Ao jeito de intróito



Baixar 6.76 Kb.
Encontro05.08.2016
Tamanho6.76 Kb.
Amargos Desenganos

Dores que a Nação mal conhece

Ao jeito de intróito

A escrita é um acto político e a consciência da palavra fundida na esperança e caldeada num desejo, assente no pensamento sussurrante e na coragem do espírito. Mas a escrita é, também, sacrifício e dor. É ainda ilusão e realidade. Por tudo isto, escrever é acção física e determinação intelectual. Assim sendo, o escritor é, a um tempo, o vigário da palavra, situado no altar dos princípios das ideias e operário da construção dos ideais humanos, empenhado em contribuir para um mundo melhor. Contudo, para conseguir os seus propósitos, o escritor tem de engrandecer o desejo sem deturpar a verdade ou o que ele presume ser a verdade. Neste contexto, tem de transmitir o seu pensamento e o seu conheci­mento com honestidade, recusando-se ao ignominioso silêncio, à censurável prática de deturpar os factos, de dar sentido inverso à realidade. As palavras têm de ser cuidadosamente trabalhadas perante a complexa reali­dade. Têm de possuir um itinerário e um objectivo, sem sinais de mentira, para que a escrita se assuma como um meio de combate e não como espectáculo de paixões e de ódios, porque há uma razão motivadora e um propósito consciente do autor, que tem de reconhecer-se no poder das palavras, utilizando-as como ferramenta para transmitir a força das suas ideias e a realidade dos acontecimen­tos, obrigando-se ao desfazer de dúvidas, à reposição da verdade, quando e sempre que esta seja deturpada.

À escrita política deve andar associado um rasgo de combatividade, por causas válidas e sempre que as circunstâncias o justifiquem, para que uma boa causa seja bem sucedida e se concretize o melhor para as pessoas, para os povos. O escritor quer-se incorruptível e justo, fustigando sem contemplações imereci­das quantos, com grandes responsabilidades na política ou na vida pública, sejam comparsas ou personagens de feitos ou palavras reprováveis que prejudiquem a Nação. Movido por esse propósito o autor dá à estampa esta obra na esperança de contribuir para o desfazer de alguns mitos, denunciar mentiras ou meias-verdades, ao mesmo tempo que dá força às raízes de ideais, nas quais se firmam os princípios da Pátria e do Povo. Pátria que se ama por ser nossa. Povo que só é livre depois de saber o que pode e o que não pode ser alterado no curso da sua existên­cia e quando libertado de complexos e de estigmas, reconhece que a liberdade é o objectivo da história, mas não é tudo nem o fim de tudo, tão pouco é o cami­nho para a felicidade. É ilusório pensar-se que se é livre só porque se vive em democracia. O homem só é verdadeiramente livre quando o espírito se liberta do corpo.

O autor presume ter toda a legitimidade, como cidadão e como jornalista, para escrever Amargos Desenganos, que pretende ser uma mensagem de sanidade para a política caseira do tempo presente, pretendendo também desnudar as vestes opacas da democracia, tal como a conhece, na esperança de poder con­tribuir para melhorar a prática política no nosso País, sem deixar de dar voz, na forma indirecta, do pensar de milhares de compatriotas e de tentar chamar a atenção dos portugueses mais descuidados para certas realidades nacionais merecedoras de reflexão e solução. Em última análise, Amargos Desenganos é uma obra que tenta servir de "despertador" das consciências. O autor com 70 anos de idade e 43 de jornalismo não tenciona escrever outro livro. Pensa já ter dado o seu contributo por uma causa: a de Portugal livre, soberano, independente e eterno, com a edição de uma dezena de obras ante­riores a esta.



A. S.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal