As faces do bilingüismo nipo-brasiliense: um olhar sob perspectiva da tensão diglóssica



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As faces do bilingüismo nipo-brasiliense: um olhar sob perspectiva da tensão diglóssica
Yuko Takano

Universidade de Brasília

Resumo

A presente comunicação pretende abordar as faces do bilingüismo nipo-brasiliense que apresentam um comportamento atípico e bem distante dos outros sistemas ou das variedades da língua japonesa. Criando, desta forma, um sistema próprio que denominamos de Variante Nipo-brasileira. Esta variante nasceu e se criou no seio da imigração japonesa que neste ano completará 100 anos de interação e integração com a sociedade brasileira. Com o fim do fluxo imigratório dos japoneses para o Brasil nas últimas décadas, os descendentes japoneses começaram a se distanciar do contexto sócio-cultural e lingüístico japonês e paulatinamente começaram a adotar uma nova forma de viver. Manter o bilingüismo, neste contexto, não é uma tarefa fácil, principalmente quando esse falar (variante nipo-brasileira) é percebido de forma estigmatizada em comparação ao variante padrão. O preconceito e a desvalorização da sua variante acabam criando uma situação que denominamos de tensão diglóssica.


Palavras-chaves: variante nipo-brasileira, variante padrão; diglossia clássica; conflito diglóssico; tensão diglóssica

Na virada do próximo ano, comemora-se o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, coadunando com essa manifestação, comemora-se também o Cinqüentenário da Migração Japonesa no Distrito Federal. Este artigo faz parte da pesquisa realizada em 2000-2002, e, consequentemente, servirá de referência para os estudos de Cinqüentenário da Migração Japonesa no Distrito Federal.

O Brasil é um país constituído de várias comunidades étnicas, que trazem consigo a história cultural e lingüística de sua origem. A valorização dessas comunidades vem acontecendo graças aos estudos que propõem resgatar a identidade étnica e a identidade lingüística das comunidades minoritárias, pois, são elas as responsáveis pela composição multiétnica do país. Contamos, neste cenário, com a singela contribuição dos imigrantes japoneses que completará um século de interação com a comunidade brasileira. Mesmo que nos últimos decênios tenham priorizado os estudos japoneses, no que se refere à pesquisa da variante nipo-brasileira, ainda são poucas as pesquisas realizadas nessa área.

O estudo de língua numa comunidade bi(multi)língüe tem sido objeto de investigação de várias áreas, principalmente, pela sociolingüística, devido à tendência da nova era de englobar os grupos étnicos nos moldes do grupo dominante ou do grupo majoritário. Essa condição sutilmente imposta induz ao falante abandonar a sua cultura, o seu estilo de vida, a sua língua, e conseqüentemente a própria identidade. FISHMAN (1971)1 argumenta que a língua é um símbolo da etnicidade, portanto é com ela que expressamos a nossa visão de mundo e com ela estabelecemos e transformamos a nossa realidade.

A quebra das fronteiras lingüísticas é condição fundamental para o resgate da identidade lingüística e da manutenção da própria etnicidade. Tanto a identidade étnica quanto à identidade lingüística dizem respeito ao sentimento de identificação e de pertencimento a um determinado grupo étnico.

A razão e a motivação do meu interesse neste estudo provêm da necessidade de resgatar o falar da comunidade nipo-brasileira, desprovido de qualquer preconceito. Pois, trata-se de um fenômeno que se constituiu no seio da imigração japonesa e, hoje, é um dos símbolos da etnicidade nikkei2. Diante do exposto, é necessário que ela reafirme o seu espaço lingüístico.

A língua desenvolvida pela comunidade nipo-brasileira está distante da língua de origem (língua japonesa-padrão) devido à sua peculiaridade tem sido estigmatizada, muitas vezes, ela é considerada como um falar ‘inapropriado’, ou até mesmo, dito como ‘falar caipira’ ou ‘falar da roça’. O preconceito se instala sobre a variante minoritária gerando o complexo de inferioridade em relação à língua japonesa padrão.

A desmistificação sobre o ‘falar’ da comunidade nipo-brasileira é necessária, não como um ‘falar caipira’, mas valorizar como um ‘falar’ histórico. O realce dessa imagem é de suma relevância, já que os nipo-brasileiros interagem com os demais membros da comunidade através deste código lingüístico que denominamos de variante nipo-brasileira, uma variante desenvolvida no seio da sociedade hospedeira que traz os traços da língua de origem e da língua local.

Para o estudo do bilingüismo é necessário agregar os valores políticos, sociais e econômicos que estão subjacentes no processo. Averiguar sobre o prisma de “status lingüístico”, isto é investigar nas entrelinhas do fenômeno lingüístico o aspecto dicotômico como de prestígio/não prestígio; dominação/não dominação; superior/inferior e entre outros, que se articula na dimensão lingüística. Essas dualidades se manifestam em termos de juízo de valor entre as línguas ou variedades de línguas e, consequentemente, efetivando uma situação de impasse lingüístico que influencia no comportamento lingüístico do falante. Assim contextualizada, a variante nipo-brasileira será analisada à luz do conceito de diglossia emanados por clássicos e do paradigma que trata do conflito diglóssico.

Viabilizando este estudo, recorremos ao arcabouço teórico de FERGUSON (1974)3 que busca na sua análise a coexistência harmoniosa das línguas ou das variedades das línguas que dividem o mesmo espaço físico sem o ‘stress’ lingüístico, porque as variedades se completam mutuamente. O seu uso recai em termos de função, isto é, demonstra a funcionalidade das variantes conforme os diversos âmbitos da comunicação.

A diglossia clássica de FERGUSON contempla os conceitos como de variante alta e variante baixa, apesar de ter observado que poderia existir uma relação de subordinação entre as línguas ou variedades de línguas, elas se completam, portanto não há o viés da hierarquização ou de estigma lingüístico atuando no comportamento lingüístico do falante.

Para FISHMAN (1985)4, a diglossia é um arranjo consensual da sociedade e por ter a função legitimada, favorece e assegura a sobrevida das línguas ou das variantes. Quando o uso das línguas ou das variantes está pautado na diglossia, elas podem perdurar de uma geração a outra. O seu estudo com comunidade francófone no Canadá revelou uma situação em que o bilingüismo se estabeleceu de uma geração a outra, devido à presença da diglossia. Assim, a comunidade manteve a língua através de regras consensuais do uso das línguas, isto é, as línguas (inglês e francês) têm funções distintas e a comunidade de fala estabelece o seu uso.

Quando não encontra principalmente a força articuladora da diglossia, a língua da sociedade majoritária começa a penetrar nos domínios que antes eram reservados para a língua de uma comunidade minoritária. Lentamente, ela vai absorvendo e ocupando o espaço lingüístico, que em última instância leva a uma substituição lingüística, isto é, desloca-se a língua minoritária e ocupa-se a língua majoritária. Para que isso não ocorra, segundo esse teórico defende que, a diglossia deve ser articulada nos diferentes domínios sociais, com a intenção de ocupar o seu espaço para assegurar a sobrevida da língua minoritária. A influência da sociedade hospedeira é inquestionável para o deslocamento lingüístico, principalmente, naquelas situações em que a situação diglóssica é instável. Pelo exposto, pode-se afirmar que a diglossia é uma forte aliada para a manutenção lingüística.

A diglossia de conflito é um paradigma que atende às mudanças sociolingüísticas em estado de ‘desenvolvimento’, tornando-se uma fonte de valor ímpar para averiguar o deslocamento e ou a substituição lingüística de grupos sociais num contexto de mudanças políticas, ideológicas e sócio-econômicas.

Na sociedade moderna, existe a crença em adotar-se um único código lingüístico com intuito de abranger na sua plenitude o campo comunicativo. À primeira vista, poderia ser uma solução para o mundo dito ‘moderno’. Entretanto, quando se trata de código lingüístico, a ‘solução’ torna-se um ‘problema’, principalmente quando nos referimos à identidade lingüística. Nesses termos, o código lingüístico é um elemento que caracteriza e auto-identifica uma determinada comunidade étnica e/ou lingüística.

A presença da segunda língua em vários países do mundo demonstra a existência de um processo de assimilação cultural e lingüístico de uma comunidade por outra. A assimilação, muitas vezes, ocorre trazendo seqüelas no falante, devido à imposição da língua do ‘outro’ em contraste com a resistência da língua do ‘eu’. Os sociolingüístas como Hamel e Sierra5 mencionam esse impasse lingüístico como conflito de diglossia. Esse estudo investigou a situação social das línguas e revelou que existe um grau de desigualdade e de dependência entre as comunidades lingüísticas. Esse paradigma resgata as questões em aberto, como a estratificação ideológica das línguas, bem como questões que envolvem uma competição entre línguas, disputando o mesmo espaço físico.

Pautada nessas considerações, podemos analisar a situação lingüística da comunidade nipo-brasileira. Por um lado, temos a língua portuguesa versus língua japonesa e por outro, temos a coexistência da mesma variedade da língua japonesa, a variante padrão e a variante nipo-brasileira. A comunidade nikkei convive com essa realidade lingüística.

Inferimos que no caso da primeira acepção, as línguas coexistem harmoniosamente sem o viés de hierarquização. Já no segundo caso, o convívio das duas variantes pode provocar uma tensão lingüística, devido ao juízo de valor que se faz às variantes. Assim, a variante alta, por ser legitimada e utilizada nas instituições escolares, representa a variante de maior prestígio, enquanto que a variante nipo-brasileira por ser de menor prestígio lingüístico é caracterizada como variante de minoria lingüística.

Observamos que a escolha lingüística do nikkei evidencia a função que elas desempenham no âmbito da comunicação. Além da funcionalidade dessas variantes, soma-se a ela o variável interlocutor que também determina o comportamento lingüístico (Gal)6 do falante. Inferimos que a identidade/língua desempenha papel decisivo numa interação comunicativa. O observamos que a escolha lingüística se faz pautadas nessas considerações. Assim o nikkei usa-se da variante no domínio domiciliar e no domínio da sua comunidade. Por ser a variante desenvolvida nos moldes de imigração, é comum o nikkei considerar a variante como uma língua caipira ou de roça. O preconceito em relação a esta variante nasce no seio da comunidade nipo-brasileira e se estende além mar.

Numa das entrevistas foi observada o seguinte depoimento.



Excerto 1

P: o que você diria da variante nipo-brasileira?

Nana: caipira (risos)

P: caipira?

Nana: é feio (risos)

P: é feio, ok. E o padrão?

Nana: padrão é melhor. Eu acho que tem que ser. Tem que continuar o padrão, sabe. Eu acho que todos têm que aprender o padrão e manter.

(Entrevista Nana, p. 7, linha 189)

A percepção que a nikkei tem em relação às variantes é registrada no (excerto 1), demonstra a sua atitude não é favorável à variante nipo-brasileira em contraste com o padrão, que ela valoriza como uma variante que tem que ser aprendido e ser mantido.

O nikkei percebe que o uso da sua variante é restrito e abrange apenas aos nikkeis que usam do mesmo código. Portanto ela tem função específica e bem limitada. Ao contrário da variante padrão que o seu uso abrange todos os domínios sociais, portanto essa variante tem o poder de atuar em todas as funções.

A hierarquização da variante pode ser notada nos falantes bilíngües, principalmente, àqueles que detêm os dois códigos. Os falantes que têm a consciência lingüística apresentam uma preocupação em utilizar a língua padrão, porque ela representa ‘língua polida e educada’, diferentemente da variante nipo-brasileira que representa a língua ‘inapropriada’.

As línguas se distribuem aleatoriamente na comunidade e na sociedade mais ampla e cada qual vai ocupando o seu espaço de acordo com as oportunidades das respectivas funções. A situação de tensão lingüística foi se caracterizando lentamente pelas condições histórico-sociais, na qual a comunidade nipo-brasileira se viu submetida e acabou manifestando uma relação de contraste entre eles nikkei (identidade da comunidade nipo-brasileira) e o nihon-jin (nacionalidade japonesa), fenômeno esse que acabou refletindo, entre outros aspectos, no comportamento lingüístico da comunidade nipo-brasileira.

No que se refere à tensão diglóssica, o traço que representa a etnia dessa comunidade traz um elemento de contraste que não atua na mesma proporção do traço internacional da língua japonesa padrão e esse desnivelamento pode colaborar para a situação de tensão diglóssica. Assim, enquanto que o uso da variante padrão é efetuado em todas as funções porque abrange a sociedade mais ampla e representa o ‘status’ da língua internacional; a variante nipo-brasileira, por sua vez, devido a sua peculiaridade não serve para todas as funções e por ser específico é usado apenas pelos membros da comunidade que dispõem dessa variante no seu repertório lingüístico.

É comum, a priori, na comunidade nipo-brasileira fazer uma distinção entre um nikkei e um nihonjin (japonês). Aquele que se identifica como nikkei pertence a um grupo caracterizado por uma ascendência comum, e os nihonjin para aqueles que nasceram no Japão. Além do contraste em termos de identidade étnica, verificamos também a existência desse fenômeno no uso lingüístico, em que a variante nipo-barsileira representa símbolo de valor intragrupal.

Gumperz7 analisou a importância do uso das variedades lingüísticas, sob duas óticas as de relações intragrupais e intergrupais. A relação intragrupal na nossa pesquisa corresponde ao uso da variante nipo-brasileira com as pessoas ou por pessoas que pertencem à mesma comunidade de fala, enquanto que, nas relações intergrupais o que prevalece é o uso da variante padrão.

Se a língua é um traço distintivo, a variante nipo-brasileira é carregada de símbolo de valor intragrupal e com ela se estabelece a oposição entre o nikkei e o nihonjin. O grupo étnico manifesta o seu laço através da sua fala e nesse cenário a variante nipo-brasileira simboliza a língua e cultura comum, isto é, o sentimento de identificação comum. A posição distinta do mundo dual, ‘nosso mundo’ e o ‘mundo deles,’ reflete no comportamento lingüístico destes nikkeis que acaba provocando uma tensão lingüística no uso das variantes.

A tensão lingüística observada nos nikkeis de pesquisa revela que a concepção da diglossia em estado de tensão necessita de uma dedicação maior para verificar quais são os valores simbólicos associados a cada variante e como esses valores são percebidos pelo falante bilíngüe. Assim, o fenômeno diglóssico da comunidade em questão pode ter-se manifestado por diversos aspectos. Um dos aspectos que podemos realçar é fazendo uma retrospectiva histórica da imigração e confrontando-a com o desenvolvimento da nação japonesa no cenário mundial.

Os nikkeis percebem o ‘status’ de variante padrão, uma vez que o seu uso está associado ao ingresso no mercado de trabalho e ao sucesso profissional. Se por um lado temos a variante que simboliza o primeiro mundo, por outro lado, o seu contraste a variante que simboliza ‘a época da colonização japonesa’.

A imagem desfavorável em relação à sua variante acaba refletindo negativamente no comportamento lingüístico dos nikkeis, que contribui para o surgimento de um fenômeno, o que denominamos de tensão lingüística. Para alguns estudiosos a diglossia se articula na instabilidade, mas a história de grupos étnicos mostra outra face da diglossia. Notamos que algumas diglossias permanecem vivas até nos dias de hoje, principalmente para àqueles grupos que mantêm a língua como um traço étnico. O nosso objeto de estudo também sobrevive a um século, graças à representação simbólica perante a comunidade nikkei, pois ela representa o código da solidariedade, das relações íntimas e de identificação étnica.

Os imigrantes na sua maioria, veio em busca de riqueza ou uma alternativa de vida. Assim, a comunidade nipo-brasileira desenvolveu ao longo da história a sua cultura voltada em duas perspectivas, uma para a origem e a outra desenvolvida no contato com a comunidade brasileira. A língua japonesa também sofre mudanças no seu repertório lingüístico, paulatinamente começa a se distanciar da língua de origem, e gradativamente vai assimilando alguns traços da língua hospedeira, criando um sistema peculiar. Quando a distância é percebida em termos de ideologia lingüística, provoca uma tensão no uso das variantes e essa situação pode conduzir a um ‘stress lingüístico’.

Na comunidade em questão não se efetivou o conflito de diglossia devido à presença da língua portuguesa. Ressaltamos que a língua majoritária contribui para equacionar o conflito. No entanto podemos observar que a tensão é marcada no encontro de duas variantes, criando uma situação lingüística: padrão versus nipo-brasileira. Diante do exposto, denominamos essa situação lingüística de tensão diglóssica.

Estamos entrando num novo milênio e a preocupação acentua em relação a essa variante que está tendendo a uma substituição. A variante que era um dos traços da comunidade nipo-brasileira, gradativamente está sendo substituída pela variante padrão, já que as gerações posteriores não mantiveram ou não mantêm a variante nipo-brasileira. Ressaltamos que a variante nipo-brasileira já foi (é) a língua materna para muitos nikkeis e está perdendo o seu espaço lingüístico tanto no contexto familiar quanto no grupal. Ainda não temos nenhum registro escrito dessa variante, a não ser os estudos que tratam desta variante, entre eles, Doi8, Joko9, Kuyama10, Mase11, Nawa12que tentam resgatar esse falar histórico. Como a variante é restritamente baseada na oralidade, acaba se perdendo com o tempo.


Considerações Finais

Os nikkeis vivenciam duas realidades lingüísticas: a variante padrão que simboliza o prestígio, o poder e a formalidade e atribui-se a ela a língua da cultura legítima e da instituição escolar e com a sua variante mantém-se uma relação de reciprocidade entre seus falantes, representando assim, a língua de solidariedade, do aconchego e da intimidade. Inferimos nessa observação que o nikkei distingue esse mundo dualístico, de um lado revela a língua do coração, do inconsciente e de identificação, do outro revela a língua da razão, a língua da consciência e a língua do ‘outro’. Os nikkeis se intimidam com as pessoas que não fazem parte do seu grupo lingüístico e, nessas ocasiões a sua opção é não usar a língua japonesa. Essa situação caracteriza a presença da ideologia lingüística interagindo no processo comunicativo. Nikkei percebe que a sua variante é concebida isoladamente de relações sociais, enquanto que variante padrão, por ser uma língua institucionalizada, sustenta-se por si só a promoção lingüística.

Pelo fato de perceberem os valores desiguais entre as variantes, fazem com que gradativamente se desagreguem da sua variante e vão incorporando a língua de maior ‘status lingüístico’.

A percepção da valoração social das variantes provoca uma situação nova para os nikkeis. O reconhecimento desses valores deduz uma posição dual no comportamento lingüístico dos nikkeis. .O mundo dual lingüístico entra em atrito na interação comunicativa do nikkei de pesquisa que demonstra certo desconforto em substituir a sua variante para um novo código. Inferimos que a variante faz parte do contexto de vida dos nikkeis e deixar de usá-la, significa deixar uma lacuna na sua história lingüística. Essa ansiedade é observada neste depoimento: “substituir essa linguagem toda pra código padrão, embora seja mais realista. Eu não me sinto à vontade dentro de mim, alguma coisa que me faz ficar assim, sufocado”. Podemos inferir a importância da língua no construto do ‘eu’ étnico.


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Sentimos necessidade de listar um pequeno glossário em relação aos termos e as palavras chave usadas na dissertação.



Nikkei: termo referente a japoneses radicados no estrangeiro ou seus descendentes já nascidos fora do Japão.

O grupo que compõe a etnicidade nipo-brasileira segue as seguintes classificações:



a) Issei: é um termo utilizado para japoneses nascidos no Japão. O significado do i é do vocábulo iti em japonês que significa número um e ssei significa geração, portanto primeira geração;

b) Jun-issei: termo usado para imigrantes japoneses que vieram na infância.

c) Nissei: refere-se aos filhos de isseis. O ni (número dois) e ssei (geração) refere-se a segunda geração;

d) Sansei: é o caso da terceira geração. O signficado do san (três) e sei (geração);

e) Yonsei: são os filhos de sanseis. O significado do vocábulo yon é (quatro) e sei (geração), portanto, referindo-se à quarta geração;

Embora a pesquisa refira-se à primeira geração e segunda geração especificamente, achamos oportuno mencionar até a quarta geração;



f) Ai-no-ko, Hafu e daburu: é o caso dos filhos nascidos dos casamentos interétnicos (nikkei e hi-nikkei). Os termos hafu e daburu são empréstimos lingüísitcos das palavras (half e double) do inglês, adotadas pela língua japonesa.

Hi-nikkei: refere-se às pessoas que não são nikkeis.

Koronia-Go: usado por Mase13, entre outros, quando se refere à língua usada pela colônia japonesa. O vocábulo Koronia = Colônia e Go = língua;

Falar Peculiar: Por falar peculiar, referimos à língua manifestada pela comunidade nipo-brasileira (koronia Go).

Comunidade Transplantada: termo utilizado pelo lingüista Cunha14 entre outros, quando se refere às comunidades que se formaram devido à imigração.

Variante Padrão: usamos esse vocábulo, quando nos referimos a uma das variedades da língua japonesa (Tóquio) que é considerada como a variedade oficial do Japão.

Variante Colônia: o termo é usado para caracterizar a variedade da língua japonesa que nasceu e se desenvolveu ao longo do tempo histórico lingüístico da imigração japonesa no Brasil, especificamente àquela do Distrito Federal. Muitos estudiosos da área utilizam o vocábulo Koronia-Go, mas, neste trabalho optamos pelo termo, variante colônia.


1 Fishman: Advances in the Sociology of Language, 1971.

2 Nikkei: Imigrantes japoneses e seus descendentes.

3 Fergurson, in Vieira, M.S & Neves, M.F. Sociolingüística (1974)

4 Fishman,in Garcia Bilingüismo- Problemas &Alternativas, 1985: 39.


5 Hamel e Sierra: Diglosia y conflicto ntercultural, 1983.

6 Gal: Language Shift, 1979.

7 Gumperz: Linguistic and social interaction in two communities, 1964.

8 Doi: A interferência fonológica no português falado pelos japoneses na região de Campinas, 1983.

9 Joko: Análise contrastiva do sistema fonológico do Japonês e do Português-Subsídios para o ensino de japonês falantes do português do Brasil, 1986.

10 Kuyama: O uso da língua japonesa na comunidade nipo-brasileira: O empréstimo lexical no japonês falado pelos imigrantes, 2000.

11 Mase: Burajiru Nikkeijin no nihongo (Japonês falado pelos nikkeis do Brasil), 1986.

12 Nawa: Bilingüismo e mudança de código: uma proposta de análise com os nipo-brasileiros residentes em Brasília, 1988.

13 Mase, 1986.

14 Cunha, 1994,1996,2000.


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