AssunçÃO: maria “desaparece” em deus “Maria, antes de ser Nossa Senhora, foi senhora de si”



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ASSUNÇÃO: MARIA “DESAPARECE” EM DEUS
Maria, antes de ser Nossa Senhora, foi senhora de si” (I. Larragñaga)
A Assunção de Maria foi, durante muitos anos, uma verdade de fé aceita pelo povo simples. Só em meados do século passado proclamou-se como dogma de fé.

É preciso levar em conta que uma coisa é a verdade que se quer definir e outra, muito diferente, a formulação em que se introduz esta verdade. A Assunção é uma “metáfora” que quer balbuciar algo que se encontra mais além dos conceitos e das palavras: que Maria foi “introduzida” na Vida de Deus.

Certamente soaria estranha para a mentalidade bíblica a definição do dogma (“A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”- 1º. nov. 1950). Simplesmente porque foi formulada a partir de conceitos filosóficos e teológicos completamente alheios à sua maneira de pensar. Para a antropologia bíblica o ser humano não é um composto de “corpo e alma”, mas uma única realidade que se pode perceber sob diversos aspectos, mas sem perder nunca sua unidade.
Não podemos entender “literalmente” o dogma da Assunção. Pensar que um ser físico, Maria, que se encontra em um lugar, a terra, é transladada localmente a outro lugar, o céu, não tem sentido. O próprio papa João Paulo II afirmou que o céu não é um lugar, mas um estado. Em linguagem bíblica, “os céus” significa o âmbito do divino; portanto, Maria está já “nos céus”.

Quando o dogma fala de “corpo e alma”, não devemos entendê-lo como o material ou biológico por uma parte, e o espiritual por outra. O dogma não pretende afirmar que o corpo biológico de Maria está em alguma parte, mas que todo o ser de Maria chegou à mais alta meta.

A proclamação do dogma foi uma tentativa de propor que a salvação de Maria foi absoluta, ou seja, que alcançou sua plenitude. Essa plenitude só pode consistir em uma unificação e identificação absoluta com Deus.

Maria terminou o ciclo de seu processo de maturação terreno e chegou à sua plenitude. Mas não por força de acréscimos externos, como fazê-la sentar em um trono, coroá-la, declará-la rainha, senão pelo processo interno de identificação com Deus. Nessa identificação com Deus não cabe mais nada. Chegou ao limite de suas possibilidades. Porque “assumiu” Deus em sua vida, Maria foi “assumida” totalmente por Deus; ela deixou Deus ser grande na sua vida; por isso, Deus a engrandeceu plenamente.


Realiza-se em Maria a situação final, já dentro da história, situação prometida a toda humanidade: “ser um dia de Deus e para Deus”; Maria o é desde o início (imaculada) até o final (assunção), através de uma fidelidade de toda a sua vida.

A Assunção de Maria é considerada, também, como antecipação da nossa ressurreição, que seremos ressuscitados em Cristo. Portanto, a glória de Maria não a separa de nós, mas a une mais intimamente a nós. Maria na glória concretiza, de modo eminente, nosso próprio destino futuro; ela vive agora em plenitude aquilo que nós, um dia, iremos viver. A Assunção é realidade compartilhada

Ela foi “assunta” porque assumiu tudo o que é humano, porque “desceu” e se comprometeu com a história dos pequenos, dos pobres e excluídos... Maria foi glorificada porque se fez radicalmente “humana”.

Crer na Assunção de Maria implica crer na exaltação dos pequeninos e humilhados, dos pobres esquecidos, dos injustiçados sem voz, dos sofredores sem vez, dos abandonados sem proteção, dos mise-ricordiosos descartados, dos mansos violentados...


Essa meta é a que nos espera a todos, se somos capazes de dizer como Maria: “Fiat”.

Nesse sentido, cremos que a expressão mais criativa, mais ousada e completa em toda a história da huma-nidade foi o “fiat” da mãe de Deus. Longe de ser uma palavra de passiva resignação e meiga submissão, o “sim” de Maria expandiu-se com extraordinária força. Mulher nova e livre, em Maria ouvimos a resposta perfeita, o “Fiat” da criatura dito ao Criador; ela é a mulher da oblação. Nela a Trindade vê sua obra levada à perfeição. Seu “sim” tornou possível a Encarnação. Nela, a ação da liberdade e da graça harmo-nizam-se perfeitamente.

Através do seu “sim”, a cristificação do cosmos tornou-se possível e a história tornou-se significante.

O “fiat” da mãe de Deus é para os fortes e corajosos.


Nem sempre temos consciência da força e do dinamismo que a expressão “sim” carrega; uma expressão que move o mundo; expressão oblativa que nos faz ex-cêntricos (o centro é o outro).

Dizer “sim” é ampliar o próprio interior para que Deus possa encontrar mais espaço livre e poder atuar.

Dizer “sim” é deixar “Deus ser Deus”: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc. 1,38).

Ao mesmo tempo, a atitude que se expressa no “sim” é a que mais nos humaniza, pois alarga e desata todas as possibilidades humanas que carregamos dentro de nós. O “sim” pede o envolvimento da pessoa inteira, desde o mais profundo das entranhas até a mobilização do corpo, da mente, da vontade, da afe-tividade...


Nós precisamos de “4 sins” para expressar nossa humanidade expansiva, para percorrer o caminho em direção à plenitude. Dois nós os recebemos e os outros dois nós os damos.

O “primeiro sim” que recebemos, e às vezes o último que descobrimos, acontece em nosso nascimento. É o “sim” primeiro de Deus à nossa vida, com tudo o que ela é, a afirmação profunda que nos mantém na existência, Neste “sim” de puro amor respiramos e somos.


O “segundo sim” é o daqueles que nos tomaram nos braços ao nascer, nossos primeiros cuidadores: nos alimentaram, nos protegeram, nos acompanharam com o melhor deles e também com suas feridas.

Seu “sim” nos permitiu crescer e ocupar nosso lugar único no mundo.


O “terceiro sim” é o que nós damos. Este, às vezes, nos custa mais. É o “sim” que nos oferecemos a nós mesmos, é o assumir da própria vida em sua espessura, em sua ambigüidade, com as transformações de sua história, e também com toda sua beleza e suas possibilidades ainda por manifestar.
O “quarto sim” é o que nos faz mais parecidos a Deus. É o “sim” que entregamos aos outros para afirmar suas vidas também com tudo o que ela é, sem deixar nada fora, uma afirmação que cura e potencia.

É o “sim” que Maria deu a Isabel quando foi servi-la. Este “sim” está feito de reconhecimento, de respeito e de alegria pelo trabalho secreto de Deus em cada um.


Texto bíblico: Lc. 1,39-56
Na oração: Contra uma concepção cada vez mais “econômica” do mundo, contra o triunfo do possuir, do ter,

Do prestígio, o Magnificat exalta a alegria do partilhar, do perder para encontrar, do acolher, do admirar, da felicidade da gratuidade, da contemplação, da doação...

O ser humano, e todo o seu ser, transforma-se então em louvor a Deus.

Nenhum outro texto nos revela de maneira tão densa e tão profunda a vida interior de Maria, os pensamentos e os sentimentos que invadem sua alma, a consciência de sua missão, sua fé e sua esperança, sua experiência de Deus, enfim.



Rezar as “marcas salvíficas” de Deus na própria história pessoal.


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