As ressonâncias do imaginário: os revoltosos sobre olhar das representaçÕES



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AS RESSONÂNCIAS DO IMAGINÁRIO:

OS REVOLTOSOS SOBRE OLHAR DAS REPRESENTAÇÕES

Francisco Chagas Oliveira Atanásio1

atanasiojunior@hotmail.com

damilanoricercare@gmail.com

“O essencial nem sempre é visível”

Carlos Júlio Jara
História e Memória: uma aliança entre Clio e Mnemosine por uma leitura de um fragmento do mundo, o passado

Imaginário, morada de sonhos e vãs quimeras, trilha desmaterializada de um caminho descontínuo e impreciso, portador de feições, máscara que adorna rostos incógnitos de não-carnes: espectros de vidas ocultadas por um tempo pretérito. Imaginário, territorialidade metafórica e metafísica, viagem mentalizada que flerta sobre o limiar da cartase e da vertigem, um itinerário alternativo para o encontro enamorado com Clio. Memória, presente de Mnemosine, clareira resplandecente das imagens fluidas e líquidas de um tempo desdobrado, armadilha que se reverbera pela oralidade, que encurrala através da linguagem enunciando tekmeria’s de uma temporalidade já distante. Memória, fissura escavada através de uma semiologia das sombras, campo de reminiscências conservadas pelas guaridas das ruas da amnésia, fragmentos de uma realidade que não reproduzem o real fragmentado, mas que indica, indicia que tal realidade um dia existiu, nos levando a cartografá-la, (re)compondo e elaborando a escrita da história através de uma dimensão de subjetividade que procura “desvendar” o que se encontra no além-do-óbvio.



Clio e Mnemosine (história e memória), divas da temporalidade (luminárias de Chronus) que servem com suas virtudes à figura inquieta do pesquisador, induzindo-o a fazer um adestramento prospectivo, uma leitura de um fragmento do mundo: o passado, elo que se arquiteta no exercício da percepção e no ato de escrevinhar, operando através de uma apreensão reflexiva imanente das problematizações embrionadas pelo olhar do historiador mediante o objeto que tanto o angustia, que o desafia, como um enigma mordaz lançado pela esfinge, o qual se procura decifrar para não ser devorado.

Nesta pesquisa, a história enigma, esfíngica, problema, que emerge conjuntamente com os campos indicativos da memória, emana à luz de questionamentos que começaram a ser tecidos ao ouvir às histórias relacionadas às imagens de personagens implícitos pelos desdobramentos temporais, referenciados através dos contos descritos pelos moradores rurais das cidades de Timon e Teresina, os quais eu costumava ouvir desde minha infância. Em torno das menções desses moradores rurais, o ano de 1926 sagrou-se pela alcunha de o Ano da Revolta. Esta nomenclatura fazia referência a um grupo rebelde que aportou nos domínios locais e foram instituídos sobre o epíteto de Revoltosos.

Algo que me chamava à atenção estava ligado às imagens que se concebiam dentro das apreensões de pensamento associadas a esses personagens, transpassadas de maneira alusiva através dos reflexos da memória de pessoas que estabeleceram contato com esse grupo, ou que guardaram informações apanhadas através de uma herança instaurada pela tradição oral. Esta tradição oral se tece sob os diálogos protagonizados de maneira simplória, por meio das habituais confabulações das reuniões noturnas em que muitos se tomam de encontro, e se acomodam em torno de uma fogueira para espantar o frio soturno que vem nos primeiros dias do ano, ou – ocasionalmente – no findar da labuta diurna, se ajustam frente aos terreiros de suas úmidas casas de pau-a-pique, tendo por espera uma brisa casual que ajude a minimizar o calor que se resvala pelo âmbito abrasivo, até chegar o momento de aceitação ao sedutor convite noturno, diariamente feito pelos espectros de Hipnus e Orfeu2.

É envolto de tal prática desse universo cotidiano que se ecoavam, dentre várias narrativas, episódios associados aos rebeldes, em que o real e o imaginário se encontravam entrelaçados, criando heróis e vilões, construindo mitos e lendas, como também os envolvendo em planos metafísicos em que se teciam um conjunto de crenças e valores praticados por essas pessoas, ajudando a moldar, (in)conscientemente, a realidade social delas mesmas e as convicções que as constituem. Foi tomando por orientação esses discursos proferidos pelas vozes que norteiam essa parcela do senso comum que, no ínterim dessas narrativas, eu procurava compreender e problematizar tais questões: Quem eram esses Revoltosos? De onde vieram? Que faziam?

Deixando-me levitar pelo sentimento de busca inerente e inquieto à figura do pesquisador, o qual deve ser comparável, em seu ato de procura, à figura do ogro lendário que, atraído pelo seu impetuoso instinto predatório, “onde fareja carne humana, sabe que ali está sua caça (BLOCH, 2001, p.54)”, procurei “farejar” indícios que pudessem apontar a identidade de tais Revoltosos. Ao me defrontar com as fontes que, poderiam de alguma maneira, sanar parte dos questionamentos que povoavam em minha imaginação a figura desses rebeldes, cheguei ao conhecimento que esses tiveram uma participação significativa no contexto da história do Brasil.
A Coluna Prestes: O terceiro ato do “ciclo da pólvora”

Como mencionou Nicolau Sevcenko (1992), os anos de 1920 se caracterizaram pela incorporação de um caráter fremente, que mostrava as reverberações de um espírito de inquietude em relação à ordem sócio-política brasileira. A ascensão do movimento feminista, a formação do partido comunista, a organização sindical do operariado, o impacto artístico-cultural promovido pela Semana de Arte Moderna, ecoavam como inclinações políticas que se expressavam como manifestações de um período de ebulições, críticas às ordenações (as)fixantes da época.

Essas manifestações, singulares em si, acabavam por se direcionar para um ponto de convergência, que tinha em seu propósito apresentar um quadro fraturário, capaz de questionar a ordem oligárquica que permaneceu como alento elitista desde os primórdios do levante republicano no Brasil, demonstrando dessa forma que uma fragrância sediciosa fora exalada e rispidamente pairava no ar. Em meio a esse ciclo de contestações se encontravam incorporados os militares, que demonstravam guardar uma “herança” de insatisfação, germinada após término do conflituoso e efêmero período da República da Espada (1889-1894), no qual ocorrera uma intensa turbulência entre os representantes da corporação militar e os civis representantes das dissidências oligárquicas3.

Sendo relegados ao ostracismo no veio político do regime republicano, os militares encontram, quase duas décadas após sua “submersão”, um cenário convidativo para externalizarem suas ações corrosivas endossadas a partir dos conflitos protagonizados pelas próprias contradições do sistema oligárquico, e dos embates corporativos que travavam em virtude das medidas tomadas pelo ex-presidente Epitácio Pessoa4. A partir de 1922, ano em que Artur Bernardes assumiria a presidência da República, tornando-se sucessor de Epitácio Pessoa e de todo um bloco oligárquico, inicia-se uma fase de insurreições que entra para a história sobre a nomenclatura de Tenentismo.

Como se refere Domingos Meirelles (1995), o termo Tenentismo se revela adornado de uma conotação genericamente imprecisa, porém emblemática, pois a maioria dos sediciosos era constituída de jovens oficiais com carreiras ainda em formação. Todavia, o termo se apresenta como uma nomenclatura que procura situá-los como sendo “herdeiros” de uma “ordem revolucionária” que se iniciou em 1922 e se findou em 1927, e que tinha as feições de sua insurreição moldadas desde o início da república. Circundado pelos ventos da subversão tenentista, nasceu assim o ciclo da pólvora, como mencionou Raymundo Faoro (2001) na plenitude de sua erudição.

A manifestação do movimento tenentista pode ser encarada como uma manifestação sobrevinda por um cenário delineado em três atos. O primeiro ato resumiu-se a uma rebelião mal sucedida, capitaneada pelos jovens militares, no qual o Forte de Copacabana fora o centro radiador das ações contestatórias. No entanto, essa insurreição sagrou-se como um marco histórico de resistência dos militares à velha ordem oligárquica. E como “estandarte” desse marco, foram eleitos os 18 oficiais que resolveram marchar nas calçadas da praia de Copacabana para se confrontarem com uma milícia praticamente impossível de ser vencida.

Tal marcha adquiriu um valor simbólico. Uma marcha que, pelas vias imediatas da “racionalidade”, se evidenciava como a promoção consciente de um suicídio coletivo, se construiu semblantes de um ato de significados mais profundo para os “ideais” do movimento tenentista. Esse evento tornou-se elemento emblemático a partir do momento em que começou a ser visto como uma marcha “além-morte”, convertendo-se na representação de uma “marcha para a liberdade”. Os oficiais tinham seus primeiros mártires: Os 18 do Forte de Copacabana.

Posteriormente, em tributo à memória dos 18 do Forte, incidiu-se o segundo ato. Para comemorar o biênio da rebelião carioca, os tenentes planejaram uma nova uma rebelião, agora, situada em São Paulo. Almejando a derrubada do, já em exercício, presidente Artur Bernardes, os tenentes promoveram um novo motim no dia 05 de julho de 1924 – dia do aniversário da rebelião – e tiveram como seus principais mentores, duas figuras maduras e reconhecidas na esfera militar: o general reformado Isidoro Dias Lopes e o chefe da força pública de São Paulo, o major Miguel Costa. Esse movimento logo tomou a iniciativa de deslocar-se de São Paulo para a região sul. Em outubro, em apoio aos insurretos de São Paulo, ocorre outro levante5 no Rio Grande do Sul, liderado por Luiz Carlos Prestes, que se desloca rumo ao Paraná para encontrar com a Coluna Paulista. Em abril de 1925 as duas Colunas se encontram e promovem o terceiro ato: a formação da Coluna Prestes.

O deslocamento contínuo caracterizou os empreendimentos de sublevação da Coluna. Essa proposta foi inserida por Prestes, que via como o único meio de sobrevivência para a Coluna, diante da caçada promovida pelas tropas legalistas do governo. A partir da inserção dessa proposta – a guerra de movimento6os Revoltosos iriam seguir por um longo itinerário de aproximadamente 25.000 km. Através desse roteiro, os rebeldes passaram por várias cidades do nordeste, nas quais Teresina e Timon encontravam-se presentes. Outro elemento que favoreceu essa itinerância estratégica favoreceu foi o direcionamento ideológico adotado pela Coluna, que ao se deparar com a situação de miséria da população, “redimensionou” seu projeto – que inicialmente era derrubar o governo e se ressarcir do sufocamento político ao qual foram submetidos, ou seja, um empreendimento corporativo – então se começou a vislumbrar uma revolução calcada na transformação social.

Por isso, onde passavam os rebeldes procuravam exortar a comunidade a incorporar o contingente revolucionário para dar suporte a tal empreendimento. Mas até que ponto esse projeto foi levado a cabo? Como as imagens desses rebeldes foram apropriadas pelas pessoas que estabeleceram contato com eles? Os rebeldes conseguiram ser enxergados como sinônimo de resistência social e subversão ao regime oligárquico? Estas foram as novas questões que semeei ao me defrontar com a saga do détour “épico” que esses Revoltosos traçaram, tomando como ponto de partida a maneira pela qual eles foram vistos em Timon e Teresina. Tais questões surgiram porque logo percebi uma “disputa” advinda da memória relacionada à (re)elaboração da imagem desses rebeldes, associada aos olhares que os moradores rurais apresentaram a mim através de suas narrativas.

A “disputa” a que cautelosamente me refiro é denunciada sobre as fissuras das elaborações imaginárias, construções simbólicas que patenteiam e inventam uma gama de signos ligada à figura desses sujeitos. E o que me fez enxergar uma determinada “disputa” em tais elaborações vincula-se ao fato de que mesmo sendo elaborações quiméricas, construídas sobre uma densidade metafísica, distanciam-se de serem homogeneidades essencializadas como entidades únicas de um discurso temporal e de serem construções destituídas de substâncias da realidade. Por isso, o motivo de minha análise esteve ligado em compreender como essas pessoas se apropriaram da imagem dos Revoltosos da Coluna Prestes por meio dessas representações e os variados significados que poderiam haver no cerne de tais construções.
O Cemitério do Revoltoso: a Coluna Prestes e as representações

Com Roger Chartier (1985), é possível aprender que a elaboração dos processos representacionais tem como elemento motriz o exercício da apropriação: a maneira pela qual os sujeitos arquitetam, talham e esculpem para si determinados elementos que são extraídos das frações do real. Através dessa compreensão, torna-se salutar perceber as nuances existentes nos processos assimilativos que são agenciados em torno das práticas, das ritualizações, das tensões psicológicas presentes nas concepções, em que o idiossincrático e o coletivo se incorporam por meio de uma determinada mobilidade, e se apresentam através das enunciações discursivas. Para mergulhar nesse universo representacional, é preciso encontrar e interpretar os indícios7, os recintos onde residem as minúcias que compõem a morfologia do simbólico.

Ao me deter em tais noções, procurei perceber nas minúcias e o que elas poderiam mostrar moldadas no limiar das declamações simbólicas. Esse olhar semiológico encontrou propriedades através da memória que aflorava por meio dos relatos orais. Uma memória que se oferece como fonte a um campo desconhecido, e uma fronteira cruzada na construção historiográfica que revela um nível de conhecimento informativo ocultado pelas limitações documentais. Pode-se compreender o valor que se encontra na memória ao observar que esta oferece caminhos que contornam:

Uma problemática abertamente contemporânea e uma iniciativa decididamente retrospectiva, a renúncia da temporalidade linear em proveito dos tempos vividos múltiplos, nos níveis em que o individual se enraíza no coletivo (lingüística, demografia, economia, biologia, cultura) que fermenta a partir dos estudos dos lugares da memória coletiva. Lugares topográficos como arquivos, bibliotecas e museus, lugares monumentais como cemitérios ou arquiteturas; lugares simbológicos como as comemorações, as peregrinações e os emblemas; lugares funcionais como os manuais, as autobiografias ou as associações: estes memoriais têm sua história (LE GOFF, 1994, p.473).

Ao recorrer aos lugares e às histórias de memórias vividas e herdadas de determinados personagens conhecedores desse evento, pude perceber que a compreensão que esses guardavam associada aos rebeldes denota a uma não assimilação ou não conhecimento sólido das propostas que foram sacralizadas como estandarte histórico do discurso revolucionário da Coluna Prestes: um projeto revolucionário de transformação social. O olhar o qual é lançado à imagem dos rebeldes está associado ao estranhamento, a algo incógnito, distante e diferente da realidade social das pessoas que os viram e que, em muitos casos, ainda procuram respostas, como, por exemplo, saber quem eles eram. Por outro lado, esse encontro com o desconhecido proporcionou subsídios para ornamentarem imagens que pudessem gerar respostas e inventar um plano de compreensão a presença desses rebeldes. Essas noções imaginadas podem ser categorizadas em três aspectos: medo, admiração e misticismo. Irei iniciar demonstrando um primeiro aspecto em que se constituíram as reações e as representações: o medo.

Em determinadas localidades as reações das pessoas que se defrontavam com a presença dos soldados da Coluna Prestes, em certa medida, eram situadas em um posicionamento avesso. Em Timon, por exemplo, muitos foram os relatos que exprimiam o temor. Em parte dos casos, quando os moradores dos povoados ficavam sabendo da presença dos Revoltosos tratavam de procurar refúgio onde pudessem ficar escondidos para que não se encontrassem com esses. Em um caso, o senhor João A. Ventura das Neves8 (82 anos) relatou em seu depoimento que, quando seu pai soube da presença dos rebeldes da Coluna Prestes nas proximidades de onde morava, tratou de refugiar-se com sua família na mata fechada, onde ficou por alguns dias. Segundo ele:

O pessoal todo corria com medo deles, meu pai, inclusive, foi um desses que num aventurou ficar aqui e fugiu com medo dos revoltosos Eu tinha dois anos quando eles tiveram aqui. Aí a gente foi se esconder dentro do mato. Meu pai disse que me levou nas costa, lá pro “Mororó”. Nós ficamos escondido pra lá por três dia, dentro do mato eu e meu povo. A gente só voltou quando papai teve notícia que eles tinha ido embora daqui. Aí quando ele voltô, só se ouvia as notícia do que eles tinham aprontado por aqui, levaram aí um bocado de coisa: animal, arma, comida, o que aparecesse e interessasse a eles levavam mesmo. Aí daqui eles foram pro rumo aí de dento dessa estrada aí caçar outros lugares pra saquear. (2005).

Os saqueamentos eram considerados pelos líderes da Coluna a base de sustentabilidade do movimento em determinados aspectos como o municiamento, medicamentos, alimentação, e até mesmo meios de transporte – confiscando cavalos. Pôde se perceber que esse ato emergencial para as necessidades de sobrevivência da Coluna era compreendido, com lógica, como uma atitude selvagem protagonizada por “revoltados” e “desordeiros”. Evidente que o ato de abandono dos lares pelos moradores facilitava a tomada dos bens pessoais que seriam de primeira necessidade para o movimento, mas atitudes dessa natureza reforçavam a visão de receio que era carregada pelos moradores dos povoados por onde passaram. Essa impressão de vandalismo é a mais incisiva dentro dos relatos, recorrendo sempre ao exemplo desses constantes confiscos executados, principalmente citando a tomada de armas, munição e cavalos, além do sacrifício de “animais de criação” (porco, galinhas, cabras, gado, etc.) para alimentação.

Em Timon, houve o noticiamento de casos relacionados a pessoas que decidiram abandonar suas casas e não retornaram novamente com receio do que viesse acontecer com a presença dos rebeldes nesses povoados. Um fato com essas características foi mencionado em certo momento no depoimento do senhor José Basílio Oliveira (81 anos) que cita o caso do irmão de seu pai que foi morar em uma região distante a qual, muito tempo depois, acabou por se tornar um povoado:

Teve um tio meu – irmão de meu pai – que deu início a um povoado com medo dos revoltosos. Você já ouviu falar no Maitá? Pois é, meu tio foi morar lá porque no tempo da revolta eles passaram por aqui. Meu tio nesse tempo era vaqueiro aí, sabendo da passagem dos revoltosos por aqui e fugiu com medo deles fazer alguma coisa. Aí ele pegou a mulher e os meninos dele e foi se esconder no mato, ele se arranchou e ficou escondido por uns dias. Aí quando eles foram embora ele decidiu ficar por mais um dias, depois de dias... De dias fez mês e assim foi indo. Aí ele formou e criou os filhos dele lá e hoje é um povoado grande e bonito, com muita gente, que só foi acontecer por esse fato do revoltoso (2007).

Outro caso que evidencia o sentimento de temor aspirado nos povoados de Timon pelos moradores rurais, foi mencionado no relato de uma reminiscente dessa época: dona Felismina Feitosa da Silva9 (98 anos), moradora do povoado Canhançu. Além de ela mencionar a procura de refúgio, também ressaltou seu temor quando mostrou certo estranhamento através da maneira como os soldados da Coluna Prestes apareciam trajados:

Quando eles passavam a gente se escondia. Aí na passagem deles, teve uma hora que eles começaram a invadir as casa e aí eles vieram pra cá. Aí quando eles vieram pro rumo daqui de casa, mamãe pediu pra eu me esconder junto com meu irmão. Ela mandou que a gente se escondesse em qualquer lugar. Meu instinto foi certinho em riba do pé de manga. Quando eles chegaram aqui, mamãe colocou eu e meu irmão em cima do pé de manga, pra que eles não fizesse nada nós. Mas eu vi eles. Aqueles homens com o revólver debaixo da perna, com um metro de pano encarnado, enrolado no pescoço... Num ficou quase ninguém quando eles apareceram. Eles se vestiam até diferente da gente. Mamãe disse que até o modo deles falar era diferente... (2006).

Detalhes de uma vestimenta – como o lenço vermelho enrolado ao pescoço – podem parecer algo insignificante, mas não se tratava apenas de um adereço de ordem estética, mas também uma insígnia que dava significância e coligava as figuras dos rebeldes. Esse detalhe tornou-se uma espécie de marca identitária, a qual se delata através de determinadas histórias sobre o movimento, contornadas através desse signo, quando, por exemplo, no episódio da prisão de Juarez Távora, em Areias no Piauí, hoje conhecida como Angelim, o lenço que carregava ao pescoço foi tirado pelos soldados legalistas e exibido como troféu que, inclusive, pode ser visto hoje no museu municipal de Teresina, onde é exposto como um prêmio e um marco memorial, um registro referente aos fatos procedidos pelos revolucionários no estado do Piauí.

Relacionada à prisão de Juarez Távora10, sucederam-se os momentos mais tensos e “hilários” da presença da Coluna Prestes na região. Por esse período, tudo deveria indicar que Teresina estava “livre” de qualquer ameaça direta dos Revoltosos, até mesmo porque esses já se encontravam distantes da capital, tomando rumo ao Ceará, sendo que outros pequenos destacamentos ainda se encontravam em Timon. Entretanto, o comportamento de alguns, principalmente figuras ligadas a administração do Estado, parecia não se tranqüilizar e procediam de forma bastante estranha, beirando até mesmo ao ridículo. O general João Gomes, responsável pela resistência ao levante nas cercanias de Teresina, chegou ao ato surreal de orientar o governador do Estado, Matias Olímpio, a abandonar a capital e entregá-la aos Revoltosos. O bispo de Teresina, Dom Severino Melo, foi colocado na “linha risco” indo ao encontro de Prestes, na cidade de Monsenhor Gil, no estado, pedir pessoalmente para não invadir a capital e tentasse resgatar Távora, evitando assim uma carnificina na cidade.

Talvez a atitude mais “patética” tenha sido as encenações dos soldados legalistas. Segundo o literato Higino Cunha (1926), esses protagonizaram atos de “depredação” em Teresina direcionados a alguns prédios públicos da cidade para que a culpa dessas ações recaísse sobre os Revoltosos. Esse ato foi desencadeado por grupos da força de defesa do Estado para que fosse solicitado algum tipo reforço militar para auxiliar nos confrontos (imaginários) que iriam se suceder quando os rebeldes invadissem Teresina, o que de fato não aconteceu:

Em duas noites sucessivas, choveram balas por todo o centro de Theresina, alvejando preferivelmente alguns ediffícios públicos, como o palácio do governo e a Estação Telegraphica, para fazer acreditar que os revoltosos já haviam invadido, quando constava que isso era obra de alguns oficiais (1926, p. 65).

Observa-se pelas colocações feitas acima que esse sentimento de temor foi um fenômeno que tomou conta, dos grupos sociais, sejam eles de condições mais simplórias e até mesmo das elites políticas, tanto em Timon quanto em Teresina, em diferentes episódios, tendo reações variadas, mas que em maioria dos casos demonstrava proporções bem intensas de pleno desconcerto. Porém as sensações que insurgiram nesse espaço traziam, a contraponto, uma condição paradoxal. Isso porque ao mesmo tempo em que eles causavam temor, conseguiam proporcionar outra visão mais próxima da admiração e da estima mediante as camadas populares, o que revela certa “confusão” ideológica, associada às suas imagens.

Se havia uma atitude capaz de contrabalancear o sentimento de intimidação sentido pelas camadas populares, essa atitude sem dúvida era transposta através do auxílio às necessidades do povo promovido através das requisições populares. Essa era uma prática costumeira: tomava-se dos mais aquinhoados e compartilhava-se com os mais destituídos de posse. Essas ações foram comparadas com as atitudes do ladrão-herói medieval Robin Hood11. Juntamente com os noticias de tomada de armas e cavalos encontra-se constantemente o relato de que os Revoltosos sacrificavam animais e os dividiam com os moradores locais que não se intimidavam com suas presenças. Essas ações que ensaiam certo “samaritanismo” também foram registradas, “exprimindo” as reações da comunidade.

Do gado vaccum que abatiam só utilizavam dos quartos dianteiros e o resto distribuíam aos pobres moradores do lugar. A maior parte das mercadorias que saqueavam era também distribuída ao povo, que, por isso, olhava com certa sympathia, misturada de espanto. Preludiavam assim uma espécie de bolchevismo russo (CUNHA, 1926, p. 69).


Ligada a essa posição percebia-se que os rebeldes também primavam por certa disciplina para que de suas atitudes não se refletisse um possível caos ou uma situação mais aguda, assim como também procuravam se precaver de qualquer coisa que pudesse trazer infortúnio em suas estadias, tentando manter a ordem. Esta visão é percebida nos relatos de depoentes, como no caso do Antônio Elias da Cunha, 98 anos, morador do povoado “Barra das Caraíbas”, em que menciona o fato de que aonde os Revoltosos chegavam, os barris de cachaça eram derramados para que as pessoas não bebessem, e desta maneira se pudesse evitar qualquer eventual problema que as pessoas embriagadas pudessem causar aos rebeldes ou mesmo às pessoas que se encontravam presentes. De acordo com o Antônio Elias12

Eles ia prá esses lugá o que num era de acordo deles eles desfazia, se via um barril de cachaça cheio eles derramava pro pessoal num abusá. Eles só num mexia cum ninguém. Quando tinha um mais “apresentado” os encarregado deles dizia: “Olha não é pra mexê cum povo não” e aqui o povo num teve nada... Pois é, o que eu sei é isso eles pegava o que eles queria, mas não mexeram com ninguém (2007).


Outro fator que se levava a alimentar certa simpatia por parte das pessoas transcorria-se em virtude da oposição que se sucedia entre os mandatários dos povoados locais e os rebeldes. Em certos casos, os Revoltosos se apresentavam sobre uma posição bastante incômoda para os grandes proprietários, pois eram sempre os mais prejudicados nos saques que os rebeldes faziam, uma vez que, por terem mais pertences, seria deles que sempre se tiraria mais. Por isso, os coronéis, latifundiários, sempre encontravam em situações desconfortantes nas decisões protagonizadas pelos Rebeldes. O senhor José Basílio Oliveira, 80 anos, relata no fragmento abaixo a visão que lhe foi construída por seu pai sobre essa oposição que insurgia entre os Revoltosos e os mais afeiçoados financeiramente.

...o papai me contava, que diz que eles eram mal pra gente rica, pra gente pobre eles não era não. Eles eram bom pra pobre, pobre que encostasse pra eles, eles faziam o que eles podiam. Agora, com gente rica, diz que eles eram mal (2007).


Esse destemor aos senhores juntamente com os saqueamentos promovidos pelos rebeldes, tinham certo “valor moral” que alimentava os “ânimos” dos moradores. Os Revoltosos adquiriam determinado reconhecimento não apenas pelo caso de assistirem a com os alimentos saqueados das posses dos “ricos” às pessoas pobres necessitadas, mas também porque se atribuía a esse ato uma simbologia que manifestava em sua resultante à oposição, a tenacidade, a sedição, a sublevação e até mesmo ao escárnio declamado pelos rebeldes através da moeda “comum” que se usava nessas localidades – a intimidação – lançada de maneira inversa à ordem vigente.

Através de tais impressões se edificava um condicionamento psicológico paradoxal, onde o temor e apreço resplandeciam conjuntamente aos olhos das pessoas que vivenciaram esse momento de aparição do movimento revolucionário. Todavia, do cerne de ambas as condições se observa o surgimento uma terceira impressão atribuída à figura dos soldados prestistas. Essa impressão resguarda uma conotação bem mais densa. Nela se encontra representada o caráter místico vinculado à corporatura dos dissidentes da Coluna Prestes.

Pode-se recorrer, como um primeiro exemplo, à imagem dos rebeldes associada a um bando que tinha uma espécie de pacto com o demônio. As pessoas procuravam, e viam, anormalidades em suas ações. No povoado Campo Grande, os moradores acreditavam nesse fato em por crerem que onde eles andavam não deixavam pegadas para que não fossem seguidos e quando saíam pela mata fechada, as pessoas não conseguiam encontrar seus rastros no chão.

Ainda embevecidos com esse olhar, davam outras atribuições místicas aos revolucionários, perceptível, por exemplo, no relato sobre o “encanto” o qual acreditavam que os rebeldes estavam submetidos, como no rito enxergado no corte da carne dos animais que eram pegos. Explico: em certos depoimentos, os moradores observavam que todo animal que os Revoltosos sacrificavam sempre tiravam pra si a parte dianteira e doavam a parte traseira para as pessoas. Se não havia exatamente uma explicação “racional” para esse hábito, os moradores rurais trataram de tecer uma lógica imaginária para tal prática, pois acreditavam que eles procediam dessa forma porque a parte da frente representaria andar para frente, (progressivamente) enquanto a parte de trás seria andar para trás (retroceder). Daí a recusa de se alimentar dessa parte do animal. A senhora Manoela Lopes Bispo (92 anos), faz a seguinte menção:

Me lembro que o pessoal dizia que os revoltosos tinha tipo um encanto. Eles só comiam a parte dianteira do gado, não comiam a traseira não. A traseira eles dava pro povo. Podia ser o que for, gado, porco, vaca, eles só comiam a parte da frente. Aí o pessoal dizia é que eles tinham uma ciência de que se comesse a parte de trás eles regrediam e se comesse só a parte da frente eles progrediam, era assim que eles falavam. Aí por isso eles num comiam a traseira de jeito nenhum, num tinha quem fizesse, nem a fome (2005).
Através dessas argúcias, deve-se procurar a existência do “excede” no que é visualizado. Devemos perceber que talvez tenhamos “(...) tropeçado num meio de acesso válido a uma mentalidade estranha. E, quando vencermos a perplexidade e alcançarmos o ponto de vista nativo, deveremos ser capazes de perambular através de seu universo simbólico. (DARTON, 1986, p. 335)”, pois sobre essas atitudes, vistas como triviais ou supersticiosas, residem certas noções que expõem o plano cultural dessas pessoas, guardando determinados elementos e manifestações que dão baliza a essa compreensão.

A marcha por entre a mata fechada, o corte de carne dos animais que capturavam, o lenço vermelho que lhes serviam de adereço. Todos esses detalhes apresentavam-se como símbolos processados ritualisticamente, autenticando emblematizações que se delatavam aos olhos das pessoas como uma manifestação de uma natureza hierofânica. Essa percepção de hierofania traduzia-se como uma espécie de subterfúgio alusivo às figurações pelas quais os rebeldes eram vistos. Figurações essas onde o medo predominava como uma dimensão subjetiva que emanava de “forças” psicossociais, refletindo um sentimento de insegurança que se exprimia em decorrência de suas presenças.

Em virtude de tais concepções se observa nessas atribuições que elas revelavam um misticismo associado ao lado profano, sombrio e ameaçador. Essas sensações eram o núcleo das percepções que fundamentavam as insígnias construídas pelo senso comum aos rebeldes. Porém, o profano e o sagrado fazem parte da cultura local, andam de mãos dadas. Por essa perspectiva, se pode mencionar que as representações eram munidas de certa inversão. A síntese dessa concepção se encontra na simbologia que se constituía através da história de um cemitério onde se encontrava sepultado um membro da Coluna Prestes.

A história do Cemitério do Revoltoso reside no conhecimento dos antigos moradores rurais dos povoados de Timon. Porém, com a volatilidade do tempo as “ciladas” da memória, ele se encontrava plasmado pela incerteza, tornando nebulosa a precisão do lugar onde estava situado. Por isso resolvi percorrer os itinerários diversos que eram cartografados nas conjecturas da imaginação resvalada pelos ecos mnemônicos. Defrontando-me em lugares distantes de sua espacialidade, ia adquirindo conhecimento de outras histórias sobre os rebeldes, as maneiras como eles eram vistos. Percebi que, nem bandidos nem mocinhos, os Revoltosos eram confrontados por ambos os ornatos. Após percorrer os caminhos apontados pelas referências dos entrevistados deparei-me com a indicação do Sr. Antônio José de Sousa13, 76 anos, que mencionou o povoado chamado “Brejo” como o lugar onde o Revoltoso se encontrava enterrado:

Você quer saber onde o revoltoso foi enterrado? É muito fácil é lá no Brejo. Muita gente sabe disso. Lá até tem um pessoal que já foi sepultado lá mesmo nesse cemitério. E o pessoal de lá conhece, é o Cemitério do Revoltoso. É lá na Bacabinha, na sentada do Brejo, fica no outro lado no caminho pra quem vai pro Buriti. Tem um pé de jatobá bem grande, cansei de passar lá e vê a cova do revoltoso (2007).

As menções sobre o cemitério revelam uma feição ligada à sacralidade. A prática que denuncia de maneira substantiva esse aspecto se afigura no fato das pessoas acenderem velas em sua sepultura e realizarem pedidos, obstinados na crença que esse poderia interceder em seu favor. Há relatos de pessoas que se aventuravam em viagens bastante longas de onde moravam para irem fazer pedidos na esperança de que esses pudessem ser ouvidos pelo Revoltoso “milagreiro”. Dentre os depoentes tive a oportunidade de conhecer uma personagem que não só testemunhou essa prática, mas também a promovia. A senhora Maria de Nazaré da Costa Oliveira14, 85 anos, que atualmente mora no povoado Piedade, e cresceu morando no povoado Brejo, relembra em seu testemunho da prática que ela, ainda pequena, costumava fazer junto com outras pessoas prestando reverência ao rebelde sacralizado.

Eu mesmo acendi vela pro revoltoso quando morava lá. Lá ainda hoje tem muita de gente que acende vela pro revoltoso. Eu não acendo mais vela pra ele por que nunca mais fui, mas eu acendia e indo lá eu acendo e a vez eu acendo até por aqui mesmo pelos terreiros debaixo dos pés de arvoredo... Eu não sei o porque do pessoal começou acender, só soube que ele fazia milagre, então nós acendia... (2007).
Através desse ato apologético se constrói uma estrutura perceptiva que relega ao cemitério um caráter dúbio. O plano de sua existência não apenas o delimita a uma lembrança de um determinado evento histórico para a memória local, mas, somada a tal condição, esse monumento memorial se converte em um meio de expressão aos nichos do universo valorativo sobre o qual as crenças, os princípios e os costumes da cultura local se tornam presentes através das aspirações simbólicas que são sobrepostas na potencialidade figurativa desse cemitério. Vê-se nessas práticas a extração de práticas da religiosidade cristã que são tomadas de empréstimo e transladadas para a figura do “rebelde”, do “revoltoso”, do “revoltado”, que tinha como ofício pegar em armas, matar e evitar ser morto. Uma figura ignota que adquiriu um novo sentido, tendo o “significado” de sua trajetória “apagado” e sendo criada outra identidade, carregada de funções e valores para seus criadores. Percebe-se, sobre esse olhar, como o “eu” é importante para a invenção do “outro” e como através do “outro” se enxerga as aspirações do “eu”.

A partir dessa leitura é possível notar como a memória se reelabora e como ela é fértil em moldar sentidos ao ser incitada pelas provocações da imaginação. Através do inconsciente são externalizadas noções que revelam uma posição “singular” e dissonante do que aprendemos a incorporar como nossas certezas, ao tempo que se ergue possibilidades de reinterpretação dos fatos históricos. Ao analisar os relatos que se construíram sobre a imagem dos rebeldes da Coluna Prestes, observei que os olhares lançados pelos moradores locais os dissociavam do caráter pelo qual são reconhecidos historicamente. A imaculada imagem épica que fora afeiçoada no decorrer das narrativas do movimento mostra-se constituídas de determinadas fraturas, denunciando que sobre o movimento se teceram significados diversos.

Talvez tais associações não causem exatamente nenhuma oposição relacionada aos princípios morais ou às causas que impeliram os tenentes rebeldes a desafiarem a ordem vigente e executarem um dos percursos mais lendários que se tem conhecimento em nossa história (o que realmente nunca foi meu empreendimento intelectual). O que procurei questionar foi absolutização dessa visão, mostrar que essas noções não são tão romanceadas quanto soam parecer no decorrer do discurso histórico, pois houve uma reação conflitante e disputada dentro de uma determinada historicidade, sendo que os Revoltosos incorporaram uma carapuça multifacial através do olhar dos moradores locais, convertendo-se, dessa forma, em faces plurais manuseadas sobre as ressonâncias do imaginário.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1Mestrando em História pelo programa de pós-graduação strictu sensu História, Poder e Práticas Sociais, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.

2 Segundo a mitologia grega, Hipno & Orfeu são figuras mitológicas que, respectivamente, representam os deuses do sono e dos sonhos.

3As dissidências oligárquicas as quais me refiro trata-se dos grupos ligados a elite cafeeira que já se destacava no regime do segundo império. Esses grupos, no período republicano, correspondiam a uma pequena fração delimitada às regiões sul-sudeste do Brasil, principalmente os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Sobre o contexto da política oligárquica, consultar: LEAL, Vitor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o coronelismo e o regime representativo no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

4A constantemente nomeação de civis aos cargos que tinham por tradição serem atribuídos aos militares, como o ministério de guerra, da marinha e do exército, além de recusar a autorização dos reparos das perdas salariais sofridas pelos militares devido à exorbitante inflação existente na época, são alguns dos exemplos de algumas das medidas que contribuíram para o sentimento de insatisfação cultivado pelos militares. O estopim do conflito se deu no governo de Artur Bernardes, após o decreto de fechamento do Clube Militar. Para melhor compreensão desse contexto, ver: MEIRELLES, Domingos. As noites das grandes fogueiras: uma história da Coluna Prestes. Record. 1995.


5De acordo com SODRÉ, Nelson W. A Coluna Prestes: análises e depoimentos. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1985, correram vários levantes por diferentes Estados do Brasil em apoio ao levante paulista (Amazonas, Pará, Sergipe, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, etc), no entanto, o do rio grande do sul, foi o único conseguir estabelecer alguma forma de resistência ao seu sufocamento.

6Em: PRESTES. Anita L. A Coluna Prestes. 4a ed. São Paulo: Paz e Terra, 1991. P.421. É possível conferir a reprodução de um trecho da carta enviada por Luís Carlos Prestes a Miguel Costa antes mesmo dos dois destacamentos se encontrarem e formarem a Coluna, já chamando a atenção para a guerra de movimento, o deslocamento contínuo como única forma de resistência às forças legalistas que teriam mais recursos para um conflito localizado.


7Sobre a observação indiciária faço referência a Carlo Ginzburg que patenteou uma clássica discussão metodológica, através da qual abordou brilhantemente o exercício hermenêutico constituído sobre a leitura semiótica, em torno dos indícios. Para maior compreensão do dito “método indiciário” consultar: GINZBURG, Carlo. Raízes: paradigma de um método indiciário. In:________Mitos, emblemas e sinais: morfologia e história. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.


8 Depoimento cedido a Francisco Atanásio na residência do depoente, em 20 de fevereiro de 2005.

9 Depoimento cedido a Francisco Atanásio na residência do depoente, em 10 de junho de 2006.

10 Cinco dias após a efetivação de sua prisão, que se deu no dia 31 de dezembro de 1925, foi transferido para São Luís e de lá foi mandado para o Rio de Janeiro.

11Ver: SOARES, Elisângela. Prestes, Juarez, Siqueira e Legiões rumam para Teresina. In: O Dia, 150 anos de Teresina, Teresina: Jornal o Dia, p.133-135, 2003.

12Depoimento cedido a Francisco Atanásio na residência do depoente, em 20 de janeiro de 2007.

13 Depoimento cedido a Francisco Atanásio na residência do depoente, em 14 de julho de 2007.

14 Depoimento cedido a Francisco Atanásio na residência do depoente, em 10 de janeiro de 2007.


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