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CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES

ASSOCIADAS DE ENSINO - FAE

São João da Boa Vista – SP Tel./fax (0xx19)-3623-3022 / 0800-173022



Mestrado Acadêmico em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida

http://www.fae.br/mestrado


DDC-98 MODERNIDADE LÍQUIDA: DROMOCRACIA, MÍDIA, IMPACTOS SOCIOCULTURAIS E CONSEQUENCIAS NA QUALIDADE DE VIDA
Disciplina Eletiva - Carga Horária: 30h - 2 Créditos
Prof.Dr. Prof. Francisco de Assis Carvalho Arten
Ementa
As mídias contemporâneas e seu papel na cultura e nas formas sociais constituem um campo de pesquisa em constante mutação, devido, em grande parte, à evolução das tecnologias da informação e comunicação. Os impactos da Internet, da TV Digital e dos portáteis (que veiculam voz, música, imagem e vídeo) na cultura começam a ser mensurados apenas agora. A exploração desses veículos e também a sua integração têm produzido efeitos sociais marcantes.
Zygmunt Bauman (2000) aponta as características desta nova ordem social em Modernidade Líquida, como denominou a época. Uma ordem social nova e contraditória: quando tudo o que antes parecia sólido agora parece se dissolver, se liquidificar. Uma nova ordem social, que exige de cada um, estados ou indivíduos, o constante reciclar cognitivo, econômico e impinge um grande esforço para manter-se em condições de competividade dentro desta lógica de reciclagem estrutural, própria do ‘capitalismo ciberdromocrático global’. Dromocrático, pois se exige, cada vez mais, mais velocidade o que tem gerado um sentimento peculiar: “ Sentimento de confusão, desorientação e perplexidade” ( BAUMAN, 2004,p.24). Assim o autor explica o ‘mal estar que assalta a nova geração nascida no “admirável e líquido mundo moderno”, e que tem elevado o número de jovens que sofrem de depressão. A geração mais jovem experimenta sofrimentos que eram desconhecidos das gerações anteriores. “Não necessariamente mais sofrimentos, nem sofrimentos mais agudo, dolorosos e mortificantes, mas sofrimentos bem diferentes, de um novo tipo – mal-estares e aflições, poderíamos dizer ‘especificamente líquido-moderno”. ( BAUMAN, 2004, p.18)

Nessa conjuntura de fatores, contemplando a sua necessária contextualização social-histórica, a disciplina priorizará estudos sobre as consequências destas constantes alterações no modo de vida de cada um, focando autores que trabalharam ou trabalham as características da época, sobre o prisma da velocidade que é exigido de cada um, indivíduos, empresa e estados, como condições de sobrevivência, nesta nova era ciberdromocrática, onde a velocidade impera e pauta a vida de cada. A visibilidade mediática compreende o espaço longitudinal imaterial de circulação e migração intermediática de signos que, sob o álibi da representação de acontecimentos e fatos, práticas e atitudes, indivíduos e grupos, instituições e corporações, marcas e produtos etc., se apresentam auto-referenciais; em outras palavras, equivale a um corredor simbólico dinâmico e majoritário da cultura contemporânea para circulação intermediática da produção simbólica regida pelas leis do mercado corporativo e das audiências (estejam em jogo redes live ou online) e modulada por peculiaridades sociais relativamente estáveis [migração inter-media/redes: de jornais e revistas impressos para o cyberspace, da TV e do rádio para celulares, de livros para o cinema, de câmeras de vigilância e controle para a TV, e assim por diante, em espiral que abrange até écrans de bolsas de valores; migração inter-produtos/formas culturais: do noticiário televisivo/radiofônico para talk shows e programas de variedade, das novelas para a publicidade, dos comics e games para filmes, do Twitter para blogs, dos YouTube ou reality shows para o noticiário impresso, deste para sites, e vice-versa, em miríade]; Todas estas circunstâncias tem reflexo na qualidade de vida da comunidade, num todo e em cada um especificamente


O plano de ensino, embora contemple processos de massificação cultural, abrangerá, prioritariamente, em sua grade temática:

[1] a fase da informatização social e, mais recentemente, da imbricação entre media de massa e interativos;

[2] o modo pelo qual essas fases incorporam, como traços prioritários, [a] a lógica do excesso e da fragmentação, a ausência de finalidade e a incerteza estrutural (próprias da pós-modernidade), bem como [b] a violência transpolítica (uma violência invisível, geralmente protossimbólica, que se põe para além da capacidade administração e controle por parte das instâncias herdadas da modernidade política);

[3] e como tais fases e fatores implicam, intrinsecamente, o fenômeno glocal (nem local, nem global), os processos de glocalização, a aceleração, a instantaneidade, a circularidade tautológica e a efemeridade dos signos e do sentido, por força da instituição da velocidade como regime de articulação e modulação da vida social.

As temáticas serão vistas com base em perspectivas consolidadas nas últimas décadas, com especial destaque para o pós-estruturalismo francês, o pós-modernismo filosófico, a sociodromologia fenomenológica e as teorias do imaginário.

Os trabalhos serão desenvolvidos mediante aulas teóricas (de tipo expositivo), embasadas na bibliografia prevista e com discussões regulares tendo como referência as explanações e textos correspondentes.
Bibliografia



  1. BAUDRILLARD, Jean. Simulacro e simulação. Lisboa: Relógio Dágua, 1991.

  2. ________________ As estratégias fatais. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

  3. BAUMAN, Zygmunt. Vidas Desperdiçadas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.

  4. ________________ Modernidade Líquida: Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995.

  5. CASTORIADIS, Cornelius. A instituição imaginária da sociedade. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,¬¬ 1986.

  6. HARVEY, David. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 1992.

  7. JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Ática, 1997.

  8. LYOTARD, Jean-François. O pós-moderno. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

  9. TRIVINHO, Eugênio. A dromocracia cibercultural: lógica da vida humana na civilização mediática avançada. São Paulo: Paulus, 2007.
    _______. Visibilidade mediática, melancolia do único e violência invisível na cibercultura: significação social-histórica de um substrato cultural regressivo da sociabilidade em tempo real na civilização mediática avançada. São Paulo: cópia reprográfica e digital, 2009. 13p. (Texto apresentado no XIX Encontro Nacional da COMPÓS - Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação.)

  10. VIRILIO, Paul. Velocidade e política. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.



Para saber mais...

No livro Modernidade Líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman, fala sobre as transformações sociais pelas quais passa nossa sociedade nas esferas pública, privada, relacionamentos humanos, mundo do trabalho, estado e instituições sociais. Bauman utiliza a metáfora da liquefação para demonstrar as conseqüências que essa transformação social está trazendo para os relacionamentos entre as pessoas.

A modernidade imediata é 'leve', 'líquida', 'fluida' e mais dinâmica que a modernidade 'sólida' que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou mudanças em todos os aspectos da vida humana. Bauman (1995, 2004) procura esclarecer como se deu essa transição e auxiliar a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta, fazendo uma análise das condições cambiantes da vida social e política.

Segundo Bauman (1995), a solidez das instituições sociais, como por exemplo a família, o governo, as relações de trabalho, está perdendo espaço para o fenômeno de liquefação. De acordo com essa metáfora, a solidez dessas instituições, firmes e inabaláveis, estão se derretendo, transformando-se, irreversivelmente, num estado liquido. Este estado líquido tem como característica principal a capacidade de moldar-se em relação as mais diversas estruturas. Neste tempo de transformações no relacionamento humano, os laços afetivos e sociais acabam se tornando o centro da questão e a liquefação dessas antes solidas instituições evidenciam um tempo de desapego e uma suposta sensação provisória de liberdade que, na verdade, traz consigo um desapego social em que nós, indivíduos moderno-líquidos, nos encontramos.

Bauman (1995) usa o termo individuo para alertar-nos do crescente processo de individualização pela qual nossa sociedade está passando. Existe um desprendimento de pertencermos em alguma rede social. A cultura do Eu sobrepõe-se à do Nós e o relacionamento eu-outro ganha características mercantis, em que os vínculos entre as pessoas tem a possibilidade de serem desfeitos a qualquer momento. Esse tipo de relacionamento volátil (liquido) traz uma sensação de leveza e descompromisso, sendo associada à uma liberdade individual.

Porém, essa mesma liberdade individual vem provocando uma série de queixas psicológicas que parecem fazer parte dessa liquidez, como depressão, sensação de solidão, isolamento e desamparo no plano individual. No âmbito social gera-se uma situação de desterritorialização. Fronteiras culturais, territoriais, lingüísticos praticamente deixaram de existir. Pertencemos ao mundo, mas até onde o mundo nos pertence?



Na modernidade líquida não há compromisso com a idéia de permanência e durabilidade. Entre a possibilidade do desprendimento fluido como modo de vida e a imposição do mesmo para a imensa maioria, há um vácuo entre a liberdade e a incerteza, a emancipação e o total desamparo social e individual.


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