Aos irmãos da guiné-bissau por ocasião da erecçÃo da custódia



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AOS IRMÃOS DA GUINÉ-BISSAU

POR OCASIÃO DA ERECÇÃO DA CUSTÓDIA

(06/12/05)
Fr. José Rodríguez Carballo, ofm

Ministro geral

Muito amados Irmãos da Custódia de San Francisco na Guiné-Bissau,


Vim de Roma até a Guiné-Bissau no exercício do serviço de animação fraterna que me foi confiado pelo Capítulo Geral e para testemunhar e reconhecer publicamente, em nome da Fraternidade Universal da Ordem, o estado actual de crescimento e maturidade da vossa Entidade que, de Fundação passa à Custodia. Com grande afecto e carinho, com o coração transbordante de alegria e de esperança, dirijo a todos vós e a cada um dos Irmãos que aqui vive e testemunha a nossa vocação e missão franciscana, a minha saudação fraterna:
O Senhor vos dê a Paz!
A Erecção da Custódia Franciscana em terras da Guiné-Bissau é para todos nós um momento de graça e de grande júbilo, mas também uma grande responsabilidade e desafio. Ela assinala um importante ponto de chegada mas também um significativo ponto de partida no processo histórico de crescimento e maturidade da vossa jovem Entidade.
Com a celebração deste acto, assinalamos oficialmente a feliz conclusão de uma etapa importantíssima no longo e trabalhoso processo histórico da implantação da Ordem e do Carisma Franciscano na Guiné-Bissau. Esta fase durou 70 anos e nela se reconhecem três momentos significativos de evolução e maturidade.
O primeiro momento foi iniciado há precisamente 70 anos com a chegada do primeiro grupo de missionários franciscanos vindos da Província Portuguesa dos Santos Mártires de Marrocos para fundar a Missão da Guiné. Deste grupo pioneiro recordamos de modo muito especial a figura dinâmica e incansável de Frei Pedro do Araújo que, à frente dos seus Irmãos, desbravou o mato, transpôs rios e lançou-se na evangelização deste Povo, chegando às suas aldeias, aos seus arrozais e navegando nas suas pirogas.
O segundo momento inaugurado, há precisamente 50 anos, viu chegar uma Equipe dinâmica de Irmãos missionários enviados da Província de Santo António de Veneza para a Fundação Franciscana da Guiné. Deste grupo distingue-se a energia carismática e o génio organizador de Frei Settimio Ferrazzeta depois, justamente nomeado primeiro Bispo da Igreja da Guiné-Bissau. Foi a fase do lançamento de fundamentos e da estruturação material e espiritual da Igreja e da Ordem na Guiné-Bissau.
Durante muito tempo as duas torrentes da única Missão franciscana correram, paralelamente, como realidades separadas e dependentes das suas Províncias de origem. Não faltaram, certamente, entre as duas partes, importantes momentos de frutuosa colaboração, sobretudo no campo de formação dos jovens candidatos locais à Ordem. Também não terão faltado momentos de uma certa rivalidade e compreensível concorrência entre vós no campo do trabalho. O Senhor, porém serviu-se também desta mediação humana para oferecer à Igreja e à Sociedade Guineense serviços de qualidade na ordem da formação, da educação escolar, da saúde, da assistência social, etc.
O terceiro momento desta fase começou quando o Senhor se dignou dar-nos a graça dos Irmãos locais, filhos desta terra da Guiné-Bissau. O mesmo Senhor ensinou-vos como devíeis viver e testemunhar o Santo Evangelho em estreita colaboração fraterna entre as duas realidades missionárias. Com efeito, a chegada dos jovens Irmãos nativos da Guiné-Bissau introduziu mudanças profundas na consciência e no modo de presença e testemunho franciscano na Guiné, obrigando as duas partes a uma colaboração mais estreita. Os frutos disso não se fizeram esperar. Hoje já temos um bom grupo de Irmãos guineenses e numerosas vocações, que justificam o paço que estamos a dar, pois são a garantia da continuidade e do crescimento da Ordem no futuro deste País.
A Erecção da Custódia, hoje, inicia uma fase completamente nova na história da presença e testemunho franciscano nesta Igreja e nesta Sociedade. As diferentes torrentes unem-se para formar uma única Entidade, a Custódia da Guiné-Bissau, que integra harmoniosamente Irmãos de diferentes origens e culturas, numa fraternidade inter provincial, inter cultural e internacional.
A nova situação coloca-vos sérios desafios a que tereis de responder com coragem e determinação se quereis ser testemunhas fiéis do Evangelho e do Carisma Franciscano na Sociedade guineense. Recordamos apenas alguns de entre os muitos desafios que tentes em frente:


  1. Ser sinal de unidade e colaboração fraterna que ultrapasse as vossas diferenças de origem nacional, provincial, cultural, linguística e étnica. Pois a sociedade guineense confrontada com rivalidades étnicas, regionais e partidárias, por vezes, politicamente manipuladas, necessita de ver nos Irmãos de São Francisco o sinal profético da fraternidade universal reconciliada e pacificada. Esta unidade, inspirada num projecto comum da Custódia, deve tornar-se visível em todos os aspectos da vida e actividade dos frades e das fraternidades. Deve traduzir-se em um projecto comum de vida fraterna; uma economia unificada de comunhão de bens, partilha e solidariedade fraterna e respeito recíproco, evitando tudo o que pode favorecer complexos de superioridade e de inferioridade entre os irmãos.

  2. Construir uma Fraternidade Custodial aberta à comunhão e colaboração com a Ordem, quer a nível universal quer a nível regional ou da Conferência. Deveis resistir à tentação de fechar-vos em vós mesmos e ficar isolados do resto da Ordem, devido à língua e às distâncias. Encorajamo-vos a participar nos programas e encontros tanto da Ordem como da Conferência. De outra parte, deveis trabalhar no sentido de construir uma verdadeira fraternidade entre os Irmãos provenientes da Europa e os Irmãos nativos da Guiné Bissau. No nosso mundo divido, este é um testemunho que eu não duvidaria em chamar profética.

  3. Trabalhar para uma sólida formação humana, intelectual, espiritual e franciscana dos Irmãos para garantir boa qualidade de vida e de testemunho evangélico segundo o carisma de São Francisco e prepará-los a serem capazes de encontrar repostas novas para os novos desafios que a sociedade e a Igreja da Guiné vos colocam hoje. A vossa presença na Guiné Bissau será aquilo que for a formação.

  4. Dar prioridade à formação Permanente que é o “húmus” e a condição necessária para uma formação inicial credível e frutuosa. Encorajamos a continuar com o programa que tendes de dar formação adequada aos jovens Irmãos que poderão ser chamados a assumir a formação na Custódia.

  5. Trabalhar no sentido de prever o futuro da Entidade quanto à sua subsistência económica. Pois a maturidade de uma Entidade é também medida pela sua capacidade de responder economicamente às suas necessidades mais ordinárias.

  6. Preparar as condições para acolher e cuidar com dignidade os irmãos idosos e enfermos. Hoje os irmãos locais são jovens e robustos, mas amanhã, alguns serão cansados, velhos e enfermos, terão necessidades encontrar acolhimento e cuidados condignos.

  7. Realizar a tradução fiel do carisma e valores franciscanos segundo a índole e os valores autênticos da cultura e das sãs tradições guineenses.

  8. Penso que seja chegado o tempo de parar, ao menos por um certo tempo a construção de novas estruturas de modo a fazer-se todo o possível para reforçar as estruturas pessoais. Desta depende verdadeiramente o futuro desta nossa Custodia na Guiné Bissau.

O nascimento da vossa Entidade tem lugar neste ano que iniciamos as celebrações do VIII Centenário da Fundação da Ordem e do carisma Franciscano. Tendes diante dos olhos o modelo do jovem Francisco no início da sua caminhada espiritual. Este tempo favorável da celebração da graça das origens, há-de ser uma fonte de inspiração, um forte apelo à conversão e à renovação espiritual a nível pessoal, comunitário e estrutural na vossa jovem Entidade. Durante este período da refundação da Ordem, todos nós somos chamados:

- a voltar às origens e a alicerçar a nossa vida, vocação e missão no essencial do nosso carisma e espiritualidade franciscana.;

- a confrontar o nosso modo de ser e de viver, bem como a nossa maneira de realizar a missão hoje, com o espírito de São Francisco e com as exigências do seu projecto de vida evangélica expresso na Regra e nas Constituições que prometemos observar fielmente no dia da nossa profissão;



- a operar o processo da refundação da Ordem apoiados nas prioridades definidas pelo Capítulo Geral 2003.
Caríssimos Irmãos, concluo minhas palavras, reiterando a minha mais sincera e cordial felicitação ao novo Governo da Custódia e a todos vós. Tanto eu, Ministro, como o Definitório Geral estaremos muito próximos de vós para vos ajudar em tudo o que pudermos e em tudo o que necessitais. Coragem, esta é a vossa hora de fazer grata memória do passado, para viver com paixão o presente e abrir-vos com confiança ao futuro.
Novamente agradeço às Províncias de Portugal e de Veneza por tudo o que têm feito na Guiné e tudo o que continuarão a fazer por esta jovem Entidade.
Confio-vos à protecção da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja e Mãe da Ordem Franciscana.
Sobre todos invoco a bênção do Seráfico Pai São Francisco.


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