As Primeiras Transmissões De Rádio Na Paraíba



Baixar 64.35 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho64.35 Kb.




As Primeiras Transmissões De Rádio Na Paraíba


Professor doutor Moacir Barbosa de Sousa - moacir_sousa@uol.com.br

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

A primeira estação de Rádio da Paraíba surgiu entre 1930 e 1931, na mesma época em que a população paraibana apresentava um movimento do campo para as cidades e do sertão para o litoral ( MELLO, 1987). Para Newton Monteiro, filho de José Monteiro (um dos fundadores da Rádio Clube da Paraíba), a penetração da Rádio Clube de Pernambuco-PRA-8 na capital paraibana era muito forte. Isso favorecia o comércio recifense, que tinha seus produtos como o sabonete Tabarra e os sabões da firma Alimonda Irmãos disseminados entre os consumidores pessoenses. A fundação da Rádio Clube da Paraíba teria sido uma forma de reagir à hegemonia econômica do vizinho Estado. Em depoimento a SANTOS H.(1977, p. 60), Newton Monteiro deu detalhes técnicos acerca da emissora:

Meu pai foi quem montou o transmissor da estação. Ele, em companhia de Jaime Seixas – também rádio-técnico – construíram com peças adquiridas aqui e ali, um pequeno transmissor de 10 watts e colocaram no ar a primeira estação de rádio da Paraíba ’RADIO CLUBE DA PARAÍBA’. Naquele tempo as válvulas da difusora eram de aquecimento direto, alimentadas, portanto, com corrente contínua de bateria para não dar o ruído de corrente alternada em sua freqüência. Lembro-me que, os primeiros rádios-receptores comercializados que na época se usavam, eram do tipo regenerativo e, só depois, é que foram fabricados pela GE os rádios superterodinos, tipo GE K-8.

Como a lei permitindo a publicidade no Rádio só seria promulgada por Getúlio Vargas em 1932, a Rádio Clube, seguindo o modelo de algumas emissoras que surgiam pelo país afora, funcionou como uma sociedade onde seus membros contribuíam financeiramente para sua manutenção. Um ano depois de fundada, a associação já tinha mais de 200 participantes. Os sócios podiam também levar os discos para serem tocados na emissora. A Rádio Clube da Paraíba instalou-se na Avenida Gouveia Nóbrega, em frente ao Depósito da Prefeitura, perto da Bica, Parque Arruda Câmara. Como ainda não havia aparelhos de Rádio para recepção dos programas, eles eram irradiados por meio de alto-falantes instalados no centro da capital.1 O transmissor da nova emissora não era potente e os poucos proprietários de receptores precisavam de muita paciência para sintonizar o sinal da Rádio Clube. Alguns desses donos de aparelhos chegaram a destinar salas especiais onde as pessoas se reuniam ao redor do Radiorreceptor. Na Rua Direita, hoje Rua Duque de Caixas, no centro de João Pessoa, havia uma dessas salas. Um alto-falante da Rádio Clube foi instalado na rua 13 de maio, em frente à casa de Leonís Peixoto, um dos diretores da estação.

Integravam o primitivo grupo de sócios da nova rádio os irmãos de José Monteiro (Manuel, João, Antônio e Pedro) e mais José Olinto, Rosil Pedrosa, Hortência Peixe, Pedro Jaime, Ismael Jorge, Leonís Peixoto, Diógenes Caldas, Maurício Furtado, Olegário de Luna Freire (maestro), Cláudio Lemos, Ariel Farias (fotógrafo), Walfredo Rodriguez (escritor, fotógrafo e cineasta, criador do logotipo ou escudo da emissora), Cilaio Ribeiro e Orlando Vasconcelos.

Escolhido para dirigir a emissora, Francisco de Sales Cavalcanti procurou dinamizar a programação, tornando-a cultural, conforme relata o jornal A União (30 mai. 1935, p. 3):


Promete grande animação a irradiação do Radio Club da Parahyba, no próximo sabado, cuja noitada passou a obedecer a direcção do Sr. Francisco Sales, um dos mais esforçados elementos daquella estação diffusora. Sempre interessado pelo progresso do nosso ‘broadcasting’, aquele estimado cavalheiro já está organizando um seleto programma de canto e musica em que tomarão parte todos os radiofilos pessoenses. Para que a estação do Radio Club preencha uma finalidade ainda mais proveitosa e utilitária, o Sr. Francisco Sales conseguiu do professor Sizenando Costa, director interino da Instrucção Primaria, e vindo de encontro ao programa daquele departamento, a designação de professores para realizarem semanalmente, aos sabados, um quarto de hora com palestras sobre assumptos educacionais. Completando essas iniciativas de nobilitante alcance, o conhecido maestro Olegário de Luna Freire, emprestará o seu concurso fazendo irradiar audições dos vários orfeãos escolares da capital.

Líderes políticos também ocuparam o microfone da Rádio Clube, como Tancredo de Carvalho, que pertencia à Aliança Liberal. A emissora permanecia no ar das 17 às 21 horas. A primeira transmissão externa realizada na Paraíba e que a torna pioneira no Radiojornalismo local, foi feita pela Rádio Clube quando cobriu a visita do Presidente Getúlio Vargas ao Estado. Durante a visita foi inaugurada a Associação Paraibana de Imprensa; acompanhado do Interventor Gratuliano de Brito e outras autoridades, Vargas visitou o Parque Arruda Câmara, de onde ocorreu a transmissão graças aos esforços do técnico José Monteiro.

Em dezembro de 1932 a Rádio Clube iniciou a transmissão de aulas de inglês, fazendo publicar no jornal A União o roteiro das palavras que foram irradiadas na primeira aula. No dia 6 de janeiro de 1933 foi ao ar a segunda aula. A iniciativa foi pioneira na Radiodifusão nacional e por isso Rádio Clube ocupa a vanguarda na experiência do ensino de línguas pelo Rádio. A experiência é creditada aos irmãos Oliver e Geraldo von Shosten, que foram educados na Inglaterra.

Em 28 de março de 1933 ocorreu um incêndio no prédio onde estava instalada a emissora e esta se transfere, por iniciativa do prefeito Borja Peregrino, para as dependências do Depósito Municipal, também na Avenida Gouveia da Nóbrega, “do outro lado da rua, perto do prédio sinistrado”. A União (29 jan. 1934, p.8) publicava a seguinte convocação: “O Dr. Claudio Lemos, vice-presidente do Radio Club, em exercicio, convida todos os socio-diretores quites, de acordo com os estatutos, para comparecerem amanhã ás 9 horas, a fim de se procederem as eleições para os cargos de directores Presidente e tesoureiro”.

O jornal oficial da Paraíba criou uma coluna para divulgar “os acontecimento lançados ao éter” intitulada Vida Radiofônica,2 comprovando a integração da Rádio Clube à vida cultural de João Pessoa que tinha no irmão impresso um grande auxiliar para sua consolidação dentro da sociedade. O jornal, por seu lado, não poupava linhas de notícias e elogios ao novo meio, considerando-o “talvez a maior força auxiliar do nosso sistema educativo”. Despertando a atenção de uma elite que passou a ter como símbolo de status possuir um aparelho receptor importado entronizado na sala de visitas, a Rádio Clube recebe a colaboração de jovens que nela “exercitam sua veia artística”. Outro símbolo de destaque naquela década era apresentar a carteira de sócio da emissora. EGYPTO (1987, p. 23) faz o seguinte comentário acerca da participação dos jovens no cast da Rádio Clube:



Houve época em que, na nossa juventude, a distância entre um bairro e o centro da cidade, era mais longe do que viajar do Ponto de Cem Réis para Roliude. Com essa alegoria pode-se dizer, em troco miúdo, que a ânsia de muitos jovens, de inclinação artística, na década de 40 ou 50 era ouvir a Rádio [...]e, remotamente pertencer ao seu cast.

Com a nomeação de Francisco Sales para a direção da Imprensa Oficial, em 1935, a Rádio Clube muda de instalações, passando a funcionar na Praça João Pessoa, onde se instalariam mais tarde o jornal A União e depois a Secretaria de Assuntos Extraordinários, embrião da Secretaria de Comunicação do governo. O jornal oficial do Estado (18 jun. 1935, p. 3) transcreve entrevista realizada pelo Diário da Manhã, de Recife, com o diretor Francisco Sales:

[...]

Estamos informados de que o Rádio Clube vai passar por importante reforma.


  • Perfeitamente, e terei muito gosto em transmitir-lhes alguma coisa para o Diário da Manhã, quanto mais que, em Recife, vivem, atualmente, centenas de conterrâneos que necessitam saber como vai a terrinha.

  • Em que, então, consiste a reforma.

  • Em melhorar a nossa estação transmissora organizando programas especiais e de utilidade, como sejam, a propaganda comercial e divulgação do ensino, como também estabelecer noticiário geral, inclusive atos do governo. A esse respeito, já me entendi com algumas firmas de nossa praça e com o diretor do Ensino Primário, tendo este último já organizado e divulgado o primeiro programa, que obteve o mais franco sucesso.

[...]

A modificação anunciada consistiu na introdução de um noticiário e a divulgação dos atos do governo; para isso, o diretor Francisco Sales buscou apoio publicitário no comércio e conversou com altos funcionários do governo para conseguir os protocolos dos atos. Como Vargas, ao estatizar as emissoras do Rio de Janeiro como a Nacional e a Rádio do Trabalhador, o Interventor Argemiro de Figueiredo recebeu de mão beijada a Rádio Clube da Paraíba. Depois de entendimentos entre Oliver von Shosten, José Monteiro e Francisco de Sales, o acervo da Radio Clube da Parahyba foi doado para o patrimônio do Estado, sem ônus para os cofres públicos. Francisco de Sales Cavalcanti, último gerente da Rádio Clube, acumula as funções de diretor da Imprensa Oficial e da nova emissora. Argemiro de Figueiredo traça planos visando tornar a Rádio Clube “instrumento de ação governamental voltado para a instrução pública”. Trata-se de mais um reflexo dos tentáculos das forças estatizantes do governo central que daria origem à criação da primeira estatal da Radiodifusão brasileira. Quando foi inaugurada em 12 de setembro de 1936, quatro meses antes da nova emissora paraibana, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro fazia parte da empresa A Noite. Em 1940 Vargas decidiu tornar a Rádio Nacional “um instrumento de afirmação do regime” e promove a sua encampação (ORTRIWANO, 1985).

As intenções do Interventor Argemiro para com o emergente veículo ficaram claras com os sucessivos anúncios e matérias divulgadas no jornal oficial como, por exemplo, esta do dia 17 de janeiro de 1937, p.3, de linguagem rebuscada, típica da época, já demonstrando o caminho que deverá seguir a emissora estatal e a apropriação que dela faz o Estado para vender a sua imagem:

Dentre os melhoramentos de vulto de agora, na Parahyba, destaca-se a Estação Rádio-Diffusora que, no próximo dia vinte e cinco, espalhará pelos países do Continente Sul-Americano, a voz desta terra disciplinada e brava. A funcção do Rádio, de indiscutível valor, trará para o nosso Estado, vantagens que somente os espíritos progressistas podem, desde logo, aquilatar. E quaes serão estas vantagens? Todas, responderiam, inclusive a maior delas, que é a de tornar público, além das fronteiras do Estado, as iniciativas da administração parahybana que, de João Pessoa para cá, tem produzido uma verdadeira revolução nos costumes, nas atividades, no poder de iniciativa de cada cidadão nascido neste rincão nordestino. Uma estação de radio para a Parahyba é, apesar de não ter custado uma fortuna, o maior presente que se lhe poderia ter dado, benefício comum que ajudará a centuplicar as energias do nosso agricultor, do nosso commerciante, do nosso industrial, emfim, de todos aquelles que constituem a força viva do progresso parahybano.

Outro anúncio publicado no jornal oficial (23 jan. 1937, p. 3):


PRI-4 Radio Diffusora da Parahyba


Frequencia: 10.000 kilociclos, ondas de 277,7 metros. Realizando-se, no proximo dia 25, Segunda-feira, a inauguração official da nossa ‘broadcasting’, devem os srs. Commerciantes, industriaes e interessados fazer logo o seu annuncio para ser lido ao microfone da PRI-4, dirigindo-se á Secção Economica, com o Sr. Francisco Salles.

A ocasião propícia aconteceu na programação de dois anos de governo de Argemiro de Figueiredo, em 25 de janeiro de 1937. Juntamente com o Pavilhão Clifford Beer, no Hospital Colônia Juliano Moreira e mais a Casa do Estudante da Paraíba, dez grupos escolares e o novo município de Serra do Cuité, foram inauguradas as instalações da Radio Diffusora da Parahyba na Fazenda São Rafael, onde se encontrava o transmissor. Durante o dia houve desfile de tropas da Polícia Militar da Paraíba, do Esquadrão de Cavalaria e do Corpo de Bombeiros, festa desportiva no Parque Arruda Câmara, onde foram distribuídos bombons entre as crianças e retreta com as bandas de música dos municípios de Santa Rita e Alagoa Grande. O sistema de iluminação pública da Praça João Pessoa foi reforçado e foi também inaugurada nova iluminação na rua Duque de Caxias.

Homenageando os dois anos da administração Argemiro de Figueiredo, a empresa R. Wanderley anunciou a realização de sessões de cinema, contínuas e gratuitas, no Teatro Santa Rosa, a partir das 18 horas. No mesmo dia chegou a João Pessoa, procedente de Recife, uma embaixada artística, liderada pelo maestro Nelson Ferreira. Teve início, aí, um intercâmbio cultural entre os dois Estados. No dia 25 de janeiro de 1937 A União circulou com 11 “secções”, ou cadernos, com 8 páginas, cada.

Na solenidade de inauguração da emissora, o Governador esteve acompanhado de todo seu secretariado. Foi recebido na entrada da Fazenda São Rafael pelos técnicos da firma Byington & Cia., que montaram um “potente transmissor WA-10”3 e, depois de percorrer as instalações, declarou-se satisfeito com os trabalhos executados. Em seguida o engenheiro Jeronymo Duarte Rodrigues, da Byington & Cia., entregou oficialmente a Rádio ao Chefe do Governo. Discursaram o Dr. João Milanez, diretor do Departamento Oficial de Propaganda e Publicidade do Estado e o Governador Argemiro de Figueiredo. À noite, direto do estúdio localizado num dos salões da Imprensa Oficial, o governador prestou contas de sua administração e às 20h 30min foi irradiada audição da orquestra de estúdio da emissora, regida pelo maestro Olegário de Luna Freire. Ao lado de Oliver von Shosten, Luna Freire encontrava-se também à frente da recém-criada Jazz Tabajara, orquestra que realizou seu primeiro ensaio no dia 23 de janeiro de 1937, nos salões do Clube Astréia, e visava ao carnaval daquele ano. Uma nota publicada no Correio de Minas, em Juiz de Fora, no dia da inauguração da Rádio Difusora, sugere o papel político-ideológico que exercerá o Rádio na sociedade brasileira a partir do instante em que o Estado tomar posse das ondas hertzianas:

A publicidade é um dos imperativos cathegoricos da vida contemporânea. Não há, no momento, actividade que possa dispensal-a [...] Seguindo esses rumos, acaba o governo da Parahyba de iniciar a sua publicidade official. Começou pelo radio, installando possante estação cujos programas são elaborados por uma pleiade de intelectuaes. Secunda o radio a publicidade educativa pelos supplementos da A União, folha official do Estado. [...] Fixemos mais este exemplo que nos chega da Parahyba.

A nova emissora aproveitava a experiência da extinta Rádio Clube, no entanto, procurava aprimorar o seu quadro de pessoal. Depois de anunciado e adiado por várias vezes, realizou-se um concurso para a escolha de locutores que iriam trabalhar na Radio Diffusora. O primeiro anúncio (A União, 10 jan. 1937, p.3):




PRC-6

Estação Radio-Diffusôra da Parahyba

A partir de hoje até o próximo dia 18, estão abertas

as matrículas para os candidatos ao concurso de

speaker’ da PRC-6 (Estação Radio-Diffusôra da Parahyba)



que deverá se realizar no dia 19 do corrente.

Os interessados deverão se dirigir ao Sr. Francisco

Salles, na redacção d’ “A União”, que está

encarregado de fazer as referidas inscripções





No dia 23 de janeiro o resultado foi divulgado (1ª p.) :

Realizou-se, hontem, o concurso de ‘speakers’ da Radio Diffusora da Parahyba. Dos 39 concorrentes foram classificados quatro.

Realizou-se hontem, conforme estava anunciado, o concurso para ‘speakers’ da PRI-4, Radio Diffusora da Parahyba, perante a comissão escolhida, composta dos seguintes intellectuaes e technicos especializados: Jornalistas Orris Barbosa, Eudes Barros e Abelardo Jurema; engenheiro Silvio Barros de Vasconcelos e José de Sousa Nogueira. A commissão resolveu, para maior ordem dos trabalhos, submeter os candidatos a duas provas. A primeira foi eliminatória e a segunda serviu para a selecção definitiva entre os melhores escalados, ficando classificados os Srs. Waldemar da Costa Gonçalves, em 1º lugar; Kenard de Freitas Galvão, em 2º; Hermany Soares, em 3º e Rossini Lyra Albuquerque, em 4º, que estão, desde hontem, á disposição do Sr. Francisco Salles, a fim de serem submetidos a diversas experiências no microfone da nossa PRI-4, em suas proximas irradiações. Depois, então, com a prática do serviço, serão escolhidos os dois 'speakers' oficiais da Radio Diffusora.


Após sua inauguração, a Rádio Difusora da Paraíba manteve no ar uma programação experimental, funcionando das 18 às 22h 30min, de segunda a sábado; aos domingos ia ao ar apenas das 11 às 13 horas. Nesta fase inicial, havia poucos aparelhos receptores na cidade, apenas 10, quase todos de marca holandesa. Como se aproximava o Carnaval, a emissora dedicou horário a músicas da época, como se pode verificar na programação do dia 30 de janeiro (A União, p.3). Convém lembrar que a coluna Vida Radiophonica, do jornal oficial, divulgava diariamente a programação da Rádio Difusora.


18,00 ás 18,45 – Gravações sellecionadas

19,30 ás 20,00 – Programa carnavalesco com a Jazz da PRI-4

20,00 ás 20,15 – Jornal Official

20,15 ás 20,30 – Quarto de hora com Maruim e Regional da PRI-4

20,30 ás 20,45 – Quarto de hora dos estudantes

20,45 ás 21,00 – Quarto de hora com a Orchestra de sallão

21,00 ás 21,15 – Serviço de Informações

21,15 ás 21,30 – Quarto de hora com Lucy Campos e Arnaldo Tavares

21,30 ás 21,45 – Quarto de hora com Aderson, Joel e Seunat

21,45 ás 22,00 – Quarto de hora com Nelie e Seunat

22,00 ás 22,15 – Quarto de hora com Esmeralda e Orlando Vasconcelos

22,15 ás 22,30 – Quarto de hora com Jaime Bezerra e Annita Tavares

22,30 – Bôa Noite

Francisco Vergara, representante da firma Byington & Cia., promoveu na sede do Sindicato dos Comerciários, na rua Duque de Caixas, às 20 horas do dia 30 de janeiro de 1937, a retransmissão do jogo entre Brasil e Alemanha, realizado no Rio de Janeiro. A recepção só foi possível com a instalação de um possante aparelho marca Cruzeiro, fabricado pela firma Byington.

Apesar do aparato publicitário oficial no dia da inauguração, a estação ainda não se encontrava totalmente pronta para funcionar. A pressa em colocar a Rádio no ar por parte do governo deveu-se à proximidade do aniversário da gestão Argemiro de Figueiredo, e por isso as instalações da Difusora não preenchiam, ainda, os requisitos técnicos que permitissem aos ouvintes uma boa recepção. A União (4 fev. 1937, p.8) noticiou:



Aviso aos radio-ouvintes – O Departamento Official de Propaganda e Estatística comunica que a PRI-4 (Radio Diffusôra da Parahyba) está irradiando em experiência, em virtude de ser necessário um período de 20 a 30 dias, para que a nova emissora esteja com as suas installações totalmente concluidas e com a sua alta potência attingida, uma vez que a nossa Estação de Radio está funcionando actualmente, somente com um quinto da força que deverá ter. O ‘studio’ da PRI-4 [...] ainda não está, também, com as suas installações ultimadas, o que se realizará em breves dias além de ser necessário, para sua maior efficiência, de um cabo de ligação para a Estação de Radio, localizada na Fazenda S.Rafael, já encommendado no sul do país, sendo utilizado fio de ligação provisório, sem a eficiência que deveria ter. Assim, diante das razões de ordem technica o Departamento Official de Propaganda e Publicidade do Estado, faz ver aos radio-ouvintes, que os defeitos naturalmente observados na captação das nossas irradiações, serão corrigidas com a continuidade das experiências e conclusão da apparelhagem necessaria ao pleno funcionamento e inauguração official da emissora do Estado

Dentro de pouco tempo já começavam a sair do anonimato os artistas que iriam se destacar no cenário Radiofônico nacional. Um deles, Severino Araújo, mereceu o seguinte destaque na Vida Radiophonica (A União, 20 mar. 1937, p.3):



Vamos iniciar esta secção destacando a atuação eficiente de Severino Araújo, no ‘studio’ da PRI-4. É um cabôclo bom no clarinêto. Possue uns dêdos inquietos e agilíssimos. Parecem vibrar impulsionados por alguma corrente eletrica. Se, pelo receptor, notamos essa excelente agilidade, dentro do ‘studio’, observando-o de perto, nós ficamos surpreendidos com os seus movimentos. Os dedos de Severino Araújo, no clarinêto, descrevem verdadeiras expirais que divertem e entusiasmam.[...] Mas, não é somente no clarinêto que ele faz prodígios. No saxofone, também é bamba. Hontem, ele pôs em funcionamento os dois, em quartos de hora distintos. Chôro, frevo, o diabo, mesmo.

Em 15 de abril de 1937, foi autorizada a mudança de nome da emissora que, em homenagem aos primitivos habitantes da Paraíba, os índios Tabajaras, passou a chamar-se Radio Tabajáras da Parahyba; por questões de publicidade, o nome seria alterado depois para Tabajara. A União (16 abr. 1937, p. 2) comentaria que “É uma justa homenagem que se presta à grande tribo Tabajara, que comandada pelo valente cacique Pyragibe, nos primórdios da civilização brasileira, teve uma influência notável e digna de homenagens do espírito moderno que orienta a formação intelectual do Brasil”.

O Interventor paraibano devotava grande afabilidade pela emissora, demonstrada nos 287:685$947 gastos com a instalação da Rádio Difusora (MELLO, 1987, p.8), compreendendo a construção dos edifícios, primeira parcela contratual de despesas com equipamentos técnicos em nome da Casa Byington, despesas com fiscalização e serviços gerais. Ao prestar contas das suas realizações no ano de 1937, Argemiro informou que mais de onze mil contos de réis foram gastos com “empreendimentos de utilidade pública” entre os quais a construção dos dois edifícios para a emissora. O interesse demonstrado por Argemiro de Figueiredo pela nova emissora foi comentado por Orlando Vasconcelos, cantor e locutor-chefe da Rádio Tabajara (SANTOS H., 1960, p. 15):

Ele se incluía entre os mais atentos ouvintes da rádio, e, muitas e muitas vezes, ia, pessoalmente, assistir no auditório a programação do dia. Quando ouvia os programas em sua residência, também manifestava a sua opinião sobre os seus níveis. Sentia-se nas suas expressões que, não obstante ser o nosso Governador, era ele, além do mais, um homem que gostava do rádio e o aplaudia e prestigiava.

Em dezembro de 1937, Argemiro de Figueiredo assinou ato transformando o Departamento Oficial de Propaganda e Publicidade em Departamento de Estatística e Publicidade e vinculando a Rádio Tabajara ao Departamento o qual passou a contar com três setores: estatística, propaganda e Radiodifusão. O diretor do Departamento durante muito tempo foi o educador José Baptista de Mello. Argemiro anunciou que as mudanças iriam beneficiar o setor de Rádio, principalmente a sua parte técnico-artística, que passaria por grandes reformas. A promessa materializou-se na construção de dois prédios que abrigavam os estúdios, na Avenida Rodrigues de Aquino, antiga Rua da Palmeira e os transmissores, no final da avenida Pedro II, na Mata de Buraquinho. A emissora continuou instalada no prédio da Imprensa Oficial, na Praça João Pessoa, até a conclusão das obras dos edifícios. O edifício central concebido para abrigar a Rádio Tabajara foi obra do engenheiro-arquiteto Clodoaldo Gouveia e encontrava-se entre os cinco primeiros projetos a serem executados no país destinado exclusivamente para emissoras de Rádio (Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Cultura de São Paulo, Farroupilha de Porto Alegre, Clube de Pernambuco e Tabajara). Para a elaboração do projeto foram convidados pelo governo do Estado engenheiros alemães que prestaram assessoria aos técnicos brasileiros na construção do edifício. No final da década de 70, a Rádio Tabajara mudou-se para instalações provisórias na Avenida João Machado. Na mudança, uma parte do acervo de milhares de discos em 78 rotações quebrou-se ou perdeu-se e ninguém dá conta do restante dos discos. O antigo edifício da Rua Rodrigues de Aquino, conhecido como Palácio do Rádio, apesar de tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, foi demolido para dar lugar ao Fórum da Capital. Em 1985 a emissora oficial passou a ocupar as novas instalações construídas em ampla área na Mata de Buraquinho, antiga sede dos transmissores onde ficava a Fazenda São Rafael.

Poucas vozes se levantaram contra a demolição do antigo prédio da rua Rodrigues de Aquino. O professor e cineasta Linduarte Noronha, que já foi diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba – IPHAEP e diretor da Rádio Tabajara entre 1971 e 1974 foi uma dessas vozes (NORONHA, 1987, p. 29):

A história da Rádio Tabajara é muito parecida com a de A União: foram ambas destruídas espiritualmente. Arrancadas suas raízes num Estado que aprendeu a não respeitar suas origens, seus bens culturais. Uma chamada “elite” que entende ser preciso destruir para progredir, parece ser dona desta filosofia de final de século. Os alicerces profundos da Tabajara implantados por Argemiro de Figueiredo, em 1937, não mais existem. As duas unidades [estúdios e transmissores], símbolos de uma época do surgimento da informação eletrônica, de inestimáveis valores arquitetônicos [...] foram decapitados com extrema violência [...] A História da Rádio Tabajara tem um dia de ser escrita. As pesquisas ainda não foram feitas. Seus fundadores estão esquecidos. Sua memória ignorada pelas gerações de hoje. Não acuso os fazedores do rádio de hoje, porque o próprio rádio sofreu transformações profundas nas últimas décadas. O que está em pauta é o método de destruição desta cidade, deste Estado, nas suas raízes, o seu status desaparecido e de difícil reparo. [...] em tudo isso a Tabajara foi pioneira e nada disso existe mais para sua comprovação, hoje.

Continuando a reproduzir o modelo do Estado Novo o Governador paraibano cuidou de fortalecer-se junto aos políticos do interior utilizando, para isso, o novo veículo de informação que ele havia ajudado a implantar. Em quase todas as cidades do interior, os prefeitos montavam sistemas de alto-falantes nas praças principais com a finalidade de retransmitir a música irradiada pela Rádio Tabajara e também o noticiário do governo, levado ao ar quinze minutos antes de A Hora do Brasil. Na maior parte dos programas, o próprio Argemiro ocupava o microfone para prestar contas de sua administração. Ao completar cinco anos de governo, em 1940, o Interventor falou pelo microfone da Rádio Tabajara instalado no Salão de Honra do Palácio, em solenidade que teve início às 19h 20min. Foram inauguradas 65 obras no Estado, incluindo, na capital, melhoramentos no Parque Solon de Lucena que teve calçamento novo e fonte luminosa. A Praça, inaugurada às pressas para as comemorações do Centenário da Independência, também sofreu reformas.

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial após o torpedeamento de navios brasileiros em que pereceram alguns paraibanos, os simpatizantes do nazismo na Paraíba deixaram de se manifestar. Anunciava-se reviravolta na Europa com a ofensiva russa de inverno e a retomada da iniciativa americana no Pacífico. Cada vez mais se ouvia o Repórter Esso nos aparelhos receptores sintonizados nas Ondas Curtas da Rádio Nacional. A Rádio Tabajara programou a transmissão dos boletins noticiosos da BBC de Londres informando o andamento do conflito na Europa.

Nas mesas dos bares do Ponto de Cem Réis as pessoas acompanhavam a BBC com ares de quem conspira, escutando as transmissões que a emissora fazia para o Brasil pela Rádio Tabajara. Segundo EGYPTO (1987, p. 23)



A dificuldade inicial do ouvinte era motivada pelo fato de haver poucos aparelhos receptores na cidade. Em Cruz das Armas, por exemplo, três ou quatro comerciantes possuíam seus Philips (holandês ou matador)[denominações populares que eram dadas aos receptores] e Pilot. A massa se comprimia nas calçadas dos ricos para ouvir, por obséquio, as transmissões de jogos ou noticiários da II Guerra Mundial, através da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, da Rádio Clube de Pernambuco e da Rádio Tabajara da Paraíba. Nas recepções externas, os rádios davam tantas descargas que os poucos e vaidosos donos faziam média junto aos ouvintes: ‘essa zoada é o som das metralhadoras, em campo de guerra, diretamente da Alemanha’. E alguns incautos engoliam a fanfarronice.

Telegrama da United Press International – UPI - enviado às emissoras da Paraíba comunicava (WANDERLEY, op. cit.):



O Supremo QG das Forças Expedicionárias anunciou a captura da cidade de Bayeux, a seis milhas para o interior e 18 a noroeste da estrada de rodagem para Caen. Em tempo de paz, Bayeux tinha mais de 6.000 habitantes, sendo famosa pelas suas tapeçarias [em quadrinhos] que mostravam cenas da conquista da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador.

Os Diários Associados promoveram campanha para dar o nome de Bayeux a uma cidade brasileira. A escolha caiu na cidade paraibana de Barreira que, situada entre a capital e a cidade de Santa Rita, faz parte, atualmente, da Região Metropolitana de João Pessoa. A capital mudou durante a guerra. Soldados do Corpo de Bombeiros empenhavam-se em entregar nas residências as cartas de convocação para o serviço militar. Às vezes, durante a noite, eram realizados exercícios de blecaute: as sirenes tocavam alto marcando o início e o fim do exercício de defesa antiaérea. O 22º Batalhão transformou-se no 15º Regimento de Infantaria e o Serviço Geográfico do Exército instalou-se em João Pessoa construindo um quartel na avenida Epitácio Pessoa que se transformaria no 1º Grupamento de Engenharia e Construção. Houve falta de leite em pó e manteiga e instituiu-se um rígido racionamento de gasolina. Circularam boatos segundo os quais os alemães desembarcariam no litoral paraibano penetrando nas matas de Rio Tinto, onde haveria um castelo à espera de Adolf Hitler.

Havia no Ponto de Cem Réis um serviço de alto-falantes instalado no sótão de um antigo prédio onde funcionava o Café Santa Rosa, pertencente a Genival Macedo, que denominou o empreendimento de Serviço de Alto-Falantes Arapuan. Tocando o negócio, ia conseguindo sobreviver à custa do comércio, porém depois de certo tempo colocou-o a venda. Orlando de Vasconcelos, locutor e cantor, que foi um dos diretores da Rádio Tabajara, adquiriu o serviço de alto-falantes e reorganizou-o à sua maneira, promovendo alterações técnicas que proporcionaram melhor qualidade de som.

Como era bem relacionado no comércio, não teve dificuldade em fazer prosperar o serviço, que chegou a possuir uma boa discoteca e muitos anunciantes. Ambicionando horizontes maiores para o seu empreendimento Radiofônico e contando com a ajuda do Radiotécnico José de Oliveira nas horas vagas depois do seu expediente na Rádio Tabajara, Orlando de Vasconcelos construiu um pequeno transmissor com a finalidade de irradiar programas artísticos e comícios políticos programados para o Ponto de Cem Réis.

O primeiro desses comícios realizou-se no lançamento da candidatura a Senador do Ministro Pereira Lyra, Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Para isso, foi armado um palanque em frente ao cine Plaza, no Ponto de Cem Réis. Mesmo receoso de uma punição porque não tinha licença do governo para utilizar freqüência do espectro eletromagnético, Orlando instalou uma linha telefônica entre o serviço de alto-falantes e o cine Plaza e transmitiu o comício. Em depoimento a SANTOS H. (1977, p. 56) ele conta que, no dia seguinte à transmissão foi procurado por um senhor chamado Teófilo de Vasconcelos: “Quando o homem chegou e me disse que vinha em nome do Ministro Pereira Lyra, eu disse comigo mesmo: estou frito. Então foi quando ele me perguntou se eu não queria transformar o meu Serviço de Alto-Falantes em uma Rádio-Difusora. Cai das nuvens”.

No dia 16 de agosto de 1950, às 20 horas, realizou-se a inauguração da Rádio Arapuan, com estúdios, auditório, palco e escritórios localizados na Avenida Guedes Pereira. Seus transmissores eram da marca Byington, com potência de um quilowatt, na freqüência de 1.270 quilociclos. Estiveram presentes o Governador José Targino, o Ministro José Pereira Lyra, o Arcebispo Dom Moisés Coelho e outras figuras políticas da época. No encerramento dos discursos que se congratulavam com a direção da nova emissora e com os paraibanos pelo novo meio de comunicação, foi lida saudação do Presidente da República, o general Eurico Gaspar Dutra. Era a quarta emissora de Rádio do Estado e segunda da capital; em janeiro daquele ano foi inaugurada em Campina Grande a Rádio Borborema, pertencente à rede dos Diários Associados, e no dia 1º de agosto entrava no ar a Rádio Espinharas de Patos, primeira emissora do sertão paraibano, cujo proprietário era o Ministro Pereira Lyra. Ainda naquele início de década, depois de inaugurada em Campina Grande a Rádio Caturité, formou-se a Rede de Emissoras Paraibanas, composta pelas Rádios Arapuan, Caturité e Espinharas. Depois da entrada de outras emissoras no ar, deslocou-se o eixo da audiência para a Rádio Arapuan, marcando também o início do declínio da Rádio Tabajara e coincidindo com a exibição nos cinemas de João Pessoa das chanchadas, os populares filmes onde se apresentavam além de Oscarito e Grande Otelo, os números musicais de artistas que eram sucesso no Rádio.



Bibliografia

ALBUQUERQUE, Umbelino Peregrino de. O velho prédio da Rádio Tabajara na evolução da arquitetura paraibana. In: MELLO, José Octávio de Arruda & VIEIRA, Nilton Tavares (orgs.) Rádio Tabajara 50 anos: 1937-1987. João Pessoa, A União Editora, 1987. p. 17-18. 42 p.

A VOZ DE LONDRES. Londres: British Broadcasting Corporation, n. 390, 26 set. 1945.

EGYPTO, Ednaldo do. PRI-4: mão forte ao teatro paraibano. In: MELLO, José Octávio de Arruda & VIEIRA, Nilton Tavares (orgs.) Rádio Tabajara 50 anos: 1937-1987. João Pessoa, A União Editora, 1987. p.23-24. 42 p.

GOLDFEDER, Miriam. Por trás das ondas da Rádio Nacional. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980. 205 p.

LEAL, Wills. E raiou um novo som nas noites calmas da província. In: MELLO, José Octávio de Arruda & VIEIRA, Nilton Tavares (orgs.) Rádio Tabajara, 50 anos: 1937-1987. João Pessoa, A União Editora. P.28-30. 42 p.

MARANHÃO FILHO, Luiz. Memória do rádio. Recife, Jangada, 1991. 95 p.

MELLO, José Octávio de Arruda. Rádio Tabajara: 50 anos em prol da cultura da Paraíba. In: __________________________ & VIEIRA, Nilton Tavares (orgs.) Rádio Tabajara 50 anos: 1937-1987. João Pessoa, A União Editora, 1987. p. 7-14. 42 p.

NORONHA, Linduarte. Rádio Tabajara – in memoriam. In: MELLO, José Octávio de Arruda & VIEIRA, Nilton Tavares (orgs.) Rádio Tabajara 50 anos: 1937-1987. João Pessoa, A União Editora, 1987. p. 29. 42 p.

ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A informação no rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. São Paulo, Summus, 1985. 117 p.

SANTOS, Hayton. O Rádio paraibano em álbum de recordações: 1932-1960. João Pessoa, 1977.

WANDERLEY, Múcio Leal. Coisas de Cinema: flash back de um exibidor de província. João Pessoa. A União Editora, 1985. 250 p.




1 Na pesquisa não foi possível determinar a exatidão da data de chegada dos aparelhos receptores à Paraíba. As informações dos entrevistados eram vagas e divergiam muito. Em 1937, a Casa Monteiro, especializada em artigos elétricos, fez publicar anúncio do Radiorreceptor Ericsson; é a data mais precisa acerca do assunto.


2 A primeira coluna especializada em assuntos de Rádio apareceu na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, em 1922.

3 O transmissor tinha potência de 10 quilowatts e se encontrava montado em quatro cabines de aço com portas que, ao serem abertas, desligavam a alta tensão do sistema. Tinha seis estágios de Radiofreqüência e empregava 27 válvulas, das quais as duas últimas eram refrigeradas a água. Um cabo telefônico fazia o enlace estúdio-transmissor. Para fazer funcionar o transmissor, foi preciso instalar uma rede especial de energia do centro da capital até Buraquinho, onde se encontrava a Fazenda São Rafael.






Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal