Antropologia clgt



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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO, CULTURA, ASSISTÊNCIA E RELIGIÃO

ANTROPOLOGIA - CLGT


Leandro Tarrataca

ANTROPOLOGIA BÍBLICA
INTRODUÇÃO

Nesta matéria trataremos de antropologia bíblica, isto é, nos concentraremos nos ensinos bíblicos sobre a origem do homem, sua razão de existir, e sua condição atual. Assim, as ciências humanas, os estudos seculares serão utilizados apenas para ilustrar ou como objeto de análise a luz das escrituras sagradas. É importante destacar que a visão que alguém tenha do homem, ser humano determinará suas relações interpessoais desde os níveis mais elementares até como os poderes nucleares deveriam ser utilizados, visto que estes hipoteticamente poderiam destruir toda a raça humana.

Digno de nota que em linhas gerais existem apenas duas maneiras de entendermos a origem do homem, sendo:


  1. Revelação

  2. Suposição

Como escreveu Charles Hodge:

“Todas as teorias humanas sobre este tema não passam de conjecturas mais ou menos engenhosas.” As informações para a solução do problema não estão disponíveis nem na razão, nem na experiência.

Por Revelação, dependemos totalmente da mensagem bíblica para compreendermos a origem do homem. Do outro lado temos suposições humanas, alguns com abordagens religiosas outros com abordagens seculares. Talvez o panteísmo deva ser destacado por tratar o universo como sendo apenas a forma existencial de Deus, ou a vestimenta viva de Deus. No entanto, a discussão sempre se dá entre aqueles que: A) Não reconhecem uma mente causativa. B) Admitem uma mente causativa conectada a matéria. C) Uma mente infinita à parte de toda a criação.

Não resta dúvida que ambas dependem de fé, visto que a origem histórica dos seres humanos não pode ser reproduzida em laboratório. Quanto à fidedignidade da revelação destacamos que isto é matéria de bibliologia, portanto não será objeto de estudo deste curso. Como supra-citado este curso utilizará a bíblia como sendo a revelação divina quanto ao ser humano.

Vários assuntos concernentes ao homem serão discutidos como: a origem do homem, o pecado, os elementos essenciais do homem, a imagem de Deus no homem, entre outros. Em contraste com a visão panteísta e secular, os estudiosos biblicistas concordam que estas são informações básicas sobre a existência humana.

Considerando que existem pontos de divergência entre correntes evangélicas sobre o homem, os efeitos do pecado, tricotomia X dicotomia, entre outros, analisaremos diferentes perspectivas nestes assuntos.

Destacamos que o alvo fundamental deste curso é apresentar a necessidade da salvação em Cristo Jesus. Bem como a vida piedosa.

PERSPECTIVA HISTÓRICA DA ANTROPOLOGIA

Ao contrário da crença popular, as explicações das origens não surgiu com Charles Darwin. A verdade, é que sua obra sobre a Origem das Espécies popularizou a teoria. Mas a idéia da evolução já era postulada por filósofos e cientistas antes de Darwin. Os conceitos dualistas de que a matéria é má e o espírito é bom, a eternidade da matéria, já eram esboçados numa forma incipiente de filosofia grega.

Formas incipientes de evolução também são encontradas cerca de 500 anos antes de Cristo, nos escritos de pensadores gregos como Anaximander e Empédocles. O primeiro ensinava que o homem havia evoluído de peixes, o posterior que os animais evoluíram de plantas.

Epicuro 341 a.C. – 270 a.C.

A) A matéria sempre existiu, mas sua constituição e forma atuais ficaram sujeitas a um auto-desenvolvimento.

Platão (428-347 a.C.) Aristóteles (384-322 a.C.)

b) A matéria é eterna, mas seu arranjo atual bem como sua ordem é obra de Deus.

Na França, o naturalista Lamarck, publicou uma obra intitulada “Zoologia Filosófica”, publicada em 1809, nesta ele explica todos os animais, plantas e inclusive o homem se desenvolveram de germes originais simples.

O cristão nunca deve temer conhecer a verdade, e isso também diz respeito a realidade de que o evolucionismo está sempre em conflito com os fatos. Veja:


  1. Geologia. Revelou que os tipos inferiores e superiores de animais não seguem uns aos outros em seqüências, mas existiram juntos por um longo período.

  2. Paleontologia. Não fornece nenhuma peça sequer de evidência conclusiva da existência de tipos transicionais entre os vários tipos de seres orgânicos. Apesar de todo esforço por encontrar algum humano com características simiescas nunca foi encontrado.

  3. Embriologia. Aponta para certas semelhanças entre os vários estágios do desenvolvimento do embrião humano e do embrião de outros animais. Mas essa similaridade é obviamente apenas externa visto que nunca nasceu um ser humano de um embrião animal nem vice versa.

  4. Biologia. Até agora não conseguiu demonstrar que a vida possa ser gerada por si mesma, a ponto de muitos aceitarem a idéia de um a força ou energia especial.

Nenhuma das antigas cosmogonias incluía o conceito de um Deus pessoal criando a partir do nada. Pelo contrario todas iniciam-se com algum material em que os deuses ou a força da natureza produz o mundo e seus habitantes a seu estado atual.
EPOPÉIA DE GILGAMESH

A Epopéia de Gilgamesh narra a criação do homem descrevendo que o povo de Uruk, descontente com a arrogância e luxúria do rei Gilgamesh, exige dos seus deuses a criação de um homem que fosse o reflexo do rei, e tão poderoso quanto ele para que pudesse enfrentá-lo e redimi-lo. O deus Anu, ouvindo o lamento da população, ordenou a Aruru, deusa da criação, que fizesse Enkidu:

A deusa então concebeu em sua mente uma imagem cuja essência era a mesma de Anu, o deus do firmamento. Ela mergulhou as mãos na água e tomou um pedaço de barro; ela o deixou cair na selva, e assim foi criado o nobre Enkidu”.(SANDARS, 1992, p. 94).

Prometeu.

O deus Grego que lutou pelo bem estar dos homens, inclusive dando-lhes o fogo. Descendente da antiga raça de deuses destronada por Zeus, chegou na terra e descobriu-a abandonada pelos céus. Por isso apanhou um bocado de argila e molhou com um pouco de água de um rio. Com essa matéria fez o homem, à semelhança dos deuses, para que fosse o senhor da terra. Apanhou das almas boas e más dos animais, animando sua criatura.
Apesar de semelhanças nas narrativas, fica claro que a visão judaico-Cristã baseia-se na informação revelada nas Escrituras de que o Deus soberano e sábio criou todas as coisas.

Bancroft apresenta três considerações importantes sobre o contraste entre a perspectiva bíblica e a evolucionista sobre o homem.



  1. A teoria da evolução apresenta o homem como alguém que se elevou de uma ordem inferior; ao passo que as Escrituras declaram que sua origem é devida à ação de Deus.

  2. A teoria da evolução apresenta o homem como o resultado de sucessivas alterações nas formas materiais devidas às forças latentes na matéria; ao passo que as Escrituras declaram que o ser físico do homem é o resultado da ação de Deus, que partiu do exterior.

  3. A teoria da evolução apresenta o homem como o clímax do desenvolvimento que ascendeu desde as formas mais inferiores de vida animal; ao passo que a Bíblia declara que o homem pertence à ordem humana, distinta de todas as outras, e que passou a ter seu ser de modo imediato e direto.


Quanto ao uso da Palavra Homem

Wayne Grudem levantou uma questão bem relevante nesses dias em que devemos sempre ser politicamente corretos. Observou que muitos criticam o uso da palavra homem para descrever a humanidade como um todo, mas será um erro referir-se a humanidade por homem?

A conclusão de Grudem é a seguinte:

Depois de ponderar... decidi continuar usando a palavra “homem” (bem como vários desses outros termos) para referir-me à raça humana..., pois tal uso tem sanção divina em Gênesis 5, e porque acho que está em jogo uma questão teológica. Em Gênesis 5:1,2, lemos “No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome de Adão, no dia em que foram criados” (Cf. Gênesis 1:27)

A questão teológica é se há sugestão de liderança masculina na família desde o princípio da criação. A conclusão de Grudem é que sim.

Assim o testemunho das Escrituras:



  1. Deus decretou a criação do Homem macho e fêmea. (Ge 1:26)

  2. Deus declarou a criação do homem Macho e fêmea. (Ge 1:27)

O método de criação fica claro não ter sido por meio de qualquer processo evolutivo ou de desenvolvimento natural.
As razões da criação do homem

Devemos observar que o fato de Deus ter criado o homem sua imagem e semelhança apresenta-nos de forma implícita o propósito porque Deus os criou. O fato de ser imagem e semelhança parece ecoar a prática de monarcas que erigiam bustos para que delimitassem as fronteiras de seus impérios. Podemos dizer que desta maneira o homem é criado para “representar” a Deus nesta terra. Outra informação importante é a que pode ser observada em Gênesis 2:15.

O homem foi colocado no jardim para cultivar (‘abad) e guardar (šāmar). Cultivar é usado no At por várias vezes como referencia a cultuar, Servir Êx 3:12, Núm 4:41. E guardar tem o sentido de cumprir, obedecer Gên 26:5; Lev 18:4.

Assim diretamente do texto de Gênesis podemos concluir que o homem foi criado com o tríplice propósito de Representar, Cultuar (servir), guardar (obedecer).

Podemos resumir estes três pilares afirmando: Deus criou o homem para sua própria glória.

Em Jó 17:5,24, aprendemos que por toda a eternidade a trindade esta imersa em comunhão perfeita, por isso Deus não criou o homem porque tivesse qualquer sentimento de solidão ou qualquer necessidade. Ele criou o homem para a sua glória como atestam várias passagens bíblicas Isaias 43:7.



  1. As implicações apontam que nossas ações e palavras deveriam cumprir este objetivo.

  2. Nosso valor esta vinculado diretamente ao valor que Deus nos tributa. Ser importante para Deus é ser eternamente importante.

1Co 10:31 “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.”
Presente indicativo ativo

Ordem para continuar a ação como um hábito, ou Estilo de vida.

Repita a ação diante da Situação! Glorifique a Deus. A glória de Deus esta vinculada a reputação de Deus, a palavra remonta o hebraico kabod que significa “o que dá peso” o que torna importante, como riquezas, ou o esplendor de uma coroa. O termo grego Doxa acabou por desenvolver o mesmo sentido.

Por esta razão o homem só encontra satisfação plena quando se rende totalmente a Deus. João 10:10; Salmo 16:11. Sl 27:4, Sl 73:25,26, Sl 84:1,2, 10.

O cristão portanto, é alguém que aprende a viver na prática esta realidade (Rom 5:2,3, Fil 4:4, 1 Ts 5:16-18; Tg 1:2; 1Pe 1:6,8.

O homem veio à existência por um ato criador, soberano de Deus.

Bancroft apresenta-nos três considerações sobre a criação do homem:


  1. O homem veio à existência por um ato criador.

Gen. 1:27 – Criou Deus, pois o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

  1. O homem recebeu um organismo físico por um ato de formação.

Gen. 2:7 – Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra.

V.A. Eclesiastes 12:7



  1. Foi feito completo ser pessoal e vivo por uma ação final.

Gen. 2:7b – E o homem passou a ser alma vivente.

V.A. – Zc 12:1

V.T. – Is 43:7.

A passagem de Isaías ilustra essa tríplice preparação do homem para sua vida e trabalho sobre a terra. Is 43:7


“...Os que criei (bara) para minha glória (produzi do nada); e que formei (asah) (fiz existir numa forma especifica); e fiz (yatzar) (preparei as disposições e arranjos referentes a eles, como o acabamento de uma obra de arte).”

Imagem de Deus

Não resta a menor dúvida de que a grande diferença entre o homem e os animais repousa sobre o fato de que este foi criado a imagem e semelhança de Deus. Antigos escritores concluíram que a palavra imagem se referia ao corpo, o qual pensavam que, por sua beleza, as pecto inteligente e postura ereta, era uma sombra de Deus. Já a palavra semelhança se referia à natureza intelectual e moral do homem. Segundo Agostinho, a imagem se referia às faculdades intelectuais, a segunda com as faculdades morais.


Hodges escreve:

“A simples declaração das Escrituras é que, na criação o homem era semelhante a Deus. A natureza desta semelhança tem sido um pomo de discórdia.”


Ryrie argumenta:

Ao usar as duas palavras juntas, o autor bíblico “parece estar tentando expressar uma idéia muito difícil, na qual deseja deixar claro que o homem, de alguma maneira, é o reflexo concreto de Deus, mas ao mesmo tempo, deseja espiritualizar isso, em direção à abstração.”


O significado de Imagem (tselem) e semelhança (demuth). No AT imagem Tselem é usado para referir a forma de ídolos (1Sam 6:5,11) semelhança demuth, que é mais abstrato é usado para descrever a similaridade exemplo Ezequiel 1:10.
Wayne Grudem conclui dizendo:

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, significava simplesmente: “Façamos o homem como nós, para que nos represente.”

Segundo teólogos reformados e a maioria dos teólogos de outras divisões da Igreja, a semelhança do homem com Deus incluía os seguintes pontos: Capacidade intelectual, moral, natureza espiritual, domínio, criatividade, imortalidade.


  1. Moral. Somos seres responsáveis por nossos atos perante Deus. Temos senso de certo e errado que os animais não tem na mesma complexidade que o ser humano, eles via de regra reagem simplesmente ao medo do castigo ou à esperança da recompensa.

  2. Espiritual. Não somos apenas seres físicos temos capacidade de nos relacionarmos espiritualmente, podemos orar, louvar a Deus, entender o que ele nos diz em sua palavra. Nenhum animal passou sequer dez minutos orando pela salvação de um parente ou do dono.

  3. Mental. Temos capacidade de pensar logicamente e raciocinar, de conhecer o que nos distingue do mundo animal. A) Podemos discutir filosofia, teologia, futebol, mas os animais jamais. B) Uma criança é capaz de pensar abstratamente e cria imagens imaginativas enquanto um animal não pode. C) Uma criança ainda bem pequena é capaz de fazer coisas que nenhum animal pode, é de admirar que alguém considere o homem apenas mais um animal. D) Temos senso de eternidade Ec 3:11. E) Criatividade artística, quer em brincadeiras ou música. F) Nossas emoções são extremamente mais complexas que a dos animais, por exemplo ao ver meu filho se saindo bem em uma atividade esportiva ou educacional, posso ficar orgulhoso, triste, alegre, posso expressar gratidão a Deus, preocupação, etc...

  4. Relacional. Nossa capacidade singular de nos relacionarmos com Deus de maneira especial. A) nossa maneira de nos relacionarmos uns com os outros extrapola qualquer senso animal de comunidade, casamento, família, igreja. B) Em relação a criação o homem foi estabelecido por Deus como regente e quando Cristo voltar receberá autoridade para julgar até mesmo os anjos 1Co 6:3; Ge 1:26; Sl 8:6-8.


Possibilidades:

  1. Semelhança quanto a forma. - Fil. 2:6.

VA Sl 17:15; Nm 12:7,8; Heb 1:3, Is 6:1; At 7:56; 1 Jo 3:2

O que esta forma significa não sabemos com certeza, mas certamente inclui natureza intelectual, moral, volitiva e emotiva, ainda que quanto a substância seja espírito. Alguns pensam, que seja uma referencia a criação do homem segundo o modelo e o padrão apresentados em Cristo, que é referido como sendo a imagem de Deus.

Embora Deus, de maneira nenhuma seja físico, existe um senso de que até mesmo o corpo humano está incluído na imagem de Deus, (...) Seu corpo é um instrumento apto para a auto-expressão de uma alma criada para ter comunhão com o criador e escatologicamente para se tornar “corpo espiritual” (1Co 15:44) (...)1


  1. Segundo tricotomistas poderia ser uma referência a imagem tri-uma. - 1 Ts 5:23 -

VA Mt 26:12 – o corpo de Cristo – soma

Mt 26:38 – a alma de Cristo – psyche

Mt 27:50; Lc 23:46 – o espírito de Cristo – pneuma


  1. Pessoalidade - Ex 3:13, 14

Mesmo após a que da este aspecto da imagem de Deus no homem permanece, ainda que maculado pelo pecado.

  1. Imortalidade - Mt 25:46

A existência interminável é uma parte integrante da herança do homem, na qualidade de criatura criada segundo a imagem e à semelhança de Deus. O homem não pode ser aniquilado.


  1. Capacidade Intelectual

Cl 3:10; Ef 4:23,24. Gen 2:19,20; 1:28.

O estado primitivo da raça humana não era de barbarismo do qual os homens saíram através de um lento processo de melhoria. Isto é, o homem foi criado perfeito, no sentido de que foi criado perfeitamente adaptado para o fim para o qual foi criado.

Todo aspecto segundo o qual o homem é como Deus faz parte do fato de ser ele a semelhança de Deus.

O homem não deveria ser movido por instinto, visto que este é em essência uma propensão anterior à experiência e independente de instrução, um impulso cego não meditativo o que leva os animais a fazer certas coisas sem saberem por que fazem e sem se importarem sem melhorar a maneira de fazê-las. Os pássaros migram do mesmo jeito, as abelhas trabalham da mesma maneira, os castores constroem do mesmo modo. A diferença entre o homem e os animais deveria ser tão distante quanto os pólos do mundo.




  1. Natureza moral - Ecl 7:29, 2:15-17; Rom 5:12,14.

Os elementos essenciais do Homem.

Do que o homem é feito? Embora o mundo teológico não seja unânime quanto ao fato de que o homem seja dicotômico ou tricotômico. Todos concordam com o fato de que o homem consiste de uma substância material e uma imaterial.

A parte material do homem. Vários termos são utilizados para descrever a estrutura física do homem ou como preferem alguns o invólucro material, de forma mais prática seu corpo. O termo soma (corpo) é o termo mais comum no NT para descrevê-lo. É usado para ambos para o corpo glorificado e para corpo não glorificado (Mateus 6:22; 1Co 15:44). O termo Grego Sarx (Carne) é utilizado algumas vezes para referir-se ao corpo. Paulo refere-se por exemplo o “corpo do pecado”, com isto ele quer dizer que a natureza pecaminosa se expressa por meio dele (Rm 6:6). Ele também fala a respeito do “corpo da morte” (Rom 7:24) e do “corpo de humilhação” (Fil 3:21).

Muitas passagens bíblica apontam para a responsabilidade no uso do corpo físico. 1Co 6:19; Rom 6:12, Rom 8:13; Rom 12:1, Col 3:5.

Embora nossos corpos ainda não tenham sido redimidos (Rom 8:23), fica claro através destas palavras que temos a responsabilidade de cuidarmos do corpo físico, isto porque através dele servimos a Deus. As escrituras apontam para o valor da vida física orgânica com suas muitas funções.

Sobre estas considerações devemos destacar a clara declaração bíblica sobre o futuro do corpo humano, seja de crentes ou não crentes o corpo humano ressurgirá. Jo 5.26-29; Dn 12.2,3, Ap 20:12.

No entanto, é importante destacar que aqueles que não morrerem até a volta de Cristo serão transformados. 1Co 15:51-53

A mensagem apostólica também aponta para a realidade da ressurreição tanto de justos quanto injustos (At 24:15).

Sabemos que aqueles que pertencem a Cristo receberam um corpo glorificado e especialmente capacitado. Fl 3:20,21. Quanto ao corpo daqueles que não são salvos pouco nos é dito a respeito Ap 20:12.

Paulo nos fala de pelo menos quatro transformações pelas quais passará o corpo humano 1Co 15:42-44.



  1. De corrupção à incorrupção. (Como uma flor que murcha, como o leite que azeda)

  2. De desonra à glória.

  3. De fraqueza ao poder.

  4. Do natural/psíquico ao espiritual.

Quanto ao drama da morte física devemos destacar que duas palavras são utilizadas que suavizam esta experiência para o cristão, são elas semear (V.42) e dormir (V.51). A primeira é usada no lugar de sepultar, sendo que semear trás em si a esperança da ressurreição. Dormir é um termo comum no NT para indicar a morte (Jô 11.11-14); 1Co 11:30), estes são aspectos peculiares ao cristão, que terá seu corpo despertado pela trombeta de Deus na vinda de Cristo (1Co 15:52; 15:22,23;51-53; 1Ts 4:13-18; Fp 3:10,11, 20, 21; Tt 2:11-13.)
A parte imaterial do homem

É digno de nota que nenhuma corrente evolucionista tem com competência explicado a parte imaterial do homem como a mente por exemplo. Quando consideramos a parte imaterial do homem não resta duvida de que as palavras mais utilizadas são alma e espírito. No AT o uso de alma é mais amplo que espírito. Ambos são claramente apresentados como distintos do corpo e algumas vezes são utilizados para descrever a totalidade interior do homem Is 10:18. Por ocasião da morte a parte imaterial do homem se desprende de seu corpo Gen 35:18;

“E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” Ec 12:7.

No Novo testamento a palavra alma é usada várias vezes intercambiavelmente com espírito, mas não sempre, a casos que seu uso é diferenciado.

1Co 15:44; 1Ts 5:23; Hb 4:12.

É importante destacar que a tradução na língua Portuguesa não apresenta um destaque tão forte como no grego em que o corpo natural é apresentado como corpo psíquico, em contraste com corpo espiritual.

Uma definição de alma apresentada por J.I Marais na International Standard Bible Encyclopaedia diz o seguinte:

(...) Por uma transição fácil, a palavra vem a significar o indivíduo, vida pessoal, a pessoa, com duas variações distintas que podem melhor ser indicadas pelo latim anima e animus. Como anima, “alma” a vida inerente no corpo, o principio animador no sangue é notado (Dt 12:23,24 – Tão somente guarda-te de comeres do sangue; pois o sangue é a vida (alma); pelo que não comerás a vida com a carne). Como animus, “mente”, o centro de nossas atividades e passividades mentais é indicado. Assim, lemos de “uma alma faminta” Sl 107.9, alma cansada (Jr 31.25), “alma cheia de amor” Ct 1.7), e muitas expressões parecidas, (...).


Cremer em seu Lexicon definiu assim: “A Nephesh (alma) no homem é o sujeito da vida pessoal, onde pneuma ou ruah (espírito) é o princípio”.
Quanto à proibição do consumo do sangue Allen Ross acertadamente escreve:
“ O ponto da proibição é que as pessoas podem comer a carne desde de que nela não haja mais vida – e o sangue representa a vida. O texto está proibindo não simplesmente o consumo do sangue, mas a vida pulsando no sangue.”2
Coração – utilizado para descrever o centro das emoções e a fonte inicial das ações, especialmente no AT. Algumas vezes é utilizado como sinônimo da mente. De acordo com Jeremias o coração pode ser contaminado e precisa de purificação Jr 17:9. Para se ter uma idéia da importância do coração a palavra a aparece mais de 600 vezes só no AT e cerca de 120 no NT. Mais que alma e espírito. A palavra rins é utilizada seis vezes em conexão com coração. Em seu sentido físico é o órgão que distribui o sangue, considerando o valor veterotestamentário em relação ao sangue, é fácil entender que o coração refere-se ao centro da vida de alguém. PV. 4:23.
Consciência – Outro termo utilizado particularmente por Paulo também referindo-se a parte imaterial do homem. Apesar de afetada pelo queda, a consciência continua funcionando mesmo entre os não regenerados Rom 2:15. Paulo afirma ter vivido de acordo com sua consciência antes de sua conversão a Cristo (At 23.1). É possível cauterizar a consciência e torná-la insensível (1Tm 4:2). Para o cristão a consciência funciona em várias facetas da vida. Rom 9:1; 13:5; 1Co 8:7, 10,12; 2Co 1:12; 1 Pedro 2:19.
Mente – A mente não regenerada é vã (Ef 4:18), corrompida (Tt 1:15), cega (2Co 4.4), em trevas (Ef. 4:18), reprovável (sem valor para Deus) (Rom 1.28). A mente deve ser levada cativa (2Co 10:5); disciplinada (1Pe 1:13), a figura é baseada no ato de dobrar e prender ao cinto as longas vestes orientais de modo a não atrapalharem as atividades do indivíduo, e a mente deve ser renovada (Rom 12.2).
A origem da parte imaterial do homem

    1. Preexistência. Essa teoria ensina que alma de todos os homens foram criadas por Deus no inicio do universo e encerrada em seus corpos como punição. As almas passam por várias encarnações ao longo da história e, nesse processo tornam-se pecadoras. Platão e os gregos ensinaram essa transmigração da alma. Na igreja primitiva Orígenes (c. 185-254 DC) tinha uma visão parecida. O cristianismo no entanto, nunca defendeu tal posição. Ela esta presente em religiões cármicas como o hinduismo.




    1. Criacionismo. Ensina que a alma é criada no momento da concepção. A alma é pecadora por causa de seu contato com a culpa herdada por intermédio do corpo. Hodge um dos principais proponentes apresenta três argumentos para apoiar o criacionismo.




  1. Está mais de acordo com Escrituras do como Nm 16:22; Heb 12:9, as quais afirmam que a alma provem de Deus (enquanto em contraste, o corpo vem de pais terrenos).

  2. Uma vez que a natureza da alma é imaterial, ela não poderia ser transmitida pela geração natural.

  3. A impecabilidade de Cristo somente poderia ser verdade se sua alma fosse criada (e, claro, não seria unida a um corpo pecaminoso; logo sua pessoa seria sem pecado).

Grudem afirma:

Os argumentos bíblicos a favor do criacionismo parecem abordar a questão mais diretamente e oferecem uma sustentação bastante forte a favor dessa tese. Primeiro, o salmo 127.3 (...) Isso indica que não só a alma, mas também toda a pessoa da criança, incluindo o seu corpo, é dádiva de Deus. Desse ângulo, parece estranho conceber que a mãe e o pai sejam somente responsáveis por todos os aspectos da existência do filho. Não diz Davi aos Senhor “tu me teceste no seio de minha mãe” (Sl 139:13)? Isaias afirma que Deus dá fôlego às pessoas da terra e “ espírito aos que nela andam” (Is 42:5).
Ver ainda Zac 12:1, Heb 12:9.

Traducianismo

Esse ponto de vista afirma que a alma é transmitida pelo processo de geração natural, tal como o corpo. O maior proponente é William G.T. Shedd citou três tipos de apoio.




  1. Heb 7:10; Gen 2:1-3. Nenhum ato novo como criar novas almas, é indicado, e o versículo 7 não permite que o fôlego de vida fosse soprado sobre outra pessoa alem de Adão.

  2. Teológico: O criacionismo coloca Deus na condição de criar uma alma perfeita (ele não podia criar um homem pecador) para, então , fazê-la cair - como ocorreria com as crianças recém nascidas. O caso de Cristo, que era sem pecado em todos os aspectos, é uma exceção.

  3. Fisiológica: o homem sempre é visto como a união de uma alma e um corpo; portanto, é mais natural considera que tanto o aspecto físico quanto o psicológico desenvolvem-se juntos.

Penso que o criacionismo tem maior amparo bíblico-textual.

Qual a estrutura do homem? Dicotômico ou tricotômico? Ou o monismo é melhor opção?

A questão é qual a composição do homem? Bons teólogos estão dos dois lados. O dicotomista clássico afirma que o homem em sua totalidade é composto de duas partes – material e imaterial – corpo e espírito, sem distinções entre alma e espírito no que diz respeito a essência e até mesmo em funções. Dicotomistas defendem sua posição baseados no fato de que no universo existe apenas duas substancias – material e imaterial. Assim a alma e o espírito não podem ser substancias ou essências diferentes. Os textos utilizados são Gen 2.7, 1Pe 2:11, Tg 2:26, 1Co 7:34.

Na tricotomia a o espírito é visto como uma substancia diferente da alma. Assim, o homem consiste de três realidades – corpo, alma e espírito. Argumentos de apoio a tricotomia se baseiam freqüentemente com os três membros da trindade, textos 1Tes 5:23, Heb 4:12.

É importante considerar que é muito difícil afirmar que o homem tenha três substancias, neste sentido é ser dicotômico material e imaterial. Por outro lado, não podemos negar o fato de que o novo testamento por vezes parece usar a palavra espírito como uma função diferente de alma, vejamos.

1Co 2:14; 3:1; 15:44,45; Ef 1:3; 5:19; Cl 1:9; 3:16, Judas 19.

Assim, podemos dizer que quanto a função é tricotômico.

Porém, fica obvio que o homem encontra-se hoje no que Millard Erickson denominou de unidade condicional.

Quanto ao monismo que afirma que o homem é composto de um único elemento e que os termos bíblicos alma e espírito são apenas outros modos de designar a pessoa, ou a vida da pessoa. No entanto, esta posição não é sustentada por nenhum teólogo biblicista, visto que os textos que apontam claramente para o fato de que a parte imaterial sobrevive a morte física.

Gen 35:18, Sl 31:5, Luc 23.43, 46; At 7:59; Fil 1:23,24; 2 Co 5:8; Heb 12:23; Ap 6.9; 20. 4.
A criação de gêneros diferentes

A criação do ser humano como homem e mulher revela a imagem de Deus em 1. relações inter-pessoais, 2. igualdade em termos de pessoalidade e de importância e 3. diferença de papéis e autoridade.


Casamento

Deus não criou os seres humanos para viverem isolados, Deus nos criou de maneira que pudéssemos através de diversos meios alcançar unidade interpessoal. A unidade interpressoal na família pode ser extremamente profundo e enriquecedora visto que podem juntos em ajuda comunal viverem para a glória de Deus. Num certo sentido marido e mulher se tornam duas pessoas em uma.

Gen 2:24. Essa unidade não é apenas física; também é espiritual e emocional. Marido mulher no casamento são pessoas a quem Deus ajuntou (Mt 19.6). Por esta razão unir-se sexualmente fora do casamento é um pecado contra o corpo (1Co 6.16, 18-20) e dentro do casamento marido e mulher compartilham o próprio corpo um com o outro 1Co 7:3-5. Os maridos devem amar a esposa como ao próprio corpo, Ef 5:28, a união entre marido e mulher não é temporária mas por toda a vida Ml 2:14-16; Rom 7:2, é um relacionamento que retrata a relação entre Cristo e a igreja (Ef 5:23-32).

Não é bom que o homem esteja só disse em Deus em Gen 2:18. Estar só no AT é sempre apresentado como algo negativo. Ecl.4:9-12; Jer 16:9. Assim homem e mulher se completam para cumprirem o propósito de glorificarem a Deus.


Funções diferentes

Assim como na trindade existem funções diferentes, isto também é verdadeiro quanto a função de homem e mulher.

Na criação Deus o pai fala, o Filho executa, o Espírito sustenta a criação com sua presença. (Gen 1:1,2; Jo 1:1-3; 1Co 8:6; Heb 1:2). Gen 2:18.

A mulher é chamada de `ezer, socorredora, ajudadora - aquele(a) que ajuda. DEUS é Chamado de adjutor ou socorro e ainda Aquele que ajuda Êx 18:4; Deut. 33:7 1Sam 7:12; Sal 20:2. Logo não há nenhum demérito no exercício de uma função diferenciada.


A distinção já existia antes da queda

  1. O fato de Deus ter criado Adão primeiro e depois Eva. (Ge 2:7, 18,23). Sugere que Deus desejava que Adão fosse o líder espiritual. Está presente aqui o padrão veterotestamentário de primogenitura. A idéia de que o primogênito de cada família detém a liderança naquela geração. Este conceito está presente e só foi alterado em circunstancias especiais (Gen 25.27-34; 35.23; 38.27-30; 49:3,4; Dt 21:15-17; 1 Cr 5.1,2). Paulo parece fazer referencia a este principio ao descrever a liderança na igreja 1Tim 2:13.

  2. Adão deu nome a sua auxiliadora. Gen 2.19,20; Gn 2:23; 3:20. Dar nome é uma expressão de autoridade, note que no contexto imediato Deus dava nomes a sua criação. O próprio fato de a tradição a mulher receber o nome do marido aponta para a liderança do homem na família.

  3. Deus sempre começava por chamar Adão ao contrário da serpente. Gen 5:1,2; Gen 3:9.

  4. A responsabilidade da queda foi atribuída a Adão. 1Co 15.22; cf 49; Rom 5:15, 12-14.


O pecado distorceu os papéis

Ge 3:16, Conflito entre liderança, também surgiram erros de agressividade e passividade.


Em Cristo restauração do original

Cl 3:18-19; Ef 5:22-33; Tt 2:5; 1Ped 3:1-7. Note que nenhum dos apóstolos enfatizou as conseqüências do pecado como a produção de espinhos, as dores de parto, não Jesus se manifestou para destruir as obras do diabo 1Jo 3:8. A relação de liderança amorosa e auxilio amoroso é o modelo da restauração.


A queda

O relato da queda. Gen 2:15-17; 3:1-6.

Primeiro como destacou Ryrie há três maneiras de classificar o episódio de Gênesis, sendo os seguintes:


  1. Lenda.

  2. Mito verdadeiro.

  3. Histórico.

A primeira regra de interpretação bíblica é que esta seja interpretada por ela mesma, e os comentários bíblicos apontam para a historicidade da queda.

1 Co 15, 21, 22 e 1 Tim 2:14. Rom 5:12-21. O argumento de Paulo implica que a negação histórica do primeiro evento implica na negação histórica do segundo.
As conseqüências imediatas do pecado foram:


  1. Senso de culpa e vergonha. Ge 3:8,

  2. Desejo de ocultar-se de Deus.

  3. A denuncia e o juízo de Deus. Sobre os envolvidos Gen 3:14-19.

  4. Expulsão do jardim e a proibição de aproximar-se da árvore da vida. 3:24

  5. Morte. Três formas de morte resultaram do pecado, morte espiritual, isto é separação de Deus, morte física, sujeição a morte eterna.

Na queda o que acontece com a imagem de Deus no homem?

Seria o homem mesmo depois da queda como Deus? Vejamos Gênesis 9:6. mesmo os homens sendo pecadores, ainda resta neles muito da imagem de Deus, a tal ponto que assassinar outra pessoa é atacar a parte da criação que mais se assemelha com Deus. Veja TG 3:9, este texto nos diz que a humanidade em geral e não apenas os crentes são feitos a semelhança de Deus. No entanto, como o homem pecou, sua pureza moral se perdeu, e seu caráter pecaminoso certamente não espelha a santidade de Deus. Seu intelecto foi corrompido pela mentira engano; suas palavras e ações já não glorificam a Deus. O padrão de homem que Deus estabeleceu certamente esta presente em Cristo.

“E o centurião, que estava defronte dele, vendo que assim clamando expirara, disse: Verdadeiramente este homem (antrópos) era o Filho de Deus.” Mc 15:39


Em Cristo a recuperação gradual da imagem de Deus é recuperada.

Cl 3:10 - A medida que crescemos em nosso relacionamento com Deus e no conhecimento de sua palavra, passamos a pensar cada vez mais os pensamentos de Deus. Como Paulo afirmou em 2 Co 3:18, somos transformados na sua própria imagem. (eikon) De fato Deus nos redimiu para que fossemos conformados a imagem de Seu Filho (Rom 8:29).

A restauração completa da imagem de Deus no homem será plena por ocasião da volta de Cristo.

Uma das promessas mais formidáveis do NT é que, assim como hoje somos sujeitos a morte e ao pecado como fora Adão, também seremos como Cristo no futuro (completamente puros e livres do pecado, e não mais sujeitos a morte) 1Co 15:49. Sabemos que em Cristo o projeto pleno da imagem de Deus é manifesto 2Co 4.4; Col 1:15. Nele vemos a semelhança da raça humana tal qual Deus a concebeu, e assim será para todos nós Rom 8:29, 1 Co 15:49, 1Jo 3:2.




1 Ralph Powell. Image of God. Wycliffe Bible Encyclopedia. Chicago: Moody, 1975, V. 1, p. 832.

2 Allan Ross, Creation & Blessing, Baker Book house, 205, 2000.



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