As ordens mendicantes



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AS ORDENS MENDICANTES

Ordens religiosas surgidas no séc. XIII, vivendo em regime de pobreza, fora dos claustros, distinguindo-se do monaquismo latifundiário da época. As mais importantes, então surgidas, são: Franciscanos (1209); Dominicanos (1216); Carmelitas (1229); Eremitas de Santo Agostinho (1252).


Apesar de haver também outras (Servitas, Mercedários, Mínimos), mas a história da Igreja dá uma especial atenção aos Franciscanos e Dominicanos que são como o paradigma do novo tipo de Vida Religiosa.

Dada a sua melhor adaptação às circunstâncias e necessidades da nova era de início da concentração urbana e da mobilidade das populações, as ORDENS MENDICANTES tiveram o apoio dos Papas e vieram a desempenhar papel decisivo na reforma da Igreja e, mais tarde (séc. XV), na evangelização dos novos mundos.


Os mendicantes, no meio dos sofrimentos dos séculos XII e XII, prestaram eficazmente seu serviço: Franciscanos com a simplicidade de vida unida à fraternidade, os Dominicanos com seu saber procuraram extirpar as heresias, desenvolver o saber teológico e administrar a inquisição. Os Carmelitas e os Eremitas de Santo Agostinho mantêm-se a meio caminho entre o estudo e a solidão. Para os Franciscanos é importante a paixão por Francisco de Assis; para os Dominicanos, a organização da própria Ordem.

O monge vive na solidão campestre ou na fortaleza da abadia; O frade convive com a gente e o povo da cidade.

A nova sociedade nos burgos substituiu a velha ordem feudal. Causas: a invasão dos bárbaros obrigaram os senhores feudais a abandonar suas vilas rurais e abrigarem-se em castelos ("Burg" em alemão). O povo começou a agrupar-se ao redor deles originando novas povoações dedicadas ao artesanato e ao comércio. No século XI muitos destes povoados libertaram-se da tutela feudal e tornaram-se "Cidades livres". A formação dos Burgos tem como conseqüência o esvaziamento dos feudos. Os mosteiros ficam isolados na campanha. (Esta é a causa da queda do influxo dos cistercienses, por exemplo).

Com o desenvolvimento do comércio e do artesanato velhas cidades experimentaram um desconhecido reflorescimento. A vida humana trouxe à luz um novo tipo de homem: mais crítico, racional, aberto a novas correntes espirituais e a heresias, ao não conformismo. A Igreja avessa ao comércio e rejeitando a usura, não se adaptou a esta nova sociedade. Tratou-a com desconfiança. Enquanto isso os leigos foram igualando-se e superando o clero.

O desenvolvimento do comércio está ligado às cruzadas. Também novas idéias filosóficas e religiosas penetraram na Europa. Os benefícios vindos do oriente se manifestariam na escolástica.


OS MENDICANTES TRAZEM ALTERNATIVAS DE SOLUÇÕES

- Combate às heresias. Não pela guerra aos albigenses (1209-1229), mas utilizando suas armas: vida evangélica e pregação;

- Ação misisonária: Até então reservada aos párocos e bispos pela pregação e administração dos sacramentos;

- Vida mista: Até então os monges viviam isolados dentro de suas fortalezas (as abadias). Os mendicantes convivem com o povo;

- Novas Ordens: O Concílio de Latrão IV havia proibido o surgimento de novas Ordens. E é exatamente ali que surgem os mendicantes.

- Pobreza coletiva. A novidade maior das Ordens Mendicantes foi a pobreza coletiva (os frades devem providenciar o próprio sustento com o trabalho manual, intelectual ou pastoral. Esmolar é um serviço).


OS FRANCISCANOS

Francisco de Assis (1181-1226) nasceu e morreu em Assis. Desde moço apaixonou-se pelo ideal da cavalaria. Em 1206-7 uma doença dá-lhe ocasião de endereçar a vida para outros ideais. Aos 24 de fevereiro de 1209, na igreja da Porciúncula ouviu Mt. 10,7. Escolhe uma vida de extrema pobreza e de pregação itinerante. Inocêncio III, em 1210, aprovou oralmente a forma de vida para pregar a penitência e os bons costumes.

Em 1212, no domingo de Ramos, Francisco recebe Clara de Assis. Inicia a 2a Ordem Franciscana (desde 1253, Ordem das Clarissas).

Em 1221 foi aprovada a primeira regra (Não bulada). Foi o papa Honório III, em 1223, quem aprovou solenemente a regra com 12 capítulos. Aos 17 de setembro de 1224 recebeu os estigmas no Monte Alverne. Morreu aos 3 de outubro de 1226. Foi canonizado dois anos após.

Ainda em 1221 passou a direção da Ordem a Frei Elias. Elias mitigou a regra. Aceitou os privilégios papais. Construiu a basílica de São Francisco; promoveu os estudos científicos. Foi deposto em 1239, excomungado e expulso da ordem. Morreu reconciliado em 1253.



São Boaventura conduziu a ordem de 1257 a 1274. Nesta época era forte a crise dos dois partidos: os espirituais e os "comunitários".

A 3a Ordem (Ordem Franciscana Secular) foi contemplada com sua regra em 1221. Santa Elizabete de Turíngia, falecida em 1231, é a padroeira; São Luiz IX, rei da França é um grande expoente.


OS DOMINICANOS

Domingos de Gusmão (1170-1221) nasceu em Caleruega (Castela). Começa a pregar no sul da França. De retorno à Itália, em companhia do seu bispo Diego, participaram de uma reunião de Cistercienses que deliberavam sobre como reprimir a heresia dos albigenses. O bispo disse: “Creio impossível que eles voltem à fé somente por palavras. Estes homens se apoiam bem mais em exemplos”. A essas palavras o bispo emendou fatos concretos. Com Domingos e alguns clérigos começou pôr em prática a pobreza e a abnegação evangélica. Abades cistercienses os imitaram. Permaneceu ali por dois anos (1205-1207). Voltou para sua igreja temendo ser considerado negligente por parte de seus fiéis, mas prometendo voltar logo com novos recursos. Pretendia fundar uma congregação com este ideal de vida. Porém faleceu em dezembro de 1207. Seu ideal sobrou então para Domingos.

Em 1215 Domingos ganhou um castelo. Sentiu a hora oportuna de fundar a Ordem dos Pregadores (O.P.). Funda uma comunidade para combater os albigenses.

O IV Concílio de Latrão (1215), sugeriu-lhe as finalidades da Ordem:

- Reforma da Igreja;

- Correção dos costumes;

- Extirpação da heresia;

- Confirmação da fé.

No decreto três, decidia a “Instituição de pregadores e administradores da penitência”;

No decreto onze ordenava: “Em cada catedral ou paróquia haja um professor para o ensino gratuito”. Tudo isso foi assimilado por Domingos.

Inocêncio III aprovou o projeto de Domingos aconselhando-o a escolher uma regra das já existentes. Escolheu a de Santo Agostinho. Era o ano de 1215. Em 1218 a ordem decidiu ser formada por clérigos bem formados em teologia para a própria santificação e para a pregação (até então o ofício de pregador era reservado ao bispo e aos párocos). Provavelmente, em 1220 Domingos e Francisco encontraram-se. Estimavam-se mutuamente. Neste ano o capítulo geral dos frades escolhe a forma de vida de uma “Ordem Mendicante” (renúncia à propriedade e às rendas fixas). Aos 6 de agosto de 1221, Domingos faleceu em Bologna. Foi canonizado aos 3 de julho de 1234.
CARMELITAS

Bertoldo de Calábria, com 10 companheiros, fundou seu ermo em 1181 na gruta de Elias no Monte Carmelo. Era de caráter contemplativo. Em 1226 Honório III aprovou a regra. Em 1238, expulso pelo Islã, passaram de eremitas a cenobitas. Em 1247 foram assimilados aos mendicantes. As carme1itas iniciaram em 1252.
EREMITAS DE SANTO AGOSTINHO

Papa Inocêncio IV, dia 16 de dezembro de 1243, emitiu a bula “Incumbit nobis” conclamando numerosas comunidades eremitas da Toscana a se unirem em uma só ordem religiosa com a Regra e forma de vida determinadas por Santo Agostinho, às comunidades que fundou durante sua vida. Os principais eram:


  • os Eremitas de Santo Agostinho da Túxia, cujos mosteiros, originariamente independentes, em março de 1244, por decisão da Santa Sé, foram reunidos numa única organização;

  • os Eremitas de Brettino, pelo nome da localidade;

  • os Eremitas de São João Bono.

No mês de março de 1256, em Roma, na Igreja de Santa Maria do Povo, reuniram-se, por vontade do Papa Alexandre IV, os delegados de todos os mosteiros acima citados e de outros institutos menores, num total de cerca de trezentos e sessenta membros. Na presença do legado papal, Cardeal Ricardo Degli Annibaldi, os frades eremitas ouviram e aceitaram a vontade do Pontífice de se reunirem para constituir uma única grande Ordem, a dos Eremitas de Santo Agostinho. Os frades eremitas da Toscana elegeram, então, um Prior-Geral e formalizaram suas constituições. A Santa Sé achou por bem fazer isso também para que os frades se transferissem para as cidades e lá construíssem seus conventos, podendo assim catequizar o povo através do exemplo, da pregação e do atendimento nas confissões. Desta forma, a Ordem Agostiniana passou a desenvolver sua dimensão apostólica, muito marcante em seu fundador.

CONTROVÉRSIAS COM OS MENDICANTES - CONFLITOS
ENTRE FRANCISCANOS

O conflito estabeleceu-se entre os laxistas (moderados) e os espirituais (rigoristas). Entre os seguidores de Francisco ao pé da letra (regra e testamento) e os que, seguindo Frei Elias, mitigavam a rigidez dos princípios.



O programa dos espirituais:

- supressão do estudo de filosofia;

- pobreza pessoal absoluta (no comer, no vestir);

- Regra e Testamento de São Francisco obrigatórios.

O Papa Gregório IX, em 1230, declara: "O Testamento não tem valor de regra". Os frades podem receber esmolas. As propriedades são da Santa Sé. Os frades são isentos dos bispos.

- São Boaventura foi inimigo tanto do relaxamento quanto do rigorismo;

- O zelo dos espirituais rompeu a comunidade. Em 1294, Ce1estino V decidiu suprimir a Ordem. Bonifácio VIII suprimiu e anulou este ato;

- No Concílio de Viene (1312) o Papa condenou o relaxamento generalizado mas manifestou preferência para o “usus pauper” (moderação) mais do que pela “letra” da regra e do testamento. Ambos os partidos aceitaram a decisão.


ATAQUES AOS MENDICANTES

- Rivalidade com o clero - Os párocos protestaram contra os mendicantes porque seu apostolado ficava prejudicado com a ação dos mendicantes (as esmolas e as taxas dos sacramentos diminuíam na caixa dos párocos). O bispo protestava contra os direitos de isenção dos mendicantes (diretamente dependentes do papa).

- Rivalidade científica - Os mendicantes quiseram estudar teologia sem aprovar outras disciplinas; criaram cadeiras introdutórias a graus universitários em suas próprias casas; quiseram isenção do regulamento da universidade.

S. Alberto Magno (OP), S. Boaventura (OFM), Alexandre de Hales (OFM) e Rolando de Cremona atraiam a si os melhores alunos na universidade de Paris. Por ciúmes, a Universidade excluiu tais mestres. Guilherme de Saint-Amour conseguiu do Papa Inocêncio IV a bula de 21/11/1254 que proibia aos fiéis, sob pena de excomunhão, ouvir missa Dominical em qualquer igreja dos religiosos. A estes proibiu a pregação nos horários das missas paroquiais.

O Papa Alexandre IV, aos 14 de abril de 1255 ordenou que a Universidade de Paris recebesse em seu seio, sob pena de excomunhão, os mestres franciscanos e dominicanos, apesar da decisão de Inocêncio IV (1254).

A Universidade não obedece. Dissolve-se aparentemente para não cair na excomunhão. O papa fez o rei expulsar do reino Guilherme de Saint-Amour e condenou à fogueira seus escritos contra os mendicantes onde dizia: “A mendicância, longe de ser uma virtude, é um grave perigo”. Esta fogueira aconteceu aos 05/10/1256. Ele faleceu em 1271.



Santo Tomás e São Boaventura lecionaram em seus respectivos conventos incorporados oficialmente à Universidade.
O Concílio de Lião de 1274 apresentou a proposta decretal de suprimir todas as organizações religiosas novas. Os grandes cardeais, S. Boaventura (OFM) e Pedro de Tarantasia (OP) [uma vez que Sto. Tomás faleceu no caminho de ida a este concílio], garantiram a defesa destas duas congregações. Os Eremitas de Santo Agostinho e os Carmelitas obtiveram concessão provisória que se converteu em permanente. Outras associações religiosas foram supressas.


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