As representaçÕes sociais e alavagem das mãOS: reflexões a luz da enfermagem amazônida introduçÃO



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AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E ALAVAGEM DAS MÃOS: REFLEXÕES A LUZ DA ENFERMAGEM AMAZÔNIDA

INTRODUÇÃO

Esta pesquisa tem como objeto de estudo a representação social de técnicos de enfermagem sobre a lavagem das mãos e suas implicações no controle das infecções hospitalares. O interesse por este objeto de estudo surgiu por percebermos que a maioria dos técnicos de enfermagem desenvolve suas atividades profissionais sem a prática da lavagem das mãos. Isto se justifica pelo fato de termos consciência que a simples lavagem das mãos diminui a vinculação de vários germes por meio da infecção cruzada, sendo um princípio básico para o controle da infecção hospitalar.

A infecção hospitalar é um dos graves problemas de saúde publica no mundo, havendo a necessidade de uma vinculação maior entre os profissionais de saúde, pois o seu conhecimento, prevenção e controle constituem um desafio a ser enfrentado, e em grande parte dependem da adesão dos profissionais da área da saúde às medicas preventivas, dentre elas a lavagem das mãos. E a adesão a essa medida tem se constituído um dos maiores desafios para as comissões de controle de infecção hospitalar (NEVES, et al, 2007).

O conceito de infecção hospitalar emergiu no universo reificado em 1843 por Oliver Wendel Holmes, quando este relacionou a infecção puerperal com os cuidados obstétricos realizados por médicos com mãos não higienizadas. Em 1847, Ignaz P. Semmelweiz estabeleceu a primeira evidência científica de que a lavagem das mãos pudesse evitar a transmissão da infecção puerperal ao introduzir antes dos procedimentos a lavagem das mãos com solução clorada. Conseguindo com isto a redução do número dessas infecções (COUTO, PEDROSA, NOGUEIRA, 2003).

Na enfermagem a primeira representante no controle da infecção foi Florence Nightingale, que atuou de maneira decisiva na guerra da Criméia em 1854, implantando medidas de higiene e limpeza na cozinha, lavanderia e quartos dos doentes do hospital de atendimento de feridos da guerra, obtendo significativa redução de mortalidade (ANDRADE, 2007).

Diversas regulamentações internacionais e manuais elaborados por órgãos governamentais internacionais são direcionados a higienização das mãos reconhecendo o valor dessa ação básica de controle. A importância da lavagem das mãos também é reconhecida pelo governo brasileiro quando inclui recomendações para esta prática no Anexo IV da Portaria 2616/98 do Ministério da Saúde que regulamenta as ações de controle de infecção hospitalar no país (ANDRADE, 2007).

Segundo o Ministério da Saúde (2007) a lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para a prevenção e controle das infecções hospitalares. Dessa forma, atuar na conscientização da equipe de saúde quanto à importância da lavagem das mãos é um grande passo para se evitar a transmissão das infecções cruzadas.

Segundo Paulino (1991), infecção cruzada é aquela transmitida de paciente a paciente, geralmente por meio das mãos dos funcionários e profissionais da área de saúde, e é considerada infecção hospitalar.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio do programa Aliança Mundial Para a Segurança do Paciente, estabelece diretrizes e estratégias para incentivar, em diferentes países, a prática de lavagem correta das mãos. Em consonância com as orientações da OMS, a Anvisa elaborou a cartilha “Higienização das Mãos em Serviços de Saúde”, que visa esclarecer e sensibilizar os profissionais de saúde para a importância desta prática (BRASIL, 2007).

A lavagem das mãos é reconhecida como um dos caminhos para diminuir a incidência das infecções hospitalares. Programas educacionais direcionados à prática da lavagem das mãos mostram resultados limitados. Embora a lavagem das mãos seja um procedimento simples, exige mudança de hábito, existindo assim, uma distância entre o conhecimento da lavagem das mãos e a sua prática. Novas estratégias são necessárias para se obter maior obediência a essa rotina básica na prevenção das infecções hospitalares, uma vez que as intervenções somente educacionais têm sido de pouco sucesso (COUTO, PEDROSA, NOGUEIRA, 2003).

O auxiliar e o técnico de enfermagem são os funcionários que ficam a maior parte do tempo de serviço junto aos pacientes, logo assumem papel fundamental no controle de infecção hospitalar. É função das comissões de controle de infecção hospitalar orientar, treinar e reciclar periodicamente estes profissionais em vários aspectos, entre eles a lavagem das mãos é o procedimento simples e de fundamental importância para o controle de infecção hospitalar (PAULINO, 1991).

A partir desta contextualização, percebemos que a lavagem das mãos tem um importante significado no contexto atual e, cada vez mais vem se tornando essencial no combate as infecções hospitalares, principalmente no âmbito hospitalar, já que é o local que dispõe do maior número de procedimentos invasivos e os profissionais desta área precisam assumir a responsabilidade de cuidar e prevenir, evitando dessa forma um dano maior ao paciente.

Vários estudos frisam a importância da realização da lavagem das mãos antes e após os procedimentos como forma de prevenção das infecções cruzadas, no entanto o que se observa no cotidiano é a baixa adesão a higienização das mãos, e esta prática vêm sendo constatada ao longo dos anos e tem sido objeto de estudo em diversas partes do mundo. Para melhor compreensão desta atitude, surgiu o interesse em estudar o que leva os técnicos de enfermagem a não realizarem o procedimento, pois saber as representações sociais desses profissionais sobre a lavagem das mãos é de grande importância para atuação adequada do profissional de saúde frente à problemática. Para melhor compreensão desta atitude, surgiu o interesse em estudar o que leva os técnicos de enfermagem a não realizarem a lavagem das mãos. Para responder a este questionamento formulamos os seguintes objetivos: caracterizar as representações sociais de técnicos de enfermagem sobre a lavagem das mãos e analisar as implicações desta representação social para o controle de infecção hospitalar.

METODOLOGIA

Este estudo é do tipo exploratório-descritivo, com o emprego de uma abordagem qualitativa, adotando como suporte teórico-conceitual a teoria das representações sociais, que tem como precursores Serge Moscovici (2003) e Denise Jodelet (2001).

Os sujeitos foram vinte técnicos de enfermagem que atuam em um hospital público, referência no tratamento de câncer e transplante de órgãos, localizado no município de Belém. O estudo foi baseado nos seguintes critérios: os mesmos deveriam estar orientados e estarem cientes quanto à finalidade da pesquisa e consentirem seus depoimentos, por meio da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

Quanto ao aspecto ético, o projeto de pesquisa obteve aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos do Grupo UNINTER, no dia onze de outubro do ano 2007, sob o registro n0 100 e parecer NR. 145/07. O mesmo atendeu a Resolução no 196/96 do Conselho Nacional da Saúde que trata do termo de esclarecimento livre e esclarecido. Para preservar o anonimato das depoentes empregamos o sistema alfa-numérica para identificação dos seus relatos.

A coleta de dados foi realizada utilizando-se duas técnicas de coleta: a entrevista semidirigida com perguntas abertas e a observação participando. Foi utilizado um questionário para identificação do perfil sócio-cultural dos sujeitos do estudo, constando de: idade, naturalidade, religião, escolaridade, tempo de profissão, quanto empregos, cargo/função.

A entrevista semidirigida foi composta por questões abertas pelo fato da mesma permitir o direcionamento pelo entrevistador, de forma flexível, podendo ser assumido pelo entrevistado. Por fim, empregamos a observação participante, que foi usada como uma técnica complementar, auxiliando-nos na análise dos dados e na conclusão do estudo. Destacamos que procuramos observar no campo de pesquisa como os técnicos lavam as mãos e qual a freqüência da lavagem; esses dados foram importantes para compreender como as práticas, do grupo social aqui pesquisado, estão relacionadas às suas representações sociais desses profissionais em questão.

Para procedermos à análise e interpretação dos dados optamos em utilizar a técnica de análise temática por sabermos que esta favorece o descobrimento dos núcleos de sentidos que compõem a comunicação e a freqüência contribuindo para melhor compreensão do texto do discurso (BARDIN, 1977).

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Ao término da análise do material coletado, encontramos a emergência de núcleos de significados que favoreceram a captação da representação social das depoentes sobre a lavagem das mãos.

Os núcleos temáticos foram criados com base nas repetições de temas presentes nas respostas dos sujeitos entrevistados, levando-nos a uma saturação de dados, que favoreceu a consolidação de duas unidades temática: Lavagem das mãos e suas representações sociais e A Lavagem das mãos: o pensar e o fazer, que serão discutidas a seguir:

Lavagem das Mãos e suas Representações Sociais

A lavagem das mãos é de grande utilidade para o controle de infecção hospitalar, sendo sua realização extremamente importante para evitar a disseminação de infecção cruzada. Destaco que a lavagem das mãos deve fazer parte da rotina da equipe de saúde hospitalar e este conhecimento deve ser incorporado pelos indivíduos que pertencem a esse grupo.

Percebemos que do total de entrevistados 82% sabem da importância da lavagem das mãos e quando deve aplicá-la no ambiente hospitalar, assim como sua relevância para prevenção da infecção hospitalar. Um dos grandes passos para a realização desta técnica é saber a importância de se estar lavando as mãos. Como nos mostra o seguinte relato:

“A importância da lavagem das mãos é a questão da prevenção contra infecção, porque sabemos que a área hospitalar é uma área contaminada. Então temos que fazer a nossa parte, lavando as mãos, não só para a sua proteção, mas para o paciente também...” (T13)

Uma das abordagens mais segura para o controle das infecções hospitalares ocorre por meio da realização da lavagem das mãos. É fundamental que os serviços de saúde orientem as equipes sobre a importância deste ato antes e após os procedimentos, atuando de maneira contínua e avaliando as causas do não seguimento deste procedimento, para assim ajudar na elaboração de estratégias mais eficientes junto às equipes.

É importante que todos se conscientizem que a lavagem das mãos é a forma mais simples de prevenção contra as infecções hospitalares. Segundo a ANVISA (2007), a lavagem das mãos é a medida mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação das infecções relacionadas à saúde.

Constatamos, durante as entrevistas, que 82% dos depoentes relataram que lavam as mãos antes e após os procedimentos e manuseio com o paciente, ou seja, muitos dos depoentes sabem da importância da realização da lavagem das mãos antes e após os procedimentos como forma de prevenção das infecções hospitalares. Dentro das situações em que se devem lavar as mãos. Couto, Pedrosa e Nogueira (2003) relatam que as mãos devem ser lavadas antes e após o trabalho hospitalar e sempre antes e após ter contato direto com o paciente. Podemos observar esta realidade nos seguintes relatos:

“Lavo antes e após o contato com o paciente e todo e qualquer procedimento. Antes do preparo das medicações” (T11)

“Evitar infecção, evitar passar de um paciente para outro, por isso é importante esta lavando as mãos após cada procedimento” (T16)

Entretanto, podemos observar durante a prática diária das atividades desenvolvidas por este grupo, que muitos procedimentos são realizados sem a lavagem das mãos, contradizendo o que diziam que se deve sempre lavar as mãos antes e após os procedimentos e manuseio com o paciente. Atualmente este ainda é um dos grandes desafios das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), inserir como prática habitual a lavagem das mãos, ou seja, tornar o profissional consciente que esta é sua obrigação como cuidador da saúde e, que não agindo dessa forma ao invés de estar cuidando poderá estar causando um prejuízo maior, a infecção hospitalar.

Sabemos que a lavagem das mãos só é eficiente se realizada na sua totalidade, englobando todas as etapas envolvidas, pois já é comprovado que nas diversas partes das mãos existem vários microorganismos compondo a flora transitória. Levando-se em consideração que após manipular o paciente, a não lavagem correta das mãos poderá está contaminando o ambiente com esses microorganismos, podendo até chegar a outro paciente, caracterizando a infecção cruzada. Podemos observar que os depoentes apresentam dificuldades na realização da lavagem correta das mãos, como mostra os seguintes depoimentos:

“O correto é lavar com toda técnica que a gente aprende, mas na realidade a maioria não usa a técnica...” (T9)

“Em tudo fazer a lavagem correta, mas é difícil seguir todos os passos...” (T17)

Essa dificuldade pode ser compreendida pela alta demanda de serviço e o déficit de pessoal nas unidades de internamento. Em muitos casos observamos o técnico de enfermagem assumir mais de cinco pacientes em unidades cirúrgicas requerendo cuidados com a higiene, as medicações, os curativos, os preparos cirúrgicos, as admissões e alta e os registros de enfermagem, justificando a pressa e a quebra da técnica correta da lavagem das mãos. Entretanto, observamos que muitos sabem dos riscos que correm em não realizarem a higienização das mãos e a importância que este ato tem para a saúde deles e dos que eles cuidam como mostra o seguinte depoimento:

“A importância estar em evitar doenças, infecções tanto para o paciente como o próprio funcionário que está trabalhando. Não levar infecção para casa, para outros pacientes. Pegar no paciente, não lavar e pegar em outro paciente, aí vem todo aquele problema de levar infecção” (T5)

A não higienização das mãos é uma realidade que contribui para o aumento das estatísticas de infecção hospitalar, fazendo que esta se torne um problema grave de saúde pública. Apesar de constatarmos em nossa pesquisa que muitos técnicos de enfermagem sabem da importância da lavagem das mãos para o controle da infecção hospitalar, a enfermagem juntamente com a CCIH precisa continuar investindo no cuidado preventivo, como forma de ampliar cada vez mais o número de profissionais que praticam corretamente a lavagem das mãos.

Uma das funções mais importantes de uma comissão de controle de infecção é promover cursos de capacitação para os profissionais de diversos setores do hospital. Sabemos que 30% a 50% das infecções são preveníveis e que a maioria é causada por falhas técnicas na assistência ao paciente e que 85% poderiam ser evitadas com a higienização adequada das mãos. (MARTINS, 2001)

Outro ponto importante a destacar é o fato que apenas um dos entrevistados soube descrever e realizar a técnica correta da lavagem das mãos. Outros, muitas vezes, confundiam a lavagem simples das mãos com a degermação das mãos. Como observamos nos depoimentos:

“Lavo entre os dedos, nas unhas, palma e antebraço” (T5)

“Eu lavo só com detergente na palma e entre os dedos” (T9)

É notório que a quebra das etapas da lavagem das mãos irá favorecer a infecção cruzada. Com o avanço da indústria farmacêutica e a existência de antibióticos cada vez mais potentes para controle de germes multirresistentes, observamos hoje uma preocupação maior das CCIH e das equipes de saúde com a infecção cruzada, seja por medo do profissional ou de outro paciente adquirir a infecção, ou pelos altos custos que esse tratamento pode desencadear, aumentando o tempo de internação do doente e gerando ônus para a Instituição.

Com o avanço da tecnologia houve uma mudança no uso de medicamentos, como antimicrobianos, surgindo agentes antiinfecciosos mais potentes e eficazes. Entretanto, as novas drogas demandam um alto investimento e, mesmo com os avanços, a melhor opção para evitar infecção e a adoção de medidas preventivas de custo infinitamente menor, como a lavagem das mãos. (MARTINS, 2001)

Dessa forma a troca de informação entre CCIH e equipes de saúde repercute de maneira positiva para a adesão dos profissionais para a prevenção de muitas doenças, por meio de medidas simples como a lavagem das mãos. Portanto, todos os profissionais devem estar atentos e praticar de forma mais ativa a prevenção e promoção da saúde. Com isso, provocando mudanças positivas que estimulem as equipes estar mais atentas a sua saúde e a saúde das pessoas que estão cuidando, com a finalidade de evitar a morbidade e mortalidade de muitos pacientes pela sepse causada por infecção hospitalar, que hoje é um dos grandes desafios enfrentados.

Lavagem das Mãos: o pensar e o fazer

Frente a todas as dificuldades citadas na unidade anterior, esbarramos também na questão do pensar e do fazer, pois evidenciamos que 94% dos técnicos de enfermagem relatavam a relevância da lavagem das mãos para se evitar a infecção, porém o seu comportamento prático estava atrelado a uma técnica incompleta.

Durante as entrevistas, percebemos que apesar de saberem a importância da lavagem das mãos, a maioria dos depoentes referiu que os outros profissionais não são conscientes de que é importante fazê-la, dessa forma, banalizando as orientações para a prevenção da infecção hospitalar:

“Nos deparamos no nosso dia-a-dia em ter colegas que não lavam as mãos... A gente faz a nossa parte e espero que ele faça e der continuidade ao trabalho. Porque o mau exemplo dele pode contaminar toda a equipe de trabalho. Em todas as situações é importante lavar as mãos tanto a gente como outros profissionais em todos os trabalhos que exercemos” (T4)

Essas atitudes são responsáveis pela baixa adesão de profissionais da saúde para prevenção e controle das infecções hospitalares. Uma representação social se forma no cotidiano do indivíduo, por meio da captação das idéias que circulam no seu grupo social (MOSCOVICI, 2003). Percebemos que muitos comportamentos, em alguns técnicos de enfermagem, foram influenciados pelo grupo social ao qual pertenciam no que diz respeito à questão da lavagem das mãos, ou seja, sabem que devem lavar as mãos, entretanto, percebem que a cobrança da lavagem das mãos só é direcionada para a classe da enfermagem.

“Eu vejo que a enfermagem ta sempre preocupada com a lavagem das mãos, mas vejo da parte dos outros profissionais, que não estão preocupados com isso. Eles chegam e colocam as mãos dentro das luvas sem lavar” (T7)

“O mesmo cuidado que a enfermagem tem. Antes e após o contato com o paciente. Só que alguns não têm essa consciência” (T11)

As mãos geralmente estão envolvidas na transmissão da microbiota transitória adquirida no contato com pacientes infectados ou apenas colonizados, representando uma transmissão silenciosa, e a prevenção depende da correta higienização das mãos antes e após a assistência ao paciente. Este constitui o mecanismo mais freqüente de transmissão de patógenos em nível hospitalar. (MARTINS, 2001)

Em outros depoimentos percebemos nas representações sociais dos sujeitos do estudo que a infecção cruzada é vinculada a outros profissionais, como observamos nos depoimentos:

“O importante é os outros terem o mesmo tratamento que a gente tem. Não são todos, mas a maioria faz isso” (T5)

“Eu acredito que a partir do momento que eles entram numa entidade hospitalar, eles têm que lavar as mãos, só que isso não acontece” (T9)

A infecção hospitalar é um problema merecedor de grande atenção por parte dos profissionais de saúde, em especial da Enfermagem por ela estar cuidando do paciente vinte e quatro horas no dia, logo pode contribuir de forma significativa para o controle da doença, por meio de ações de prevenção. Entretanto, é importante que os outros profissionais estejam engajados com as mesmas medidas preventivas, pois acabam prejudicando o trabalho de toda uma equipe.

As ações educativas, quando desenvolvidas com a participação de todos os profissionais da saúde, visam ampliar o conhecimento sobre os fatores de riscos e o fortalecimento da importância da utilização das medidas de biosegurança, entre elas a lavagem das mãos.

É importante considerar que a prevenção da infecção hospitalar não depende apenas de aspectos técnicos operacionais, mas da informação pautada em um processo educativo eficiente e eficaz englobando todos os profissionais de saúde. É essencial que haja o conjunto para promover cuidados com a saúde, que significa não apenas o cuidar de outras pessoas, mas ajudar pessoas a usarem suas próprias habilidades, deixando de lado o comodismo para encontrar soluções para os problemas encontrados.

Ficou evidente nesta unidade que, apesar de tudo que se tem feito, até o momento em nível de prevenção da infecção hospitalar, ainda não podemos considerar como suficiente porque, infelizmente, ainda nos deparamos com esses casos citados. Além de incentivar as palestras sobre a lavagem das mãos, precisamos pautar estas no conhecimento consensual do grupo ao qual direcionamos essa estratégia – no caso desse estudo, os técnicos de enfermagem.

A infecção hospitalar é um problema muito grave, por isso temos que procurar saber que as representações sociais dos técnicos de enfermagem e outros profissionais da saúde são relevantes para compreendermos suas práticas. A partir desse conhecimento poderemos traçar intervenções para tentar mudar essa realidade. Evidenciamos que esse quadro pode ser mudado, para isso, torna-se necessário que os profissionais de saúde sejam peças fundamentais para que essa mudança ocorra.



CONCLUSÃO

A pesquisa teve como objeto de estudo as representações sociais dos técnicos de enfermagem sobre a lavagem das mãos e suas implicações para o controle de infecção hospitalar.

Realizamos um total de vinte entrevistas aplicando as técnicas de entrevista semidirigida e a observação participante para um melhor entendimento das representações, pois nosso objetivo era descrever essas representações sociais e analisar suas implicações para o controle da infecção hospitalar. Dessa forma, foi possível a realização de um trabalho bem produtivo, cujos relatos foram ricos em informações sobre a prática da lavagem das mãos relacionada à prevenção das infecções hospitalares, tanto para o paciente, como para o funcionário.

Ao término das entrevistas, partimos para a análise do material coletado. A partir daí construímos uma grande unidade temática: Lavagem das mãos e suas representações sociais, que originou a seguinte subunidade: Lavagem das mãos: o pensar e o fazer.

Na unidade constatamos que a maioria dos depoentes sabe da importância da lavagem das mãos, julgando importante a realização desse procedimento para a prevenção das infecções hospitalares, e sabem das conseqüências que sofreriam se não realizassem a lavagem das mãos. Entretanto, foi observada durante a pesquisa falha na descrição e realização da técnica correta.

Um dos fatores que contribuem para a quebra da técnica correta da lavagem das mãos é a jornada de trabalho, onde o técnico tem que assumir o cuidado de vários pacientes e a pressa, citada por eles, é o grande vilão que contribui para a quebra da seqüência correta da lavagem das mãos. É importante citar que os baixos salários, obrigam o funcionário a ter mais de um emprego para garantir uma renda favorável, tendo muitas vezes que lidar com o sono e o cansaço.

A subunidade traz a relação entre o pensar e o fazer. A comparação com os outros profissionais e a alegação de que a cobrança é sempre maior por parte da enfermagem, enquanto outros profissionais manipulam o paciente sem a lavagem das mãos, ou seja, a influência de outros comportamentos sobre o grupo de técnicos.

Sabe-se que o controle da infecção cruzada só tem sucesso se toda a equipe de saúde trabalhar junta. É importante que toda a equipe de saúde utilize a lavagem das mãos correta como meio de prevenção, pois é mais fácil prevenir que tratar uma infecção hospitalar.

O enfermeiro, como profissional de saúde, tem uma grande parcela de responsabilidade junto a outros profissionais na prevenção e controle das infecções hospitalares. Este tem a responsabilidade de orientar os técnicos de enfermagem na assistência prestada ao paciente. Para isso, é importante que se tenha conhecimento das representações sociais dos técnicos de enfermagem em relação à lavagem das mãos, facilitando, assim, uma educação continuada mais eficiente, uma educação em saúde.

Nós, profissionais de saúde, temos um papel fundamental de mudar essa realidade, procurando trabalhar mais as questões educativas, visto que a infecção hospitalar já é considerada um caso de saúde pública.

Sabe-se que se tem feito muita coisa até agora, mas precisamos avançar mais. É importante que se conheça a representação social que os técnicos de enfermagem têm em relação à lavagem das mãos, pois à medida que se conhece essas representações, podemos traçar nossas intervenções, procurando trabalhar mais a importância do cuidado de si e para o paciente, tendo assim uma saúde de qualidade.

REFERÊNCIAS

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MARTINS, Maria Aparecida. Manual de infecção hospitalar – Epidemiologia, Preveção e Controle. 2ª ed. São Paulo: Medsi, 2001.
MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigação em psicologia social. Petrópolis-RJ: vozes, 2003
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