Apostila fertildiade do solo/quimica do solo formas de nutrientes no solo e disponibilidade aos vegetais



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APOSTILA

FERTILDIADE DO SOLO/QUIMICA DO SOLO
1. FORMAS DE NUTRIENTES NO SOLO E DISPONIBILIDADE AOS VEGETAIS

Os nutrientes encontram-se distribuídos nas fases sólida (orgânica e inorgânica) e líquida (solução) do solo. Os vegetais os absorvem somente a partir da solução do solo, onde a concentração (fator Intensidade, I), para a maioria dos nutrientes, é várias vêzes menor que a quantidade desses mesmos nutrientes que se encontram ligados na fase sólida (fator Capacidade, Q).

Na fase sólida, a maior quantidade dos nutrientes encontra-se fazendo parte da estrutura de componentes inorgânicos (forma estrutural) e orgânicos (na matéria orgânica), e portanto, distribuídos regularmente em toda a extensão dos mesmos. Uma menor quantidade, porém de extrema importância para a nutrição vegetal, encontra-se retida junto à superfície destes materiais sólidos, através de ligações químicas, normalmente de caráter eletrostático ou covalente.

No presente capítulo abordaremos sobre as formas em que os nutrientes se encontram no solo e a importância relativa das mesmas na nutrição vegetal. No solo, os nutrientes podem se encontrar, genericamente, nas seguintes formas: estrutural, orgânica, adsorvidos eletrostaticamente, adsorvidos quimicamente, precipitados, complexados pela matéria orgânica, e na solução do solo.


1.1 ESTRUTURAL: É a forma onde se encontra a maior quantidade de quase todos os elementos minerais, à exceção de alguns como o Nitrogênio. Nessa forma os elementos fazem parte da estrutura dos argilominerais, dos minerais primários, e dos óxidos e hidróxidos presentes no solo.

Os nutrientes somente são liberados da forma estrutural para a solução do solo quando esses componentes forem intemperizados. Por isso, a contribuição da fração estrutural é, normalmente, pouco significativa para a nutrição vegetal pois as quantidade liberadas por esse mecanismo são, na maioria dos solos, pequenas e insuficientes para suprir a demanda de espécies altamente produtivas. Em solos jovens, entretanto, como ocorre em várias encostas do Estado de Santa Catarina, a contribuição dessa fração é significativa.

A intemperização é um processo lento que depende de fatores físicos, químicos e biológicos, sendo favorecida por condições de elevada umidade e temperatura, e pela diminuição dos nutrientes na solução do solo. À medida que os solos começam a se exaurir num dado nutriente, aumenta a contribuição relativa da fração estrutural na nutrição vegetal.
1.2 ORGÂNICA: É a forma na qual os nutrientes se encontram fazendo parte da estrutura dos materiais orgânicos do solo, seja de resíduos recentemente incorporados ou de substâncias em estádios mais avançados de decomposição (substâncias húmicas).

A contribuição da fração orgânica na liberação de elementos minerais para a solução do solo é importante para alguns nutrientes, principalmente N, S, B e P. A quantidade liberada depende da concentração de cada nutriente na matéria orgânica, do tipo de material orgânico (resíduo recentemente incorporado ou substância húmica) do teor desses materiais presentes ou adicionados no solo, e da velocidade com que eles são decompostos pelos microorganismos.

A decomposição da M.O. é favorecida em condições de bom suprimento de água e oxigênio, pH próximo da neutralidade, temperatura entre 25 e 30°C, boa disponibilidade de elementos minerais, e ausência de elementos tóxicos, como alumínio e manganês. Como esses fatores variam muito, torna-se difícil quantificar a contribuição da fração orgânica do solo na liberação de nutrientes para a solução do solo. Essa contribuição deve ser considerada, no entanto, principalmente levando-se em conta a experiência local dos técnicos e produtores e os dados de pesquisa regionais.

Existem algumas situações específicas que afetam a disponibilidade dos nutrientes presentes na matéria orgânica. É o caso do N, cujo destino imediato depende da relação entre o carbono e o nitrogênio presente no material (relação C/N). É também o caso de alguns elementos (todo o K, e grande parte do N e do P) que se encontram na forma mineral em resíduos orgânicos cujo estádio de decomposição se encontra anterior ao da fração húmica, por ocasião da incorporação dos mesmos com o solo.



1.3 ADSORVIDA: A forma adsorvida constitui a fração dos nutrientes que se encontra ligada à superfície dos sólidos orgânicos (M.O.) e inorgânicos (argilominerias, óxidos e hidróxidos) do solo. É a fonte de maior interesse para a nutrição vegetal, pois é ela que reestabelece as quantidades de nutrientes retiradas da solução do solo pelas plantas ou por lixiviação. Essa forma representa a reserva imediata de nutrientes aos vegetais.

As ligações entre os nutrientes que se encontram nessa forma com os componentes sólidos do solo podem ser de caráter eletrostático (adsorção eletrostática) ou através de complexos de superfície (adsorção química). Essas ligações serão enfocados com detalhes, logo a seguir.


1.4 PRECIPITADOS: No solo, alguns elementos formam precipitados com outros elementos ou com compostos químicos. Os precipitados são moléculas relativamente grandes, e muitas vêzes insolúveis, e por essas razões não são absorvidos pelas plantas. Eles tem que primeiramente ser dissolvidos para então serem absorvidos pelas raízes.

Elementos como o P, Ca, Al, e o Mn formam muitos precipitados no solo, e portanto suas disponibilidades são afetadas tanto pela formação como pela dissolução desses precipitados. Estas, por sua vez, são afetadas pela atividade (concentração efetiva) dos íons integrantes desse composto na solução e pelo pH do solo, e é governada por uma constante de dissolução (Kd), própria de cada composto.


1.5 COMPLEXOS COM A MATÉRIA ORGÂNICA: Existem alguns elementos no solo que formam complexos com a matéria orgânica do solo, especialmente os metais pesados, o Fe, o Al, e os micronutrientes. A atividade desses elementos na solução do solo vai depender da solubilidade do complexo formado entre esses elementos e a matéria orgânica.
1.6 SOLUÇÃO DO SOLO: A solução do solo constitui a fração líquida do solo, na qual estão dissolvidos elementos minerais e compostos orgânicos, e por isso chamada de solução. A solução do solo é pouco concentrada e é o meio do qual as plantas absorvem os nutrientes. Como a concentração da maioria dos nutrientes nessa solução é pequena, a quantidade de nutrientes se esgota em poucas horas ou dias, dependendo do nutriente, e tem que ser reposta. A reposição dos nutrientes para a solução é efetuada pelas diversas formas presentes na fase sólida do solo, e além das quantidades dos elementos a serem repostos, a velocidade da reposição dos nutrientes é também de fundamental importância para a nutrição vegetal. Essa velocidade deverá ser igual ou superior à taxa de demanda vegetal (quantidade absorvida por unidade de tempo).

A velocidade de reposição dos nutrientes para a fase sólida é determinada pelo nível de fertilidade do solo e pelo seu poder tampão (maior ou menor capacidade de o solo manter inalterada a concentração de um dado elemento na solução do solo, com a adição ou retirada do mesmo), e aumenta com o aumento dessas duas variáveis. O aumento do nível de fertilidade de um solo é obtido pela adição de fertilizantes, orgânicos ou minerais. Já o poder tampão é uma característica intrínseca de cada solo, e é diretamente proporcional aos teores de argila e de matéria orgânica, uma vez que essas duas variáveis contem os sítios para a ligação dos elementos minerais.

A disponibilidade dos nutrientes no solo não significa, portanto, somente existência quantitativa. E necessário que eles sejam mantidos no solo, enviados para a solução, e daí para a superfície do sistema radicular com uma boa velocidade, durante todo o ciclo de absorção, para que então possam ser absorvidos. Esses fenômenos são bastante complexos e deles participam fatores inerentes às plantas (Km, Cmin.; eficiência de utilização, ciclo, área do sistema radicular, etc...) e fatores de solo (número de cargas, poder tampão, capacidade de retenção de água, densidade, etc) que têm que ser conhecidos para que possam ser manipulados corretamente, permitindo assim a melhoria da nutrição e o aumento do rendimento das culturas.

A determinação da atividade (concentração efetiva) dos nutrientes na solução do solo é de difícl execução pois sua extração do solo é bastante complexa. Análises de rotina não determinam a composição dos nutrientes na solução do solo. Os valores analíticos nos laudos de análise de solo representam o somatório das frações facilmente adsorvidas e do que está na solução do solo. Para a maioria dos nutrientes, à exceção do N, a quantidade presente na solução representa um pequeno percentual desse total.



2. CARGAS ELÉTRICAS NO SOLO

Os óxidos e hidróxidos de ferro, alumínio, manganês e silício, os argilo-minerais, e a matéria orgânica, possuem cargas elétricas em suas superfícies. Os óxidos/hidróxidos e a matéria orgânica podem apresentar cargas positivas, negativas, ou ambas, pois possuem caráter anfótero; os argilo-minerais normalmente apresentam somente cargas negativas.

Sob o ponto de vista de nutrição vegetal, é importante que o solo possua um grande número de cargas, pois elas mantém os nutrientes presos junto a si, através de ligações químicas, impedindo que eles sejam lixiviados. Eletrostaticamente, os cátions se ligam às cargas negativas e os ânions às positivas. Algumas formas de determinados elementos ligam-se à fase sólida do solo independentemente do tipo de carga (positiva ou negativa) que ela apresenta, através de ligações de caráter covalente e de complexos, nas quais o tipo de carga pode dificultar mas não impedir a efetivação da ligação.

2.1 TIPOS DE CARGAS ELÉTRICAS:

As cargas elétricas do solo são classificadas, quanto à origem, em permanentes e variáveis (dependentes de pH).


2.1.1 CARGAS PERMANENTES: As cargas permanentes são originadas nos argilo-minerais através de substituições isomórficas. Por ocasião da formação dos minerais, alguns dos átomos de Si, que deveriam ocupar as cavidades no centro dos tetraedros ou de Al que deveriam ocupar as cavidades no centro dos octaedros, são substituídos por outros cátions, com raio iônico semelhante, com mesmo tipo de carga, mas com valência diferente. Essas substituições geram cargas e consistem, basicamente, pela troca do Silício (Si+4) pelo Alumínio (Al+3) nos tetraedros, e do Alumínio (Al+3) pelo Ferro (Fe+2) ou pelo Magnésio (Mg+2) nos octaedros. Nas duas situações, um cátion de maior valência dá lugar a um de menor valência, gerando um déficit de uma carga positiva por substituição. Sendo assim, o mineral que deveria apresentar carga zero (eletricamente neutro), passa a ter uma carga negativa por substituição, conforme desenho abaixo:

Para que seja mantida a eletroneutralidade do mineral onde ocorreram as substituições isomórficas, elementos carregados positivamente (cátions) se localizam junto às cargas negativas e se ligam a elas eletrostaticamente. Quando a entre-camada do mineral for muito estreita e não permitir a entrada de nenhum cátion para neutralizar as cargas internas, ele se torna instável e rompe-se. A existência de uma entre-camada muito pequena na caulinita é a principal razão por que seu número de cargas negativas (CTC) é menor que o da montmorilonita e da vermiculita.

As substituições isomórficas geram, basicamente, cargas negativas. Na lâmina de bruscita (Mg(OH)2), entretanto, que localiza-se nas entre-camadas da clorita, há produção de cargas positivas devido à substituição do Magnésio (Mg+2) pelo Ferro (Fe+3). Esse mineral, no entanto, não é expressivo nos solos brasileiros.

As cargas permanentes constituem a quase totalidade das cargas elétricas em solos de países de clima temperado, onde predominam argilo-minerais do tipo 2:1; em solos altamente intemperizados, que ocorrem nos países de clima tropical, elas representam apenas uma pequena parcela da carga total.


2.1.2 CARGAS VARIÁVEIS (DEPENDENTES DE pH): As cargas variáveis variam com a alteração do pH do solo e por isso são também denominadas de cargas dependentes do pH. Esse tipo de carga encontra-se nas superfícies quebradas de argilo-minerais, e principalmente nos óxidos e hidróxidos, e na matéria orgânica. É o tipo de carga predominante nos solos de países com clima quente, onde os solos são altamente intemperizados cuja mineralogia predominante é composta de caulinita e de óxidos/hidróxidos. O quadro a seguir, obtido de Raij (1969), mostra o percentual de contribuição da matéria orgânica para a carga em oito solos do estado de São Paulo.

O número e o tipo (positiva ou negativa) das cargas elétricas dependentes de pH variam com a alteração do pH do solo devido à adsorção dos íons determinantes do potencial elétrico (Hidrogênio e Hidroxila) nos constituintes sólidos. Quando a acidez é elevada (pH baixo), íons Hidrogênio (prótons) migram da solução do solo para a superfície dos sólidos, e ao ligarem-se covalentemente aos grupos funcionais existentes na superfície dos sólidos, passam a integrar a estrutura dos mesmos e assim conferem cargas positivas a eles. Com o aumento do pH, o fenômeno dá-se em sentido contrário, ou seja, esses prótons são liberados gradativamente desses grupos funcionais (moléculas de água, de Hidroxilas, ou de radicais orgânicos carboxilicos ou hidroxílicos) onde se encontravam ligados covalentemente, gerando cargas negativas.

À medida que o pH aumenta, há, portanto, um aumento nas cargas negativas e um decréscimo nas cargas positivas. As figuras abaixo mostram como ocorre o aumento de cargas negativas com o aumento do pH do solo, numa partícula mineral e num composto orgânico, respectivamente:
Existe um determinado pH no qual o número de cargas positivas do solo é igual ao número de cargas negativas, e a esse valor denomina-se de Ponto de Carga Zero (PCZ). Sposito ( ) vai um pouco além nos conceitos de eletroneutralidade no solo e define como Ponto Isoelétrico o valor de pH que um determinado constituinte sólido (mineral ou orgânico) apresenta cargas dependentes de pH igual a zero, e como PCZ o valor de pH onde ele apresenta carga total (permanentes + dependentes de pH) igual a zero. Tanto o PCZ como o ponto isoelétrico variam com o tipo de solo. Abaixo do PCZ o solo possui cargas positivas e acima dele, cargas negativas. No quadro abaixo, obtido em PARFITT (1981), encontra-se o PCZ de alguns minerais e de alguns grupos de solos, bem como o número de cargas positivas dos mesmos em pH 3,5 e o número de cargas negativas em pH 8,0.

2.2 COMO AUMENTAR AS CARGAS ELÉTRICAS DO SOLO:

As cargas elétricas do solo podem ser aumentadas pelo aumento do pH do solo, pela aumento do teor de matéria orgânica, pela adsorção específica de íons, e pelo aumento da concentração de sais no solo. Quantitativamente, sómente as duas primeiras maneiras são importantes.


2.2.1 ELEVAÇÃO DO pH DO SOLO:

Como foi discutido anteriormente, a elevação do pH do solo aumenta as cargas negativas devido à dissociação de íons H de componentes da fase sólida (dá para entender também como adsorção química de Hidroxilas), e à desobstrução de algumas cargas ocupadas por algumas formas de Al não trocável. A adição de calcário ao solo é a maneira mais fácil de se aumentar a CTC dos solos, conforme verifica-se nos dados abaixo, obtidos por Mielniczuk (1978).


2.2.2 AUMENTO DO TEOR DE MATÉRIA ORGÂNICA:

O aumento das cargas negativas do solo também ocorre através da adição de resíduos orgânicos ao solo, pois esses materiais possuem um maior número dessas cargas por unidade de volume que a média dos constituintes minerais do solo. Entretanto, para que o aumento seja significativo é necessário adicionar grandes quantidades desses materiais, o que é viável somente em pequenas extensões de terra.


2.2.3 ADSORÇÃO QUÍMICA DE ÍONS:

Quando um íon é adsorvido quimicamente à superfície dos sólidos ele pode deslocar um íon de igual carga e valência, pode não deslocar mas trazer consigo um íon de mesma valência e carga oposta, e ainda pode não deslocar nenhum íon e incorporar-se à superfície do solido. Nos dois primeiros casos a carga do sólido não é alterada; no último, entretanto, o íon configura sua carga ao constituinte. Se for um cátion, o sólido ganhará carga positiva; se for um ânion, negativa, como mostra a figura a seguir, obtida em PARFITT (1981), com a adsorção química de cobre e fósforo, respectivamente.

Por isso, a adsorção química de ânions como sulfatos, fosfatos, boratos, molibdatos, aumenta o número de cargas negativas do solo. O caráter covalente desse tipo de ligação faz com que os elementos se incorporem à estrutura dos minerais e exponham suas cargas na superfície dos constituintes aos quais se ligam. Esse fenômeno, porém, é pouco expressivo em termos de número de cargas, em virtude das pequenas quantidades desses ânions que são aplicados ao solo, insuficientes para promover alterações significativas no número total de cargas.
2.2.4 AUMENTO DA CONCENTRAÇÃO SALINA DO SOLO:

O aumento da concentração de sais no solo também provove um aumento nas cargas do mesmo. Se o solo tiver carga líquida negativa, haverá um aumento nas negativas; se o solo tiver carga líquida positiva, haverá um aumento nesse tipo de carga. Esse fenômeno é explicado pela equação abaixo. Quantitativamente o aumento no número de cargas proporcionado pela elevação da concentração de sais no solo é pouco expressivo para a retenção de nutrientes, porém pode alterar o valor de pH de amostras de solo quando essas não são manipuladas adequadamente, como será explicado na secção seguinte.


2.3 DETERMINAÇÃO DO TIPO DE CARGA DO SOLO:

A determinação do tipo de carga de um solo (positiva ou negativa) é feita através da comparação entre os valores de pH do solo determinados em água e numa solução salina, como CaCl2, NaCl ou KCl. Como foi comentado anteriormente, à medida que a força iônica na solução é aumentada obtém-se um aumento no número de cargas do. O aumento se dá pela migração dos íons determinantes do potencial (H e OH) para a fase sólida, onde são incorporados à superfície a partir da dissociação da água. Se o solo tiver carga negativa migrarão oxidrilas (OH) para a fase sólida e o pH do solo em solução salina será mais baixo que o pH em água; se o solo tiver carga positiva, migrarão hidrogênios (H) para a fase sólida, e o pH em solução salina será mais elevado que o pH em água.

O comum é os solos apresentarem carga líquida negativa, e é para este tipo que é dedicado maior estudo e atenção.


2.4 DETERMINAÇÃO DA QUANTIDADE DE CARGAS DO SOLO:

Existem vários métodos para determinar o somatório de cargas negativas do solo as quais os cátions podem ser adsorvidos eletrostaticamente e dali deslocados por outros (CTC). Os mais comuns consistem em utilizar sais tamponados (Ex. acetato de amônio) a um determinado valor de pH, normalmente 7,0 ou 8,2. O sal é adicionado em grandes quantidades e o cátion nele presente passa a ocupar todas as cargas negativas deslocando delas os elementos que ali se encontravam ligados eletrostaticamente. Esses elementos vão para a solução do solo e através de sua determinação obtém-se o somatório das cargas negativas. Como o sal é tamponado e apresenta pH normalmente mais elevado que o do solo, esses métodos dão uma superestimação dos valores reais de CTC, pois determinam algumas cargas negativas dependentes de pH que não estão disponíveis a adsorção eletrostática de cátions nos valores reais de pH do solo. Um método fácil e que melhor se aproxima do somatório real das cargas negativas existentes no solo a um dado pH é o que determina o somatório dos cátions trocáveis até esse pH (Ca, Mg, K e Al). Para esse método, os valores de Ca, Mg e K podem ser extraídos com uma solução de acetato de Amônio 1N, e o Al com uma solução de KC1 1N. O somatório obtido da determinação desses cátions fornece a CTC efetiva do solo.


4.1 DETERMINAÇÃO DO PONTO DE CARGA ZERO:

O PCZ do solo pode ser determinado através de curvas de neutralização da acidez conduzidas em diferentes concentrações eletrolíticas. O fundamento teórico dessa determinação está baseado em dois princípios químicos nos quais:

a- as cargas negativas aumentam com o aumento do pH e diminuem com a diminuição do mesmo (entenda-se também que as cargas positivas aumentam com a diminuição do pH), b- as cargas negativas aumentam com o aumento da concentração salina do solo. A elaboração de curvas de neutralização consiste em adicionar-se quantidades crescentes conhecidas de ácido (H) e de base (OH) a amostras de um dado solo, ao mesmo tempo em que se determina o pH de equilíbrio após cada adição. Como os íons H e OH são os íons determinantes do potencial elétrico, e portanto são os íons que aumentam respectivametne as cargas positivas e negativas de solos com carga variável, confecciona-se um gráfico tendo as cargas (H-OH) no eixo das abcissas, e pH no eixo das ordenadas. Juntando-se as curvas de neutralização, determinadas em diferentes concentrações salinas, obter-se-á diferentes curvas, porém com um ponto de intersecção comum a todas. O valor de pH no ponto de intersecção é onde o potencial elétrico é zero para todas as curvas, e portanto é o ponto de carga zero (PCZ).


  1. TROCA DE CÁTIONS E EQUILÍBRIO ENTRE OS CÁTIONS DAS FASES

SÓLIDA E LÍQUIDA DO SOLO:
5.1. CÁTIONS EXISTENTES NO SOLO:

Dos nutrientes essenciais aos vegetais, alguns são cátions e outros são ânions. No solo eles se encontram em várias formas, algumas disponíveis a curto e médio prazo e outros somente a longo prazo. Alguma formas permanecem adsorvidas as superfícies dos sólidos e outras na solução, ambas disponíveis aos vegetais. Se eles não se ligarem aos compostos sólidos, permanecerão na solução, e ali ficarão sujeitos a serem carregados verticalmente no perfil pelas águas da chuva (percolação), num fenômeno denominado de lixiviação. As ligações se dão através das cargas elétricas existentes nas superfícies dos sólidos do solo, orgânicos e inorgânicos, e variam na razão direta de seu número.

Cátions trocáveis são os elementos minerais carregados positivamente que se encontram neutralizando as cargas negativas existentes nas superfícies externas dos argilo-minerais, óxidos, hidróxidos e da matéria orgânica, ou seja, aqueles que se encontram na camada difusa descrita por Stern e por Gouy-Chapman, e que dali podem ser deslocados por outros elementos também carregados positivamente.

Alguns dos nutrientes catiônicos existem no solo em grandes quantidades, outros em quantidades muito pequenas. Cálcio, Mg, K, e Al são os cátions que normalmente se encontram em grandes concentrações nos solos. Ferro, Cu, Zn, Mn, e H normalmente se encontram em pequenas quantidades. Em solos ácidos, com valores de pH inferiores a 5,0, o Al é o cátion que normalmente predomina no solo. Nessas condições de acidez o Mn também pode assumir valores bastante altos. Em solos calcariados, cujo pH ultrapasse 5,5, o Al deixa de existir na forma solúvel, o Mn diminui sua concentração bruscamente, e os cátions dominantes passam a ser o Ca e o Mg, pois eles fazem parte do calcário, material utilizado para elevar o pH dos solos agrícolas. Nessa última situação, o Ca e o Mg totalizam mais de 90% dos cátions presentes em formas disponíveis para as plantas (formas adsorvidas e na solução do solo), havendo predomínio do Ca. O potássio representa ao redor de 5% do total dos cátions disponíveis. Os demais, juntos, representam menos de 1% do total dos cátions disponíveis. Em alguns solos de regiões desérticas, o Na pode assumir valores extremamente altos; nos demais solos, a quantidade de sódio é insignificante.

A absorção dos nutrientes pelos vegetais ocorre somente a partir da solução, pois os elementos tem que estarem dissolvidos para que possam ser absorvidos. Isso nos leva a pensar que seria vantajoso que toda a quantidade de um dado elemento se encontrasse nessa forma. No entanto, isso não é viável pois para suprir a necessidade de uma dada cultura, durante uma safra, haveria a necessidade de uma concentração muito alta de nutrientes nesse meio, que provocaria um aumento excessivo no concentração salina, e como conseqüência, na pressão osmótica da solução, impedindo a planta de absorver água e os próprios nutrientes. Além disso uma concentração relativamente alta na solução proporcionaria perdas elevadas dos nutrientes por lixiviação, se houvesse percolação de água no perfil. Isso não é desejável pois objetivamos aumentar a produtividade agrícola com o mínimo de perdas, uma vez que os adubos constituem, na atualidade, o insumo de mais elevado custo na produção da maioria das espécies.

Assim sendo, a fração adsorvida constitui o reservatório para os cátions, protegendo-os do risco de lixiviação. Quanto maior for o número de sítios de ligação existente no solo, maior será a quantidade de cátions que ali poderá ligar-se. Já que os elementos nessas duas formas (adsorvida e solução) estão em equilíbrio, à medida que as plantas absorverem os elementos minerais haverá um deslocamento de cátions da fase sólida para a solução do solo. Fica evidente, portanto, que os elementos que se encontram nessa forma constituem uma fonte disponível para os vegetais. A velocidade com que os elementos migram da fase sólida para a solução do solo (velocidade de restabelecimento do equilíbrio) é de extrema importância. Ela deverá, pelo menos, ser igual a velocidade com que os vegetais exigem esses elementos (taxa de demanda), pois se isso não ocorrer as plantas passarão a sentir deficiência mineral.

A velocidade de restabelecimento do equilíbrio varia com o tipo de solo. Ela é maior à medida que aumenta o número de cargas negativas e o nível de fertilidade. À medida que diminui o nível de fertilidade, o equilíbrio se torna cada vez mais lento. Chega-se a um tempo em que ele fica demasiado lento e não consegue mais suprir a demanda vegetal, esta é a hora de adicionar adubos ao solo. Como o número de sítios de ligação é limitado, e eles sempre estão todos ocupados, a adubação e a absorção de nutrientes pelos vegetais proporcionarão alterações qualitativas nos elementos que se encontram nesses sítios, e isso levará a um deslocamento e rearranjo no equilíbrio destes elementos no solo.

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