As festas imperiais na roma antiga: os



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AS FESTAS IMPERIAIS NA ROMA ANTIGA: OS DECENNALIA E OS JOGOS SECULARES DE SEPTÍMIO SEVERO

Ana Teresa Marques Gonçalves


“O espetáculo é uma necessidade intrinsecamente associada ao exercício do poder: o monarca deve deslumbrar o povo (...). O cerimonial associado ao monarca tem por função tornar visível o imaginário do corpo simbólico (...). A arte clássica tem por função traduzir em imagens o corpo imaginário do rei, através das referências mitológicas das quais se nutre a monarquia. Longe de serem autônomas, as diferentes artes só encontram sua vitalidade no discurso político que as organiza” (Apostolidès, 1993:10, 15 e 70).

A realização de cerimônias públicas, de momentos festivos, é uma forma sofisticada muito antiga de comunicação com objetivo político, pois as festas ajudam a manipular a opinião pública, a persuadir através de imagens e a legitimar o mando, sendo, deste modo, um dos vários instrumentos de poder. No desenrolar das festas, divulgam-se mensagens, imagens, símbolos e mitos, que auxiliam no controle social. A linguagem festiva é sobretudo imagética, o que explica seu alto poder de persuasão, de busca de consentimento e de apoio ao poder, garantindo uma impressão de unidade, fundamental para a manutenção do comando. O poder utiliza meios espetaculares para marcar sua entrada na história (comemorações, festas de todo o tipo, construção e reconstrução de monumentos). As manifestações do poder não se coadunam com a simplicidade; a grandeza, a ostentação e o luxo as caracterizam. As emoções tendem a se exacerbar nos espetáculos festivos organizados pelos poderosos. As imagens utilizadas nas festas marcam a identidade dos regimes e dos espetáculos do poder, realizados com o objetivo de mostrar grandiosidade e força política. Nenhum sistema político é mudo. Um poder que não fala pelo décor, pela mise-en-scène, perderia a adesão do grupo de apoio, pois a persuasão reforça a sujeição. Portanto, as festas são signos e fazem parte de um ritual: não há sociedade sem ritual e não há ritual sem festas, pois elas ajudam a legitimar o regime (Capelato, 1998: 19-59).

O ritual pode ser entendido como um conjunto de atos formalizados, expressivos, detentores de uma dimensão simbólica. Ele é caracterizado por uma configuração espaço-temporal específica, pelo recurso a uma série de objetos, por sistemas de comportamento e de linguagem específicos e por sinais emblemáticos cujo sentido codificado constitui um dos bens comuns de um grupo. O ritual insiste na dimensão coletiva, isto é, ele faz sentido para os que o partilham. Ele tem eficácia social, pois ordena a desordem, dá sentido ao acidental, cria situações de adesão e regula conflitos. A festa é antes de tudo um ato coletivo, com um lado sagrado e outro leigo de puro divertimento, e serve ao poder, que deve afirmar-se regularmente no decurso de grandes cerimônias (Segalen, 2000:23 e 73-74). Como nos lembra J. Arce, o ritual não é a máscara do poder, mas é em si mesmo uma forma de poder (Arce apud: Teja, 1993:642). E os primeiros governantes Severos souberam perceber a importância das festas e dos rituais para a manutenção de seu poder.

No Debate de Agripa e Mecenas, descrito por Dion Cássio, Mecenas adverte o Imperador Otávio Augusto: “Decore esta capital com público descuido com relação aos custos e torne-a mais magnífica com festivais de todos os tipos (Dion Cássio, LII, 31.1). Nesta sucinta passagem, vemos a importância das obras públicas e das festividades para a legitimação do poder do Príncipe, desde os primórdios do Principado como nova forma de governo.

As festas serviam de cenário para a apresentação das boas qualidades, da imagem idealizada do soberano. Nos momentos festivos, ele era a imagem da generosidade, ao promover distribuições de dinheiro e/ou alimentos, da força, ao ser aclamado pelas legiões e pela plebe urbana de Roma ou das cidades provinciais, do pontificato, ao realizar importantes ritos religiosos, responsáveis por garantir o apoio das divindades à continuidade do Império.

Duas grandes cerimônias públicas marcaram o governo de Septímio Severo: os Jogos Seculares, que comemoravam a Fundação de Roma, e os decennalia do Imperador, isto é, a comemoração dos dez anos de governo do Príncipe. Como fundador de uma nova dinastia, após um período de marcante guerra civil, Severo sentiu a necessidade de expor publicamente sua vitória sobre os outros concorrentes ao comando imperial e a imagem de unidade, que devia compor o cenário político romano. E a realização de festas era uma forma tradicional de demonstrar a potência, a importância e a soberania de Roma e de seus Imperadores.

Em 202 d.C., Severo abriu oficialmente em Roma as suas festas decenais. Dion Cássio nos ensina que os jubileus decenais dos Imperadores tiveram sua origem no governo de Otávio Augusto. Este Príncipe havia recebido do Senado e do povo romano a honra de ter um imperium legal por dez anos, vendo-o renovado por mais dez anos e assim sucessivamente. Cada uma destas renovações legais dava lugar à celebração de uma grande festa. A prática da renovação decenal do imperium pelo Senado foi abandonada por Tibério, mas não a festa e a comemoração de pelo menos dez anos no poder (Dion Cássio, LIII, 16.2-3). E foi assim, separada da concessão do imperium, que a festa tradicional chegou aos governos dos Severos.

Anualmente, celebrava-se em todo o Império, por intermédio de aclamações, o dia de aniversário da recepção do imperium pelo Príncipe, os chamados dies imperii. Porém, as festas denominadas de decennalia tinham outra amplitude. Davam lugar a cerimônias e jogos espetaculares e eram comemoradas com a construção de grandes obras públicas. Eram sempre realizadas em Roma com a presença do Imperador. A festa decenal era realizada ao início do décimo ano e não ao seu fim; devido a essa prática tradicional, as festividades de Septímio foram em 202 d.C. e não em 203 d.C., como afirmam alguns autores, já que recebeu o título de imperator (Lesuisse, 1961:415-428 e McFayden, 1920:60-67) e o reconhecimento do Senado pela primeira vez em 193 d.C. (Chastagnol, 1984:93). E estas festividades em Roma contaram com uma importante testemunha ocular, Dion Cássio, que nos deixou em sua obra a sua descrição dos festejos.

Segundo Dion:


“Na ocasião do décimo aniversário de sua ascensão ao poder, Severo presenteou o conjunto daqueles que se beneficiavam das distribuições de trigo (a plebe frumentária) e os soldados da Guarda Pretoriana com moedas de ouro em igual número aos anos de seu reinado. Ele vangloriou-se de sua generosidade, e, de fato, nenhum Imperador anterior tinha gasto tanto dinheiro com a população. Estima-se que gastou no total duzentos milhões de sestércios (cinqüenta milhões de dracmas)” (Dion Cássio, LXXVII, 1.1).
Segundo Fergus Millar, este pequeno estrato do texto diôneo é a descrição mais detalhada que existe de um congiário, pois, segundo ele, se percebe que o congiário era calculado em aureos. Ele afirma que a generosidade do ano de 202 d.C. equivaleu a um quarto dos ganhos anuais do Estado romano (Millar, 1991:155-156), demonstrando a importância política e econômica desta distribuição no início das festas decenais.

Pelo início do relato de Dion, percebe-se que se abrem as comemorações agradando-se a plebe de Roma e os Pretorianos, com a distribuição de moedas de ouro. Se observarmos algumas moedas cunhadas em Roma em 202 d.C., verificamos que elas explicitam nas legendas o décimo poder tribunício dado a Severo e as comemorações do fato. No anverso aparecem as legendas: SEVERVS PIVS AVG. P. M. TR. P. X, por exemplo: BMC, V, n. 379 – aureo cunhado em Roma; ou SEVER. P. AVG. P. M. TR. P. X COS. III, por exemplo: BMC, V, n. 380 – aureo cunhado em Roma, tendo a imagem do busto de Septímio laureado e com uma toga drapeada. No reverso, a própria imagem da família reunida: o busto de Júlia Domna ladeada pelos bustos de Caracala e Geta, com a legenda Felicitas Saeculi. Há também moedas cunhadas em Roma em 202 d.C. que apresentam no reverso a imagem da Liberalitas de pé, segurando o abacus e a cornucópia, cuja legenda é Liberalitas AVGG. (BMC, V, n. 345 a 351 – aureos e denários cunhados em Roma) .

Assim, duas idéias/imagens perpassam este início da festividade: a abundância que possibilita a generosidade do Imperador, conquistada graças à expansão do território, e a união da família imperial, que aparece junta na festa e nas moedas, um dos veículos por intermédio do qual se propaga a realização da festa para as províncias. Além disso, aproveita-se a ocasião para se realizar o casamento do novo Augusto e sucessor indicado de Septímio, Caracala, com a filha do Prefeito do Pretório e comes do Príncipe, Plautiano, já se buscando a criação de mais uma geração de Severos, pela espera de filhos para Caracala e Plautila. Seguindo-se a narração de Dion Cássio:
“As núpcias de Antonino, filho de Severo, e de Plautila, filha de Plautiano, foram celebradas neste momento. E Plautiano deu a sua filha um dote suficiente para garantir o casamento de cinqüenta princesas. Nós vimos os presentes quando foram carregados do Forum para o Palácio” (Dion Cássio, LXXVII, 1.2).

Plautiano aproveitou a ocasião e a afluência de pessoas para Roma, para assistirem a realização da festa, para expor publicamente sua riqueza, seu poder e sua proximidade com a família imperial. Além de casar sua filha com o Príncipe herdeiro, Plautiano forneceu um dote descomunal que foi carregado como uma procissão do Forum para o Palácio. Aos ritos religiosos que normalmente marcavam o início de uma festividade, Septímio soube habilmente juntar mais um: um casamento, uma cerimônia que marcava a possibilidade de continuidade da família no poder por várias outras gerações. Ao lado da distribuição de dinheiro e de alimentos, fornecia-se também à população imperial, e não somente aos habitantes da cidade de Roma, a idéia/imagem de que o Império estava seguro, rico e ordenado nas mãos da família dos Severos, e que assim deveria permanecer por muito tempo. E esta concepção de segurança e continuidade espalhou-se pelo Império por intermédio, por exemplo, das moedas. Nas moedas cunhadas em Laodicea, em 202 d.C., nas quais aparece nos anversos o busto de Plautila, que acabara de ingressar na família imperial, tornam-se comuns nos reversos a imagem da personificação da Concórdia e a referência na legenda à Concordiae (BMC, V, n. 734 a 736 – denários), indicando que o governo estava nas mãos de uma família unida, capaz de manter a ordem.

Porém, era necessário também integrar os aristocratas na festividade. Então, segundo Dion, foi oferecido um banquete:

“E nós participamos juntos de um banquete, em parte real em parte com um estilo bárbaro, no qual foram servidos não somente todas as costumeiras carnes cozidas, mas também carne crua e diversos animais ainda vivos” (Dion Cássio, LXXVII, 1.3).


Interessante notar que Dion Cássio enfatiza uma certa atitude bárbara adotada pelos Severos, ao servirem num banquete oficial carne crua e animais ainda vivos. Uma hipótese bastante plausível é que Dion buscou, desta forma, enfatizar um lado bárbaro, estrangeiro aos costumes tradicionais, da própria família imperial, cujos integrantes eram africanos e sírios de origem, portanto, com costumes diferentes dos praticados na capital do Império.

No banquete se revigoravam as forças dos convivas e se uniam em torno da família imperial os principais cidadãos do Império. Este banquete era tanto nupcial, pois sucedeu o casamento de Caracala, quanto de comemoração pelo poder que se mantinha há dez anos. Ele integrava, segundo André Chastagnol, os atos religiosos das festas decenais. Antes do banquete, havia sacrifícios e libações e se faziam procissões religiosas pela cidade até o templo de Marte, buscando-se o apoio das divindades ao governo comemorado (Chastagnol, 1987:493-496). Conhece-se, por exemplo, um sestércio, cunhado em Roma em 202 d.C., em cujo reverso aparece a imagem dos dois Augustos, Septímio e Caracala, acompanhados de um tocador de flauta dupla, como acontecia em procissões festivas (RIC, IV, n. 821).

E não se concebia organizar uma festa sem que jogos e espetáculos ocorressem. Como nos diz Dion Cássio:
“Neste tempo, ocorreram todos os tipos de espetáculos em honra do retorno de Severo, da comemoração de seus dez primeiros anos no poder e de suas vitórias. Nestes espetáculos, lutaram uns com os outros, a um sinal dado, sessenta javalis selvagens de Plautiano, junto com vários outros animais selvagens, que foram mortos, incluindo entre eles um elefante e um corocottas. Este último animal é uma espécie indiana, que foi introduzida em Roma neste momento pela primeira vez, segundo meu conhecimento. Tinha a cor de uma leoa e de um tigre combinados, e a aparência geral destes animais, como também de um cachorro e de uma raposa, curiosamente listrado. No centro do anfiteatro foi construído um grande receptáculo de água dentro do qual se construiu um navio, e este navio era capaz de receber e de liberar quatrocentas feras de uma só vez. Depois o navio foi bruscamente escondido na água, e de dentro dele passaram a surgir na arena ursos, leoas, panteras, leões, avestruzes, asnos selvagens, bisões (este é uma espécie de boi estrangeiro em espécie e aparência). Então, setecentos animais ao todo, entre selvagens e domesticados, um de cada vez ou ao mesmo tempo, foram sendo abatidos, enquanto corriam para todos os lados. Para corresponder a duração da festa, que durou sete dias, o número de animais abatidos foi sete vezes cem” (Dion Cássio, LXXVII, 1.4-5).
A partir deste trecho do relato de Dion Cássio, podemos tirar mais algumas conclusões sobre a festa decenal promovida por Severo. Foram três os motivos de comemoração e não apenas um, como no tempo de Otávio: o retorno de Septímio para Roma, os dez anos no poder e suas vitórias. Deste modo, Severo aproveitou vários motivos para comemorar numa mesma ocasião. Severo acabara de retornar da Antioquia, após ter vencido de forma sucessiva Pescênio Nigro, Clódio Albino e os Partos, portanto, após ter conseguido vitórias internas e externas, além de ampliar o território imperial pela conquista e anexação da Mesopotâmia, de parte da Bretanha e de territórios do norte da África. Tanto que passou a colocar em várias inscrições públicas o título de propagator imperii (por exemplo, na famosa inscrição do Arco do Triunfo de Septímio em Roma, CIL, VI, n.1033; e em várias inscrições encontradas na África, como CIL, VIII, n. 5699, 6340, 6969, 4826).

Na obra de Dion Cássio e na História Augusta, afirma-se que esta propagação do território imperial foi promovida por Severo por simples desejo de glória (Dion Cássio, LXXVI, 1.1 e HA, Vida de Severo, 15.1). Todavia, concordamos com A . Birley que defende que esta expansão tinha vinculação direta com o fato de Severo querer continuar as anexações promovidas pelos Antoninos, dos quais se dizia herdeiro e sucessor direto, principalmente, após se transformar em divi Marci filius (Birley, 1974:297-299).

Nos jogos, muitos animais exóticos foram abatidos, lutando entre si ou contra os venatores, demonstrando que Roma havia conquistado diferentes territórios, nos quais se encontravam animais diversos, que eram trazidos para a urbs para comemorar o poder do Império, visto que festejar os dez anos de governo de um Imperador era também comemorar a manutenção do Império e da supremacia de Roma sobre o mundo conhecido por mais dez anos.

Plautiano, Prefeito do Pretório de Severo, mais uma vez aproveitou o espaço da festa para demonstrar o seu poderio. Foram deles os sessenta javalis ofertados para se digladiarem para a alegria dos convidados. Só um homem rico e poderoso poderia fazer tal agrado ao Imperador, com a permissão do próprio Príncipe.

Era fundamental se comemorar as vitórias do soberano, pois elas eram vistas como vitórias de todo povo romano. Pela descrição de Dion, os jogos tiveram lugar no Anfiteatro, mas alguns pesquisadores, a partir da análise de algumas moedas da época, defendem que alguns espetáculos ocorreram no Circo Máximo. J. Babelon (Babelon, 1945:149-153) e A . Chastagnol (Chastagnol, 1987:498-499) estudaram um tipo de aureo que foi cunhado em Roma para comemorar os decennalia. Nele, no anverso, aparece a cabeça laureada de Severo e a legenda SEVERVS PIVS AVG., enquanto no reverso há a legenda LAETITIA TEMPORUM, lembrando a felicidade e a alegria que marcam tal festividade, em torno da imagem de um barco posto no circo, do qual se reconhece a spina e seus ornamentos característicos, em torno do qual estão quatro quadrigas e alguns animais (uma à direita do barco, outro à esquerda e seis postos lado a lado na parte inferior da peça) (RIC, IV, n. 274).

Ambos os autores defendem que o ciclo de espetáculos foi inaugurado no Circo, onde se colocou o barco citado por Dion, que teria se esquecido de falar a respeito das corridas de bigas, que também se realizam nestas festas, e que aparecem representadas nas moedas. As outras exibições poderiam ter sido realizadas no Anfiteatro Flávio.

Herodiano, outro contemporâneo dos Severos, também se referiu a esta festa em sua obra:
“Depois de concluir com êxito a campanha do Oriente, Severo se pôs em marcha apressada para Roma com seus filhos, que já estavam na idade da adolescência. No caminho atendeu aos assuntos das províncias, segundo as circunstâncias de cada caso, e visitou os exércitos da Mésia e da Panônia. Assim que chegou a Roma, foi recebido em triunfo pelo povo romano com aclamações e pompa extraordinárias. Ele ofereceu sacrifícios e dedicou ao povo festas com jogos e espetáculos. Efetuou, da mesma maneira, uma generosa distribuição de dinheiro e pagou jogos triunfais” (Herodiano, III, 10.1-2).

Na História Augusta, também se comenta que o Senado ofereceu a Septímio as honras do triunfo, mas que o Imperador teria recusado sob o pretexto de que, sofrendo da gota e de outras doenças da articulação, não poderia suportar ficar de pé sobre a biga até o Capitólio (HA, Vida de Severo, 16.7).

Autores como J.B. Campbell aceitam esta informação da História Augusta. Retomemos suas idéias, no intuito de aprofundar a discussão:
“Permanece curioso o fato de que Septímio Severo não celebrou nenhum triunfo em todo o seu governo. Ele recusou um triunfo votado pelo Senado em 195, e esta recusa pode ser explicada pelo argumento de que ele não queria receber um triunfo vindo de uma guerra civil. Mas é mais difícil explicar porque ele recusou um triunfo em 202, após o seu real sucesso na Guerra Pártica. A História Augusta sugere que um ataque de gota impediu o Imperador de permanecer de pé na carruagem triunfal (HA, Vida de Severo, 16.7). Isto é plausível, pois seria embaraçoso para o Imperador participar de cerimônia tão digna sentado. As vitórias foram celebradas com distribuições de dinheiro e com sete dias de suntuosos jogos e espetáculos (Dion Cássio, LXXVII,1.1-5)” (Campbell, 1984:142).
Campbell se esquece que, em 202 d.C., ele não precisava da realização de um triunfo formal para comemorar suas vitórias, pois podia fazê-lo de forma suntuosa, ao longo dos festejos promovidos pelos seus dez anos de governo. Por isso, não cremos tão difícil de explicar a recusa de Septímio ao triunfo formal em 202 d.C. Se analisamos as palavras de Herodiano, vemos que Severo recebeu mais honras do que se tivesse feito uma procissão de triunfo. Voltou apressadamente para Roma, possivelmente, já pensando nos decennalia. Apesar disso, parou em várias cidades, provavelmente recebendo a cerimônia do adventus em cada uma delas, e visitou vários acampamentos militares, onde também ocorriam cerimônias festejando sua visita. Por isso, ao chegar a Roma, ele recebeu um adventus magnífico, sendo recebido em triunfo. Ser recebido em triunfo não é sinônimo de se promover uma procissão de triunfo. A . Chastagnol também acredita que Severo não recebeu um triunfo formal, pois os ritos próprios de um triunfo não são descritos pelos historiadores contemporâneos aos Severos, mas apenas a existência de atos tradicionais nos jubileus de dez anos de governo, bem como a organização de ovações e de aclamações (Chastagnol, 1987:500-501).

Vários autores interpretaram de forma muito literal as palavras de Herodiano. É muito provável que apenas tenha querido enfatizar o luxo e a pompa que cercaram a entrada do Príncipe em Roma, depois da vitória pártica, comparando esta entrada com as outras honras recebidas nas cidades pelas quais Septímio passou.

Nem na narrativa de Herodiano nem na Dion Cássio aparecem indícios da realização de um triunfo formal. Septímio não parecia estar vestido de púrpura e não fez uma procissão junto com seu exército até o templo de Júpiter, para oferecer o sacrifício de um touro. Entretanto, talvez pelas legiões de Severo terem entrado armadas no pomerium, acompanhando seu general na entrada em Roma, Herodiano tenha comparado esta entrada a uma procissão de triunfo e por isso tenha afirmado que Septímio entrou “em triunfo”, pois oficialmente nenhum corpo militar podia entrar armado na cidade, tradição esta normalmente quebrada com a aprovação do Senado no caso da realização de um triunfo. Além disso, Domenico Vera nos lembra que, desde o segundo século, vinha-se discutindo um certo abuso da prática do triunfo, por parte dos Imperadores, que criavam situações para terem direito a esta cerimônia (Vera, 1980:89-132). Assim, podemos inferir que ao optar por festejar os decennalia ao invés de realizar um triunfo tradicional, Septímio reforçou sua imagem de amigo dos aristocratas e defensor dos costumes tradicionais, pois recusou algo que estava ocorrendo em excesso, para comemorar algo mais difícil de se alcançar, que era a marca dos dez anos de governo.

Caracala também recebeu do Senado de Roma as honras de um triunfo, após derrotar os Partos, mais uma vez, e recuperar a Mesopotâmia. Mas isso não quer dizer que tenha celebrado o triunfo. Como afirma Herodiano, ele recebeu as honras triunfais de um Senado com medo e dado a adulações, e que já sabia das vitórias de Caracala, antes mesmo de ele as anunciar oficialmente, pois “é impossível que as ações de um Imperador passem inadvertidas”, mas não voltou para Roma para efetivar as honras recebidas, preferindo permanecer na Mesopotâmia, onde consagrou seu tempo às corridas de cavalo e à caça de todo tipo de animal selvagem (Herodiano, IV, 11.8-9). Sendo assim, era possível ganhar honras triunfais e direito ao uso da imagem de triunfador em estátuas, arcos e outros monumentos, mesmo sem realizar em Roma a procissão de Triunfo, como bem o fizeram tanto Septímio quanto Caracala.

Note-se inclusive que Herodiano cita os sacrifícios, a distribuição de dinheiro e os jogos que marcaram a comemoração dos decennalia, chamando-os de jogos triunfais, pois comemoravam também as vitórias de Septímio, como já nos lembrou Dion Cássio. Além disso, era comum que quando um Imperador tomava conta do poder e na ocasião da comemoração de seus jubileus, eram-lhe feitos retratos que se exibiam em todo o Império. Os retratos originais, que serviam de modelo para as oficinas provinciais, saíam costumeiramente de Roma, quer fossem estátuas ou bustos, ou se faziam desenhos que eram coligidos em livros de modelos, que atravessavam o território imperial (Schuchhardt, 1972:131-138). Lembremos também, que em retribuição às vitórias, o Senado não apenas votou honras triunfais, mas também ordenou a construção no Forum de Roma de um arco triunfal, que foi concluído e dedicado ao Príncipe e seus herdeiros em 203 d.C., sublinhando a importância do restabelecimento da ordem nas fronteiras orientais (Franchi, 1960:20).

Assim, festas e jogos eram feitos para que o Imperador ou o candidato ao cargo pudessem aumentar a sua popularidade. Pelo menos esta era a opinião de Herodiano, que a profere ao comentar os jogos e as festas promovidas por Pescênio Nigro em Antioquia:


“Nigro lhes ofertava continuamente espetáculos, pelos quais sentiam especial predileção, e lhes dava permissão para que fizessem festas e promovessem jogos, graças aos quais aumentava a sua popularidade e, naturalmente, era respeitado” (Herodiano, II, 7.7-9).
Desta forma, Herodiano reconhece que a permissão ou promoção de festas e jogos eram importantes para garantir a legitimidade e a conquista da autoridade pelos homens públicos, que já estavam no poder ou em luta para conquistá-lo.

Por sua vez, os jogos seculares de 204 d.C., celebrados por Severo, foram os sétimos da série canônica, por isso receberam a posição de um evento quase oracular, pois os sétimos jogos seriam comemorados durante o governo de um Imperador chamado Septímio. Desta forma, seu potencial imagético e propagandístico era inegável, já que eles pareciam indicar o apoio divino ao governo de Severo. Otávio Augusto também havia tido a possibilidade de comemorar o jubileu da fundação da cidade de Roma, em seu governo, em 17 a . C., ajudando a glorificar o Principado e a idéia de Pax Romana.



Como Augusto aproveitou a comemoração da fundação de Roma para reforçar a idéia de que o governo estava estável e havia paz dentro das fronteiras, Severo continuou a comemorar as conquistas párticas, a certeza sucessória e também a paz que existia no Império. F. Coarelli destaca que os Jogos realizados por Augusto e por Severo são os melhores conhecidos pelos pesquisadores. E ele acredita que isto não é um mero acaso, mas a comprovação de que estes governantes foram os que melhor souberam aproveitar esta comemoração para divulgarem os seus governos (Coarelli, 1993:212). Os documentos escritos pouco falam desta comemoração. Apenas Herodiano, em sua obra, mesclou uma referência aos jogos de 197 d.C. com os Jogos Seculares de 204 d.C., afirmando:
“(Severo) tentava, sem dúvidas, ganhar o favor do povo oferecendo continuamente magníficos espetáculos de todo o tipo. Com freqüência matou animais selvagens as centenas, trazidos de terras do Império e de fora dele, e efetuou generosas distribuições de dinheiro. Celebrou uns jogos triunfais, para os quais fez vir atores e gladiadores de todas as partes. Vimos durante seu governo representações de todo o tipo de espetáculos, em todos os teatros simultaneamente, e cerimônias religiosas celebradas durante toda a noite, a imitação dos mistérios. Elas se chamaram, então, de Jogos Seculares porque se celebraram quando haviam passado três gerações desde os últimos, segundo se dizia. Os mensageiros foram de um lado a outro de Roma e da Península Itálica, convocando a todos os que encontravam para contemplar jogos que nunca haviam visto antes e que nunca mais veriam. Assim, recordavam que o intervalo entre uma celebração e a seguinte ia além da vida de um homem” (Herodiano, III, 8.9-10).
Deste modo, na concepção de Herodiano, a promoção de jogos equivalia à distribuição de dinheiro, na tentativa de conseguir o apoio da plebe de Roma. Contudo, ele se esquece que a presença nos jogos e nas outras cerimônias atingia vários outros estratos sociais. Os Jogos Seculares foram, sem dúvida, celebrações grandiosas, pois foram trazidos animais, atores e gladiadores de todas as partes, ocuparam-se todos os espaços de Roma dedicados às celebrações, indicando que elas foram de diversos tipos, vários rituais religiosos foram empreendidos e todos os habitantes do Império, principalmente da Península Itálica, foram convidados a comparecer. Pierre Grimal enfatiza que os Jogos em Roma eram mais que espetáculos. Eram momentos de reunião da cidade em torno de seus deuses, pois, para ele, os Jogos tinham funções iminentemente religiosas de agradecimento às potências protetoras, o que se vincula diretamente às comemorações dos Jogos Seculares (Grimal, 1999:84-85). As festas também eram momentos privilegiados para se fomentar a solidariedade entre os seus participantes, demonstrar riqueza e prazer, por isso se doavam nestes momentos altares, templos, arcos e outros prédios públicos (Meier, 1997:55). Portanto, o governante se interessou em divulgar a realização destes Jogos por mensageiros e mediante a cunhagem de moedas.

Há moedas cunhadas em Roma que festejam a ocorrência dos Jogos, como sestércios com o busto de Septímio no anverso e a imagem de Septímio velado, fazendo sacrifícios sobre um altar, ladeado por Hércules e Baco, com a legenda COS. III. LVD. SAEC. FEC. S. C. (RIC, IV, n. 761 e BMC, V, n. 843), ou como denários, também cunhados em Roma, que trazem o busto de Caracala no anverso e Baco e Hércules no reverso com a legenda COS. LVDOS. SAECVL. FEC. (RIC, IV, n. 74 A e B). Há também dupôndios e ases, cunhados em Roma, com o busto de Septímio no anverso e Baco e Hércules no reverso, com a mesma legenda dos sestércios (BMC, V, n. 844 A e B), e sestércios e ases cunhados em Roma com o busto de Caracala no anverso e, no reverso, a imagem de Caracala fazendo sacrifícios sobre um altar, ladeado por Hércules e Baco, com a mesma legenda dos denários (BMC, V, n. 845 e 846). Portanto, o que se vê é a repetição de imagens nas moedas de Septímio e de Caracala, os dois Augustos do momento, que fizeram juntos vários rituais durante os Jogos, sendo protegidos ambos pelas divindades protetoras da cidade natal de Septímio.

Conhece-se melhor a realização desta comemoração pelas Acta dos jogos realizados por Severo, que foram encontradas em 1931 em Tarento (CIL, VI, n. 32326 a 32336), infelizmente, bastante fragmentárias. Por sua análise, sabemos que toda a família imperial participou das atividades promovidas e, principalmente, das cerimônias religiosas. Os Cônsules do ano dos Jogos foram Cilo e Libo, mas foi Severo quem dirigiu os ritos junto com Caracala, que já era Augusto desde 198 d.C., tendo também ao seu lado Plautiano, que era sogro do imperator destinatus desde as comemorações dos decennalia. Sabe-se que vários ritos foram empreendidos no Campo de Marte, o que garantia, na visão de F. Coarelli, um certo toque militar e triunfal às comemorações, pois, segundo ele, os Jogos tinham um lado pro victoria e outro pro valetudine (Coarelli, 1993:239), já que só com a virtus dos governantes se poderia garantir a permanência do Império. Deste modo, são celebrações tanto militares quanto cívicas e religiosas.

A Imperatriz Júlia Domna, esposa de Septímio Severo, teve papel de destaque no segundo dia da festa, quando capitaneou uma grande procissão de 110 matronas romanas, dentre as quais ela era a primeira, e os ritos em honra de Juno Regina. Junto com ela também estavam duas Vestais, Numísia Maximilla e Terência Flávola, como vimos anteriormente. Sabe-se que esta ligação de Júlia com as matronas era antiga. Ela restaurou para as matronis (mulheres de senadores, cavaleiros e altos oficiais do exército, principalmente) um edifício especialmente construído para suas reuniões por Sabina, esposa de Adriano, no segundo século (CIL, VI, n. 997).

Na segunda noite, também foram feitos ritos em honra de Ilithya, a deusa dos Jogos Seculares, que era cultuada em Tarento, cuja equivalente romana seria Juno Lucina, que presidia os nascimentos. Pois estava se comemorando, antes de tudo, o nascimento de um novo século, de tempos novos. Desta maneira, houve no segundo dia uma forte presença feminina nas festividades. E o casamento de Caracala com Plautila em 202 d. C. garantia uma imagem de continuidade assegurada e de estabilidade perpétua. Na terceira noite, eram comemorados a fertilidade da terra, a justiça humana e divina, que deviam ser inseparáveis, e o soberano que não deveria morrer, ao menos por intermédio da memória de suas boas ações à frente do governo.

A comemoração dos Jogos Seculares era vista como o tempo de agradecer e de garantir para o futuro um tempo de felicidade e abundância, por isso não é de se estranhar que várias moedas deste período tenham sido cunhadas com as legendas Felicitas Temporum no reverso (BMC, V, n. 275 B – denário cunhado em Roma), ou Felicitas Augusti (BMC, V, n. 276 a 278 – denários cunhados em Roma), ou Felicitas Saeculi (BMC, V, n. 279 – aureo cunhado em Roma), ou Laetitia Temporum (BMC, V, n. 283 – aureo cunhado em Roma), ou Roma Aeterna (BMC, V, n. 294 – denário cunhado em Roma), em seus reversos, quase todas com a presença de Septímio, ladeado por Geta e Caracala, nas imagens dos reversos, indicando a concórdia familiar e a continuidade do Império.

O objetivo fundamental das celebrações seculares era assegurar a sobrevivência da cidade até o século seguinte. Uma preocupação predominante era obter o favor dos deuses para que os cidadãos fossem poupados de doenças e de epidemias. Era importante também garantir em algum momento da festa o culto à Dea Roma, a própria encarnação do poder da cidade frente ao Império conquistado, e o culto à Juno Moneta, a representação da riqueza e da abundância imperiais (Brind’Amour, 1972:1334-1417).

Por isso, o mais importante nas comemorações era garantir a proteção dos deuses para mais cento e dez anos de abundância para o Império e seus habitantes. Severo não perdeu a ocasião de inaugurar por um gesto simbólico, exatamente a realização dos Jogos, uma nova era de alegria e de fecundidade que todo o Império esperava (Gagé, 1934:68). Tanto que, antes da realização dos Jogos, costumava-se esperar o surgimento de prodígios, que eram interpretados pelos arúspices como sinais do início de um novo tempo (Coarelli, 1993:219). No caso dos Severos, o final da guerra contra os Partos com a vitória para os romanos era um bom sinal da proteção dos deuses aos novos tempos de paz.

Caracala, filho e sucessor de Septímio Severo, também promoveu várias festas ao longo de seu governo. Nenhuma com o brilho e a capacidade de coesão demonstradas pela comemoração dos decennalia e dos Jogos Seculares promovidos por seu pai. Ele estava se preparando para realizar a grande comemoração dos seus vicennalia como Augusto e Imperator, isto é, os vintes anos de seu governo, quando foi assassinado em 217 d.C., pois havia recebido este título após as vitórias conseguidas durante as primeiras guerras párticas em 198 d.C., ainda no governo de Septímio. Ainda quando Geta estava vivo, eles promoviam juntos jogos em Roma (Herodiano, IV, 4.2). Quando passou a governar sozinho, após o assassinato de Geta, continuou a promover e a assistir os Jogos no circus (Herodiano, IV, 6.4).

Dion Cássio também narrou vários Jogos e cerimônias promovidos por Caracala, principalmente, porque gostava de assistir os espetáculos e, de muitos deles, participou diretamente (Dion Cássio, LXXIII, 18.3-4)10. Assistiu, por exemplo, durante o governo de Severo, a celebração das Saturnálias, comemoradas com a execução de seis grandes corridas de bigas no Circo Máximo (Dion Cássio, LXXVI, 1.3), possivelmente contando com a presença do próprio Imperador, que era, assim, visto pela população de Roma e podia ouvir os seus clamores. Caracala também promoveu uma grande festa para comemorar as Saturnálias, e aproveitou o fato de a população estar envolvida com esta comemoração para armar o assassinato do irmão e para levá-lo a cabo (Dion Cássio, LXXVIII, 2.1).

Esta tática usada por Caracala, de tramar um assassinato durante uma grande comemoração pública, já havia sido posta em prática por ele em outra ocasião. Não nos esqueçamos que ele havia tramado o assassinato de Plautiano e o pôs em prática durante a comemoração dos ancestrais mortos, uma festa realizada com direito a jogos e banquetes no Palácio, na qual se comemoravam os Imperadores deificados. Foi durante um dos banquetes que Caracala acusou Plautiano de conjurar contra Septímio, acusação que resultou na morte de Plautiano (Dion Cássio, LXXVII, 3.4).

Dion Cássio acusava Caracala de gastar muito dinheiro com os soldados e com a promoção de Jogos (“com animais selvagens e cavalos”) (Dion Cássio, LXXVIII, 10.1-4). Narrou também um grande combate de gladiadores, promovido por Caracala, para comemorar o seu aniversário (Dion Cássio, LXXVIII, 19.1), enfatizando o uso da prática comemorativa para chamar a atenção dos súditos. Segundo G. Dumézil, durante uma comemoração de aniversário de um soberano, na realidade, o que se festejava era o seu genius, sua personalidade, sua capacidade de ação, por isso a comemoração deveria ser pública, pois os resultados de suas ações também eram públicos (Dumézil, 1983:86), justificando-se os grandes gastos com as festividades.

Portanto, como afirma A . Momigliano, as estátuas, os templos, os sacerdotes, os jogos, os sacrifícios e outros atos cerimoniais que se executavam em honra do Imperador ajudavam a fazê-lo presente: também ajudavam o povo a expressar seu próprio interesse na conservação do mundo em que viviam (Momigliano, 1992:170). Comemorar o governante era também festejar a manutenção da situação vigente. Assim, ao analisarmos duas das maiores celebrações executadas no mundo romano, ou seja, os Jogos Seculares e os decennalia promovidos pelo Príncipe Septímio Severo, podemos perceber como o espaço festivo era utilizado para divulgar a imagem positiva do soberano, prática esta que permaneceu presente até o mundo contemporâneo.
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 Professora de História Antiga e Medieval da Universidade Federal de Goiás. Mestre em História Social pela USP e Doutoranda em História Econômica na USP.

 Cada aureo valia cem sestércios, então, houve duzentos mil beneficiários da distribuição de dinheiro efetivada por Septímio, sendo quinze mil Pretorianos (Van Berchem, 1939:29). Vide também: Chastagnol, 1984:98, texto no qual ele defende que os aureos foram dados apenas para os Pretorianos. A plebe teria recebido o valor de dez aureos em denários (250) e sestércios (1000), mas não se tem como comprovar esta hipótese.

 Sobre a importância da datação do poder tribunício, renovado anualmente, para a catalogação das moedas e para o estudo do Principado, vide: Mattingly, 1930:78-91; Hammond, 1938:52-61; Snyder, 1938:62-69.

 Lembremos que Septímio era Augusto desde 193 d.C. e Caracala desde 198 d.C. Geta só receberia o título em 209 d.C.

 Para Chastagnol, os animais vivos seriam ostras, crustáceos e pequenos peixes (Chastagnol, 1984:99).

 O corocottas seria tipo de hiena (Chastagnol, 1984:99).

 Segundo D. L. Kennedy, a partir de análises epigráficas, Septímio teria também ampliado as fronteiras da Arábia (Kennedy, 1980:879-886).

 Como afirma Wilfried Nippel, em Roma, os teatros e o circo eram arenas nas quais o Príncipe e a plebe se encontravam, por isso era importante que os governantes possibilitassem estes encontros mediante a promoção de eventos nestes espaços públicos (Nippel, 1995:87).

 Série canônica é a denominação dada às comemorações que utilizam séculos de 110 anos (Coarelli, 1993:213).

 A celebração de Augusto foi a quinta da História de Roma (17 a . C.)e a de Domiciano foi a sexta (88 d. C.), tendo havido a celebração de jogos irregulares durante o governo de Claúdio (47 d. C.) (Gagé, 1934:49).

10 Nesta passagem, Dion Cássio narrou grandes Jogos (14 dias) promovidos por Cômodo no Anfiteatro, que ele assistiu junto com outros senadores e cavaleiros, nos quais este Imperador apareceu vestido de Hércules, causando medo na plebe e nos senadores (Dion Cássio, LXXIII, 20.3 a 21.1). Dion também ressalta que mesmo nos curtos governos, como foi o de Dídio Juliano, os Príncipes não deixavam de promover cerimônias e festas públicas. Dídio Juliano, por exemplo, promoveu banquetes e peças de teatro (Dion Cássio, LXXIV, 14.2).




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