Aprendendo matemática de um jeito divertido: resolvendo problemas através da literatura infantil. IntroduçÃO



Baixar 27.37 Kb.
Encontro27.07.2016
Tamanho27.37 Kb.
APRENDENDO MATEMÁTICA DE UM JEITO DIVERTIDO: RESOLVENDO PROBLEMAS ATRAVÉS DA LITERATURA INFANTIL.

INTRODUÇÃO

O trabalho apresentado irá ressaltar o trabalho de conteúdos matemáticos, especificamente, o assunto resolução de problemas, por meio da contação de histórias, ou seja, da literatura infantil. Considerando o fato de que muitas crianças sentem dificuldade em compreender e ou assimilar os conteúdos socializados na disciplina de matemática, devido, talvez, a maneira como essas aulas são fornecidas, sentiu-se a necessidade de trabalhar de um jeito diferente, de modo que as crianças sentissem-se estimuladas em aprimorar seus saberes e pudesse compreender o que estava sendo transmitido. Neste sentido, escrito apresenta uma metodologia interessante para o trabalho com resolução de problemas, a qual se dá por meio de livros literários, o qual possibilita que o ensino do referido conteúdo seja ministrado de forma prazerosa e incentivadora, além de proporcionar facilidade quanto à captação dos assuntos. Afinal, a literatura infantil permite fazer com que o ensino dos problemas ocorra de modo que estes venham contextualizados com base nas histórias, pois, é assim que deve-se ocorrer o ensino. Porque exigir do discente a aplicação do algoritmo para a resolução de problemas pode ocasionar dificuldades no processo de ensino-aprendizagem por parte do mesmo, uma vez que o discente poderá sentir dificuldade para interpretar o problema, além de ficar em duvida quando tiver que decidir se o problema requerido é de adição, subtração, divisão ou multiplicação. Neste sentido, o-a aluno-aluna ficará oscilando entre qual será o problema operatório que ele deverá resolver. Por isso, a importância de trabalhar com resolução de problemas de forma contextualizada baseando nas literaturas infantis. Afinal, quando o ensino do mencionado conteúdo se alicerçam nas histórias infantis o ampliação das desenvolturas matemáticas consistem-se em trabalho prazeroso e enriquecedor para discentes e também, docentes. Assim sendo, o escrito ressalta que o trabalho com a literatura infantil nas aulas de matemática é essencial e de extrema importância por permitir o desenvolvimento das habilidades matemáticas em relação ao raciocínio lógico, entre outros aspectos, e ampliar o contato com textos escritos por outras pessoas.


RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS POR MEIO DE LIVROS LITERÁRIOS

Muitas vezes a aprendizagem da matemática entre as crianças torna-se algo difícil e complicado de ser assimilado, talvez esse fato deva-se a forma como são ministradas as aulas referentes a essa disciplina, as quais, em alguns casos, são fornecidas de forma metódica e decorativa. Geralmente o trabalho com resolução de problemas ocorre como uma mera aplicação de algoritmo. A conta não passa a ser vista como uma das formas ou a maneira mais econômica de se resolver um problema. Desta forma, as crianças não compreendem o conteúdo e passam a considerá-los como algo complexo.

Exigir do aluno a aplicação do algoritmo para resolver problemas pode acarretar dificuldades de aprendizagem por parte do mesmo, pois o discente pode sentir esfinge para interpretar o problema, e ainda ficar em duvida na hora de definir se o problema solicitado é de adição, subtração, divisão ou multiplicação. Sendo assim, o estudante fica sem saber qual problema operatório ele terá que resolver. Com o método de resolução de problemas através do algoritmo o aluno esta apenas desenvolvendo técnicas operatórias (contas) e consequentemente não estará tendo ideias operatórias.

No entanto, para que a matemática deixe de ser um “bicho de sete cabeças” entre as crianças é preciso que o ensino desta disciplina seja revisto, de modo que passe a ocorrer de maneira que envolva e agrade os-as alunos-alunas nas aulas, para que assim possam entender e compreender os conteúdos matemáticos. Uma boa estratégia e/ou metodologia para se resolver problemas de forma dinâmica e atrativa seria criar problemas contextualizados para que assim o estudante possa, a partir destes, refletir sobre o que esta sendo pedido no problema.

Uma ideia interessante para o trabalho com resolução de problemas, de forma contextualizada, seria trabalhar com a literatura infantil. Neste trabalho as questões partiriam da história contada ou até mesmo das ilustrações. Portanto, vale frisar que:
É ideal fazer escolhas que contemplem o movimento natural da criança de querer entender o mundo em que se encontra e assim propiciar atitudes de criatividade e autodeterminação. [...] o início da aprendizagem de um conhecimento é sempre o mais importante no movimento educacional. (MARANHÃO, 2005, p; 203)
Tratando particularmente a respeito do conteúdo matemático ”Resolução de problemas” este escrito demonstra a relevância da utilização de histórias no ensino deste conteúdo. O trabalho com as literaturas infantis torna-se um método de extrema importância pelo fato das histórias fazerem-se presentes no dia-a-dia das crianças na sala de aula, uma vez que estas desempenham um papel importante no processo de aprendizagem.

Todavia, a literatura infantil “tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola" (COELHO, 2000, p. 16). Complementa ainda o autor que:


[...] a escola é, hoje, o espaço privilegiado, em que deverão ser lançadas as bases para a formação do indivíduo. E, nesse espaço, privilegiamos os estudos literários, pois, de maneira mais abrangente do que quaisquer outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura do mundo em seus vários níveis e, principalmente, dinamizam o estudo e conhecimento da língua, da expressão verbal significativa e consciente - condição sine qua non para a plena realidade do ser.(Idem)
Portanto, quando as atividades matemáticas se alicerçam nas histórias infantis o desenvolvimento das habilidades matemáticas torna-se um trabalho enriquecedor para discentes e docentes. Neste sentido, o trabalho com a literatura infantil nas aulas de matemática é essencial, afinal, ele permite que haja o contato com textos escritos por outras pessoas além de fazer parte do imaginário infantil, portanto constitui-se em um instrumento necessário.

É preciso incentivar o processo de estudo da matemática por meio de situações fundadas em suas utilizações sociais – as mais correntes, as especialmente elaboradas para sua aprendizagem e as voltadas para a criação de novos objetos de conhecimento matemático – que propiciem a formação de competências numéricas, a comunicação de ideias, a socialização e atitudes de criatividade e de autodeterminação na criança. (MARANHÃO, 2005, p. 206)


A literatura infantil se constitui, portanto, em uma das ferramentas mais ricas para o ensino da resolução de problemas, pois, além de perpassar incontáveis conteúdos curriculares, abrange importantes aspectos do imaginário infantil. Outro fato relevante é que no processo de contar e ouvir histórias ocorre o desenvolvimento de outras habilidades necessárias a socialização dos-das estudantes, tais quais: saber ouvir e se fazer ouvido, opinar e escutar as opiniões dos colegas, além de representar ideias de outras pessoas, aumentar seu vocabulário, estimular a interpretação e aprimorar a criatividade.

Neste sentido, afirma Pires que:


"A literatura infantil torna-se, deste modo, imprescindível. Os professores dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a literatura, pois, esta se constitui em material indispensável, que aflora a criatividade infantil e desperta as veias artísticas da criança. Nessa faixa etária, os livros de literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de caleidoscópio de sentimentos e emoções que favoreçam a proliferação do gosto pela literatura, enquanto forma de lazer e diversão”. (2000)
Para que se tenha uma base de como deve ocorrer o ensino de resolução de problemas através de livros literários, decorre-se a seguir a respeito de um plano de aula destinado ao ensino fundamental com duração de 4 horas-aulas. Objetivando trabalhar de forma lúdica a resolução de problemas para melhor interação dos alunos com o conteúdo, o plano visou cogitar o conteúdo através da história intitulada: A cobra que não sabia cobrar do autor Miguel Sanches Neto e da ilustradora Madalena Elek, publicado no ano de 2006 para o público alvo infanto-juvenil e juvenil.

Situando a história, em síntese o livro fala de uma cobra a qual, desde criança, apreciava amparar seus amigos sem receber nada em troca; ela atendia a todos com imensa boa vontade. Ao tornar-se adulta, a cobra casou-se e permaneceu dadivosa, mas seu marido não gostava da generosidade da cobra e solicitava a atenção dela e sua presença em casa para cuidar de seus filhos e dos afazeres domésticos. A cobra macho irritava-se quando sua mulher ajudava aos outros. Ele achava que cobra tinha que ser má. Determinado dia, a cobra fêmea foi atropelada, ao ser socorrida a levaram para Santa Casa onde ela recebeu visitas de seus amigos, os quais sempre pediam favor a ela. Os amigos da cobra levaram presentes, e a visitavam diariamente. Ao retornar a sua casa, seu marido estava a esperando contente com seus filhos, e ainda, com a casa toda arrumada. Ele entendeu a relevância de acudir os outros, “pois é ajudando que se recebe”.

Partindo para a aplicação da aula a respeito do conteúdo referido, primeiramente, é fundamental dispor os discentes em círculo para a contação da história, pois, desta forma todas as crianças poderão visualizar a literatura, facilitando ainda a socialização da mesma e a discussão sobre a história que deve ocorrer logo após a leitura. Para que, deste modo, o docente tenha ciência a respeito do entendimento e da compreensão que foi adquirida por parte dos discentes.

Prosseguindo, deve-se aplicar as atividades com resolução de problemas baseando-se na história contada. Porém, vale ressaltar que as questões devem ser contextualizadas para melhor compreensão. Portanto, tomando como modelo o mencionado livro pode-se formular as seguintes questões:



  1. “Desde pequena a cobra sempre foi muita boa. Emprestava sua bola, dava cola na escola, carregava na sacola um monte de chiclete e dava pras serventes”.

  1. Se a cobra tivesse 18 bolas para distribuir em partes iguais entre 3 amigas, com quantas bolas cada uma ficaria?

  2. A cobra tinha R$ 2,00 e comprou 7 chicletes à R$ 0,15 cada. Quanto restou de troco?

  3. Em uma prova valendo 10 pontos a cobra tirou 5,5 e sua colega que colou dela tirou 9,0. Quantos pontos a menos que sua amiga a cobra tirou?

Além das questões acima muitas outras podem ser criadas a partir da história contada, e não é só o docente quem poderá formular os questionamentos, pois os discentes também são capazes de construir problemas através das histórias que ouviram.

Assim sendo, uma das principais vantagens do uso da literatura infantil nas aulas de matemática é o prazer que essas atividades proporcionam aos-as alunos-alunas e também aos professores, os quais devem oportunizar estas vivências no ambiente escolar. Afinal, por meio dos livros literários será possível dialogar com os alunos levantando desta forma, os conhecimentos já adquiridos por eles, tornando assim, as aulas mais prazerosas a atrativas. Nesta perspectiva, ressalta Borba que:


Pode-se então concluir que, embora até mesmo crianças de quarta série demonstrem um compreensão intuitiva sobre os números relativos, o desenvolvimento mais completo dessa compreensão parece depender da instrução escolar formal. O professor deve, portanto, aproveitar os conhecimentos anteriores de seus alunos e propiciar um ambiente que facilite um desenvolvimento mais amplo dessas concepções iniciais. (2003, p.146-147)
Sendo assim, a matemática deveria ser ensinada de modo a respeitar e estimular a construção do conhecimento pela criança. (KAMII e DEVRIES, 1992, p. 15 citado por MORON e BRITO, 2001, p. 263). Por conseguinte, cabe ao educador fazer com que os alunos sintam-se estimulados em querer descobrir novas coisas e fazer com que a compreensão dos assuntos e/ou conteúdos sejam socializados de forma que tente-se amenizar as dificuldades surgidas em relação a disciplina de matemática.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A resolução de problemas por meio de livros literários torna-se uma forma desafiadora e prazerosa de se abordar a aprendizagem de conteúdos matemáticos. Porém, vale ressaltar que deve-se respeitar a especificidade das faixas etárias dos discentes e que ao socializar determinado conteúdo é indispensável a consideração dos conhecimentos prévios dos sujeitos alunos. Desta forma é preciso dar voz as crianças e considerar seus saberes. A conexão da matemática com histórias infantis transforma o ensino tradicional em um ensino dinâmico, e ainda provoca o desenvolvimento de habilidades matemáticas e também da linguagem. Neste contexto, os-as alunos-alunas são envolvidos na fantasia e no sonho das histórias e são levados pela imaginação, ao mesmo tempo em que aprendem a matemática de forma mais interessante. Sendo assim, através dessa prática pedagógica, as crianças passaram a interessar-se mais e a querer desenvolver seus saberes aprimorando-os por meio de uma forma atraente, a qual ressalta a importância da leitura, incentivando o prazer por esta.



REFERÊNCIAS

BORBA, Rute Elizabete de Souza Rosa. O ensino e a compreensão de números relativos. IN: A compreensão de conceitos aritméticos ensino e pesquisa. SCHLIEMANN, Analúcia. CANAHER, David. (orgs). Campinas. Papirus. 2ª ed. 2003.

COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. São Paulo: Moderna, 2000. Disponível em: <>. Acesso em 22 de junho de 2011.

MARANHÃO, Maria Cristina S de A. Visões sobre aulas de numeração na educação infantil. In: ROMANOWSKI, Joana; MARTINS, Pura Lúcia; JUNQUEIRA, Sérgio. Conhecimento local e conhecimento universal. Curitiba: Editora Universitária Champagnat, 2005.



MORON, Cláudia Fonseca. BRITO, Márcia Regina F. de. (orgs) Atitudes e concepções dos professores de educação infantil em relação à matemática. IN: Psicologia da educação matemática: Teoria e pesquisa. Editora Insular. Florianópolis, 2001.

PIRES, Diléa Helena de Oliveira. "Livro...Eterno Livro..." In: Releitura. Belo Horizonte: março de 2000, vol. 14. Disponível em: <>. Acesso em 22 de junho de 2011.
Catálogo: media -> anais
anais -> No dia a dia da sala de aula
anais -> A brincadeira infantil na perspectiva de gilles brougèRE: recurso didático ou fim em si mesmo? Resumo
anais -> Uma discussão acerca das relaçÕes entre antropologia e educaçÃo na prática escolar resumo
anais -> Antropologia e Educação: Considerações sobre os saberes e as práticas de professoras das séries iniciais do ensino fundamental de Alagoas
anais -> AvaliaçÃO, currículo e precarizaçÃo do trabalho docente: algumas contribuiçÕes no desenvolvimento do fracasso escolar
anais -> A interdisciplinaridade do pedagogo: consideraçÕes sobre a pedagogia empresarial resumo
anais -> DIÁlogo: uma questão primordial da didática resumo
anais -> Ensino da cultura afro-brasileira para as relaçÕes étnico-raciais nas escolas. Resumo
anais -> Estágio supervisionado em história: vivenciando a realidade e superando dificuldades resumo
anais -> O que a história de hoje nos traz? Desmistificando a imagem dos personagens negros na literatura infanto-juvenil


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal