AssociaçÃo brasileira para o estudo da psicologia psicanalítica do self



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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA PSICOLOGIA PSICANALÍTICA DO SELF




Contextualizando a psicologia do self e a psicanálise relacional



Influência bidirecional e sínteses propostas ( 2003 )
James L. Fosshage, Ph. D.

Tradução: Pedro Henrique Bernardes Rondon
Este artigo é escrito em resposta a um convite para participar de um simpósio que tratava do impacto que a psicanálise relacional tem tido sobre outras tradições psicanalíticas e, especificamente quanto a mim mesmo, sobre a psicologia do self. É claro que esta é uma questão extremamente complexa e difícil – ainda mais porque o desenvolvimento da psicanálise relacional e a evolução contínua da psicologia do self têm-se dado numa mesma linha de tempo. Conquanto possamos focalizar as correspondências e as diferenças entre a teoria relacional e as teorias contemporâneas da psicologia do self, é provável que a influência seja bidirecional e, portanto, muito difícil de avaliar. Uma vez que a psicologia do self clássica precede a psicanálise relacional, isso naturalmente conduz à questão inversa: como foi que a psicologia do self de Kohut contribuiu para o desenvolvimento da psicanálise relacional?

O que é “psicanálise relacional”? Greenberg e Mitchell (1983) apresentaram pela primeira vez o termo para definir um desvio fundamental que ocorreu no campo da psicanálise, evidenciado na similaridade conceitual entre uma quantidade de teorias contemporâneas que se afastavam radicalmente do modelo de pulsão/estrutura. Em contraste com os modelos de pulsão/estrutura em que as pulsões têm papel central na vida psicológica, as teorias relacionais postulam que “as relações com os outros constituem os blocos fundamentais na construção da vida mental” (p. 3). Simultaneamente e independentemente, Atwood e Stolorow (1984) apresentaram o seu conceito de intersubjetividade para designar os campos intersubjetivos que são formados pelas interseções de duas ou mais subjetividades. Os campos intersubjetivo e relacional são conceitos equivalentes, ambos apreendem a situação de o indivíduo estar engastado num campo intersubjetivo ou relacional (matriz). Em contraste com o modelo clássico com sua ênfase constitucional (pulsões) e intrapsíquica, os modelos relacional e intersubjetivo postulam que o desenvolvimento psicológico normal e patológico, a transferência e a ação terapêutica, todos emergem dentro de sistemas interativos relacionais, e são afetados por estes (Beebe, Jaffe & Lachmann, 1992; Fosshage, 1992, 1995a; Greenberg, 1995). Esse desvio paradigmático continuado do modelo intrapsíquico para os modelos do campo relacional, em parte ancora-se numa segunda mudança de paradigma, da ciência positivista para a ciência relativista, ou do objetivismo para o construtivismo (Hoffman, 1998). A descoberta experimental básica na física das partículas, formulada no Princípio da Incerteza de Heisenberg, é que o ato da observação influencia aquilo que é observado. Essa descoberta instigou uma nova conceituação da teoria de campo, aplicada às ciências de modo geral, na qual observador e observado são vistos como influenciando-se interacionalmente um ao outro, e não como funcionando independentemente. Um grande número de teóricos de um lado a outro da psicanálise têm estado contribuindo para essas mudanças de paradigma com profundas ramificações para nossa compreensão e nossa participação no palco psicanalítico.

O termo “psicanálise relacional” veio a ser empregado com dois significados distintos. Primeiro, psicanálise relacional, conforme foi cunhado pela primeira vez por Greenberg e Mitchell (1983), é amplamente usado para indicar um grupo de abordagens psicanalíticas que são essencialmente relacionais, como está definido acima, e inclui a teoria interpessoal, as relações objetais, a psicologia do self, a teoria da intersubjetividade, e diversas integrações. Segundo, em seguida à publicação de Relational Concepts in Psychoanalysis (1988), o termo Psicanálise Relacional (as letras maiúsculas serão usadas para denotar este significado) é utilizado de maneira mais estrita (e algo desconcertante) para indicar as contribuições clínicas e teóricas que provêm de dentro de um grupo relativamente coeso de psicanalistas principalmente norte-americanos. Esses teóricos foram influenciados especialmente pelas teorias de relações objetais, pela teoria interpessoal, e pelas teorias feministas. Para alguns (por exemplo Aron, 1996; Ghent, 1990) a psicologia do self também foi apontada como tendo tido sua influência. Dentre os autores fundamentais (esta lista não está completa) contam-se Stephen Mitchell, Jay Greenberg, Neil Altman, Lewis Aron, Jessica Benjamin, Philip Bromberg, Jody Davies, Muriel Dimen, Emmanuel Ghent, Adrienne Harris, Irwin Hoffman, Stuart Pizer, Charles Spezzano, e Donnel Stern.

Saber se a psicologia do self é ou não um modelo relacional, é algo que tem sido objeto de considerável discussão. Aron (1996) sugere que “cada uma das abordagens relacionais mais populares hoje em dia começou como uma psicologia de uma-pessoa” e não como “psicologias de duas-pessoas, plenamente desenvolvidas” (p. 53). Isto certamente é verdade acerca da psicologia do self. Surgindo a partir de uma tradição clássica, inicialmente Kohut fundamentou suas formulações de self e selfobjeto na teoria da pulsão e da energia. Conquanto retivesse o modelo freudiano de pulsão/estrutura, ele propunha uma segunda libido, uma libido narcísica, e uma linha complementar de desenvolvimento para o narcisismo. Com base na obra de Kohut anterior a 1982, Greenberg e Mitchell avaliaram o modelo kohutiano como sendo “um modelo misto”, uma vez que continha igualmente aspectos relacionais e aspectos da pulsão. Entretanto, Kohut era um teórico em transição, e com seu último livro, How Does Analysis Cure? (1984), ao desenvolver uma teoria abrangente de psicologia do self, ele se desprendeu totalmente da teoria da pulsão, a não ser por uns poucos aspectos remanescentes.

Transitando para fora da psicanálise clássica, Kohut e os psicólogos do self clássicos de fato tomavam muito cuidado para não verem a psicologia do self como um modelo relacional, ou um modelo de duas-pessoas (Goldberg, 1986a, 1986b). Para Kohut, “relacional” significava psicanálise interpessoal, com todas as conotações de ser apenas uma psicanálise social (Bacal & Newman, 1990) – isto é, focalizando exclusivamente interações interpessoais externamente aparentes. Os autores Relacionais norte-americanos tendiam a ver a psicologia do self, especialmente em sua forma mais inicial ou “clássica”, como um modelo misto e não como um modelo relacional plenamente desenvolvido. Sua argumentação centrava-se em 3 fatores: (1) a presença de conceituações relacionadas às pulsões nas primeiras teorias de Kohut; (2) a ênfase que ele colocava nos fatores constitucionais; (3) seu conceito de selfobjeto, que é interpretado como antes referindo-se a obter do outro uma capacidade funcional, do que refletindo um relacionamento diádico com um outro separado.

No meu modo de ver, a teoria da psicologia do self de Kohut mais plenamente desenvolvida é um modelo relacional (Fosshage, 1992). Todos os modelos relacionais postulam fatores constitucionais – que variam em termos de grau e de conteúdo. Kohut postulou que o fator constitucional nuclear é um self esforçando-se para “cumprir seu programa nuclear” (isto é, um modelo motivacional de auto-realização e um programa do self) (Kohut, 1984, p. 42). Embora os teóricos Relacionais norte-americanos admitam a importância da biologia (Mitchell, 1988), a descrição que fazem dos fatores constitucionais é mais limitada, centrada em esforços fundamentais para apegar-se (motivação de apego) (Mitchell, 1988, 1990) e numa exigência de desenvolvimento para experienciar o “outro” como pessoa separada (Benjamin, 1988, 1990).

A formulação kohutiana de que o desenvolvimento e a conservação do self ocorrem dentro de uma “matriz self-selfobjetal” (denominada daqui por diante matriz selfobjetal) situa o indivíduo corretamente dentro de um campo relacional, dirigindo-se a uma dimensão particular da experiência relacional do self. “Os relacionamentos self-selfobjeto” na esfera psicológica são comparados ao oxigênio na esfera biológica (Kohut, 1984, p. 47), fazendo com que um tipo (ou uma dimensão) de relacionamentos seja crucial para o desenvolvimento normal e patológico, para a transferência e a ação terapêutica.

De um ponto de vista contemporâneo da psicologia do self, os relacionamentos selfobjetais certamente envolvem pessoas separadas. Hoffman (1983), entretanto, argumenta que a concepção de transferência selfobjetal de Kohut não é um modelo “social” de duas-pessoas, porque se baseia na falta de diferenciação de self e objeto. A avaliação de Hoffman baseia-se na divisão que Kohut fazia inicialmente entre as linhas de desenvolvimento narcísica e de relações objetais e, além disso, na suposição do próprio Hoffman de que todas as ligações selfobjetais envolvem uma fusão arcaica, isto é, à qual falta a diferenciação de self e objeto (Fosshage, 1992, 1994). Por volta de 1977 Kohut estava evitando a divisão entre desenvolvimento narcísico e desenvolvimento de relações objetais. Ademais, afora uma fusão arcaica no início do desenvolvimento, Kohut supunha que havia discriminação entre self e objeto em todas as outras experiências selfobjetais – fazendo destas, então, para empregar o critério de Hoffman, um modelo relacional (de self com outro). Subseqüentemente os psicólogos do self contemporâneos de modo geral aceitaram a proposição de Stern (1985) de que a discriminação entre self e objeto existe no nascimento, fazendo com que o conceito de fusão arcaica primária de Kohut não fosse mais viável para descrever um estado psíquico do início da vida. O termo “fusão arcaica” ainda é utilizado por alguns psicólogos do self contemporâneos para se referirem fenomenologicamente a um tipo de experiência psicológica na qual diminui a nitidez das fronteiras entre o self e o outro. Essas experiências podem ser vivificadoras (por exemplo, experiências românticas e espirituais) ou desvitalizadoras (por exemplo, a perda do sentido de self por meio da dominação por parte do outro).

Conquanto os constituintes de uma-pessoa e de duas-pessoas do modelo de Kohut sejam comparáveis a outras teorias relacionais, o modelo dele destaca os componentes pré-estabelecidos (pre-wired) mais do que a teoria Relacional norte-americana. O relativo equilíbrio dos fatores constitucionais e relacionais no modelo de Kohut corresponde mais de perto às teorias relacionais de Winnicott e Guntrip.

Uma vez que os desenvolvimentos na psicologia do self contemporânea (incluindo por enquanto a teoria da intersubjetividade) têm vindo ocorrendo na mesma linha de tempo que os desenvolvimentos dentro da Psicanálise Relacional norte-americana, os teóricos das duas abordagens têm feito contribuições para o desvio paradigmático em direção à teoria relacional, bem como têm feito sua integração. Dentro da psicologia do self contemporânea encontramos uma fileira de teorias, algumas que oferecem uma ênfase relacional mais singular e outras que, além disso, tentam identificar fatores bem estabelecidos [hard wired]. Por exemplo, Atwood e Stolorow (1984) oferecem o conceito de “campo intersubjetivo” como sendo um registro mais amplo para incluir todas as dimensões da experiência subjetiva, em contraste com o foco mais singular de Kohut na dimensão selfobjetal. Numa continuidade natureza/cultura esses autores são mais semelhantes a Mitchell quanto à ênfase predominante no campo intersubjetivo ou relacional. Beebe & Lachmann (2002) aplicam descobertas provenientes da pesquisa com bebês para informar-nos acerca do desenvolvimento de “estruturas de interação” dentro de um enquadre de sistemas diádicos. Dentro de um modelo de sistemas interacionais, Bacal (1998) focaliza a “especificidade da experiência selfobjetal na relacionabilidade terapêutica” (p. 141). Shane, Shane & Gales (1998) esboçam as dimensões de “transformação do self” e de “compartilhamento interpessoal” (aquilo que Stern, 1985, chama de “relacionabilidade intersubjetiva”) da experiência relacional. Lichtenberg (1989), e juntamente com os co-autores Lachmann e eu próprio (1992, 1996), postula fatores constitucionais sob a forma de 5 padrões de necessidades e de respostas inatas que surgem dentro da experiência relacional e são contextualmente moldadas por meio dessa experiência, para tornar-se, falando de maneira geral, sistemas motivacionais funcionais ou disfuncionais.

A psicologia do self clássica – com sua ênfase na matriz selfobjetal – contribuiu para o desvio paradigmático em direção à teoria relacional quando empregou o termo “psicanálise relacional” para incluir uma quantidade de teorias relacionais. Por exemplo, os trabalhos escritos de Kohut contribuíram para um desvio de ênfase dentro da teoria relacional (em seu sentido mais amplo) de um foco singular na interpretação, para a inclusão da criação conjunta de experiências relacionais necessárias para o desenvolvimento (Greenberg & Mitchell, 1983, p. 366). Ao empregar o termo “Psicanálise Relacional” em sentido mais estrito para referir-se aos teóricos Relacionais norte-americanos, as teorias contemporâneas da psicologia do self formam um contraste e proporcionam a oportunidade da comparação. Dentro deste último contexto, é possível especular acerca das influências bidirecionais ou conjunções nas formulações a que se chegou independentemente.

Dois significados diferentes do termo “psicanálise relacional” geraram diferentes receptividades à psicologia do self da parte dos autores Relacionais norte-americanos. Quando a psicanálise relacional é empregada como um registro amplo, os autores Relacionais aceitam mais facilmente a psicologia do self, especialmente os seus desenvolvimentos contemporâneos, como um modelo relacional. Quando contrastam a psicologia do self com a teoria Relacional norte-americana, os autores relacionais diferem, mas tendem a adotar uma atitude crítica na avaliação que fazem da psicologia do self. Por exemplo, Aron (1996) e Black (1987) integram aspectos da psicologia do self ao seu pensamento relacional. Em contraste, Mitchell (1988, 1990, 1993, 1997) e, ainda mais extremadamente, Bromberg (1989) descrevem suas nítidas diferenças e críticas à psicologia do self. Algumas das críticas se baseiam nas primeiras teorias de Kohut e não estão de acordo com seu pensamento ulterior nem com os desenvolvimentos contemporâneos da psicologia do self, enquanto outras, no meu modo de ver, se baseiam claramente em mal-entendidos. Entretanto, algumas críticas realçam importantes pontos de contraste com a teoria relacional. Tornando ainda mais complexa a situação, à medida que o tempo passou Mitchell, em colaboração com Black (Mitchell & Black, 1995) pareceram tornar-se mais receptivos à psicologia do self, particularmente aos desenvolvimentos contemporâneos. Por exemplo, Mitchell (1997) viu importantes elementos em comum entre a teoria interpessoal, a teoria de relações objetais e a psicologia do self, em seus desenvolvimentos contemporâneos. Ele identifica esses elementos comuns como sendo “a ênfase na experiência subjetiva do paciente, o culto da criatividade implícita na própria individualidade e na experiência singular do paciente, o papel do analista como instrumento para a expansão da experiência de self do paciente” (p. 96). Hoffman também tem criticado agudamente a psicologia do self; e no entanto, embora não reconheça explicitamente a psicologia do self, Hoffman (1998) veio a considerar a afirmação como fundamentalmente importante no relacionamento analítico, chegando a uma compreensão que corresponde à centralidade atribuída à experiência selfobjetal especular dentro da psicologia do self1.

Levando em consideração essas complexidades, escolhi para os propósitos deste artigo as três questões fundamentais seguintes, que têm servido como pontos nodais de controvérsia e divergência entre os psicólogos do self e os teóricos Relacionais: (1) perspectivas de ouvir/experienciar; (2) o conceito de self; (3) a ação terapêutica, focalizando as teorias da mudança e da participação do analista. Espero lançar alguma luz sobre essas questões conforme evoluíram dentro da psicologia do self e como foram tratadas e avaliadas pelos teóricos Relacionais. Sempre que isso for possível, vou avaliar a influência em qualquer das direções. Vou tentar esclarecer as contribuições diferenciais dos psicólogos do self e dos teóricos Relacionais e vou propor como as contribuições de cada qual podem ser integradas, especificamente a propósito do emprego de diferentes perspectivas de ouvir/experienciar, e vou tratar das diferentes formas de relacionabilidade, visando a criar uma abordagem clínica mais abrangente e eficaz.

Uma advertência antes de começar: cada um de nós gravita em direção a uma teoria e a uma prática que ressoam profundamente com nossa experiência subjetiva, e as desenvolve. Por esta razão é difícil para todos nós saber realmente, ter um “sentimento” para outras abordagens psicanalíticas que não aquela que praticamos. Ademais, “adquirir” outra abordagem exige leituras extensas, bem como vivê-la e respirá-la dentro de uma comunidade em que uma grande dose de comunicação tem lugar verbalmente. Além disso, cada abordagem abriga um largo espectro de diferenças de teoria e prática, criando mais confusão. Donde, são inevitáveis e freqüentes os mal-entendidos por parte daqueles que são “de fora”, para não dizer nada dos que são “de dentro”,.

É claro que assim como a subjetividade do analista sempre está envolvida, a subjetividade de um autor também o está. Penso que é importante acrescentar uma rápida observação pessoal a propósito do meu envolvimento nesses movimentos teóricos. Cedo na minha vida eu desenvolvi um interesse por Jung, especialmente por seu modelo motivacional de atualização de si mesmo e por seu conceito de self. Conquanto tenha tido formação clássica de 1968 a 1972, fui atraído por Guntrip, Winnicott e Balint. O primeiro livro de Kohut, em 1971, inicialmente não me interessou, porque suas contribuições, embora claramente importantes, para mim (que nunca aceitei o modelo pulsional de Freud), estavam excessivamente engastadas na teoria da pulsão e da energia. Entretanto, fui cativado por seu segundo livro e pela teoria da psicologia do self que estava se desenvolvendo. Em 1985 fui convidado a tornar-me membro do International Council of Psychoanalytic Self Psychology, do qual atualmente sou o presidente eleito (desde abril de 2002). Em 1987 fui convidado a fazer parte do corpo docente de Orientação Independente do Programa de Pós-doutorado em Psicanálise e Psicoterapia da Universidade de Nova York, onde ensinei psicologia do self. Em 1988 Emmanuel Ghent e Stephen Mitchell convidaram Philip Bromberg, Bernard Friedland e a mim para estabelecermos a Trilha Relacional na Universidade de Nova York. A Trilha Relacional era concebida para representar, como nós 5 representávamos, diversos modelos relacionais, incluindo o de relações objetais, o da psicologia do self, o interpessoal e o da teoria Relacional norte-americana que estava surgindo. Assim, eu “vivi” dentro dos desenvolvimentos que estavam se fazendo na psicologia do self, na teoria da intersubjetividade e na teoria Relacional, e experienciei pessoalmente as revigorantes, estimulantes e às vezes enlouquecedoras idas e vindas [tugs and pulls] desses mundos psicanalíticos teóricos e políticos.

Um estudo comparativo de teorias psicanalíticas exige a compreensão dos contextos particulares de cada um dos teóricos e de suas teorias que vão surgindo. Para Kohut a psicanálise clássica, especificamente a teoria das pulsões, a psicologia do ego e a técnica clássica, serviram como ponto de partida para todos os seus trabalhos escritos, e influenciaram pesadamente os primórdios da psicologia do self. Repetindo, as formulações iniciais de Kohut (1971) sobre narcisismo eram baseadas na pulsão e na energia. Em seu Restoration of the Self (1977) Kohut articulou uma teoria da psicologia do self mais plenamente desenvolvida, mais revolucionária: a teoria de pulsão/estrutura foi contornada, e o desenvolvimento e a manutenção do self passaram a ser o modelo motivacional e de desenvolvimento que abrangia tudo. A formulação kohutiana final mais minuciosa dos pontos de vista sobre a ação terapêutica aparece em seu livro póstumo, How Does Analysis Cure? (1984)

Em contraste com isso, em seguida a Object Relations in Psychoanalytic Theory (1983) de Greenberg e Mitchell, Mitchell, arquiteto inicial da Psicanálise Relacional, ligou as tradições interpessoal e de relações objetais para formular seu modelo relacional, publicando seu novo livro, Relational Concepts in Psychoanalysis, em 1988. Mitchell deu continuidade ao desenvolvimento de seu modelo relacional e suas explorações clínicas em Hope and Dread (1993), Influence and Autonomy (1997), Relationality (2000) e em seu livro póstumo Can Love Last? (2002).

Stolorow e Atwood, e subseqüentemente com Brandchaft e, mais recentemente com Orange, aperfeiçoaram mais sua teoria da intersubjetividade durante mais ou menos a mesma linha de tempo em que Mitchell aperfeiçoava sua teoria relacional. Dentro de um arcabouço teórico cada vez mais amplo e abrangente da intersubjetividade, esses autores integraram e contribuíram para os progressos contemporâneos da psicologia do self. Faces in a Cloud (1979) de Stolorow e Atwood estabeleceu o palco para seu primeiro livro sobre a teoria da intersubjetividade, Structures of Subjectivity (Atwood & Stolorow, 1984), seguido de Psychoanalytic Treatment: An Intersubjective Approach (Stolorow, Brandchaft & Atwood, 1987), Contexts of Being (Stolorow & Atwood, 1992) e Working Intersubjectively: Contextualism in Psychoanalytic Practice (Orange, Atwood & Stolorow, 1997).






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