Artigo de opinião



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Encontro05.08.2016
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Artigo de opinião
Um artigo de opinião procura utilizar argumentos consistentes e bem fundamentados, pois são mais fortes e convincentes. Devem explicar aos leitores quais as razões que os levaram a tomar determinada posição, evitando motivos superficiais ou sem justificativa do tipo: porque ninguém que eu conheço discorda, porque ouvi dizer, porque todo mundo pensa assim, porque na vizinhança todos dizem, pois são motivos frágeis.

O autor precisa escolher os argumentos de acordo com o publico para quem escreve. Um artigo para um jornal de economia, por exemplo, deverá conter dados estatísticos; um articulista, para defender uma lei que está sendo criada, precisa apresentar situações em que a sua aplicação trouxe melhorias, e assim por diante. É preciso trazer idéias de um especialista no assunto, exemplificar fatos ocorridos que se relacionem diretamente com a questão colocada; apresentar provas ; referir-se conscientemente a valores éticos ou morais envolvidos na questão; explicitar a relação de causa e conseqüência.


TIPOS DE ARGUMENTOS


ARGUMENTOS

EXEMPLIFICAÇÃO

DE AUTORIDADE

Ajuda a sustentar sua posição, lançando mão da voz de um especialista, uma pessoa respeitável( líder, artista, político) uma instituição de pesquisa considerada autoridade no assunto;

DE EXEMPLIFICAÇÃO

Relata um fato ocorrido com ele ou com alguém para dar um exemplo de como aquilo que ele defende é válido

DE PROVAS

Comprova seus argumentos com informações incontestáveis: dados estatísticos, fatos históricos, acontecimentos notórios;

DE PRINCÍPIOS OU CRENÇA PESSOAL

Refere-se a valores éticos ou morais supostamente irrefutáveis

DE CAUSA E CONSEQUENCIA

Afirma que um fato ocorre em decorrência de outro



ROTEIRO


  1. Seu artigo se baseia em uma questão polêmica?

  2. Você informa ao leitor a origem dessa questão?

  3. Tomou uma posição?

  4. Introduziu sua opinião com expressões como “ penso que”, “na minha opinião”?

  5. Levou em consideração os pontos de vista de opositores para construir seus argumentos? Por exemplo: “ Para fulano de tal, a questão é sem solução. Ele exagera, pois...”

  6. Usou expressões que introduzem os argumentos, como “ pois”, “porque”?

  7. Usou argumentos de autoridade, de exemplificação, de provas, de principio /crença pessoal, de causa e conseqüência?

  8. Usou expressões para introduzir a conclusão, como “ então”, “assim”, “portanto”?

  9. Concluiu o texto reforçando sua posição?

  10. Verificou se a pontuação está correta?

  11. Substituiu palavras desnecessariamente repetidas?

  12. Escreveu com letra legível para que todos possam entender?

  13. Corrigiu os erros de ortografia?

  14. Encontrou um bom título para o artigo?

ELEMENTOS ARTICULADORES





USOS

EXPRESSÕES


Tomada de posição

Do meu ponto de vista, na minha opinião, pensamos que, pessoalmente acho

Indicação de certeza

Sem dúvida, está claro que, com certeza, é indiscutível

Indicação de probabilidade

Provavelmente, me parece que, ao que tudo indica, é possível que

Relação de causa e consequência

Porque, pois, então, logo, portanto, conseqüentemente

Acréscimo de argumentos

Além disso, também, ademais

Indicação de restrição

Mas, porém, todavia, contudo, entretanto, apesar de, não obstante

Organização geral do texto

Inicialmente, primeiramente, em segundo lugar, por um lado, por outro lado, por fim

Introdução de conclusão

Assim, finalmente, para finalizar, concluindo, enfim, em resumo

Fonte: Pontos de vista. Olimpíadas de Língua Portuguesa. CENPEC/MEC 2008


Sou contra a redução da maioridade penal


A brutalidade cometida contra dois jovens em São Paulo reacendeu a fogueira da redução da idade penal. A violência seria resultado das penas que temos previstas em lei ou do sistema de aplicação das leis? É necessário também pensar nos porquês da violência, já que não há um único tipo de crime.

De qualquer forma, um sistema sócio-econômico historicamente desigual e violento só pode gerar mais violência. Então, medidas mais repressivas nos dão a falsa sensação de que algo está sendo feito, mas o problema só piora. Por isso, temos que fazer as opções mais eficientes e mais condizentes com os valores que defendemos.

Defendo uma sociedade que cometa menos crimes e não que puna mais. Em nenhum lugar do mundo houve experiência positiva de adolescentes e adultos juntos no mesmo sistema penal. Fazer isso não diminuirá a violência e formará mais quadros para o crime. Além disso, nosso sistema penal como está não melhora as pessoas, ao contrário, aumenta sua violência.

O Brasil tem 500 mil trabalhadores na segurança pública e 1,5 milhão na segurança privada para uma população que supera 171 milhões de pessoas. O problema não está só na lei, mas na capacidade para aplicá-la. Sou contra a redução da idade penal porque tenho certeza que ficaremos mais inseguros e mais violentos. Sou contra porque sei que se há possibilidade de sobrevivência e transformação destes adolescentes, está na correta aplicação do ECA. Lá estão previstas seis medidas diferentes para a responsabilização de adolescentes que violaram a lei. Agora não podemos esperar que adolescentes sejam capturados pelo crime para, então, querer fazer mau uso da lei. Para fazer o bom uso do ECA é necessário dinheiro, competência e vontade.

Sou contra toda e qualquer forma de impunidade. Quem fere a lei deve ser responsabilizado. Mas reduzir a idade penal, além de ineficiente para atacar o problema, desqualifica a discussão. Isso é muito comum quando acontecem crimes que chocam a opinião pública, o que não respeita a dor das vítimas e não reflete o tema seriamente.

Problemas complexos não serão superados por abordagens simplórias e imediatistas.

Precisamos de inteligência, orçamento e, sobretudo, um projeto ético e político de sociedade que valorize a vida em todas as suas formas. Nossos jovens não precisam ir para a cadeia. Precisam sair do caminho que os leva lá. A decisão agora é nossa: se queremos construir um país com mais prisões ou com mais parques e escolas.

Renato Roseno é advogado. Coordenador do CEDECA – Ceará e da ANCED – Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolecente. 21/11/2003





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