AplicaçÃo da abordagem de contribuiçÃo marginal no custeio de procedimentos médico-hospitalares



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APLICAÇÃO DA ABORDAGEM DE CONTRIBUIÇÃO MARGINAL NO CUSTEIO DE PROCEDIMENTOS MÉDICO-HOSPITALARES
Afonso José de Matos

Ricardo Rinaldi Baumgartner

Brasil

Centro Universitário São Camilo

E-mail: afonso@planisa.com.br

ricardo@planisa.com.br
Palavras chaves: Custos hospitalares

Contribuição marginal

Custeio de procedimentos hospitalares
Tema do trabalho: Aplicação da Abordagem de Contribuição Marginal no Custeio de Procedimentos Médico-Hospitalares


Meios audiovisuais utilizados: “datashow system”


APLICAÇÃO DA ABORDAGEM DE CONTRIBUIÇÃO MARGINAL NO CUSTEIO DE PROCEDIMENTOS MÉDICO-HOSPITALARES


Palavras chaves: Custos hospitalares

Contribuição marginal

Custeio de procedimentos hospitalares

Tema do trabalho: Aplicação da Abordagem de Contribuição Marginal no Custeio de Procedimentos Médico-Hospitalares


Resumo:
“O produto final (“output”) de um hospital não é um exame de laboratório, uma diária hospitalar ou uma refeição servida. Ao contrário, o “output” é um paciente (curado ou mais saudável), que ao longo da permanência no Hospital recebeu aqueles serviços (Neumann, 1998). Esta expressão define claramente a importância que vem assumindo o controle dos custos de procedimentos hospitalares, propiciando a extensão da gestão dos custos ao paciente, e não apenas nos processos intermediários utilizados para a consecução dos tratamentos.

A metodologia de apropriação de custos de procedimentos hospitalares propicia inegáveis benefícios ao processo de gestão:



  • Permite o agrupamento dos procedimentos hospitalares por especialidades médicas, facilitando a análise de resultados do Hospital.

  • Facilita o controle dos custos e recursos utilizados.

  • Permite realizar comparações com outras instituições, quanto à qualidade, custos e preços dos tratamentos.

  • Consiste de uma referência para o estabelecimento de preços sob a metodologia de “pacotes”.

A partir dessas observações, efetivamente a metodologia de custeio de procedimentos hospitalares consiste de uma ferramenta indispensável à gestão de uma instituição de saúde. A clareza com que a gestão de todos os níveis de responsabilidade influenciam no desempenho dos custos, as informações dos procedimentos hospitalares (e a correspondente segmentação por especialidades médicas), tornam-se indispensáveis ao planejamento e tomada de decisão, com a inquestionável aplicação da fundamentação do custeio direto, em especial a conceituação de contribuição marginal.

  1. INTRODUÇÃO

As linhas conceituais pertinentes ao sistema de custeio direto compreendem uma valiosa ferramenta de análise de custos e resultados para a tomada de decisão. Enquanto o custeio por absorção responde mais especificamente às necessidades de natureza contábil e pela apuração do custo de produção dos serviços, o custeio direto amplia as possibilidades de análise para fins gerenciais e reúne informações adequadas no processo de tomada de decisão. Nas condições atuais vividas pelo setor, uma instituição de saúde frequentemente depara-se com decisões de extrema importância relativo às questões de negociação de preços, investimentos em equipamentos e instalações, adequação do volume e “mix” das operações, bem como a necessidade do aprimoramento das funções de planejamento e controle. Para tanto, as informações de custos sob uma orientação gerencial compreende um instrumento inquestionável de gestão das instituições de saúde.


Para suprir a demanda por esses instrumentos de gestão, o custeio direto estabelece no escopo das suas orientações, uma oportuna atenção à análise das relações entre custo, volume e lucro. Com isto, torna-se fundamental a classificação dos custos sob a abordagem de comportamento em relação ao volume das operações – a conceituação sob as expressões de custos fixos e custos variáveis passam a representar a linguagem natural neste contexto de análise das relações custo-volume-lucro.
É também importante considerar as oportunidades de análise dos custos e resultados e correspondente suprimento à tomada de decisão compreendidas na conceituação do custeio direto - são claros os progressos em relação à abordagem do custeio por absorção.

Algumas dessas questões podem ser assim resumidas:


a. Os custos fixos representam insumos incorridos, muito mais para oferecer as condições de operação de um hospital do que propriamente como recurso utilizado para a produção de um serviço específico. A linha conceitual pertinente ao custeio direto considera como custo do produto ou serviço apenas as parcelas de custos variáveis, enquanto que os custos fixos são compreendidos como custos da empresa como um todo, não sendo, portanto, objeto de apropriação ou rateio aos serviços produzidos pelo Hospital. Ao contrário, pelas orientações do custeio por absorção todos os custos, independente da classificação, são alocados aos produtos ou serviços. Vale lembrar que pelo sistema de custeio por absorção, os custos classificam-se como diretos e indiretos, porém, neles estão contidas parcelas de custos fixos e variáveis.
b. O cálculo do custo dos produtos ou serviços sob a abordagem de custeio por absorção compreende a adoção de critérios de rateio para apropriação dos montantes de custos fixos incorridos.
Por não dizerem respeito a este ou aquele produto ou a esta ou àquela unidade, são quase sempre distribuídos à base de critérios de rateio, que contém, em maior ou menor grau, arbitrariedade; quase sempre grandes graus de arbitrariedade. A maior parte das apropriações é feita em função de fatores de influência que, na verdade, não vinculam efetivamente cada custo a cada produto, porque essa vinculação é muito mais forçada do que costumamos acreditar.” (Martins, 2001).
A conclusão, pela maioria dos especialistas em contabilidade de custos, é que o custeio por absorção, embora represente uma ferramenta para valorização do custo dos produtos ou serviços prestados e correspondente valor dos estoques, ambos constantes das demonstrações contábeis, para fins de análise e tomada de decisão, pode simplesmente mais confundir do que auxiliar.
c. Pelo custeio por absorção, o custo fixo unitário de um produto ou serviço depende do volume de produção. Isto significa que quanto maior o volume, menor o custo fixo por unidade e vice-versa. As informações geradas sob esta metodologia de cálculo podem trazer grandes dificuldades na análise de custos e estimular a tomada de decisões errôneas. Por exemplo, à medida que reduz o nível de produção, o custo unitário aumenta. Com isto, aumenta-se o preço de venda? Em suma, acredita-se que não deve ser o cliente que terá que pagar pela capacidade ociosa gerada pela redução do nível de atividades. Pior que isto, o custo unitário de um serviço pode aumentar em razão da diminuição dos níveis de produção de outros serviços, e não da sua própria. São razões, portanto, que justificam a oportunidade dos gestores em segregar as funções do custeio por absorção e do custeio direto e utilizar o acervo de ambos os sistemas de forma qualificada aos objetivos que cada um deles se propõe.

II. PONTO DE EQUILÍBRIO (PE):

O conceito de ponto de equilíbrio representa uma valiosa ferramenta de gestão dos resultados operacionais da empresa. Expressa o nível de atividades em que o resultado operacional da empresa é zero, onde ocorre, portanto, a igualdade entre a receita total e o custo total. Em decorrência dessa conceituação, fica claro que o hospital deverá operar com volumes de atendimento acima do ponto de equilíbrio para obter resultados positivos. Quaisquer volumes abaixo deste ponto, fatalmente propiciarão prejuízos. À medida que se analisa o comportamento dos custos e da receita, não é tarefa tão difícil compreender que reduzidos volumes de atendimento não gerarão receita suficiente para a cobertura do custo fixo. Porém, volumes que venham, por exemplo, representar um bom padrão de ocupação do hospital, em geral, provocam resultados favoráveis.


A seguir encontra-se descrita a equação que permitirá o alcance das fórmulas destinadas ao cálculo do ponto de equilíbrio.


RT = CT

RT = CF + CV



Q.pv = CF + Q.cvu

Q.pv – Q.cvu = CF


Q (pv – cvu) = CF




Qpe =


CF


pv - cvu


Com a fórmula indicada calcula-se o ponto de equilíbrio sob a expressão de quantidades físicas (volume de atendimento). Para a ilustração de cálculo, serão utilizadas as seguintes referências:




  • custo fixo: 67.500,00

  • custo variável unitário: 330,00

  • preço de venda: 600,00

Qpe =


67.500,00

=

250 internações

600,00 – 330,00


A quantidade de 250 unidades representa o volume de atendimento necessário para alcançar o ponto de equilíbrio. Um nível de atendimento inferior a 250 unidades (de zero a 249 internações) gerará prejuízos, sob uma relação linear inversa, ou seja, quanto menor a quantidade de internações, maior será o referido prejuízo. Para qualquer nível de atividade acima de 250 internações, ou seja, a partir de 251 internações, o Hospital terá lucro.


Através da demonstração de resultado a seguir, é possível confirmar essa conceituação.


Demonstração de Resultados

Descrição

200 internações

250 internações

300 internações













Receita Total (Q.pv)................

120.000,00

150.000,00

180.000,00

(-) Custo Variável (Q. cvu).......

(66.000,00)

(82.500,00)

(99.000,00)

(-) Custo Fixo...........................

(67.500,00)

(67.500,00)

(67.500,00)

Lucro.......................................

(13.500,00)

-

13.500,00

A formulação gráfica do ponto de equilíbrio permite uma clara visualização da conceituação descrita, propiciando a análise do comportamento dos custos fixos, custos variáveis, custos totais e receita total, bem como a possibilidade de verificar o cruzamento das curvas de receita e custo total e assim, melhor entender as razões do ponto de equilíbrio.


O cálculo do ponto de equilíbrio poderá também ser aplicado para expressar o valor da receita total. Neste caso, o resultado indicará que valor de receita o Hospital deverá gerar para alcançar o ponto de equilíbrio sob a mesma orientação descrita com relação à quantidade de atendimento, níveis de vendas de serviços abaixo do valor da receita no ponto de equilíbrio propiciarão prejuízos e níveis superiores a esse parâmetro gerarão lucro.


Para tanto, basta apenas adequar a fórmula anterior e ajustá-la para o cálculo do valor da receita total no ponto de equilíbrio.

A adequação feita compreende apenas ajustar a equação “pv – cvu” para “1-cvu/pv”, onde 1 representa um índice correspondente ao preço de venda e o quociente “cvu/pv” a proporção do custo variável em relação ao preço de venda gerando, assim, a mesma equação sob as expressões de valor relativo, permitindo, portanto, o alcance do valor da receita.


Utilizando as informações constantes do exemplo anterior, será obtido o seguinte valor de receita no ponto de equilíbrio:

RTpe =


67.500,00

=


67.500,00

=


67.500,00

=


150.000,00

330,00


1 – 0,55

0,45

1-


600,00

O valor de 150.000,00 significa a receita total no ponto de equilíbrio e, é claro, corresponde à quantidade anteriormente obtida multiplicada pelo preço de venda unitário (250 internações x 600,00 = 150.000,00).


Tanto ao nível da quantificação física quanto à expressão monetária da receita, é possível alcançar cálculos sob diferentes níveis de atividade operacional, ou seja, formulação indicada não está restrita ao parâmetro do ponto de equilíbrio. Neste sentido, imagine-se que os dirigentes do Hospital estejam interessados em saber qual o volume de atendimento ou valor da receita, não apenas para alcançar o ponto de equilíbrio, mas para obter um determinado lucro (L).

Para este tipo de resposta, basta adequar a equação para a seguinte forma:



Q =


CF + L

pv - cvu

Pelo cálculo, a quantidade necessária para a cobertura dos custos fixos e a geração de um lucro de 13.500,00 corresponde a 300 internações, ou seja, 50 unidades acima do ponto de equilíbrio. Aliás, este cálculo encontra-se descrito na demonstração de resultados, cuja confirmação torna o resultado inquestionável.


Para a obtenção do valor da receita necessário para a obtenção do referido resultado, aplica-se a equação ajustada para essa finalidade.

RT =

CF + L




cvu


1-

pv



O valor de 180.000,00 representa, portanto, o nível de receita que deve ser gerado para responder as expectativas de resultados dos dirigentes.
As aplicações gerenciais encontradas na análise das relações custo-volume-lucro podem ainda ser ampliadas para orientações quanto à determinação do preço de venda e indicações de parâmetros de custos fixos possíveis de serem suportados pelos níveis de produção da empresa.
Neste sentido, imagine-se os dirigentes fazendo a seguinte indagação: qual o preço a ser estipulado para a internação, para obter um lucro de 27.000,00 ao nível de 300 internações no período. Para responder a questão, a equação deverá ser formulada especificamente para o cálculo do preço de venda:

Com a fórmula ajustada ao cálculo pretendido (preço de venda), alcança-se a seguinte resposta, utilizando-se dos parâmetros do exemplo citado.




A demonstração de resultados abaixo confirma que é um inequívoco o cálculo apresentado:

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
Receita Total (300 x 645,00).................................. 193.500,00

(-) Custo Variável (300 x 330,00)............................ ( 99.000,00)

(-) Custo Fixo........................................................... (67.500,00)
Lucro......................................................................... 27.000,00






Por fim, caso os dirigentes estejam curiosos na avaliação dos níveis suportáveis de custo fixos frente às condições de atendimento previamente estabelecidas. Por exemplo: qual o limite de custos fixos, caso o volume de atividades esteja restrito a 225 internações e o Hospital queira manter um lucro de 5.000,00 (o preço de venda continua sendo 600,00 e custo variável unitário 330,00).

RT = CT + L



RT = CF + CV+ L

RT – CV – L = CF




CF = RT – CV - L




E
CF = 225 x 600,00 – 225 x 330,00 – 5.000,00



CF = 135.000,00 – 74.250,00 – 5.000,00
xemplo:


CF = 55.750,00

A conclusão, portanto, é que, caso o volume de atendimento não supere 225 internações, o custo fixo suportado pelas operações a esse nível não poderá superar o valor de 55.750,00, a não ser que as outras variáveis (preço, custo variável ou lucro) venham ser ajustadas em vez do custo fixo.
A demonstração, a seguir, de resultados ilustra os resultados sob as condições descritas:

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
Receita Total (225 x 600,00).............................. 135.000,00

(-) Custo Variável (225 x 330,00)....................... (74.250,00)

(-) Custo Fixo...................................................... (55.750,00)
Lucro................................................................... 5.000,00





III. MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO (MC)

A conceituação de margem de contribuição, também denominada de contribuição marginal, consiste de mais um relevante instrumento que, cuja utilização com as ferramentas de análise das relações de custo-volume-lucro descritas, propiciam um acervo de equações fundamentais à avaliação de resultados e tomada de decisão.


A margem de contribuição corresponde à diferença entre o valor da receita total e o custo variável, cuja expressão compreende a parcela de contribuição do produto ou serviço destinada à cobertura do custo fixo e à geração de resultados, caso o montante da referida contribuição seja superior ao valor do custo fixo.
Sob essa conceituação, as seguintes equações correspondem à margem de contribuição:


MC = RT - CV


Mcu = pvu - cvu


Utilizando as mesmas referências monetárias e quantitativas utilizadas, os valores de margem de contribuição correspondem às seguintes expressões:




Descrição

200 internações

250 internações

300 internações

Receita total....................

120.000,00

150.000,00

180.000,00

(-) Custo Variável.............

(66.000,00)

(82.500,00)

(99.000,00)

Margem de contribuição...

54.000,00

67.500,00

81.000,00

Sob a forma unitária, a margem de contribuição se expressa da seguinte maneira:


MCu = pv - cvu


MCu = 600,00 – 330,00 = 270,00

Uma das compreensões mais importantes deste conceito corresponde à análise da destinação dos valores de contribuição gerados sob as condições de diferentes níveis de produção de serviços.

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

Descrição

200 internações

250 internações

300 internações

Receita Total...................

120.000,00

150.000,00

180.000,00

(-) Custo Variável............

(66.000,00)

(82.500,00)

(99.000,00)

Margem de Contribuição..

54.000,00

67.500,00

81.000,00

(-) Custo Fixo...................

(67.500,00)

(67.500,00)

(67.500,00)

Lucro................................

(13.500,00)

-

13.500,00

A forma como a demonstração de resultados encontra-se apresentada, facilita a compreensão da destinação dos valores de contribuição.



Volume de atendimento





Nível de atividade





Valor da margem de contribuição





Destinação da margem de contribuição
























200 internações





Abaixo


do ponto de equilíbrio




54.000,00





Cobertura de parte do Custo fixo (a margem de contribuição é insuficiente para cobrir o custo fixo de 67.500,00).























250 internações





Ponto de equilíbrio





67.500,00





A margem de contribuição é igual ao custo fixo.























300 internações





Acima do


ponto de equilíbrio



81.000,00





A margem de contribuição cobre o custo fixo (67.500,00) e ainda contribui para a geração de lucro (81.000,00 – 67.500,00 = 13.500,00).


A conceituação da margem de contribuição facilita a compreensão do cálculo do ponto de equilíbrio, bem como as razões de prejuízo ou lucro da empresa. O gráfico a seguir ilustra com clareza essas razões.



A ilustração gráfica permite compreender os diferentes comportamentos de resultados, utilizando-se os fundamentos da conceituação de margem de contribuição. Utilizando-se a escala de produção indicada (quantidade de zero a 400 unidades), os seguintes cálculos ilustram as diferentes possibilidades de resultados, desde o máximo de prejuízo (nenhuma unidade produzida) até o maior lucro possível, que ocorrerá com a produção de 400 unidades.



Volume de atendimento




Margem de contribuição



Custo fixo





Lucro
























Nenhuma internação






Zero

(nenhuma “margem de contribuição unitária” é gerada)





(67.500,00)





(67.500,00)

























1 Internação






270,00

(é gerada apenas uma "margem de contribuição unitária")





(67.500,00)





(67.230,00)

























2 Internações






540,00

(são geradas duas "margens de contribuições unitárias, a 270,00 cada uma")






(67.500,00)






(66.960,00)























249 Internações








67.230,00

(são geradas 249 "margens de contribuições unitárias, de 270,00 cada uma, faltando apenas uma para a cobertura do custo fixo)








(67.500,00)




(270,00)
























250 Internações






67.500,00

(são geradas 250 "margens de contribuições unitárias, de 270,00 cada uma, utilizadas para a cobertura do custo fixo)






(67.500,00)






Zero






















251 Internações








67.770,00

(são geradas 251 "margens de contribuições unitárias, de 250,00 destinam-se à cobertura do custo fixo e uma para a geração do lucro)






(67.500,00)






270,00






















300 Internações








81.000,00

(são geradas 300 "margens de contribuições unitárias, de 250,00 destinam-se à cobertura do custo fixo 50 para o lucro)






(67.500,00)






13.500,00























400 Internações






108.000,00

(são geradas 400 "margens de contribuições unitárias" de 270,00 cada uma - 250 contribuem para a cobertura do custo fixo e 150 possibilitam a geração do lucro)





(67.500,00)





40.500,00



Com o exemplo, torna-se extremamente clara a destinação dos valores gerados, a título de margem de contribuição. O prejuízo máximo de 67.500,00 ocorre em razão da inexistência de nenhuma internação e, portanto, o referido prejuízo corresponde ao montante total dos custos fixos. Com a produção de uma internação, o prejuízo corresponde a 67.230,00 (67.500,00 menos o valor da margem de contribuição de apenas um paciente, ou seja, 270,00). À medida que a produção aumenta, o valor da margem de contribuição (que tem variação linear ao volume de atendimento) também aumenta, permitindo gradativa redução do prejuízo. No ponto de equilíbrio (no exemplo, 250 unidades), a margem de contribuição (250 unidades x 270,00 = 67.500,00) torna-se igual ao valor do custo fixo, eliminando o prejuízo que se mantinha até o nível de atividade de 249 unidades. A margem de contribuição gerada a partir da 251ª unidade não destina-se mais a cobertura do custo fixo (o valor do custo fixo é coberto pelas 250 unidades correspondentes ao ponto de equilíbrio) possibilitando, portanto, a geração do lucro sob uma equação linear ao aumento da produção. Com isto explica-se o lucro demonstrado para os níveis de 300 e 400 internações, respectivamente, 13.750,00 (50 unidades x 270,00) e 40.500,00 (150 unidades x 270,00).


Resgatando as fórmulas utilizadas para o ponto de equilíbrio, a aplicação do conceito de margem de contribuição simplifica as referidas equações para:

FÓRMULA ANTERIOR

FÓRMULA QUE APLICA O CONCEITO DE MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO



CF



Qpe

=


pv-cvu

CF

MCu

Qpe

=



RTpe=

CF


CF

RTpe

=


cvu

IMC

1-


pv

A expressão “IMC” significa índice de margem de contribuição e substitui o “índice de preço de venda (1) e índice correspondente ao custo variável em relação ao preço de venda (Cvu/pv)”. Embora haja novas formas de apresentação para as fórmulas, os cálculos estarão representados pelos mesmos valores anteriormente demonstrados.



Qpe

=

CF

MCu

Qpe

=

67.500,00

=

250 unidades




270,00


RTpe


RTpe


=

CF

IMC

=

67.500,00

0,45

=

150.000,00

A utilização da conceituação do conceito de margem de contribuição permite uma série de aplicações gerenciais de inquestionável relevância para a tomada de decisão. Dentre essas oportunidades, são apresentadas ilustrações sobre a decisão sobre o preço dos serviços sob condições de capacidade ociosa, e quanto ao efeito nos resultados de diferentes “mix” de vendas.


Como ilustração sobre a decisão do preço de venda, imagine-se o dirigente de um hospital, com a proposta que está oferecendo um valor inferior aos atuais parâmetros de preço dos demais clientes.
As informações sobre a proposta são as seguintes:


  • Preço de venda atual: 500,00

  • Preço de venda proposto: 350,00

  • Custo médio unitário atual: 420,00

  • Custo variável unitário: 250,00

  • Custo fixo total: 102.000,00

  • Capacidade atual: 1000 unidades

  • Capacidade utilizada: 600 unidades

  • Proposta: 200 unidades

O dirigente deseja saber se deve ou não aceitar a proposta. As condições de custeio atual (420,00 por unidade) pode levar à interpretação de que ao se aceitar a oferta de um cliente por um preço inferior ao custo unitário, o hospital teria prejuízo com a referida venda. Entretanto, a compreensão da conceituação da margem de contribuição não deixa dúvidas: o hospital aumentaria o lucro com a venda adicional de 200 unidades, em razão de dispor de capacidade ociosa (não alterando o custo fixo), obtendo uma margem de contribuição unitária de 100,00 (350,00 – 250,00), totalizando um acréscimo aos resultados atuais de 20.000,00 (200 unidades x 100,00).





DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

Descrição



Antes da proposta (600 unidades)

Após a proposta (800 unidades)

Receita Total.................................. (-) Custo Variável............................ Margem de Contribuição................. (-) Custo Fixo................................... Lucro...............................................


(300.000,00)



(150.000,00)

(150.000,00)

(102.000,00)

(148.000,00)



(

370.000,00)



(200.000,00)

(170.000,00)



(102.000,00)

(168.000,00)


O mesmo dirigente não está seguro sobre o efeito nos resultados provenientes de diferentes “mix” de venda de serviços.



DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

Descrição

Serviço A

Serviço B

Total

Receita Total.. ......... (-) Custo Variável...... Margem de Contribuição



(

100.000,00) 100%)

(.(60.000,00)... (60%)

(.(40.000,00)... (40%)


100.000,00) 100%)

.(40.000,00).. (40%)

.(60.000,00).. (60%)


200.000,00) 100%



(100.000,00) (50%) 100.000,00 50%

(-) Custo Fixo ........................................................................................ (80.000,00) (40%)

Lucro.................................................................................................. ......... 20.000,00) 10%



A demonstração de resultados está indicando um “mix” de vendas correspondente a 50% para cada um dos serviços. O dirigente deseja saber como as alterações na composição de vendas afetarão o resultado final da empresa e é objetivo na pergunta: Terá o mesmo lucro, caso altere as vendas do serviço A ou B para 60%?


Com a compreensão da conceituação da margem de contribuição a resposta é óbvia – o aumento das vendas do serviço de maior índice de contribuição iria refletir em melhor resultado operacional. Ao passar para 60% a participação do serviço B, a influência no lucro será maior do que a aplicação da mesma proporção para o serviço B.


DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS COM AUMENTO DO SERVIÇO A

Descrição

Serviço A

Serviço B

Total

Receita Total................... (-) Custo Variável............ Margem de Contribuição.

120.000,00) 100%( .(72.000,00) ... (60%)

((48.000,00)... (40%)



180.000,00) 100%)

.(32.000,00).. (40%)

.(48.000,00).. (60%)


(200.000,00) 100%

(104.000,00) (52%) 96.000,00 48%

(-) Custo Fixo...................................................................................... ... . ((80.000,00) (40%)

Lucro........................................................................................................ (1 16.000,00) 8%







DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS COM AUMENTO DO SERVIÇO B

Descrição

Serviço A

Serviço B

Total

Receita Total................ (-) Custo Variáve........l. Margem de Contribuição.

(80.000,00) (100%)

((48.000,00).. (60%)

((32.000,00).. (40%)


120.000,00) 100%)

.(48.000,00). (40%)

.(72.000,00.. (60%)


200.000,00) 100%

(96.000,00) (48%) 104.000,00 52%

(-) Custo Fixo.............................................................................................((80.000,00) (40%)

Lucro.......................................................................................................... (124.000,00 12%


As demonstrações de resultados deixam extremamente claros os parâmetros de resultados. A mesma proporção de aumento de vendas aplicada aos serviços A e B propiciaram melhor resultado para o serviço com maior índice de margem de contribuição, ou seja, o serviço B.


As formulações gráficas a seguir apresentadas descrevem diferentes potenciais de resultados, em razão das margens de contribuições diferenciadas para os serviços, especialidades médicas e clientes.


CONTRIBUIÇÃO MARGINAL POR SERVIÇO




CONTRIBUIÇÃO MARGINAL POR ESPECIALIDADE MÉDICA






CONTRIBUIÇÃO MARGINAL POR CLIENTE



O diagrama ilustra o fluxo das informações de custos e correspondente demonstração dos resultados operacionais sob as segmentações de paciente, médico, especialidade médica e cliente. Com este referencial de aplicação conceitual, a instituição de saúde passa a dispor de informações adequadas à tomada de decisão, planejamento e gestão estratégica.



IV. BIBLIOGRAFIA

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