Aprendendo a ser professor de história: reflexão preliminar sobre a experiência vivenciada no pibid 2012



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APRENDENDO A SER PROFESSOR DE HISTÓRIA: REFLEXÃO PRELIMINAR SOBRE A EXPERIÊNCIA VIVENCIADA NO PIBID 2012

Flávio Gurniski (UEM)

  

Em consonância com os objetivos propostos no Programa Institucional de Iniciação à Docência – PIBID História, estamos realizando uma pesquisa de cunho exploratório e qualitativo com os 6º e 7º anos do Ensino Fundamental II, no Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes. Nesse trabalho, procuramos analisar como se dá o ensino de História, tomando como elementos de análise as Diretrizes Curriculares da Educação Básica – DCNs, o planejamento docente e o livro de Registro de Classe para refletirmos sobre papel do professor no processo de ensinar-aprender História.



Palavras-chave: PIBID, ensino de História, professor, aluno.

APRENDENDO A SER PROFESSOR DE HISTÓRIA: REFLEXÃO PRELIMINAR SOBRE A EXPERIÊNCIA VIVENCIADA NO PIBID HISTÓRIA 2012  

Flávio Gurniski (UEM)

A nossa primeira experiência em sala de aula é anterior à prática de ensino formada por nossa conceituada Universidade, realizada no segundo ano de graduação pelo sistema PSS, o qual é proporcionado pelo NRE de Maringá. Como era de se esperar, as dificuldades foram as mais diversas possíveis. A maioria destas dificuldades foi possível ser solucionada com as disciplinas do curso de História, como Psicologia da Educação, Metodologia e Prática de Ensino de História, Estágio Curricular supervisionado I e II.

Neste último semestre de nossa graduação, tivemos mais uma opção para podermos entender e nos prepararmos melhor para nossa vida profissional de Licenciatura Plena com o PIBID (Programa Institucional de Bolça de Iniciação a Docência). O trabalho que apresentamos neste artigo, refere-se a nossa atuação como “pibidianos”, junto ao Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes e assessorado pelo professor orientador deste colégio. Com o Material, em anexo, fornecido pelo nosso orientador, queremos apresentar as dificuldades burocráticas entre professor, aluno e administração do colégio representada pela equipe pedagógica.

Sabe-se que os colégios estaduais estão subordinados ao Núcleo Regional de Educação de Maringá, e que nas reclamações junto a este órgão (NRE), o primeiro documento a ser analisado por esta instituição é o Livro de Registro de Classe. Portanto, o nosso foco da apresentação é o Livro de registro de Classe, o conteúdo básico e plano de trabalho docente de 2012 das turmas do 6º e 7º ano do segundo turno do ensino fundamental, material este fornecido pelo professor orientador do referido colégio em forma de fac-símile.

Registro de Classe e as dificuldades na padronização de seu preenchimento
Nossa primeira experiência em sala de aula foi durante o segundo ano de graduação pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS). Uma das grandes dificuldades que nos deparamos foi com o livro de Registro de Classe na forma correta do seu preenchimento. Qualquer rasura ou borrão que houvesse, correria o risco de refazê-lo por inteiro, este processo toma muito tempo do professor e é muito desgastante. Todo o cuidado é pouco com o Livro de Registro de Classe, pois é um documento de suma importância, tanto para a segurança do aluno como a do professor. Por exemplo, a presença (C) ou falta (F) do aluno poderá servir juridicamente como álibi de um processo; o conteúdo básico tem de ser de acordo com o Plano de Trabalho Docente instituído e definido no início do ano letivo na primeira semana pedagógica.

As coordenadoras procuram auxiliar o professor na prática durante as horas atividades, principalmente, aquele que iniciou a docência recentemente, pois, muitas vezes, não sabem a forma correta de preenchimento, visto que a Secretaria de estado da educação, a Superintendência de desenvolvimento educacional, a Diretoria de administração escolar e a Coordenadoria de documentação escolar estabelecem as normas para preenchimento do Livro Registro de Classe na Rede Estadual de Ensino de acordo com a Instrução n º 07/10-SEED/DAE/CDE.

A Coordenadoria de Documentação Escolar, no uso de suas atribuições, considera a necessidade de orientar os Estabelecimentos de Ensino quanto à obrigatoriedade do uso do livro Registro de Classe como forma oficial e única para o registro da frequência, do aproveitamento e dos conteúdos ministrados na Rede Estadual de Ensino e a necessidade de padronizar os procedimentos do preenchimento do livro Registro de Classe e desautorizar quaisquer outros meios de registro e de controle não oficiais.

A Coordenadoria instrui que os registros de classe devem ser padronizados de forma que constituam a perfeita escrituração da vida escolar do aluno e garantam a qualquer tempo a integridade e a veracidade das informações. O livro Registro de Classe é documento oficial da escola e não do professor; o mesmo deve permanecer em local adequado e seguro, sob a responsabilidade da secretaria escolar e da equipe da direção, de forma a garantir sua consulta, quando necessária, para comprovação de atividades escolares realizadas e resguardar direitos de docentes e discentes.



De acordo com a Instrução 07/2010 – SEED/DAE/CDE, compete à Secretaria Escolar preencher as capas dos livros Registro de Classe, encapá-los com plástico transparente e entregá-los aos professores. Aos Núcleos Regionais de Educação compete orientar os Estabelecimentos de Ensino quanto à forma de preenchimento dos campos do Livro Registro de Classe. E à Equipe Pedagógica compete acompanhar periodicamente os registros das ações docentes e discentes, vistando os livros Registro de Classe ao final de cada período ( bimestre, semestre, trimestre, etapa etc).

Na instrução n º 07/10-SEED/DAE/CDE, encontramos as seguintes orientações quanto à forma correta de preenchimento do livro de Registro de Classe:

[...]

    1. para o preenchimento das quadrículas do campo Frequência devem ser utilizados apenas c ou C (comparecimento) e f ou F (falta), não sendo permitido o uso de outros símbolos ou caracteres. Não deixar lacunas;

    2. o preenchimento dos campos e quadrículas do Livro Registro de Classe devem ser feitos com tinta preta ou azul, de modo a evitar constrangimentos em relação ao desempenho do aluno. É vedado o uso de lápis, tendo em vista o caráter oficial dos registros;

    3. as faltas justificadas ou abonadas, devem ser anotadas no campo Observações, onde constem: o número do aluno faltante, o motivo da falta, o início e o término do período da falta e o amparo legal;

    4. a coluna destinada ao registro de faltas deve ser preenchida com o número de faltas de cada aluno no período (bimestre,semestre, trimestre, etapa ) :

  • quando o aluno não apresentar faltas deverá ser registrado com o algarismo 0 (zero).

  • no caso em que o aluno não compareceu nenhuma vez deverá ser registrado o número total de suas faltas;

  • a movimentação do aluno deve ser informada (no picote canhoto), ao término do período;

  • todas as informações, orientações e registros sobre a movimentação de alunos é de responsabilidade da secretaria escolar;

  • o campo destinado ao registro de aulas previstas e aulas dadas deve ser preenchido de acordo com o calendário escolar, sendo que o somatório das aulas com as reposições e complementações de carga horária deve totalizar o mínimo exigido na LDBEN;

e) a coluna destinada ao registro de médias deve ser preenchida com o resultado numérico, obtido pelo aluno, no período. Caso o resultado seja nulo, o professor deverá registrar 0,0 (zero vírgula zero). Os resultados da avaliação devem estar em consonância com o regimento escolar e com a metodologia do plano de trabalho docente;

  • o campo Avaliação é destinado ao registro das avaliações processuais (trabalhos, provas, atividades, etc.) realizadas no período;

  • para EJA a coluna destinada ao registro de notas deverá ser preenchida com o resultado obtido pelo aluno nas avaliações processuais;

  • fica vedado registrar no campo Avaliações outras formas de anotações, siglas, sinais, não indicados na presente Instrução. Como, por exemplo, NC, NF, +, -, e outros.

  • o espaço destinado ao registro de conteúdo deve ser preenchido com os conteúdos curriculares e as atividades efetivamente realizadas de acordo com o plano de trabalho docente. Ao final de cada aula dada o professor deverá proceder esses registros e rubricá-los;

f) o campo Anotações destina-se ao registro do desempenho pessoal do aluno, no que se refere ao cumprimento das atividades realizadas ao longo do processo educativo e respectivas avaliações;

g) as turmas com mais de 50 alunos registrados deverão utilizar dois Livros Registro de Classe, dando sequência à numeração no segundo livro ( 51, 52, 53, ...);

  1. o campo Adaptação/Dependência destina-se ao registro dos alunos em regime de adaptação ou progressão parcial;

  1. Compete aos NRE’s orientar os Estabelecimentos de Ensino quanto às anotações no livro Registro de Classe na ocorrência da falta de alunos:

    1. motivada por participação em eventos e projetos vinculados à SEED, registrar:

  • no campo Frequência: f (falta);

  • no campo Observações: registrar o nome do evento/projeto do qual o aluno participou, o número do aluno, data de início e término do evento. Ao final do período não computar estas faltas no canhoto (picote);

    1. quando motivada por Atestado Médico, registrar:

  • no campo Frequência: f ou F (falta);

  • no campo Observações: Falta justificada por atestado médico e data;

  • na coluna Faltas (do canhoto/picote) as faltas devem ser computadas e lançadas normalmente;

    1. quando legalmente amparadas:

  • em razão de doença infecto-contagiosa ou impeditiva de frequência às aulas (Lei Federal nº 1044/69);

  • em razão de licença-gestação (Lei Federal nº 6202/75);

  • em razão de serviço militar (Dec.-Lei Federal nº 715/69);

Nas três situações deve-se registrar:

  • no campo Frequência: f ou F(falta);

  • no campo Observações: número do aluno, falta abonada, data, amparo legal;

  • ao final do período não computar estas faltas no canhoto;

d) por motivo de consciência religiosa:

  • no campo Frequência: f ou F (falta);

  • ao final do período computar estas faltas no canhoto, de acordo com o Parecer nº 15/1999 - CNE

  1. motivada pela transferência de um estabelecimento para outro:

  • na escola de origem a frequência será lançada até a data da solicitação da transferência. Os lançamentos realizados após esta data não serão computados no canhoto (picote );

  • No estabelecimento de destino a frequência será computada a partir da matrícula;

  • A secretaria escolar deve agilizar, junto aos docentes, a comunicação e os registros a respeito da movimentação dos alunos;

f) Compete aos docentes comunicar à secretaria escolar a ocorrência de casos de alunos faltosos.

  • Quando houver no campo frequência, registrado mais de cinco faltas consecutivas ou sete alternadas sem a devida justificativa, o docente deverá comunicar a equipe pedagógica e/ou a direção do estabelecimento de ensino para encaminhamento das ações previstas no Programa FICA.

  • Cabe aos docentes registrar o encaminhamento realizado no campo observações bem como as providências relativas ao retorno do aluno;

  • Cabe à equipe pedagógica e/ou direção informar a secretaria escolar dos procedimentos e das providências previstas no programa FICA.

11. Os estabelecimentos de Ensino que desenvolveram atividades pedagógicas e cumpriram carga horária:

  • considerar como aulas previstas e dadas;

  • no campo Frequência: atribuir C ou F para o aluno.

  • no campo Conteúdo: atividades pedagógicas desenvolvidas.

12. Os Estabelecimentos de Ensino que tenham dispensado os alunos, no período em que sediaram eventos escolares:

  • considerar como aulas previstas e não dadas: ao final do período o Estabelecimento deverá elaborar projeto de reposição de dias letivos;

  • no campo Frequência: anular com um traço;

  • no campo Observações: nome do evento/data;

  • no campo Conteúdo: Estabelecimento cedido para sediar o evento escolar ( nome do evento);

  • no mês correspondente registrar o período de reposição referente ao evento escolar, frequência dos alunos, conteúdos curriculares e atividades realizadas.

  1. Compete ao NRE’S orientar os Estabelecimentos de Ensino quanto ao preenchimento do Registro de Classe, na ocorrência de falta de professores:

    1. quando envolver falta do professor (dias letivos):

  • no campo Conteúdo: falta do professor;

  • no campo Frequência: anular com um traço;

  • no campo Observações: aula prevista e não dada;

    1. quando envolver reposição de aulas no bimestre, registrar:

  • no campo Frequência: data da reposição, C ou F para o aluno;

  • no campo Observações: reposição referente ao dia __/__/__

  • no campo Conteúdo: atividades e conteúdos curriculares da reposição;

    1. quando envolver complementação de carga horária, registrar:

  • no campo Frequência: C ou F para o aluno;

  • no campo Observações: data em que foi realizada a complementação;

  • no campo Conteúdo: atividades e conteúdos curriculares da reposição;

    1. quando envolver substituição do professor: o professor substituto deve preencher todos os campos normalmente e rubricar os campos destinados a esse fim.

    2. quando ocorrer ausência do professor (convocado para cursos, etc., relativos ao processo de formação continuada promovidos pela mantenedora ou por ela autorizados), o Estabelecimento de Ensino deve realizar atividades pedagógicas com os alunos, para assegurar o cumprimento dos dias letivos e carga horária, registrar:

    1. nas datas previstas no Calendário Escolar para Formação Continuada, Conselho de Classe e reuniões pedagógicas, registrar:

  • no campo Frequência: anular com um traço vertical;

  • no campo Conteúdo: Formação Continuada, Conselho de Classe ou Reunião Pedagógica;

  • no campo Observações: data da Formação Continuada, Conselho de Classe e reunião pedagógica, conforme Instrução do Calendário Escolar – Amparo legal : Delib. nº 02/02-CEE;

    1. para situações em que o afastamento do professor é considerado em efetivo exercício (júri, convocação pela Justiça Eleitoral e outros...):

  • no campo Frequência: C ou F para o aluno;

  • no campo Conteúdo: atividades desenvolvidas;

  • no campo Observações: amparo legal.

  1. Registro da movimentação de aluno:

Ratifica-se que toda e qualquer informação como, também, o registro sobre a movimentação de alunos é da responsabilidade da Secretaria Escolar;

    1. não é permitido mudar a ordem dos nomes no espelho;

    2. caso o nome do aluno tenha sido excluído (riscado), deve-se acrescentá-lo no final da lista de chamada, com um novo número;

    3. o aluno remanejado por motivo de junção de turmas:

  • registrar à frente do nome do aluno: Remanejado

  • registrar os alunos da turma extinta em ordem alfabética, após o último aluno da turma ativa;

  • se o número de alunos da nova turma ultrapassar a quantia de 50 (cinquenta), deve-se abrir um segundo livro para o registro dos alunos que ultrapassarem esse número;

  • transcrever no novo livro Registro de Classe: notas, frequências e anotações constantes do registro anterior;

  • o livro Registro de Classe da turma que deixou de existir permanecerá na Secretaria Escolar;

    1. aluno remanejado de turma

    • registrar à frente do nome do aluno : Remanejado para a turma... especificar a turma),

    • registrar o nome do aluno após o último aluno da turma de destino,

    • trancrever no livro Registro de Classe da turma: Notas , frequências e anotações constantes no registro anterior.

  1. Compete à Secretaria Escolar comunicar aos professores a situação atualizada dos alunos em casos de desistência, transferência e Remanejamento, anotar no livro Registro de Classe o termo Desistente, Transferido ou Remanejado para ... ( especificar a turma).

  2. Os casos omissos serão resolvidos pela Coordenadoria de Documentação Escolar/SEED.

  3. Fica revogada a Instrução nº 14/08-SEED/DAE/CDE.

Pelas poucas horas que o professor tem disponível para exercer sua profissão de magistério dentro do sistema educacional, que se chama Hora-Atividade, para fins de preparar aula, corrigir tarefas, corrigir provas, o preenchimento do Livro de Registro de Classe é um desafio. “A longo prazo e com a prática, vai se tornando menos problemático” diz o professor orientador, o tempo todo nos incentivando a “abraçar” a profissão.

Nós disponibilizamos, em anexo, a cópia dos conteúdos básicos registrados no período do segundo trimestre de 2012 bem como a cópia do Plano de Trabalho Docente, referente às turmas do 6º e 7º ano letivo fundamental II. Nele, consta que o professor saiu de licença médica pelo período de 21 de junho a 03 de julho de 2012 e, por coincidência, deixou de ministrar o conteúdo História da África que é obrigatório por lei. O artigo 26 parágrafo 4º das LDBs diz que “O ensino de História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígenas, africanas e europeias”. Assim, questionamos o professor orientador do colégio em pauta como ficariam os conteúdos do 2º trimestre sem história da África. Coincidentemente, o professor nos informou que tinha autonomia para mudar o conteúdo de um trimestre para outro e que aproveitaria para ministrá-lo pouco antes da Semana da Consciência Negra no 3º trimestre do ano letivo.

Esta pesquisa não pretende fechar a questão das dificuldades encontradas para o preenchimento adequado do livro de Registro de Classe, já que nos pautamos apenas no registro de conteúdos de história de um docente em um curto período de tempo dos 6º e 7º anos do Ensino Fundamental II. Ao contrário, intenta sugerir novos focos de questionamento para outros trabalhos.



REFERÊNCIAS
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : história / Secretaria de Educação Fundamental. . Brasília : MEC /SEF, 1998.108 p.
FERNANDES, Célia Maria Menegassi. Instrução n º 07/10-SEED/DAE/CDE. Disponível em www.nre.seed.pr.gov.br/ivaipora/arquivos/File/Instrucao07-10.doc. Acesso em 14 de novembro de 2012.




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