Ao líder palestino, Yasser Arafat, o deputado Wasny de Roure (pt-df) pronuncia o seguinte discurso



Baixar 8.72 Kb.
Encontro30.07.2016
Tamanho8.72 Kb.
Por ocasião de sessão solene em homenagem (post-mortem), ao líder palestino, Yasser Arafat, o deputado Wasny de Roure (PT-DF) pronuncia o seguinte discurso:
A morte de Arafat, presidente da Autoridade Nacional da Palestina, significa, sem dúvida o desaparecimento do grande líder do povo palestino nas últimas décadas. Quero registrar minha admiração por ele, sobretudo, pela perseverança e destemor com que lutou até o fim da vida para o reconhecimento do Estado Palestino no Oriente Médio e pela maneira como resistiu, bravamente, ao confinamento de quase três anos, imposto pelo governo de Israel, em seu quartel-general na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.
Evidente, não se pode negar, que a luta de Arafat foi cruenta, pois também é assim a história do Oriente Médio. Muitos diziam que ele era “um excelente presidente para a guerra, mas que tinha dificuldades em governar na paz”. Para mim, Arafat foi o ícone agregador para os árabes-palestinos, pois assim como os judeus um dia o fizeram e ainda o fazem, Arafat lutou pelo direito a uma pátria para si e para o seu povo. Por isso mesmo é triste se ver como se degladiam palestinos e judeus. Povos semitas, de mesma origem, mas separados pelo ódio étnico-religioso.
Arafat insurgiu como liderança ainda muito moço. Foi líder estudantil e fez parte a União dos Estudantes Palestinos, quando cursava engenharia civil na Universidade do Cairo, em 1952. Antes disso, foi combatente na guerra árabe-israelense, em 1948, deflagrada imediatamente após a fundação do Estado judeu no Oriente Médio. Logo depois, Arafat, fundou a Al-Fatah, grupo considerado terrorista, que durante pelo menos duas décadas foi o braço direito da Organização para a Libertação da Palestina em conflitos contra Israel. Finalmente, em 1974, a Organização das Nações Unidas, reconheceu a OLP como representante dos árabes da Palestina. Graças, principalmente, ao empenho do líder palestino.

Mas foi na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em 1988, que Arafat deu um passo importante para a implantação da paz no Oriente Médio. Em um discurso histórico renunciou ao terrorismo como maneira de resolver conflitos no Oriente Médio, reconheceu o Estado de Israel e defendeu uma solução política, não-militar, para o conflito árabe-israelense. Era época da Intifada, o levante palestino pela saída dos judeus da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.


O discurso surpreendeu a todos e foi o início para o que mais tarde seria um dos pontos marcantes da história do Oriente Médio: a assinatura, em 1993, na cidade de Oslo, capital da Noruega, de acordos de paz entre palestinos e judeus que garantia a retirada das tropas israelenses de parte dos territórios ocupados na Cisjordânia. Criou-se, assim uma autoridade palestina autônoma nesses territórios, para o qual Arafat foi eleito presidente em 1996. Foi em Arafat que o povo da Palestina depositou as esperanças de também, assim com os judeus, terem o direito a um Estado na Terra Santa. O acordo conferiu o Prêmio Nobel da Paz para Yasser Arafat e também para os judeus Shimon Peres e Itzchak Rabin. Este último assassinado por um judeu extremista em 1995.
Atualmente, o mundo aspira soluções mais pacíficas para a resolução dos conflitos no Oriente Médio. Mas é importante que se saiba que graças a insistência de Arafat é que se pode pensar em novos caminhos para o restabelecimento da paz na Terra Santa. Novas eleições estão sendo preparadas para que se conheça o novo presidente da Autoridade Nacional Palestina, mas sem dúvida, Arafat será sempre aquele que fez árabes-palestinos acreditarem verdadeiramente em sua causa e a lutar por ela. E, sinceramente, gostaria de ver atendido um pedido do líder Arafat, para que seus restos mortais sejam enterrados na Mesquita de Al-Aqsa, localizada em Jerusalém, cidade três vezes santa. Espero que esse desejo seja um dia possível de ser concretizado.
É que por trás desse pedido aparentemente simples, há um simbolismo que personifica a paz, significará que o ir e vir dentro da Terra Santa será um direito de palestinos e israelenses. Creio que quando isso acontecer, quando Arafat for enterrado em Al-Aqsa, este será certamente dia de paz no Oriente Médio, em Jerusalém, e no coração de árabes e judeus. Antes disso, tenho consciência, de que talvez sejam necessários a atuação de muitos homens ou mulheres com o perfil pacificador de Yasser Arafat em prol da harmonia naquelas terras. E eles hão de existir.

Muito obrigado,


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal