As decisões de investimentos o que são investimentos ?



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AS DECISÕES DE INVESTIMENTOS
O QUE SÃO INVESTIMENTOS ?

De um modo geral podemos caracterizar um investimento como sendo um sacrifício que fazemos hoje para que possamos obter uma série de benefícios no futuro. Os conceitos de sacrifício e benefícios futuros estão associados aos fluxos de caixa necessários e gerados pelo investimento. Então de uma maneira geral, podemos dizer que a análise de investimentos consiste, basicamente, em uma análise da projeção de fluxos de caixa.

Do ponto de vista da decisão financeira empresarial, os investimentos podem ser de duas naturezas distintas: Investimento Financeiro propriamente dito ( compras de títulos e valores mobiliários, que são caracterizados por uma maior liquidez e pela possibilidade de obtenção de informações relevantes nos mercados de capitais ou financeiros ) ou Investimento de Capital ( nesta categoria estão os gastos corporativos mais vultosos, como a aquisição de novas máquinas, a reforma de uma planta industrial, a abertura de uma nova filial, etc.). A perspectiva de investimento de capital chamaremos de Projeto de Investimento.
O processo de avaliação de projetos de investimentos envolve dois subsídios fundamentais:



  1. A estimativa de fluxos de caixa futuros : com base nos ativos operacionais necessários ao investimento são estimados os fluxos de caixa,dentro do período de análise ou horizonte de projeção. Os fluxos são estimados com base no conceito de incremento ( apenas valores associados às variações decorrentes do novo investimento são modelados) das operações ( apenas valores associados às operações do investimento são analisados, o que exclui o pagamento e o eventual benefício fiscal do pagamento de juros e demais desembolsos com despesas financeira) e analisados em sua forma líquida – excluídos os gastos com Imposto de Renda.




  1. A estimativa do custo de capital: se os ativos operacionais são capazes de gerar fluxos estimados, os passivos são responsáveis pelo custo do capital, que representa a média ponderada das fontes de recursos de longo prazo da empresa, subdividida entre recursos dos sócios e de terceiros.

Em nosso estudo abordaremos tópicos associados principalmente aos projetos de investimentos de capital,denominados também de orçamento de capital.


O FLUXO DE CAIXA INCREMENTAL
Os investimentos feitos por qualquer empresa devem possuir capacidade de gerar fluxo de caixa incrementais. Devemos entender como incremental os valores relevantes para a avaliação que se originam em conseqüência da decisão de investimento.
O fluxo de caixa de um projeto de investimento é um modelo matemático que visa mostrar as diversas entradas e saídas efetivas de dinheiro ao longo do horizonte do planejamento do projeto e que ocasionarão impacto na economia da empresa e, permitindo, dessa maneira conhecer a rentabilidade e viabilidade econômica. Nesse sentido, os fluxos de caixa representam a renda econômica gerada pelo projeto ao longo de sua vida útil.
A construção do fluxo de caixa de um projeto de investimento deve ser realizado para que o projeto possa ser analisado com vistas na tomada de decisão sobre a implantação ou não.
Os principais aspectos que devemos considerar na montagem do fluxo de caixa são:
. O valor do investimento a ser realizado durante a execução do projeto

. A vida útil de cada componente dos investimentos

. O valor das receitas, ano a ano, esperada para o projeto, durante sua vida útil

. A evolução dos custos ( fixos e variáveis ) prevista para cada ano

. O valor de recuperação que se espera obter graças a venda dos resíduos do projeto, ao final de sua vida útil

. Os efeitos da inflação

. Os efeitos fiscais
Obs. : Os fluxos devidos a financiamentos não devem ser incluídos no fluxo de caixa para avaliação da viabilidade econômica do investimento de capital.
MODELO DE FLUXO DE CAIXA INCREMENTAL
O modelo proposto considera que somente contenha dados incrementais e exclusivamente operacionais. Devem ser ignorados todos aqueles fluxos financeiros oriundos principalmente das amortizações de empréstimos e respectivos juros. Dessa forma, os fluxos de caixa para decisões de investimentos são, pela teoria da administração financeira, apurados pelos valores líquidos ( após Imposto de Renda ) e admitindo-se que o projeto em avaliação seja integralmente financiado pelo capital próprio, sem utilização de capital de terceiros.
O fluxo de caixa incremental de um projeto pode ser ilustrado mediante a identidade:
FCL = LOP – IR x ( LOP ) + DND
Onde: FCL : fluxo de caixa operacional líquido ou incremental

LOP : lucro operacional obtido antes dos encargos financeiros

IR : imposto de renda incremental calculado sobre o Lucro Operacional

DND: despesas não desembolsáveis incrementais ( depreciação )


Deve ser ressaltado , uma vez mais, que o calculo do fluxo de caixa, conforme proposto, admite que as decisões de financiamento do projeto não exercem influencia sobre os resultados de caixa. Assim, para o estudo da analise de investimentos, mantem-se as decisões financeiras da empresa avaliadas separadamente.

A seguir apresentamos, um modelo de Fluxo de Caixa e os seus respectivos componentes que pode ser utilizado numa avaliação de projetos de investimentos.




Vida útil ( ou Econômica)

0

1

2

3

4

.....

n































Receitas de Vendas.

















































=

Custo Produtos Vendidos






















-

Fixos






















-

Variáveis

















































=

Resultado Bruto

















































-

Despesas Operacionais






















-

Depreciação






















-

Amortização e Exaustão

















































=

Resultado Operacional

















































-

Imposto de Renda

















































=

Resultado Liquido Operacional

















































+

Reversão da Depreciação

















































=

Fluxo Caixa Operacional

























Investimentos em Ativos Permanentes






















+

Investimentos em Capital de Giro






















=

Investimento Total

















































+

Valor Residual






















+

Recuperação do Investimento em Capital de Giro

















































=

Fluxo Caixa Operacional Liquido ou Livre






















Como em todo modelo matemático, no fluxo de caixa são utilizadas algumas simplificações, coerentes com o nível de precisão dos parâmetros:

  • Os investimentos ao longo do período serão alocados ao início do período (o instante zero é o inicio do ano 1)

  • As receitas e os custos operacionais ocorridos ao longo do um ano serão alocados ao fim desse período e ocorrerão simultaneamente.

  • Os valores previstos para os diferentes períodos refletem moeda do mesmo poder aquisitivo, permitindo operar com taxas reais de desconto e de retorno.

ESTIMATIVA DOS FLUXOS DE CAIXA DO PROJETO

A construção do fluxo de caixa de um projeto de investimento deve ser realizada para que o projeto possa ser analisado com vistas na tomada de decisão sobre a implantação ou não. O fluxo de caixa é estruturado mediante a estimação dos valores de entradas e saídas de recursos financeiros.

Os principais passos para estimar o Fluxo de Caixa são detalhados a seguir:



- Vida Econômica ou Vida Útil do Projeto:

O horizonte de projeção em que o projeto deverá produzir resultados econômicos é denominada Vida Econômica do Projeto. A escolha do horizonte de projeção do fluxo de caixa não tem uma regra definida, dependendo do julgamento do analista, do setor da empresa e do crescimento projetado. Números usuais são 5, 7, 10 ou 12 anos, mas há casos de 2 ou 3 anos, para pequenas projetos. Também há situações em que o horizonte de projeto é fixado em 25 anos ou mais. Horizontes largos assim, são mais comuns em empreendimentos grandes, como por exemplo: siderurgia, construção de usina hidroelétrica, rodovias, ferrovias, etc. Uma forma de reduzir a arbitrariedade na escolha do horizonte de projeto é considera – lo pelo menos superior ao período em que o projeto ainda não está estabilizado. De maneira geral, é possível delinear o horizonte de um projeto em função das seguintes variáveis:



    • vida útil dos equipamentos: projetos industriais

    • tempo de esgotamento das jazidas ou reservatórios: projeto de mineração ou produção de petróleo

    • tempo de obsolescência: projetos de alta tecnologia

    • desejo do investidor: qualquer tipo de projeto



  • Receita Líquida de Vendas:

Compreende a variável mais importante e mais difícil de projetar pois ela que atua no sentido de fazer crescer o valor do investimento. Portanto a mais polemica. A dificuldade vem da relativa imprevisibilidade do comportamento dos mercados, que pode afetar a segurança com que são estimados volumes, preços e margens. Em termos práticos, essa variável envolve todas as entradas de caixa provenientes da venda de serviços e produtos, oriundos do investimento. Com intuito de facilitar o estudo, adotaremos o conceito da receita líquida, ou seja considerando os descontos decorrentes dos impostos que incidem sobre o faturamento como: ISS, IPI, ICMS, Confins e PIS.



  • Custos Operacionais:

Referem-se a todos os gastos incorridos em decorrência direta da implementação de um investimento. Para efeito de analise, os custos podem ser classificados ou agrupados distintamente em Custos Fixos e Custos Variáveis.

Custos Fixos: são aqueles que existem seja qual for o nível de produção e que não são diretamente alocáveis aos produtos ou aos serviços vendidos. Os itens mais importantes são: Seguros, Taxas, Manutenção dos Equipamentos, Depreciação dos Equipamentos da Fábrica, Royalties, Salários Supervisores de Produção, controle de qualidade, serviços de infra estrutura, aluguel, etc . Os custos fixos são comumente rateados ou alocados, às vezes em mais de ume estágio, aos produtos e serviços da empresa.

Custos Variáveis: são aqueles que dependem proporcionalmente ao nível de operação do investimento. Os itens mais importantes são: matéria prima, embalagens, mão de obra, energia, combustíveis etc. Os custos diretos podem ser estimados pela multiplicação de quantidades e preços ou como uma porcentagem da receita.

Os custos operacionais ocorrem no mesmo tempo que as receitas operacionais porém em proporções diferentes, devido a participação dos custos fixos sobre o total dos custos.



  • Resultado Bruto: Trata-se do primeiro resultado do investimento e resulta da diferença entre a Receita de Vendas e os Custos Operacionais projetados, sem levar em consideração ainda a depreciação e as despesas operacionais. Portanto, reflete a capacidade de geração de caixa operacional, levando em consideração somente as receitas de vendas e os custos operacionais.



  • Despesas Operacionais:

São dispêndios determinados fundamentalmente pela decisão de implementação de um investimento. Aqui estão incluídas as despesas comerciais as despesas de administração e despesas gerais. Fazem parte desse elenco: as despesas com promoção, propaganda, comissões de vendedores e representantes, pesquisas de mercado, despesas com pessoal, escritório, diretoria, recursos humanos, informática, aluguel e depreciação, além de outras despesas relacionadas à administração da empresa. Esses tipo de despesas podem sofrer oscilações de valores decorrentes do aumento do volume de operações, portanto é comum projeta-las como uma porcentagem da receita de vendas.

  • Despesas Financeiras:

Ao elaborarmos o fluxo de caixa de um projeto não incluiremos juros pagos ou quaisquer outros custos de financiamentos, como dividendos ou devolução do principal, porque estamos interessados no fluxo de caixa gerado pelos ativos do projeto. Esse tipo de despesas faz parte de um dos componentes do fluxo de caixa pra os credores, e não do fluxo de caixa dos ativos. Em termos gerais, nosso objetivo, na avaliação do projeto, é comparar o fluxo de caixa de um projeto ao custo de aquisição desse projeto, para estimar o retorno de acordo com os métodos a serem utilizados para avaliá-lo. A combinação particular de capital de terceiros e capital próprio que uma empresa efetivamente utiliza para financiar um projeto é uma variável gerencial, e determina, basicamente, como o fluxo de caixa do projeto é repartido entre proprietários e credores. Isso não quer dizer que o esquema de financiamento não seja importante. È apenas algo que precisa ser analisada separadamente, como veremos no capitulo seguinte.


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