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Diretrizes e estratégias para a modernização de coleções botânicas brasileiras com base na formação de taxonomistas e na consolidação de sistemas integrados de informação sobre biodiversidade

Ariane Luna Peixoto

Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Escola Nacional de Botânica Tropical

Rua Pacheco Leão 2040, CEP 22460-038, Horto, Rio de Janeiro-RJ

ariane@jbrj.gov.br



Maria Regina de V. Barbosa

Departamento de Sistemática e Ecologia, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Caixa Postal 5065, CEP 58051-970, João Pessoa-PB

mregina@dse.ufpb.br



Mariângela Menezes

Departamento de Botânica, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Quinta da Boa Vista, CEP 20940-040, Rio de Janeiro-RJ

mmenezes@mn.ufrj.br



Leonor Costa Maia

Departamento de Micologia, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

CEP 50670-420, Recife-PE

lcm@ufpe.br


Índice



Introdução 1

Sistemática de plantas e fungos no Brasil 2

Coleções botânicas brasileiras 3

Recursos humanos e capacidade instalada 5

Produção científica 8

Fontes de financiamento para a pesquisa e a capacitação em taxonomia vegetal no País 12

Diretrizes e estratégias para a modernização das coleções botânicas brasileiras 15

Referências bibliográficas 22





Introdução


A flora brasileira é considerada uma das mais ricas do mundo. Essa imensa riqueza natural constitui-se em patrimônio científico, cultural e econômico que precisa ser conhecido, preservado e explorado racional e criteriosamente. Em 1986, a Sociedade Botânica do Brasil (SBB) já apontava, no Plano Nacional de Botânica (PNB), uma política para o desenvolvimento da botânica brasileira visando diminuir a lacuna no conhecimento da diversidade vegetal e de fungos no País (Sociedade Botânica do Brasil, 1987).

Embora haja um fabuloso acervo de estudos clássicos sobre a flora nacional publicados no século XIX, nós brasileiros começamos a ter maior dinamismo no estudo da nossa diversidade a partir do início do século XX. O trabalho de poucos pioneiros marcou os primeiros passos da botânica brasileira no sentido de se conhecer a diversidade biológica do País (Leitão, 1937; Damasceno e Cunha, 1964; Peixoto, 1999). Entretanto, o grande impulso foi dado nas décadas de 1940 e 1950. Nesse período, vários estudantes foram iniciados na taxonomia de plantas e fungos, aproveitando o conhecimento acumulado tanto por especialistas estrangeiros quanto por brasileiros e o incentivo financeiro gerado pela criação das principais agências nacionais de fomento: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). É dessa época também (fevereiro de 1950) a criação da Sociedade Botânica do Brasil, que veio impulsionar os estudos nessa área (Barradas e Nogueira, 2000).

Na segunda metade do século XX, as universidades e os institutos de pesquisa voltados ao estudo da flora brasileira envidaram maiores esforços na coleta e na descrição de espécies, buscando documentar em coleções científicas a riqueza florística do País. Essas instituições carrearam esforços e consideráveis dotações orçamentárias para a formação de grupos de pesquisa em taxonomia. Esforço que resultou na consolidação de alguns grupos e na produção de levantamentos florísticos regionais, possibilitando a elaboração de projetos de floras regionais, como as floras dos Estados da Guanabara, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de Goiás (Barroso, 1965; Reitz, 1965; Schultz, 1970; Rizzo, 1981). Mais recentemente, projetos de flora e de listas florísticas em outros Estados ou regiões ganharam vulto e se encontram atualmente em pleno desenvolvimento, juntando-se assim àqueles iniciados em décadas anteriores e ainda em fase de desenvolvimento (Peixoto e Thomas, 2005). Entre eles, destacam-se as Floras de São Paulo (Wanderley et al., 2001) e do Distrito Federal (Cavalcanti et al., 2001) e a Listagem de Plantas do Nordeste1.

Entretanto, em razão da grande dimensão territorial do Brasil e do pequeno número de taxonomistas, muitas áreas geográficas e grupos taxonômicos permanecem sem qualquer caracterização. Por várias razões, o Sul e o Sudeste produziram um maior número de inventários biológicos, tornando o conhecimento sobre a diversidade dessas regiões muito mais abrangente e profundo que em outras regiões do País. Entretanto, há exceções, como os estudos micológicos realizados no Norte e no Nordeste brasileiros pelo atual Departamento de Micologia da Universidade Federal de Pernambuco (Maia, 2003).

Apesar do grande desenvolvimento observado nas últimas cinco décadas, o Brasil ainda carece de informações abrangentes sobre sua biodiversidade. Não há exagero em afirmar que se conhece menos de um terço da diversidade biológica brasileira, e que, portanto, ainda há muito a ser feito. O número de taxonomistas brasileiros em atividade atualmente, embora muito superior ao de décadas atrás, ainda é insuficiente para a tarefa de inventariar a biodiversidade brasileira. Para suprir essa necessidade, faz-se necessário formar, num curto espaço de tempo, um número significativo de taxonomistas. Destes, boa parte poderá ser capacitada nos centros de pesquisa existentes no País, enquanto, em alguns casos, haverá necessidade de capacitação no exterior, pois aqui não há especialistas em todos os grupos taxonômicos (Bicudo et al., 1998).

A preocupação mundial com a extinção de espécies aflige sobremaneira os brasileiros, uma vez que o conhecimento sobre a flora nacional ainda se mostra insuficiente para uma avaliação acurada do grau dessa perda. As espécies ameaçadas de extinção apontadas em diversas listas estaduais e aquelas presentes na lista nacional, elaborada em junho de 2005, mostram a necessidade de estudos detalhados visando minimizar o processo de extinção2. Há, porém, uma preocupação adicional pela presença de grande quantidade de espécies cujos dados hoje disponíveis são insuficientes para que se tome uma decisão sobre o seu status de conservação3. Os esforços conduzidos por algumas organizações e instituições no sentido de defender o patrimônio genético do País ainda estão longe de alcançar os objetivos desejados e precisam ser apoiados e/ou dinamizados com urgência.

Para alcançar esse propósito, é fundamental o desenvolvimento de uma política científica que contemple todas as áreas da botânica, desde a estrutural e taxonômica (fanerógamas, criptógamas e fungos) até a econômica, ecológica, fisiológica e fitogeográfica, de modo a possibilitar a conservação e o uso sustentável de ecossistemas e espécies. Essa política deverá envolver, em cada uma das áreas mencionadas, linhas de ação adequadas às necessidades em recursos humanos, pesquisa e infra-estrutura, incluídas as coleções científicas de plantas e fungos.

O objetivo deste documento é sintetizar o cenário atual da botânica no Brasil, tendo como foco as coleções científicas e o estado da arte do conhecimento da diversidade de plantas e fungos, com base predominantemente em informações contidas em cinco documentos básicos e três notas técnicas que se encontram disponíveis na página do Centro de Referência em Informações Ambientais4, elaborados por botânicos e micologistas vinculados a diversas instituições brasileiras, mas também em pesquisas em diferentes fontes, divulgadas na Internet ou publicadas em livros e periódicos, propondo ações direcionadas à formação e à capacitação de recursos humanos e políticas de absorção de pessoal, financiamento e incentivo à pesquisa neste campo. São propostos também sistemas de acompanhamento e mensuração da incorporação dos resultados em benefício do País.



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