As indagações metafísicas: o que é metafísica ou ontologia



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Aulas 17 e 18

As indagações metafísicas: o que é metafísica ou ontologia.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. Ática, 1995.

LOGOS. Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia.

REALE, G., ANTISERI, D. História da filosofia. São Paulo: Paulinas, 1991. Vol. 1, 2 e 3.



HIRYNIEWICZ, S. Para filosofar hoje. Rio de Janeiro: Santelena, 2001.
Esquema de quadro:


  1. O que é metafísica?

  2. A pergunta pelo que é.

  3. Características da metafísica em seus períodos.

  4. Da cosmologia à metafísica

  5. Metafísica ou ontologia?

  6. O surgimento da ontologia: Parmênides de Eléia.



O que é metafísica?

  • Explicar sobre Andronico de Rodes que organizou as obras de Aristóteles. (meta em grego = depois).

  • Na tradição clássica e escolástica, a metafísica é a parte mais central da filosofia, a ontologia geral, o tratado do ser enquanto ser.

  • A metafísica define-se assim como filosofia primeira, como ponto de partida do sistema filosófico, tratando daquilo que é pressuposto por todas as outras partes do sistema, na medida em que examina os princípios e causas primeiras, e que se constitui como doutrina do ser em geral, e não de suas determinações particulares.

  • A metafísica estuda o SER (Onto). O nome correto então deveria ser ONTOLOGIA (estudo do Ser). Para Aristóteles é a ciência primeira ou ciência dos princípios primeiros.

  • Apesar de ser rejeitada pela Filosofia Analítica, a Metafísica não deixou de ser comentada e criticada. Isto porque ainda há algo não solucionado, um problema que sempre volta. A Filosofia sempre teve uma relação com a totalidade, uma dimensão importantíssima sua. Com a modernidade a realidade foi setorizada. A sociedade antiga era holística, onde o todo se relacionava com as partes. Na modernidade este todo se desfacelou. Da religião derivou a Ética, que derivou a Política, e depois a Economia, etc... Cada âmbito cria sua racionalidade específica. Daí a separação Igreja/Estado por exemplo.

  • Com a filosofia também ocorreu a separação das áreas, e perdeu-se a relação com o todo. Se a filosofia perder sua relação com a totalidade ocorre uma situação paradoxal onde a filosofia perde seu sentido (que é de pensar na totalidade) onde não é ciência e nem filosofia. Pensar o Onto, o Ser, o todo é função da Metafísica e criticar a metafísica é deixar de pensar no todo.

  • Tudo é = tudo é ser = ontologia

  • Se penso, penso sobre uma realidade determinada que “é”, portanto pode ser inteligível. O ser é inteligível = pressuposto metafísico por excelência.

  • A razão é sempre “razão” de alguma realidade, e a realidade “é”. Tudo que é, é ser. Ser racional = ser inteligível por uma racionalidade , uma razão. Nunca posso separar totalmente SER e RAZÃO.

  • Filosofia: tem a preocupação de pensar o todo e não pode perder esta dimensão. Não pode se reduzir a pequenas áreas.

  • Pensar o todo significa pensar o SER.

  • O SER é o todo.

  • Criticar a metafísica significa deixar de pensar o todo.



2) A pergunta pelo que é.

  • A metafísica é a investigação que gira em torno da pergunta “O que é?”. Este “é” possui dois sentidos:

  1. Significa existe: de modo que a pergunta se refere à existência da realidade e pode ser transformada como: “o que existe?”.

  2. Significa natureza própria de alguma coisa: de modo que a pergunta se refere à essência da realidade, podendo ser transcrita como: “qual é a essência daquilo que existe?”.




  • Existência e essência da realidade em seus múltiplos aspectos, são, assim, os temas principais da metafísica, que investiga os fundamentos, os princípios e as causas de todas as coisas e o Ser íntimo de todas as coisas, indagando por que existem e por que são o que são.


Características da metafísica em seus períodos:

  • A história da metafísica pode ser dividida em três grandes períodos, o primeiro deles separado dos outros dois pela Filosofia de David Hume:

  1. Período que vai de Platão e Aristóteles (séculos IV e III a.C.) até David Hume (século XVIII d.C.);

  2. Período que vai de Kant (século XVIII) até a fenomenologia de Husserl (século XX);

  3. Metafísica ou ontologia contemporânea, a partir dos anos 20 do século XX.



  1. Primeiro Período características:

  • Investiga aquilo que é ou existe, a realidade em si;

  • É um conhecimento racional apriorístico (aceitação, na ordem do conhecimento, de fatores independentes da experiência), isto é, não se baseia nos dados conhecidos diretamente pela experiência sensível ou sensorial (nos dados empíricos), mas nos puros conceitos formulados pelo pensamento puro ou pelo intelecto;

  • É um conhecimento sistemático, isto é, cada conceito depende de outros e se relaciona com outros, formando um sistema coerente de idéias ligadas entre si;

  • Exige a distinção entre ser e parecer ou entre realidade e aparência, seja porque, para alguns filósofos, a aparência é irreal e falsa, seja porque, para certos filósofos, a aparência só pode ser compreendida e explicada pelo conhecimento da realidade que subjaz a ela.




  1. Segundo Período características:

  • Tem seu centro a filosofia de Kant, que demonstra a impossibilidade dos conceitos tradicionais da metafísica para alcançar e conhecer a realidade em si das coisas.

  • Em seu lugar, Kant propõe que a metafísica seja o conhecimento de nossa própria capacidade de conhecer – seja uma crítica (sentido grego da palavra: estudo das condições da possibilidade de alguma coisa) da razão pura teórica; tomando a realidade como aquilo que existe para nós enquanto somos o sujeito do conhecimento.

  • A metafísica poderá continuar usando o mesmo vocabulário que usava tradicionalmente, mas o sentido conceitual das palavras mudará totalmente, pois não se referem ao que existe em si e por si, mas ao que existe para nós e é organizado por nossa razão.




  1. Terceiro Período características:

  • A metafísica contemporânea é chamada de ontologia e procura superar tanto a antiga metafísica quanto a concepção kantiana.

  • Considera o objeto da metafísica a relação originária mundo-homem.

  • Investiga os diferentes modos como os entes ou os seres existem;

  • Investiga a essência ou o sentido (a significação) e a estrutura desses entes ou seres;

  • Investiga a relação necessária entre a existência e a essência dos entes e o modo como aparecem para nossa consciência, manifestação que se dá nas várias formas em que a consciência se realiza (percepção, imaginação, memória, linguagem, intersubjetividade, reflexão, ação moral e política, prática artística, técnicas);

  • Alguns consideram que a metafísica ou ontologia contemporânea deveria ser chamada de descritiva, porque, em vez de oferecer uma explicação causal da realidade, é uma descrição das estruturas do mundo e do nosso pensamento.



Da Cosmologia à metafísica

  • A filosofia nasce da admiração e do espanto, dizem Platão e Aristóteles. Admiração: “por que o mundo existe?”. Espanto: “por que o mundo é tal como é?”.

  • Desde seu nascimento, a filosofia perguntou: “o que existe?”, “por que existe?”, “o que é isso que existe?”, “por que e como surge, muda e desaparece?”, “por que a natureza ou o mundo se mantêm ordenados e constantes, apesar da mudança contínua de todas as coisas?”.

  • Estas perguntas levaram os primeiros filósofos a buscar uma explicação racional para a origem de um mundo ordenado, o cosmo.

  • Por esse motivo, a filosofia nasce como cosmologia.

  • A busca do princípio que causa e ordena tudo quanto existe na natureza (minerais, vegetais, animais, humanos, astros, qualidades como: úmido, seco, quente, frio) e tudo quanto nela acontece (dia e noite, estações do ano, nascimento, transformação e morte, crescimento e diminuição, saúde e doença, bem e mal, belo e feio, etc) foi a busca de uma força natural perene e imortal, subjacente às mudanças, denominada pelos primeiros filósofos com o nome de physis . A cosmologia era uma explicação racional sobre a physis e, portanto, uma física, ou como a chamava Aristóteles, uma fisiologia, isto é, estudo da physis.


Metafísica ou ontologia?

  • A metafísica é filosofia primeira, porque ela estudo o ser enquanto ser.

  • No século XVII, o filósofo alemão Jacobus Thomasius considerou que a palavra correta para designar os estudos da metafísica ou filosofia primeira seria a palavra ontologia.

  • Essa palavra é composta de duas outras: onto e logia.

  • Onto deriva de dois substantivos gregos, tà onta (os bens e as coisas realmente possuídas por alguém; e as coisas realmente existentes).

  • Tà onta deriva do verbo ser, que, em grego, se diz einai.

  • O particípio presente desse verbo se diz on (sendo, ente).

  • Dessa maneira, as palavras tà onta (as coisas) e on (ente) levaram a um substantivo: tò on, que significa “o Ser”.

  • O Ser é o que é realmente e se opõe ao que parece ser, à aparência.

  • Assim, ontologia significa “estudo ou conhecimento do Ser, dos entes ou das coisas tais como são em si mesmas, real e verdadeiramente, correspondendo ao que Aristóteles chamara de filosofia primeira, isto é, o estudo do Ser enquanto Ser”.

  • Ao definir a filosofia primeira, Aristóteles afirmou que ela estuda o Ser das coisas, a ousia.

  • A palavra ousia é o feminino do particípio presente do verbo ser, isto é, do verbo enai.

  • Os pensadores e escritores latinos, ao traduzir as obras dos filósofos gregos, procuraram essentia, pois em latim o verbo ser é esse. Em português, o temo ousia significa “essência”, porque é traduzido da palavra latina essentia.

  • Assim, a filosofia primeira é o estudo ou o conhecimento da essência das coisas ou do Ser real e verdadeiro das coisas, daquilo que elas são em si mesmas, apesar das aparências que possam ter e das mudanças que possam sofrer.

  • Thomasius considerou que Aristóteles definiria a filosofia primeira como o estudo do Ser enquanto Ser para significar que ela não estuda esta ou aquela coisa, este ou aquele ente, mas busca a essência de um ente ou de uma coisa, um Ser.

  • Por isso, por ser o estudo da ousia, a filosofia primeira deveria ser designada com a palavra ontologia.

  • Agora, porque a metafísica ou ontologia ocupa o lugar que, no início da filosofia, era ocupado pela cosmologia ou física?


O surgimento da ontologia: Parmênides de Eléia


  • O Ser é, diz Parmênides.

  • Com isso, pretendeu dizer que o Ser é sempre idêntico a si mesmo, imutável, eterno, imperecível, invisível aos nossos sentidos e visível apenas para o pensamento.

  • Foi Parmênides o primeiro a dizer que a aparência sensível das coisas da natureza não possui realidade, não existe real e verdadeiramente, não é.

  • Contrapôs, assim, o Ser (on) ao Não-Ser (me on), declarando: “o não-ser não é”.

  • A filosofia é chamada por Parmênides de a Via da Verdade (alétheia), que nega realidade e conhecimento à Via de Opiniao (dóxa), pois esta se ocupa com as aparências, com o Não-ser.

  • A cosmologia buscava a explicação para o devir, isto é, para a mudança das coisas, para a passagem de uma coisa a um outro modo de existir, contrário ao que possuía (o dia vira noite, a saúde pode virar doença, o frio pode ir esquentando até tornar-se seu contrário, o quente, e este por ir esfriando até tornar-se o seu contrario; o mesmo acontece com o úmido e com o seco, com o grande que vai diminuindo até tornar-se pequeno e este, que vai aumentando até tornar-se seu contrário...

  • A cosmologia dedicava-se à multiplicidade dos seres, à mutabilidade deles e as oposições entre eles.

  • Parmênides tornou a cosmologia impossível ao afirmar que o pensamento verdadeiro exige a identidade, a não-transformação e a não-contradição do Ser.

  • Considerando a mudança de uma coisa em outra contrário o Não-Ser, Parmênides também afirmava que o Ser não muda porque não tem como nem por que mudar e não tem no que mudar, pois se mudasse, deixaria de ser o Ser, tornando-se contrário a si mesmo, o Não-Ser.

  • Como conseqüência, mostrou que o pensamento verdadeiro não admite a multiplicidade ou pluralidade de seres e que o Ser é uno e único.

  • Parmênides afirmava era a diferença entre pensar e perceber.

  • Percebemos a natureza na multiplicidade e na mutabilidade das coisas que se transformam umas nas outras e se tornam contrárias a si mesmas.

  • Mas pensamos o Ser, isto é, a identidade, a unidade, a imutabilidade e a eternidade daquilo que é em si mesmo.

  • Perceber é ver aparências. Pensar é contemplar a realidade como idêntica a si mesma. Pensar é contemplar o tò on, o Ser.

  • Multiplicidade, mudança, nascimento e perecimento são aparências, ilusões dos sentidos. Ao abandoná-las, a filosofia passou da cosmologia à ontologia.


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