As pesquisas Thomas Pallister Barkas com a médium



Baixar 25.84 Kb.
Encontro07.08.2016
Tamanho25.84 Kb.




www.autoresespiritasclassicos.com

As pesquisas Thomas Pallister Barkas com a médium

Elisabeth d' Espérance


Extraídos da obra

Gabriel Delanne - Pesquisas sobre mediunidade


Soluções de problemas científicos dados pelos espíritos
Um dos argumentos preferidos dos que só vêem nos médiuns, quando são honestos, apenas leitores de pensamento ou receptores telepáticos, é afirmar que as comunicações nunca ultrapassam o nível intelectual da assistência ou jamais indicaram a solução de certos problemas científicos. Evidentemente, é difícil fixar um limite superior às faculdades hiperestesiadas de um paciente, já que conhecemos o desenvolvimento que a clarividência e a transmissão de pensamento podem dar-lhes.

Mas há uma observação que nos servirá para discernir o que já pertence ao próprio paciente do que pode vir-lhe de uma fonte estranha: é quando a comunicação dá provas de conhecimentos artísticos, científicos ou literários que o paciente ou os assistentes jamais possuíram. Parece certo que, por maior que seja o desenvolvimento da memória, da imaginação ou da clarividência, essas faculdades não poderiam criar algo do nada, isto é, tirar do acervo intelectual do médium ou dos operadores o que nele não existe. Ora, exemplos desse fenômeno apresentam-se com freqüência suficiente para que a necessidade da intervenção dos espíritos seja demonstrada.

Eis, inicialmente, o testemunho do sr. Barkas, membro da Sociedade de Geologia de Newcastle, que durante oito anos estudou os fatos espíritas antes de pronunciar-se sobre a sua autenticidade. Entre os que o convenceram, ele cita (5) uma série de experiências feitas com uma célebre médium, não profissional, a sra. d'Espérance:

(5) Barkas, Réponses improvisées à des questiona scientifiques, par unne femme médium d'éducation ordinaire. Light, 1885, p. 85.

Em 1875, diz ele, fui convidado a participar de uma série de sessões que deveriam acontecer no modesto apartamento de uma jovem senhora, médium não profissional, residente em Newcastle-on-Ryne. Todas as perguntas eram escritas num caderno no exato momento de formulá-las, e a médium nele escrevia as respostas imediatamente. Todos esses cadernos estão comigo e mantenho-os à disposição das pessoas que queiram vê-los.

Eis o principal problema que se apresenta neste caso: uma mulher de instrução comum deu respostas para diversas perguntas científicas cuidadosamente elaboradas no decorrer de trinta e sete sessões, com a sessão prolongando-se por três horas a cada vez. As respostas são de tal ordem, que provavelmente não existe na Inglaterra um homem que possa fazer o mesmo, isto é, dar respostas tão precisas, nas mesmas condições, a todas as perguntas que foram feitas. Um relatório detalhado dessas sessões, uma autobiografia da médium, bem como exemplos dessas perguntas, com as respostas, acham-se na Psychological Review de 1878 (tomo I, p. 215).

Não se deve perder de vista que a médium é uma senhora de instrução medíocre, que estava cercada de pessoas que a estudavam com atenção, que as perguntas escritas eram lidas em voz alta, imediatamente, que as respostas eram escritas rapidamente pela mão da médium no mesmo caderno, que eram improvisadas, sem qualquer correção posterior; não se deve esquecer, também, que as perguntas se referiam a diversos assuntos científicos, e outros, geralmente pouco familiares às mulheres; que a médium, segundo ela mesma confessa, é completamente ignorante nessas matérias; que ela escrevia automaticamente, sem analisar se as respostas eram corretas. As pessoas que a conhecem intimamente garantem que ela nunca teve inclinação pelas ciências e que jamais leu livros científicos.

Eis algumas amostras de perguntas, e de respostas assim obtidas mecanicamente, sem demora ou hesitação, mesmo que a médium ignorasse completamente as perguntas antes de ouvi-Ias. Constataremos que não são banais:

P. — Por que dois sons idênticos podem produzir silêncio, quando dois sons não idênticos não produzem esse resultado?

R. — Porque duas ondas sonoras idênticas e de sentido oposto, ao se chocarem, anulam reciprocamente seu movimento vibratório. Pegai em cada mão um diapasão igual, percuti esses diapasões com uma força igual e apoiai as hastes nos cantos de uma mesa; vereis então as duas ondas, caminhando uma na direção da outra, absorverem-se reciprocamente pelos seus vértices. Essas experiências merecem ser feitas.

P. — Podeis dizer-me como é possível calcular a relação que liga as pulsações (6) específicas entre si, tomada sob um volume constante e sob uma pressão constante, conforme a rapidez observada do som e da luz, por meio da fórmula de Newton?



(6) Dá-se o nome pulsação aos aumentos e enfraquecimentos sucessivos que se produzem, a intervalos iguais, por um som resultante da propagação, no ar, de dois sons que não têm a mesma altura.

O fenômeno das pulsações se realiza com a maior facilidade: basta fazer vibrar em planos paralelos dois diapasões que não tenham o mesmo período, isto é, cuja duração de oscilação não seja a mesma. Cada um deles dá origem a uma onda sonora; se, em determinado ponto, num momento dado, essas duas ondas forem concordantes, há um máximo de altura para o som resultante, mas essas ondas não se propagam com a mesma rapidez; uma delas sobrepuja a outra cada vez mais; elas se contrariam, e, em dado momento, por um ponto determinado, o som resultante apresenta um mínimo de intensidade. Em outros termos, a amplitude do movimento oscilatório resultante é função periódica do tempo, e, conseqüentemente, passa por uma série de máximos e de mínimos; entre dois máximos, isto é, entre dois aumentos, acha-se o mínimo, ou seja, um enfraquecimento. O ouvido percebe muito melhor essas variações de altura quando estão mais distantes; para tanto, é necessário que os dois diapasões vibrem em uníssono.

R. — Esta relação só pode ser calculada da seguinte forma: Suponhamos que se percutam simultaneamente duas cordas ou dois diapasões; se a intensidade do som é a mesma, ou quase a mesma para os dois, as pulsações se produzirão da maneira seguinte, admitindo-se que o número das vibrações, de um lado, seja 228, e do outro, 220 por segundo, o número das pulsações que atingirão o ouvido será 228-220 = 8 por segundo. Isso dará 8 pulsações por segundo; é o número máximo de pulsações que podem chegar ao ouvido.

Obtivemos com essa médium descrições exatas do olho e, o que é melhor, tratados completos sobre o calor, a luz, a fisiologia das plantas, a eletricidade, a anatomia do corpo humano e, conforme o sr. Barkas, pode-se dizer que cada um desses tratados honraria um adepto da ciência.

Enquanto duravam as sessões, a médium parecia estar no seu estado normal. Essa senhora conversava conosco o tempo todo e respondia com um ar perfeitamente natural quando lhe dirigíamos a palavra em matéria de simples conversação. A influência oculta que a dominava só se revelava no movimento automático da mão.

Atesto que eu mesmo concebi e formulei a maior parte das perguntas, de que a médium, conseqüentemente, não podia ter conhecimento antecipado; a não ser eu, ninguém mais da assistência lhes conhecia o teor; muitas vezes as perguntas foram feitas sem premeditação, e as respostas foram escritas pela médium sob nossos olhos; ter-lhe-ia sido materialmente impossível munir-se antecipadamente de quaisquer informações a respeito das respostas a serem dadas. Acrescentarei que ela nunca recebeu um centavo de remuneração por todas as horas — pelo menos uma centena — que dedicou tão desinteressadamente ao estudo dos seus notáveis fenômenos mediúnicos.

A ignorância da médium parece perfeitamente estabelecida, e conseqüentemente não era nela que poderiam encontrar-se as informações exatas que a mão revelava. É interessante saber se não eram os assistentes que, inconscientemente, forneciam os dados científicos. O sr. Aksakof escreveu ao sr. Barkas pedindo esclarecimentos sobre este ponto importante. Eis a resposta:

Senhor, vós me perguntais, em primeiro lugar, se eu próprio estaria em condições de responder, de modo tão preciso quanto a médium o fez, às perguntas de física que lhe fiz; e em seguida, desejais saber até que ponto as respostas recebidas por intermédio da médium não poderiam ser consideradas um efeito da leitura cerebral. No que diz respeito à física, devo dizer que teria conseguido responder a um certo número de perguntas propostas à médium, mas menos bem do que ela o fez; tratando-se de algumas especialidades, na época eu não teria acesso a uma fraseologia tão técnica e tão precisa; isso diz respeito, mais particularmente, à descrição do cérebro e à estrutura do sistema nervoso, à circulação do sangue, à estrutura e funcionamento dos órgãos da visão e da audição. As respostas recebidas pela médium, em geral estavam notavelmente acima dos meus conhecimentos científicos de então, e são superiores às que eu hoje poderia dar — ou seja, doze anos depois — se devesse escrevê-las sem me preparar antecipadamente.

Estudei mais ou menos três quartos das perguntas antes de submetê-las à médium, e no entanto devo confessar que não teria conseguido redigir minhas respostas com a mesma exatidão e a mesma elegância de linguagem das transmitidas pela médium.

As respostas contêm muitos termos técnicos que, certamente, não me ocorreria empregar, por falta de uso. Encontram-se, por outro lado, expressões que me eram totalmente desconhecidas, como, por exemplo, membrana adnata, para designar a conjuntiva; além do mais, aqui não encontrei um único médico que conhecesse esse termo.

Compreendo toda a dificuldade que há para mim em informar-vos de uma maneira completamente satisfatória sobre os detalhes que vos interessam, visto que sou obrigado a trazer à baila minha sinceridade e fazer uma avaliação pessoal para levar em conta o que eu sabia e o que eu não sabia quando aconteceram as sessões. Contudo, posso afirmar por minha honra que não me achava à altura de responder, de modo tão detalhado, a boa parte das perguntas de física que eu havia formulado, sem tê-las comunicado primeiro a outras pessoas, e havia certas perguntas a que eu não teria conseguido responder.

É exato que não teria conseguido responder às perguntas sobre música. Houve três sessões dedicadas às ciências musicais; um professor de música assistiu às duas últimas. (7) Na primeira, quem fez as perguntas fui eu. Dois dias antes, pedi a um amigo, perito em matéria musical, que mas formulasse, e nem mesmo tentei compreendê-las. Fi-las à médium, que, sem a menor hesitação, escreveu as respostas que lestes, e outras mais. Naquela sessão, não havia um único músico. A própria médium tinha apenas noções elementares em matéria de música. (8)

(7) Provavelmente o sr. William Rae, organista em Newcastle, segundo a sra. d'Espérance. Ver seu livro, Au pays de l' Ombre, p. 147.

(8) O sr. Barkas não tinha noção alguma, como diz em outro lugar. (Médium, 1887, p. 645)

Nas duas outras sessões, a maioria das perguntas relativas à crítica musical foram feitas pelo professor de música; eu fiz as restantes, que tinha obtido com alguns amigos músicos. Parece que, entre as respostas dadas às perguntas do professor, houve alguma que não combinava com a opinião dele. Quanto às que se referem às perguntas que eu fiz, ignorava, na época, se estavam corretas ou não.

Para responder à hipótese de que as informações teriam sido fornecidas telepaticamente por alguma pessoa viva, o sr. Barkas diz:

Gostaria muito de conhecer, mesmo que fosse um único caso, bem averiguado, de um sensitivo iletrado que, sem estar mesmerizado, conseguisse responder por escrito, num estilo correto e científico, a perguntas sobre música e ciência, por efeito da leitura de pensamento, ou pela ação da vontade, exercida por um sábio ou por um músico vivo...

Pedis que vos indique as perguntas a que nem eu, nem qualquer dos assistentes, teríamos conseguido responder? Na primeira das sessões dedicadas à música, nenhuma das pessoas presentes era capaz de dar uma resposta sensata. Ninguém teria conseguido, também, responder a perguntas de química, de anatomia, concernentes à visão, à audição, à circulação do sangue, ao cérebro, ao sistema nervoso, e a muitas outras ligadas às ciências físicas. Exceto o sr. Bell, que tinha algumas noções de química prática, mas não se expressava com facilidade, e eu, que conhecia os princípios rudimentares da física, as pessoas que assistiam às sessões eram absolutamente ignorantes nessas matérias. Aceitai etc.

T. P. Barkas


A médium do sr. Barkas, a sra. d'Espérance, recentemente publicou um livro intitulado Au pays de I’Ombre, no qual fala dessas sessões. (9) Deve-se ler as páginas que lhes dedica, para bem identificar as condições em que as respostas científicas eram dadas.

(9) d'Espérance, Au pays de I' Ombre, p. 138 e segs.

Quanto a mim, diz ela, só me interessava por essas discussões devido ao meu vivo desejo de ver Stafford (o guia da médium) mostrar-se capaz de lutar com vários homens esclarecidos e desejosos, parecia-me, de provar sua superioridade intelectual; eu não compreendia os termos técnicos constantemente empregados, e às vezes me perguntava se os próprios interrogadores os compreendiam!

Ocorre que essas discussões não apenas aborrecem o médium, mas também outros espíritos que têm o hábito de comunicar-se. Eis um exemplo, no qual, durante uma interrupção momentânea, um deles, chamado Walter, se aproveita do intervalo:

Durante meia hora, Walter nos entreteve, imitando de maneira engraçada 'o governador' e fazendo-nos uma dissertação científica sobre as propriedades de um gás que chamava Oxihidronitro-amoníaco. Questionado sobre o significado do termo, ele nos disse: 'Quando falo sobre assuntos científicos, prefiro utilizar termos científicos', querendo, evidentemente, zombar do médico cuja conversa era quase ininteligível para os espíritos comuns, já que fazia um uso excessivo de termos técnicos.



Se acharmos que todas essas comunicações se devem a personalidades secundárias da médium, devemos admitir que, nesse caso, ela é obsedada por agrupamentos psíquicos diferentes uns dos outros, já que há sábios, ignorantes, e outros bastante engenhosos para fazer retratos semelhantes de pessoas que nunca viram! Quanto a teoria espírita é mais simples e em harmonia com os fatos do que todas essas fantásticas hipóteses!


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal