Assembleia paroquial



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Paróquia da Matriz de São Sebastião

Ponta Delgada



ASSEMBLEIA PAROQUIAL

Relatório Final

Ponta Delgada 29 de Setembro de 2007
Aos 29 dias do mês de Setembro do ano de 2007, reuniu-se a comunidade cristã da Paróquia da Matriz de São Sebastião, da Cidade de Ponta Delgada, sob a orientação do seu Reverendo Pároco, Padre Nemésio Medeiros.

A Assembleia Paroquial realizou-se no Centro Pastoral da Senhora das Merçês, nos Bairros Novos, entre as 15 e as 19 horas, com a seguinte ordem de trabalhos:

1. Cântico de entrada e abertura dos trabalhos;

2. Apresentação do tema em reflexão - “Ser discípulo de Jesus hoje” - pelo Padre José Constância;

3. Reunião de grupos;

4. Plenário;

5. Preparação da Eucaristia;

6. Eucaristia e encerramento dos trabalhos.


1. Após o cântico de entrada, o Reverendo Pároco, Padre Nemésio Medeiros, deu como abertos os trabalhos da Assembleia Paroquial.
2. O Padre José Constância iniciou a sua reflexão enaltecendo a comunidade paroquial da Matriz de São Sebastião pela realização desta assembleia pastoral e paroquial no início do ano pastoral de 2007, focando, ainda, o papel fundamental desta paróquia pela sua posição central na Ouvidoria e na Zona Pastoral de Ponta Delgada.

Referindo-se ao tema em reflexão - “Ser discípulo de Jesus hoje”, o Padre José Constância focou quatro etapas fundamentais para a sua concretização: 1) o seguimento de Jesus de Nazaré; 2) «crer» para «ver»; 3) o seguimento de Jesus em comunidade e 4) o apostolado.


Discípulo é aquele que segue alguém, referiu o Padre José Constância, e para se seguir alguém é fundamental conhecer essas pessoa. Só pode seguir Jesus Cristo quem O conhecer profundamente. Citando o Evangelho segundo São João, Jesus, em resposta à pergunta dos discípulos “Onde é que moras?”, responde “Venham ver.”. Jesus convida-nos a segui-Lo e a descobri-Lo.

O Padre José Constância colocou-nos a seguinte questão: «Ver» para «Crer» ou «Crer» para «Ver»? Segundo o orador, o conhecimento de Cristo realiza-se na intimidade do amor a Ele. Devemos seguir um caminho espiritual de intimidade, alimentando a nossa fé na Vida, Palavra e Eucaristia de Jesus Cristo.

Foi também salientada a importância da fé comunitária. Um discípulo de Jesus deve sê-lo em comunidade, partindo do seu núcleo fundamental, a família, até à paróquia e diocese. Sem a comunhão dos discípulos de Cristo a comunidade paroquial corre o risco de se transformar numa comunidade prestadora de serviços religiosos.

O caminho do Discipulado, segundo o Padre José Constância, só termina no Apostolado. Através das Suas palavras - «Ide e fazei discípulos» - Cristo convida-nos a ser seus discípulos e missionários para sempre. Por outro lado, o Padre José Constância, alertou para a dificuldade em evangelizar hoje, apontando como principais razões para esse facto o pessimismo generalizado e a impossibilidade de o Homem a realizar por si só, pois a evangelização é uma obra Divina.

Para responder à questão “Como propor e transmitir a fé hoje?” o Padre José Constância apontou o caminho recorrendo às principais orientações diocesanas de pastoral asseguir indicadas:

- A Diocese como Igreja Local, Comunhão – participação a partir da Eucaristia tem como tarefa propor e transmitir a Fé (evangelizar).

- Para transmitir a Fé é necessário, em primeiro lugar, conhecer a realidade humana e social das nossas paróquias.

- É importante um trabalho de conjunto e corresponsável com e nos Conselhos Pastorais.

- Todo o trabalho deve ser realizado em atitude formativa com iniciativas no âmbito da formação para darmos razões da nossa esperança e saber transmitir a Fé hoje.
- Trabalho concertado em Paróquia, em Zona Pastoral, em Ouvidoria, na Ilha e na Diocese.

3. Após a apresentação do Padre José Constância, foram constituídos vários grupos, para reflexão sobre o tema, tendo como ponto de partida o questionário que se encontra em anexo (Anexo 1).
4. Após ampla reflexão, os diferentes grupos apresentaram as suas considerações e respostas ao questionário que a seguir se transcrevem:
Grupo dos Acólitos e Ministros Extraordinários da Comunhão

Questão 1 - “A realidade e o ambiente na paróquia continua a mesma, não houve renovação das pessoas activas na paróquia. Falta de disponibilidade, desinteresse e motivação por parte das pessoas.

Para saber se há muitos pobres devia haver um responsável por rua para podermos conhecer a realidade da nossa paróquia, logo é nos difícil definir a quantidade.

Os jovens têm de ser ouvidos porque não sendo afastam-se da igreja. Propor mas não impor (ex: o ir à missa).

Estas respostas reflectem a realidade da freguesia de residência mas não da freguesia onde se realiza a prática religiosa.”



Questão 2 - “Há uma preocupação grande com o que se passa dia a dia, pois muitos dos problemas vão influenciar o nosso viver.

Enquanto não houver um conhecimento profundo da comunidade, não se pode definir esta realidade. Porque não somos residentes na paróquia da Matriz.”



Questão 3 - “Levantamento das necessidades que a comunidade da Matriz de Ponta Delgada tem em todas as vertentes: sociais, humanas e espirituais.

Dinamizar as eucaristias conforme as necessidades da comunidade. “


Grupo Sócio-Caritativo

Questão 1 – “ A realidade e o ambiente da freguesia constata-se o seguinte: é uma freguesia dispersa e abrangente. Dispersa para além do centro histórico, abrangente porque acolhe paroquianos de outras freguesias e paróquias, prestando serviços em vários sectores (ex: creches, catequeses, confissões, baptismos).

O maior problema é a falta de colaboradores para prestar os respectivos serviços.

Alguns casais, com novas realidades de pobreza, tais como o super-endividamento, sem hipóteses de cumprir com os seus compromissos e vivem com muitas dificuldades. Os idosos com reformas pequenas, com despesas de medicamentos, pouco lhes restam para alimentação condigna. Advindo daí a solidão e o abandono, devido aos afazeres dos filhos e da restante família.

Várias creches, lares de idosos, movimentos de apoio social (ex. vicentino).

Acolhimento aos paroquianos de fora da Matriz, com prestação de vários serviços.

O que se faz tem um interesse relativo, pois a maioria só se interessa pelo que lhes convém. Os voluntários são sempre os mesmos para os vários serviços, talvez por falta de motivação e orientação.”



Questão 2- “Nós grupo preocupamo-nos e queremos fazer cada vez mais e melhor, no entanto, a comunidade paroquial em geral alheia-se porque não está motivada.

No campo das pobreza, ajudar os sem abrigo e os demais pobres dentro das possibilidades, tendo em atenção o apoio social e espiritual.

Devemos estar atentos ao meio que nos rodeia para captar atenção dos jovens para estas realidades.

No plano cultural e político devemos participar naquilo que a sociedade nos exige.

Em relação às drogas e ao alcoolismo devemos estar atentos e rezar muito a Deus porque sem ele nada conseguiremos fazer.”

Questão 3- “Para finalizar o mal do mundo é a falta de princípios na sociedade e ter sido perdido o sentido de deus”.
Grupo Coral da Matriz

Questão 1 – “Estamos inseridos numa paróquia citadina, em que os problemas sociais são os iguais em todas as outras paróquias de cidades cosmopolitas. Estaticamente existem 750 famílias que são residentes na paróquia, o que significa que grande parte da população da freguesia é não residente, sendo apenas trabalhadora neste local. Esta é essencialmente uma paróquia de trabalho.

Das famílias residentes haverá aproximadamente 10% de famílias necessitadas, que vivem no limiar da pobreza. Esta pobreza concentra-se em determinadas zonas, nomeadamente, na zona da Arquinha e na Canáda do Arrieiro.

Estas são as zonas de mais problemáticas da paróquia, onde deve haver uma maior intervenção.

Na paróquia actual, a maior percentagem de residentes são idosos, com média de 50 anos; a grande maioria dos jovens que frequenta a paróquia não é residente.

A participação dos jovens não é tanta como se desejava, a maioria é indiferente aos problemas que afectam a comunidade, talvez por não se sentirem ligados à paróquia.

O melhor da paróquia é os próprios paroquianos, que residem na paróquia e que se preocupam e contribuem para melhorar o local da paróquia. Embora interessados nem sempre são muito participativos nas questões relacionados com a paróquia.”



Questão 2 – “De modo geral, a população do nosso meio preocupa-se com os problemas reais, os paroquianos dão apoio social através de estruturas organizadas, como as vicentinas, pastoral social, apoio espiritual, contribuição financeira, caritas, etc., de forma a minimizar todos os problemas sociais. Por outro lado, também participam em movimentos litúrgicos, em concertos religiosos, etc.”

Questão 3 – “Criação de infra-estruturas de apoio às pessoas idosas, nomeadamente através da construção de um Centro de dia (nos Bairros Novos). Apoiar as famílias mais carenciadas para que os problemas de insegurança possam diminuir.

Através do exemplo de cada um de nós nos nossos locais de profissão, na família e na paróquia.”


Grupo de Catequistas

Questão 1 – “A paróquia está inserida numa Freguesia muito comercial e de prestação de serviços. Tornando-se difícil de sinalizá-la. Há muito pouca abertura, é individualista, fechada e pouco social.

O maior problema existe em casa no ambiente familiar.

A verdadeira pobreza é a pobreza envergonhada e também a pobreza de espírito.

A estrutura da freguesia é humana e social.

Existe interesse e participação dos paroquianos embora não haja participação como se desejava.”
Questão 2 – “Qualquer pessoa deve denunciar ou dar a conhecer a situação aos respectivos serviços.

Desafia-nos a fazer como o Bom Samaritano.”



Questão 3 – “Formação catequética.

Dar testemunho verdadeiro, ser firme na Fé, com acolhimento e amor, elucidar nos critérios de valores. Ser discípulo para depois ser apóstolo.”


Grupo de Jovens

Questão 1 – “Consideramos que a nossa paróquia tem poucos cidadãos residentes, tornando-a realidade diurna diferente da realidade nocturna.

De dia são os sem abrigo e os necessitados de rua, à noite é o consumo excessivo de álcool e droga por parte da juventude e não só, e os locais de prostituição.

Existe pobreza.

Os jovens procuram prazer, diversão, desafio e preocupam-se com a vida académica. Esta preocupação tem a ver com a competitividade o que acaba por influenciar a relação entre as pessoas. Há uma grande preocupação em integrar cada vez mais cedo os jovens na sociedade.

Os idosos, alguns isolam-se por opção, outros são afastados da vida activa da sociedade porque esta não se preocupa em valorizar o seu conhecimento nem a integrar a sua vivência na das outras gerações como uma mais-valia.

Grupos de jovens, como por exemplo, os escuteiros e grupos de desporto.

O que se faz tem interesse e participação dos paroquianos.”

Questão 2 – “Não nos preocupamos com os problemas dos outros, a sociedade jovem está cada vez mais egocêntrica. Os jovens estão mais presentes na área do lazer do que na área sócio-caritativa.

Há os que aderem e os que não aderem, mas regra geral os jovens não investem em soluções para estes problemas.

O maior desafio é encontrar jovens com coragem e audácia suficiente para se associarem e em conjunto combaterem estes problemas.”

Questão 3 – “Em primeiro lugar sensibilizar as pessoas para os problemas existentes e incentivá-las a cooperar na resolução dos mesmos.

O melhor caminho é o dinamismo.”


Estas contribuições foram lidas durante o plenário e representam preciosos indicadores da sensibilidade da comunidade paroquial para com a Paróquia aonde estão inseridos.
5. Após o plenário destinado a divulgar e a debater as diversas questões relacionadas com o tema já referenciado a Assembleia Paroquial foi encerrada com a Celebração da Eucaristia.

ANEXO 1

Questionário para o trabalho dos grupos
1. Análise da realidade humana e social da nossa Paróquia

1 – Como classificamos em geral a realidade e o ambiente da nossa freguesia?

Dentro dos principais problemas qual é o maior?

Existem muitos pobres? Como vivem os jovens e os idosos?

O que existe de melhor no lugar da freguesia onde vivemos?

O que se faz tem o interesse ea participação do povo?


2. Presença e qualidade cristã nas realidades da vida do nosso meio

1 – Nós cristãos–católicos e todos os outros, preocupamo-nos com os problemas reais do dia-a-dia? De que maneiras?

Como estamos presentes e como actuamos no campo das pobrezas, da cultura, dos lazeres e da política? O que fazemos perante problemas como: droga, alcoolismo, desemprego, pobreza, prostituçã0, violência-insegurança?

2 – Quais os principais desafios que encontramos ao ver e ao compreender a realidade humana e social da nossa paróquia?


3. Compromisso Social. Propostas concretas

1 – Segundo os problemas apresentados e desafios encontrados, o que achas quedevia ser feito?



2 – Qual o melhor caminho para propor a transmitir a fé hoje na nossa paróquia da matriz?




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