Apostila de Orientação para doutrinadores, médiuns e assistentes nos trabalhos de desobsessão. I definiçÕES



Baixar 141.93 Kb.
Página1/3
Encontro04.08.2016
Tamanho141.93 Kb.
  1   2   3

Apostila de Orientação para doutrinadores, médiuns e assistentes nos trabalhos de desobsessão.


I - DEFINIÇÕES
Doutrinar significa agir sobre a consciência de alguém procurando incutir-lhe princípios de determinada doutrina.

Em caso particular dos enfermos da alma, a finalidade da doutrinação é agir sobre eles com objetivo de subtraí-los à situação penosa em que se encontram, convencendo-os a utilizar seu próprio esforço, com conhecimentos auridos no Evangelho de Jesus.

Sejam encarnados ou desencarnados, a conscientização de cada um será o caminho certo para libertá-los da imantação que os prende um ao outro, obsessor e obsediado, pela ignorância dos princípios libertadores constantes da doutrina espírita.


II - O DOUTRINADOR

Lidando com enfermos da alma, o doutrinador assemelha-se a um médico que visa aplicar aos pacientes recursos terapêuticos, capazes de dar-lhes condições que, por eles utilizadas, possam curá-los das mazelas morais que o infelicitam.

Nunca se deve esquecer que cada um é o construtor do seu próprio futuro e que, por isso, deverá modificá-lo através da ação corretiva sempre que a desventura o atinja.

A função do doutrinador fica assim reduzida a dois objetivos básicos:



  1. Conscientizar o enfermo de que ele é o próprio responsável pelo estado em que se encontra, como resultado de seus atos, palavras e pensamentos.

  2. Fornecer-lhe os esclarecimentos para sua libertação, através do próprio trabalho de aprimoramento, colocando sua vida dentro dos padrões de moral preconizados pela Doutrina Espírita que se baseia unicamente nas máximas do Evangelho de Jesus.

Os conhecimentos fornecidos pelo doutrinador, com base na lógica, na moral e na verdade, serão os recursos libertadores capazes de alterar radicalmente a situação, quando corretamente assimilados pelo enfermo. Para a consecução deste objetivo, o doutrinador deverá preencher uma série de características cuja maior ou menor eficiência, determinarão a rapidez com que se farão sentir os resultados.
Características Indispensáveis Ao Doutrinador
Moral – Sem dúvida, a principal condição de um doutrinador é a moral: em primeiro lugar porque a sua psicosfera, isto é, a atmosfera fluídica que ele irradia e que é fruto de seus pensamentos, palavras e atos, infundirá àquele a quem esteja se dirigindo, maior ou menor respeito e confiança, já que a sensibilidade de perispírito a perispírito, é inevitável. Assim, o enfermo a quem esteja atendendo, receberá a influência que irradiará à sua volta, formando dele, seu próprio conceito, o qual reduzirá ou ampliará as perspectivas de sucesso no diálogo, consoante o espírito faça dele um mau ou bom juízo.

Além disso, a assistência que receberá no plano espiritual superior na tarefa de doutrinar, será de acordo com a sua moral, porque a confiança dos bons espíritos nele, será sempre uma conseqüência do que pense, diga e faça.

Isto não quer dizer que só os puros e perfeitos possam se dedicar à tarefa de doutrinação, mas que o grau de eficiência no desempenho desse trabalho estará invariavelmente ligado ao maior ou menor gabarito moral do doutrinador. Há que ter todo o cuidado para não indicar aos enfermos, princípios que ele próprio não seja capaz de observar.

Paciência – O doutrinador não pode esquecer que o enfermo da alma, seja encarnado ou não, é sempre um desequilibrado emocional; suas reações são às vezes; de modo a provocar irritação nos incautos, e a obstinação com que persevera nos próprios argumentos e com que defende as próprias razões, faria desistir do intento, um doutrinador menos avisado.

A compreensão do seu verdadeiro estado de desequilíbrio nos convida a paciência, procurando, sem agredi-lo em seus direitos, faze-lo sentir a inutilidade da persistência com que se defende, pois que a finalidade de sua estada na mesa de nossa equipe é apenas ajudá-lo.

Na grande maioria dos casos em que o doutrinador dialoga com espíritos violentos, agitados ou zombeteiros o sucesso na obtenção de sua conversão é demorado, havendo necessidade de repetir-se o diálogo por muitas sessões.

Conversões rápidas são, geralmente, falsas; são recursos usados pelos espíritos para se verem livres das incômodas palavras do doutrinador que lhe atingem a consciência culpada.


Humildade – Não se deve deixar transparecer para os enfermos em tratamento, nenhuma condição de superioridade. Dizer-lhe que somos irmãos, filhos do mesmo Deus e que apenas nos move o desejo de ajudá-lo a ser mais feliz; que a intenção não é julgá-lo ou criticar seus atos, mas esclarecê-los sobre as leis que regem a todos nós e que, uma vez infringidas, geram graves conseqüências.

Falar com brandura, não fazer ameaças nem imposições, respeitando o livre arbítrio do enfermo, além de uma atitude sensata, é um meio de captar-lhe a simpatia e a confiança nos propósitos elevados que movem o doutrinador.

Sempre que houver necessidade de fazer-lhe uma advertência, fazê-la em nome dos espíritos superiores que dirigem o nosso trabalho, nunca nos atribuindo quaisquer prerrogativas de poder. Dizer-lhe que também lutamos com as próprias imperfeições, combatendo-as para vencê-las.
Lógica – Há que prestar total atenção às palavras do enfermo para captar quanto seja possível, sobre o processo que o liga ao companheiro de infortúnio. O conhecimento da razão que os imanta, permite operar com segurança e eficiência no emprego dos princípios doutrinários.

A argumentação deve ser sempre lógica: essa lógica deve objetivar sempre o benefício do enfermo, mostrando-lhe as conseqüências de seus erros ante a lei de causa e efeito. Para isso, o esforço que o doutrinador fizer para ampliar o campo de seus conhecimentos, trar-lhe-á recursos com que possa demonstrar ao seu pupilo a incoerência das próprias atitudes ante os princípios da caridade, da fraternidade e do amor.

As leis Divinas e os princípios evangélicos são profundamente lógicos, por isso, o doutrinador não se deve afastar deles para inserir no diálogo idéias próprias que estejam distanciadas desses conceitos. Agir dentro da verdade deve ser preocupação constante do doutrinador, pois a desmoralização decorrente da falsidade e da mentira será capaz de destruir irremediavelmente o progresso alcançado na conversão.

As obras básicas da doutrina espírita, bem como as correlatas recebidas psicograficamente por médiuns de conceituada idoneidade, devem ser objeto de freqüente leitura e consulta por parte dos candidatos à doutrinação, pois elas aumentarão significativamente os recursos a serem usados na tarefa de esclarecer e conscientizar.


Ternura E Mansuetude – Como dizem os espíritos a Kardec, “não há entidade, por mais perversa que seja, que não se sensibilize para aceitar ajuda, quando tem certeza de que o móvel dessa ajuda é o seu próprio benefício”.

A maneira mansa e terna com que o doutrinador se dirige ao enfermo, mostrando solicitude e real interesse pela sua sorte, o desconcertará quebrando de início parcialmente, sua violência para, depois, continuadamente, surtir efeito à proporção que lhe for ficando patente o verdadeiro interesse daquele amigo (o doutrinador) que o deseja ajudar.

Se a tarefa de desobsessão se desenvolve sob a orientação de Jesus que é o padrão de mansuetude, através de seu Evangelho, jamais se poderá pensar em usar violência, prepotência ou qualquer meio de coação no trato com os necessitados.

Exemplificando a calma, a tolerância e o respeito ao paciente, estaremos induzindo-o a retribuir na mesma maneira o nosso tratamento.


Observação e Atenção – Propondo-se ao diálogo com os enfermos e para melhor servir à causa da desobsessão, deverá o doutrinador desligar-se de tudo a sua volta concentrando toda sua atenção nas palavras e atitudes do irmão em tratamento para captar as mais amplas informações sobre o processo em causa. Nessa concentração, a mente estará em sintonia com os mentores espirituais, também, por sua vez, ligados ao assunto e que, através da intuição, sugerirão o melhor caminho a ser seguido naquele caso pelo doutrinador.

Dados como, sexo do comunicante, conhecimento da própria situação de desencarnado, tempo que já desencarnou, domicílio onde se situa no momento, fato que o liga ao obsidiado, que tipo de atuação exerce sobre sua vítima (se vingança, se contratação por terceiros e outro qualquer), são conseguidos por uma observação cuidadosa e atenciosa do espírito ou sugestão intuitiva dos mentores espirituais.


Desejo Sincero de Servir – Nosso coração deverá estar cheio de compaixão e compreensão pelas necessidades dos sofredores a serem socorridos. Não devemos usar automatismo frio, ignorando as razões de ambas as partes. Respeitarmos o sofrimento oriundo da mágoa será atitude, no mínimo, sensata compreendendo a revolta daquele que, encontrando-se ferido em seus mais íntimos anelos, carece de carinho e respeito para as razões que evoca a seu favor.

Assim, a condição de renúncia no labor santificante da desobsessão, é fator que deve estar presente de contínuo neste tipo de trabalho, para que se mostre o máximo de isenção, abstendo-se de opinar sobre a propriedade ou não dos direitos evocados. Nossos erros do passado, mostrando nossa posição de calcetas, não nos deverão encorajar a quaisquer tipos de recriminação quanto às faltas do irmão em socorro.


Realidade

Foi num transporte coletivo, em manhã de sol, que Renato Silveira lia lentamente a mensagem “A afabilidade e a doçura”, do capítulo IX, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Leitura muito agradável, dando margem a demoradas reflexões. Estava tão empolgado, que nem dava conta do que ocorria ao seu redor. Na movimentação normal dos passageiros, senhora grávida, aproxima-se, permanecendo de pé, apoiada ao balaústre, junto a Renato. Ele, porém, concentrado na página, continuava quase imóvel. E, se olhava para os lados, o fazia ligeiramente, porque não pretendia perder o ensejo de aproveitar o máximo daquela edificante lição. A respeitável mulher reconhecia-o, contudo, mantinha-se discreta e silenciosa. Trinta minutos transcorreram, enquanto o ônibus avançava pelas vias tortuosas da linha. Aproximando-se de determinado ponto, o doutrinador Renato, ergueu-se, segurando o Evangelho com uma mão, puxou a campainha com a outra, e só então reconheceu-se diante de uma iniciante da Doutrina Espírita e admiradora da palavra que ele, Silveira, sabia usar em belas explanações no centro que ambos freqüentavam. Com ligeiros cumprimentos, Renato afastou-se, mas agora levava um peso na consciência: “Meu Deus, por que eu não cedi o lugar àquela irmã ; em circunstância tão delicada? Tenho que lhe pedir perdão, senão jamais poderei falar do Evangelho diante dos seus olhos!

Cuidado! Não perca as oportunidades de exercer o bem, mesmo sob pretexto de estar concentrado no bem. - Hilário Silva

III - O MÉDIUM
As Fases Da Comunicação Mediúnica
Atração - quando o desejo coloca o comunicante e o médium em condições harmônicas. Quando isto ocorre, o comunicante é atraído, não importando onde se encontre, para a linha de força correspondente, existente no campo energético do Médium.

Aproximação - com a presença do comunicante nas proximidades do campo energético do médium, onde suas primeiras emoções já se fazem sentir, de maneira pouco perceptível, mas reais.

Envolvimento - é quando completa-se o fenômeno. As linhas energéticas harmônicas do comunicante e do campo energético do médium se encontram, proporcionando a evidenciação do fenômeno de forma indiscutível, assumindo o comunicante o comando relativo das ações variando de influência mental ao domínio total do físico e quase total da mente, guardando o médium, entretanto, o domínio das últimas decisões.
Características da Incorporação

A incorporação dos espíritos apresenta características diferentes de um para outro médium. Do ponto de vista da integração do espírito comunicante com o aparelho mediúnico, são três as hipóteses mais comuns: o médium se mantém consciente durante toda a conversação; o médium está ora consciente, ora inconsciente, tomando conhecimento parcial do diálogo; e, finalmente, o médium permanece inconsciente não tomando qualquer conhecimento do diálogo.

Sempre que a situação o permita, o doutrinador deverá procurar ouvir o médium sobre as observações feitas por ele durante a manifestação, com vistas a informar, sexo do comunicante, aparência com que se apresenta, se há ou não outras entidades que o acompanhem, se a condição em que ele se manifesta é real ou falsa; isto é, se está fingindo ou está sendo verdadeiro.

Há médiuns que policiam mais ou menos a utilização de seu corpo pelo comunicante, daí termos uma expressão mais ou menos integral das disposições do espírito incorporado. Assim a violência com que o comunicante se apresenta, poderá ser bloqueada em parte pelo medianeiro, mas caberá ao doutrinador a aplicação imediata de recursos magnéticos para acalmá-lo, mediante prece intercessória feita aos mentores espirituais.

A continuidade do trabalho irá estabelecendo uma perfeita harmonia, sintonia e afinidade entre doutrinador e sensitivo, de modo que muitas informações o doutrinador passará a encontrar na própria característica da manifestação do espírito, quer pela via intuitiva quer pelo tipo de apresentação.

  1   2   3


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal