As plantas e o homem



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AS PLANTAS E O HOMEM
O homem primitivo dependia totalmente dos seres vivos vegetais e animais para satisfazer a maior parte das suas necessidades vitais. Recolhia frutos selvagens e raízes das plantas espontâneas para se alimentar. Os animais selvagens que, como eles, procuravam abrigo nas florestas e os peixes que abundavam nos rios ou nos lagos constituíam também, fonte de alimento indispensável à sua sobrevivência.

Era inicialmente recolector, caçador e pescador. Mais tarde, a madeira serviu-lhe para manter acesos os fogos, para fabricar os utensílios diários e para a construção das suas habitações. Das plantas silvestres que cresciam naturalmente nas florestas, nos bosques e nas pradarias, aprendeu a distinguir as que lhe podiam servir de alimento das que possuíam virtudes medicinais. Posteriormente, aprendeu a cultivar algumas dessas plantas para aumentar o que delas podia obter. Descobriu então, que as plantas cresciam melhor quando o solo era remexido e regado e quando arrancava as plantas espontâneas que as rodeavam… Ao prender a cultivar as plantas verificou ser necessário permanecer no mesmo local, durante um certo período de tempo, até que as plantas crescessem e frutificassem. Reconheceu que, cada uma delas, tinha um ciclo vegetativo particular e que as características do solo e a abundância da água tinham uma marcada influência sobre o seu crescimento.

Durante muitos milhares de anos, o conhecimento do homem à cerca das plantas era apenas de natureza prática e limitado a uma quantidade, relativamente pequena, de plantas. Conhecia apenas as plantas úteis, valorizadas pelas suas virtudes curativas, pelas fibras que delas extraía ou pelo alimento que lhe propiciava.

Os primeiros estudos sobre as plantas foram feitos por médicos e datam de 1500 A.C. Não obstante, a ciência das plantas, considerando apenas, a sua natureza, princípios e problemas, teve a sua primeira expressão na Grécia. Aristóteles (384 -322 A.C.) estudou a natureza das plantas, obteve espécimes de diferentes espécie daquela época, descreveu-os e apercebeu-se de alguns dos grandes problemas da vida vegetal e animal. Apesar disso, é ao seu discípulo Teofrasto de Eresus (371-287 A.C.) que é atribuída a denominação de “pai da Botânica” devido à sua “História das Plantas”, obra em que descreve e classifica todas as plantas conhecidas na época.

Pela breve resenha histórica traçada, facilmente se conclui, que a Botânica começou por ser uma Ciência exclusivamente baseada na observação e na descrição dos espécimes recolhidos. Depois, com o decorrer dos tempos e tal como as restantes Ciências, a Botânica conquista uma nova fonte de aquisição de conhecimentos - a experimentação. Nos nossos dias, a experimentação desempenha um papel fundamental, indispensável ao progresso e aperfeiçoamento desta Ciência.

Conjugando o “caminho” proposto pelo “pai da Botânica” com a metodologia científica hoje estabelecida, o estudo das plantas inicia-se com a formulação de hipóteses e a experimentação e, com base na observação e descrição dos factos, obtêm-se resultados que depois de criticados permitem chegar a conclusões.

Nesta perspectiva propõe-se a realização de um reduzido número de pequenas experiências com o objectivo de levar os alunos a desenvolver o espírito crítico e a estimular as capacidades de :

- Observação



  • Reflexão

  • Imaginação

Para a realização das experiências que se programaram, os alunos devem trabalhar em grupos com um máximo de 4 alunos

A DIVERSIDADE DAS PLANTAS




Algumas informações

As Plantas do actual “Reino Vegetal” apresentam uma enorme diversidade e uma extrema complexidade.


São Plantas as microscópicas Algas unicelulares ou coloniais que vivem nas águas doces, salobras ou salgadas e que, sendo a base produtora da cadeia alimentar, possibilitam a existência de vida animal (larvas de insectos, rãs, peixes etc.) nessas águas. São também Plantas os bolores que se desenvolvem sobre o pão, os bolos e os alimentos que comemos, ou sobre as paredes das casas que habitamos. São ainda Plantas os musgos que cobrem as rochas, os muros sombrios e os terrenos húmidos e muito sombreados pelas árvores.
As Plantas mais conhecidas são, em geral, aquelas que fazem parte do nosso convívio diário ou as que consumimos com maior frequência. Os fetos que atapetam o solo dos bosques, os pinheiros e os eucaliptos que refrescam e sombreiam as matas, as diversas espécies cultivadas utilizadas na alimentação e ainda as formas ornamentais que embelezam os jardins, os espaços verdes citadinos e até as nossas casas.
Todos os diferentes tipos de Plantas, atrás referidos, têm, como não podia deixar de ser, tamanhos, formas e organizações estruturais distintas e características que seria interessante distinguir, mas que não é possível aqui descrever por não se enquadrar no âmbito deste projecto.

Por tal motivo, para a realização das pequenas experiências que se apresentam nesta proposta de trabalho, escolheram-se apenas as Plantas que são constituídas por raiz, caule e folhas, dão flores e produzem frutos que encerram as semente……isto é - as ANGIOSPÉRMICAS.


As raízes (anexo - pág. 1) das Plantas deste grupo podem ser:

  • Raízes aprumadas se possuem um eixo principal forte e espesso que se destaca das raízes secundárias, mais pequenas e finas.

  • Raízes fasciculadas se não há dominância de qualquer eixo radicular e todas as raízes são mais ou menos iguais em tamanho e espessura.

  • Raízes tuberculosas se acumulam substâncias de reserva que são utilizadas na alimentação do homem e/ou dos animais.

A raízes fixam a planta ao solo e absorvem os sais minerais (em solução na água) indispensáveis ao desenvolvimento da planta.
O caule suporta as folhas, fundamentalmente de cor verde, as flores e os frutos. É uma estrutura de suporte e de transporte.
Usando as folhas, a planta respira e elabora os alimentos, de que necessita. Para realizar esta função, a função de elaboração, ela precisa de luz e de escuridão alternadamente.

Nas folhas a seiva circula nas nervuras (anexo págs 2- 3); estas conduzem a seiva bruta (constituída pelos sais minerais em solução na água) para as células do limbo e recolhem dessas células a seiva elaborada (constituída por produtos orgânicos em solução).

Em folhas com venação paralelinérvia, as nervuras dispõem-se paralelamente umas em relação às outras e entre elas não existe uma nítida distinção no que diz respeito à espessura. Nas folhas com venação peninérvia as nervuras assumem um aspecto ramificado; a partir de uma nervura central maior e mais espessa, surgem ramificações laterais de menores dimensões e espessuras, para cada uma das margens do limbo (anexo pág 3)
As folhas simples têm apenas um limbo e ligam-se ao caule pelo pecíolo. A margem do limbo pode apresentar os mais diversos aspectos e recortes (anexo pág 4) desde inteira (Fig. E e G), passando por dentada (fig. J) e por lobada (Fig. B) até partida ( Fig. F).

Nas folhas compostas o limbo é formado por um número determinado de folíolos que se dispõem de um lado e do outro do pecíolo, com inserção oposta (anexo pág. 2-4).


As flores são a parte mais colorida e bela da planta; têm como função assegurar a sua reprodução.

Numa flor pode distinguir-se (anexo pág. 5)



  • O pedúnculo que a liga ao caule.

  • O receptáculo, zona ligeiramente dilatada da parte superior do pedúnculo, onde se inserem as restantes peças florais.

  • O cálice formado pelas sépalas. É normalmente de cor verde.

  • A corola constituída pelo conjunto das pétalas. Pode ter as cores mais variadas e garridas.

  • O gineceu composto pelos carpelos. É a parte sexual feminina.

  • O androceu constituída pelos estames. É a parte sexual masculina.

O gineceu e o androceu estão protegidos pela corola e só podem ser observados quando a flor “abre”.

O gineceu pode resultar da fusão total ou parcial de vários carpelos ou, pelo contrário, ser um único carpelo.

Em cada carpelo reconhece-se um ovário, que contém no seu interior os óvulos, um estilete, que é uma estrutura tubular por onde passará o grão de pólen germinado e um estigma, uma abertura onde penetrará o grão de pólen.
Os estames inserem-se normalmente rodeando o gineceu e são constituídos por uma parte filamentosa, frágil e muito fina - o filete - e por uma parte apical dilatada - a antera. Esta encerra os grãos de pólen que quando maduros apresentam uma cor amarela. Os grãos de pólen libertam-se durante a Primavera, são dispersos pelo vento ou pelos insectos e inundam as áleas dos jardins, os passeios das ruas, as varandas das nossas casas etc.

O grão de pólen ao cair sobre o estigma começa a germinar e origina um tubo polínico que penetra no estilete. Cresce através do estilete e atinge o(s) óvulo(s) encerrado(s) no ovário fecundando-o(s)


O fruto e a(s) semente(s) começa(m) a formar-se depois dos óvulos terem sido fecundados; as paredes do ovário, acumulando substâncias de reserva, transformar-se-ão em fruto e os óvulos fecundados irão dar origem às sementes. Os frutos carnudos ( maçã, pêra, pêssego, ameixa etc.) ou os frutos secos ( vagem do feijoeiro ou da ervilheira) encerram e abrigam as sementes.
Num fruto carnudo (anexo pág. 6) as sementes estão envolvidas por uma camada protectora – o endocarpo - a que vulgarmente se dá o nome de caroço. O endocarpo pode ser espesso e duro (ex: pêssego, cereja etc.), ou ser membranoso e flexível (ex: maçã, pêra. etc.)

A parte destes frutos que é usada na alimentação corresponde ao pericarpo e pode ser mais ou menos suculenta. O pericarpo é o resultado da fusão do epicarpo = exocarpo (vulgarmente chamada casca) com o mesocarpo (vulgarmente chamada polpa).


As sementes (anexo pág. 7) albergam o embrião e estão envolvidas por um revestimento externo - o tegumento - mais ou menos resistente e duro. O embrião está abrigado entre dois cotilédones – caso das plantas Dicotiledóneas, ou protegido por um único cotilédone – caso das plantas Monocotiledóneas.

Nos cotilédones estão armazenadas as substâncias de reserva (proteínas, lípidos e glúcidos) que servirão de alimento ao embrião durante a primeira fase da germinação.


Durante a germinação (anexo págs. 7 e 8) que ocorre com a semente enterrada na terra, o tegumento rebenta devido ao aumento de volume dos cotilédones e o embrião cresce e origina uma estrutura que diferencia inicialmente numa “raiz” e depois num “caule”. No ápice desse “caule” surge a plúmula ( os primórdios das folhas). A jovem plântula continua a crescer e a diferenciar-se….. o crescimento da “ raiz” progride fazendo com que penetre mais profundamente no solo e o caule cresce também, mas em direcção oposta, fazendo-o “brotar” da terra. O jovem caule “arrasta” consigo os cotilédones que durante todo este processo de crescimento fornecem alimento à plântula. Entretanto, as reservas alimentares concentradas nos cotilédones vão sendo consumidas e os cotilédones ficam cada vez mais “mirrados”. Nessa altura os cotilédones destacam-se e a planta, que entretanto já desenvolveu algumas folhas, passa a suprir as suas necessidades alimentares extraindo os sais minerais do solo.
Note: Anexam-se 8 páginas com esquemas.

Note também que quando, na pág. 3 se usa a expressão “”As Plantas do actual “Reino Vegetal”” o termo “reino” não deve ser interpretado como designando uma categoria taxonómica mas deve ser entendido no contexto de “Mundo Vegetal”


Bibliografia que pode consultar:

  1. Botánica, principios Y problemas - ( 1970). Edmund W. Sinnott & Katherine S. Wilson; Companhia Editorial Continental, S.A. Espanha.

  2. Introductory Plant Biology - (1994). Kingsley R. Stern; WCB Publishers



CULTURAS

(Culturas facilmente preparadas no Laboratório)



Infusão de feno


(Obtenção de Protozoários)
Pesa-se 2,5 gr de feno cortado em pedaços. Colocam-se estes pedaços dentro de um Erlennmeyer (que possa ser levado ao fogo) e adiciona-se-lhe 100 ml de água destilada. Ferve-se o conjunto durante 1-2 minutos. Retira da chama, deixa arrefecer e adiciona água destilada até perfazer o volume inicial.

Deixa-se a infusão destapada durante 36 a 48 horas. (Durante este tempo as bactérias desenvolver-se-ão e serão o alimento para os Protozoários que se irão desenvolver.).

Após este período de tempo adiciona-se 1 gr de solo à infusão.

Tapa-se a infusão com rolha “fofa” de algodão.

Ao fim de 48 horas já se começam a observar algumas formas de Protozoários mas, o maior desenvolvimento ocorre depois do 6º ou 7º dias.

O desenvolvimento das diferentes espécies vai ocorrendo ao longo do tempo havendo substituição de populações. Estas infusões podem fornecer óptimas formas de Protozoários durante 2 ou 3 semanas.



Meio “Arroz

Colocar em caixa petri 1 gr de solo, 6-8 grãos de arroz e 15 ml de água destilada ou água da fonte.

Incubar numa estufa a 37º C ou em lugar aquecido durante 24 ou 48 horas.

Observar a cultura fazendo a colheita na porção de água que rodeia os grãos de arroz.

Colocar na prateleira inferior do frigorífico onde a temperatura ronde os 5ºC.

Note: Desenvolver-se-ão grande quantidade de amoebas durante os dias seguintes.








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