordem dos Cavaleiros do Hospital, ou simplesmente Hospitalários, era formada por monges que inicialmente só tinham como função fornecer amparo aos cristãos feridos em suas viagens religiosas. Porém, mais tarde esses monges também pegaram em armas para combater os sarracenos no campo de batalha.

O surgimento da Ordem agradou a Igreja, que incentivava a peregrinação por ser considerada uma atividade abençoada. Isto foi fundamental para permitir o surgimento de novas Ordens.




    1. OS TEMPLÁRIOS

A derrota muçulmana gerou uma inevitável retaliação ao domínio cristão, tornando-se necessário combater os muçulmanos e não apenas tratar dos feridos. Tendo essa idéia como base, Hugo de Payns propôs a Balduíno II, rei de Jerusalém, a organização de uma comunidade de cavaleiros que tivesse como regra os ditames de uma ordem religiosa. Assim surgiu a primeira Ordem que seria efetivamente militar e religiosa ao mesmo tempo, a partir do momento de sua criação.

Aprovada a proposta, nove cavaleiros fizeram seus juramentos de pobreza, castidade e obediência em uma cerimônia realizada na Igreja do Santo Sepulcro, frente ao rei de Jerusalém. Logo depois, receberiam como quartéis generais as mesquitas de Koubet al-Sakhara e Koubet al-Aksa, situadas sobre o antigo Templo de Salomão, o que os tornaria conhecidos como “Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão” e mais tarde apenas como “Templários” (GALÁN, 1996).

A partir da fundação da ordem, Hugo de Payns se tornaria o primeiro Grão-Mestre e iniciaria uma série de viagens pela Europa, divulgando suas propostas e buscando conseguir apoio para a empreitada. Um importante apoio que ainda era necessário era o do papa. Hugo era vassalo do conde de Champagne, homem de prestígio e de terras na França, que o ajudaria a alcançar seus objetivos.

O prestígio dos Templários crescia por toda a Europa, mas até então eles só viviam de doações e caridades, antes de ter o reconhecimento papal. Durante essas viagens uma carta foi enviada ao abade Bernardo de Claraval, que era o grande nome da espiritualidade católica da época, pedindo ajuda para a legitimação da Ordem e para elaboração de uma regra para seus membros. Não se sabe exatamente quem foi o responsável por enviar a carta, mas o fato é que o apoio de Bernardo seria fundamental (READ, 2005).

Sendo assim, no Concílio de Troyes, realizado em janeiro de 1128, foi crucial a defesa da Ordem por Bernardo, para que ela fosse ratificada pelo papa, mesmo havendo aqueles que viam com horror a intenção de unir a oração com a guerra.


3. OS CAVALEIROS DE DEUS
O reconhecimento papal possibilitou o crescimento dos Templários, que então se tornaram mais respeitados pelos fiéis, gradativamente passaram a receber cada vez mais doações e caridades de reis e nobres. Essas doações, somadas aos patrocínios da Igreja Católica, fizeram com que a Ordem fosse se enriquecendo com o tempo e tornando-se cada vez mais poderosa, tanto na Europa como no oriente. Porém, como lembra Montagnac (2005), para os cavaleiros, qualquer tipo de riqueza era proibida, todas as posses eram de uso comum, a vida de um Templário era de completa privação.

Em pouco tempo reuniram terras em diversas regiões da Europa e Ultramar, seus membros foram conquistando posições de destaque entre a realeza, assim foram obtendo cada vez mais poder político.


3.1 O CONFRONTO COM SALADINO
A história começaria a mudar com um novo personagem, o sultão do Egito Salah Al-Din. Ele foi responsável por conciliar as diversas facções do Islã e unir os reinos muçulmanos, começando, então, a recuperar as cidades e territórios dominados pelos cruzados no decorrer dos séculos. Seu exército era incalculável, por onde passava saia vitorioso devido ao número de soldados e ao fervor dos mesmos em batalha.

Saladino era inimigo declarado dos Templários, derrotava-os batalha após batalha. Em 1187, o sultão arquitetou sua ofensiva com força total para tomar Jerusalém, onde estavam recolhidos os exércitos cristãos e as forças do exército Templário. Mais uma vez a derrota foi pesada, o número de mortes foi muito elevado e poderia ter sido pior devido a imensidão do exército sarraceno. O combate acabou porque Saladino negociou a vida de cada um dos habitantes de Jerusalém. Assim, os cristãos compraram a vida da população com o dinheiro que conseguiram juntar, ao preço de dez dinares por homem, cinco por cada mulher e um por criança. Sete mil vidas foram salvas do massacre pelo dinheiro do fundo público (READ, 2005).

A queda de Jerusalém marcaria o início do declínio dos Templários, acusados de se portarem mal no campo de batalha e aplicarem estratégias erradas de guerra devido aos interesses de alguns membros da Ordem. Pelos próximos anos eles iriam perdendo gradativamente o prestígio de guerreiros, já que nas seis cruzadas restantes as investidas não obtiveram resultados e nunca mais os cristãos conseguiriam recuperar Jerusalém.
4. A QUEDA DOS TEMPLÁRIOS
As derrotas para os muçulmanos se tornaram constantes após Saladino, mas os Templários ainda mantinham seu poder baseado na força política que tinham conquistado ao longo do tempo e em suas riquezas. Tornaram-se donos de muitas terras na Europa e no oriente, tendo adquirido também uma enorme riqueza através dos anos, advindas de doações. Justamente as riquezas adquiridas despertariam a ganância e seriam fundamentais para o processo de extinção da Ordem.
4.1. FELIPE, O BELO.
Em 1285 chega ao trono francês Felipe IV, o primeiro da dinastia dos Valois, que pouco se interessava em reunir forças para uma nova cruzada, suas maiores preocupações eram as guerras contra a Inglaterra e Flandres. Guerras essas que necessitaram de grandes investimentos financeiros para se sustentarem, e foi justamente com os Templários com quem o rei tomou empréstimos, gerando sua dívida com a Ordem.

O monarca francês era um homem religioso, porém não permitia que a Igreja interferisse em assuntos do governo, e acabou gerando a ira dos clérigos quando resolveu taxá-los com impostos; o fato gerou tantos embates entre os dois lados que Felipe foi excomungado em 1302. Com a morte do papa pouco tempo depois, houve um impasse de 11 meses para a eleição do novo líder religioso. Durante esse tempo, Felipe articulou nos bastidores e conseguiu que um de seus aliados, na verdade apenas um submisso, assumisse o cargo. Este homem era Clemente V, o novo papa, completamente manipulado pelo rei francês,

Felipe queria concentrar todos os poderes em suas mãos, assim requereu sua admissão na Ordem dos Templários em 1304 com o propósito de uni-los aos Hospitalários; esse seria um passo para dominar as duas organizações mais poderosas da cristandade (MONTAGNAC, 2005) e cancelar suas dividas. Porém, o pedido foi negado e a união das confrarias foi repudiada por seus respectivos líderes.
4.2. O GOLPE
Com o insucesso, Felipe IV arquitetaria seu plano para acabar com os Templários, que estavam bloqueando a progressão de seus interesses. Elaborou uma lista de acusações contra a Ordem, nela incluindo as piores atitudes que um fiel poderia ter. Felipe enviou para vários reis e governantes da Europa cartas com essas acusações, porém alertou-os para lê-las somente no dia 13 de outubro de 1307. No dia 12 de outubro deste ano, o Grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, esteve presente no velório da cunhada do rei francês em Paris, sendo um dos carregadores do caixão. No dia seguinte, ele foi preso pela guarda do rei junto com centenas de cavaleiros (FRAISSINET, 2005).

A carta que havia sido enviada acusava os Templários de heresia, homossexualismo, sodomia, idolatria e acumulação de riquezas. O monarca ainda exigia, além da captura dos cavaleiros, que tomassem sob custódia todos os bens móveis e imóveis da Ordem. A princípio os governantes não acreditaram nas acusações feitas contra a Ordem, chegando a escrever para o papa em defesa dos Templários. A Igreja Católica se sentiu desrespeitada com a atitude do rei francês; todavia, o papa era um mero fantoche de Felipe IV e mais uma vez foi facilmente manipulado (MONTAGNAC, 2005).


4.3. O JULGAMENTO FINAL
Consolidada a situação favorável a Felipe, o Belo, tinha início a inquisição na França com seu processo interrogatório, que tinha como ponto de apoio a tortura institucionalizada. A Igreja sempre foi ótima em métodos de tortura; além do espancamento, privação de sono, comida e água, acorrentamento e torturas psicológicas, outros três métodos eram atraentes na época: a estrapada, onde se amarravam as mãos de uma pessoa nas costas e levantava-a do chão por uma corda, o que acarretava o deslocamento e a quebra dos braços, ombro, pulso e costelas; o cavalete, onde a pessoa era amarrada a um cavalo-de-pau e tinha seus membros distendidos e deslocados; e o velho uso do fogo, passando sebo nos pés e içando a pessoa sobre chamas. O fato é que como Read (2005, p. 327) diz, ”muitos não eram cavaleiros e admitiram qualquer acusação dos oficiais do rei e inquisidores pelo medo das torturas”.

Dez dias após a prisão e depois de sofrer torturas, Jacques de Molay também admitiu as acusações, com exceção da sodomia. Quando o papa enviou homens para cuidar do caso o Grão-mestre achou que o papa estava assumindo o comando do julgamento e revogou suas confissões. Em 1308 o papa chegou a suspender o processo contra os cavaleiros, mas com medo das ameaças de Felipe reabriu logo depois.

No Concilio de Viena realizado em 1312, o papa decidiu extinguir a Ordem por ordenação apostólica e não por condenação judicial. Todos os bens dos Templários seriam destinados aos irmãos Hospitalários, não foi permitido ao rei Felipe a desforra, e seu desejo de obter os tesouros Templários não foi satisfeito (READ, 2005).

Também ficou decidido que os principais líderes Templários seriam julgados pelo papa no devido tempo; de acordo com Fraissinet (2005), quando chegou a hora Jacques de Molay tomou a palavra e se retratou de todas as acusações feitas, pregando a inocência da Ordem; entretanto, foi encarado como reincidente por Felipe, que o condenou a ser queimado vivo como herege. Assim, o último Grão-mestre, com quase 70 anos, foi levado para a ilha des-Javiaux, no Rio Sena, e queimado na fogueira junto com o preceptor da Normandia Geoffroy de Charney, no dia 18 de março de 1314, marcando o final definitivo da Ordem.

Os Cavaleiros do Templo remanescentes foram incorporados a outras Ordens ou, no caso de Portugal e Espanha, apenas mudaram o nome da confraria de Templários para Cavaleiros de Cristo e Cavaleiros de Montèssa, respectivamente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARRUDA, J. J. A.; PILETTI, N. Toda a História. São Paulo: Ática, 2000.

FRAISSINET, Édouard. Ensaio Sobre a Ordem dos Templários. São Paulo: Madras, 2005.


GALÁN, Juan Eslava. Los Templarios y Otros Enigmas Medievales. Barcelona: Planeta De Agostini, 1996.
MONTAGNAC, Élize de. História dos Cavaleiros Templários, e os pretendentes de sua sucessão seguida da história das Ordens de Cristo e de Montèssa. Londres: Madras, 2005.
READ, Piers Paul. Os Templários. São Paulo: Imago, 2005.



1 Sarraceno era a denominação cristã para os infiéis do Islã.


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