Antropologia e Educação: Considerações sobre os saberes e as práticas de professoras das séries iniciais do ensino fundamental de Alagoas



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Antropologia e Educação: Considerações sobre os saberes e as

práticas de professoras das séries iniciais do ensino fundamental de Alagoas
Rafaela Pereira Cardoso Leite *

Vanessa Sátiro dos Santos**



Resumo
O presente artigo tem por objetivo fazer uma relação entre os saberes e as práticas de professoras das séries iniciais na escola da rede pública de Alagoas, no que diz respeito ao entendimento da Antropologia na educação. Entendendo da importância e da carência do esclarecimento da antropologia na educação, pretende-se atribuir um sentido a tal temática no campo da educação, esclarecendo assim seus objetivos a partir das representações sociais de alguns professores da rede pública de Alagoas, bem como a importância da disciplina e do “olhar etnográfico” na formação e atuação do professor das séries iniciais do ensino fundamental.
Palavras-chave
Antropologia – Olhar Etnográfico – Educação - Professores

Abstract
This article aims to make a relation between knowledge and practice of teachers in lower grades of public schools in Alagoas, regarding the understanding of anthropology in education. Understanding the importance and the lack of clarification of anthropology in education, it is intended to give a sense to this theme in education, explaining its objectives from the social representations of some public school teachers of Alagoas, and the importance of discipline and "ethnographic" in teacher education and performance of the lower grades of elementary school.
Word-Key
Anthropology - Ethnographic - Education – Teachers
* Graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas. rafinhaleite12@gmail.com

** Graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas. vanessasatiro82@gmail.com




Introdução
Este artigo é fruto de um estudo realizado por estudantes do terceiro período do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas, que teve como base de análise um questionário de caráter qualitativo, a fim de entender as representações sociais de professoras das séries iniciais do ensino fundamental no que diz respeito às concepções do sentido da antropologia na educação, e assim fazer uma reflexão sobre a relevância do estudo antropológico na formação docente e nas práticas dos educadores.

As respostas das professoras entrevistadas para a realização deste estudo foram compreendidas como representações sociais visto que, conforme explica Jodelet (1990, apud MANZZOTTI, 1994, p. 62):


Há muitas formas de conceber e de abordar as representações sociais, relacionando-as ou não ao imaginário social. Elas são associadas ao imaginário quando a ênfase recai sobre o caráter simbólico da atividade representativa de sujeitos que partilham uma mesma condição ou experiência social: eles exprimem em suas representações o sentido que dão a sua experiência no mundo social, servindo-se dos sistemas de códigos e interpretações fornecidos pela sociedade e projetando valores e aspirações sociais.
Diante da importância de se conhecer as representações sociais das professoras entrevistadas sobre a antropologia na educação, e sabendo que o conceito de cultura é ponto chave no estudo antropológico, tratamos de estabelecer uma explicação sobre tal conceito, para melhor atribuir sentido ao termo neste trabalho. Silva (2009, p.41), esclarece que:
Cada cultura tem suas próprias e distintas formas de classificar o mundo. É pela construção de sistemas classificatórios que a cultura nos propicia os meios pelos quais podemos dar sentido ao mundo social e construir significados. Há entre os membros de uma sociedade, um certo grau de consenso sobre como classificar as coisas a fim de manter alguma ordem social. Esses sistemas partilhados de significação são, na verdade, o que se entende por “cultura”.
O estudo antropológico possibilita entender o misto cultural não de forma hierarquizada, mas de forma igualitária, entendendo e debatendo temas que expliquem as formas de agir do outro separadamente de uma postura superior da de quem a vê. Entender o outro em suas especificidades, relativizando as diferenças.

Estamos diante de vários debates sobre o que se entende por cultura e seu papel na constituição da sociedade. Como esclarecem MOREIRA e CANDAU (2003, p. 159):

Assim, a cultura não pode ser estudada como variável sem importância, secundária ou dependente em relação ao que faz o mundo se mover, devendo, em vez disso, ser vista como algo fundamental, constitutivo, que determina a forma, o caráter e a vida interior desse movimento.
Para a realização do trabalho nos apoiamos nos seguintes autores: Fleuri (2005) nos possibilitou compreender a educação e a irrupção da diferença no contexto escolar; Rocha (1988) nos auxilou na compreensão do que é etnocentrismo; Silva (2009) aponta para a perspectiva dos estudos culturais na escola; Luckesi (1994) e Souza (2000) destacam o perfil e o papel do professor frente à realidade escolar, encarando o olhar etnográfico, dentre outros autores.

O interesse central deste trabalho é possibilitar uma reflexão sobre o perfil dos educadores analisados, com o intuito de abordar a relevância da aproximação entre antropologia e educação, pois, como explica GUSMÃO (1997, p. 2):


Avaliar a questão das diferenças, tão cara à antropologia e tão desafiadora no campo pedagógigo justamente por sua característica institucional homogeineizadora, não é uma tarefa simples. Desde sempre, a antrapologia e a educação têm se defrontado com universos raciais, étnicos, econômicos, sociais e de gênero, entre tantos outros, como desafios que limitam ou impedem que se atinjam metas, engendrando processos mais universalizantes e democráticos.
Entender o outro em suas especificidades se torna, nesse contexto, tarefa difcícil para o educador, pois herdamos modelos educacionais baseados no positivismo, com políticas baseadas no liberalismo, onde o papel da escola é retratar conceitos e modelos pré-estabelecidos, com um padrão fundado no individualismo, que acaba por gerar um processo de exclusão dos indivíduos que não se adaptam a tais formas de sociedade. É neste contexto que o papel da antropologia se faz necessário, a fim de estabelecer uma reflexão sobre as práticas educacionais estabelecidas.
Metodologia
Foi realizado um estudo de caráter qualitativo sobre a representação social de professoras das séries iniciais sobre 7 (sete) temas, referentes às disciplinas do terceiro período do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas. Utilizamos como instrumento de pesquisa um questionário aplicado a sete professoras das séries iniciais do ensino fundamental da rede pública de Maceió, Alagoas. Este perfil de educador foi o critério fundamental para a escolha dos professores que foram entrevistados neste estudo.

A atividade foi desenvolvida por 7 equipes, e cada equipe ficou responsável por fazer um estudo sobre um tema específico. Os temas abordados foram: Antropologia e Educação, Desenvolvimento e Aprendizagem, Avaliação Escolar, Currículo Escolar, Política e Educação, Didática, Alfabetização e Letramento. O estudo abordado no presente artigo diz respeito às representações sociais das professoras entrevistadas sobre antropologia e educação.

As entrevistas foram gravadas e transcritas para análise, com garantia de anonimato. Posteriormente as respostas foram categorizadas, utilizando, para tal, uma listagem e comparação entre as respostas.

O artigo está dividido em 3 tópicos que trazem abordagens esclarecedoras sobre temas definidos, neste trabalho, como centrais para o entendimento do sentido da antropologia na educação. Foram usadas como base para alguns tópicos deste artigo as questões que fizeram parte do questionário aplicado.




  1. O educador no contexto social atual

As questões relacionadas com a diferença e a identidade cultural são temas discutidos na sociedade contemporânea como um dos principais a serem trabalhados e levados em consideração na realidade escolar. Em geral, espera-se que os professores sejam capazes de desenvolver uma prática docente voltada à diversidade étnica e cultural, onde essas questões sejam valorizadas, por meio da socialização de conceitos que quebrem estruturas preconceituosas e abram espaço para a valorização do diferente.

A identidade e a diferença são interdependentes e resultantes da criação sócio-histórica humana por meio da criação linguística. É pelo discurso que se estabelece e se valoriza o que é considerado “normal” ou “anormal”, sem considerar que cada indivíduo apresenta características específicas, próprias, singulares e ímpares (SILVA, 2000. p. 101).

O estudo antropológico, nos possibilita um olhar mais amplo concernente a estas problemáticas, na busca por compreensão e respeito à diversidade. Como esclarece Rocha (1988, p. 9):

Quando compreendemos o outro nos seus próprios valores e não nos nossos: estamos relativizando. Enfim, relativizar é ver as coisas do mundo como uma relação capaz de ter tido um nascimento, capaz de ter tido uma transformação. Ver as coisas do mundo como uma relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores ou em bem e mal, mas vê-la na dimensão de riqueza por ser diferença.


A escola, o educador, bem como os cursos de formação de professores, precisam estar atentos a essas questões relacionadas ao campo cultural, dentro e fora da escola. As instituições educacionais representam um espaço de formação social, os modelos educacionais refletem na sociedade, representam relações de poder, que precisam estar conectadas com os problemas atuais da sociedade, pois mesmo não sendo o único espaço de formação, possui uma representação muito marcante na vida do ser humano.



  1. Diversidade Cultural e o cotidiano escolar: algumas considerações

Com o objetivo de analisar o entendimento e as práticas de professoras das séries iniciais do ensino fundamental de Alagoas sobre o termo diversidade cultural, usamos como base de análise as falas das mesmas em relação ao tema. De modo geral, o que foi descrito condiz com alguns conceitos referentes ao tema, pois as entrevistadas relataram que procuram trabalhar a diversidade de gênero, de etnia, de forma a entender as diferenças e que para isso elas usam textos e “acontecimentos”, como esclarece uma das entrevistadas:

Olhe, na verdade eu até faço parte de um grupo né, que trabalha a cultura afro-brasileira né, trabalha a questão do indígena, do negro a gente já teve oportunidade de trazer esse grupo aqui pra expor o trabalho, pra fazer uma exposição desse trabalho, e mais do que fazer isso porque é dia do índio, porque é dia da consciência negra, no dia-a-dia da gente, como professor né, nesse trabalho na construção de valores humanos, a gente tá trabalhando estas questões na didática, eu não posso trabalhar o respeito e não trabalhar a diversidade junto com eles né, eu não posso trabalhar o amor sem trabalhar a diversidade, então faz parte mesmo eu acho que do cotidiano da gente, apesar de que as pessoas acham que isso é um tema que deve permear o currículo no dia 20 de novembro, ou dia do índio ou coisa do tipo, quando na verdade não era pra ser assim” (Professora 1).

As entrevistadas, de modo geral, atribuíram um sentido lógico ao termo diversidade, mas ainda é precária a forma de se trabalhar os temas que dizem respeito ao estudo da antropologia.

Um modelo de análise da antropologia é o estudo etnográfico, que tem como fundamento fazer uma “descrição de algo”. Relacionando este sentido ao campo educacional, pode- se dizer que é uma forma de fazer uma investigação diferenciada, que retrate de forma qualitativa as relações escolares, contrariando, de certa forma, os modelos “[...] positivistas provinientes da psicologia experimental e da sociologia quantitativa” (SOUSA, 2000, p. 4).

O “olhar etnográfico” possibilita uma visão ampla das temáticas que rondam a educação; não seria o olhar sobre a escola, mas a escola como um todo, abordando aspectos sociais, culturais, estruturais, psicológicos e pessoais, de forma que possibilite uma abordagem bastante abragente.


  1. A Escola e o respeito à heterogeneidade cultural

O objetivo desse tema é promover uma reflexão acerca do respeito à diversidade cultural no ambiente educacional. Com base no relato das docentes entrevistadas, buscamos problematizar os desafios de se trabalhar a heterogeneidade na escola.

Conforme Knechtel (1999, p. 48), “[...] o multiculturalismo quer a variedade de culturas, a diferença no modo de ver e de viver o mundo”. Por isso, segundo Torres (2001, p. 2003):

A educação multicultural possui várias tarefas, ampliar o desenvolvimento de uma alfabetização étnica e cultural que implica no conhecimento das histórias das contribuições dos diferentes grupos étnicos à cultura “dominante”, embora esses grupos sejam normalmente excluídos e marginalizados.


Uma visão ampla contribui para o desenvolvimento do processo educativo, considerando a relevância de cada cultura na formação do sujeito. Dessa maneira, destacamos a importância de se pensar em um currículo multicultural, onde a escola estaria trabalhando a realidade de cada aluno, já que a mesma é um espaço sociocultural.

Durante a entrevista, ao perguntarmos sobre o respeito à diversidade cultural dos alunos e dos professores no espaço escolar, uma das entrevistadas respondeu:


A escola respeita parcialmente. Porque ainda existe, né, a questão de resquícios de valores preconceituosos, ainda é muito presente na escola. Sabemos que essa é uma questão histórica e que ainda está enraizada em muitas pessoas. Ainda encontramos diversas manifestações de preconceito no ambiente escolar, na verdade, na totalidade do tecido social” (Pofessora 2).

O relato da Professora tráz a tona a realidade de muitas escolas, em que formadores e comunidade escolar não se dão conta da diversidade existente no ambiente educacional. O papel da escola e do professor, nesse sentido, é relacionar atividades que possibilitem a construção e a representação desse conhecimento aberto ao entendimento do outro, do mundo do outro. Segundo Luckesi (1994, p. 119) “[...] o educador, como sujeito direcionador da práxis escolar, deverá estar atento a todos os elementos necessários para que o educando efetivamente aprenda e se desenvolva”.

Deste modo, professores devem atualizar-se sempre, não só em relação aos conteúdos, mas também em relação aos métodos de ensino, explorando a diversidade cultural existente em nosso país e no mundo, afinal, a escola, como instituição pública, tem por dever promover o conhecimmento, favorecendo a diminuição do preconceito contra outras culturas.

Compreendemos que a educação no Brasil esteve historicamente vinculada com a negação do outro, do diferente. Assim, destacamos o comentário da Professora 4:

A totalidade não existe de respeitar tudo. Porque, assim, a escola é formada por todos, pelo diretor, pelos professores e alunos. No papel respeita, pois tem toda a legislação. Mas, assim, na instituição em si, não respeita não a diversidade cultural, cor, classe social.”
Com base nessa representação social da distância entre o legal e o real, as intituições escolares necessitam trabalhar o currículo da escola visando a formação de identidades livres de preconceitos, abertas a pluralidade cultural, enfatizando, assim, que não se pode encarar o misto cultural de forma dessemelhante, mas de forma igualitária. Cabe a escola, como instituição formativa, e também ao professor, compreender essa importância e refletir sobre suas práticas, a fim de usá-las como instrumento no processo de transformação e conscientização social.

Considerações finais

Percebemos, por meio de uma análise teórica realizada, que as práticas pedagógicas inseridas na sala de aula precisam de uma renovação. Entendemos que os professores necessitam de uma formação continuada, de cursos que os capacitem melhor para sua prática educativa, visando o príncipio da diversidade cultural como forma de inclusão social e emancipação do aluno.

Destacamos que esse estudo nos possibilitou uma aproximação da prática docente, juntamente com os diálogos com a teoria nas disciplinas que cursamos a cada período do curso de Pedagogia, além de uma visão mais relativista, entendendo que o respeito do professor às diferenças dentro da escola é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo como aluno e como cidadão.

Contudo, percebemos que a escola ainda encontra dificuldades para trabalhar a formação da identidade do sujeito. Entendemos que as intituições escolares necessitam trabalhar o currículo da escola visando à formação de identidades livres de preconceito, abertas à pluralidade cultural.



Referências bibliográficas

EDUCAÇÃO ESCOLAR E CULTURA(S): CONSTRUINDO CAMINHOS. Revista Brasileira de Educação. MAIO/Jun/Jul/Ago 2003. Nº23.

FLEURI, Reinaldo Flávio. Educação e irrupção das diferenças. In: PEREIRA, Maria Zuleica da Costa; MOURA, Arlete Pereira. Políticas e Práticas Curriculares: impasses, tendências e perspectiva. João Pessoa: Ideia, 2005. p. 139 a 149.

GUSMÃO, Neusa Maria Mendes de. . Cad. CEDES vol. 18 n. 43. Campinas dec.1997

KENECHTEL, Maria do Rosário. A problematização, recensão e seminário intredisciplinar: uma alternativa metodológica para o ensino superior. In: ENDIPE, 9. São Paulo, 1999.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.

ROCHA, Everardo P. Guimarães. O que é Etnocentrismo. São Paulo: Editora Brasiliense.5º Ed.1988 (Coleção Primeiros Passos)

SILVA, Tomaz Tadeu da. (org.). A produção social da identidade e da diferença. In: ______. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. cap. 2, p. 73 -102.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais/ Tomaz Tadeu da Silva (org.). Stuart Hall, Kathryn Woodward. 9. Ed. – Petrópolis, Rj: Vozes, 2009.


SOUSA, Jesus Maria. O OLHAR ETNOGRÁFICO DA ESCOLA PERANTE A DIVERSIDADE CULTURAL. Disponível em: http://www3.uma.pt/jesussousa/Publicacoes/15Oolharetnograficodaescolaperanteadiversidadecultural.pdf Acesso: 24 jun. 2011.rdfhy

TORRES, Carlos Alberto. Democracia, educação e multiculturalismo: dilemas da cidadania em um mundo globalizado. Traducción de Carlos Almeida Pereira. Petrópolis: Vozes, 2001.
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