Aportes historiográficos clássicos: da contraposiçÃo entre, o historicismo da escola austríaca



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APORTES HISTORIOGRÁFICOS CLÁSSICOS:

DA CONTRAPOSIÇÃO ENTRE, O HISTORICISMO DA ESCOLA AUSTRÍACA
Camila Karin Manosso (UEM)

Moacir José da Silva (UEM)


Resumo

Esta comunicação tem por objetivo mostrar os resultados preliminares do projeto, Teorias Clássicas da História: caracterização e diferenciação de fundamentos metodológicos de análise. Ele propõe uma pesquisa no campo das Teorias da História; trata-se de uma caracterização dos fundamentos metodológicos básicos de análise de duas das principais fontes interpretativas clássicas das quais se originam diversas matrizes teóricas de análise, a saber: o Historicismo e a Escola Austríaca. Sua contribuição central consiste no aprimoramento dos conhecimentos no campo de Teorias da História. No que concerne aos objetivos específicos, busca-se diferenciar e caracterizar categorias, conceitos e supostos essenciais de interpretação do processo histórico no contexto teórico dos autores filiados ao Historicismo e a Escola Austríaca. O campo de Teorias da História tem sido objeto de grandes controvérsias por parte dos estudos historiográficos que, por conseguinte, oferecem aporte para uma rica gama de pesquisas. Sendo assim, torna-se importante um estudo comparativo dos fundamentos de análise das fontes e matrizes interpretativas. Neste sentido, esta pesquisa é uma sistematização de ideias no campo dos fundamentos metodológicos essenciais, contrapondo alguns dos autores representativos do Historicismo e da Escola Austríaca. Corolário da caracterização comparativa dos núcleos analíticos, tal como ora proposto, é o entendimento aprofundado de pontos recorrentes e norteadores de grandes tendências que marcaram os estudos historiográficos.


Palavras-Chave: Teorias da história; Historicismo; Escola Austríaca.

APORTES HISTORIOGRÁFICOS CLÁSSICOS:

DA CONTRAPOSIÇÃO ENTRE, O HISTORICISMO DA ESCOLA AUSTRÍACA
Camila Karin Manosso (UEM)

Moacir José da Silva (UEM)


Introdução

O campo das teorias da história tem sido objeto de grandes controvérsias por parte dos estudos historiográficos que, por conseguinte, oferecem aporte para um extenso rol de pesquisas sobre a história. De acordo com isso, torna-se importante o estudo comparativo dos fundamentos de análise das fontes e matrizes interpretativas. No âmbito das teorias da história, este trabalho propõe uma sistematização de ideias no sentido de analisar os seus fundamentos metodológicos essenciais contrapondo entre si alguns dos autores representativos da Escola Austríaca. Corolário da caracterização comparativa dos núcleos analíticos tal como proposto, é o entendimento aprofundando de pontos recorrentes e norteadores dos estudos historiográficos.

Objeto de recorrentes debates historiográficos, congressos e revistas nacionais e internacionais, o campo das Teorias da História tem se destacado dentre as mais relevantes área de conhecimento em ciências humanas. O recorte deste artigo recaiu sobre o Historicismo e a Escola Austríaca, especialmente por se tratar de vertentes interpretativas que serviram de embasamento e identidade para uma rica gama quase infindável de estudos historiográficos.

Sendo assim, os objetivos iniciais deste artigo são diferenciar e caracterizar categorias, conceitos e supostos essenciais de interpretação do processo histórico nos contextos do Historicismo e da Escola Austríaca.

O artigo segue o referencial convencional para estudos do tipo essencialmente qualitativo; trata-se de um estudo bibliográfico focado em aspectos essenciais das metodologias de análise sobre o modo como se dá continuidade do processo histórico. O enfoque recairá sobre duas escolas clássicas de pensamento que, agrupadas, formam um conjunto de referenciais metodológicos clássicos para um extenso rol de estudos historiográficos.
O Historicismo e a Escola Austríaca
O Historicismo mostra as configurações do mundo humano em um dado momento do presente, estas sempre são resultados de processos históricos de formação que são passíveis de uma reconstrução mental, o que remete às vertentes interpretativas de esquerda, como, a Escola de Annales e o Marxismo. Sendo assim, Historicismo designa, em termos gerais, uma forma de abordagem dos fenômenos e das culturas humanas. O termo remete a uma “historicização” fundamental de todo o pensamento acerca dos seres humanos, sua cultura e seus valores. Em sentido amplo, o qualificativo, originário do alemão Historismus é dado á correntes do pensamento, segundo as quais é a história que faz o homem e não o homem que faz a história. Baseia-se no modelo romântico inaugurado por Herder e Schelling, para os quais o universo deixou de ser um sistema e passou a ser entendido como história, numa passagem do cosmológico para o antropocêntrico. De certa maneira, é o exato contrário do conservadorismo, gerando uma fuga para, à frente, através do evolucionismo e do progressismo.

O termo começa por ser utilizado por Carl Menger, um dos precursores da Escola Austríaca, em 1883, para qualificar e criticar a intervenção de alguns membros da Escola Histórica nos domínios da economia, nomeadamente G. Schmoller. O historiador alemão F. Meinecke consagra a expressão em 1936, na obra Die Enttstehung des Historismus.

Segundo Karl Popper, foi um filósofo da ciência austríaca e defensor da democracia liberal, o historicismo foi fundado por Hegel e Marx e tem como precursores Platão e Santo Agostinho. Para Hayek, economista austríaco de grande prestígio, destacou-se por ter sido um dos principais pensadores liberais do século XX, contribuiu aos campos da filosofia política e do direito, não se limitando apenas ao desenvolvimento e às pesquisas de cunho econômico; o Historicismo é caracterizado por estabelecer leis gerais, à imagem e semelhança das leis físicas. Generaliza a partir do particular. Para tais correntes, a história obedece a uma necessidade, tendo leis queque fogem à compreensão. Os movimentos historicistas falam num sentido da história ou num processo histórico. Aceitando que, determinadas leis deliberam o futuro da humanidade.

Diz-se, também, das orientações epistemológicas que consideram a história como a verdadeira ciência do homem e que a interpretação dos fenómenos sociais por assinalar-se o encadeamento dos fenómenos sociais no tempo bem como a respectiva singularidade. Neste sentido, consideram como tarefa da ciência a contemplação do processo histórico, tudo tendendo a reduzir à filosofia da história. Conforme a definição do dicionário do pensamento político da Blackwell, a filosofia da história fornece a base racional de qualquer conhecimento pertinente das atividades e das obras humanas.

Em sentido estrito, também se dizem historicistas as perspectivas do entendimento de um r período qualquer da história, não de acordo com as ideias e os conceitos de hoje, mas com os instrumentos intelectuais disponíveis nesse tempo. Em sentido intermediário, o historicismo pode também significar revivalismo, o amor ou nostalgia por uma forma cultural de um tempo passado. Sob o qualificativo de Historicismo, reúnem-se, contudo, múltiplas e contraditórias perspectivas. Os neo-hegelianos, reclamam de um Historicismo idealista, dito Historicismo absoluto. Historicismo, é também, o materialismo dialético.

Por sua vez, A Escola Austríaca contempla o entendimento dos processos históricos a partir do próprio individuo, partindo de suas ações; é uma escola de pensamento econômico que enfatiza o poder de organização espontânea do mecanismo de preços e das ações humanas. Dessa forma, as singularidades do indivíduo são características da análise austríaca. Apesar de existir acordo generalizado quanto ao fato de a Escola Austríaca ter nascido em 1871, com a publicação do livro de Carl Menger (1840-1921) intitulado Princípios de Economia Política, na realidade, o principal mérito deste autor consistiu em ter sabido recolher e impulsionar uma tradição do pensamento de origem católica e europeia continental que se pode fazer remontar até ao nascimento do pensamento filosófico na Grécia e, de forma ainda mais intensa, até à tradição de pensamento jurídico, filosófico e político da Roma clássica.

Desta forma, a Escola Austríaca tem suas origens fundamentadas com os escolásticos do Século de Ouro espanhol, sendo esses precursores os dominicanos e jesuítas, professores da moral e teologia em universidades que, como a de Salamanca e de Coimbra, constituíram os focos mais importantes do período. Segundo Friedrich August von Hayek, um dos principais expoentes da Escola Austríaca contemporânea, elegeu como membros principais desta corrente católica, Luís de Molina e Juan Lugo. O autor começou a convencer-se deste fato, a partir dos primeiros contatos e influências do professor italiano, Bruno Leoni. Leoni argumenta à Hayek,
[...] Leoni convenceu Hayek de que as raízes da concepção dinâmica e subjetivista da economia eram de origem continental e de que, portanto, deveriam ser procuradas na Europa mediterrânica e na tradição grega, romana e tomista, mais do que na tradição dos filósofos escoceses do século XVIII [...] (SOTO, 2010, p.2, Os escolásticos do Século de Ouro espanhol como precursores da Escola Austríaca).

Podemos elencar, sinteticamente, as contribuições da Escolástica aos elementos básicos de análise econômica austríaca, sendo o precípuo elementar: “o valor de uma coisa não depende da sua natureza objetiva, mas, antes, da estimação subjetiva dos homens, mesmo que tal estimação seja insensata”; “o valor de uma coisa não depende da sua natureza objetiva, mas, antes, da estimação subjetiva dos homens, mesmo que tal estimação seja insensata”; como afirma Diego de Covarrubias y Leyva. Covarrubias (1512-1577), filho de um famoso arquiteto, chegou a bispo da cidade de Segóvia (em cuja catedral se encontra enterrado), sendo durante vários anos ministro do rei Filipe II. Em 1555, Covarrubias expôs melhor do que ninguém, até então, a essência da teoria subjetiva do valor, em torno da qual, a Escola Austríaca de economia se fundamenta.

A tradição subjetivista iniciada por Covarrubias é continuada por outro notável escolástico, Luis Saravia de La Calle, que é o primeiro a tornar clara a verdadeira relação que existe entre preços e custos no mercado, no sentido de que, em todas as situações, são os custos que tendem a seguir os preços e não o contrário, antecipando-se assim na refutação dos erros da teoria objetiva do valor que seria posteriormente desenvolvida pelos teóricos da escola clássica anglo-saxônica, e que viria a se converter no fundamento da teoria da exploração de Karl Marx e dos seus sucessores socialistas. Diego, desta forma, elenca todo o enquadramento da análise da Escola Austríaca. Os trabalhos de Covarrubias influenciaram posteriormente os escritos de Carl Menger; Menger é reconhecido por ser um dos fundadores da Escola Austríaca, em finais do século XIX e início do XX. De fato, pode-se afirmar que o principal mérito de Carl Menger consistiu em redescobrir e impulsionar esta tradição católica continental de origem espanhola que, praticamente, estava esquecida e havia caído em decadência como consequência, por um lado, do triunfo da reforma protestante e da lenda negra contra tudo o que fosse espanhol.
As influências de Mises e Hayek
A Escola Austríaca, com ênfase nos trabalhos de Mises e Hayek, teorizam que, os indivíduos do presente não estão isentos dos valores e princípios morais de seus antepassados, tendo em vista que, os mesmos partem deste legado para agir conforme suas ações provenientes e racionais que, no entanto, são agregadas de seu passado remoto. Para exemplificar o comentário, a citação da obra de Hayek, Direito Legislação e Liberdade – Uma Nova Formulação dos Princípios Liberais de Justiça e Economia Política, irá ilustrar essa perspectiva de análise austríaca,
[...] Simplesmente não é verdade que nossas ações devem sua eficácia apenas ou sobretudo ao conhecimento que somos capazes de verbalizar, portanto, constituir as premissas explícitas de um silogismo. Muitas instituições da sociedade que são condições indispensáveis para a consecução de nossos objetivos conscientes resultaram na verdade, de costumes, hábitos ou práticas que não foram inventadas nem são observados com vistas a qualquer propósito semelhante [...] (HAYEK, 1985, p.5-6, Capítulo Um: Razão e evolução).


Desta forma, entende-se que, ocorre uma evolução dos valores do indivíduo e não, do indivíduo em si, como prega o Historicismo com a sua teoria do ‘Darwinismo Social’. Na verdade, pode-se, afirmar com base em Hayek (Direito Legislação e Liberdade) que, o que realmente evolui nas ciências sociais são os princípios e valores morais, transmitido a gerações e gerações através das tradições cultuadas pelo próprio indivíduo. Deste modo, Charles Darwin é quem se apropria da construção destas teses para estruturar sua teoria biológica acerca da evolução.

Sobre as replicações de Hayek acerca de suas analogias no segmento da história da humanidade, contrapondo-se às utopias realizadas neste campo tão subjetivo da sociedade, pode-se observar em sua obra, Direito Legislação e Liberdade – Uma Nova Formulação dos Princípios Liberais da Economia Política, suas considerações embasadas a romperem com as informações errôneas tão difundidas, mas pouco conhecidas à fundo,



Como o conceito de evolução desempenhará papel central no decorre de nossa análise, é importante esclarecer alguns equívocos que ultimamente tornaram os estudiosos da sociedade relutantes em utilizá-lo. O primeiro é a idéia errônea de ser este um conceito que as ciências sociais tomaram emprestado da biologia. O que de fato ocorreu foi ao contrário, e, se Charles Darwin conseguiu aplicar à biologia um conceito que em grande parte aprendera das ciências sociais, isso não o torna menos importante em seu campo de origem. Foi na análise de formações sociais como na língua e a moral, o direito e a moeda que, no século XVIII, os conceitos similares de evolução e formação espontânea de uma ordem foram por fim claramente formulados, fornecendo as ferramentas intelectuais que Darwin e seus contemporâneos conseguiram aplicar à evolução biológica. Esses filósofos da moral do século XVIII e as escolas históricas do direito e da língua bem poderiam ser denominados – como alguns teóricos da língua do século XIX de fato se intitularam – darwinistas antes de Darwin.

Um teórico social do século XIX que precisasse recorrer a Darwin para compreender a idéia de evolução não era digno de respeito. Infelizmente, alguns precisaram, e produziram idéias que, sob o nome de ‘darwinismo social’, foram desde então responsáveis pela desconfiança com o conceito de evolução tem sido encarado pelos cientistas sociais [...] (HAYEK, 1985, p.21-22, Capítulo Um: Razão e evolução).
[...] De fato, a idéia de evolução cultural é, sem dúvida, anterior ao conceito biológico de evolução. É mesmo provável que a sua aplicação à biologia por Charles Darwin derivasse, por meio de seu avô Erasmus, do conceito de evolução cultural de Berned Mandeville e David Hume, se é que não tenha sido derivada, mais diretamente, das escolas do direito e da linguagem da época. É certo que, depois de Darwin, os ‘darwinistas sociais’, que tinham precisado dele para aprender o que constituía na verdade, uma tradição mais antiga em seu próprio campo, prejudicaram um pouco o conceito de evolução ao se concentrar na seleção de indivíduos congenitamente mais aptos, cuja lentidão a torna relativamente pouco significativa para a evolução cultural [...] (HAYEK, 1985, p.160-161, Epílogo: As três fontes de valores humanos*).

Estes trechos citados a cima, ilustram as distorções sobre os embasamentos teóricos que se procedem através de estudiosos do tema que não compreendem a fundo tais circunstâncias eminentemente difusas no meio acadêmico e na sociedade, de um modo geral. Estes trechos ilustram e contemplam as deturpações que muitos cientistas ‘darwinistas sociais’ comentem, sem antes, ao menos saber, que Darwin Se apropria das ideias difundidas pelos teóricos sociais e não ao contrário, como o próprio Hayek refuta. Outra superstição que, por exemplo, Friedrich Hayek, discute é a maneira de se cogitar que os indivíduos agem sempre pautados pela sua razão, sendo que, não é uma realidade social, em virtude de, o homem vive de acordo com os seus propósitos que julga serem bons, não simplesmente porque ele denomina pela sua razão ser bom, mas sim, porque, já está arraigado em seus princípios e valores que o regem através de normas de conduta e leis que, talvez, ele próprio desconheça a sua herança, mas, ele se apropria dos mesmos, por lhe ser transmitido, através da seleção de valores e princípios, exercidos previamente pelas suas gerações passadas. Contudo, a perspectiva analítica de Friedrich Hayek diverge-se das suposições fundamentadas metodologicamente pelos Historicistas e, seus seguidores; a propósito Hayek argumenta,



[...] O homem agiu antes de pensar, e não entendeu antes de agir. Aquilo a que chamamos de entendimento é, em última análise, simplesmente sua capacidade de reagir ao meio com um conjunto de ações que o ajuda a substituir. Essa é a parcela ínfima de verdade contida no behaviorismo e no pragmatismo, doutrinas que, no entanto, fizeram uma supersimplificação tão grosseira das relações determinantes, que se tornaram mais um obstáculo que um recurso para a compreensão das mesmas.

Aprender a partir da experiência’, entre homens não menos que entre animais, não é um processo essencialmente de raciocínio, mas de observância, disseminação, transmissão e aperfeiçoamento de práticas que impuseram porque deram bom resultado – em geral não porque propiciaram algum benefício identificável ao indivíduo que agia, mas porque aumentaram as possibilidades de observância do grupo a que este pertencia. [...] (HAYEK, 1985, p.13, Capítulo Um: Razão e evolução).


Com tal característica, sobre as relações e afirmações indagadas e desenvolvidas por Hayek, compreende-se que, a experiência e atuação de Friedrich August von Hayek não se restringe, apenas, ao campo econômico, Hayek conglomera à sua brilhante carreira, um considerável legado à compreensão de como a sociedade alicerçou-se sob os seus princípios e valores, ora, além desse ilustre economista desempenhar um significativo entendimento de como a economia funcionava, através de, corolários nomes da economia liberal que, moldou os conhecimentos prévios de Hayek, ele esboçou o principal perfil de compreensão da sociedade. Entende-se, por conseguinte, que seu legado e suas conjunturas de análise abrangem um rol de atuação, entre eles, seus estudos promovem um entendimento conciso de como a história da humanidade se formou e preservou seus costumes transmitidos a gerações. Neste campo, em específico, Hayek acabou por desmistificar muitos assuntos e falácias frequentemente cometidas e transmitidas como verdadeiras, refutando as analogias propostas pelo Historicismo, já citado. Assim, a Escola Austríaca para este autor é, senão, o princípio do entendimento de tais concepções da sociedade; se baseiam no produto da ação concreta do homem, ora, Hayek defende o papel do indivíduo enquanto agente da construção histórica. Não obstante, a história da humanidade é, contudo, consequência da atuação do homem em particular, ou em grupo.

Nesta perspectiva, o outro autor, que resulta nas abordagens referenciais de compreensão da ideologia austríaca, é Ludwig Heinrich Edler von Mises, este, foi economista, filósofo e grande defensor da liberdade econômica como suporte básico da liberdade individual, e é, por sua vez, um dos ícones da escola austríaca e também um dos economistas mais importantes de todos os tempos. Mises escreveu e lecionou incansavelmente, divulgando o liberalismo clássico. Em um de seus livros, Ação Humana (Human Action, em inglês), apresentou os fundamentos metodológicos dessa escola de cunho econômico, e integrou a teoria austríaca. Publicou ainda diversas outras obras, muitas delas se encontram em português publicadas pelo Instituto Liberal; entre outros, ele desenvolveu uma teoria do ciclo de negócios baseada nas mudanças das relações do mercado de crédito, e uma teoria sobre a impossibilidade do cálculo econômico no socialismo. Mises influenciou muitas das obras e ideologias propagadas por Friedrich von Hayek. O primeiro impacto significante que Mises proporcionou no pensamento econômico de Hayek, foi seu livro Socialismo, nele Mises tentou transmitir que, em termos econômicos, um estado socialista, tecnicamente, não se manteria, destarte, argumentou em sua obra que, a gênese do Regime Socialista nega as trocas voluntárias provenientes do livre comércio entre os indivíduos, porém, os valores dos preços relativos advêm destas trocas espontâneas e, sem estas a coordenação de atividades econômicas, mesmo que, controladoras pelos governos totalitários, é impossível; por isso a impraticabilidade de tal governo é veemente combatida, com explicações plausíveis e coerentes por Mises neste seu trabalho que, embeveceu August von Hayek.


Considerações Finais
O artigo exposto contém as discussões iniciais de um Projeto de Pesquisa que, visa discutir no campo, das Teorias da História os fundamentos metodológicos básicos de análise de duas das principais fontes interpretativas clássicas: O Historicismo e a Escola Austríaca.

Todavia, o Historicismo aduz-se sua importância, particularmente, dentro do escopo das ciências humanas, demonstrando, a necessidade de compreendê-lo de forma mais complexa, de maneira a não reduzi-lo a qualquer uma de suas definições habituais, sendo possível criar condições para o entendimento do Historicismo para além do “relativismo” e do “positivismo”, mas como um apelo ao reconhecimento da multiplicidade das tradições, o que torna possível um reconhecimento dentro da diversidade humana. Sendo assim, Historicismo designa, em termos gerais, uma forma de abordagem dos fenômenos e das culturas humanas. O termo remete a uma “historicização” fundamental de todo o pensamento acerca dos seres humanos, sua cultura e seus valores.

O Historicismo constitui, assim, a base de uma visão de mundo tipicamente moderna e ocidental. Esta; fundamenta-se na noção de que as configurações do mundo humano, num dado momento presente, sempre são o resultado de processos históricos de formação, os quais são passíveis de ser mentalmente reconstruídos e, portanto, compreendidos; o que remete às vertentes interpretativas historiográficas, ideologicamente, de esquerda.

No entanto, para contrapor esta corrente de análise sobre o passado, pautados e fadados, sobretudo, à historicidade, a Escola Austríaca configura importantes contraposições a tal método de raciocínio; argumentando e demonstrando logicamente que, a História não é uma sucessão de fatos ocorridos no presente, provenientes do passado; como é próprio dos fundamentos metodológicos do Historicismo, mas sim, a História é senão, produto da ação concreta de indivíduos ou de grupos de indivíduos que, são, em última análise, produto de suas experiências vividas, assim como, suas ideias e valores transmitidos e evoluídos de tempos em tempos, determinados e adequados pelos seus próprios objetivos e vontades.

Portanto, a Escola Austríaca, diferentemente do Historicismo, realça o papel dos indivíduos na História a medida, em que, geram mudanças no contexto historiográfico e exprimem valores dos homens do passado, assim, suas ações e ideias são referencias do passado e, não o oposto, como denomina a vertente historiográfica que, obscurecem as interpretações do passado, convertendo-os em estágios subsequentes e previsíveis do futuro: O Historicismo; relegando assim, a falta de importância de estudo e compreensão da História.
REFERÊNCIAS

HAYEK, Friedrich August von. Direito Legislação e Liberdade – Uma Nova Formulação dos Princípios Liberais de Justiça e Economia Política. V.1. São Paulo: Visão, 1985.



SOTO, Jesús Huerta de. As raízes escolásticas da Escola Austríaca e o problema com Adam Smith. Disponível em: <http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=688>. Acessado em: 15/11/2012, às 08:34h.


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