Asma brônquica conduta na crise asmática



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ASMA BRÔNQUICA

CONDUTA NA CRISE ASMÁTICA

Classifique a crise aguda utilizando parâmetros clínicos e oximétricos. O médico experiente reconhece o paciente com crise leve ou grave. Mas é mais seguro e confiável usar o escore clínico abaixo delineado, que permite a continuidade assistencial e maior uniformidade quando o paciente é avaliado por mais de um profissional.

PONTUAÇÃO CLÍNICA DA CRISE ASMÁTICA

PARÂMETRO

PONTUAÇÃO




0

1

2

Frequência cardíaca

< 120

120 – 160

> 160

Freqüência respiratória

< 40

40 - 60

> 60

Sibilos

Ausentes

Expiratório

Inspiratório + expiratório

Uso músculos acessórios

Não

Sim

sim, incluindo

supra-esternal



Humor/verbalização

Bom / sem dificuldade para falar

Irritabilidade / consegue dizer frase

Sonolência / fala entrecortada
















CRISE LEVE

  • MENOR QUE 5 PONTOS




CRISE MODERADA

  • ENTRE 5 - 7 PONTOS




CRISE GRAVE

  • ACIMA DE 8 PONTOS

O oximetria é importante para o manejo adequado do episódio agudo. Permite definir os asmáticos com quadros mais graves e hipoxemeados. Atenção para a técnica e interpretação; veja a súmula técnica ao fim do capítulo. Valorize os dados oximétricos da seguinte forma:


INTERPRETAÇÃO DA OXIMETRIA

OXIMETRIA

(% de saturação)



SIGNIFICADO

CRISE ASMÁTICA

acima de 95%

Sem hipóxia

Leve

entre 90 – 95%

Hipóxia leve

Moderada

entre 85 – 90%

Hipóxia moderada

Grave

Serão definidas as orientações para as CRISES ASMÁTICAS LEVES, MODERADAS e GRAVES, no SERVIÇO DE SAÚDE e no DOMICÍLIO.



Crise leve


(pontuação clínica < 5 e oximetria > 95%)

SERVIÇO DE SAÚDE - SALA DE URGÊNCIA:




  • Nebulize com beta2 , ipratrópio e oxigênio. Veja súmula técnica, no fim do capítulo;

  • Indique corticóide, mesmo com crise atual leve, quando houver história de internamento no ano anterior devido à asma. Leia observação sobre o uso desses fármacos na súmula técnica ao fim do capítulo;

  • Acompanhe clinicamente e sempre realize oximetria.

NO DOMICÍLIO:




  • Receite beta2-adrenérgico enquanto houver dispnéia e tosse. Veja a súmula técnica sobre o emprego desses produtos;

  • Prescreva prednisona ou prednisolona para os que necessitarem um desses fármacos na emergência. Se foi ministrada a dexametasona, não receitar a droga ou qualquer outro corticóide para uso em casa. Veja súmula técnica sobre corticoterapia na asma ao fim do capítulo;

  • Informe para oferecer muita água e sucos, mel e lambedor;

  • Oriente para que procurem o pediatra assistente e que voltem ao serviço médico, se o pediatra assistente não foi contatado;

  • Ensine, finalmente, que a asma é doença recidivante e que devem iniciar a medicação agora prescrita nos sinais iniciais da doença (tosse seca, repetitiva), ou que falem com o pediatra assistente, ou que procurem socorro médico, se a criança não estiver bem.



Crise moderada

(pontuação clínica entre 5 e 7 e oximetria entre 90 e 95%)


SERVIÇO DE SAÚDE - SALA DE URGÊNCIA:





  • Use, precocemente, prednisolona ou prednisona por via oral, ou dexametasona intramuscular, se houver vômito, como se descreve na súmula técnica ao fim do capítulo;

  • Prescreva a nebulização com doses do beta2 e ipratrópio, como recomendado no item sobre esta técnica. Use dose maior e até máxima quando já houve crises graves no passado e nos casos em que a dose menor não obteve sucesso. Indique até 3 sessões quando a resposta não for satisfatória;

  • Empregue beta2 ou adrenalina via subcutânea se é um “sacrifício” nebulizar ou há agravamento com a nebulização. Doses dos dois produtos: (0,01 ml/kg/dose; dose máxima = 0,3 ml/dose):

< 1 ano: 0,1 ml

> 1- 4 anos: 0,2 ml

> 5 anos: 0,3 ml

Faça até mais duas aplicações, com intervalos de 15 a 20 minutos, para os que não responderem;



  • Avise o pediatra da família em casos especiais;

  • Observe resposta com escore clínico e saturometria. Em uma hora, após a terceira nebulização, ou no máximo em uma hora e meia, o asmático deve apresentar resposta significante, a ponto de receber alta. Se não há essa resposta esperada, indique a hospitalização;

  • Crise aguda que chegue ao serviço após 22 horas, ponderar seriamente a possibilidade de internamento, pois há risco considerável de agravamento em casa.

DOMICÍLIO:




  • Receite prednisona ou prednisolona, dividida em duas doses (pela manhã e à tardinha) por 3 a 5 dias. Se a dexametasona foi usada, não passar esse ou qualquer corticóide para casa. Cuidados com efeitos colaterais da cortisona e riscos de usá-la em casa, sem controle médico. Veja súmula técnica sobre o emprego desses produtos;

  • Prescreva também broncodilatador por via oral ou inalação (nebulização ou aerossol), se possível. Informe sobre os efeitos colaterais dos beta2.

  • Oriente sobre a importância do contato com o médico acompanhante; informe que as crises mais intensas tendem a se repetir e são danosas, sobre a terapêutica para futura crise e sobre os riscos do uso repetitivo, sem controle dos beta2 e dos corticóides;

  • Recomende que façam contato imediato com médico assistente se aparecer febre, dor de ouvido ou outros dados sugestivos de infecção, ou que voltem ao serviço de saúde;

SERVIÇO DE SAÚDE - INTERNAÇÃO:


A hospitalização está indicada:

  • Quando não há resposta clínica ao tratamento indicado anteriormente. Falta de resposta às nebulizações repetidas com o adrenérgico e a corticoterapia deve alertar o médico, que é obrigado a responder em curto espaço de tempo: o paciente melhorou ou não com o tratamento instituído? Paciente que persiste com escore clínico maior que 5 e com saturometria menor que 85% após duas nebulizações deve ser internado;

  • Antecedentes de episódios sempre resolvidos com hospitalização. Atenção para o paciente que necessitou UTI.

A conduta terapêutica é a seguinte:




  • Faça O2 contínuo, úmido, sob máscara 6 a 8 litros/min, com equipo de nebulização até saturação maior que 92%;

  • Prescreva nebulização com beta2 e ipratrópio (veja doses nesse capítulo) de 4/4 horas. Em casos mais graves, com escore clínico elevado e saturometria menor que 90%, fazer até de hora/hora ou a cada 30 minutos, com as duas drogas, monitorizando o aparecimento de efeitos colaterais;

  • Instale venóclise para veículo e hidratação. Se há sinais de desidratação moderada/grave, utilizar uma solução de SG a 5% e SF (2 para 1), 15ml/kg/hora, até diurese abundante;

  • Infunda metilprednisolona na dose de ataque, de 2 mg/kg IV e depois 1–2 mg/kg/dose a cada 6 horas IV, de 6/6 horas, mesmo que a criança tenha usado outro corticóide anteriormente. Outra opção é a hidrocortisona 5 a 10mg/kg/dose de ataque e após 5mg/kg a cada 6 horas.

  • Monitore a freqüência cardíaca e glicemia (Dextrostix). Hiperglicemia é sinal precoce de intoxicação pelo beta2. Taquicardia de até 200 bpm é tolerável em lactentes e pré-escolares. Nos escolares e adolescentes até 180 bpm. Tremor intenso indica que é momento de parar a nebulização com beta2 adrenérgico por 20 a 30 minutos;

  • Estabeleça contato com pediatra assistente;

  • Prescreva antibiótico se há infecção bacteriana associada. Sinusite ou outra infecção são causas de pobre resposta aos beta2 ou de evolução arrastada;

  • Use aminofilina IV se, após 24 horas de internamento, a resposta ao protocolo anterior não for satisfatória. Dose: 4mg/kg/dose, 6/6 horas, em 20-50 ml de SG 5%, durante 20 a 30 minutos; monitore intoxicação/intolerância a esse fármaco;

  • Controle resposta com clínica e saturometria a cada 1-2 horas. É obrigatório que o asmático mostre importantes sinais de recuperação nessas 1-2 horas. Então, os controles podem acontecer em intervalos maiores.

Dê alta precoce. É esperado que, entre 12 a 24 horas, boa parte dos enfermos possa ser liberada;

  • Prescreva para o domicílio a mesma orientação dada ao portador de crise moderada e grave, que teve alta sem internação.

Crise grave

(pontuação clínica > que 7 e saturometria < que 90%)

SERVIÇO DE SAÚDE SEM UTI – INTERNAÇÃO:





  • Hospitalize a criança;

  • Indique oxigenioterapia contínua;

  • Prescreva nebulização com beta2 e ipratrópio (inicialmente a cada hora) + hidratação venosa + metilprednisolona, como indicado para os asmáticos com crise moderada quando internados. Assim que a saturometria estiver maior que 90%, aumente o intervalo das nebulizações;

  • Avise o pediatra assistente;

  • Monitore com clínica e saturometria a cada 30 minutos, nas primeiras 2 horas de permanência na clínica;

  • Se o enfermo melhorar, seguir a orientação definida no item anterior para clientes hospitalizados;

  • Transfira para hospital equipado com UTI se, após 1 a 2 horas, não houver melhoria significativa, sobretudo, se a saturometria persistir, menor que 90%;

  • Transfira de imediato pacientes com risco elevado de mortalidade, independente do resultado da oximetria. Eles não devem permanecer em unidades de menor poder resolutivo. Devem ser atendidos na sala de emergência, recebendo toda a medicação citada enquanto aguardam transferência.

SERVIÇO DE SAÚDE COM UTI – INTERNAÇÃO:




  • Pacientes de alto risco: crise com cianose no ano anterior; internamento em UTI no último ano; escolar e adolescente com grave desajuste familiar/psicossocial; paciente com algum dos sinais de grave obstrução respiratória: fala entrecortada, sudorese, agitação, irritabilidade, sonolência, dispnéia intensa com pulmão silencioso, acompanhados de saturometria menor que 85%.

  • Remova também para unidade com UTI, quando o cliente estiver internado em unidade sem essa facilidade e houver agravamento e prejuízo importante da oxigenação, sobretudo os que mantêm saturometria menor que 85%, por mais de 2 horas de tratamento vigoroso. Lembre-se que a hipóxia é evento tardio na evolução da crise de asma.



OBSERVAÇÕES IMPORTANTES


  • Agilize o atendimento, dialogue, explique e acalme a família e o paciente. São aspectos essenciais;

  • Lembre que tosse persistente é uma das formas de crise de asma;

  • Na anamnese procure valorizar antecedentes de crise e dados indicativos de gravidade: paciente que chega após 22h, quadro que persiste há mais de dois dias, UTI ou episódio de cianose no último ano, uso de corticóide oral profilático, desajuste familiar/distúrbio psicossocial . Exerça vigilância sobre esses enfermos. Mesmo que o episódio seja leve, que a intervenção seja no início do quadro, é prudente intervir como se fosse crise mais intensa, sobretudo com corticoterapia precoce e monitoramento mais próximo;

  • Avalie se há obstrução importante. Tórax silencioso com dispnéia grave e/ou entrecortar palavras indicam isso. Queda de mais de 40% no paciente que usa peak-flow em casa também indica essa condição;

  • Desencoraje o uso persistente e sem controle de remédios broncodilatadores. Além de poder agravar a asma há aumento dos riscos;

  • Elimine causas de resistência à terapêutica: desidratação, infecção bacteriana secundária, dificuldade emocional, outro diagnóstico (corpo estranho?);

  • Indique adrenalina se há urticária, edema de Quincke , laringite ou outro sinal sistêmico de anafilaxia. É droga salvadora. Ver capítulo próprio;

  • Mantenha os corticóides inalatórios durante a crise aguda de asma. Alguns até recomendam duplicar a dose, mesmo em uso do corticóide oral ou venoso, se o paciente está internado;

  • Pense que o salmeterol e o formoterol, beta2 de vida média longa, parecem não interferir na resposta aos beta2 de vida média curta quando há exacerbação aguda. Mesmo assim, vigiar mais de perto os efeitos colaterais;

  • Não indique corticóide por via parenteral de rotina. O uso oral e sistêmico de um desses fármacos parece ser semelhante. Use a via oral. Pacientes com crises de asma podem ter dificuldades em usar as bombinhas de aerossol.


CONDUTAS EM ESTUDO


  • Sulfato de magnésio a 10% - 0,25ml/kg/dose (máximo de 20 ml) diluído em igual volume de SF por 30 minutos - parece que pode ser benéfico e seguro nos pacientes graves, com monitorização da freqüência cardíaca;

  • Aerossol com beta2 adrenérgico (bombinha) na urgência com câmera espaçadora em adolescentes, 6 a 8 jatos, de salbutamol começa a ser utilizado;

  • Levalbuterol ou salbutamol levógiro - apresenta menos efeitos colaterais e acumulativos e já está disponível nos Estados Unidos;

  • Uso de formoterol nas crises - existem alguns trabalhos que sugerem benefícios desta droga, mas ainda são necessárias evidências consistentes, bem como adequada avaliação dos efeitos colaterais e de possibilidade da crise tornar-se refratária, nos casos de falência desta abordagem;

  • Corticóide inalatório na crise de asma: vamos aguardar mais evidências.

CONDUTAS SEM SUPORTE CIENTÍFICO


  • Prescrever simultaneamente beta 2 por via inalatória e oral;

  • Receitar expectorantes, mucolíticos, e antitussígenos;

  • Utilizar aminofilina nas primeiras 24 horas de crise de asma;

  • Empregar aminofilina, mucolíticos, cortisona e outros produtos na nebulização;

  • Indicar furosemide - por via venosa ou inalatória.


EXPERIÊNCIA DOS MAIS VIVIDOS
Acredite na informação de que o cliente agravou com determinado beta2 adrenérgico. Lembre-se que pode haver resposta paradoxal a uma determinada droga em determinado paciente.

Pode ser vantajoso aumentar a dose do beta2 adrenérgico em criança que está muito dispnéica. A dose pode chegar a 1gota/2 kg e até mesmo para 1 gota/kg, desde que sejam monitorizados os efeitos colaterais.

Pacientes que chegam ao serviço após 22 horas, pelo próprio ritmo circadiano, apresentam risco elevado de agravamento na madrugada. Cuidado com esses casos.

Não deixe ter oxigênio em casa – neurotiza , complica e perde-se a oportunidade de avaliação médica precoce.

O pulso paradoxal fornece informações importantes sobre a gravidade da crise. Deve ser usado sempre que possível e especialmente no serviço que dispõe de tensiômetro com coluna de mercúrio.

MANEJO DA INTERCRISE - PROFILAXIA




  • É responsabilidade do médico assistente;

  • Mas cabe ao plantonista uma importante tarefa. Ele deve identificar os asmáticos mais graves, os que estão apresentando crises agudas freqüentes, os que apresentam intercrise sintomática, os que estão consumindo drogas anti-asmáticas constantemente, os que têm crises intensas e hipoxemiantes, os que apresentam deformidade torácica, e alertar os familiares sobre isso;

  • Deve enviar relatório ao pediatra assistente e mesmo fazer contato direto para alertar sobre o assunto.


SÚMULA TÉCNICA

NEBULIZADORES:

No Domicílio
O nebulizador indicado é o de jato, do compressor (do motorzinho) e não o ultrassônico. Fale com os familiares sobre isso e que antes de comprar, testem, ainda na loja, se o aparelho consome 3 ml de SF em 6 a 8 minutos. Em mais tempo não serve. Há boas marcas – Nevoni, NS, Nebular. Oriente também que periodicamente façam o mesmo teste no aparelho. Se não consome os 3 ml em 6-8 minutos, o aparelhinho está "cansado", precisando reparo.

No Serviço de saúde

A nebulização é o método mais eficiente para medicar crianças em crise asmática; no serviço de saúde deve ser realizada através do fluxo de oxigênio (6-8 litros/minuto), que fornece uma névoa com velocidade e volume de partículas satisfatórios.



NEBULIZAÇÃO



BETA2 ADRENÉRGICO

1-3 gotas/kg *

BROMETO DE IPRATRÓPIO

o duplo de gotas do beta2*

SORO FISIOLÓGICO(temperatura ambiente)

2 a 3 ml

OXIGÊNIO

6 a 8 litros/min

* Dose máxima = 20 gotas

Dados técnicos importantes:


  • Na crise asmática aguda, a nebulização deve sempre ser feita com oxigênio (6-8 l/min);

  • O bocal, em crianças maiores de 3 anos ou nas menores que colaboram, aumenta o aproveitamento dos fármacos. Estimule e fiscalize o uso pois é bem mais efetivo que a máscara;

  • A máscara deve estar colada à face pois distância maior de 1 cm diminui a disponibilidade das drogas em 50%. Quando possível, oriente para pinçar o nariz e respirar com a boca aberta. Retire a chupeta;

  • O choro não contra-indica nebulização. Mas crianças extremamente rebeldes, onde o método implica em sofrimento, devem ser medicadas por outra via;

  • Enfatize sobre o soro fisiológico. Há muitos erros. Fale que é SF (o salgadinho) e não o glicosado (o docinho) e que a água pura pode agravar a asma. Oriente que não é o SF com benzalcônio, que vem em frascos menores e é usado para lavar lentes de contato. O soro fisiológico pode ser guardado na porta do refrigerador por uma semana. A cada dia, pela manhã, oriente para que retirem a quantidade que vai ser utilizada (em torno de 20 ml) e deixem em frasco limpo e fechado, à temperatura ambiente;

  • A nebulização deve ser preparada em casa, por pessoa de total confiança, que saiba medir precisamente o SF (seringa) e as gotas dos fármacos. Diluir em 2-3 ml de SF;

  • Já há o aproveitamento dos fármacos com apenas 6 minutos de nebulização. A demora irrita o paciente e aumenta o consumo desnecessário de oxigênio;

  • A nebulização apenas com SF não atua no mecanismo fisiopatológico da asma;

  • Algumas drogas, por via inalatória, agravam o quadro. Acredite na informação materna. Não recomende a nebulização, nem prossiga nesses casos. Substitua o beta-adrenérgico. Em crise leve usar VO.

  • Em criança pequena, a dose mínima do salbutamol é de 5 gotas.


BETA2 ADRENÉRGICOS
São drogas extraordinariamente potentes e importantes na medicina moderna. São a terapêutica básica na crise asmática aguda e também usadas em alguns programas profiláticos.
Observe alguns detalhes técnicos do uso desses produtos:

  • A via oral garante excelente e rápida absorção. Assim, estão indicados para tratamento domiciliar das crises leves quando a via inalatória (inalador ou nebulizador) não está disponível. O preço é outro aspecto que favorece o emprego oral desses produtos.

Mas atenção:



  • Como são muito potentes, os efeitos colaterais podem ser importantes. O adulto deve ser instruído sobre isso, sobre a medição exata da quantidade a ser dada, sobre a não repetição se a criança vomita e sobre o risco de ingestão acidental de grande volume. O remédio deve ser guardado em local seguro;

  • Para uso domiciliar, a dose terapêutica deve ser a mínima:

Salbutamol: 0,5 - 1ml / kg / dia dose máxima = 20ml / dia

Fenoterol pediátrico : 1ml / kg / dia dose máxima = 40ml / dia



Terbutalina: 0,5 - 1ml / kg / dia dose máxima = 20ml / dia


  • A nebulização com o beta2adrenérgico é o aspecto mais importante no manejo da crise no serviço de saúde. A dose varia de 50 a 150 microgramas por kg/dose ou 1gt/3kg até 1gt/kg por dose. Prescreva a menor dose. Há benefício em aumentar a dose em alguns pacientes com crise mais grave. Nestes pacientes existem algumas evidências que o beta2 preferido deve ser o salbutamol;

  • A freqüência máxima dos beta2adrenérgicos é avaliada pela gravidade e monitorização adequada do paciente. Há relatos de nebulização contínua por 12 – 24 horas sem nenhum problema em crianças e adolescentes. Portanto, pode-se nebulizar a cada 10- 15 minutos de intervalo, várias vezes, até o paciente melhorar, mas sempre monitorizando freqüência cardíaca, tensão arterial, acentuação do tremor de extremidades, náuseas, vômitos e palidez, que podem ser indícios de intoxicação aguda iminente. A avaliação da glicemia, acompanhando pelo Dextrotix ou glicofita, é um método simples e de baixo custo para detectar precocemente níveis séricos de risco. Em pacientes com uso dos beta2adrenérgicos inúmeras vezes ao dia é prudente realizar monitorização sangüínea e suplementação de potássio na venóclise de manutenção;

  • A associação com anticolinérgico pode ser vantajosa, em alguns pacientes nos serviços de saúde, pois há evidências que pode diminuir a taxa de internação e gravidade da crise;

  • Por via subcutânea, são úteis nos casos mais graves, em que há angústia intensa frente à nebulização;

  • Em aerossóis (bombinhas) acoplados a espaçadores são úteis para término do tratamento em casa, nos pacientes familiarizados. Na dose 2 jatos até 4 vezes/dia, podem substituir a nebulização com vantagem especialmente nos escolares e adolescentes;

  • Descreva os efeitos colaterais mais comuns: tremor, taquicardia, irritabilidade e insônia. Mas tranqüilize a família, enfatizando que a moderna medicina conhece muitíssimo bem esses remédios, que são usados em todo o mundo, que a crise de asma é muito danosa e que o uso adequado dos remédios, com controle cuidadoso, é benéfico.

  • O tempo de uso no domicílio é até a tosse e a dispnéia cessarem, não precisando ser estabelecido em 5 ou 7 dias.


CORTICÓIDES:
Essenciais nas formas mais significativas da crise asmática, são a mais Importante medicação na profilaxia da enfermidade. Observe os seguintes aspectos técnicos sobre a prescrição desses produtos na crise asmática:


  • Indique de imediato, quando o paciente chega ao serviço nas seguintes condições: crise asmática moderada ou grave; crise leve, se há antecedentes de crise grave com hospitalização; crise leve, quando o enfermo usa corretamente o beta2 por mais de 24 horas e os sintomas continuam;

  • Prescreva após uso do broncodilatador, no serviço de saúde, se não houver resposta importante após a terceira aplicação do beta2, por via inalatória ou subcutânea. A via oral é tão eficiente quanto a parenteral. Prefira a primeira. Use um dos corticóides abaixo:

Prednisona comprimidos: 1- 2 mg/kg/dose.

Prednisolona suspensão: 1- 2 mg/kg/dose.

Indique a via intramuscular se o enfermo vomita ou não aceita medicação via oral.

Dexametasona - 0,2- 0,4 mg/kg/dose.

Nos hospitalizados, indique a via intra-venosa: Metilprednisolona – dose de ataque 2mg/kg e depois 1-2 mg/kg/dose a cada 6 horas, mesmo que a criança tenha usado outro corticóide anteriormente; por ter escassa ação mineralocorticóide atualmente é preferida. Quando apenas a hidrocortisona for disponível utilize-a na dose de ataque: 5-10 mg/kg/dose IV e depois 5 mg/kg/dose IV de 6/6 horas;


  • Mantenha a corticoterapia no domicílio para os pacientes que usaram estes remédios no serviço de saúde: prednisona ou prednisolona, dose antes dita, duas vezes ao dia, pela manhã e tarde. O tempo total do uso de corticóides deve ser em torno de 3 a 5 dias. Esta medida reduz a recaída da crise de asma na maioria dos pacientes. A suspensão deve ser abrupta, para qualquer desses produtos;

  • Os que receberam dexametasona na clínica: não receitar esse corticóide, nem outro qualquer; face à vida média longa do fármaco.


OXIMETRIA DE PULSO

Essencial em todo departamento de urgência moderno. Deve ser realizada em toda criança com crise asmática, mesmo leve. No episódio moderado e grave é fundamental. Ajuda na classificação inicial do episódio de asma (ver início do capítulo) e na avaliação do tratamento. Sobretudo por ser método objetivo, menos sujeito a variações que a interpretação clínica, auxilia de forma marcante na tomada de decisões.

Mas, há detalhes importantes sobre o uso :


  • Realize o exame em sala com adequada iluminação e procure fazer com que a criança fique o mais relaxada possível e em posição confortável;

  • Interprete com critério os resultados discrepantes – pode ser erro de leitura do oxímetro. Repita a aferição. Valorize a clínica;

  • Observe que após beta2 inalado, a saturometria pode cair de 4-10 mmHg por alterações na relação ventilação/ perfusão.


PEAK - FLOW

Apenas faz sentido utilizar na emergência nos maiores de 6 anos, que fazem uso do aparelho na intercrise, por indicação do médico acompanhante e que já utilizam este procedimento em casa. Pode fornecer uma idéia do quadro obstrutivo na crise atual.




AVALIAÇÃO DA OBSTRUÇÃO PELO PEAK-FLOW


CLASSIFICAÇÃO DA CRISE

VALOR DO PEAK-FLOW

LEVE

60-80% DO HABITUAL

MODERADA

50-60% DO HABITUAL

GRAVE

<50 % DO HABITUAL


A recomendação de utilização de peak-flow em casa fica reservada para os pacientes com quadro grave e com sintomas entre as crises. É medida a ser indicada em casos selecionados e sempre tarefa do médico assistente.

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