Articulação dos Problemas da Metafísica



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(Des-)Articulação dos Problemas da Metafísica

(Classificações, Transformações e Conseqüências da Teoria Silogística de Kant) 1.
Daniel Omar Perez
Departamento de Filosofia,

Universidade Estadual do Oeste do Paraná,

Campus Toledo-Pr.
dperez@unioeste.br

Este texto visa reconstruir a interpretação do silogismo, nas duas grandes etapas do pensamento de Kant, a fim de mostrar a sua importância fundamental na formulação dos problemas necessários da razão na Crítica da Razão Pura.

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Introdução:
Na distinção das grandes etapas do pensamento kantiano (pré-crítico/crítico) podemos indicar, como é de uso, alguns pontos de ruptura, que dão origem à novidade do pensamento crítico em relação ao “racionalismo” sustentado nos textos anteriores; mas também podemos elaborar algumas linhas de continuidade, que darão certa coerência à “obra do autor”2. Nossa tentativa aqui será, antes que aderir ou rejeitar cortes ou genealogias, reconstruir a interpretação do silogismo em dois textos de Kant, a saber: Die falsche Spitzfindigkeit der vier syllogistischen Figuren (1762)3 e Kritik der reinen Vernunft (1781-87)4, utilizando como ponto de passagem a Logik Jäsche5 . Esta reconstrução nos permitirá:

  1. avaliar as mudanças de um texto para outro na questão específica da interpretação do silogismo,

  2. apresentar o fio condutor que serve de fundamento para a efetivação da mudança,

  3. indicar a conseqüência fundamental com relação à teoria dos problemas em Kant, especialmente os da metafísica.

Neste sentido, procurar-se-á reconhecer em que medida os problemas da metafísica estariam vinculados e veiculados com e por problemas da linguagem e, em que medida também, poderíamos esclarecer a própria atividade filosófica trabalhando sobre problemas da linguagem.

O silogismo categórico como juízo estendido:
No ano de 1762 Kant escreve um texto tematizando especificamente o problema do silogismo. O texto, titulado Acerca da falsa subtileza das quatro figuras do silogismo, está dividido em seis parágrafos. Por ordem de exposição cada parágrafo tratará: 1- o conceito do silogismo; 2- as regras dos silogismos; 3- a distinção, introduzida por Kant, segundo as regras anteriormente formuladas, entre silogismos puros e mistos; 4- o desenvolvimento da distinção, figura por figura; 5- a conclusão lógica específica segundo os resultados da análise; e finalmente, na última consideração, as conseqüências metafísicas que a pesquisa apresenta.

No texto pré-crítico o conceito de silogismo é definido por Kant a partir da análise do juízo. Segundo a estrutura proposicional S-P Kant afirma que: “julgar é comparar algo como uma característica ( Merkmal ) com uma coisa”6. Onde a “coisa” é o sujeito S, a “característica” é o predicado P e a relação de comparação é expressa pela cópula ou marca, sinal, signo de união, reunião, relação (Verbindungszeichen) “ser” (sein). Assim, na proposição “S é P” predicamos afirmativamente P de S. Com a introdução do sinal da negação “S é ¬P” predicamos negativamente P de S. Deste modo, dado um predicado qualquer é possível de afirma-lo ou nega-lo em relação a uma coisa. Esta relação deve ser imediata já que é nela que se funda o ato de comparação do juízo.

Na extensão desta operação surge o silogismo propriamente dito. A introdução de uma característica mediata (ein mittelbares Merkmal), isto é “a característica de uma característica da coisa”7, nos permite completar o juízo em um raciocínio. Deste modo, a definição real (Realerklärung) de silogismo é dada por Kant nos seguintes termos: “Todo juízo estabelecido através de uma característica mediata é um silogismo; ou em outras palavras, um silogismo é a comparação de uma característica com uma coisa por meio de uma característica intermediária”8.

Assim, no silogismo, somos levados do predicado, característica imediata ou intermediária, ao predicado do predicado, ou característica mediata. Onde S-P-p’ seriam os elementos envolvidos na operação. Sendo que para conhecer claramente a relação entre S e p’ sirvo-me do terminus medium P. No exemplo de Kant “a alma humana é um espírito” se usa o termo médio “racional”, formulando-se a operação do seguinte modo:




Tudo o que é Racional é Espírito,

a Alma do homem é Racional

Logo, a Alma do homem é Espírito.


TUDO R------E

A------R


LOGO, A-----E

Onde se Espírito é uma característica de Racional

Racional é uma característica da Alma,

então, Espírito é também uma característica da Alma.


No caso dos silogismos negativos se procede do mesmo modo com a introdução do sinal de negação. Seja o caso de demonstrar a proposição “A duração de Deus não é mensurável através de tempo algum”, entre o sujeito Deus e a característica mediata não-mensurável pelo tempo, introduz-se a característica imediata imutável .

Sendo:
Nada do que é imutável é temporalmente mensurável

Deus é imutável,

logo, Deus é não-mensurável.


Deste modo é enunciada a regra universal de todos os silogismos afirmativos e negativos, a saber:


A característica de uma característica é a característica da própria coisa.

O que contradiz a característica de uma coisa, contradiz a própria coisa9.

De acordo com Kant, estas regras servem de fundamento àquilo que os lógicos da sua época consideraram o “fundamento supremo” de todos os silogismos positivos e negativos:




O que é afirmado universalmente de um conceito, é igualmente afirmado para todo o que é contido nele.

O que é negado universalmente em relação a um conceito, é-o igualmente, em relação ao que é compreendido nele10.

A prova deste princípio estaria dada pelo procedimento de abstração. O que pertence ou não pertence a um conceito é obtido por meio da abstração. A abstração está ligada diretamente aos princípios de identidade e de contradição que estão na base de todas estas operações. Assim, a identidade entre S e p’ se verifica ou rejeita com a introdução do termo intermediário P, temos aí um silogismo puro. Escreve Kant: “Quando um silogismo contém, apenas, três proposições inter-relacionadas segundo as regras que expusemos, chamo-lhe silogismo puro (ratiocinium purum)...”11. É o caso dos exemplos anteriores. Na interpretação de Kant, para demonstrar que “a alma humana é um espírito”, devemos obter, por abstração, do sujeito A, a característica imediata C, e desta a característica mediata B. É através da identidade entre um elemento e outro que se conforma a operação silogística.

Assim:

C (contém) B



A (contém) C

logo,A (contém) B


A regra deste tipo de silogismos da primeira figura seria expressa nos seguintes termos: “uma característica B de uma característica C de uma coisa A é a característica dessa mesma coisa”12. Mas se o silogismo “só é possível através da ligação de mais de três juízos, chamar-lhe-ei -diz Kant- silogismo misto (ratiocinium hybridum)”13. Em cada caso é necessária a introdução de uma ou mais inferências que explicitem aquilo que está implicitamente colocado na proposição anterior. Os exemplos de Kant ilustram esta distinção.

Vemos o caso da segunda figura silogística que é expressa na regra: “o que contradiz à característica de uma característica, contradiz à própria coisa”. “Esta proposição é verdadeira -escreve Kant- porque aquilo que é contradito por uma característica contradiz igualmente essa característica, mas o que contradiz uma característica está em conflito com a própria coisa e, consequentemente, o que é contradito pela característica de uma coisa está em conflito com a própria coisa. Torna-se claro que é apenas porque posso converter simplesmente a maior enquanto proposição negativa que posso deduzir a conclusão através da menor”14. O processo de conversão dos termos da premissa maior, na introdução de uma quarta proposição, permite explicitar adequadamente o raciocínio, mas este deixa de ser puro. Assim, temos entre a premissa maior (“nenhum espírito é divisível”) e a conclusão (“nenhuma matéria é espírito”), duas proposições, a saber, a conversão lógica da maior e o termo médio.




Nenhum espírito é divisível

nada do que é divisível é espírito

Toda matéria é divisível;

logo, nenhuma matéria é espírito



Nenhum E contém D

nenhum D contém E

Todo M contém D

nenhum M contém E


Na terceira figura, (que funciona sob a seguinte regra “o que é compatível ou incompatível com uma coisa é também compatível ou incompatível com algumas coisas que estão contidas numa outra característica da coisa”) também se introduz, por outro modo de conversão, uma quarta proposição. “Esta proposição -escreve Kant referindo-se à regra do silogismo- só é verdadeira porque posso transpor, por conversão (per conversionem logicam) o juízo no qual é dito que uma outra característica convém à coisa; o que o torna conforme à regra de todos os silogismos”15.

Exemplo:


Todos os homens são pecadores

Todos os homens são racionais

alguns racionais são homens

logo alguns racionais são pecadores



Todo H contém P

Todo H contém R

alguns R contém H

alguns R contém P


No segundo e terceiro caso de silogismo as três últimas proposições conformam a figura do silogismo “puro”. Onde a maior contém o predicado da conclusão. Mas isto dá-se só com a introdução de uma nova operação. Assim a segunda proposição fica como a maior.

Nos casos da quarta figura, tratada por Kant, afirma-se que já não é possível dar uma regra que subsuma essa operação. “A forma de tirar conclusões nesta figura é tão contrária à natureza, e funda-se num número tão elevado de deduções intermédias, que devem ser pensadas como proposições intercaladas, que a regra universal que eu poderia extrair seria muito obscura e incompreensível”16. Neste tipo de operações é possível utilizar conversões ou contraposições para explicitar a cadeia de inferências que conduz da premissa maior à conclusão.Note-se no exemplo:


Nenhum homem estúpido é sábio;

nenhum sábio é estúpido.

Alguns sábios são piedosos;

alguns piedosos são sábios.

Alguns piedosos não são estúpidos.


Nenhum E contém S

nenhum S contém E

Alguns S contém P

Alguns P contém S

Alguns P contém não E.

Na segunda e na quarta proposição são introduzidas as inferências que permitem explicitar a passagem de uma sentença à outra até chegar à conclusão.

Com isto tudo, Kant quer mostrar que com a excepção do silogismo categórico (ou da primeira figura), todos os outros raciocínios introduzem conclusões intermediárias para completar o conceito. Portanto, não são propriamente silogismos. Mas de modo algum significa que sejam falsos. A importância desta distinção, e aqui está o objetivo da tarefa kantiana neste texto, funda-se na tentativa de explicitar os passos em função da clareza das conclusões segundo regras lógicas. “A meta (der Zweck) da lógica, não é confundir, mas resolver (aufzulösen), expôr alguma coisa, não de uma forma velada, mas com evidência (augenscheinlich). É por isso que essas quatro espécies de raciocínios (Schlußarten) devem ser simples, sem misturas e sem inferências auxiliares, feitas de uma forma escondida; se não for assim não lhe devemos dar o direito de aparecer numa exposição lógica como sendo as fórmulas da apresentação mais clara de um raciocínio”17. É o trabalho de esclarecimento da sintaxe lógica o que está em jogo, sua caracterização e seu limite.

O privilegio de Kant para a primeira figura baseia-se na afirmação que diz: “um conceito claro (deutlicher Begriff) só é possível através do juízo, e um conceito completo (vollständiger), só é possível através de um silogismo (Vernunftschluß)”18. Na extensão do processo de abstração passamos, em uma ordem de continuidade, do juízo para o silogismo. Deste modo, “para que um conceito seja claro, é necessário que eu reconheça (erkenne)19, claramente, alguma coisa como característica de alguma coisa, o que é um juízo”20. E mais adiante Kant explicita: “o juízo não é o conceito claro em si mesmo, mas a operação (Handlung)21 pela qual ele se torna verdadeiro; pois é a representação que surge da própria coisa depois desta representação, que é clara”22. Se prolongarmos esta Handlung -operação- no silogismo chegaremos à completude do conceito. É de destacar como Kant hierarquiza a “operação” como aceso à verdade. Uma operação baseada na sintaxe lógica é fundamento de verdade de uma proposição.

Entre clareza e completude, entre juízo e raciocínio, há uma relação de continuidade sustentada no mesmo fundamento; “... temos necessidade da mesma faculdade da alma (Grundkraft der Seele) para os conceitos claros e para os conceitos completos (visto que é, exatamente, a mesma faculdade que reconhece, imediatamente, qualquer coisa como característica de uma coisa que serve também para representar de novo, nesta característica, uma outra característica e para assim pensar a coisa através de uma característica afastada), assim, salta também aos olhos, que o entendimento (Verstand) e a razão (Vernunft), isto é a capacidade de conhecer claramente (das Vermögen, deutlich zu erkennen) e a de efetuar silogismos (und dasjenige, Vernunftschlüsse zu machen), não são, quanto ao seu fundamento, faculdades diferentes (keine verschiedene Grundfähigkeiten sein)”23. É nesse fundamento que se sustenta a unidade da distinção lógica ou conhecimento, que Kant não diferencia, neste texto, senão apenas com relação às representações sensíveis. “Distinguir logicamente, é reconhecer (Logisch unterscheiden heißt erkennen) que uma coisa A não é B, o que é sempre um juízo negativo; distinguir fisicamente (physisch unterscheiden) é ser levado (getrieben werden) por representações diferentes a cometer ações (Handlungen)”24. Isto é colocado por Kant para diferenciar um tipo de procedimento racional de um tipo não racional, como poderia ser o exemplo da conduta dos animais, onde também poderíamos isolar um conjunto de representações e operações. Sem ter, por isto, uma elaboração conceitual.

Mas o que é de destacar, e neste ponto Kant apenas consegue enunciar a questão, é o problema daquilo que torna possível o juízo. Trata-se da indagação da “força (Kraft) ou capacidade (Fähigkeit) que não é outra coisa que a faculdade (Vermögen) do sentido interno (des innern Sinnes) para constituir (zu machen) suas próprias representações em objetos de pensamento”25. O que aqui está em jogo é a relação entre a distinção física e a distinção lógica. Trata-se de procurar a operação que permite passar das representações sensíveis às representações lógicas, das sensações ao pensamento.

Por um lado, Kant desenvolve toda uma teoria do silogismo baseado no princípio de identidade e de não-contradição. Toda e qualquer proposição deve ser considerada analítica, para que, a partir da análise do conceito, possamos decidir sobre a sua relação com o predicado ou com o predicado do predicado. A distinção lógica baseada no procedimento da abstração funda-se na análise de conceitos. No entanto, Kant afirma explicitamente, como temos já citado, que aquilo que torna possível o juízo é a operação de provocar (zu machem) representações lógicas a partir de representações de caracter sensível.

Aqui surge um primeiro conflito no texto kantiano. Se a conexão entre os termos de um silogismo deve ser explícita ou implicitamente analítica, quer dizer, as premissas e conclusões devem ser proposições analíticas (e isto está sustentado pelo princípio que diz: “todos os juízos ou são idênticos ou são contraditórios”), então Kant não precisaria de fazer referência à efetividade das coisas. Não teria porque se incomodar em procurar “a capacidade que torna possível o juízo” em relação com representações sensíveis. Se o simples esclarecimento analítico do conceito na forma do juízo e do raciocínio for suficiente, então as três páginas nas quais Kant fala sobre a conduta de um boi perante sua cavalariça, a relação entre o assado e o cachorro, seria “pura literatura”, no sentido pejorativo das palavras, pertenceria a esse “barroquismo” kantiano que tantas vezes foi julgado como artificial por alguns comentadores ingleses. A questão é que estas afirmações sobre a distinção lógica e a distinção física não parecem ser ornamentais, localizam-se na “Consideração Final” (Schlussbetrachtung), no momento em que Kant deve mostrar para que é que serve tudo esse trabalho, que não é a mera “ginástica dos eruditos” (Athletik der Gelehrten). Mas, por outro lado, se não é mero ornamento, para que introduzir esse problema? ... logo após de uma quase apologia da analiticidade dos conceitos. A estrutura da argumentação do texto parece se quebrar, justo no momento decisivo, no momento em que Kant deveria ser consequentemente leibniziano.

Parece surgir um “mal-estar” em Kant na hora de aceitar incondicionalmente a tese de que todas são representações do mesmo tipo, só que algumas são confusas. Se ele tivesse optado por essa proposta nada teríamos a dizer acerca da sua conclusão, a não ser que ele apreendeu e até melhorou os ensinamentos do mestre. Mas não. Parece estar anunciando outra coisa, algo que não foi suficientemente elaborado.

Se Kant fosse mais um racionalista, e especificamente um “leibniziano”, não teria qualquer motivo para se perguntar pela força (Kraft) que permite constituir (zu machen) as representações em objetos do pensamento. A resposta é clara para qualquer leibniziano. Não podemos afirmar apressadamente que Kant já tenha diferenciado sensibilidade e entendimento ao modo crítico, mas também não está aderindo à teoria leibniziana de representações claras e representações confusas. Ele as denomina “representações físicas” e nada tem a ver com qualquer conceitualização confusa.

Sem rodeios enunciaremos nossa proposição. Existe uma estreita relação entre: 1- a tentativa do esclarecimento analítico dos silogismos; 2- a questão de marcar essa relação entre representações físicas e o pensamento; e 3-a mudança da concepção do silogismo elaborada na Crítica da Razão Pura. Esta mudança está direcionada por aquele “mal-estar” que irrompe no texto.

Kant está nos indicando o alcance e o limite da formulação e resolução de problemas através da análise conceitual. Uma análise que é desenvolvida segundo operações sintéticas, a saber: quando tenho um juízo, formulo um conceito claro; quando tenho um silogismo, formulo um conceito completo. Este seria um modo de estender o meu conhecimento da coisa, quer dizer, uma espécie de predicação obtida por análise. Onde, na medida em que seja confirmada, segundo uma coerência sintática, podemos dizer que obtemos uma conclusão verdadeira, que alcançamos a verdade. Mas, no momento de reafirmar essa convicção analítica, Kant chama a atenção para a relação entre o pensamento e a sensibilidade, as representações lógicas e as representações físicas, as palavras e as coisas. É aí que está marcado o limite, é aí que a interpretação deveria entrar em crise.

Aquém de constituir o trabalho aqui apresentado em uma “ginástica de eruditos” (Athletik der Geleherten), e antes de passar a conclusões pressurosas, tentaremos a prometida reconstrução do texto crítico, onde trata-se dos silogismos, e, logo de alguns rodeios necessários, que esclarecerão alguns pontos, abordaremos o problema de forma radical (ou quase). Nesse momento de nossa tarefa o confronto com a tese de Nussbaum26 permitirá, sob outra perspectiva, elucidar o sentido da mudança da concepção lógica para, deste modo, aprofundar naquele “mal-estar” que fico em aberto na nossa leitura do texto anterior.


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