Arquitetura e Urbanismo. Arquitetura e urbanismo contemporâneos apresentaçÃO



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Universidade de Marilia

Faculdade de Engenharia, Arquitetura e Tecnologia
Arquitetura e Urbanismo.

ARQUITETURA e URBANISMO

CONTEMPORÂNEOS

APRESENTAÇÃO

Este material foi elaborado para ser utilizada como suporte no 1° bimestre da disciplina Arquitetura e Urbanismo Contemporâneos, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FEAT- Unimar.

Não é o único referencial da disciplina, mas fonte de referência dos conteúdos abordados.

Prof. Arq. Ms. Walnyce Scalise



Marília

2007

SUMÁRIO
1ª PARTE - ARQUITETURA MODERNA: CONTINUIDADE OU CRISE

  1. AS MUDANÇAS DE PARADIGMA DA ARQUITETURA

  2. A REDEFINIÇÃO DO MOVIMENTO MODERNO

  3. A PRIMEIRA DIFUSÃO DO MOVIMENTO MODERNO

  4. ENGENHARIA MODERNA

5. 0 ORGANICISMO

  1. A INFLUENCIA ORGÂNICA NOS MESTRES RACIONALISTAS

  2. COMPARAÇÃO ENTRE RACIONALISMO E ORGANISMO

  3. O ESTILO INTERNACIONAL

  4. O URBANISMO RACIONALISTA (PÓS 2ª GUERRA)

  5. CARACTERÍSTICAS FORMAIS DA ARQUITETURA DA 3ª GERAÇÃO

  6. A CONTINUIDADE DA ARQUITETURA EXPRESSIONISTA.

  7. CONTINUAÇÃO DOS TRABALHOS DOS MESTRES: GROUPIUS, MIES, LE CORBUSIER, AALTO, WRIGHT

  8. A REVISÃO FORMAL NOS ESTADOS UNIDOS

  9. A ARQUITETURA BRITÂNICA: NEOBRUTALISMO E ESTRUTURAÇÃO URBANA

  10. A NOVA CULTURA URBANA

  11. A ARQUITETURA NÓDICA: NEOEMPIRISMO

  12. CULTURA E ARQUITETURA ITALIANA: ZEVI, ARGAN


2ª PARTE - A CONDIÇÃO PÓS- MODERNA

  1. 1965- 1977 - A CONDIÇÃO PÓS- MODERNA

  2. NOVO FUNCIOLISMO E A ARQUITETURA COMO EXPRESSÃO TECNOLÓGICA

  3. OS METABOLISTAS JAPONESES

  4. A ARQUITETURA NEOPRODUTIVISTA

5. A FORTUNA TECNOLÓGICA DO ANOS 70

  1. ARQUITETURA E ANTROPOLOGIA

  2. A HERANÇA DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO

  3. A BUSCA DA RACIONALIDADE NA DISCIPLINA ARQUITETÔNICA

  4. A ARQUITETURA COMO SISTEMA COMUNICATIVO

  5. MANIFESTOS E MECANISMOS PÓS MODERNOS

  6. A ARQUITETURA DO CONCEITO E DA FORMA


3ª PARTE - A DISPERSÃO DAS POSIÇÕES ARQUITETÔNICAS

  1. 1977-1992 - AS POSIÇÕES ARQUITETÔNICAS

  2. "REVIVAL" HISTORICISTA E VERNACULAR

  3. CLASSICISMO PÓS MODERNO

  4. A CONTINUIDADE DO CONTEXTUALISMO CULTURAL

  5. O URBANISMO CONTEXTUALISTA

  6. A VERSATILIDADE DO ECLETISMO

  7. A OBRA DE ARTE COMO PARADIGMA DA ARQUITETURA

  8. A NOVA ABSTRAÇÃO FORMAL

  9. A SAIDA DA NOVA TECNOLOGIA


1ª PARTE - ARQUITETURA MODERNA: CONTINUIDADE OU CRISE

1. AS MUDANÇAS DE PARADIGMA DA ARQUITETURA

A arquitetura depende de muitos fatores e responde por uma grande quantidade de solicitações de diferentes índoles. Para contestar a toda essa complexidade ao longo da história, a arquitetura tem precisado de paradigmas que a legitimam.

Toda a tradição clássica é uma perfeita construção deste sentido da legitimação: as ordens, os textos de referência (Vitrúvio) e os modelos (Grécia, Roma) definiram seu corpo conceituai.

O ecletismo do final do século XIX que tomou como fonte de legitimação a mesma história dos estilos arquitetônicos (neoclássico, neogótico, etc.) é formado por um paradigma renovador: a máquina. As tecnologias do aço e do concreto permitem a renovação formal juntamente com as vanguardas plásticas do começo do século.

As diversas abordagens de mestres do Movimento Moderno: construtivistas, futuristas, neoplasticistas - tinham em comum a confiança em que o novo universo da máquina (motores, barcos, aviões..) transformaria radicalmente o status de objetos, edifícios e cidades.

Após a 2ª Guerra Mundial, este paradigma da máquina se enfraquece à medida que surge um panorama de dispersão, fruto principal da aplicação dos princípios gerais e universais das vanguardas em cada contexto cultural, social e material.

Uma das correntes que toma maior coerência é aquela que tem como referência predominante o humanismo, considerando culturas locais e as arquiteturas vemaculares. Utzon, Van Eyck, Barragan, Smithson, etc...

A arquitetura popular e referências orgânicas da natureza passam a ser fontes de inspiração, a linguagem da máquina é substituída pela linguagem metafórica do orgânico.



2. A REDEFINIÇÃO DO MOVIMENTO MODERNO

Se a década de 20 foi um período de difusão e propagação do Movimento Moderno, sustentado pela posição a política defendida por Gropius, isto é, que o trabalho coletivo não deveria se identificar com direções políticas, nos anos 30 a situação se modifica.

A década de 30 foi marcada por uma crise política, econômica e social que resultaria na Segunda Guerra Mundial. Verificou-se que as experiências concretas, especialmente públicas, foram bloqueadas, uma vez que o debate político se modifica; os partidos democráticos lutam pela sua sobrevivência devido a novos e crescentes movimentos autoritários.

O conflito entre o pensamento moderno e os regimes autoritários de alguns países europeus acaba por isolar as experiências, chegando, por volta de 1935 em diante, à total supressão destas (Alemanha e Áustria) ou ao seu desenvolvimento marginal (França e Itália).

Portanto, quando a arquitetura racionalista começa a se estender universalmente, tanto pelas influências de Le Corbusier no exterior como pela própria imigração dos mestres alemães, o Movimento Moderno toma novos caminhos.

A restrição do campo de trabalho e a pressão política fazem surgir, nos países centrais, um academismo monumental e neo-decorativo, representado por uma arquitetura de celebração, tipicamente neoclássica e tradicionalista. Paralelamente, há a absorção do modernismo pelo repertório eclético, o que diminui a polêmica em relação aos conteúdos e limitasse à discussão dos esquematismo dos preceitos formais modernos.

Surge o "Estilo Modernista", uma versão suavizada da arquitetura moderna, na qual acredita-se que a solução estava na atenuação do tecnicismo e da regularidade, além do retomo a uma arquitetura mais livre e humana, vinculada a valores tradicionais.

Este racionalismo formalista caracteriza-se por:



  • Usar tetos planos e ambientes sem ornamentação;

  • Usar paredes claras de textura perceptível, não totalmente brancas e lisas (revestimentos em pedra ao redor das aberturas e linhas traçadas sobre o reboco);

  • Empregar aplicação decorativa em móveis industrializados;

  • Enfatizar contrastes fortes, principalmente no desenho e fotografia.

Apesar dessa crise, de um lado academicista e do outro formalista, há o nascimento de uma nova vertente pós-funcionalista no trabalho de projetistas principalmente do norte da Europa.

Esta nova versão da arquitetura moderna nasce no clima do Funcionalismo e se propõe a libertar-se de seus dogmas. Não era mais necessário criar um limitado vocabulário figurativo e rígidas fórmulas para se opor ao tradicionalismo, como no primeiro período. O problema principal era encontrar um elo entre o utilitarismo tecnicista e o abstracionismo formal, mantidos separados pelos mestres nacionalistas.

A nova corrente começa a tender da não-cor e forma pura para o uso de materiais naturais, como madeira e pedra, para assim dar uma expressão familiar, cotidiana e folclórica. Além disso, ela começa a incorporar as mais recentes investigações sobre controle ambiental e estudo da acústica.

3. A PRIMEIRA DIFUSÃO DO MOVIMENTO MODERNO

Os principais motores para a evolução do Movimento Moderno:



  1. A simbiose dos pressupostos modernos com as abordagens de cada um dos contextos, culturas, identidade e tradições.

  2. A necessidade de renovação formal, superação do Estilo Internacional.

  3. O papel da memória na evolução da Arquitetura Moderna, superar a ruptura com a tradição.

  1. A cidade - o urbanismo nacionalista, a separação das funções - o zoneamento: novos bairros e cidades.

A condição contemporânea lida com uma concepção histórica não mais vista como completa, fechada, aceita a descontinuidade, o pluralismo e contrastes.

"A primeira evolução (1930-1945)"

O Movimento Moderno e a política

Ligação do ponto de vista ético entre a forma e a política. Exs.: a transparência das fachadas com estrutura independente associada à noção de honestidade: a planta livre relacionada com democracia e amplas possibilidades: a ausência de ornamentos demonstrando economia.

O Estilo Internacional surge em 1931 com a Exposição de Obras arquitetônicas de uma arquitetura funcionalista, cúbica. lisa, fachadas brancas, metal, vidro. Ex. Ville Savoye (Le Corbusier).



"A Missão da Segunda Geração do Movimento Moderno"

Ampliar pontos básicos do Movimento Moderno, nova monumentalidade. A América Latina surge como principal foco de interpretação livre e exuberante da nova tradição moderna (Brasil, Argentina, México, com Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Clorindo Testa, Félix Candeia, entre outros) com versão própria, monumentalidade.

1942 - O "modulor" de Le Corbusier, com o usuário ideal.

Anos 50 - O gosto individual, a diversidade cultural, o contextualismo, a tradição.

Na difusão do Estilo Internacional do Pós-Guerra, exemplos de Mies Van der Rohe com espaços universais e estruturas que aceitam quase todo o tipo de função.
4. ENGENHARIA MODERNA
O desenvolvimento do Movimento Moderno deu-se paralelamente a um gradativo empenho tecnológico, sem o qual as bases racionalistas não poderiam ser modificadas. Novos princípios estruturais permitiram a ampliação de espaços cobertos e a redução do número de apoios.

Neste período há a reatação dos vínculos entre arquitetura e engenharia, perdidos no século XIX: novamente a criança de formas se vê ligada à profundidade científica da técnica estrutural.

O mérito da engenharia moderna foi romper, pela primeira vez, com decisão, o Classicismo e enfrentar os problemas estáticos sem preconceitos. As principais inovações no período foram:


  • Desenvolvimento de estruturas na forma de abóbodas-casca;

  • Uso de curvas geradas por seções cônicas e parabólicas;

  • Emprego de peças pré-moldadas combinadas entre si e da protenção do concreto armado.

São alguns engenheiros que se destacaram durante o Movimento Moderno:

  1. Robert Maillart (1872-1940)

Engenheiro suíço que inovou a construção de pontes de C.A., concebendo-as como peças únicas, mas mantendo a continuidade de seus elementos: arco portante, plataforma de sustentação da via de transporte e componentes de ligação.

  1. Eugène Freyssinet (1879-1962)

Engenheiro francês que foi o grande inovador do concreto protendido, através do estabelecimento das condições praticas para sua utilização

c) Pier Luigi Nervi (1891)

Engenheiro e arquiteto italiano que realizou importantes pesquisas na construção pré-moldada e esportiva.

5. O ORGANICISMO

O organicismo constituiu uma atitude cultural peculiar e autônoma, cujos signos se manifestam antes, durante e depois do período racionalista. Esta propunha uma maior liberdade estereométrica, a recuperação dos valores individuais e psicológicos e uma modalidade de intervenção urbana voltada para o desenvolvimento regional, como meio de resolver a congestão hipertrófica das metrópoles.

Ele está para o Racionalismo assim como o Barroco estava para o Renascimento. Trata-se do mesmo fenômeno lingüístico, mas com uma diferença essencial: enquanto o Barroco reintegra as três dimensões renascentistas, o orgânico faz o mesmo com a quadridimensionalidade cubista.

Enquanto o Barroco raciocina em termos de pareces onduladas e dos bastidores que formam as ruas, o orgânico pensa em termos de volumes e espaços da cidade-paisagem.

O organicismo da década de 30 veio às correntes racionais européias, criticando principalmente:


  • O geometrismo e ‘“nudismo” racionais (a preocupação arquitetônica deixa de ser puramente volumétrica, mas volta-se também ao espaço e ao fator psicológico);

  • O universalismo (desprezando os "Standards” artificiais representando pelas caixas brancas, busca o particular);

  • O retangularismo (de inspiração orgânica, busca a pluralidade das formas onduladas ou diversas da ortogonalidade).

Na arquitetura orgânica, é impossível contemplar o edifício como uma coisa e o entorno como outra: o espírito com que esta é concebida coloca tudo como uma coisa só. O edifício é tido como obra de arte expressiva e vinculado à vida moderna, e principalmente adequada às exigências individuais de seus usuários.

Dizer que ela é inspirada na natureza não significa que imitava as formas naturais. Ela apenas se estendia como um vegetal, mas não precisava parecer um ou significar 'retorno à natureza". Não era ART NOUVEAU.

Além disso, não se pode confundir com Expressionismo, no qual os edifícios tentavam representar sentimentos, estados de espírito e seu conteúdo emotivo e simbólico. A atenção que os arquitetos orgânicos prestavam ao homem e à vida ia muito além da simples reprodução nos edifícios das sensações físicas humanas.

Basicamente, podemos encontrar duas bases irradiadoras do Organicismo durante o Movimento Moderno na década de 30:



  • A européia representada pelas experiências escandinavas de apropriação da tradição, em especial na atividade de Alvar Aalto;

  • A americana representada pela postura de Frank Lloyd Wright e seus precursores, numa visão integradora da arquitetura moderna.

São estas as principais características da linguagem arquitetônica organicista:

  • Reflexão, na seqüência e na ordenação de seus espaços, dos movimentos reais e fundamentais do homem na construção, o que é feito em nome de uma função psicológica e espacial, ultrapassando os horizontes figurativos do racionalismo;

  • Integração completa da realidade estrutural e espacial do edifício, não decompondo-o em planos, mas sim fazendo-se a projeção no edifício do complexo das atividades humanas que nele se desenvolvem;

  • Tendência ao gosto pelas formas livres, ângulos diferentes de 90° variedade e riqueza de materiais, uso de curvas etc.

6. A INFLUÊNCIA ORGÂNICA NOS MESTRES RACIONALISTAS

Em meados da década de 30, Walter Gropius principia na Inglaterra uma nova pesquisa, esforçando-se por assimilar e elaborar metodicamente as características do ambiente britânico. Juntando-se com Edwin Maxwell (1899) em 1933, faz uma série de projetos onde as idéias modernas são adaptadas ao ambiente inglês. O melhor exemplo é a Escola de Impington, de 1936, totalmente inserida num espaço verde, com uma edificação aberta ao exterior e uso de tijolos.

Único país que resiste ao Nazismo, a Inglaterra sobreviveu à decadência do Racionalismo e acolheu as experiências organicistas. Alem de Gropius, Marcel Breuer e Erich Mendelsohn também lá se instalaram, ingressando-se ao M.A.R. S na luta pela arquitetura moderna bem mais humana, ou seja, enriquecida com o vocabulário orgânico.

No início dos anos 30, devido à forte reação acadêmica, a arquitetura na França faz um retorno ao Classicismo, o que coincide com o exterior, não só em relação à planta simétrica e em bloco, mas também a uma ornamentação em que se sublinha, tal como no passado, os elementos focais da composição.

Após 1933, Le Corbusier executa obras para uma clientela restrita, uma vez que a arquitetura moderna é cortada dos encargos públicos e de uma grande parte da construção privada. Começa então a explorar novos sistemas de construção e novos padrões funcionais (materiais rústicos, uso de brise-soleil e pré-fabricação metálica).

Inicialmente, o Brise-soleil era um mero aparato técnico (anteparo para os raios solares) para depois se tomar um pórtico praticável, como no Centro de Negócios em Argel, o que o leva a projetar externamente a estrutura de concreto armado, deixando nas concavidades as vedações leves e as vidraças.

O edifício aos poucos perde o caráter geométrico abstrato que derivava do vidro e do reboco branco, tornando-se capaz de absorver os sinais do tempo e de ser incorporado na paisagem natural.

A principal contribuição de Le Corbusier no período vanguardista da arquitetura moderna foi seu amor pelos volumes simples e puristas diferentemente de Gropius, que preferia a articulação e a interpenetração de volumes.

Enquanto que para Le Corbusier, a construção da estrutura do edifício fechava e envolvia os ambientes dentro de uma forma pré-estabelecida, para Gropius, não havia a necessidade duma circunscrição e exigência de uma volumetria pura.

Além disso, os pilotis do primeiro negavam a continuidade entre o edifício e a natureza, enquanto que a arquitetura de Gropius e de Mies propagava-se pelo terreno.

São obras de Le Corbusier desta segunda fase:


  • 1930: "Villa Mandrot"

  • 1935: Casa Auxmathes e casa de "weekwnd" perto de Paris

  • Muros de pedra e abóbodas de C.A. rebaixadas

  • 1938: Citté des Affaires (Centro de Negócios) em Argel

  • Nova concepção de arranha-céu, brise-soleil como "loggias”.


Alvar Aatto (1898-19761)

Arquiteto finlandês considerado precursor europeu da arquitetura orgânica da década de 30. Diferentemente dos mestres nacionalistas, não escreveu livros, limitando-se a algumas palestras e declarações. Não pretendia propor teorias, princípios ou fórmulas de composição, mas uma revisão do pensamento funcionalista.

Principia-se em Turku, em 1925, e logo fica conhecido no país e no exterior pelo prédio do jornal TURUN SANOMAT, de 1928/30, pelas corretas e rigorosas formas internacionais e uso correto do C.A.

No período de 1932 a 1934, Aalto desenvolve móveis de compensado curso, onde as características estáticas da chapa são aproveitadas de modo a eliminar o entrelaçamento habitual (Firma Artek).

Tais moveis, a serem produzidos em série, eram concebidos conforme a linha orgânica do corpo humano, quando este repousa, lê etc., mas sempre levando em consideração a produção industrial (pureza de linhas e planos), para haver um barateamento e maior viabilidade.

Gradativamente, Aalto cria uma nova organicidade, onde nenhum elemento é livre por si mesmo: estrutura, fachadas, plantas, janelas tudo está ligado a fim de libertar o homem e o espaço. Aproveitando-se dos progressos da produção industrial, reivindica uma maior modéstia (menor escala) e parte do regionalismo buscando a nacionalidade de formas funcionais e expressivas, não necessariamente ortogonais.

Principais obras:


  • 1929: Sanatório em Paimio

  • Preocupação com o aspecto utilitário e funcionalidade mecânica visando o bem-estar psicológico dos doentes: distribuição lógica das cores (anti-monotonia), controle de ruídos e ventilação, relação direta com a paisagem, obliqüidade e importância aos detalhes.

  • 1930: Pavilhão finlandês na Exposição Universal de Amberes (com ERIK BRIGGMAN) for-mas curvas e ondulares de madeira.

  • 1934: Biblioteca em Viipun

  • Complexo mecanismo de distribuição com grande empenho técnico e funcional: alturas variáveis dos ambientes, sistema de iluminação difusa na saia de leitura, unidade entre teto e parede em superfícies onduladas no auditório, ênfase nos detalhes como corrimãos de madeira e regionalismo.

Complexo industrial em Sunilla

Pavilhão finlandês na Exposição Internacional de Paris - paredes onduladas de madeira promovendo abrigo psicológico e sombra.



  • 1938: "Villa" Mairea

  • Organismo geometricamente simples com variedade de acabamentos e continuidade entre arquitetura e decoração (toque de modernidade no uso da madeira)

  • 1939: Pavilhão finlandês na Exposição Internacional de New York

  • Decomposição do espaço prismático através de uma ciclópica parede ondulada e divisão da altura em quatro partes, que pendem sobre o observador.

Em 1938, Aalto vai lecionar nos EUA, acabando por inserir-se nas polêmicas do ambiente americano e desenvolvendo uma arquitetura definitivamente rompida do esquematismo, igualitarismo e estandardização.

Suas idéias e características mais marcantes foram:



  1. Maior preocupação com a vida do homem, ou seja, com a psicologia e os valores regionais;

  1. Maior habilidade com pormenores, diferentemente da visão conjunta e harmoniosa dos racionalistas (importância a detalhes, como maçanetas, lustres, corrimãos, etc.);

  2. Maior preocupação tecnológica, evitando clichês tecnicistas (uso de madeira tratada, avanços acústicos e luminotécnicos etc.);

  3. Abandono do dicionário cubista: liberdade dos enquadramentos neoplásticos, dos jogos volumétricos, em nome de amplas paredes onduladas e formas oblíquas.

"A Natureza - a biologia oferece múltiplas e exuberantes formas: com as mesmas construções, os mesmos tecidos e as mesmas estruturas celulares, é capaz de engendrar milhares de combinações, das quais cada uma é exemplo de um alto nível formal. A vida humana procede das mesmas raízes."
Frank Lloyd Wright (1869-1959)

Arquiteto norte-americano, nascido em 08/06/1869, em Richard Center, Wisconsin, considerado profeta e gênio do Organicismo, uma vez que antecede em 30 anos a experiência nacionalista européia.

Já a partir dos anos 80 do século XIX, Wright inicia uma renovação da arquitetura americana auto-intitulada "orgânica", contrapondo-se a todo resíduo classicista de Louis Sullivan e a Escola de Chicago (volumes isolados, superfícies lisas, purezas cristalinas e geometriamos abstratos).

Ele começou a exaltar a horizontalidade, a linha da terra e os materiais inacabados: a casa ancorada no solo com fator de integração da paisagem. Desde o início de sua obra, os edifícios fazem parte da Natureza, da qual parecem brotar harmonicamente, uma vez que suas formas, cores e materiais são adaptados ao entorno.

Para Wright, a expressão do edifício nunca depende primordialmente da distribuição volumétrica ou das leis geométricas, proporcionais ou dimensionais, mas sempre do conjunto arquitetônico - cada detalhe tem a mesma importância que todo o complexo. Em seus desenhos, a paisagem desempenha uma função eminente como complementação da obra.

Como não havia arquitetura na Universidade de Wisconsin, ele acabou ingressando em Engenharia Civil, do que nunca se arrependeu: "Felizmente graças a isso, livrei-me da maldição que era o ensino arquitetônico dessa época, tão sentimentalizado nos EUA com sua falsa orientação cultural e sua ênfase equivocada pelo sentimento".

Entretanto, não "agüentando mais perder tempo na universidade", Wright abandona Madison e vai para Chicago, onde torna-se projetista no escritório de Louis Sullivan, do qual adotou seu lema:" A forma segue a função".

Em 1894, aos 25 anos, inicia a trabalhar por conta própria, cirando casas tão pessoais e características que seus donos lhe davam afeto como se fossem seres vivos: esta é sua primeira fase, a das Praire Houses, que dura até aproximadamente 1910.

Estas casas apresentavam os traços básicos da arquitetura orgânica de Wright, que criou um código individual e próprio para poder articular suas admiráveis e inimitáveis mensagens.
São estas as principais características das Praire Houses:


  1. Uso simbólico da chaminé como ponto de partida para a distribuição radial da planta, que se distribui no entorno deste núcleo de lazer da forma cruciforme, obtida normalmente na interpretação de dois volumes de alturas diversas;

  2. Sentido orgânico de expansão da planta, que é um espaço articulado e contínuo, inspirado na tradição rural e concebido como ambiente único, que é diferenciado para satisfazer exigências particulares, como descanso, alimentação, lazer, sociabilidade etc.

  1. Ênfase dada ao espaço interior, na qual a concepção da casa é a de refúgio, no qual o ser humano pode se esconder e se proteger da chuva, vento e luz (pequeno uso do vidro e paredes brancas);

  2. Uso de pesadas coberturas de proteção, conferindo maior maleabilidade e liberdade da rigidez nacionalista, através de planos horizontais largos com protetores sobressalentes como se desprendidos do edifício;

  3. Eliminação da ornamentação supérflua e inclusão de inovações tecnológicas: uso de janela-parede, concreto armado, balanços, calefação, etc.

As mais importantes Praire Houses são:

  • 1893: Casa Winslow

  • Início de acentuação das linhas horizontais embora a planta ainda seja retangular compacta, mas com indicação de expansão pela "bow-window", incorporação da cozinha à copa e sala (plano aberto) e ampliação dos terraços.

  • 1900: Casa Hickox, Kankakee, Illinois

  • 1902: Casa Willitts

  • 1908: Casa Roberts

  • 1909: Casa Roble, Woodlawn Avence, Chicago.

  • Traçado cruciforme determinado pela implantação urbana num organismo de ordem dinâmica e original, ao invés de fixo e simétrico: completa o ciclo das Praire Houses.

Neste período, Wright fez outros projetos além de casas, como o Larkin Building, em Buffalo e o Templo de Oak Park, onde ele antecede a decomposição em planos neoplástica, embora ainda preso à simetria e rigidez estereométrica.

O período de 1911 a 1930 foi marcado por muitos problemas em sua vida particular conflitos conjugais e relações complicadas o fizeram se afastar da arquitetura e viajar para Europa e Japão. Em 1911, iniciou a construção do Taliesin ("Resplandecente") em Spring Green, o estúdio próprio que incendiou-se por duas vezes e incansavelmente reconstruído.

Foram estas as principais obras de sua segunda fase a partir da década de 30:


  • 1932: Escreve o livro "The Disappearing city", onde critica o funcionalismo inorgânico e mecanicista, prevendo a decadência das cidasdes atuais e propondo o Urbanismo Naturalista.

  • 1934: Projeto de Broadacre City

  • Baseado na teoria de descentralização de seu livro cria uma comunidade ideal onde as famílias seriam isoladas dentro de uma ampla zona verde, cada qual com um acre (4000m2) e interligadas por auto-estradas aos demais setores funcionais.

  • 1936: Conjunto de escritórios Johnson, em Rancine.

  • Morfologia de elementos curvilíneos (estrutura elástica de colunas em forma de cogumelo) num espaço livre e antisísmico.

  • 1936139: Casa Kaufmann (Falling water), Bear Run, Pennsylvania

  • Estrutura em concreto armado e pedras locais apoiada num maciço, rochoso, com três andares e intentando relacionar as duas margens do rio Bear Run e ligar-se com a natureza;

  • Desarticulação progmática e assimétrica de volumes e espaços: retrata a desordem orgânica da natureza do lugar, tentando traduzir a força selvagem das rochas e rios (forma de projetar de dentro para fora)

  • 1938: Casa-estúdio de Taliesin West, Paradise Valley, Arizona.

  • Uso de angulação de 30 e 60º, valorização de rochas ásperas e angulosas, ligação enfática à terra e inserção na natureza desértica da região.

A partir de 1936, a obra de Wright suscita forte interesse na Europa e no mundo inteiro, do qual decorrem inúmeras publicações. Um de seus valores principais foi a criança de um repertorio vastíssimo, sem se deixar aprisionar por uma única maneira de fazer arquitetura, no mesmo período, coexistem diversas famílias morfológicas.

Para Wright, o mais importante era a liberdade da forma. Rebelou-se contra o cubo e o paralelepípedo ("a caixa aborrecida") e adotou uma crescente variedade de formas. Cada lugar novo e cada situação demandavam um novo conjunto de formas e detalhes. Ele nunca foi escravo de normas, nem mesmo das suas.

Um grupo de mais de 50 discípulos, o Taliesin Fellowships, a ele se juntou a partir da década de 40, influenciando toda a arquitetura mundial.

Essas são as principais idéias e contribuição da arquitetura de Frank Lloyd Wright:



  1. "Nos primeiros anos de vida tive de escolher entre a arrogância honrada e a humilde hipócrita. Escolhi a primeira e até agora não tive motivo para mudar de opinião: pretendo ser o maior arquiteto que jamais existiu".

  2. "O arquiteto constrói para a vida que se vive dentro da construção. A máquina deve construir o edifício, mas não é preciso construí-lo como se também este fosse uma máquina".

  1. "Organicismo é mais uma atitude ideológica que um código-estilo propriamente dito. Que Deus me conceda os luxos da vida e renunciarei, com prazer, ao necessário".

  2. Interrelação entre edifício e natureza, numa distribuição livre sobre o terreno, com planta flexível e cômoda: a casa deveria se fundir ao que a rodeia, de modo que seja impossível dizer onde começa;

  1. Acentuação das linhas horizontais e verticalidade dos elementos dispostos nos pontos rodais: uso de superfície planas a diversas profundidades, em retrocesso e balanço, porticado sobressalente, morfologia planimétrica e espacial curvilínea etc.

  2. Uso de materiais rústicos, textura dos muros e dinâmica das linhas: materiais naturais (granito, pedra de deserto, madeira bruta, etc.), unidades modulares em angulação, etc.

  3. Antecipação de questões da arquitetura contemporânea: dimensão tópica da arquitetura e urbanismo, questões ecológicas, criança tipológica e morfológica, etc.

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