Arquivo e Memória sobre a Roda dos Expostos do Rio de Janeiro Archive and Memory about the Wheel of the Exposed in Rio de Janeiro



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Arantes, E. M. de M. Arquivo e memória sobre a Roda dos Expostos do Rio de Janeiro





Arquivo e Memória sobre a Roda dos Expostos do Rio de Janeiro
Archive and Memory about the Wheel of the Exposed in Rio de Janeiro

Esther Maria de Magalhães Arantes1


Resumo
Este artigo apresenta um estudo sobre a Roda dos Expostos da cidade do Rio de Janeiro, a partir de levantamentos em arquivos existentes sobre o tema, bem como estudo da literatura. Posteriormente, apresenta memórias da Roda, escutadas de pessoas que prontamente se ofereceram para relatá-las, após saberem que coordenávamos uma pesquisa sobre o tema.
Palavras-chave: Roda dos Expostos; arquivo; memória.
Abstract
This article presents a study about the Wheels of the Exposed in the city of Rio de Janeiro, based on existing archives about the issue, as well as on a study of the literature. Further on, it presents memories of the Wheel, heard from people who promptly volunteered to report them after getting to know that we would coordinate a study on the issue.
Keywords: Wheel of the Exposed; archive; memory.

Arquivo: a Roda dos Expostos e os Documentos
Do século XII ao século XV, como afirmação de religiosidade e em meio à formação da nacionalidade, um incontável número de igrejas e mosteiros foram construídos em Portugal, em volta dos quais se reuniam doentes, velhos, viúvas, órfãos e demais necessitados. Ao lado das ordens religiosas como beneditinos, capuchos, dominicanos e das ordens militares como Aviz, Templários, Malta, dentre outras, também se ampliou o número de confrarias piedosas dedicadas às Obras da Misericórdia – não se devendo confundi-las com as corporações de mestres, compostas apenas de pessoas de mesma profissão (Correia, 1990)

Ao final do século XV, no entanto, e à semelhança do que se passou em outros países, os empreendimentos caritativos em Portugal encontravam-se diante de grandes dificuldades, tanto em decorrência de denúncias de apropriações indébitas das rendas dos legados pios como diante da impossibilidade de cumprimento de um número incalculável de missas, orações e penitências que foram se acumulando ao longo dos anos como contrapartida assumida com os fiéis que haviam feito as doações. Tais dificuldades levaram o Rei de Portugal a solicitar ao Papa permissão para unir pequenos estabelecimentos caritativos, provenientes de legados pios diversos, em grandes casas hospitalares (Correia, 1990).

Implicada nesse contexto, fruto e ao mesmo tempo parte constitutiva dessa reforma que possibilitou maior participação dos leigos na administração da assistência, através das confrarias e irmandades, e um maior reconhecimento, ainda que incipiente, do papel da Medicina, alcançou a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia grande projeção e desenvolvimento.

Destinadas à realização das Obras de Misericórdia, sendo sete espirituais (ensinar os simples, dar bom conselho, castigar com caridade, consolar os tristes, perdoar as ofensas, sofrer as injúrias, pedir a Deus pelos vivos e pelos mortos) e sete corporais (curar os enfermos, remir os cativos e visitar os presos, vestir os nus, dar de comer aos famintos, de beber aos sedentos, abrigar os viajantes e os pobres e enterrar os mortos), as Irmandades da Santa Casa da Misericórdia se espalharam por toda Portugal e colônias, incentivada a sua difusão por D. Manuel, a partir do modelo da Misericórdia de Lisboa, fundada em 14982.

Assim como as portuguesas, as Misericórdias fundadas no Brasil ocupam, inegavelmente, lugar de destaque na história da assistência, entendendo-se como tal, à época, as práticas caritativas ligadas aos costumes e ensinamentos cristãos e, portanto, realizadas pelo amor de Deus e em nome da salvação da alma. No século XVI foram fundadas as Misericórdias de Olinda, Santos, Bahia e São Paulo, dentre outras. No Rio de Janeiro, a Santa Casa teria sido fundada por volta de 1582 por Anchieta, não havendo consenso entre os pesquisadores sobre essa data3. Para os propósitos deste texto, no entanto, é suficiente levarmos em consideração que as Irmandades da Santa Casa da Misericórdia prestaram sempre assistência aos doentes, pobres e necessitados.

Assim como era a prática em Portugal, as primeiras iniciativas assistenciais em relação ao recém-nascido no Brasil se deram instalando-se Rodas dos Expostos nos hospitais das Misericórdias ou em prédios anexos. No século XVIII, três foram as Rodas criadas no Brasil: Salvador (1726), Rio de Janeiro (1738) e Recife (1789), sendo as demais criadas no século XIX.

As fontes primárias para o estudo dos expostos da cidade do Rio de Janeiro encontram-se nos arquivos tanto do Educandário Romão Duarte como da própria Santa Casa, onde se podem consultar os Livros de Matrículas e de Batismo dos Expostos, o Regimento da Casa dos Expostos, além de outros documentos. Outras fontes são as Teses da Faculdade de Medicina e o acervo do Museu da Sociedade de Pediatria, além dos Relatórios do Ministério do Império e os processos do antigo Juizado de Menores.

Fundada a partir de uma doação de Romão de Mattos Duarte4, a Casa dos Expostos da cidade do Rio de Janeiro funcionou por um longo tempo em acomodações anexas ao Hospital Velho da Misericórdia, mudando várias vezes de local, até se estabelecer onde atualmente se encontra, ao lado do Metrô do Flamengo, na Rua Paulo VI. De acordo com Ubaldo Soares, em 1810, recebeu como legado o prédio da Rua da Misericórdia 17, tendo também a Mesa da Misericórdia, em maio de 1821, “providenciado a cessão de duas pequenas moradas na mesma rua”. Posteriormente, é transferida para a Rua Santa Teresa (Soares, 1959, p. 21).

A Casa dos Expostos, hoje “Educandário Romão de Mattos Duarte”, passou por verdadeira via crucis, até estabelecer-se no endereço atual. Esteve na Rua Santa Teresa até 1850; depois, de 1850 a 1860, no Cais da Glória, na Rua da Lapa; Rua dos Barbonos, atual Evaristo da Veiga de 1860 a 1906; depois Praia do Flamengo nº 82/3 e Rua Senador Vergueiros, de 1906 a 1911; e por fim, a sede definitiva, na Rua Marquês de Abrantes, 48, em terreno que pertencia ao Conde D’Eu, genro do Imperador D. Pedro II. (Zarur, 2003, p. 23).

Segundo Ubaldo Soares, importante historiador da Casa dos Expostos do Rio de Janeiro, não se pode estabelecer com segurança se o mecanismo da Roda existiu desde o início da Casa dos Expostos ou se foi implantado posteriormente, bem como a data em que teve início o registro das entradas dos expostos.

Pelo alvará de 8 de outubro de 1778, a Rainha D. Maria I ordenava ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro que contribuísse para a criação dos expostos, o que segundo Ubaldo Soares não se verificou. Posteriormente, pela Carta Régia de 14 de dezembro de 1815, destinou-se o imposto de dois réis sobre “cada alma da cidade” para a criação dos expostos, resultando também em letra morta. Outra solicitação, que também resultou em nada, ainda segundo Soares (1959), foi o pedido feito pela Mesa da Santa Casa, em 1818, para que se destinasse à Casa dos Expostos um imposto sobre cada alqueire de sal que entrasse no porto. No entanto, o Senado da Câmara contribuiu, de 1800 a 1824, com a importância de 2:400$000 anuais – quantia ainda insuficiente para cobrir os gastos com os expostos. Apenas no Reinado de Pedro II obteve a Casa dos Expostos maior atenção, condicionada, no entanto, à “vontade imperial” (Soares, 1959, p. 119-122).

Segundo Marcílio (2001), as Câmaras sempre relutaram em aceitar assistir às crianças expostas, considerando esse um encargo acima de suas possibilidades. Com a Lei dos Municípios, de 1828, a Assembléia Legislativa Provincial é que deveria arcar com as despesas dos expostos junto às Misericórdias. Segundo a autora, com essa medida, estava-se oficializando a Roda como uma prestação de serviço do Estado, perdendo-se seu caráter eminentemente caritativo. No entanto – é ainda Marcílio que nos esclarece: “Ao contrário do que se esperava com a Lei dos Municípios, as rodas não se multiplicaram tanto. Foram criadas apenas uma dezena delas em algumas poucas capitais de províncias ou cidades mais importantes” (Marcílio, p. 2001, p. 62).

Algumas dessas Rodas foram de pequena dimensão, sendo que no estado do Rio de Janeiro, além da Roda existente na capital, duas outras foram criadas: a de Campos e Cabo Frio5. Segundo o Relatório do Presidente da Província do Rio de Janeiro (1870), no ano de 1870 existiam 271 expostos na Roda de Campos.
Datada de 1792, a Santa Casa foi inaugurada em Campos e ficava no Centro da cidade, em frente à Praça das Jornadas (onde hoje funciona um estacionamento). Na lateral do prédio que abrigava o hospital havia uma roda de madeira – um cilindro oco que girava em torno do próprio eixo, com abertura em uma das faces que ficava voltada para a rua – que certamente salvou a vida de muitas crianças recém-nascidas6. (p. 30)
Segundo Marcílio (2001), embora apresentando taxas elevadas em algumas capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife, o fenômeno da exposição de recém nascidos no Brasil jamais se igualou aos de alguns países da Europa do século XIX, “época da exposição em massa de bebês” (Marcílio, 2001, p. 73). Segundo a autora, a característica brasileira, por excelência, foi a “ilegitimidade” da filiação e não a “exposição”.

Embora a salvação da alma dos recém-nascidos, através do batismo, tenha sido, talvez, a grande motivação para a assistência aos expostos, procurava-se, também, salvar-lhes a vida, encaminhando-os às amas-de-leite. Posteriormente, procurava-se encaminhar os meninos ao trabalho e as meninas ao casamento, ocasião em que receberiam um dote para iniciarem uma vida de boas esposas e mães cristãs.

A Casa dos Expostos possuía um Regimento bastante minucioso, detalhando-se as obrigações e rotina dos estabelecimentos. Vejamos alguns artigos do “Regimento da Casa dos Expostos da Santa Casa da Misericórdia da Corte”, de 18407:
Art. 1 A Casa dos Expostos (...) foi instituída (...) com o pio fim de servir de amparo aos innocentes abandonados ao nascer pela ingratidão de quem lhes deo a existência.

Art. 2 Todos os innocentes que entrarem na Roda da sobredita Casa ficarão a cargo desta para serem criados a custa de suas rendas até completarem sete annos de idade, se forem varões, e oito sendo fêmeas (...)

Art. 30 Immediatamente que alguma criança entrar na Roda a fará assistir de todos os socorros necessários: sem demora lhe lançará ao pescoço o número correspondente, e formará o competente assento da sua entrada no quaderno do respectivo mêz para esse fim destinado; declarando nelle o número que lhe competir, o seu sexo, cor, e idade que mostrar ter, se entrou com saúde ou enferma, o dia ou noite, hora, mez e anno que foi achada na Roda, o enxoval em que veio envolta, qualquer signal que possa ter no seu corpo, para cujo o fim o examinará com escrupulosa attenção, e todo e qualquer escripto ou distinctivo que a tenha acompanhado, por onde se possa reconhecer, se por ventura algum dia veio a ser procurada. (...)

Art. 31 Os escriptos e quaesquer distinctivos que acompanharem algumas crianças com recomendação de se guardarem para seu reconhecimento quando vierem a ser procuradas serão guardados em hum cofre de duas chaves das quaes terá huma o Irmão Escrivão e outra o Irmão Thesoureiro, fechados dentro de um papel com o seguinte rótulo – Pertence ao Exposto ou Exposta no, dia, mez e anno – o qual só poderá ser aberto quando se procurar o Exposto a que pertencer, devendo inutilisar-se se este vier a fallecer antes de ser procurado.

Art.66 Além do Livro dos Termos da entrada dos Expostos, haverá na Casa da Roda, a cargo do Escripturario, um livro de Matricula de todos os Expostos da Santa Casa, menores de sete e oito annos, que forem dados a criar (...) Haverá alem do referido Livro outro para matricula dos Expostos maiores de sete e oito annos que regressarem a Casa da Roda depois de criados.

Art. 84 As pessoas que receberem Expostos para criar são obrigadas a apresentar as crianças, immediatamente que as receberem, e a guia que as acompanhar, ao Juíz de Paz do Districto ou Freguesia do seu domicilio; e não poderão transferir a outras pessoas sem autorização da Administração, devendo communicar a transferência ao Juiz de Paz do Districto ou Freguesia.

Art. 86 Sempre que acontecer fallecer alguma criança em poder das pessoas encarregadas da sua criação, serão obrigadas a dar immediatamente parte ao Inspector de quarteirão, e aos Administradores da Casa dos Expostos.

Art. 88 Logo que os Expostos Varões tiverem completado sete annos de idade, e as fêmeas oito, as pessoas encarregadas da sua criação deverão apresentar os mesmos Expostos na Casa da Roda: há intelligencia que dessa idade por diante se lhes não pagará mais criação: e se deixarem de as apresentar dentro de três mezes depois de expirar o dito tempo ficarão obrigadas a encarregar-se da sua eduacação, sustento, vestuário e curativo gratuitamente até os doze annos, em pena de sua omissão: ficando os expostos que se acharem nas referidas circunstancias a cargo dos juizes dos Orphãos respectivos, nos termos do alvará de 31 de janeiro de 1775, e fora da inspecção e protecção da Santa Casa da misericórdia, para cujo fim se farão pelo Irmão Provedor as devidas participações aos mesmos juizes de Orphãos.

Art. 89 Todos os Expostos que foram entregues na Casa da Roda por terem sette annos de idade, e as Expostas de oito annos, serão inscriptos no Livro de Matricula de que se trata no artigo 66: e depois serão dados a pessoas que expontaneamente os queirão receber, obrigando-se á sua educação, sustento, vestuário, e curativo em suas moléstia, na conformidade do Alvará de 31 de janeiro de 1775. Dos 13 annos até os 18, em que a Lei julga os Expostos emancipados, vencerão estes o salário que nos contractos se ajustarem.

Esta disposição a respeito dos Expostos varões só terá lugar se não puderem ser admittidos na Companhia de Artífices do Arsenal de Guerra, segundo as ordens do Governo.

Art. 91 Os Expostos varões em quanto não puderem ser admittidos no Arsenal de Guerra ou entregues a pessoas particulares pela fórma que fica determinada nos dous artigos precedentes serão conservados na Casa da Roda: e as Expostas serão remettidas para o recolhimento das Orphãs, onde serão tratadas á custa da Casa dos Expostos.
Até a invenção da mamadeira e do leite em pó e pasteurizado, o único alimento que podia garantir a vida do recém-nascido era o leite materno ou da ama-de-leite. Desde a antiguidade o problema de como alimentar crianças órfãs e expostas já se colocava como relevante, dada a absoluta impossibilidade de alimentá-las de outras formas. Experiências feitas com papas e caldos e água adoçada sempre foram responsáveis por altas taxas de mortalidade entre os recém-nascidos. Nos Relatórios encaminhados anualmente pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro ao Ministro do Império, observa-se uma crescente preocupação em demonstrar que os índices elevados de mortalidade dos recém-nascidos não eram devidos a maus-tratos recebidos na Casa dos Expostos, mas ao fato de serem os recém-nascidos já depositados mortos ou moribundos. Assim, nota-se uma preocupação cada vez maior com os procedimentos estatísticos, buscando-se discriminar o número de crianças depositadas vivas na Roda das depositadas adoecidas e mortas.

Dispositivo cilíndrico, dedicado ao recolhimento de recém-nascidos ditos enjeitados, o Brasil foi, talvez, o último país a abolir a Roda. Temia-se que, com sua extinção, aumentassem os abortos e os infanticídios de filhos indesejados ou ilegítimos, uma vez que o dispositivo da Roda mantinha o anonimato de quem depositava a criança, preservando a honra das famílias. Mesmo após o Código de Menores de 1927, que a extinguiu, continuaram existindo Rodas no Brasil, algumas até final o final dos anos 1940, como a Roda de São Paulo.

Para se ter uma ideia da importância do tema dos expostos, o Código de Menores de 1927 traz um Capítulo inteiro a ele dedicado. Note-se que, mesmo excluído o sistema de depósito nas Rodas, manteve-se a possibilidade da entrega anônima da criança.
Código de Menores de 19278

Capítulo III: Dos infantes expostos

Art. 14. São considerados expostos os infantes até sete anos de idade, encontrados em estado de abandono, onde quer que seja.

Art. 15. A admissão dos expostos à assistência se fará por consignação direta, excluído o sistema das rodas.

Art. 16. As instituições destinadas a recolher e criar ex­postos terão um registro secreto, organizado de modo a res­peitar e garantir o incógnito, em que se apresentem e desejem manter os portadores de crianças a serem asiladas.

Art. 17. Os recolhimentos de expostos, salvo nos casos previstos pelo artigo seguinte, não podem receber criança sem exibição do registro civil de nascimento e a declaração de todas as circunstâncias que poderão servir para identificá la; e deverão fazer a descrição dos sinais particulares e dos objetos encontrados no infante ou junto deste.

Art. 18. Se é a mãe que apresenta o infante, ela não é adstrita a se dar a conhecer, nem a assinar o processo de en­trega. Se, porém, ela espontaneamente fizer declaração do seu estado civil, ou qualquer outra que esclareça a situação da criança, tais declarações serão recebidas e registradas pelo fun­cionário do recolhimento.

§ 1o Ela poderá também fazer declarações perante um notário da sua confiança, em ato separado, que é proibido comunicar ou publicar sob qualquer forma, salvo autorização escrita da autoridade competente; (...)

§ 2o Se é uma outra pessoa que apresenta o infante, o funcionário do recolhimento procurará mostrar lhe os incon­venientes do abandono, sem, todavia, fazer pressão, sob pena de demissão. (...)

Art. 19. A violação do segredo de tais atos é punida com multa de 50$000 a 500$000 além das penas do Art. 192 do Código Penal.

Art. 20. Se o infante for abandonado no recolhimento, ao invés de ser aí devidamente apresentado, o funcionário respectivo o levará a registro no competente ofício, pre­enchendo as exigências legais; as penas do Art. 388 do Código Penal.

Art. 21. Quem encontrar infante exposto, deve apresen­tá lo, ou dar aviso do seu achado, à autoridade (...)

Art. 22. A autoridade, a quem for apresentado um infan­te exposto, deve mandar inscrevê lo no registro civil de nasci­mento, dentro do prazo e segundo as formalidades regula­mentares, (...)

§ 1o - O envoltório, roupas e quaisquer outros objetos e sinais que trouxer a criança, e que possam a todo tempo fazê­-la reconhecer, serão numerados, alistados e fechados em caixa lacrada e selada, (...)

§ 2o - Recebida a duplicata com o competente conheci­mento do depósito, que será arquivado, far se ão à margem do assentamento as notas convenientes.

Art. 23. Os expostos, que não forem recolhidos a estabe­lecimentos a esse fim destinados, ficarão sob a tutela das pes­soas que voluntária e gratuitamente se encarreguem da sua criação, ou terão tutores nomeados pelo juiz.


Segundo os Relatórios do Ministério do Império, foram recolhidas na Roda do Rio de Janeiro 47.255 crianças, no período 1738-1888. As explicações mais comuns apontadas pelos estudiosos para o número crescente de crianças deixadas na Roda sempre foram: para que os senhores pudessem alugar as escravas como amas-de-leite; para proteger a honra das famílias, escondendo o fruto de amores ilícitos; para evitar o ônus da criação de filhos das escravas, em idade ainda não produtiva; pela esperança que tinham as escravas de que seus filhos se tornassem livres, entregando-os à Roda; para que os recém-nascidos tivessem um enterro cristão, já que muitos eram expostos mortos ou adoecidos, em decorrência de epidemias que se abateram sobre o Rio de Janeiro, fazendo grande número de vítimas, dizimando famílias inteiras e deixando crianças órfãs ou em estado de necessidade (Orlandi, 1985)9.

Nos últimos anos do Império, os Relatórios do Ministério do Império limitavam-se a informar o número de entradas, permanência e mortalidade dos expostos, sem tecer nenhuma consideração adicional. Isso demonstra o declínio da importância do mecanismo da Roda no Rio de Janeiro, na medida em que outros estabelecimentos assistenciais vão ganhando projeção, como o Asylos de Meninos Desvalidos, por exemplo.


Memórias: a Roda e as Carmelitas
- Fomos até a Europa, em busca de alguma informação deste parente, que foi da Roda de lá.

- Minha avó me contou que uma prima veio de longe esconder a gravidez aqui no Rio. Após o parto, entregaram a criança na Roda. Arrependida, voltou para buscar, mas a criança não estava mais lá. Deu trabalho, mas conseguiram encontrar.
Qual não foi a minha surpresa ao escutar esses relatos, após aulas ou palestras sobre práticas assistenciais dirigidas à infância no Brasil, assunto ao qual tenho me dedicado há alguns anos. Sempre consultando documentos antigos, não imaginava ouvir relatos sobre a Roda, menos ainda contados por pessoas jovens, como meus alunos universitários. Mas, essas lembranças não vieram “do nada”. Estavam “lá”, como que arquivos ainda não explorados. A surpresa não era apenas minha, mas também dos próprios jovens que, “de repente”, podiam dar sentido a uma experiência familiar, até então pouco compreendida. Fascinados por estes relatos, eu e um grupo de alunos do Curso de Graduação de Psicologia da PUC-Rio10, nos dedicamos a recolher essas lembranças, na certeza da riqueza imensa desses relatos. Em um de nossos encontros de pesquisa, em 2007, fomos apresentados a Gustavo, uma pessoa gentil e generosa, e que nos brindou com os mais fantásticos relatos que jamais sonháramos escutar sobre a Roda. Com suas estórias, Gustavo nos fez ver, de modo muito decisivo, que a narrativa do mundo não é propriedade dos especialistas e sim de todos e de cada um. Gustavo veio a falecer posteriormente, em um acidente doméstico, em um dia de muita chuva. A ele dedicamos este texto e, em respeito a ele, transcrevemos na íntegra a entrevista, que teve lugar na PUC-Rio, e que foi conduzida por mim e por Jussara Nascimento de Oliveira Pereira, então minha monitora, que gentilmente se dedicava à tarefa de organizar as atividades de visita do grupo aos arquivos. Gustavo se afeiçoou ao projeto de pesquisa e, juntamente com o grupo de alunos, visitamos o Convento das Carmelitas, no Bairro de Santa Tereza, na cidade do Rio de Janeiro. Foi uma visita inesquecível e os leitores poderão imaginar o motivo.

No Bairro de Santa Tereza morava Gustavo, na “Rua do Convento”, como gostava de dizer. Antenadíssimo, desde criança, com a vida do Bairro, prestava máxima atenção aos mistérios que rondavam as famílias e os conventos, dentre eles, a suposta existência de crianças recolhidas na Roda, para serem criadas pelas carmelitas.


Acho que nunca ninguém viu nenhuma criança e nenhuma freira, a não ser o meu tio avô, que entrou para operar uma delas lá dentro, e as viu. O meu tio contou para a minha avó como elas dormiam – em laje – e que andavam descalças. A gente perguntava para minha avó: “Elas vão a escola? Não! Elas mesmas ensinam às crianças a leitura”. Eu pensava que as crianças tinham que aprender a cantar e talvez, por isso, deviam aprender a ler.
Muitas histórias soube por vizinhos:
Segundo eu soube por vizinhos, que frequentam a Igreja - agora parece que o horário da missa de domingo está muito cedo, 7 horas da manhã, e muita gente deixou de ir à missa alí e foi para a Ordem do Carmo, porque a missa lá é às 8 horas, mais tarde... porque a pessoa hoje fica com medo de sair muito cedo de casa, por causa de assalto, da violência. Então... eu perguntei para as vizinhas, que eu sei que frequentavam lá, mas sei que não estão mais frequentando, por conta do horário, aí elas falaram que a Roda era utilizada para pedido de missa. Tem uma senhora que toma conta. Podemos marcar e ir lá, fazer uma visitação ao convento.
Outras, por vivência própria: “Foi aí que eu vi uma Carmelita Descalça externa”.

Outras tantas estórias, de ouvir falar:


Eu não conheço a Roda, mas diziam que alimentação, criança, era tudo na mesma Roda. O comentário era esse: a alimentação também entrava pela Roda. Elas não tinham acesso nenhum ao mundo externo. As pessoas colocavam só meninas na Roda, porque iam ser criadas por elas, as carmelitas, lá dentro. Então, aquilo até hoje tem uma áurea de mistério; até hoje não existe uma pessoa que diga “eu fui”, “eu vi”, comprovado. Então, o que a gente escuta são esses retalhos, essas coisa que se falavam.
Às vezes, é um pedacinho da realidade que se mostra:
Eu fui assistir missa muitas vezes e até hoje qualquer pessoa pode ir. Além das carmelitas, em Santa Tereza, tem as Clarissas, na Rua Oitiz, na Gávea, perto dos bombeiros. Se a pessoa sentasse do lado direito, na primeira fila, quando o padre ia dar a hóstia, a gente via o rosto delas, e vê! O padre levanta uma portinha e dá para ver o rosto delas. Bem... pura curiosidade, mas lá em Santa Tereza, elas ficam em uma parede três vezes maior, atrás, cada lança enorme, porque tem toda a grade lá, externa, também. Tem aquela entreliça e cada junção da entreliça tem uma seta. A pessoa não vê, é uma lança, mas quando se olha de lado é um espinheiro. Elas, na igreja, são separadas, tem uma parede, elas cantam do outro lado, sai o som através das setas, não dá para escutar da rua, só dentro do convento, porque ele é muito isolado. Elas são contemplativas.
Outras certezas ele afirma apenas por convicção, sendo as coisas como são...
Tenho certeza que as meninas grávidas do Bairro jamais iam deixar os bebês na Roda de lá. O risco seria muito grande. Era abafado na própria família. Mesmo que se tivesse a criança na fazenda, que as meninas não tivessem ido para a Europa para esconder a gravidez, elas não entregariam o bebê no Bairro, era muito perto. Se fossem se livrar dos bebês iam para outro lugar. Alí, não! Porque todo mundo sabia que as crianças dalí iriam virar carmelitas.
Quando pode, busca confirmação:
Eu fui confirmar agora. O Congresso Eucarístico, em que ano foi? Eu me lembro que eu fui. Com quem? Com as freiras! As freiras fizeram um tipo de romaria, desceram todo mundo a pé para ver o Papa, lá no Aterro do Flamengo, que ainda estava no barro. Eles botaram umas tábuas, com dois tocos, aquelas tábuas imensas, as pessoas sentavam ali, quem chegasse cedo, quem não chegasse ficava em pé lá atrás. Eu me lembro como hoje. Que idade eu tinha? O Congresso Eucarístico, quando o Papa veio, a pessoa comprava uma placa, para ajudar, uma placa de metal que se prendia na casa. Eu fui ver, porque ainda tem casa em Santa Tereza que tem esta placa, muito enferrujada, mas tem: foi em 1955.
Ou invoca testemunhas, diante de tantas indagações, incertezas e mistérios.
Acharam um túnel que ligava o Convento de Santo Antônio às carmelitas, encontraram ossos de crianças. Esse foi o escândalo da época, que foi abafado! Tanto é que num instante fecharam o túnel. Hoje em dia a localização do túnel é atrás do batalhão da PM. Eu me lembro que quando a gente passava, minha mãe falava “não olha”! Era para o local onde tinham achado um pedaço do túnel! Não se podia comentar isso, era um escândalo! Meu pai era policial, então, não era para se comentar isso: que tinham visto, achado um túnel, que tinha ossada de criança... Acham que era ligação das freiras com os padres do Santo Antônio. Esse era o comentário da época! Não se podia ventilar isso, não se podia comentar com vizinhos, não se comentava desse túnel. E não saía nada, que a gente saiba, nunca houve nada. Todo mundo sabia, mas era proibido de comentar. Sabiam, porque o bonde passou e viu, quando a máquina quebrou e apareceu o túnel. Quem estava no bonde saltou e viu. Se espalhou o comentário, mas bem camuflado.
Certo, certo mesmo, é que Gustavo se corroia de tanta curiosidade:
Na minha rua tem um pedaço, que era o pomar do convento, que era aquele muro altíssimo... A gente não tinha olho nas frutas, porque naquela época, na casa da gente, também tinha igual! Era a curiosidade de um dia ver, vê-las andando: se elas freqüentavam ali, de dia ou de noite! Daí, uma amiga da minha mãe foi morar na casa do lado do paredão, mas não tinha condições de ver! Mas eu era louco pra saber... 10 ou 12 anos... se tivesse uma escada, um modo de eu ver o que elas faziam. O que é que tinha lá dentro? Se o que o povo falava era verdade? Se tinham freiras ali? Se elas realmente eram enterradas lá no pomar, porque era o único lugar que tinha terra.
Na casa de Gustavo, uma figura importante foi sua avó, que semanalmente frequentava um chá na casa das vizinhas, onde provavelmente recolhia parte das muitas histórias que lhe contava.
A minha avó era moradora de Santa Teresa. Você vê, eu tenho cartão postal do meu avô namorando a minha avó, de 1900, 1902, ela era noiva. Minha avó deve ser de 1879. A família dela era de Santa Teresa. O meu avô, quando comprou a minha casa, ele comprou só o terreno e mandou construir a casa. A minha casa é de 1898, tem 108 anos, moro até hoje. Então era um loteamento de uma fazenda de café, que até hoje existe a casa, lá nos fundos da minha, lá em baixo, a original. A minha rua foi um loteamento. O convento, a minha casa, era tudo uma fazenda de café.
Das coisas que a minha avó contava eu lembro muito das histórias do convento, porque marcava muito, era o mistério da rua, até hoje, em parte. Muita gente, hoje, nem sabe que aquilo é um convento. Morador de 10, 15 anos, não sabe que aquilo é um convento. Ficou muito famoso, por causa do bloco “As Carmelitas”. Inventaram que uma carmelita pulou o muro para pular o carnaval; daí colocaram o nome do bloco “As Carmelitas”, que é muito badalado, tumultua Santa Tereza. Pior coisa para nós, os moradores, que tem no Bairro, é o Bloco, quando chega a época de carnaval. É em cima do convento, na rua de cima; então colocaram o nome do bloco “As Carmelitas”. Colocam aquele arco com aquele veuzinho e saem como as carmelitas. Agora não se anuncia mais nos jornais o dia que eles vão ensaiar, para não vir tanta gente, porque vem gente do Rio de Janeiro inteiro.
Em 1901... a minha avó não pegou os bondes puxados a burro, que passavam na minha rua; já pegou o bonde elétrico mesmo. Então a gente lembra, a gente tinha curiosidade... os arcos da Lapa, minha avó contava, ele não foi feito para passar bonde, a gente quando era pequeno tinha medo de cair, ele foi feito com óleo de baleia, não tem cimento. Foi feito com óleo de baleia para passar um cano de água para alimentar a cidade do Rio, vinha do Silvestre, do Cristo. Não tem registro, é a minha avó que contava. A minha avó contava a história dos conventos, a ponte dos arcos que foi feito pelos índios, mão de obra escrava e indígena. Tanto é que quando tiraram uma perna para conserto ninguém passava, porque não tinha cimento. Hoje já está de volta a perna original e as pessoas voltaram a usar o bonde de Santa Tereza. Meu avô era muito fechado, ele era europeu, não gostava de falar, mas a avó adorava conversar.
A minha avó lia muito, falava francês. A minha mãe também contava muitas histórias... a do Convento da Penha, em Vila Velha, que a minha mãe contava que subia à pé, que era todo feito de pé de moleque, era tombado. Tinha muito mico, muito macaco no caminho, que atacava, tinha até bicho selvagem, de agredir. Eu sempre gostei de escutar e meu pai era polícia, então, sempre tinha a questão de investigar, solucionar... curiosidade. Por exemplo, o caso dos ossos, o meu pai sabia, mas não podia comentar. O homem não podia comentar certas coisas, porque senão se tratava como fofoca.
Na ladeira de Santa Tereza, que vai para o convento, teve o famoso crime da mala e papai também não comentava. Claro que meu pai devia saber, mas não era coisa para criança. A criança ficava assustada, não dormia de noite, dava problema. Esses assuntos não eram coisas de criança. Eu também gostava muito de rádio, adorava o teatro de mistérios. Era criança e ficava colado no rádio. Era 8, 9 horas da noite, faziam aqueles barulhos horrorosos, de coruja, de rastejar. A gente subia as escadas lá de casa, em pânico, para dormir. Eu sempre gostei das histórias; sempre gostei dos mistérios que rondam a minha redondeza, principalmente as histórias dos conventos. Segundo as minhas vizinhas, as carmelitas agora estão indo votar. Acho que deve ser lei. Depois da década de 1990, se disseram que entraram muitas carmelitas já adultas, casadas, mulheres com 25, 30 anos. Antigamente não entrava! Tinha que entrar jovem ainda ou, os bebês. Faz os votos lá, é selecionada e entra, depois de adultas!
Não havendo televisão, os assuntos eram comentados:
Antigamente não existiam os meios de comunicação, então os assuntos eram comentados; quem era ocioso comentava muito. Os meios de comunicação eram os comentários. As pessoas frequentavam as casas uma das outras. Praticamente a minha avó, toda semana ou toda quinta, sexta, era chá na casa de uma vizinha... e quando as pessoas eram mais chegadas, se comentava. Tanto é que alguns filhos de empregados, eles não iam para a Roda, os próprios donos da casa adotavam as crianças e os vizinhos sabiam que aquela senhora não teve filhos, que os filhos eram dos empregados. E eram criados com todo o luxo, como se fossem os filhos do dono da casa. Eles não passavam mais a ser filhos dos empregados, eram dos donos, tanto é que dormiam na casa, enquanto que os empregados dormiam fora da casa.
Eu e meus irmãos adorávamos escutar as histórias da minha avó. Não existia mais nada para fazer a não ser contar casos. Era o colégio e as histórias. Antigamente, existia uma senhora na rua que era professora particular - não se cobrava. Ela dava aula para as crianças que queriam. As outras atividades, diferentes eram nos conventos. O convento em frente a minha casa era mais agradável porque tinham pensionistas. Antigamente, nesse convento, as moças tinham que usar bolero, não podia ser roupa decotada. Tinha horário, 21:30 horas para entrar, quem não entrasse ficava na rua. Quem dormisse fora, no outro dia, era expulsa. Moça não dormia fora. Então, elas subiam no poste para pular para o convento. Davam comida à cachorra. A cachorra mais famosa chamava Ximbica (uma cachorra avermelhada), e a cachorra era um terror para pegar as meninas que pulavam, as pensionistas. Hoje em dia é diferente, chegam tarde, tocam a campainha e as freiras abrem. Quando uma moça vem estudar, fica hospedada no convento.
Seu pai, militar e de família presbiteriana, nunca impediu os filhos de se interessarem pelos conventos católicos. Um, particularmente, lhe é muito familiar, o de frente à sua casa, onde foi “praticamente criado”.
O Convento das Carmelitas Descalças, em Santa Tereza, é um dos mais antigos do Rio de Janeiro. É bem no alto da Lapa... Eu me lembro, porque eu morava na frente de outro convento, na mesma rua, o de Maria Imaculada. São freiras espanholas, eu fui crido lá. Meu pai foi visto bebê por freiras. E foi as freiras morrendo e vindo outras e sempre me conhecendo, conhecendo a minha família. Como na época não tinha diversão, eu e minhas irmãs fomos criados praticamente no convento. A gente... todas as atividades que tinha a gente ia, minhas irmãs freqüentavam aulas de bordados, que era obrigatório para as moças da rua, as freiras espanholas ensinavam bordados... então, eu era criado lá dentro! O bordado era obrigatório, praticamente. Qual a atividade que tinha naquela época? Não tinha atividade... hoje tem baile, academia, tem um monte de coisa... na época, há 50 anos atrás... eu me lembro como hoje ... o bordado, o tal de richelieu, era coisa que tinha que contar filas... As minha irmãs tinham horror! As freiras eram muito rigorosas... davam aulas gratuitas para as moças lá do Bairro. As moças tinham que ser prendadas, tinham que ter trabalhos manuais, então elas ensinavam... eu fui criado alí... elas me chamavam de Francisquinho, da aparição de Fátima... Lúcia, os que viram, os três irmãos... Então, na época, todas as atividades que tinham lá, quermesse, apesar da minha família ser presbiteriana, o meu pai nunca teve preconceito de deixar a gente freqüentar o convento. É só atravessar a rua... então, tudo que tinha lá, todo domingo tinha baile, dançava mulher com mulher, não entrava homem lá dentro, adulto não entrava. É um convento, em frente a minha casa, das espanholas, internas e pensionistas, até hoje... então eu fui criado lá.
Outro convento que lhe chamava a atenção era o das “freiras pretas”, assim nomeado pela criançada do bairro, para diferenciá-las das freiras “muito brancas”, de outros conventos.
Em Santa Tereza tem muitos conventos, tipo Assunção, que é de freiras francesas. O convento das freiras pretas, tipo pensionato, fica na ladeira de Santa Tereza. Perto do Convento das Carmelitas tem outra irmandade também. Santa Tereza é um lugar de muitos conventos, porque lá não tem movimento, burburinho, trânsito, não tem um sinal de trânsito, é um bairro muito recolhido. Santa Tereza é um morro com vários morros interligados no centro da cidade. Santa Tereza tem 25 saídas para 25 bairros diferentes. Por que? É no meio da cidade. Quantos conventos têm lá? Freiras “Pretas”, Carmelitas, Santo Adolfo, Assunção, Templo Budista, Casa do Bispo do Rio de Janeiro...
O convento das “Freiras Pretas” é porque elas eram morenas, aí a gente, as crianças, colocou apelido. Nós estávamos acostumados com as freiras brancas, as francesas, espanholas... só víamos as freiras brancas... depois é que chegaram as freiras pretas.
Apesar do interesse pelos conventos, em geral, nada se comparava ao fascínio pelo Convento das Carmelitas, pelos mistérios que podiam conter aqueles muros “altíssimos”, pelos bebês supostamente postos para dentro do convento pela abertura da Roda para se tornarem carmelitas e pelos ossos que teriam sido encontrados, depositados no chão de um túnel que ligaria os conventos de padres e freiras – túnel este que, em tempos idos, teria sido usado como rota de fuga para abrigados da Igreja.
Eu me lembro que quando teve o Congresso Eucarístico, que o Papa veio ao Rio de Janeiro, estava-se fazendo o Aterro do Flamengo, porque a água vinha na pista da praia... aquele aterro, as pistas, o gramado, não existiam. Aquilo foi aterrado. Com que? Com a terra do morro Santo Antônio, onde é a Petrobrás, hoje, o BNDS. Aquilo era tudo um morro. Eu fui confirmar agora a data. O Congresso Eucarístico, quando o Papa veio, a pessoa comprava uma placa, para ajudar, uma placa de metal que se prendia na casa. Eu fui ver, porque ainda tem casa que tem a placa, muito enferrujada, mais tem: foi em 1955. Eu fique impressionado, porque eu tinha 6 anos, eu nasci em 1949, e eu lembro. Lembro de ter ido ao aterro do Flamengo para ver o Papa; lembro não da festa, mas do local. Eu fui com as freiras espanholas e as pensionistas internas. Aquilo era uma festa, não existia atividade nenhuma no Bairro. Então, nessa época, o comentário em Santa Teresa é que se colocou um rádio de pilha para as carmelitas escutarem o Papa e muitas desmaiaram, porque nunca pensaram em um aparelho falar. Mas, por quê? Porque elas foram criadas lá dentro, elas não tinham conhecimento do mundo externo.
Mas será que elas existiam mesmo? Alguém já viu uma Carmelita Descalça?
Do lado da minha casa morava um tio avô, por afinidade. Foi uma das sumidades na Santa Casa. Minha avó, o irmão dela, eles falavam que ele foi operar uma freira lá dentro, que elas não saiam, eram enterradas lá mesmo. Porque elas têm um terreno imenso, o muro é de uma altura imensa. Então o meu tio foi um que entrou e viu, operou a carmelita, lá dentro. Elas andavam descalças e não tinha colchão, dormiam na laje, em alvenaria. Tinha um pomar imenso e dizem que elas eram enterradas lá.
Hoje em dia, segundo essas meninas que eu fui pedir o telefone da zeladora de lá, elas têm ido votar, e elas votam em frente a minha casa, em um convento que tem em frente, uma distância como daqui da PUC ao Shopping da Gávea. Elas vão a pé, mas dizem que agora elas são muito poucas, parece que são entre 16 e 18, mas ninguém sabe na realidade, é um mistério.
E uma carmelita descalça externa, alguém já viu?
Segundo os moradores, no Convento das Carmelitas Descalças, não entra ninguém lá, só as próprias carmelitas. Só tem duas freiras carmelitas descalças. Hoje em dia não se fala mais Carmelitas Descalças – se fala “as carmelitas”, mas o convento é Carmelitas Descalças. Só tem duas delas que têm acesso externo.
Quando eu comecei a trabalhar, por volta de 14 anos... quando eu tinha mais ou menos 17 anos, eu descia a pé e subia a pé a minha rua, para ser boy atrás do Ministério da Fazenda, na rua Debret. De repente, gritos: “Socorro! Socorro! Socorro!”. Quando eu olhei, tinham uma freira sentada no chão e uma auxiliar, tipo daquelas que usam véu curto, roupa comprida, tipo noviça. Ela gritando e a freira quieta. Ela simplesmente abriu a porta do plano inclinado e não tinha, não estava ali o elevador e ela caiu. Nisto que ela caiu, que ela ficou sentada uma distância (perto), veio o elevador e o joelho da freira ficou esmagado. Eu não vi, porque ela estava sentada com o hábito tampando, ela não gritava, mas a perna dela estava esmagada. Ela pegou o terço e começou a rezar. Era uma freira carmelita externa. Eu fiquei em pânico com aquilo, eu devia ter mais ou menos 16/17 anos. Foi aí que eu vi uma carmelita descalça externa.
Será que existiu mesmo uma Roda destinada a recolher crianças no Convento das Carmelitas Descalças, em Santa Tereza?
Agora, a Roda, que a gente sabe, eu pensei que até não existisse mais, por causa de negócio de Direitos Humanos. Pensei que tivessem tirado e colocado uma parede, mais elas falaram que tem a Roda, até hoje. Eu não conheço a Roda, mas dizem que a alimentação, criança, é tudo na mesma Roda. O comentário era esse. Elas não tinham acesso nenhum com o mundo externo. Colocavam só meninas na Roda, porque iam ser criadas pelas carmelitas, lá dentro. Então, aquilo até hoje tem uma áurea de mistério. Até hoje não existe uma pessoa que diga “eu fui”, “eu vi”, comprovado.
E como as carmelitas criavam as crianças lá dentro? Bebezinhos, leite, fraldas, mamadeira e tudo o mais?
Aí é que nós não sabemos! Na época não devia ter leite em pó, nada disso. Será que existiam amas? Ninguém sabe como elas criavam, não me lembro de alguém falando como elas criavam, só me lembro que diziam que só entravam meninas, e que as carmelitas entravam lá dentro. As crianças colocadas na Roda eram bebês, crianças pequenas, bebês! Desde que eu era criança escuto essas histórias, colocavam crianças na Roda para as carmelitas criarem lá dentro.
E por que só meninas eram colocadas na Roda?
Na nossa cabeça, a gente pensava que era sempre verificado se era menina. E quem colocava para dentro não era a pessoa não, era a freira externa que colocava para dentro os bebês. A gente sempre soube que tinha as freiras do lado de fora que eram as únicas pessoas que tinha o contato com as freiras internas, e eram as externas que colocavam os bebês para as freiras carmelitas internas criarem. Na nossa cabeça não tinha perigo de entrar menino, porque as freiras externas, com certeza, verificavam primeiro, antes de colocar na Roda para as freiras internas. Por isso não tinha o perigo de entrar nas Carmelitas Descalças um bebê do sexo masculino.
Assim, não acontecia de serem depositados meninos na Roda. Mas, só meninas brancas? Não poderiam ser também meninas negras?
Duvido que neste Convento da Roda recolhessem crianças negras. Jamais! Naquela época, o negro só servia para ser empregado, não servia para cantar no coro. O preconceito era muito grande. A minha avó dizia que as carmelitas só cantavam e liam a Bíblia. Isto, inclusive, era visto como um privilégio.
Gustavo perguntava a avó porque as freiras não fugiam pela abertura da Roda: a abertura que dava passagem de fora para dentro era a mesma que poderia dar passagem de dentro para fora. E porque não? Mas a avó dizia “que não”, que estavam “acostumadas com aquela vida”, que era a única que conheciam. Sequer sabiam o que havia no mundo exterior. Pois algumas freiras não haviam desmaiado ao ouvirem a voz do Papa saindo de um radinho de pilha?
Eu nunca vi a Roda, não sei o tamanho dela. Mas pode ser que tivesse duas Rodas e elas tiraram uma. A minha avó devia conhecer a Roda e me lembro que perguntei: “Vovó, não dá para uma freira entrar dentro dessa Roda e fugir?” Minha avó sempre falava assim: “Não, ela é bem justinha, não dá para sair”. A gente ficava imaginando que como entrava criança, ela podia se agachar e quando rodasse ela podia fugir, as crianças que ficavam presas lá dentro. Aí a minha avó falava: “Não, elas foram criadas lá dentro e elas não conhecem o outro mundo, aquilo é que é normal”. A gente, criança, ia entender uma coisa dessas? A criança (freira, mais tarde) poderia não gostar de ficar lá dentro, presa. A criança não gostou de ficar lá dentro, cresceu e poderia querer fugir, mas, segundo a minha avó, não existia esse perigo, porque elas não tinham contato com o mundo externo. O muro muito alto impedia a visão do mundo externo, elas não conheciam o bonde, carro, não conheciam nada, e quando ouviram o rádio de pilha desmaiaram.
Será que nunca pensaram em fugir? Se eram crianças, certamente haveriam de querer brincar, mas a avó dizia que não, que estavam acostumadas àquela vida.
Porque do lado de fora a gente brincava, corria, ia ao parque, ao zoológico e as crianças lá dentro estavam presas. Acho que nunca ninguém viu nenhuma criança e nenhuma freira, a não ser o meu tio avó. A gente perguntava para minha avó: “elas vão a escola? Não! Elas mesmas ensinam as crianças a leitura”. Eu pensava que as crianças tinham que aprender a cantar e talvez por isso deviam aprender a ler.
Um dos grandes mistérios, destes que não se podia olhar ou comentar, foi a descoberta de um suposto túnel ligando os conventos de padres e freiras. Foram descobertos ossos de fetos, depositados no piso do tal túnel. Escândalo que, segundo Gustavo, foi devidamente abafado, mas que assombrava as crianças.
Esse convento é estratégico, porque fica de frente para a Bahia da Guanabara. Ele é no alto. Quem está na Lapa, na Evaristo da Veiga, é só olhar para cima que vê o convento. O que acontecia? Tem a Lapa, que é baixa, depois vem o morro de Santo Antonio com o Convento de Santo Antonio, que está até hoje no Largo da Carioca. Aquele convento é mais baixo do que o morro que tinha, ele era mais ou menos no meio do morro. O que aconteceu? Foram tirar terra para o Aterro do Flamengo, eu devia ter uns 10 anos, estava em escola pública, aí fizeram escavações para ir tirando terra, aquelas máquinas, caminhões, um caminhão atrás do outro, não paravam, dia e noite.
Acharam um túnel! Túnel da época antiga... O que os padres faziam? Davam abrigo e tinha que ter rota de fuga. Acharam um túnel que ligava o Convento de Santo Antonio às carmelitas; encontraram ossos de crianças, esse foi o escândalo da época, que foi abafado! Até hoje eu passo, tem um pedaço lá, mas não dá para ver o túnel. Tem o muro do batalhão da PM, era ali que passava o túnel.
Na época em que acharam o túnel não se pegava mais crianças na Roda. Depósito de ossos, em um túnel? Não era! O problema foi: de onde vinham esses ossos? Daí diziam que eram das carmelitas. Quando cavou o túnel destruiu tudo, eu sei onde é, mas não existe mais. O que fizeram com os ossos eu não sei! Sei que teve policia. A mãe não deixava a gente olhar, e não era só a minha, as crianças eram proibidas de falar, não só as crianças, mas ninguém falava.
A estação do bonde, ponto final, vivia mudando. Eu lembro que o primeiro ponto final do bonde foi na Galeria Cruzeiro, onde hoje é o edifício da Avenida Central. O bonde passava por baixo, depois subiu mais um pouquinho. Foi na porta do Convento Santo Antonio, depois foi mais para trás, depois foi no lugar que está a Petrobrás até hoje, tudo por causa da escavação.
Os ossos, segundo diziam, eram de bebês das freiras e dos padres. O comentário era esse e a gente, como criança, não podia olhar para lá. Eu me lembro que naquela semana que descobriram o túnel com os ossos, tinha sempre polícia, tinha sempre alguma coisa. Não saiu nada nos jornais, era algo de muito mistério, foi muito abafado. A gente, como criança, não podia olhar para lá, não podia comentar, mas sempre tinha gente lá. Aos domingos, papai levava a gente para a Igreja, a gente ficava olhando de longe, para ver se a gente via alguma coisa. Nunca tinha visto um esqueleto nem de adulto, quanto mais de criança, A gente ficava pensando que a gente ia ver alguma coisa, tinha sempre gente em volta daquele lugar do túnel, até tirarem tudo, aplainar tudo, plantarem. Quando o bonde passava perto do túnel, mamãe sempre beliscava para a gente não olhar, eu me lembro como hoje. O comentário entre as crianças era sempre esses, mas não podia se perguntar nada. A gente não tinha ideia do que era, não pensávamos em sexo, mas os ossos das crianças era algo que assustava.
O túnel era pequeno de altura. Para passar teria que passar abaixado. Os ossos não estavam enterrados no chão, estavam soltos no meio do túnel, entre o convento de lá e o de Santo Antonio. A distância entre os conventos seria mais ou menos da Casa da Marquesa de Santos ao Museu, ou outra comparação poderia ser a distância de duas pontes dos Arcos da Lapa. O que eu sei é que nunca ninguém viu o túnel de um lado ao outro, mas o comentário era sempre esse, que o túnel ligava um convento ao outro. O que se comentava era que esse túnel era uma rota de fuga, só depois foi usado para as freiras. Os conventos davam abrigo. Caso batesse alguma invasão, tinha a rota de fuga. Os padres são da Ordem de São Francisco, tanto é que o padre do São Francisco veio dar a missa aqui nas clarissas, na rua dos Oitiz, atrás dos bombeiros.
Sobre pensionistas:
Um dos conventos do bairro é pensionato e existe esse estigma de freira. Tanto é que um rapaz, de uma casta de família muito religiosa, até hoje, do ponto do ônibus ele se apaixonou por uma menina do pensionato, que veio de outro estado para estudar aqui no Rio. A mãe não queria o casamento de jeito nenhum de seu filho com aquela moça. Simplesmente o rapaz casou com a moça e ninguém da família foi!
Nesse convento de frente da minha casa, quem contribui com mais dinheiro é uma família rica de Santa Teresa. Então, vem com vários seguranças e param os carros na frente lá de casa, e vão ao convento. O que as freiras precisam, eles dão. Quiseram comprar uma santa imensa para colocar lá em cima, na laje, para da cidade você ver a santa. Eles que deram o dinheiro. Mas essas freiras não precisam de renda extra, porque elas têm pensionistas.
A Propósito De Concluir
No XII Encontro Paranaense de Psicologia, realizado em 2009, ofereci um mini curso sobre as práticas de assistência à infância no Brasil. Após a exposição e abrindo para comentários e perguntas, uma das participantes, uma moça de pouco mais de 20 anos de idade, contou-nos que havia sido colocada na Roda de um convento, no interior do Paraná. Ao nascer, sofria de uma doença grave e os médicos não haviam garantido sucesso no diagnóstico e no tratamento. A mãe, então, a levou a um convento de freiras contemplativas e a depositou na Roda, pedindo para as freiras rezarem pela saúde da filha. A mãe ficou aguardando do lado de fora. Ao final de dois dias de oração, o bebê foi devolvido à mãe. Como a moça estava alí, em nossa presença, contando o acontecido, é porque tudo se resolveu bem.

Seriam as freiras carmelitas? Não, respondeu gentilmente a moça, de pouco mais de 20 anos. Falando sobre esses assuntos, aqui e acolá, comecei a escutar relatos sobre a existência de inúmeros túneis na cidade do Rio de Janeiro. Túneis para todos os usos e gostos. Lembrando-me de Gustavo, pensei: este mundo é mesmo cheio de mistérios.


Referências
Alvez, M. S. R. (2009). A “Casa da Roda” de Cabo Frio no período de 1830 a 1900. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana, UERJ.
Arantes, E. M. de M. (no prelo). Santa Casa de Misericórdia. In Jacó-Vilela, A. M. (Org.), Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: Imago.
Brasil. Relatórios Ministeriais (1921-1960). Recuperado de http://www.crl.edu/brazil/ministerial
Correia, F. S. (1999). Origens e formação das misericórdias portuguesas. Lisboa: Livros Horizonte e Misericórdia de Lisboa.
Decreto n. 17943-A (1927, 12 de outubro). Código de Menores –. Consolida as leis de assistência e proteção a menores.
Marcílio, M. L. (2001). A roda dos expostos e a criança abandonada na História do Brasil. 1726-1950. In M. C. Freitas (Org.), História social da infância no Brasil. São Paulo: Cortez Editora.
Orlandi, O. (1985). Teoria e prática do amor à criança: introdução à pediatria social no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
Relatórios do Ministério do Império. Recuperado em http://www.crl.edu/pt-br/brazil/ministerial/imperio
Soares, U. (1959). O passado heróico da Casa dos Expostos. Rio de Janeiro: Fundação Romão de Mattos Duarte.
Zarur, D. (2003). Educandário Romão de Mattos Duarte. Rio de Janeiro: Binus Artes Gráficas Ltda:

Categoria de contribuição: Relato de pesquisa

Recebido: 18/09/10

Aceito: 04/11/10



1 Professora da PUC-Rio e UERJ. Endereço para correspondência: Departamento de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea, Rio de Janeiro/RJ, CEP: 22453-900. Telefone para contato: (21)3114-1185. Endereço eletrônico: arantes@puc-rio.br.

2 Ver: Esther Maria de M. Arantes (prelo). Santa Casa de Misericórdia. In: Jacó-Vilela, A. M. (Org). Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil. Rio de Janeiro: Imago.

3 Consta que, de 1582 até 1671, pouco se sabe sobre a instituição, pois um de seus provedores, Thomé Corrêa de Alvarenga, ordenou que fossem inutilizados todos os documentos e livros relativos à Santa Casa, que se encontravam estragados pelos cupins e pela umidade.

4 Segundo Soares (1959, p. 15), deve-se a Escragnolle Dória uma pequena biografia sobre Romão de Mattos Duarte.

5 Sobre a Roda dos Expostos de Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro, ver: Margareth Silva Rodrigues Alves (2009). A “Casa da Roda” de Cabo Frio no período de 1830 a 1900. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da UERJ. Devo a Simone de Souza Pereira, então aluna do Curso de Psicologia da PUC-Rio, ter visitado, em sua companhia, a cidade de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, onde tomamos conhecimento da existência de farta documentação municipal sobre a assistência aos expostos.

6 Jornal Afonso,( novembro de 2003, p. 65).

7 Agradeço imensamente a Andrea Barbosa da Silva, à época minha estagiária de pesquisa, pela grande dedicação ao trabalho de consulta aos Arquivos da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Sem a sua importante contribuição, a coleta de dados nesse Arquivo não teria sido possível. Devo a ela ter selecionado, copiado dos originais e posteriormente digitado importantes documentos sobre órfãos e expostos, entre os quais o Regimento da Casa dos Expostos e os Estatutos da Casa de Recolhimento das Órfãs.

8 Código de Menores – Decreto n. 17943-A, de 12 de outubro de 1927. Consolida as leis de assistência e proteção a menores.

9 Orlandi cita como referência Oscar Macedo Soares, mordomo do Hospital N. S. da Saúde “Hospício de N. S. da Saúde”. In Notícias dos diversos estabelecimentos mantidos pela Santa Casa de Misericórdia da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (1908).

10 Durante o período de 2004 a 2009, orientei um grupo de alunos do Curso de Graduação em Psicologia da PUC-Rio, matriculados nas disciplinas de Pesquisa, interessados na temática da Roda dos Expostos. Aprendi, com esses jovens alunos, como o tema da Roda dos Expostos suscita curiosidade e inquietação. A eles o meu carinho e agradecimento.



Pesquisas e Práticas Psicossociais 5(1), São João del-Rei, janeiro/julho 2010



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