Aquecimento Global



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Aquecimento Global
Elaboração: Gilvana da Silva Santos – Professora e Bióloga, Especializada em Educação Ambiental.


INFORMAÇOES DO CURSO:
Este curso possui como informação adicional as principais causas do Aquecimento global para o planeta e para os seres humanos. Possui também 3 leituras adicionais, que são sobre Aquecimento Global, selecionados cuidadosamente com o objetivo de aprimorar o conhecimento e analisar as diversas possibilidades da área. Estas leituras são enviadas junto com o conteúdo deste curso. Ao final do curso, você encontrará a avaliação a ser respondida para verificarmos sua aprendizagem. Bons estudos.

INTRODUÇÃO:

Todos os dias acompanhamos na televisão, nos jornais e revistas as catástrofes climáticas e as mudanças que estão ocorrendo, rapidamente, no clima mundial. Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos devastadores como tem ocorrido nos últimos anos.

O clima sempre mudou ao longo da história do mundo, mas de maneira natural onde o próprio sistema climático da Terra se equilibrava. Era em que se acreditava. Nas últimas duas décadas, as mudanças ocorridas no clima passaram a fazer parte da pauta de discussão entre alguns cientistas que concluíram que a influência sobre as mudanças climáticas não são exclusividade da natureza. A humanidade, a partir de seus diversos movimentos civilizados, tem provocado tais mudanças devido a sua relação com o meio ambiente.

A Europa tem sido castigada por ondas de calor de até 40 graus centígrados, ciclones atingem o Brasil (principalmente a costa sul e sudeste), o número de desertos aumenta a cada dia, fortes furacões causam mortes e destruição em várias regiões do planeta e as calotas polares estão derretendo (fator que pode ocasionar o avanço dos oceanos sobre cidades litorâneas). O que pode estar provocando tudo isso? Os cientistas são unânimes em afirmar que o aquecimento global está relacionado a todos estes acontecimentos. 

Pesquisadores do clima mundial afirmam que este aquecimento global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente, derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc), na atmosfera. Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e  monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa. Este fenômeno ocorre, pois, estes gases absorvem grande parte da radiação infravermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor.

O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora para este processo. Os raios do Sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se verifica suas conseqüências em nível global.  

O registro geológico da história da Terra, preservado nas rochas e fósseis, indica que o nosso planeta passou por longos períodos alternados de resfriamento e aquecimento em escala global (TEIXEIRA et al., 2000).

Contudo a ação antrópica nos últimos séculos vem provocando alterações atmosféricas que influenciam diretamente o clima das diversas regiões do mundo, fazendo com que o aquecimento pelo qual nosso planeta está passando seja acima do considerado como normal, ou seja, do esperado. A real ocorrência de um aquecimento global fora dos padrões geológicos e naturais é um tema que já gerou muita polêmica. A falta de informações climáticas confiáveis e de longo prazo era um fator limitante, que dava margem a se acreditar nas causas naturais como causas para o aquecimento. Mas isto não é o que as evidências indicam hoje! A ciência da

Paleoclimatologia consegue agora avaliar bem a atmosfera do planeta em tempos remotos e estimar também parâmetros climáticos antigos (QUEIROS, 2006).


EFEITOS DO AQUECIMENTO GLOBAL:
Muitos elementos podem ser analisados para se verificar a ocorrência de um aquecimento em escala global. Um deles, o mais imediato, é a Temperatura Média Mundial.

De acordo com dados do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), a temperatura média na superfície terrestre cresceu 0,6 ± 0,2°C durante o século XX, como pode ser observado na Figura 1, onde a linha preta simboliza a variação ano a ano dessa grandeza. Ainda segundo a mesma fonte, a temperatura média do Hemisfério Norte subiu 0,2°C por década, entre as décadas de 1950 e 1990. A Figura 2 mostra a variação dessa grandeza no Hemisfério Norte num intervalo de mil anos, onde, apesar dos dados de anos mais distantes do atual apresentarem maior incerteza, é possível perceber uma grande elevação da temperatura no período mais recente (HOUGHTON et al., 2001).





Figura 1. Variação da temperatura média global nos últimos 140 anos (FONTE: HOUGHTON et al.,2001).


Figura 2. Variação da temperatura média do Hemisfério Norte nos últimos 1000 anos (FONTE: HOUGHTON et al., 2001).
O aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Além do aumento da temperatura, outros fatores indicam as mudanças climáticas. Dados provenientes de satélites mostram que houve uma redução de 10% de toda a neve que cobria o planeta desde o final dos anos 1960.

DERRETIMENTO DAS CALOTAS POLARES:
Mais recentemente, pesquisadores do Centro Goddard de Vôo Espacial e do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa indicaram que o gelo marinho perene costumava ser razoavelmente estável no Ártico, com declínios de 1,4% a 2% por década. Porém, em 2005 e 2006 houve uma redução de 6% em relação à média dos 26 anos anteriores. Usando dados de satélites (Figura 3), chegaram à cifra de 14% de redução entre 2004 e 2005 (FOLHA DE SÃO PAULO, 2006).



Figura 3. Imagem comparativa do gelo perene no Ártico entre 2004 e 2005 (FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO, 2006).
O nível de água dos oceanos subiu entre 100 e 200 cm no século XX. Episódios de fenômenos climáticos como o El Niño tem acontecido com mais freqüência desde os anos 1970 (HOUGHTON et al., 2001). O aumento do nível das águas (Figura 4 e 5) dos aceanos pode ocorrer futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas.



Figura 4: Avanço do nível do mar em cidades litorâneas.

(Fonte: http://www.energiaeficiente.com.br).




Figura 5: O futuro das cidades litorâneas de todo o mundo por causa do aumento do nível do mar (Fonte: http://www.energiaeficiente.com.br).

Segundo dados coletados em portos ao longo da costa brasileira, o nível do mar está aumentando no Brasil cerca de 40 centímetros (cm) por século, ou 4 milímetros (mm) por ano (mm/ano). A constatação é do Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que investiga as variações no nível do mar no litoral brasileiro, a partir de séries de medições que começaram em 1980 (QUEIROS, 2006).



AUMENTO DOS TORNADOS NO BRASIL:
Há uma maior ocorrência dos chamados fenômenos extremos (tornados, raios) - e especificamente no Brasil, os tornados passaram a ser verificados com maior freqüência e com maior intensidade em alguns casos (QUEIROS, 2006).

No dia 25 de maio, na região rural de Palmital, próximo à sede da Destilaria São Joaquim, várias equipes de trabalhadores rurais estavam abrigadas da chuva em alguns ônibus estacionados; pouco antes das 14:00 LT com a diminuição da chuva, os trabalhadores foram orientados a deixar os ônibus e iniciar o corte de cana-de-açúcar. Já do lado de fora, as pessoas ouviram um ruído crescente, descrito como um “barulho de jato”, que chamou a atenção de todos. Na direção do ruído, os trabalhadores vislumbraram uma nuvem “negra” (figura 6) que girava muito rápido sugando a cana (figura 7) e ligando a nuvem ao chão, a cerca de 300m deles, e que vinha em sua direção. Assustados, os trabalhadores retornaram aos ônibus procurando abrigo; 53 pessoas entraram num dos ônibus e três deles, não. Quando o redemoinho atingiu esse ônibus pela parte de trás, ele foi lançado para o alto, sendo arremessado a uma distância de cerca de 50 m, quando caiu no solo com as rodas para cima; na queda, 2 dos trabalhadores faleceram e cerca de 50 ficaram feridos, sendo 3 deles gravemente. Dos 3 trabalhadores que ficaram fora do ônibus, dois nada sofreram; o terceiro foi levantado do solo várias vezes, vindo a sofrer ferimentos no rosto e nos olhos. O acidente com o ônibus foi presenciado, a cerca de 200 m, por um outro espectador que observou um segundo redemoinho descendo das nuvens a cerca de 500m mais atrás do primeiro. Esse segundo funil não tocou o solo, tendo “voltado” para as nuvens (ANTONIO et al., 2005).





Figura 6. A foto mostra a nuvem giratória com o cone do tornado tocando o chão, registrada às 17:00 LT de 25/05/2004, na região ao sul de Lençóis Paulista. (Fonte: ANTÔNIO et al., 2005).



Figura 7. Cana-de-açúcar danificada pela passagem do tornado (25/05/2004) em

Lençóis Paulista. As touceiras de cana foram quebradas ou arrancadas na trilha do tornado (Fonte: ANTÔNIO et al., 2005).


DESERTIFICAÇÃO:
Desertificação também é um fenômeno do aquecimento global em que um determinado solo é transformado em deserto, através da ação humana ou processo natural. No processo de desertificação a vegetação se reduz ou acaba totalmente, através do desmatamento Neste processo, o solo perde suas propriedades, tornando-se infértil (perda da capacidade produtiva).

Nas última décadas vem ocorrendo um significativo aumento do processo de desertificação no mundo As principais áreas atingidas são: oeste da América do Sul, Oriente Médio, sul da África, noroeste da China, sudoeste dos Estados Unidos, Austrália e sul da Ásia (QUEIROS, 2006). 

No Brasil, a desertificação vem aumentando, atingindo várias regiões. Nordeste (região do sertão), Pampas Gaúchos, Cerrado do Tocantins e o norte do Mato-Grosso e Minas Gerais são áreas do território brasileiro afetadas atualmente pela desertificação (QUEIROS, 2006). 

A desertificação gera vários problemas e prejuízos para o ser humano. Com a formação de áreas áridas (figura 8), a temperatura aumenta e o nível de umidade do ar diminui, dificultando a vida do ser humano nestas regiões. Com o solo infértil, o desenvolvimento da agricultura também é prejudicado, diminuindo a produção de alimentos e aumentando a fome e a pobreza. O meio ambiente também é prejudicado com este processo. A formação de desertos elimina a vida de milhares de espécies de animais e vegetais, pois modifica radicalmente o ecossistema da região afetada. A desertificação também favorece o processo de erosão do solo, pois as plantas e árvores não existem mais para "segurar" o solo (ANTÔNIO et al., 2005).




Figura 8: Área de desertificação no Brasil.

(Fonte:http://inovabrasil.blogspot.com/2010/08/inpe-e-mma-parceria-combatera.html)


Crescimento e surgimento de desertos somado ao desmatamento que vem ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais (Brasil, países africanos), a tendência são aumentar cada vez mais as regiões desérticas do planeta Terra. O total de áreas atingidas por secas dobrou em trinta anos. Um quarto da superfície do planeta é agora de deserto. Só na China, as áreas desérticas avançam 10.000 quilômetros quadrados por ano, o equivalente ao território do Líbano. A Floresta Amazônica poderia ser drasticamente afetada e transformada em savana (ANTÔNIO, 1997).

Migrações em massa de pessoas: o alagamento de cidades e o aquecimento da temperatura em algumas regiões do mundo, podem provocar a migração de milhões de pessoas, provocando sérios problemas sociais nas regiões que receberão estes migrantes (ANTÔNIO et al., 2005).




AGUECIMENTO GLOBAL E O PREJUIZO NA AGRICULTURA:
Problemas na agricultura é de muita importancia em relação ao aquecimento global: o aumento da temperatura global pode provocar sérios problemas na agricultura. Diminuindo a produção de alimentos no mundo, podemos ter milhões de pessoas morrendo de fome, principalmente nas áreas mais pobres do planeta (ANTÔNIO et al., 2005).

Os gases de efeito estufa existem naturalmente na atmosfera, porém este aumento de concentração causa um forçamento radioativo positivo que tende a aquecer a baixa atmosfera e a superfície terrestre. Do ponto de vista científico e global, mudanças climáticas são causadas por forças naturais e antropogênicas (IPCC, 2001). No Brasil, a proporção entre as contribuições de gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis versus agricultura e uso da terra é diferente em comparação ao padrão mundial. Queima de combustíveis fósseis é menos importante enquanto a utilização dos solos e alteração da agricultura respondem por mais de dois terços do total das emissões (BRASIL, 2004).

O Brasil, localizado quase inteiramente na zona tropical, não é uma exceção a esta regra e, portanto, é suscetível a uma redução na produção agrícola e pecuária. Além disso, a agricultura compreende o maior setor da economia brasileira, representando 29% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002, e cerca de 47,5% das exportações brasileiras em 2003. Portanto, a compreensão das possíveis impactos das alterações climáticas sobre a agricultura brasileira é um ponto essencial para os decisores governamentais, a fim de não comprometer a produção alimentar interna e das exportações agrícolas (CERRI et al., 2007).

Os solos agrícolas podem atuar como dreno ou fonte de gases de efeito estufa (GEE), dependendo do sistema de manejo a que forem submetidos (IPCC, 2001). Sistemas de manejo que aumentem a adição de resíduos vegetais e a retenção de carbono (C) no solo se constituem em alternativas importantes para aumentar a capacidade de dreno de C-CO2 atmosférico e mitigação do aquecimento global. Práticas agrícolas como aração e gradagem intensificam os processos microbianos no solo e fazem com que o C do solo volte para a atmosfera na forma de CO2. Já o PD associado à rotação de culturas com alto aporte de resíduos, pode ser uma alternativa para reduzir a emissão de CO2 para a atmosfera e aumentar os

estoques de Calcio no solo (SÁ et al., 2001).

Sendo a agropecuária uma das responsáveis pela emissão de gases poluentes que provocam o aquecimento global, caberá a esta a responsabilidade de

encontrar soluções para os problemas ligados ao setor agrícola e buscar alternativas

para que possam minimizar esses danos. Como a agricultura é totalmente dependente do clima se nada for feito, em pouco tempo, haverá uma grave crise mundial provocada pela falta de água potável e de alimentos.

A agricultura é uma atividade altamente dependente de fatores climáticos, tais como temperatura, pluviosidade, umidade do solo e radiação solar (LIMA, 2002). Os impactos do aquecimento global poderão ter amplos reflexos no meio ambiente. Além dos efeitos diretos da elevação da temperatura sobre os organismos, o aquecimento global poderá também afetar os padrões regionais de precipitação e de

evapotranspiração, o que terá repercussão em todo regime hidrológico, biológico e agrícola, comprometendo o funcionamento dos ecossistemas e agroecossistemas pela alteração na oferta de serviços ambientais como disponibilidade de água, fertilidade e conservação do solo, biodiversidade, entre outros. Além disso, poderá ocorrer diminuição da produção de alimentos pela redução da produtividade das culturas, maior incidência de pragas e doenças e redução das áreas propícias para plantio (FERNANDES & FERNANDES, 2008).

Hilton Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) pesquisou cenários que levam em conta a elevação da temperatura média no Brasil em 1,3 e 5,8 °C até o final deste século, o impacto das mudanças sobre cinco das principais culturas agrícolas do País: arroz, feijão, milho, soja e café, (tabela 1) as condições de solo nas maiores regiões produtoras e aumentos de 5%, 10% e 15% nos índices médios de precipitação pluviométrica. O estudo contemplou uma possibilidade de acerto de 80% e os resultados obtidos encontram-se na Tabela 1 (VEIGA FILHO, 2007).

Tabela 1. Perdas estimadas de produção das principais culturas do país em função do aumento da temperatura mundial média.

Fonte: Veiga Filho (2007).


O mesmo pesquisador afirmou ainda: “O aumento da temperatura afeta as culturas mais sensíveis, causando perda de água por aumento da “evapotranspiração”, conseqüentemente, a redução da fotossíntese, diminuição da capacidade reprodutiva e baixa produtividade. Quando a temperatura supera 34°C por períodos prolongados, ocorre o abortamento das flores.” Nas lavouras de café, as mais analisadas pelos pesquisadores do Cepagri e da Embrapa, os efeitos da elevação da temperatura já são observados em São Paulo, na região Noroeste, antiga fronteira de expansão do café, que passa a abrigar seringais em escala crescente (PINTO apud por VEIGA FILHO, 2007).

Segundo Pinto et al., (2002), considerando o cenário de aumento das temperaturas, pode-se admitir que, nas regiões climaticamente limítrofes àquelas de delimitação de cultivo adequado de plantas agrícolas, a anomalia positiva que venha a ocorrer será desfavorável ao desenvolvimento vegetal. Quanto maior a anomalia, menos apta se tornará a região, até o limite máximo de tolerância biológica ao calor. Por outro lado, outras culturas mais resistentes a altas temperaturas, provavelmente serão beneficiadas, até o seu limite próprio de tolerância ao estresse térmico. No caso de baixas temperaturas, regiões que atualmente sejam limitantes ao desenvolvimento de culturas susceptíveis a geadas, com o aumento do nível térmico devido ao aquecimento global passarão a exibir condições favoráveis ao desenvolvimento da planta (VEIGA FILHO, 2007).

Na Tabela 2 observa-se que o potencial atual de cultivo econômico de café arábica no estado de São Paulo corresponde a uma área de 97.848 Km2, ou seja, 39,4% da área do estado. No caso extremo considerado pelo IPCC, de 5,8º C de aumento da temperatura e 15% de chuvas, a área apta fica sendo de apenas 2.738 Km2, ou 1,1% do estado (Pinto et al., 2002).
Tabela 2. Áreas, em Km2 e porcentagem, disponíveis ao plantio de café no estado

de São Paulo com condições climáticas distintas, atuais e simuladas para 15% de aumento das chuvas e de 1º C, 3º C e 5,8º C na temperatura.



Fonte: adaptada de Pinto et al. (2002).


Com base em dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), é possível estimar as perdas econômicas como conseqüência do “efeito estufa”, provocado pelo aquecimento global. Das safras de 2004 e 2005, o valor bruto da produção das culturas analisadas caiu de R$ 73,8 bilhões para R$ 52,9 bilhões, acumulando uma perda significativa de R$20,8 bilhões, apenas nas duas últimas safras (PINTO apud VEIGA FILHO, 2007).

No cenário estudado por Hilton Pinto com perdas de produtividade média de 27%, na soma das culturas estudadas (arroz, feijão, soja, milho e café), haveria prejuízos da ordem de R$ 24 bilhões/ano, em valores de 2006 e, por ironia, quanto mais elevada a cotação daqueles produtos, maior será a perda para os agricultores. O que oferece a chance de potencializar os ganhos num cenário de maior preservação da natureza (VEIGA FILHO, 2007).

Siqueira et al., (2001) relataram que simulações mostram um aumento na temperatura média do ar entre 3 a 5 º C e um aumento de cerca de 11% na precipitação média para a região Centro-Sul ao longo do ano 2050. Este cenário poderia causar uma redução de 30 e 16% das produções de trigo e milho, respectivamente, e um aumento de cerca de 21% na produção de soja. Os principais

problemas decorrentes de chuvas adicionais estão relacionados a maior solo mais elevados riscos de erosão hídrica.

A pecuária também será afetada pelo aquecimento do planeta, pois é tão ou mais sensível do que a agricultura. Os pesquisadores alertam para os riscos de redução na produção de leite, incremento das taxas de aborto e redução de prenhes. No caso dos suínos, espera-se um aumento na taxa de mortalidade durante a gestação e no nascimento dos leitões. Para as aves, prevê-se queda na produção e o aumento de postura de ovos sem casca, afetando a oferta de animais para reprodução e abate. Todos esses fatores indicam mais trabalho para os especialistas em conforto animal (VEIGA FILHO, 2007).

AQUECIMENTO GLOBAL E O EFEITO ESTUFA:
Sabemos que boa parte da contribuição humana para o aquecimento global advém da emissão de gases estufa para a atmosfera. Desde que se instaurou a era industrial, a emissão de CO2, CH4 e demais cresceu exponencialmente (Figura 9). Por isso muito dos esforços da nações vem sendo no sentido de reduzir a emissão desses gases (QUEIROS, 2006).



Figura 9. Concentração global de CO2, CH4 e N2O na atmosfera ao longo do tempo (Fonte: QUEIROS, 2006)
Os gases responsáveis pelo efeito estufa, como vapor de água, clorofluorcarbono (CFC), ozônio (O3), metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e o dióxido de carbono (CO2), absorvem uma parte da radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra e irradiam, por sua vez, uma parte da energia de volta para a superfície (Figura 10). Como resultado, a superfície recebe quase o dobro de energia da atmosfera em comparação com a energia recebida do Sol, resultando em um aquecimento da superfície terrestre em torno de 30°C. Sem esse aquecimento,

a vida, como a conhecemos, não poderia existir (SILVA & PAULA, 2009)





Figura 10 – Esquema do efeito estufa na Terra (Fonte: adaptado de Efeito Estufa, U.S. Global Change Research Program)
Os principais gases antropogênicos causadores do fenômeno do aquecimento

global são os seguintes:



  • Dióxido de Carbono (CO2),

  • Metano (CH4),

  • Clorofluorcarbonos (CFCs),

  • Óxido Nitroso (N2O),

A tabela 3 sintetiza, para os principais gases causadores do efeito estufa, a evolução de seus níveis de concentração, desencadeados pela aumento da atividade industrial.



Tabela 3 - Índices de Concentração de Gases de Efeito Estufa.




CO2

CH4

CFC-11

N2O

PRÉ-INDUSTRIAL 1750-1800

280 ppmv

0,8

0

288 ppbv

Nível Atual

353 ppmv

1,72 ppmv

280 pptv

310 ppbv

Taxa atual de crescimento

0,50%

0,90%

4%

0,25%

Vida média na atmosfera (anos)

50-200

10

65

150

(ppmv= partes por milhão por volume, ppbv= partes por bilhão por volume; pptv= partes por trilhão por volume). Fonte: UNEP, 1997

O gás que tem maior conseqüência individual na geração do aquecimento global é o vapor d'água troposférico, mas sua concentração atmosférica depende menos de atividades antropogênica, cabendo a fontes naturais (evapotranspiração, vulcões, etc.) sua contribuição mais significativa (SILVA & PAULA, 2009).

O volume das emissões é apenas um indicador quantitativo da presença dos gases na atmosfera, pois a contribuição efetiva de cada substância ao aquecimento global deve ser ponderada pelo peso molecular e pelo tempo de permanência médio na atmosfera e pelo efeito de aquecimento cumulativo de cada gás. A ponderação de todos estes fatores vai fornecer o Poder de Aquecimento Global – Global Warming Potential (GWP)-, calculado pelo IPCC (CARDOSO et al., 2001).

Este índice foi criado de forma a instrumentar a esfera de tomada de decisão quanto ao efeito relativo dos gases causadores do aquecimento global entre o presente e um outro intervalo de tempo escolhido (IPCC, 2005).

Os gases de efeito estufa exercem um forçamento radiativo de forma direta e de forma indireta. A forma direta ocorre quando o próprio gás é um gás de efeito estufa, ou seja, a seção de choque da molécula do gás interage fortemente com a radiação térmica. A forma indireta de forçamento radiativo ocorre quando há transformações químicas no gás original que produz um outro gás ou gases que apresentam propriedades de alta interação com a faixa térmica de radiação do espectro eletromagnético (CARDOSO et al., 2001).

Grande parte do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve a um aumento nas concentrações de gases-estufa de origem antropogênica. Em um período de 100 anos houve um aumento médio da temperatura global dos continentes de 0,85°C, da temperatura global do oceano de 0,55°C e da temperatura global da Terra de 0,7°C (Figura 11) (IPCC 2007).




Figura 11 – Comparação das mudanças observadas na temperatura da superfície em escalas continental e global (Fonte: IPCC 2007).
Modelos matemáticos climáticos projetam que as temperaturas globais de superfície provavelmente aumentarão no intervalo entre 1,1 e 6,4°C, e o nível médio das águas do mar subirá entre 9 a 88 cm entre 1990 e 2100 (Figura 12) (IPCC 2007). O aumento do nível do mar trará impactos ambientais e sócioeconômicos significativos: risco de submersão de ilhas planas (como o arquipélago da Indonésia, que poderá perder até 2 mil de suas 17,5 mil ilhas), portos e terrenos agrícolas; salinização das águas potáveis superficiais e subterrâneas; mudanças em padrões de precipitação, resultando em enchentes e secas, podendo acelerar o fenômeno de desertificação; poderá haver também um ligeiro aumento de amplitude do fenômeno El Niño, o qual acarreta estiagem na Amazônia (Lefale 2002).
Figura 12 – Mudanças observadas na (a) temperatura média global da superfície, (b) média global da elevação do nível do mar a partir de dados de marégrafo (azul) e satélite (vermelho) e (c) cobertura de neve do Hemisfério Norte para março-abril.

(Fonte: IPCC 2007)

Com base em 2,5 anos de levantamento de dados por meio de satélites com

sensores gravimétricos, detectou- se que as geleiras da Groenlândia, a segunda maior fonte de água doce do planeta, estão derretendo cerca de 1,8 mm por ano, três vezes mais rápido do que foi observado nos últimos 5 anos (PETIT et al. 1999, CHEN et al., 2006, DOWDESWELL,l 2006). Pelas projeções de aquecimento médio global, até 2100, grande parte do gelo da Groenlândia terá derretido, resultando em uma elevação do nível do mar de 3 a 4 m (OVERPECK et al., 2006).

O derretimento dos lagos congelados da Sibéria Ocidental, congelados na última glaciação no final do Pleistoceno Superior, há 11.000 anos, e considerados como a maior turfeira do mundo, com cerca de 25% do CH4 do planeta, está auxiliando a liberação de 10 g.m-2/dia de CH4 para atmosfera (Walter et al., 2006).

Desde sua origem, há aproximadamente 4,55 bilhões de anos, o planeta Terra está em constante desenvolvimento, tendo passado por inúmeras alterações climáticas. Algumas dessas mudanças foram tão drásticas que diversos organismos vivos não foram capazes de se adaptar e foram extintos, como mostram os abundantes registros fósseis. Nesse processo de desenvolvimento natural existem ciclos de aquecimento global devido à atuação combinada dos fatores internos: as massas continentais, por exemplo, em função do tectonismo de placas, estão em constante movimento, e as mudanças de latitude e longitude afetam o clima nas mesmas (SILVA & PAULA, 2009).

Durante 345 milhões de anos da Era Paleozóica (570 milhões a 225 milhões de anos atrás) a temperatura média da Terra era superior à atual, que é de 15ºC. Desde cerca de 300 milhões de anos atrás foram descobertas assembléias fossilíferas de vegetais representativos de climas quentes e úmidos em diversas partes da Terra (SUGUIO, 2008).

Durante cerca de 80 a 90% da Era Paleozóica as regiões polares da Terra não se apresentaram recobertas de geleiras, mas entre os períodos Siluriano-Ordoviciano (500 milhões a 430 milhões de anos) ocorreram glaciações não muito intensas. Além disso, entre os períodos Permiano e Carbonífero (345 milhões a 280 milhões de anos atrás) ocorreu uma glaciação mais intensa. Durante essas glaciações, as geleiras, especialmente as que recobriram grandes áreas do Supercontinente Gondwana, estenderam-se por até 10 milhões de quilômetros quadrados e as espessuras variaram de 2.000 a 3.000 m. Evidências desses acontecimentos de glaciações permocarboníferas do Supercontinente Gondwana são representadas no Parque do Varvito de Itu. O varvito é uma rocha sedimentar depositada em fundo de lago formado por água de degelo acumulada em depressão do terreno (SILVA & PAULA, 2009).

Durante a Era Mesozóica, que durou cerca de 160 milhões de anos (225 milhões a 65 milhões de anos), a temperatura média da Terra atingiu 30 a 33ºC e, mesmo nas regiões polares, as temperaturas eram variáveis entre 8 a 10ºC (SUGUIO, 2008).

Houve um grande aquecimento global no final da Era Mesozóica durante o Cretáceo (entre 145 e 65 milhões de anos atrás). Neste período, os níveis de CO2 atingiram valores quatro vezes maiores que os níveis do final da Revolução Industrial, com temperaturas médias anuais superiores a 38ºC nos trópicos e maiores do que 10ºC nos pólos, e a insolação estava entre 3 e 6% superior a atual devido à menor concentração de material particulado na atmosfera, produzindo assim número menor de nuvens (KUMP & POLLARD, 2008).

A Era Cenozóica, que perdura há 65 milhões de anos, exibia no início clima quente como nos primeiros tempos da Era Mesozóica. Porém no fim do Período Terciário (há 2 a 3 milhões de anos), iniciaram-se as glaciações quaternárias. As paleotemperaturas da época apresentaram mudanças variáveis, temporal e espacialmente, estabelecendo-se diferenças de menos de 1ºC em 100 anos e mais de 10ºC em centenas de milhares de anos nas temperaturas médias (SUGUIO, 2008).

Nos últimos 6 mil anos a temperatura média subiu 2º a 3ºC. Durante o último milênio houve grandes variações de temperatura. Entre os séculos IX e XII houve o Período Quente Medieval, com temperaturas mais altas que as atuais, e a “Pequena Idade do Gelo”, entre os séculos XVII e XIX, mais fria e da qual o aquecimento registrado no século XX parece não ser mais que uma recuperação (BRIFFA 2000, JONES et al., 2001, MANN et al., 2003).

Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento da concentração de poluentes antropogênicos na atmosfera é a causa principal do efeito estufa, consequentemente do aquecimento global. Independente de sua causa, o efeito estufa antrópico ou a recuperação natural do clima após três séculos (séculos XVII a XIX) de baixas temperaturas durante o período da “Pequena Idade do Gelo” tem ocasionado efeitos devastadores nos ecossistemas.


PROTOCOLO DE KYOTO:
O Protocolo de Kyoto, acordado em 1997, reuniu 41 países num consenso ético de responsabilidade sobre o futuro do planeta. (QUEIROS, 2006).

O principal objetivo é que ocorra a diminuição da temperatura global nos próximos anos. Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite poluentes no mundo, não aceitou o acordo, pois afirmou que ele prejudicaria o desenvolvimento industrial do país.

Começou a vigorar em 2005 e a maior parte de suas ações são em função de reduzir a emissão de gases estufa para a atmosfera. Criou-se, a partir dele, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que consiste na comercialização

de “Créditos de Carbono”, comprados por nações que provisoriamente não reduziriam as emissões como, acertado no Protocolo. Mas a grande dificuldade do Protocolo é o fato dele levar a restrições de caráter econômico, que justificaram à não adesão do maior emissor mundial de gases estufa, os EUA (QUEIROS, 2006).

O Brasil foi o primeiro país a aprovar um projeto no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), uma alternativa criada pelo Protocolo de Kyoto que

prevê ações para a contenção das emissões dos gases causadores do efeito estufa. Apesar disso, vem perdendo posições no ranking internacional do mercado de créditos de carbono. Países como China e Índia já superam o país em número de projetos aprovados. Os dados são do Banco Mundial (Bird) e foram divulgados no seminário internacional "Mercado de Reduções de Emissões", promovido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em março (VIEIRA et al., 2007).

O Brasil tem 88 projetos registrados e 118 aprovados na Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas. A Índia tem 169 projetos registrados. No ano passado, o mercado mundial de créditos de carbono movimentou cerca de 3 bilhões de dólares e há expectativas de que esses valores subam muito (VIEIRA et al., 2007).

Uma das razões pelas quais o Brasil perdeu a liderança na comercialização é a burocracia do governo para chancelar os projetos cadastrados que, após essa etapa precisam ser aprovados pelo MDL. Segundo levantamento da Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA), o país tem o prazo mais lento entre

os emergentes analisados. Enquanto um empreendimento no México leva em média 45 dias para obter a aprovação, no Brasil o prazo vai de dois a seis meses (VIEIRA et al., 2007).

Não há dúvidas sobre as razões pelas quais indianos e chineses se tornaram os líderes mundiais de crédito de carbono, uma vez que as economias dos dois países crescem a taxas espantosas e suas matrizes energéticas são baseadas em carvão mineral. O que quer dizer que o potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa nesses dois países é infinitamente maior do que o do Brasil, que consome energia hidrelétrica, essencialmente limpa.



DO QUE SE TRATA O PROTOCOLO DE KYOTO:


  • Compromete a uma série de nações industrializadas a reduzir suas emissões em 5,2% - em relação aos níveis de 1990 – para o período de 2008- 2012.

  • Estabelece 3 “mecanismos de flexibilidade” que permitem à esses países cumprir com as exigências de redução de emissões, fora de seus territórios.

  • Especifica que as atividades compreendidas nos mecanismos devem ser desenvolvidas adicionalmente às ações realizadas pelos países industrializados dentro de seus próprios territórios. Entretanto, os Estados Unidos, como outros países, tentam, à todo custo, evitar limites sobre o uso que podem fazer desses mecanismos.

  • Permite aos países ricos medir o valor líquido de suas emissões, ou seja, contabilizar as reduções de carbono vinculadas às atividades de desmatamento e reflorestamento. Atualmente existe um grande debate em relação à essas definições. Há outra cláusula que permitiria incluir “outras atividades” entre os sorvedouros de carbono, algumas delas, como a fixação de carbono no solo, são motivo de preocupação especial. Determina que é essencial criar um mecanismo que garanta o cumprimento do Protocolo de Kyoto.

OS PROJETOS DE MDL E O CREDITO DE CARBONO:
Para serem validados, existem basicamente duas modalidades de projetos de MDL

considerados elegíveis perante as regras do Protocolo de Kyoto:


a) Projetos Florestais

As atividades que visam à remoção de CO2 da atmosfera e estão relacionados ao uso da terra, referem-se aos projetos florestais. As áreas elegíveis, á luz do Protocolo de Kyoto, para florestamento e reflorestamento devem comprovar que não apresentavam cobertura florestal até o ano-referência de 1989 (BERTUCCI, 2006).

O tempo de duração de um projeto desta natureza é definido por um prazo máximo de 30 anos ou de 20 anos, havendo a possibilidade para mais duas renovações por igual período, podendo atingir até 60 anos, dependendo do tipo de floresta e dos ciclos de plantio e colheita (UNIQIMICA, 2006).
b) Projetos Não-Florestais
São projetos cujas atividades objetivam a redução da emissão de gases do efeito estufa. Para esta modalidade, o Protocolo relaciona os setores e as categorias para potenciais projetos de MDL (BRASIL, 2006):

- Setor de energia: queima de combustível (setor energético, indústria de transformação e construção, transporte, outros) e emissões fugitivas de combustíveis (combustíveis sólidos, petróleo e gás natural, outros);

- Setor de processos: industriais (mineradoras, químicas, de metais, produção e consumo de halocarbonos e hexafluereto de enxofre);

- Setor agrícola: fermentação entérica, cultivo de arroz, manejo do solo, queimadas e queima de resíduos agrícolas e outros;

- Setor de resíduos: disposição em aterros, tratamento de esgoto, incineração de resíduos, outros.

Entre os projetos não-florestais de redução, Bertucci (2006) exemplifica os projetos de substituição de combustíveis, fontes alternativas de eletricidade, aterros sanitários e cogeração por biomassa, por uso de fontes e combustíveis renováveis, a partir de resíduos industriais e animais além de projetos que objetivem o aumento de eficiência energética de matrizes poluidoras.

Para a emissão dos RCEs os projetos deverão ser validados, implementados, verificados e certificados. A condição para a manutenção dos RCEs é o acompanhamento das emissões, realizado anualmente por uma Entidade Operacional Designada (EOD) credenciada pelo Comitê Executivo da ONU - Executive Board – EB. As negociações das RCEs ocorrem através de mecanismos centralizados com organizações de bolsas de mercadorias e de futuros, semelhante as negociações tradicionais para commodities agrícolas, de energia e financeiro. Atualmente, os créditos de carbono estão sendo comercializados pela European Climate Exchange e Chicago Climate Exchange. A perspectiva, segundo Esparta, é a comercialização de US$ 10 bilhões em créditos de carbono ao ano, entre 2008 e 2012, sendo o Brasil responsável por 10% dessas vendas (BASSETTO et al., 2006).

Em todo o mundo, existem 244 projetos aprovados segundo os critérios do Protocolo de Kyoto. Desses projetos, 74 são brasileiros, 54 indianos e 14 chineses. Os 74 projetos brasileiros já aprovados acumulam um total de créditos de 130 milhões de toneladas de CO2, nos cálculos da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (PEREIRA, 2003).

O Brasil não tem obrigação de redução das emissões, neste primeiro período de compromisso que compreende os anos de 2008 a 2012, mas tem potencial para implantação de projetos de MDL. No entanto, necessita de investimentos que poderão ser oriundos dos países desenvolvidos, signatários ao Protocolo, e que possuem o compromisso com a redução dos GEEs (BASSETTO et al., 2006).

O primeiro projeto de MDL aprovado pela ONU foi o Nova Gerar, um aterro sanitário, em Nova Iguaçu (RJ), que usa o gás metano liberado na decomposição do lixo para produzir energia elétrica (PEREIRA, 2003). Há estimativas de reduções das emissões na ordem de 30 milhões de toneladas, podendo representar no mercado de crédito de carbono um valor de US$ 150 milhões, para os projetos de Nova Iguaçu (RJ) e de Salvador (BA), ambos relacionados a aterro (GAZZONI, 2006).



PROJETO NOVAGERAR E O MDL NO BRASIL:
Exemplo de parceria para investimentos em projetos de MDL no Brasil é a NovaGerar, que se constitui de uma joint venture entre a EcoSecurities, empresa financeira inglesa especializada em projetos de MDL e créditos de carbono e, a S.A. Paulista que atua no segmento de construção e gerencia a maior estação de transferência do lixo doméstico da América do Sul (FERNANDEZ, 2004).

O projeto que tem por título “Projeto NovaGerar de conversão de gases de aterro em energia dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)”, supracitado, foi um dos primeiros a ser elaborado e o primeiro validado dentro dos moldes do MDL. Originou-se em 2001 e adaptou-se às metodologias do Project Design Document – PDD, sendo enviado para o Executive Board da ONU, responsável pelos assuntos de mudanças climáticas (UNFCCC). Recebeu a carta de aprovação do governo brasileiro em julho de 2004, reconhecendo o projeto como contribuidor para o desenvolvimento sustentável do país. A carta é um dos documentos necessários para o registro no Executive Board, órgão máximo da ONU. Em setembro de 2004, foi o primeiro projeto brasileiro e um dos primeiros no mundo a receber o registro pelo referido órgão (BASSETTO et al., 2006).

O projeto contempla o Aterro Sanitário de Adrianópolis e o Lixão de Marambaia, situados no município de Nova Iguaçu, RJ. O biogás gerado em aterros é rico em metano (aproximadamente 50%) que, segundo estudos do Painel Científico para Mudanças Climáticas - IPCC da ONU, tem um potencial de aquecimento 21 vezes maior que o gás carbônico (FERNANDEZ, 2004).

O NovaGerar tem como objetivo a redução da emissão do metano, um dos gases do efeito estufa o qual recebe um tratamento, para que não se misture ao oxigênio e torne-se um biogás. A canalização do biogás constitui-se de fonte renovável de matéria-prima na geração de energia (BASSETTO et al., 2006).

Segundo o Projeto NovaGerar outros benefícios agregarão o desenvolvimento sustentável, tais como (FERNANDEZ, 2004):

- Construção do Aterro Sanitário de Adrianópolis e Recuperação do Lixão de Marambaia, resultando em recuperação paisagística, recolhimento e tratamento do chorume, entre outras;

- Geração de emprego e renda na região, alcançado pela instalação de uma nova central de disposição resíduos;

- Geração de eletricidade a partir de uma fonte renovável;

- Transferência de tecnologia britânica na geração de energia a partir do biogás, até então ignorada no Brasil;

- Aporte de capital externo pelos compradores das RCEs;

- Pioneirismo e Fonte de Motivação: primeiro projeto aprovado de geração de energia em aterro sanitário, encorajando outros locais na busca de melhor aproveitamento de seus recursos.
A CAMADA DE OZÔNIO

Conta Scapin (1995) que há muito tempo atrás, as geladeiras usavam um gás venenoso para retirar calor. O gás era a amônia e tornava a refrigeração perigosa. As geladeiras ainda funcionam retirando calor. Os químicos inventaram um novo gás que se comportava como a amônia, mas não era perigoso. Esse gás é o clorofluocarboneto, que era inerte. Inerte significa que não reage com nenhuma substância. Parecia perfeito. Porém, na década de 1970, os cientistas descobriram que se você adiciona energia solar a uma molécula de CFC, ela se divide. Nessa época o CFC era usado em sprays e em espuma plástica. As pessoas pararam de consumir os sprays com o CFC. Mas não pararam de usá-lo em geladeiras e ar condicionados. Esse é o problema.

O ozônio é composto de átomos de oxigênio. A molécula de oxigênio que se respira é composta de 2 átomos de oxigênio. É representado como O2. O ozônio é composto de 3 átomos de oxigênio e é representado O3. Não é muito estável e pode

se quebrar em O2 e O (oxigênio atômico) muito facilmente. Há muito ozônio nas camadas altas de nossa atmosfera. O ozônio possui o tamanho e o formato exatos para absorver a energia do Sol, na faixa de ultravioleta, danosa à vida.

O ozônio forma uma camada que absorve os raios ultravioleta do Sol. Essa camada protege a Terra. O clorofluocarboneto e outros produtos químicos sobem até a estratosfera, que é o local da atmosfera onde está a camada de ozônio. Quando a luz solar de alta energia atinge uma molécula de CFC, ela se quebra e produz um ou mais átomos de cloro, dependendo do tipo da molécula de CFC. O átomo de cloro atinge uma molécula de ozônio. Através de reações químicas heterogêneas, o ozônio se transforme em oxigênio molecular. O oxigênio não possui nem o tamanho nem a forma exatos para absorver a radiação solar que é perigosa (DESSLER, 2000).

Segundo Dessler (2000), o ozônio é uma substância química natural da atmosfera terrestre. É um gás que se forma de 3 átomos de oxigênio atômico. Seu símbolo é O3. A camada de ozônio é uma região da atmosfera terrestre, em torno de 20 a 30 km de altura, onde a concentração do gás ozônio é maior. A camada de ozônio tem importância fundamental para a vida no planeta Terra. É ela que absorve a radiação UV-B do Sol, e assim não permite que esta radiação, prejudicial à vida, chegue até a superfície da Terra. Radiação solar, em geral, é a energia que vem do Sol. Esta energia é distribuída em vários comprimentos de onda: desde o infravermelho até o ultra-violeta (UV), passando pelo visível, onde a energia é máxima.

Na parte do UV, existe o UV-C, que é totalmente absorvido na atmosfera terrestre; o UV-A, que não é absorvido pela atmosfera; e o UV-B, que é absorvido pela camada de ozônio. A radiação UV-B do Sol é responsável por inúmeras seqüelas nos seres vivos.

Segundo Kirchhoff (2004), o dia 16 de setembro foi designado como "Dia Internacional do Ozônio", um dia que deveria servir de meditação para todos porque

representa uma enorme conquista recente da Humanidade civilizada. Trata-se de um acontecimento que poderia (e poderá ainda) trazer conseqüências desastrosas para os seres vivos, que é o aumento da radiação ultravioleta pela destruição da camada de ozônio. O Homem moderno criou substâncias artificiais que destroem a camada de ozônio, mas uma vez identificado o problema, a sociedade, através de seus governos, soube sentar à mesa de negociação e dar início ao saneamento do problema.
Conceito e Características da Camada de Ozônio
De acordo com Salgado (2000), a camada de ozônio situa-se numa faixa de 10 a 35 km da estratosfera - a parte da atmosfera que vai de 10 a 50 km. O oxigênio absorve a radiação ultravioleta UV-C, formando o ozônio, que por sua vez absorve a

radiação ultravioleta UV-B. Foi graças a esta capa protetora que a vida pôde evoluir em nosso planeta. Diminuindo a intensidade da chegada dos raios UV à superfície, o ozônio evita conseqüências graves da radiação UV tais como feridas na pele, câncer e mutações degenerativas. Ele funciona como um agente do sistema imunológico do planeta. Sua ausência deixa todos expostos, indefesos ante os efeitos dos raios ultravioleta. A camada de ozônio, então, é uma "capa" desse gás que envolve a terra

e a protege da radiação ultravioleta que é a principal causadora de câncer de pele.

A camada de ozônio serve como uma proteção contra os raios ultravioleta (ondas semelhantes às ondas luminosas, que estão acima do extremo violeta do espectro da luz visível. As ondas prejudiciais dos raios ultravioletas são as mais curtas). Hoje, sabe-se que ela pode ser destruída por substâncias como os clorofluorcarbonos (CFC), usados em aerossóis, geladeiras e aparelhos de arcondicionado.

A principal conseqüência da destruição da camada de ozônio, segundo o site Ecologia (2006), será o grande aumento da incidência de câncer de pele, já que os raios ultravioletas são mutagênicos. A maior preocupação dos cientistas está relacionada com o câncer de pele, cuja incidência vem aumentando nos últimos vinte anos. Cada vez mais é importante evitar as horas em que o Sol está mais forte e a utilização de filtros solares, única maneira de se prevenir e de se proteger a pele.

Segundo Dessler (2000), na atmosfera, a presença da radiação ultravioleta desencadeia um processo natural que leva à contínua formação e fragmentação do ozônio. A quebra dos gases CFCs é danosa ao processo natural de formação do ozônio. Quando um desses gases se fragmenta, pelo menos um átomo de cloro é liberado e reage com o ozônio; podem ser liberados mais átomos de cloro, dependendo do tamanho da molécula de CFC. O resultado é a formação de uma molécula de oxigênio e de uma molécula de monóxido de cloro. Mais tarde, depois de uma série de reações químicas heterogêneas, o átomo de cloro inicial será liberado e voltará a novamente desencadear a destruição de outras moléculas de ozônio.


A destruição da Camada de Ozônio
Um número considerável de publicações mostra que o conteúdo total de ozônio na atmosfera vem diminuindo ao longo das últimas décadas (SOLOMON, 1999). Além disto, no Continente Antártico detecta-se uma considerável diminuição do conteúdo total de ozônio durante os períodos de primaveras. Esta diminuição é conhecida como “Buraco na Camada de Ozônio”, sendo sazonal e manifestando-se do início da primavera austral até novembro decada ano, limitando-se à Antártica e regiões circunvizinhas (FARMAN et al., 1985; STOLARSKI et al., 1986). Por convenção, define-se a aparição do “Buraco” e a extensão de sua área geográfica quando o conteúdo total da coluna de ozônio é menor ou igual a 220 UD (Unidade Dobson: 1 UD = 2,69.1019 moléculas/cm2 em condições de temperatura 0 °C e pressão 1 atm).

Efeitos secundários do “Buraco de Ozônio Antártico” já foram observados em

latitudes tropicais, como por exemplo a 30°S em 1993, na região sul do Brasil (Kirchhoff et al., 1996). Neste caso, a perturbação no ozônio total foi causada pela injeção de massa de ar pobre em ozônio proveniente diretamente da região antártica, provocando uma redução temporária na coluna total de ozônio da região.

A expansão da região de abrangência do “Buraco” também foi observada sobre o extremo sul do continente sul-americano (CASICCIA et al., 1995). Ou seja, o fenômeno da redução de ozônio sobre a Antártica já está atingindo regiões povoadas.

Quando os cientistas perceberam, nos anos 80, que produtos químicos lançados pelo homem na atmosfera vinham corroendo a camada de ozônio, governos de todo o mundo firmaram o Protocolo de Montreal, proibindo a produção dos gases artificiais, como os CFCs, que agridem o ozônio (WMO, 1999).

Apesar do Protocolo, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida continua abrindo todo o ano. Na verdade, em 2005 o buraco da Antártida atingiu as proporções máximas, cobrindo uma área de 24 milhões de km2. Mas, enquanto ozônio sobre a Antártida continua a sofrer, no resto do planeta a situação parece caminhar para uma solução. Nos últimos 9 anos, o volume de ozônio vem se mantendo constante, interrompendo o declínio registrado nos anos 80. Os cientistas descobriram que, na alta estratosfera (acima de 18 km de altitude) a recuperação do ozônio pode ser totalmente explicada pela restrição aos CFCs. Mas, na baixa estratosfera (de 10 km a 18 km) o ozônio recupera-se num ritmo melhor do que o previsto apenas pelo efeito da proibição dos gases danosos. Os cientistas supõem que essa boa surpresa seja fruto do regime de ventos (O ESTADO DE SÃO PAULO, 2006).

Segundo Roloff e Tupinambá (2003), o buraco de ozônio sobre a Antártida cresceu mais que o esperado, cobrindo uma área três vezes maior que a do território brasileiro, registrado pela OMM (Organização Meteorológica Mundial). O recorde absoluto foi registrado em setembro de 2000, quando ele chegou a 29,78 milhões de quilômetros quadrados.

Explica Kirchhoff (2004) que o buraco na camada de ozônio é um fenômeno que só acontece na Antártica, isto é, na região do Pólo Sul. É um fenômeno cíclico. É uma destruição violenta de ozônio na atmosfera, durante a primavera de cada ano, quando mais da metade da camada é destruída. Nestas ocasiões, a radiação UV-B aumenta muito. É um fato, registrado por medidas em vários locais do mundo, que a camada de ozônio está diminuindo numa taxa média anual de 4% por década. Como a camada é o único filtro natural protetor contra a radiação UV-B, esta radiação deve aumentar nos próximos anos. A radiação UV-B está sendo monitorada em todo o mundo, inclusive no Brasil pelo INPE e UFSM. Ainda não há evidências concretas mostrando um aumento do UV-B nos últimos anos. Mas tudo leva a crer, teoricamente, de que a radiação UV-B deverá aumentar nos próximos

anos.

O autor assegura que não é perigoso ficar no Sol, a não ser quando a exposição é exagerada. Existem hoje meios de se determinar para cada paciente, o tempo que pode ficar exposto ao Sol sem se queimar, e sem o risco de ter câncer de pele no futuro. É perfeitamente possível ficar mais tempo no Sol, com alguns cuidados que protegerão adequadamente, como o uso do guarda-sol, de chapéu, camiseta, óculos, etc. No entanto, a maneira tecnologicamente mais correta de se proteger do Sol nos dias de hoje é através do uso de protetores solares químicos, disponíveis no mercado, e produzidos por empresas competentes. Devem-se passar estes filtros solares mais de uma vez durante a exposição ao Sol. Os filtros solares normalmente vêm com uma indicação numérica, bem visível, estampada no frasco, por exemplo, 15. Este é o chamado fator de proteção.


A radiação UV-B do Sol e as Seqüelas nos Seres Vivos
Conforme Scapin (1995), a Terra é envolvida por uma frágil camada de ozônio que protege animais, plantas e seres humanos dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol. Na superfície, o gás ozônio (O3) contribui para agravar a poluição do ar das cidades e a chuva ácida. Mas, nas alturas da estratosfera (entre 15 e 50 km acima da superfície), o ozônio é um filtro a favor da vida. Sem ele, os raios ultravioleta poderiam aniquilar todas as formas de vida no planeta. Alerta o autor que a radiação perigosa é chamada de ultravioleta. A radiação ultravioleta pode alterar uma parte das células da pele. Pode fazer com que cresçam desordenadamente. Isso é chamado de câncer de pele, uma cópia incontrolada das células da pele. A região ultravioleta (UV – de 100 a 400 nm) do espectro da radiação solar representa uma pequena fração da energia radiante total que atinge a superfície da Terra. A região do UVC abrange a faixa de comprimentos de onda mais curtos, de 100 a 280 nm, e é importante para a fotoquímica da atmosfera, sendo completamente absorvida na atmosfera pelo ozônio, oxigênio molecular e outros constituintes atmosféricos, não atingindo o solo (WMO, 1999). A região espectral de

UV remanescente é dividida em duas partes: UVB e UVA. A região de UVB (de 280

a 320 nm) é fortemente absorvida pelo ozônio e aumenta quando o ozônio atmosférico diminui (WMO, 1999).

Esta região tem significativo impacto em importantes biomoléculas, tais como DNA e proteínas, e desta forma em organismos vivos (WMO, 1999). A região do UVA (de 320 a 400 nm) é muito pouco atenuada pela atmosfera. Apesar de seus fótons serem menos energéticos que o UVB, o UVA tem efeitos biológicos importantes como as queimaduras de pele pela exposição ao Sol (WMO, 1999).

Na última década, o estudo da radiação UV tem se concentrado na radiação UVB, pois ela pode produzir efeitos danosos à biosfera (ROY et al., 1994), especialmente a saúde humana (TEVINI, 1993; VAN DER LEUN & GRUIJL, 1993).

O PAPEL DAS FLORESTAS
As atividades fotossintéticas principalmente das florestas tropicais úmidas representam um fator preponderante para o ciclo de CO2 atmosférico e para a manutenção da estabilidade climática global.

Aumentando a atividade fotossintética com o aumento da disponibilidade de dióxido de carbono (CO2), temperatura e água (até o limite do ponto de estresse hídrico, no qual a planta morre e se torna fonte de CO2), as florestas tropicais funcionam como poderosos ‘resfriadores’ da baixa troposfera, consumindo quantidades gigantescas de calor no processo de evapotranspiração. Por exemplo, a quantidade de calor envolvida na evapotranspiração pela floresta Amazônica, numa área de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, durante um dia equivale à potência gerada pela usina hidroelétrica de Itaipu durante um período de aproximadamente 145 anos! As árvores não somente participam na diminuição da temperatura atmosférica à superfície, mas atuam também ativamente no processo gerador de chuva, com a emissão de compostos químicos voláteis (ARTAXO et al., 1998).

As conexões entre a floresta, a chuva e o clima foram evidenciadas em resultados recentes de pesquisa utilizando o modelo de circulação geral acoplado oceano-atmosfera do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com cenários de savanização da Amazônia. Tais resultados indicam que a floresta tem um papel importante na manutenção das chuvas sobre a Amazônia, e ao mesmo tempo contribui para modular tanto a intensidade quanto a freqüência do fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial e o aquecimento da superfície do mar sobre o Atlântico Tropical (NOBRE et al., 2007).

Assim, o resultado combinado da savanização da Amazônia provocada pelo aquecimento global (IPCC, 2007) e da ação antrópica de desmatamento da floresta (Figura 13) Amazônica por pressões extrativistas e agropecuaristas é a diminuição da pluviometria sobre a Amazônia e o aumento da variabilidade climática sazonal sobre o Brasil, com conseqüências adversas sobre o meio ambiente, a economia e a sociedade.





Figura 13: Parte da Floresta Amazônica desmatada por agropecuaristas (Fonte: NOBRE et al., 2007).


O PAPEL DO CORTE SELETIVO E DA QUEIMADA NA PERDA DA FLORESTA
O corte seletivo aumenta consideravelmente a vulnerabilidade da floresta ao fogo. Quando o fogo entra na floresta, (figura 14) ele mata as árvores, aumenta a carga de combustível e seca o sub-bosque, elevando o risco de futuras queimadas e da completa degradação da floresta.

O impacto do corte de espécies de baixa densidade e comercialmente valiosas é, freqüentemente, subestimado. O processo de corte seletivo resulta em um prejuízo de quase duas vezes o volume de árvores que estão sendo removidas (VERÍSSIMO et al., 1992). Devido ao fato de muitas árvores menores serem mortas, o efeito sobre os indivíduos é ainda maior. Próximo à Paragominas, no Pará, para cada árvore retirada, 27 outras árvores foram mortas ou severamente prejudicadas (VERÍSSIMO et al., 1992). As aberturas no dossel permitem ao sol e ao vento atingirem o solo da floresta, resultando em microclimas mais secos. O número de dias sem chuvas necessários para o sub-bosque atingir condições inflamáveis é muito menor em uma floresta afetada pelo corte seletivo do que em uma floresta não explorada (NEPSTAD et al., 2004).

Nas florestas da Amazônia, o fogo se espalha como uma linha de chamas de movimento lento no sub-bosque. As bases de muitas árvores são queimadas à medida que o fogo se prolonga. As árvores da floresta amazônica não são adaptadas ao fogo e a mortalidade a partir de uma primeira queimada fornece o combustível e a aridez necessários para fazer as queimadas subseqüentes muito mais desastrosas. A temperatura alcançada e a altura das chamas na segunda queimada são, significativamente, maiores que na primeira, matando muitas outras árvores (COCHRANE, 2003). Depois de várias queimadas, a área fica devastada a ponto de aparecer como desmatamento nas imagens de satélite Landsat (COCHRANE et al., 1999; NEPSTAD et al., 1999).

Durante o fenômeno El Niño, em 1997-1998, o grande incêndio de Roraima queimou entre 11.394 e 13.928km2 de floresta primária intacta (BARBOSA & FEAMSIDE, 1999), e as queimadas no arco do desmatamento totalizaram mais 15 x 103km2 (NEPSTAD et al., 1999; COCHRANE, 2003). Uma queimada significativa também ocorreu em áreas de corte seletivo próximo à Tailândia, no sul do Pará e em floresta no estado do Amazonas. No sul do Pará, os danos do El Niño são maiores devido à uma combinação de fatores: uma estação seca mais duradoura que em outras partes da Amazônia, a concentração da atividade de corte seletivo e a concentração de desmatamento e queimada associada para favorecer a agricultura e a criação de gado.

Os incêndios florestais emitem gases de efeito estufa. O grande incêndio de Roraima liberou, através da combustão de 17,9 a 18,3 x 106 toneladas de carbono equivalente ao carbono de CO2, dos quais 67% (12,0 a 12,3 x 106 de carbono) foram provenientes de queimadas na floresta primária (BARBOSA & FEAMSIDE, 1999).


Figura 14: Queimadas dentro das Florestas.

(Fonte:http://projetoflorestaverde.blogspot.com/2010/06/desmatamento-e-queimadas.html).


Os carbonos equivalentes ao carbono do dióxido de carbono são utilizados para comparar as emissões de vários gases de efeito estufa baseado no potencial de aquecimento global de cada gás em um horizonte de tempo de 100 anos. O desmatamento em uma taxa igual à de 2003 implica na emissão de, aproximadamente, 429 x 106 toneladas de carbono equivalente ao carbono de CO2. No período de 1988 a 1994 (período base usado pelo Brasil para o seu inventário inicial de gás estufa para o Protocolo de Kyoto) foram liberadas 275 x 106 toneladas, incluindo todos os componentes (FEAMSIDE, 2000), considerando as correções em Fearnside & Laurance, 2004 e Nogueira et al., 2005), ou 252 x 106 toneladas se considerados apenas os componentes das emissões usados no Inventário Nacional, assim como os valores de densidade de madeira disponíveis antes da revisão de Nogueira et al., (2005). Esse valor é ligeiramente maior que o dobro do valor oficial de 116,9 x 106 toneladas (MCT, 2004:149). A diferença é explicada por uma série de componentes omitidos na apreciação oficial (incluindo raízes e necromassa) e por uma estimativa elevada da absorção do carbono pelas florestas secundárias, que não reflete a lenta taxa na qual elas crescem nas pastagens degradadas da Amazônia.

O que mais distingue as implicações do desmatamento amazônico no aquecimento global daquelas de outras florestas tropicais é o enorme potencial para emissões futuras. Em 1990, as emissões líquidas comprometidas do desmatamento no Brasil representaram 5% do total de todas as fontes de emissão (incluindo tanto as mudanças do uso da terra quanto os combustíveis fósseis) na época (FEAMSIDE, 1997), enquanto que o estoque de carbono na biomassa na Amazônia brasileira representava 38% do total tropical (FEAMSIDE, 2000). As emissões líquidas comprometidas referem-se ao resultado líquido de emissões e absorções quando uma paisagem florestada é substituída por um mosaico de usos da terra (que seria o resultado de uma condição de equilíbrio criado por uma projeção das tendências atuais).


SOLUÇOES PARA DIMINUIR O AQUECIMENTO GLOBAL:

- Diminuir o uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene) e aumentar o uso de biocombustíveis (exemplo: biodíesel) e etanol.

- Os automóveis devem ser regulados constantemente para evitar a queima de combustíveis de forma desregulada. O uso obrigatório de catalisador em escapamentos de automóveis, motos e caminhões.

- Instalação de sistemas de controle de emissão de gases poluentes nas indústrias.

- Ampliar a geração de energia através de fontes limpas e renováveis: hidrelétrica, eólica, solar, nuclear e maremotriz. Evitar ao máximo a geração de energia através de termoelétricas, que usam combustíveis fósseis.

- Sempre que possível, deixar o carro em casa e usar o sistema de transporte coletivo (ônibus, metrô, trens) ou bicicleta.

- Colaborar para o sistema de coleta seletiva de lixo e de reciclagem.

- Recuperação do gás metano nos aterros sanitários.

- Usar ao máximo a iluminação natural dentro dos ambientes domésticos.

- Não praticar desmatamento e queimadas em florestas. Pelo contrário, deve-se efetuar o plantio de mais árvores como forma de diminuir o aquecimento global.

- Uso de técnicas limpas e avançadas na agricultura para evitar a emissão de carbono.

- Construção de prédios com implantação de sistemas que visem economizar energia (uso da energia solar para aquecimento da



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