Arte profª Rita Regina



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ARTE

Profª Rita Regina
INACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO
A Pinacoteca do Estado é um museu de artes visuais, com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade, pertencente à Secretaria de Estado da Cultura. Fundada em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, é o museu de arte mais antigo da cidade. Está instalada no antigo edifício do Liceu de Artes e Ofícios, projetado no final do século XIX pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, que sofreu uma ampla reforma com projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, no final da década de 1990.

O acervo original da Pinacoteca foi formado com a transferência, do então Museu do Estado, hoje Museu Paulista da Universidade de São Paulo, de 26 obras de importantes artistas que atuaram na cidade como Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Antônio Parreiras e Oscar Pereira da Silva. Atravessou seu primeiro século de atividades acumulando realizações e formou um significativo acervo, hoje com cerca de nove mil obras. Passou por uma marcante transformação assumindo-se, gradativamente, como um museu de arte contemporânea, comprometido com a produção de seu tempo, com destacada presença no cenário artístico do País.

A Pinacoteca realiza cerca de 30 exposições e recebe aproximadamente 500 mil visitantes a cada ano. O primeiro andar recebe as exposições temporárias e o segundo é dedicado a mostra de longa duração de nosso acervo. A área central abriga o Projeto Octógono Arte Contemporânea, e no térreo estão as áreas técnicas, o auditório e a cafeteria.

O foco principal de todo trabalho desenvolvido pela Pinacoteca do Estado de São Paulo é


aprimorar a qualidade da experiência do público com as artes visuais por meio do estudo, salvaguarda e comunicação de seus acervos, edifícios e memórias; da consolidação e ampliação desses acervos; e do estímulo à produção artística.
Acervo:
A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta sua nova exposição de longa duração Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca São Paulo, que ocupa todo o segundo andar do edifício da Avenida Tiradentes com obras do seu acervo, e marca uma nova e destacada etapa no centenário percurso da Pinacoteca do Estado que integra a rede de museus da Secretaria de Estado da Cultura. Ela sucede a mostra que foi aberta em 1998, no mesmo espaço, ao final do restauro do edifício, e que permaneceu em cartaz até dezembro de 2010, cumprindo um papel fundamental no fortalecimento da instituição. O Secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, afirma que a nova exposição de longa duração vai estimular a visitação ao local. "A Pinacoteca do Estado de São Paulo já é um dos museus mais visitados do país e do mundo. Com a nova exposição, construída a partir de um estudo aprofundado e conceitos muito atuais, ela se torna ainda mais acessível ao público - acessível no sentido de que as obras agora estarão dispostas de forma a proporcionar um melhor entendimento do que está sendo exibido e o estímulo a novas interpretações. Esperamos, com isso, que mais pessoas se sintam convidadas a apreciar tão importante acervo".

Esta nova proposta de apresentação da Coleção do museu começou a ser formulada há quatro anos e desenvolveu-se pela elaboração de um projeto multidisciplinar que envolveu, em sua formulação e execução, todos os setores da instituição, constituindo-se, assim, em experimento museológico que resulta da atual configuração profissional e do grau de aprofundamento das relações e reflexões internas da instituição.

O objetivo central desta mostra é oferecer ao público uma leitura da formação da visualidade artística e da constituição de um sistema de arte no Brasil do período colonial até meados dos anos 1930, centrada nas obras que compõem o acervo do museu. “Obedecendo a uma ordem cronológica, a exposição se articula a partir de dois eixos temáticos, essenciais na constituição e
compreensão do desenvolvimento das práticas artísticas no país. De um lado, a formação de um imaginário visual sobre o Brasil – o conjunto de imagens sobre ele, suas relações e sentidos que produzem. De outro, a formação de um sistema de arte no país – ensino, produção, mercado, crítica e museus – iniciado com a vinda da Missão Artística Francesa, a criação da Academia Imperial de Belas Artes e do programa de pensionato artístico. O percurso das salas apresenta os desdobramentos desta história, seus personagens e realizações...”, afirma Ivo Mesquita, curador chefe da Pinacoteca do Estado. Na perspectiva da missão institucional, visa igualmente proporcionar aos visitantes uma experiência qualificada de relação com as obras expostas, por meio de uma série de propostas educativas que busca explorar múltiplos conteúdos de leitura, bem como sugerir relações com o edifício e suas memórias.

A exposição será composta por cerca de 500 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e fotografias, de autoria de artistas fundamentais para a história da arte brasileira daquele período, como Debret, Taunay, Facchinetti, Almeida Junior, Eliseu Visconti, Pedro Alexandrino, Candido Portinari, Lasar Segall, entre outros. Deste total, cerca de 300 obras passaram por processo de Conservação e Restauro, ao longo do último ano, feito inteiramente pela equipe técnica do museu. O espaço expositivo foi totalmente readequado, incluindo troca de piso e dos sistemas de abertura das portas e aprimoramento dos sistemas de climatização, iluminação e segurança.

O percurso expositivo se estenderá por 11 salas. Outras quatro, localizadas nas extremidades do edifício, abrigam exposições temporárias que oferecem perspectivas sobre artistas, movimentos, períodos históricos, ou contrapontos contemporâneos, relacionadas à exposição de longa duração. A mostra também abriga algumas propostas educativas, que indicam outras possibilidades de leitura e interpretação das obras expostas. Em paredes de cor cinza, Arte em diálogo traz trabalhos de artistas modernos e contemporâneos, também do acervo do museu, selecionados pelo Núcleo de Ação Educativa para estabelecer relações com questões tratadas pelas obras expostas em cada sala. Uma Sala de Leitura disponibiliza material bibliográfico e documental sobre a história da Pinacoteca de São Paulo e da arte no Brasil. A Sala de Interpretação, em outro momento do trajeto, oferece a possibilidade de explorar aspectos da memória do lugar e do indivíduo, das visitas ao museu e à exposição a partir de elementos interativos, que registram presenças e impressões no contexto da mostra. Nos corredores, o conjunto de vitrines, pontua e comenta, com peças singulares do acervo, a narrativa no interior das salas de exposições. Neste mesmo espaço está a Galeria Tátil de Esculturas Brasileiras, composta por 12 obras que foram escolhidas para que visitantes com deficiências visuais possam apreciá-las de forma autônoma, tocando-as e recebendo informações por meio de etiquetas e textos em dupla leitura (tinta e Braille), além de áudio-guia. A seleção das obras foi realizada considerando a indicação do público com deficiências visuais que participou de visitas orientadas ao acervo do museu nos últimos cinco anos. Além disso, dimensão, forma, textura e diversidade estética, que facilitam a compreensão e apreciação artística dessas obras ao serem tocadas, foram outros critérios adotados para a escolha das esculturas.

Além disso, o museu desenvolveu um novo projeto de comunicação visual que sinaliza todo o segundo andar. Será também editado um conjunto de publicações que inclui um folder institucional, um guia com os destaques das mostra e catálogos para as exposições temporárias. Todo este material, tanto de comunicação visual quanto impresso, será trilíngue (português, inglês e espanhol).

A concretização desta iniciativa só foi possível graças à colaboração dos Acervos Artísticos dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, da Fundação Crespi Prado e da Coleção de Arte da Cidade, do Centro Cultural São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura, que cederam obras de seus acervos, imprescindíveis para a construção dos roteiros curatoriais propostos. Duas fontes de recursos do Governo do Estado de São Paulo viabilizaram integralmente a realização deste projeto: o FID - Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, e verbas destinadas pela Secretaria de Estado da Cultura.

Mais do que uma contribuição para a história da arte no Brasil, um exercício de museologia


social e um prática de ação educativa responsável, a exposição Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca São Paulo é um passo decisivo no compromisso do museu de tornar realidade o direito individual de cada cidadão brasileiro de ter acesso efetivo a seu patrimônio cultural preservado.

Sala 1 – A tradição colonial
As obras contrapõem a tradição artística do Brasil colonial, tão estreitamente ligada à temática religiosa, à imaginação europeia com relação ao país. A breve ocupação holandesa no nordeste daria origem às primeiras pinturas que procuram reproduzir o ambiente natural do país segundo as tradições da pintura de paisagem europeia.

Sala 2 – Os artistas viajantes
A sala reúne uma seleção de pinturas de paisagem executadas por artistas estrangeiros entre 1820 e 1890, aproximadamente. São esses artistas, genericamente chamados “viajantes”, os responsáveis por introduzir no ambiente artístico brasileiro gêneros já consagrados da arte europeia, como a paisagem e a natureza-morta.

Sala 3 – A criação da Academia
As obras de Jean-Baptiste Debret, Nicolas Taunay e Zéphéryn Ferrez, artistas da Missão Francesa de 1816, sinalizam a criação da academia de belas artes no Rio de Janeiro e a instauração, portanto, de um novo sistema artístico, baseado no modelo Francês. Esta academia forma gerações de artistas, representados por Agostinho José da Motta e Pedro Américo, entre outros, responsáveis pela difusão da regra acadêmica, que estabelece novos padrões de gosto ao ambiente artístico no Brasil.

Sala 4 – A Academia no fim do século
A sala apresenta obras de Rodolfo e Henrique Bernardelli , assim como de outros professores e alunos da Academia no período entre 1890 e 1915, como Zeferino da Costa, Belmiro de Almeida e Pedro Weingärtner

Sala 5 – O ensino acadêmico
A sala propõe uma reflexão a respeito do sistema de ensino nas academias de belas artes, abordando alguns de seus aspectos principais: o exercício do desenho; os estudos do corpo humano; as cópias de pinturas dos grandes mestres e a viagem à Europa como prêmio da principal competição proposta pela instituição.

Sala 6 – Os gêneros de pintura
A sala reúne brasileiros dos quatro gêneros propostos pelo ensino acadêmico - natureza-morta, paisagem, retrato e pintura histórica - indicando o alcance e a longevidade do modelo francês difundido pelas academias do mundo. João Baptista da Costa | Quaresmas, c.1910

Sala 7 – Realismo Burguês
A Academia é à base de um sistema artístico que pressupõe o mecenato. É inevitável que a produção acadêmica reflita, portanto, valores importantes para certas classes sociais. No final do século XIX, as obras de Almeida Junior, Eliseu Visconti e Oscar Pereira da Silva, entre outros, reunidas nesta sala revelam a consolidação de um gosto tipicamente burguês no Brasil.
Almeida Júnior | Leitura, 1892

Sala 8 e 9 – Das coleções para o museu
Estas salas reúnem obras oriundas de alguns dos grandes lotes de doação que vieram a constituir o acervo da Pinacoteca do Estado, como o da Família Azevedo Marques (1949), Família Silveira Cintra (1956), Alfredo Mesquita (1976/1994), entre outros.

Sala 10 – Um imaginário paulista
A sala propõe uma reflexão sobre a imagem que São Paulo busca projetar sobre si a partir do final do século XIX. As telas em que Almeida Junior propõe a tipificação do
caipira paulista são contrapostas a imagens da transformação da paisagem urbana de São Paulo.

Sala 11 – O nacional na arte
Reunindo obras de diferentes períodos, a sala destaca uma questão que perpassa todo o século XIX brasileiro, permanecendo como indagação ainda para artistas e intelectuais do modernismo paulista: a criação de um ideário nacional nas artes.·.

EXPOSIÇÕES EM CARTAZ:

Lygia Pape - Espaço Imantado

de 17.mar a 13.mai 2012

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, apresenta primeira exposição retrospectiva de Lygia Pape - um dos principais nomes da arte brasileira contemporânea junto com Hélio Oiticica e Lygia Clark, aos quais a artista tinha uma forte ligação. Espaço Imantado reúne cerca de 200 obras, entre pinturas, relevos, xilogravuras, ações performáticas – mostradas por meio de objetos, vídeos e fotografias –, produção cinematográfica, cartazes de filmes, poemas, colagens e documentos. A mostra exibe suas peças mais conhecidas, como Tecelares (1957) e Livros, e outras experiências menos difundidas, como os Ballets Neoconcretos e sua produção cinematográfica, mais precisamente, a seleção de filmes experimentais que será exibida pela primeira vez em conjunto. Além disso, também serão apresentadas obras de experiências coletivas que sobreviveram por meio de documentos visuais. As Ttéias, instalações realizadas com fios prateados, dourados ou transparentes, que farão o espectador submergir em um espaço dominado pela luz e pela abstração poética estarão no centro da mostra.


Viajantes contemporâneos

de 15.out a 15.jul 2012

Com cerca de dez obras, a mostra apresenta a produção de artistas contemporâneos, Cildo Meireles, Carla Zaccagnini, João Modé, Vicente de Mello, João Musa, Rivane Neuenschwander, entre outros, feita na condição de viajantes, por conta de programas como residências, feiras e bienais. Pretende mostrar trabalhos que, a exemplo dos viajantes do século passado, trazem para o Brasil um pouco do lugar visitado, numa operação de desterritorialização simbólica e cultural, em conformidade com os processos da globalização. Com curadoria de Ivo Mesquita, curador chefe da Pinacoteca do Estado.
A Casa da Rua Guadelupe

de 26.mar a 29.dez 2012

A Fundação José e Paulina Nemirovsky, em parceria com Pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta, na Estação Pinacoteca, a exposição A Casa da Rua Guadelupe. A mostra conta com um conjunto de 73 obras, sendo 30 pinturas, 12 obras sobre papel, 10 esculturas e 01 relevo e mais 20 peças entre mobiliário, luminárias, portas e objetos decorativos que integram o acervo da Fundação Nemirovsky.

Alguns itens do acervo da Fundação ainda inéditos, tais como as portas, luminárias e mobiliário pertencentes à casa, estarão em exibição. Será também uma oportunidade de se prestar uma homenagem ao arquiteto e designer Jorge Zalszupin, autor do projeto arquitetônico e amigo do casal. A exposição inclui ainda painéis explicativos compostos por textos e imagens sobre a residência Nemirovsky; um breve currículo do arquiteto Jorge Zalszupin, autor do projeto da casa; vistas ampliadas da residência. Será exibido no espaço expositivo o videodocumentário Casa e Coleção que trás o depoimento de D. Paulina em sua residência, em 2004.

Alberto Giacometti Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris.

de 24.mar a 17.jun 2012

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta exposição Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris. Para a exposição foram selecionados cerca de 280 trabalhos, sendo 80 esculturas de tamanhos variados, 40 pinturas, 80 trabalhos sobre papel, 56 fotografias e documentos. Alberto Giacometti (Borgonovo, Suíça, 1901–1966,) é considerado um dos grandes expoentes da arte do século XX e esta mostra configura-se numa oportunidade única para conhecer sua trajetória artística.

A seleção dos trabalhos expostos foi feita por Véronique Wiesinger, curadora e diretora da Fundação Alberto e Annette Giacometti, que procurou apresentar todas as linguagens do percurso artístico de Giacometti ao longo de meio século, com destaque para a influência da escultura africana e da Oceania, que marca o início da sua obra madura. Disposta em ordem cronológica e temática, a mostra ocupa todo o primeiro andar da Pinacoteca onde são apresentados desde os retratos do artista executados por seu pai e por seu padrinho, ambos os pintores, até as esculturas monumentais concebidas para Nova York. A seleção de obras também ressalta os laços de Giacometti com escritores e intelectuais parisienses como André Breton e o surrealismo, ou Jean-Paul Sartre e o existencialismo.

100 anos Apolônio de Carvalho a trajetória de um libertário

de 31.mar a 08.jul 2012

Mostra composta por 30 painéis que percorrem a história de Apolônio de Carvalho, desde a sua infância, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, passando pelos principais acontecimentos políticos e sociais do século 20, como a Insurreição de 1935, a Guerra Civil Espanhola, a Resistência Francesa contra o nazismo, a luta contra a ditadura militar, o exílio, a anistia e a reconstrução democrática no Brasil.
HISTÓRICO:
Pinacoteca do Estado de São Paulo -
A Pinacoteca é o mais antigo museu de artes plásticas do Estado de São Paulo, inaugurada em 1905 e transformada em museu estadual em 1911, em um momento em que inexistem salões públicos para a exibição de obras de arte na cidade. Funcionando na Avenida Tiradentes, no Jardim da Luz, centro de São Paulo, o imponente edifício - projetado pelo escritório do engenheiro Ramos de Azevedo (1851-1928) entre 1896 e 1900 - passa por diversas reformas. A última delas é realizada na década de 1990, durante a gestão de Emanoel Araújo (1940) como diretor da instituição, a partir de um projeto de recuperação do prédio assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha (1928). A reforma integra de modo mais evidente, o museu ao Parque da Luz, também recuperado e que passa a funcionar como um museu de esculturas ao ar livre. Com um acervo definido como "uma coleção de arte brasileira" - um de seus traços distintivos -, a Pinacoteca conta hoje com cerca de 5.000 obras, predominantemente de artistas nacionais do século XIX.

A história da Pinacoteca do Estado de São Paulo se confunde com a do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (Laosp), criado em 1873 por Leôncio de Carvalho como Sociedade Propagadora da Instrução Popular, associação educacional privada fundada com apoio da maçonaria, destinada às classes trabalhadoras do campo e da cidade. Após uma reforma curricular e sucessivos apoios estatais, a Sociedade passa a se chamar Liceu de Artes e Ofícios em 1882, "para ministrar gratuitamente ao povo os conhecimentos necessários às artes e ofícios, ao comércio, à lavoura, às indústrias". Mas é em 1895, quando dirigida pelo engenheiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que a escola conhece uma reforma mais ampla, com a inclusão das "artes e ofícios", de acordo com o plano do engenheiro de criar as bases de uma "futura Escola de Belas Artes de São Paulo". Nessa fase também se inicia a construção do novo edifício, parcialmente concluído em 1900, quando começam a funcionar alguns cursos de instrução primária e artística. O prédio, projetado por Ramos de Azevedo e Domiciano Rossi, seu principal colaborador, tem estilo monumental em forte consonância com os princípios do neo-renascentismo italiano.

A criação de um museu no interior do Liceu altera as suas feições iniciais. Concebida a princípio para ser uma galeria, a Pinacoteca é fundada pelo poeta e mecenas Freitas Valle, pelo político Sampaio Vianna, pelo engenheiro Adolpho Pinto e por Ramos de Azevedo, que dirige o Liceu e a Pinacoteca de 1905 a 1921. Em seus primeiros anos, são organizadas a 1ª e a 2ª Exposições Brasileiras de Belas Artes (1911 e 1912), a Exposição de Arte Espanhola (1911) e a Exposição de Arte Francesa (1913), além de algumas mostras individuais (por exemplo, as de Aurélio de Figueiredo (1854-1916) e de Pedro Alexandrino (1856-1942), em 1912). O acervo inicial do museu conta com 59 obras de artistas consagrados do Rio e de São Paulo - entre os quais Antônio Parreiras (1860-1937), Benedito Calixto (1853-1927), Baptista da Costa (1865-1926), Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939) e Almeida Júnior (1850-1899) - parte delas pertencentes ao acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (MP/USP) e transferidas à Pinacoteca. Até os anos 1930, esse acervo é ampliado em função de doações privadas e aquisições do Estado. Obras dos artistas pensionistas no exterior - por exemplo, Victor Brecheret (1894-1955), Anita Malfatti (1889-1964), Wasth Rodrigues (1891 - 1975), entre outros -, passam a integrar a coleção do museu, de acordo com as regras do Pensionato Artístico de São Paulo. Com a criação do Salão Paulista de Belas Artes, em 1934, por sua vez, as obras contempladas com o "prêmio aquisição" passam à Pinacoteca. Quando das exposições de arte espanhola e francesa, as primeiras obras internacionais se integram ao acervo.

O incêndio de 1930, bem como as revoltas políticas de 1930 - a Revolução de 1930 e a Revolução Constitucionalista de 1932 obrigam o museu a fazer às vezes de quartel improvisado - deixa a Pinacoteca fechada por dois anos. Sua reabertura se dá na antiga sede da Imprensa Oficial do Estado, onde permanece até 1947, quando retorna ao edifício do Liceu. Entre os anos de 1932 e 1935, a Pinacoteca funciona sob o controle da Escola de Belas Artes, que passa a se responsabilizar pelo museu. A vinculação com a Escola de Belas Artes e as sucessivas gestões de Paulo Vergueiro Leão (de 1932 a 1944) e a de Mugnaini (1895-1975) (de 1944 a 1965) mantêm a Pinacoteca relativamente distante dos movimentos de renovação artística do início do século XX e dos demais museus de artes criados na década de 1940 (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP)). Em todo esse período ela segue sua vocação inicial de formação de um acervo com obras acadêmicas. É nos anos 1970, nas gestões de Delmiro Gonçalves, Clóvis Graciano (1907-1988) e Walter Wey, que tem início uma série de reformas do prédio e é quando mudam também os critérios de escolha das obras, definidos, a partir de 1970, pelo Conselho de Orientação Artística da Pinacoteca. O espaço do edifício da Praça da Luz é compartilhado pela Pinacoteca e pela Escola de Belas Artes até os anos 1980. Na década de 1960, o prédio abriga também a Escola de Arte Dramática. É somente em 1982 - quando o prédio é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) -, que o museu passa a contar com um espaço exclusivo.

A Pinacoteca possui um acervo variado de arte brasileira de todos os tempos, mas que tem sua importância reconhecida em função da significativa coleção de artistas nacionais do século XIX. Ao longo das salas do segundo pavimento é possível entrar em contato com a produção de Almeida Jr., suas paisagens, retratos, sobretudo, os célebres Caipira Picando Fumo (1893), Saudades (1899) e Leitura (1892). As naturezas-mortas de Pedro Alexandrino ocupam uma sala: Cozinha na Roça (1894), Peru Depenado (ca.1903), Aspargos (s.d.). Além disso, paisagens de Parreira e Benedito Calixto, como a Baía de São Vicente; pinturas históricas e cenas de gênero de Oscar Pereira da Silva - Hora da Música, 1901 e Infância de Giotto, 1895 -, retratos de Bertha Worms (1868-1937) e Henrique Bernardelli (1858-1936), entre muitos outros. A despeito de sua ênfase na arte acadêmica, o acervo conta com diversas obras de artistas modernistas, como Victor Brecheret, Lasar Segall (1891-1957), Anita Mafaltti e Di Cavalcanti (1897-1976). Com o tempo incorpora também obras abstracionistas de distintas extrações - Waldemar Cordeiro (1925-1973), Flexor (1907-1971), Arcangelo Ianelli (1922-2009) -, além de trabalhos contemporâneos, como os de Nuno Ramos (1960), Paulo Monteiro (1961) e.

JARDIM DA LUZ



Em 1798, o Parque da Luz foi inaugurado como Jardim Botânico. Depois de reformado, foi inaugurado em 1825 como o primeiro jardim público da cidade. Dez anos mais tarde, o presidente da província Rafael Tobias escrevia em seu relatório: "Continua-se a trabalhar no Jardim estabelecido nesta cidade; ainda que seja uma despesa que mais toca ao agradável do que ao útil, não se pode dispensar, uma vez que ele já serve de recreio aos cidadãos em certos dias, e não é conveniente abandonar uma obra começada, perdendo-se o que está feito".
Em 1860, parte das terras do Jardim Público da Luz (cerca de 20 braças, ou 44 metros) foi entregue à Companhia Inglesa para a construção da estação da estrada de ferro, a futura Estação da Luz, e, no final do século, mais terras foram cedidas para a construção do Colégio Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios. Restou hoje uma área de 113.400 metros quadrados.
O problema é que até meados do século XIX a população não frequentava o Jardim Público da Luz. O viajante Frédéric Houssay observa em 1862: "Jamais encontrei alguém ali que não fosse o seu velho jardineiro alemão".
Na verdade, o Jardim Público da Luz só se tornou popular no governo de João Teodoro (1872-1875), quando, depois de reformas que incluíram a instalação de um observatório astronômico, cumpriu o papel de parque de lazer para a população, local de passeio das famílias, ponto de encontro dos passageiros que desembarcavam na Estação da Luz, vindos de Santos ou do interior. Em 1883, recebeu iluminação elétrica.
No governo de Antônio Prado, prefeito da cidade de 1899 a 1910, o jardim passou por novos melhoramentos, como calçamentos, construção de tanques, bancos e coretos. O viajante francês Paul Adam deixa registrado em 1914: "Aos domingos, no Jardim da Luz, é agradável ver esse povo energético, bem trajado, entregar-se aos prazeres da ginástica e da patinação, por entre o emaranhado das mais belas árvores tropicais, diante dos quiosques onde as mulheres em sua elegância saboreiam sorvetes, bebem refrescos. É a vida sadia e limpa".
A população paulistana, portanto, passou a frequentar regularmente o Jardim da Luz, aos domingos e feriados, quando, ao som das bandas de música, passeava entre plantas, árvores centenárias, lagos e animais - preguiças, zebras, jaburus, garças, pavões, girafas, tamanduás, onças, peixes, entre outros.
Com a degradação da região central da cidade, partir da década de 1970, o Jardim da Luz ficou praticamente entregue à prostituição, tráfico de drogas, contrabando e outras atividades criminosas. A população afastou-se do local, considerado perigoso. No final da década de 1990, entretanto, o governo assumiu a recuperação do Jardim da Luz. O coreto foi restaurado, bem como o lago e os caminhos. O lugar recuperou o seu caráter público; ali crianças, jovens, namorados e idosos podem esquecer o tumulto da cidade e realizar um agradável passeio entre árvores majestosas e esculturas de artistas brasileiros.

ESTAÇÃO DA LUZ

Inaugurada em 16 de fevereiro de 1867, a Estação da Luz teve fundamental importância para a movimentação turística e econômica da capital paulista, sendo parado da, então, recém-criada São Paulo Railway, estrada de ferro que ligava Jundiaí a Santos para a comercialização do café.

Nos primeiros anos de vida, o projeto arquitetônico da Estação da Luz não gerava tanto encanto como nos dias de hoje. Era uma estrutura simples que contava com apenas uma bilheteria e a plataforma de embarque e desembarque. A beleza da época estava fora das imediações da estação. Ao lado estava abrigado o Jardim da Luz, primeiro jardim público da capital paulista que tinha sido criado com o objetivo de embelezar a cidade.

Conforme São Paulo foi crescendo, passou a receber muitos visitantes e imigrantes e a Estação da Luz começou a ficar pequena para a demanda. Dessa forma, na década de 1880, aconteceu a primeira reforma com o objetivo de ampliá-la. A estação ganhou mais um andar, um novo saguão e novas bilheterias.

A primeira grande reforma arquitetônica aconteceu no início do século XX. O cenário artístico paulista estava bastante incentivado e a urbanização da cidade acontecia seguindo os moldes dos grandes centros europeus. Assim, as ruas passaram a ganhar calçadas, iluminação e as famosas linhas de bondes.

Como não podia deixar de acontecer, a Estação da Luz também ganhou uma nova cara. O prédio ganhou traços da estética vitoriana, como a famosa torre do relógio, baseada no Big Ben londrino. A obra foi assinada pelo engenheiro James Ford e projetada pelo Barão De Mauá. Desde a sua instalação, o relógio da Estação da Luz é o referencial para o ajuste dos relógios paulistas.

A estrutura desta Estação foi toda importada da Inglaterra. Mecanismos pré-moldados desembarcaram em São Paulo e aí foram montados. O material de alvenaria, porém, é de origem brasileira. Ela foi inspirada em uma estação australiana, aFlinders Street Station, localizada em Melbourne.

O complexo arquitetônico de 1901 foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) em 1982.

A Segunda Guerra Mundial e a revolução dos transportes


As guerras ocorridas no século XX foram responsáveis por grande parte dos investimentos em estudos de tecnologia. A partir da Segunda Guerra Mundial, os automóveis e os aviões passaram a despertar o interesse das grandes metrópoles e o transporte ferroviário começou a registrar queda. Com isso, a Estação da Luz passou a perder sua importância econômica.

Em 1946, um ano após o fim do conflito, a estação sofreu irreparáveis perdas por conta de um incêndio e precisou ter algumas partes reconstruídas. Entre as alterações, a Estação da Luz ganhou um novo andar para administração.

Daí em diante, a Estação da Luz passou a perder seu encanto de outrora, não pela beleza de sua arquitetura, mas pela funcionalidade. Cada vez mais, políticas públicas incentivaram as pessoas a comprarem seus próprios veículos e os trens acabaram caindo em desuso.

A nova Estação da Luz


A última restauração da Estação da Luz aconteceu em meados do ano 2000 e teve como principal objetivo anexar o Museu da Língua Portuguesa, um centro de referência do nosso idioma que traz à capital exposições e um excelente passeio educacional. A reforma, realizada em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo, deu à estação nova vida e foram dirigidas pelos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Pedro Mendes da Rocha.

Antigamente um ponto de referência no dia-a-dia da cidade, um ponto histórico de grande importância, hoje a Estação da Luz tem a oportunidade de resgatar seu lugar como ícone urbano, junto à Pinacoteca do Estado e ao próprio Museu da Língua Portuguesa.

Com a construção do Metrô, o cenário a sua volta se transformou profundamente, especialmente após a retirada do Monumento a Ramos de Azevedo, significativo marco desta região. Em compensação, porém, este complexo arquitetônico conquistou certo grau de magnificência.

Legado cultural


A estação reflete o momento histórico em que foi construída, evidenciando o poder do café na trajetória de expansão da cidade. Erguida junto ao Jardim da Luz, por décadas a sua torre dominou parte da paisagem central paulistana. O seu relógio era o principal referencial para acerto dos relógios da cidade. .No período de auge da estação (ou seja, nas primeiras décadas do século XX, quando a Luz era uma região de destaque na cidade), ela compunha um conjunto arquitetônico que não só era um referencial urbano como efetivamente fazia parte da vida cotidiana do município, constituindo aquilo que pode ser chamado de a "imagem da cidade". A estação, vizinha do Jardim da Luz, compunha com o edifício da Pinacoteca do Estado um marco na definição da região da Luz, marcando os limites dos bairros do Bom Retiro e Campos Elíseos. Além disso, até meados dos anos 1970, um terceiro elemento configurava aquele espaço de forma bastante marcante: na perspectiva da Avenida Tiradentes localizava-se, em frente à Pinacoteca, um monumento à figura de Ramos de Azevedo (arquiteto responsável pelo projeto de diversos edifícios importantes naquele período, inclusive o prédio da Pinacoteca). Desta forma, tendo como referência aquele monumento, alguém localizado tanto no Centro Antigo quanto nas regiões mais próximas ao Rio Tietê (para o qual a Avenida Tiradentes se estende) poderia localizar o bairro da Luz e especular a que distância estava da Estação. Com as obras do Metrô de São Paulo, conduzidas na década de 70, o Monumento a Ramos de Azevedo teve de ser removido do local, levando a uma alteração radical da configuração espacial da paisagem original daquele local, assim como a sua percepção cotidiana dos transeuntes do local. Por outro lado, a Estação da Luz ganhou certa monumentalidade.

FONTE DE PESQUISA:

Enciclpédia Itaú Cultural – Artes Visuais

www.pinacoteca.org.br



www.aprenda450anos.com.br

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Interessante!!!!!

APOIO AO PROFESSOR:

O interesse em potencializar o acesso dos professores às obras do acervo da Pinacoteca e ao patrimônio cultural, e prepará-los para perceber o potencial educativo desses conteúdos, estimulou a realização de diversas ações com os professores.

Os encontros buscam auxiliares os professores a desenvolver propostas que incluam a arte na sala de aula, objetivando a construção do interesse pela arte e pela cultura por meio de ações tanto para a exposição de obras do acervo, quanto para mostras temporárias.

Com um conteúdo voltado para a construção do saber em arte e a potencialização da utilização de imagens do acervo da Pinacoteca como recursos educativos em sala de aula, os encontros com professores acontecem de maneira articulada às visitas educativas de alunos.

Materiais de apoio

O Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca do Estado de São Paulo desenvolveu diversos Materiais de apoio à prática pedagógica, no sentido de aproximar as ações educativas realizadas no museu dos currículos e das práticas da educação formal.

Estes materiais, elaborados para diferentes épocas, artistas, técnicas e linguagens da arte contam com reproduções de imagens de obras selecionadas do acervo, propostas para a leitura das imagens, e indicações para propostas poéticas e de acessibilidade, o material conta, ainda, com um impresso de apresentação do contexto de produção das obras, aspectos das trajetórias dos artistas, linha de tempo comparativa, glossário e indicações para leitura.

As instituições de ensino poderão retirar gratuitamente um conjunto destes materiais, enviando um professor representante ao Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca (Praça da Luz, n.2) no horário das 10h00 às 17:00h.



ATENÇÃO! Informamos que para manter os fluxos de distribuição de materiais, as secretarias, diretorias e instituições de ensino que promovem viagens pedagógicas ao museu para seus docentes, terão direito a retirar quantidades limitadas dos mesmos para as escolas que integram sua rede, desde que realizem pedidos antecipadamente via e-mail a/c da coordenação do Núcleo de Ação Educativa (mchiovatto@pinacoteca.org.br).

Informações e agendamentos pelos tels:


3324.0944 / 3324.0943
com Valdir ou Heber.

Elaine e ou Patty

Verificar a possibilidade de conseguir esse material para o colégio. Acho que se marcar o professor Pega no dia do passeio.

Eu gostaria muito de ter na sala de arte.



Bjocas no coração

Rita Regina


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