ArgumentaçÃo e retórica pensamento (razão) = logos = Discurso (palavra)



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ARGUMENTAÇÃO E RETÓRICA
Pensamento (razão) = LOGOS = Discurso (palavra)

Lógica = Ciência do Pensamento Válido Retórica = Arte do Discurso Persuasivo



Grécia – séc. V, IV a.C.

Relação entre a Política e a Retórica

Demonstração Argumentação




Domínio do Constrigente Domínio do Verosímil ou Preferível



A COMUNICAÇÃO ARGUMENTATIVA implica:

ORADOR (o ETHOS ou ponto de vista do orador)

Objetivo: Ganhar a adesão do auditório = persuadir.

Como? Com base na argumentação racional ou com base na manipulação?


LOGOS (a mensagem)

Argumentos do orador organizados em discurso.



Auditório (PATHOS)

Objetivo: ponderar a aceitação da mensagem.

Como? Com base na análise racional dos argumentos ou na emoção?


PROVA LÓGICA/DEMONSTRAÇÃO/

DOMÍNIO DO CONSTRIGENTE



PROVA RETÓRICA/ARGUMENTAÇÃO/

DOMÍNIO DA PERSUASÃO



- raciocínio dedutivo: verdade da conclusão decorre necessariamente da relação lógica entre as premissas que se aceitam sem discutir a sua verdade.

- justificação: utiliza raciocínios dedutivos, indutivos, por analogia, exemplos. Discute-se a verdade das premissas.

- estrutura lógica formal: abstrata, impessoal, independente do contexto.

- comunicação/diálogo/discussão: concreta, pessoal, situada/contextualizada.

- rigorosa/infalível.

- plausível/verosímil/falível.

- utiliza uma linguagem isenta de ambiguidade (unívoca).

- utiliza uma linguagem natural, não isenta de ambiguidade.

- imposição de uma certeza (constrigente)

- reporta-se a convicções.

- não apela à decisão do auditório.

- apela à decisão do auditório.

- visa uma “verdade” universal e necessária.

- visa ganhar a adesão de um auditório para o preferível, o “melhor”.

PLATÃO E DESCARTES


Racionalistas – a razão só por si é fonte de conhecimento (ideias inatas), ou melhor, é a verdadeira fonte do conhecimento.
A ciência (a Filosofia) – partindo de conhecimentos puramente racionais (ideias inatas) e desenvolvendo deduções rigorosas (demonstração), atinge a Verdade (absoluta).
Nova Retórica – o que está em causa é o modelo da racionalidade.
MODELO DE RACIONALIDADE DOS DEFENSORES DA NOVA RETÓRICA
Conceção “alargada” de Razão – a atividade racional não se reduz ao rigor lógico da demonstração. A atividade racional tem uma dimensão prática que permite fundamentar com “razoabilidade” as nossas preferências.
Para mostrar (ganhar a adesão do auditório) a razoabilidade das nossas escolhas, é preciso ARGUMENTAR  3ª via = a via do razoável.
Tradicionalmente, a Lógica reduziu-se à Lógica Formal  à demonstração.
Perelman vai criticar esta redução. A Lógica não se reduz à Lógica Formal, os argumentos racionais não se restringem ao domínio da demonstração.


Necessidade de criar uma nova lógica a que Perelman chama Teoria da Argumentação (Nova Retórica).

Esta Teoria da Argumentação é uma Lógica do Preferível.


Traço fundamental que distingue a Teoria da Argumentação da Lógica Formal – a questão da adesão do auditório.

“Todo o discurso que não aspira a uma realidade impessoal depende da Retórica”  Sempre que um discurso visa uma adesão pessoal, está em campo uma atividade retórica.


O DISCURSO ARGUMENTATIVO
- REGRAS GERAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM ARGUMENTO
- Faça distinção entre premissas e conclusão.

- Apresente as suas ideias pela ordem que revele mais naturalmente o seu raciocínio ao leitor.

- Parta de premissas fidedignas.

- Use uma linguagem precisa, específica e concreta.

- Evite a linguagem tendenciosa.

- Use termos consistentes.

- Limite-se a um sentido para cada termo.
- PRINCIPAIS TIPOS DE ARGUMENTO
- Argumentos com base em exemplos:

- Use mais do que um argumento.

- Escolha exemplos representativos.

- Forneça informação de fundo relevante para a avaliação dos exemplos.

- Verifique se existem contraexemplos.
- Argumentos por analogia:

- Um só caso pode ser suficiente.

- O exemplo tem que ser semelhante num aspeto relevante.
- Argumentos de autoridade:

- As fontes devem ser citadas.

- As fontes devem ser qualificadas.

- As fontes devem ser imparciais.

- As fontes devem ser comparadas.

- (Ataques pessoais não desqualificam uma fonte).


- Argumentos sobre causas:

- Mostrar que a conclusão sugere a causa mais provável.

- Mostrar que a correlação dos factos não é uma mera coincidência.

- Mostrar a complexidade das causas.


- Argumentos dedutivos:

- Silogismos Categóricos, Hipotéticos (Modus Ponens e Modus Tollens) e Disjuntivos

-Redução ao absurdo.

- Sequência de argumentos dedutivos (ou argumentos dedutivos em vários passos)

- ESTRUTURA DE UM ENSAIO ARGUMENTATIVO
-Introdução

- Explicação da questão.

- Delimitação e unidade do tema.

- Subdivisão do tema (se for possível e útil).

- Apresentação de uma proposta precisa de trabalho.
- Desenvolvimento

- Apresentação dos argumentos um por um.

- Desenvolvimento completo dos argumentos.

- Consideração de objeções possíveis.

- Refutação ou confronto das objeções com argumentos.

- Consideração de alternativas.


- Conclusão

- Síntese dos resultados a que se chegou (não afirme mais do que mostrou)


O discurso argumentativo como “lugar” da liberdade.


Ética do discurso argumentativo  o recurso à racionalidade
Bom uso da retórica implica a subordinação a princípios éticos:

- Princípio ético, por excelência, o reconhecimento da autonomia, da capacidade de escolha do auditório.

- Esclarecimento da situação, das várias alternativas e dos seus pressupostos e consequências.

- Exige liberdade de expressão do pensamento.


Mau uso da retórica – a argumentação degenera numa forma de ludibriar o auditório, em função dos interesses dos interesses do orador.  Manipulação
Manipulação – uso indevido da argumentação com o intuito de levar os interlocutores a aderir acrítica e involuntariamente às propostas do orador.


PROVA LÓGICA

PROVA RETÓRICA

► demonstração

► justificação

► imposição de uma certeza (constringente)

► obtenção de adesão

impessoalidade

► pessoalidade

► an-histórica

situada

► abstrata

concreta

► rigorosa

► plausível

► diz respeito a estruturas formais

► reporta-se a convicções

► infalível

► falível

► não apela à decisão

► apela à decisão


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